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domingo, 25 de setembro de 2016

AS SAGRADAS ESCRITURAS OU BÍBLIA


LEITURA ESPIRITUAL - Dia da Biblia


"Toda a Escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, apto para toda a obra boa". (II Tim., III, 16 e 17).


   Aqui o Apóstolo São Paulo faz um justo e belíssimo elogio da Sagrada Escritura divinamente inspirada. Além de indicar sua inspiração divina, diz que é útil para: ensinar as verdades da fé; refutar os erros contrários a estas verdades santas; combater e reformar os maus costumes; dirigir as almas em todos os caminhos da justiça e da santidade. Estes são, como observa Santo Tomás, os quatro efeitos produzidos pelo estudo da Sagrada Escritura. Na verdade, um homem não tem direito de se impor a outro homem. Só Deus domina os espíritos e os corações.

   Um dos benefícios que Tobias reconhecia haver recebido do Anjo São Rafael, era restituir-lhe a vista; quanto maior benefício é haver-nos, não um Anjo, mas o Espírito Santo aberto os olhos, não do corpo, mas da alma, para vermos a luz, não a material do sol, mas a espiritual das doutrinas de nossa santa Fé Católica!

   Caríssimos, grassa no mundo uma conspiração contra a Verdade e o Decálogo. A iniquidade multiplica-se sobre a face da terra. A fé extingue-se nos corações. Estarrecidos e tristes, assistimos a destruição da família cristã. E, neste afã iníquo em aniquilar a célula da sociedade,  não bastassem os comunistas e maçons, bispos progressistas, sob a capa de misericórdia, parecem empenhados em tranquilizar as consciências no pecado, ao invés de o tirar delas como fizera o Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

   Para obstar a tantos males só a palavra de Deus! Pois diz ainda o Apóstolo na Epístola aos Hebreus, IV, 12: "A palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que toda a espada de dois gumes; chega até à separação da alma e do espírito, das junturas e das medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração". Por isso o escritor (ou pregador) que tem por base a Palavra de Deus, apóia-se em terreno sólido. Seu escrito (ou pregação) não é feito "só de palavras, como diz São Paulo, mas da virtude do Espírito Santo e da abundante plenitude dos seus dons".

   Lemos no antigo Testamento que os Israelitas ouvindo a leitura do livro de Baruc, choravam e oravam; oxalá que os povos modernos, convencidos e convertidos, chorem igualmente sobre as suas faltas e orem, ao lerem a Palavra de Deus, e sobre ela refletirem!

   Não quero terminar sem antes trazer à lembrança aquela cena comovente de um São Paulo apresentando-se diante de Félix. Assim, com eloquência, a descreve o cardeal Gibbons:  "O Apóstolo, carregado de cadeias, de rosto emagrecido pelas privações sofridas durante dois anos na prisão, de pé, em face dum governador escravo duma mulher adúltera, levanta as mãos ligadas pelos grilhões e prega a justiça, a castidade, o juízo derradeiro. Félix perturba-se, sente o remorso duma consciência culpada e tem pressa em sair do tribunal. Tinha razão de sobra para temer: a justiça, desconhecia-a; a castidade, havia-a ultrajado; e as vinganças divinas, devia receá-las". (Cf. Atos, XXIV, 24 e 25). Será possível pintar com mais relevo o ascendente da inocência em ferros sobre a corrupção coroada? Caríssimos, que tocante exortação para o ministro de Deus que tenha de denunciar a iniquidade e o vício!

   Para empregar uma comparação feita pelo Cardeal Maffi:"Náufrago no mar tempestuoso, o pobre Camões com uma das mãos batia as ondas e com a outra levantava fora d'água o manuscrito dos Lusíadas que o haviam de imortalizar". E fazendo minha a sua aplicação: Sobre as ondas ameaçadoras e lodosas dos pecados  do mundo moderno está a palavra, não de um simples mortal, mas do Altíssimo, palavra esta que elevarei pelo alto. Ela será minha guia, minha força, minha esperança;  e, oxalá para muitos e muitos seja salvação. Amém! 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A VERDADE É IMUTÁVEL

LEITURA ESPIRITUAL


"Jesus Cristo é sempre o mesmo ontem e hoje; e ele o será também por todos os séculos. Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas" (Hebreus XIII, 8 e 9).

Passará o céu e a terra, mas a verdade do Senhor permanecerá eternamente (Mt XXIV, 35). As palavras dos Pitagóricos, disse-o o mestre, não era entre eles senão a expressão de uma idolatria insensata, pois não há homem que não se engane; mas aplicada a Nosso Senhor Jesus Cristo, deve ser um primeiro princípio, um axioma sagrado para todo católico.

Jesus Cristo é eterno. N'Ele creram os justos de todos os séculos passados; n'Ele creem os seus apóstolos; cremos também nós n'Ele e todos os fiéis que vivem nos dias de hoje e n'Ele crerão todos os séculos futuros até ao fim do mundo. Sendo Deus é eterno, é imutável. Ele é o único Messias e depois d'Ele não devemos esperar nenhum outro.

O Apóstolo, com as palavras acima enunciadas, quis estabelecer a eternidade do Verbo Divino. E o próprio São Paulo tira a conclusão lógica, ou seja, que nossa fé deve ser também imutável, e os verdadeiros cristãos não devem ir atrás daqueles que lhes prometem um outro Cristo, um outro Messias. Sendo Jesus o Filho de Deus Vivo, só Ele tem palavras de vida eterna. Sua doutrina é perfeita; sua Igreja é uma só, como uma só é a verdade.

São Paulo combate aqui as seitas, nascidas de homens pecadores, mortais, mutáveis. As doutrinas das seitas são várias e consequentemente estranhas à única verdadeira que é a de Jesus Cristo. "Deus é a única verdade, escreveu Luiz Veuillot, a Igreja Católica é a única Igreja de Deus".

Jesus Cristo é a Verdade absoluta como Verbo de Deus e é ainda para nós a Verdade revelada, a luz da fé. Ele é assim o nosso Mestre por excelência: "Vós só tendes um mestre que é Cristo" (Mt XXIII, 10). Que os outros escolham, se quiserem, "mestres que deleitam os ouvidos e se desviam da verdade para se entregarem a fábulas" (II Tim., IV, 3 e 4).  Quanto a nós, pela graça de Deus, iremos Àquele que tem palavras de vida eterna, aquele que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. Iremos a Ele com toda a nossa alma, com a dupla luz da razão e da fé. Diz Lacordaire: "Movemo-nos em duas esferas: a da natureza e a da graça; mas tanto uma como outra têm o Verbo, Filho de Deus, por autor e por guia. Eis porque a Igreja, infalivelmente assistida pelo Espírito que a instituiu, nunca abdicou na defesa da razão; teve-a sempre como uma parte da sua herança..."

Jesus Cristo, o Filho de Deus, desceu do céu à terra para constituir uma sociedade que pudesse "aparecer diante d'Ele gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e imaculada" (Ef. V, 27).  E o divino Mestre quer nos levar até a Jerusalém celeste e diz que Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Jesus Cristo é o Caminho que devemos seguir para  chegarmos ao Pai; a Verdade em que devemos acreditar, a Vida que almejamos conseguir. Aquele que estiver unido a Ele tem tudo: tem o Pai e vê o Pai, não com os olhos físicos, mas com os olhos do espírito. A união com o Pai é o próprio ser de Jesus; dela depende a sua vida humana; a sua doutrina é luz daquele foco; os seus milagres, manifestações do poder divino.

Segundo o pensamento do Beato Mons. Ollier, tenhamos habitualmente Jesus diante dos olhos, no coração e nas mãos.Tenhamos Jesus diante dos olhos: contemplando-O como o modelo mais completo de todas as virtudes que devemos praticar. Tenhamos Jesus no coração: quer dizer, supliquemos ao Espírito Santo, que animava a alma humana do Salvador e que é ainda hoje a alma do seu corpo místico, que venha até nós para nos tornar semelhantes a Jesus Cristo. Tenhamos Jesus nas mãos: isto é, roguemos-Lhe que faça com que a sua vontade se cumpra em nós, que, "como bons membros, devemos obedecer à cabeça, e cujos impulsos só devem vir de Jesus Cristo, o qual, enchendo a nossa alma do seu Espírito, da sua virtude e da sua força, deve operar em nós e por nós tudo quanto deseja".

Com São Paulo, digamos de todo o coração: "A minha vida é Jesus". Amém!

domingo, 8 de maio de 2016

MARIA, MÃE DO BELO AMOR

LEITURA ESPIRITUAL PARA O DIA DAS MÃES

"Ad Jesum per Mariam"
Pelo  servo de Deus Pe. Mateo Crawley-Boevey SS. CC.
"Maria, da qual nasceu Jesus" (Mt 1, 16 ). [Acrescentei este texto bíblico]

(...) Ab initio et ante saecula, desde toda a eternidade (Ecli 24, 17) já estava íntima e inseparavelmente unida a Rainha ao Verbo, no plano que este devia realizar como Salvador dos filhos decaídos. Com o Redentor, a Corredentora Imaculada! Respeitemos e adoremos os desígnios do Altíssimo. Conservemos perfeitamente unidos os Corações que Deus mesmo uniu, o de Jesus e o de Maria. A eles honra e glória!
Meu caminho para chegar ao Santo dos Santos, ao Coração mesmo de Jesus, até o mais íntimo desse santuário de justiça e de amor, tenho-o perfeitamente traçado: o caminho obrigatório e direto é Maria!
Assim como ninguém conhece o Pai senão aquele a quem o Filho o revelar (Mt 11, 27), assim também, em outro plano e relativamente falando, poderíamos dizer que não alcança o Rei senão aquele a quem se revelar a formosura da Rainha.
Por Maria chega do Pai até nós o Verbo. Teria podido tomar mil outros caminhos, ou nenhum, aparecendo e apresentando-se quando quisesse, uma vez que, sendo Deus, não necessitava de pontes e intermediários. Mas assim se manifesta patentemente a vontade de Deus: que Maria entre de cheio no plano divino. Assim como Deus vem aos homens por Maria, os homens resgatados devem alcançar a Deus por intermédio d'Ela. Porque o quis positivamente, Jesus fez de sua Mãe ponte indispensável.
Com efeito, nenhum cristão digno do nome pretenderá tomar um caminho que não seja Maria, o traçado por Aquele que chamou a si mesmo "o Caminho".
Seria pretender corrigir os planos de um Deus e emendar uma afirmação sua, feita por meio do prodígio assombroso da Encarnação, não querer passar pelos braços da Rainha Imaculada, ao ir em busca de Deus e ao encontro de seu Filho.
Observemos aqui, que Maria não é um desvio, por belo e sublime que fosse, na senda que nos traz a Deus ou que nos leva a Ele. quero dizer que, eliminando por um momento a Maria, não retificamos a linha, não encurtamos a distância. Suprimir a intermediária divina que é a Mãe de Jesus, não é o mesmo que num palácio fazer desaparecer a antecâmara do Rei. Oh, não !
Maria, desde 25 de março, foi de tal modo e por tal forma colocada entre Deus e os homens que, desde então, quem pretendesse iludir sua intervenção, quem quisesse eliminar ess "porta do céu", alongaria tanto o caminho e o faria tão fatigante e perigoso, que correria o risco de não chegar à meta final.
Mais que interessante é comovedor pensar que, em Belém, os pastorinhos, os Reis, o próprio José recebem das mãos de Maria o adorável Menino.
Ela toma o seu tesouro e, no seu direito de propriedade, depois de beijá-Lo e abraçá-Lo, "empresta-O" aos afortunados a quem uma vocação especial atraiu ao presépio. E, tendo acariciado e adorado o Menino, devolvem-no a Maria, consciente e amorosa arca de tão grande riqueza.
É indubitável que, durante largos anos, sendo embora, como hoje diríamos, maior de idade, Jesus não tenha feito nada de importante - ia dizer não se distanciou da casinha venturosa de Nazaré - sem pedir licença a sua Mãe, ainda que não fosse senão para dar-lhe sempre um prova a mais de ternura e amor filial.
Aquele "subditus illis" (Lc 2, 51) "era-Lhes submisso" é abismo insondável no qual se destaca com muito relevo Maria que manda, decide, ordena como Rainha, e Jesus que obedece.
Essa atitude de Nosso Senhor, a sua voluntária dependência de Maria, essa situação de Maria possuidora e dispenseira de Jesus, perdura ainda por vontade de Jesus; e perdura realçada e sublimada pelo estado de glória do Filho e da Mãe.
Quem chegou a Belém ou a Nazaré conhecendo já a Maria, ou acorreu confiante a ela solicitando o gozo e a glória de poder contemplar o Menino adormecido, ou dar-lhe um beijo, jamais se desapontou. Tanto mais hoje em dia, porque a Assunção de Maria e sua coroação no céu não empalideceram por certo - oh, não! - nenhum dos seus privilégios e ainda menos nenhum dos seus direitos. Ao contrário, o céu os ratificou todos. Uma outra observação: Maria é uma criatura, é a Nazarena, quase deusa por sua hierarquia, única entre todas as criaturas por sua maternidade divina, mas irmã nossa, da nossa carne e do nosso sangue.
No corte portanto da qual Ela é Rainha, rodeada de espíritos angélicos, somos os preferidos porque realmente congêneres e irmãos da Soberana. Quero dizer que, se admitindo o impossível, tivesse Ela que escolher, Ela, a Nazarena, entre confiar Jesus a um anjo ou a uma Santa Teresinha, não vacilaria, e Teresinha teria a melhor parte, por ser da raça e do sangue de Maria.
"Tu és, Rainha Imaculada, a ponte estendida por Deus mesmo entre o Paraíso que perdemos e o Paraíso que esperamos".
Venha Jesus a nós, das Tuas mãos! Carrega-nos sobre ela, Rainha e Mãe, até as profundezas do seu Coração Adorável!"
O primeiro Mestre do amor de Maria é Jesus.
A principal razão por que devo amá-la, sem medir a torrente das minhas ternuras para com Ela, é que o primeiro dos amores do Coração de Jesus, depois de seu Pai Celeste, foi Maria.
A primeira palavra que o Bebê divino balbuciou, quando apenas desatara sua língua, foi seguramente "Mãe... Maria". E a fibra mais delicada do seu Coração de Homem-Deus reservara-a para sua Mãe Imaculada. Amou com só Deus pode amar a criatura mais perfeita saída de suas mãos, a única santa. Tota pulchra, "toda formosa!" (Cânt. 4, 7).
Amou-a com só Deus poderia amar àquela de quem ia tomar a carne e o sangue humanos para ser, pela Paixão e Morte, já agora possíveis, o Salvador do mundo. Constituiu Maria, nesse mesmo momento, em colaboradora direta, em Corredentora.
Amou-a Jesus com gratidão de Deus, porque, com seu "Fiat", completara Ela o que faltava a Deus: a possibilidade de agonizar e morrer.
Amou-a Jesus com gratidão de Filho, dormiu tranqüilo em seu regaço materno. Seu Coração gozou as ternuras e desvelos, as carícias e as lágrimas amorosas que Maria, e só Maria, era capaz de prodigalizar ao Filho de Deus vivo, Filho seu!
Amou-a Jesus durante trinta anos de intimidade. Na mais estreita convivência, foram-se fundindo, mais e mais  - se fosse possível -  os Corações do Filho e da Mãe, naquele diálogo perpétuo das suas duas almas, naquela paixão e agonias secretas que os crucificava a ambos, já desde então, na mesma cruz.
Amou-a Jesus na Sexta-Feira Santa. Como lhe deu o seu Coração, durante a via dolorosa, para fortificá-la e consolá-la...! Quanto a amou ao cravar n'Ela os olhos moribundos, ao confiar-lhe, em João, todas as almas e a Igreja, ao despedir-se d'Ela que recebera o seu primeiro vagido e suas primeiras lágrimas em Belém! (...).
Em boa escola aprendemos nós, o amor a Maria. Nada menos que no Coração de Jesus! (...) Para não desviar, nem pouco, nem muito, quero amar o que Ele amou, e quanto possível, como Ele amou. (...) Dando-me, pois, a Maria, não só não subtraio nenhuma migalha a Jesus, mas, por imitá-Lo no amor à sua Mãe, torno-me mais unido ainda ao seu Sagrado Coração. (...)


Extraído do livro "JESUS, REI DE AMOR".

domingo, 17 de abril de 2016

RESTAURAR EM CRISTO TODAS AS COISAS

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 17 de abril


"É n'Ele (Jesus Cristo) que temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça, a qual derramou abundantemente sobre nós, em toda sabedoria e prudência; a fim de nos tornar conhecido o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que tinha estabelecido consigo mesmo, de restaurar em Cristo todas as coisas..." (Efésios I, 7-10).

"... A volta das nações ao respeito da majestade e da soberania divina, por mais esforços, aliás, que façamos para realizá-lo, não advirá senão por Jesus Cristo. De feito, o Apóstolo adverte-nos que ninguém pode lançar outro fundamento senão aquele que foi lançado e que é a Cristo Jesus  (1 Cor III, 11). Só a ele foi que o Pai santificou e enviou a este mundo (S. João X, 36), esplendor do Pai e figura da sua substância (Heb. I, 3), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem o qual ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo (S. Mateus XI,  27).
"Donde se segue que restaurar tudo em Cristo e reconduzir os homens à obediência divina são uma só e mesma coisa. E é por isto que o fito para o qual devem convergir todos os nossos esforços é reconduzir o gênero humano ao império de Cristo. Feito isto, o homem achar-se-á, por isso mesmo, reconduzido a Deus. Mas - queremos dizer - não um Deus inerte e descuidoso das coisas humanas, como nos seus loucos devaneios o forjaram os materialistas, senão um Deus vivo e verdadeiro, em três pessoas na unidade de natureza, autor do mundo, estendendo a todas as coisas a sua infinita Providência, enfim legislador justíssimo que pune os culpados e assegura às virtudes a sua recompensa"
"Ora, onde está a via que nos dá acesso a Jesus Cristo? Está debaixo dos nossos olhos: é a Igreja. Diz-no-lo com razão S. João Crisóstomo: 'A Igreja é a tua esperança, a Igreja é a tua salvação, a Igreja é o teu refúgio'. Foi para isso que Cristo a estabeleceu, depois de adquiri-la ao preço do seu sangue; foi para isso que Ele lhe confiou a sua doutrina e os tesouros da graça divina para a santificação e salvação dos homens".
... "Trata-se de reconduzir as sociedades humanas, desgarradas longe da sabedoria de Cristo, reconduzi-las à obediência da Igreja; a Igreja, por seu turno, submetê-las-á a Cristo, e Cristo a Deus. E, se pela graça divina nos for dado realizar esta obra, termos a alegria de ver a iniquidade ceder lugar à justiça, e folgaremos de ouvir uma grande voz dizendo do alto dos céus: Agora é a salvação, e a virtude, e o reino de nosso Deus e o poder de seu Cristo (Apocalipse XII, 10)."
"Todavia, para que o resultado corresponda aos nossos votos, mister se faz, por todos os meios e à custa de todos os esforços, desarraigar inteiramente essa detestável e monstruosa iniquidade própria do tempo em que vivemos e pela qual o homem se substitui a Deus; restabelecer na sua antiga dignidade as leis santíssimas e os conselhos do Evangelho; proclamar bem alto as verdades ensinadas pela Igreja sobre a santidade do matrimônio, sobre a educação da infância, sobre a posse e o uso dos bens temporais, sobre os deveres dos que administram a coisa pública; restabelecer, enfim, o justo equilíbrio entre as diversas classes da sociedade segundo as leis e as instituições cristãs."
"Tais são os princípios que, para obedecer à divina vontade, nós nos propomos aplicar durante todo o curso do Nosso Pontificado e com toda a energia de nossa alma"
(...)
São Pio X indica, a seguir, os meios para formar em todos Jesus Cristo e assim n'Ele restaurar todas as coisas: - Formar Cristo nos sacerdotes; - Daí todo cuidado com os Seminaristas; -Cuidado com os novos Sacerdotes; - Necessidade do ensino religioso; - Fazer tudo isto com caridade cristã; É preciso que todos os fiéis colaborem.
 Formar Cristo nos Sacerdotes.
"Que meios importa empregar para atingir um fim tão elevado? Parece supérfluo indicá-los, tanto eles apresentam à mente por si mesmos. Sejam os vossos [dos bispos] primeiros cuidados formar Cristo naqueles que, pelo dever da sua vocação, são destinados a formá-lo nos outros. Queremos falar dos sacerdotes, Veneráveis Irmãos. Porquanto todos aqueles que são honrados com o sacerdócio devem saber que têm, entre os povos com que convivem, a mesma missão que Paulo testava haver recebido, quando pronunciava esta ternas palavras: 'Filhinhos, a quem eu gero de novo, até que Cristo se forme em vós' (Gálatas IV, 19). Ora, como poderão eles cumprir um tal dever, se eles próprios não forem primeiramente revestidos de Cristo? e revestidos até poderem dizer com o Apóstolo: 'Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim' (Gal. II, 20). 'Para mim, Cristo é a minha vida' (Filipenses I, 21). Por isso, embora todos os fiéis devam aspirar ao estado de homem perfeito, à medida da idade da plenitude de Cristo (Efésios IV, 3), essa obrigação incumbe principalmente àquele que exerce o ministério sacerdotal. Por isto é ele chamado outro Cristo; não somente porque participa do poder de Jesus Cristo, mas porque deve imitar-Lhe a imagem em si mesmo".
"Se assim é, Veneráveis Irmãos, quão grande não deve ser a vossa solicitude para formar o clero na santidade! Não há negócio que não deva ceder o passo a este. E a consequência é que o melhor e o principal do vosso zelo deve aplicar-se aos vossos Seminários, para introduzir neles uma tal ordem e lhes assegurar um tal governo, que neles se veja florescerem lado a lado a integridade do ensino e a santidade dos costumes. Fazei do Seminário as delícias do vosso coração, e não descureis coisa alguma daquilo que, na sua alta sabedoria, o Concílio de Trento, prescreveu para garantir a prosperidade dessa instituição.
Em seguida São Pio X lembra aos bispos algumas advertências das Sagradas Escrituras: 'Não imponhas precipitadamente as mãos a ninguém, e não te faças participante dos pecados dos outros' (1 Timóteo, V, 22).  'Guarda o depósito, evitando as novidades profanas na linguagem, tanto quanto as objeções de uma ciência falsa, cujos partidários com todas as suas promessas faliram na fé' (1 Timóteo VI, 20 ss).

São Pio X conclui sua encíclica lembrando a misericórdia divina: "Que Deus, rico em misericórdia (Ef. II, 4), apresse, na sua bondade, essa renovação do gênero humano em Jesus Cristo, visto não ser isso obra nem daquele que quer, nem daquele que corre, mas do Deus das misericórdias' (Romanos IX, 16). (Este artigo são excertos da Encíclica "E Supremi  Apostolatus" - 1903). 

sábado, 16 de abril de 2016

AS DECLARAÇÕES DE NULIDADE DE MATRIMÔNIOS

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 16 de abril



"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda que eles as calquem com os seus pés, e que, voltando-se contra vós, vos dilacerem" (São Mateus VII, 6). 



   Vejamos, em primeiro lugar, algo que o papa Pio XII diz aos membros da Santa Rota Romana.

   (...) "Pelo ofício que a Santa Sé Apostólica vos confiou, sois no centro espiritual da Cristandade ministros do direito, eleitos representantes de um poder judicial penetrado do sagrado sentimento de responsabilidade, consagrado ao bem ordenado com justiça e equidade no mundo católico. Pois não é coisa nova para vós que a administração da justiça na Igreja é uma função de cura de almas, uma emanação daquele poder e solicitude pastoral, cuja plenitude e universalidade está enraizada e incluída na entrega das chaves ao primeiro Pedro.

   (...) "E na idade presente, em que tanto mais parece abalado em não poucos o respeito pela majestade do direito quanto mais as considerações de utilidade e de interesse, de força e de riqueza prevalecem sobre o direito, muito mais convém que os órgãos da Igreja dedicados à administração da justiça deem e infundam no povo cristão a viva consciência de que a Esposa de Cristo não se renega a si mesma, não muda de caminho com a mudança dos dias, mas é  e caminha sempre fiel à sua sublime missão. A tão alto fim se ordena em grau eminente o vosso insigne Colégio. 

   (...)

   As declarações de nulidade de matrimônios

 "Quanto às declarações de nulidade dos matrimônios, ninguém ignora ser a Igreja cautelosa e contrária a favorecê-las. Se de fato a tranquilidade, a estabilidade e a segurança do comércio humano em geral exigem que os contratos não sejam levianamente proclamados nulos, muito mais ainda quando se trata de um contrato de tanta importância, como o do matrimônio, cuja firmeza e estabilidade são requeridas pelo bem comum da sociedade humana e pelo bem particular dos cônjuges e da prole, e cuja dignidade sacramental proíbe que se exponha levianamente o que é sagrado e sacramental ao perigo de profanação. Quem não sabe, pois, que os corações humanos são, em casos não raros, assaz inclinados - por este ou aquele gravame, ou por discórdia e tédio da outra parte, ou para abrir caminho à união pecaminosa com outra pessoa amada - a procurar libertar-se do vínculo conjugal já contraído? Por isso é que o juiz eclesiástico não deve mostrar-se fácil em declarar a nulidade do matrimônio, mas há de sobretudo esforçar-se por fazer com que se revalide o que invalidamente está contraído, principalmente quando as circunstâncias do caso particularmente o aconselham.

   (...) 

   "... É bem verdade que em nossos tempos, em que o desprezo ou negligência da religião fizeram reviver o espírito de um novo paganismo gozador e soberbo, se manifesta em não poucos lugares uma quase mania pelo divórcio, a qual tenderia para contrair e dissolver os matrimônios com maior facilidade e ligeireza do que nos contratos de aluguel. Mas tal mania, imprudente e imponderada, não pode contar-se como razão, para que os Tribunais eclesiásticos se afastem da norma e da praxe senão a estabelecida por Deus, Autor da natureza e da graça".

Como já havia anunciado e prometido, termino falando algo sobre a Misericórdia divina, já que estamos no ano do Jubileu da Misericórdia. Se Deus quiser, neste ano ainda poderei fazer um artigo exclusivo sobre o Salmo CII, salmo este chamado das Misericórdias divinas. Hoje, limitar-me-ei a algumas reflexões apenas. Em verdade, este Salmo de Davi é "o cântico das misericórdias do Senhor". Se no Salmo L, o Rei Profeta implora para si a multidão das misericórdias divinas, aqui ele louva esta mesma misericórdia olhando em primeiro lugar para si mesmo, ou seja canta com todas as potências de sua alma a misericórdia que Deus usou para com ele (vers. 1-5); canta igualmente um hino à misericórdia que Deus prodigalizou ao seu povo de Israel (v. 6-12) e, finalmente, louva também a misericórdia dispensada a todo homem que a justiça divina vê quão fraco é (v. 13-18). O Salmista termina convidando todas as criaturas para louvarem o seu Criador (v. 20-22). Eis alguns versículos: "É Ele [Deus] que perdoa todas as tuas maldades, e que sara todas as tuas enfermidades. É Ele que resgata da morte a tua vida, e que te coroa da sua misericórdia e das suas graças" (v. 3-4); "O Senhor faz misericórdia e faz justiça a todos os que sofrem agravos... O Senhor é compassivo e misericordioso, paciente e de muita misericórdia" (v. 6 e 8); "Porque, quanto a elevação do céu está remontada sobre a terra, tanto ele firmou a sua misericórdia sobre os que o temem;... "Como um pai se compadece dos seus filhos, assim se compadeceu os Senhor dos que o temem;  porque ele sabe bem de que somos formados; lembrou-se que somos pó" (v. 11, 13 e 14); "Mas a misericórdia do Senhor estende-se desde a eternidade, e até à eternidade sobre os que o temem. E a sua justiça espalha-se sobre os filhos dos filhos, para os que guardam sua aliança, e se lembram dos seus mandamentos, para os observar" (v. 17 e 18). Termina como começa: Bendize, ó minha alma, o Senhor". 


sexta-feira, 15 de abril de 2016

FALSAS DOUTRINAS SOBRE O MATRIMÔNIO CRISTÃO

LEITURA ESPIRITUAL Dia 15 de abril


"Não separe o homem o que Deus uniu" (S. Mateus XIX, 6)

Vou apenas transcrever alguns tópicos da Encíclica "ARCANUM" de Leão XIII.

"Jesus Cristo, Nosso Senhor, elevou o matrimônio à dignidade de sacramento e o matrimônio é o próprio contrato, se for celebrado segundo o direito. A isto acresce que o matrimônio é um sacramento, precisamente porque é um sinal sagrado que produz a graça e é a imagem da união mística de Jesus Cristo com a Igreja. Ora, a forma e a imagem desta união consistem precisamente no laço íntimo que une entre si o homem e a mulher e que outra coisa não é senão o mesmo matrimônio. De onde resulta que entre os cristãos todo o matrimônio legítimo é sacramento em si e por si, e que nada há mais contrário à verdade do que considerar o sacramento como um ornamento acessório ou como uma propriedade extrínseca, que a vontade do homem pode, por consequência, desunir e separar a seu arbítrio" (...)

"É fácil ver quantos males tem produzido a profanação do matrimônio, e com quantas calamidades ameaça no futuro a sociedade toda" (...)

"Aqueles que negam que o matrimônio é sagrado e que, depois de o haverem despojado de toda a santidade, o metem no número das coisas profanas, subvertem os próprios fundamentos da natureza, contrariam os desígnios da Providência divina e destroem, tanto quanto deles depende, o que foi estabelecido por Deus sobre a terra" (...)

"Se se arrancar dos corações o santo e salutar temor de Deus, arranca-se-lhes igualmente a consolação no meio dos cuidados e pesares da vida, consolação que em nenhuma parte é maior e mais fecunda do que na Religião cristã; e muitíssimas vezes sucede, como que por declive natural, que os encargos e os deveres do matrimônio se antolham insuportáveis, e é grandíssimo o número daqueles que, considerando dependentes da sua vontade e de um direito puramente humano os laços que contraíram, experimentam desejos de quebrá-los, logo que a incompatibilidade do caráter, ou a discórdia, ou a  fé violada por um dos cônjuges, ou recíproco consentimento, ou outras razões os persuadam de que lhes é necessário recuperar a sua anterior liberdade. E se acaso a lei lhes proíbe que satisfaçam a intemperança de tais desejos, então clamam que a lei é iníqua, desumana e incompatível com o direito de cidadãos livres e que, por conseguinte, derrogadas essas leis obsoletas, deve decretar-se, por meio de uma lei mais suave e humana, a permissão do divórcio" (...)

"Concluem que é necessário contemporizar com a época e outorgar a faculdade do divórcio" (...) "Muitos há neste tempo que desejam renovar essas leis, porque querem expulsar a Deus, e arrancar a Igreja do meio da sociedade humana, julgando estultamente que é em leis de tal natureza que deve procurar-se o remédio para a corrupção crescente dos costumes.

"Em verdade, é custoso ter necessidade de dizer quantas consequências funestíssimas encerra em si o divórcio. Pelo divórcio as alianças matrimoniais tornam-se instáveis, enfraquece-se o mútuo afeto, a infidelidade recebe perniciosos incitamentos, ficam comprometidas a proteção e a educação dos filhos, proporciona-se ocasião de se dissolverem as sociedades domésticas, semeiam-se no seio das famílias os germes da discórdia, diminui-se e abate-se a dignidade da mulher, porque corre o perigo de ser abandonada, depois de ter servido às paixões do homem. - E como nada contribui mais para arruinar as famílias e para enfraquecer os Estados do que a corrupção dos costumes, fácil é de reconhecer que o divórcio é, sobretudo, o inimigo da prosperidade das famílias e dos povos, visto que, sendo a consequência dos costumes depravados, abre a porta, como a experiência o demonstra, a uma depravação, ainda mais profunda, dos costumes particulares e públicos. - Todos reconhecerão que estes males serão ainda muito maiores, se refletirem que, desde o momento em que o divórcio haja sido autorizado, não haverá freios bastantemente fortes para o manter dentro de limites fixos, que a princípio pudessem ser-lhe assinalados. - É muito grande a força do exemplo, maior ainda a das paixões; e, graças a estes incitamentos, forçosamente deve suceder que, tornando-se cada dia mais geral e profundo o desejo infrene do divórcio, invada maior número de almas como uma doença que se propaga pelo contágio, ou à maneira das águas acumuladas que, tendo triunfado dos diques que as sustinham, irrompem por todas as partes" (...)

"E, para dizer tudo em poucas palavras, será certa a constância tranquila e pacífica dos casamentos, se os cônjuges nutrirem o seu espírito e a sua vida das virtudes da religião, que torna a alma valente e forte, que faz que os defeitos, se neles existem, a divergência de costumes e de caráter, o peso dos cuidados maternos, a ativa e laboriosa solicitude pela educação dos filhos, as fadigas companheiras da vida e adversidades sejam suportadas não só com paciência, mas ainda de bom grado". (Excertos da Encíclica "ARCANUM" do Papa Leão XIII).

 Diz a Bíblia Sagrada que Judite foi uma mulher santa e temente a Deus. Foi santa antes do casamento, santa no casamento, deixando inclusive uma família numerosa, santa depois quando viúva. Vivia em oração com suas criadas, trazia um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, nas neomênias e nas festas da casa de Israel. Tinha muito temor de Deus e não havia ninguém  que dissesse dela uma palavra em desfavor. (Cf. Judite VIII). Caríssimos, meditemos em algumas palavras onde Judite invoca a misericórdia de Deus: "Que palavra é esta, com a qual concordou Ozias [o rei], de entregar a cidade aos assírios, se dentro de cinco dias vos não viesse socorro? E quem sois vós, que tentais o Senhor? Não é esta uma palavra que excite a sua misericórdia, mas antes provoca a ira e acende o furor. Vós fixastes um prazo à misericórdia do Senhor e ao vosso arbítrio lhe assinastes o dia. Mas, porque o Senhor é paciente, arrependamo-nos disto mesmo, e derramando lágrimas, imploremos a sua misericórdia; porque Deus não ameaça como os homens, nem ele se inflama em ira como os filhos dos homens. Por isso humilhemos diante dele as nossas almas e postos num espírito de humildade, como seus servos, digamos ao Senhor com lágrimas, que use conosco da sua misericórdia segundo a sua vontade" (Judite, VIII, 10-16).


quinta-feira, 14 de abril de 2016

DOUTRINA DOS APÓSTOLOS SOBRE O MATRIMÔNIO

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 14 de abril

"As mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor, porque o marido é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja, seu corpo, do qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim o estejam também as mulheres a seus maridos em tudo. Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo, para a santificar, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida, para apresentar a si mesmo, esta Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada. Assim também os maridos devem amar as suas mulheres, como os seus próprios corpos. O que ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.. Porque ninguém aborreceu jamais a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela, como também Cristo o faz à Igreja, porque  somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos. "Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher; e serão os dois uma só carne". Este mistério é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja. Por isso também cada um de vós ame sua mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o seu marido" (Ef. V, 22-33).

Demos a palavra ao Papa Leão XIII:

"Todas as disposições que a Autoridade de Deus decretara e estabelecera acerca do matrimônio, os Apóstolos, mensageiros das leis divinas, as confiaram mais completa e explicitamente à Tradição e à Escritura. E já agora devemos recordar o que, firmado no ensino dos Apóstolos, "sempre nos ensinaram os Santos Padres, os concílios e a tradição da Igreja universal" (Trid. s. XXIV), isto é, que Jesus Cristo Senhor Nosso elevou o matrimônio à dignidade de sacramento; que no mesmo tempo Ele quis que os cônjuges, assistidos e fortalecidos pela graça divina, fruto dos Seus merecimentos, alcançassem a santidade do mesmo matrimônio; que nesta união, admiravelmente conforme ao modelo da Sua união mística com a Igreja, tornou mais perfeito o amor natural (Trid. s. XXIV, cap. I) e estreitou mais intimamente, pelos laços da caridade divina, a sociedade indissolúvel por natureza do homem com a mulher: "Maridos, dizia S. Paulo aos habitantes de Éfeso, amai vossas mulheres como Jesus Cristo amou a Sua Igreja, tendo-se sacrificado por ela, a fim de a santificar... Os maridos devem amar sua mulheres como ao seu próprio corpo; ninguém odiou jamais a sua própria carne, mas todos a nutrem e tomam cuidado por ela, com fez Jesus Cristo para com a Igreja; e nós somos os membros do seu corpo formados da sua carne e dos seus ossos. Por isso é que o homem deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher e serão dois numa só carne. É grande este sacramento, mas eu digo que o é em Cristo e na Igreja" (Ef. V, 25 ss).

"Da mesma forma, continua Leão XIII, nós sabemos pelos Apóstolos que Cristo quis que a unidade e a estabilidade perpétua do casamento, exigidas pela própria origem desta instituição, fossem santas e invioláveis para sempre. "Aqueles que estão unidos pelo matrimônio, diz o mesmo Apóstolo S. Paulo, eu preceituo, ou antes é o Senhor que o ordena, que a mulher se não separe jamais de seu marido; e, se vier a separar-se dele, permaneça sem se unir a outro homem, ou reconcilie-se com seu marido" (1 Cor. VII, 10 e 11). E ainda: "A mulher está sujeita à lei enquanto seu marido viver; se ele falecer, fica livre" ( 1 Cor. VII, 39). Por todos estes motivos, o matrimônio apresentou-se sempre como um grande sacramento (Ef. V, 32), honroso em tudo (Hebreus XIII, 4), piedoso, casto, digno de um grande respeito em virtude das coisas sublimes de que ele é significação e imagem" (Encíclica "ARCANUM").
Sendo o matrimônio um grande e honroso sacramento, é mister seja tratado com a honra e santidade que merece. Eis o que diz São Paulo: "Seja por todos honrado o matrimônio, e o leito conjugal sem mácula, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros" (Hebreus XIII, 4). 

Deo volente, durante o Jubileu da Misericórdia, sempre que puder, acrescentarei algum texto da Bíblia referente à misericórdia: "Serás como um filho obediente do Altíssimo, e ele se compadecerá de ti, mais do que uma mãe" (Eclesiástico, IV, 11) e ainda: "Não te abandones, na tua fortaleza, aos maus desejos do teu coração; e não digas: Como sou poderoso! Quem poderá obrigar-me a dar-lhe conta das minhas ações? ... "E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a sua misericórdia e a sua justiça estão perto uma da outra... (Eclesiástico V, 2 e 3; 6 e 7).  

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A IGREJA REJEITOU SEMPRE TODO ERRO

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 11 de abril

"Aplicai-vos a conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também vós fostes chamados a uma só esperança pela vossa vocação. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos... a fim de que não mais sejamos como criancinhas que flutuam, nem levados para cá e para lá por todo vento de doutrina, pela maldade dos homens, pela astúcia que arrasta à armadilha do erro"(Efésios, IV, 3-6 e 14).

"Penetrada a fundo dos seus princípios e cuidadosa do seu dever, nada tem tido a Igreja tanto a peito, nada tem demandado com maior esforço do que conservar de maneira a mais perfeita a integridade da fé. Foi por isso que ela considerou como rebeldes declarados, e tem expulso para longe de si todos aqueles que não pensavam como ela, fosse sobre que ponto fosse da sua doutrina. Os Arianos, os Montanistas, os Novacianos, os Quartodecimanos, os Eutiquianos certamente não tinham abandonado a doutrina católica inteira, mas apenas essa ou aquela parte: e no entanto quem é que não sabe que eles foram declarados hereges e rejeitados do seio da Igreja? E julgamento semelhante tem condenado todos os fautores de doutrinas errôneas que têm aparecido depois, nas diferentes épocas da história. "Nada poderia ser mais perigoso do que esses hereges que, conservando em tudo o mais a integridade da doutrina, por uma só palavra, como que por uma gota de veneno, corrompem a pureza e a simplicidade da fé que recebemos da tradição do Senhor e depois dos Apóstolos" (Autor do Tratado da Fé Ortodoxa contra os Arianos).  Tal foi sempre o costume da Igreja, apoiada pelo juízo unânime dos santos Padres, os quais sempre consideraram como excluído da comunhão católica e fora da Igreja quem quer que se separe o menos possível da doutrina ensinada pelo magistério autêntico. (...) Diz Santo Agostinho: "Do fato de alguém não crer esses erros (a saber as heresias que ele acabara de enumerar), não se segue deva crer-se e dizer-se cristão católico. Porque pode haver, podem surgir outras heresias que não estejam mencionadas nesta obra, e todo aquele que abraçasse uma delas deixaria de ser cristão católico" (De Haeresibus [=Livro que escreveu sobre as Heresias] nº 88).
"Esse meio instituído por Deus para conservar a unidade de fé de que falamos é exposto com insistência por S. Paulo na sua Epístola aos Efésios ( IV, 3 e ss); exorta-os ele primeiro a conservarem com grande cuidado a harmonia dos corações: "Aplicai-vos a conservar a unidade de espírito pelo vínculo da paz"; e como os corações não podem ser plenamente unidos pela caridade se os espíritos não estão de acordo na fé, ele quer que haja em todos senão uma mesma fé. "Um só Senhor e uma só fé". E quer uma unidade tão perfeita, que exclua todo perigo de erro: "a fim de que não mais sejamos como criancinhas que flutuam, nem levados para cá e para lá por todo vento de doutrina, pela maldade dos homens, pela astúcia que arrasta à armadilha do erro". E ensina que esta regra deve ser observada não por um tempo, mas "até que cheguemos todos à unidade de fé, à medida da idade da plenitude de Cristo". Onde, porém, colocou Jesus Cristo o princípio que deve estabelecer essa unidade, e o socorro que a deve conservar? Ei-lo: "Estabeleceu Ele a uns Apóstolos..., a outros pastores e doutores, para a perfeição dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo".
"Por isso, tem sido essa mesma regra que, desde a antiguidade mais remota, os Padres e os Doutores têm sempre seguido e unanimemente defendido. Escutai Orígenes; "Todas as vezes que os hereges nos mostram as Escrituras canônicas, às quais todo cristão dá seu assentimento e fé, parecem dizer: 'É conosco que está a palavra da verdade'. Mas não os devemos crer, nem nos afastar da primitiva tradição eclesiástica, nem crer outra coisa senão o que a Igreja de Deus nos há ensinado pela tradição sucessiva".
Escutai Santo Irineu: "A verdadeira sabedoria é a doutrina dos Apóstolos... que chegou até nós pela sucessão dos bispos... transmitindo-nos o conhecimento mui completo das Escrituras, conservadas sem alteração". (...)

E Santo Hilário: "Ensinando da barca, Cristo faz-nos entender que os que estão fora da Igreja não podem ter nenhuma inteligência da palavra divina. Portanto a barca representa a Igreja, só na qual o Verbo de Vida reside e se faz ouvir, e os que estão fora e que aí ficam, estéreis e inúteis como a areia da praia, não podem compreendê-Lo". (Todo o artigo compõe-se de excertos da Enc. "SATIS COGNITUM" do papa Leão XIII). 

domingo, 10 de abril de 2016

PRIMADO DE PEDRO


LEITURA ESPIRITUAL

"Disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes? Ele disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe: apascenta os meus cordeiros. Disse-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Ele disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe (Jesus): Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Ficou Pedro triste, porque, pela terceira vez, lhe disse: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu conheces tudo; tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas" (S. João XXI, 15-17).

"A promessa feita a Pedro foi cumprida no tempo em que Jesus Cristo Nosso Senhor, após a sua ressurreição, tendo perguntado por três vezes a Pedro se o amava mais do que os outros, lhe disse sob forma imperativa: 'Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas'. Quer dizer que todos aqueles que devem estar um dia no seu aprisco, ele os entrega a Pedro como ao seu verdadeiro pastor. 'Se o Senhor interroga, não é que duvide: ele não quer instruir-se, mas, pelo contrário, instruir aquele a quem, estando ele, o Senhor, na iminência de subir ao céu, nos deixava como o vigário do seu amor... E por isso que, único entre todos, Pedro professa esse amor, é posto à testa de todos os outros... à testa dos mais perfeitos, para os governar, sendo mais perfeito ele mesmo" (Santo Ambrósio). Ora, o dever e o papel do pastor é guiar o rebanho, de velar pela sua salvação proporcionando-lhes pastos salutares, afastando os perigos, desmascarando as ciladas, repelindo os ataques violentos; em suma, exercendo a autoridade do governo. Portanto, já que Pedro foi preposto como pastor ao rebanho dos fiéis, recebeu o poder de governar todos os homens por cuja salvação Jesus Cristo derramou o seu sangue. 'Por que foi que ele derramou seu sangue? Para redimir essas ovelhas que ele confiou a Pedro e aos seus sucessores' (S. João Crisóstomo).

"E, por ser necessário que todos os cristãos estejam ligados entre si pela comunidade de uma fé imutável, por isso foi que pela virtude de suas preces Jesus Cristo Nosso Senhor obteve para Pedro que, no exercício de seu poder, a sua fé nunca desfalecesse. 'Roguei por ti, a fim de que tua fé nunca desfaleça' (S. Lucas, XXII, 32). E ordenou-lhe, além disso, todas as vezes que as circunstâncias o pedissem, comunicar ele próprio a seus irmãos a luz e a energia da sua alma: 'Confirma teus irmãos' (S. Lucas, XXII, 32). Aquele , pois, que ele designara como o fundamento da Igreja, ele quer que seja a coluna da fé. 'Já que por sua própria autoridade ele lhe dava o reino, não podia consolidar-lhe a fé,  tanto mais quanto, chamando-o Pedro, o designava como o fundamento que devia consolidar a Igreja?' (Santo Ambrósio).

"Vem daí que certos nomes que designam grandíssimas coisas e 'que pertencem como próprios a Jesus Cristo em virtude do seu poder, o próprio Jesus quis torná-los comuns a si e a Pedro por participação' (S. Leão Magno), a fim de que a comunidade dos títulos manifestasse a comunidade do poder. Assim Ele, que é 'a pedra principal do ângulo, sobre a qual todo o edifício construído se eleva como um templo sagrado do Senhor' (Ef. II, 21), estabeleceu Pedro como a pedra sobre a qual devia ser apoiada a sua Igreja. Quando Jesus lhe disse: 'Tu és pedra', essa palavra conferiu-lhe um belo título de nobreza. E no entanto ele é a pedra, não como Cristo é a pedra, mas como Pedro pode ser a pedra. Porque Cristo é essencialmente a pedra inabalável, e por ela é que Pedro é a pedra. Porque Jesus comunica suas dignidades sem se empobrecer... Ele é o sacerdote, ele faz os sacerdotes... Ele é a pedra, Ele faz de seu apóstolo a pedra' (S. Basílio).


(...) "Bem razão tem, pois, S. Leão Magno de dizer: 'Do seio do mundo inteiro, só Pedro é eleito para ser colocado à frente de todas as nações chamadas, de todos os apóstolos, de todos os Padres da Igreja; de tal sorte que, embora haja no povo de Deus muitos pastores, contudo, Pedro rege propriamente todos aqueles que são também principalmente regidos por Cristo'. Do mesmo modo escreve S. Gregório Magno: 'Para todos os que conhecem o Evangelho, evidente é que pela palavra do Senhor o cuidado de toda a Igreja foi confiado ao santo apóstolo Pedro, chefe de todos os Apóstolos... Ele recebeu as chaves do reino do céu, o poder de ligar e de desligar é-lhe atribuído, e o cuidado e o governo de toda a Igreja lhe é confiado'. (Este artigo compõe-se de excertos da Enc. "SATIS COGNITUM, do papa Leão XIII). 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O MATRIMÔNIO

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 8 de abril


"E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, e criou-os varão e fêmea. E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos..." (Gênesis, I, 27 e 28).
"E da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher; e a levou a Adão. E Adão disse: Eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne... Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne" (Gên., II, 22-24).
"Foram ter com ele os fariseus para o tentar e disseram-lhe: É lícito a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, respondendo, disse-lhes: Não lestes que quem criou o homem no princípio, criou-os homem e mulher, e disse: por isso deixará o homem pai e mãe, e juntar-se-á com sua mulher, e os dois serão uma só carne"? Por isso, não mais são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus juntou.
Por que mandou pois Moisés, replicaram eles, "dar-lhe libelo de repudio e separar-se"? Respondeu-lhes: Porque Moisés, por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim. Eu pois digo-vos que todo aquele que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que se casar com uma repudiada, comete adultério.
Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem a respeito de sua mulher, não convém casar" (S. Mateus XIX, 3-10).  

Atinente ao casamento, o Livro do Gênesis mostra claramente como foi desde o início do mundo segundo o que Deus mesmo fez. 

Na passagem do Evangelista S. Mateus, acima enunciada, constatamos que a lei evangélica não podia ser expressa mais claramente. E isto é obvio, pois, é o próprio Jesus Cristo, a Verdade Eterna que a expõe. Os próprios Apóstolos o compreenderam tão bem, que, para indicar o rigor da lei da indissolubilidade, chegaram a dizer que era melhor nem casar. Certamente os discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo pensavam assim: Se se é obrigado a suportar os "caprichos e defeitos" da mulher, sem recorrer ao divórcio não vale a pena casar. Deveriam dizer também: e visse-versa. Depois veremos como São Paulo mostra como viver bem, mal grado os defeitos que todos têm, homens e mulheres.  Mesmo que pudesse existir, o divórcio nunca seria solução. Antes pelo contrário. 

Não obstante, a cláusula colocada por Jesus: "a não ser por causa de fornicação", tanto a tradução como o alcance da mesma, gerou muita controvérsia entre exegetas e teólogos. Esta passagem era comumente traduzida por "a não ser em caso de infidelidade" (=adultério). E pior, não faltava quem quisesse interpretá-la como significando a permissão de, neste caso embora único, se quebrar o vínculo e, portanto, permitir o divórcio. Há quase 70 anos atrás chegou-se à conclusão de que a palavra primitiva usada por Jesus Cristo não designa "adultério, infidelidade", mas sim "casamento nulo, concubinato). E é óbvio que, em caso de concubinato, a separação não só pode, mas deve ser feita. Traduzindo a palavra empregada por Jesus no sentido de "adultério" , poderia haver separação não só de leito mas até de casa, mas continuava indissolúvel o vínculo, e, portanto, mesmo nestes casos de infidelidade, nem o cônjuge fiel, poderia casar-se com outro(a).

Estudamos na Teologia que, ainda que se conserve a tradução: "a não ser em caso de infidelidade", não lhe podemos atribuir sentido favorável à dissolução do vínculo. Seria contra o bom senso, contra os evangelhos e contra a história. Senão vejamos: Na lei de Moisés o adultério era punido com a lapidação. Ora, se Jesus veio aperfeiçoar a lei, não iria permitir o adultério. E também a hermenêutica exige que os textos menos claros de um evangelho devem ser interpretados à luz dos lugares paralelos mais claros. E pelos textos de Marcos X, 2-12 e Lucas XVI, 18, vemos que Jesus não faz exceção alguma. Além do mais, se, porventura, as palavras de Jesus Cristo incluíssem uma exceção em favor da quebra do vínculo, assim o teriam compreendido os contemporâneos de S. Mateus e principalmente os cristãos de origem judaica, para quem foi escrito o 1º Evangelho. Ora, os cristãos primitivos jamais entenderam que fosse este o ensinamento do divino Mestre.

Resumindo: O Divino Mestre restitui o Casamento à sua virtude primitiva. O casamento é indissolúvel, porque Deus assim o quis. Tirada do homem pela mão de Deus, entra a mulher, pelo casamento, em sua unidade primitiva. Unido à mulher, assegura o homem a perpetuidade de sua raça. Tal é o plano de Deus, criando a distinção dos sexos. O homem não tem, pois, o direito de dissolver um casamento legitimamente contraído. O casamento é uma instituição divina, não pode o homem mudar as leis que Deus estabeleceu sobre esta matéria. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou bem claro que em caso algum, mesmo nos casos de adultério, é permitido o divórcio, pois aquele que se casa com uma mulher repudiada comete adultério, o que não seria possível se a primeira união estivesse legitimamente rompida. Portanto, mesmo o adultério, não dá faculdade de passar a segundas núpcias.

Comentando as encíclicas dos papas sobre a matéria, faremos, se Deus quiser, muitos outros artigos. Aqui, por exemplo, não tivemos espaço para falarmos nos casos de casamentos nulos.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

PEDRO, PRÍNCIPE DOS APÓSTOLOS

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 7 de abril

"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (S. Mateus, XVI, 18).

Foi somente a Pedro que Jesus Cristo fez esta promessa insigne: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Foi a Pedro que o Senhor falou: a um só, a fim de fundar a unidade por um só. Ouçamos São Cirilo de Alexandria: "Efetivamente, sem nenhum preâmbulo, Ele designa pelo seu nome tanto o pai do apóstolo como o próprio apóstolo (Feliz és tu, Simão, filho de Jonas), e não mais permite que o chamem Simão, reivindicando-o doravante como seu em virtude do seu poder; depois, por uma imagem muito apropriada, quer que o chamem Pedro,[Kefas=pedra] porque ele é a pedra sobre a qual devia Ele fundar a sua Igreja".
"Segundo este oráculo, -  diz o papa Leão XIII, - é evidente que, pela vontade e por ordem de Deus, a Igreja foi estabelecida sobre o bem-aventurado Pedro, como o edifício sobre o seu alicerce. Ora, a natureza e a virtude própria do alicerce é dar a coesão ao edifício pela conexão íntima das suas diferentes partes; é ainda ser o liame necessário da segurança e solidez da obra inteira: se o alicerce desaparece, todo o edifício desmorona. O papel de Pedro é, pois, suportar a Igreja e manter nela a conexão, a solidez de uma coesão indissolúvel. Ora, como poderia ele desempenhar semelhante papel se não tivesse o poder de mandar, de proibir, de julgar, numa palavra, se não tivesse um poder de jurisdição próprio e verdadeiro? É evidente que os Estados e as sociedades só podem subsistir graças a um poder de jurisdição. Um primado de honra, ou ainda o poder tão modesto de aconselhar e advertir, que é chamado poder de direção, são incapazes de emprestar a qualquer sociedade humana um elemento bem eficaz de unidade e solidez.
"Ao contrário, esse verdadeiro poder de que falamos é declarado e afirmado nestas palavras: 'E as portas do inferno não prevalecerão contra ela'. - Comenta Orígenes: 'Que quer dizer contra ela? Será contra a pedra sobre a qual Cristo edifica a Igreja? A frase fica ambígua; seria para significar que a pedra e a Igreja não são senão uma só e a mesma coisa? Sim, é esta, creio eu, a verdade: porque as portas do inferno não prevalecerão nem contra a pedra sobre a qual Cristo edifica a sua Igreja, nem contra a própria Igreja... A Igreja, sendo, como é, o edifício de Cristo, que sabiamente edificou 'sua casa sobre a pedra', não pode estar sujeita às portas do inferno; estas podem prevalecer contra todo aquele que se achar fora da pedra, fora da Igreja, mas são impotentes contra ela'.
"Jesus acrescentou ainda: 'Eu te darei as chaves do reino dos céus'. É claro que Ele continua a falar da Igreja, dessa Igreja que Ele acaba de chamar sua, e que declarou querer edificar sobre Pedro como sobre o seu fundamento. A Igreja oferece, com efeito, a imagem não só de um edifício, mas de um reino; de resto, ninguém ignora que as chaves são a insígnia comum da autoridade. Assim, quando Jesus promete dar a Pedro as chaves do reino dos céus, promete dar-lhe o poder e a autoridade sobre a Igreja. 'O Filho lhe deu (a Pedro) a missão de difundir pelo mundo inteiro o conhecimento do Pai e do próprio filho, e deu a um homem mortal todo o poder celeste, quando confiou as chaves a Pedro, que estendeu a Igreja até aos confins do mundo e que a mostrou mais inabalável que o céu' (S. João Crisóstomo).

"O que se segue ainda tem o mesmo sentido: 'Tudo o que ligares na terra será ligado também no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado também no céu'. Essa expressão figurada: ligar e desligar, designa o poder de estabelecer leis, e também o poder de julgar e de punir. E Jesus Cristo afirma que esse poder terá tal extensão, tal eficácia, que todos os decretos emitidos por Pedro serão ratificados por Deus. Esse poder é, pois, soberano e inteiramente independente, por não ter na terra nenhum poder acima dele, e por abranger a Igreja toda e tudo o que à Igreja está confiado" (Extraído da Enc. "SATIS COGNITUM", Leão XIII).

terça-feira, 5 de abril de 2016

MINHA IGREJA


LEITURA ESPIRITUAL - Dia 5 de abril


"... Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja..." (S. Mateus, XVI, 18)

Tencionamos, hoje, provar a unidade da Santa Madre Igreja. Tomamos deste texto para nossas reflexões, apenas as palavras: "MINHA IGREJA".  Todo este texto e contexto, serão empregados alhures, se Deus quiser, para provar o primado do Apóstolo Pedro.

"A unidade é o caráter insigne de verdade e do invencível poder, que o Autor divino da Igreja imprimiu para sempre na sua obra... Quando Jesus Cristo fala deste edifício místico, menciona apenas uma única Igreja, a que ele chama Sua: "Edificarei a MINHA Igreja... Não sendo fundada por Jesus Cristo, qualquer outra que quisessem imaginar fora dessa, não pode ser a verdadeira Igreja de Jesus Cristo" (Enc. "Satis Cognitum", intr. e nº 70.

"Nos últimos tempos",  diz Isaías, "a montanha que é a casa do Senhor será preparada no cume das montanhas. Elevar-se-á sobre os outeiros e todas as nações concorrerão a ela. Irão muitos povos e dirão: vinde, subamos ao monte do Senhor e à casa de Deus de Jacó, e ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas, porque de Sião sairá a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor" (Isaías, II, 2 e 3).  E assim comenta o  grande Padre da Igreja, o Bispo Santo Optato de Milevo:  "Não é, pois, da montanha material de Sião que Isaías avista o vale, mas sim da montanha santa que é a Igreja, e que enchendo o mundo romano todo, eleva seu cimo até o céu... A verdadeira Sião  espiritual é, pois a Igreja, na qual Jesus Cristo foi estabelecido Rei por Deus Pai, e que está no mundo inteiro, o que só é verdade da Igreja Católica".

Diz também São Paulo: "Deus estabeleceu-O (Jesus Cristo), chefe sobre toda a Igreja que é o seu corpo" (Efésios, I, 22 e 23). E na Primeira Epístola aos Coríntios XII, 12 diz: "Todos os membros do corpo, embora numerosos, não são, entretanto, senão um só corpo: assim é Cristo". E é por isso que nos diz ele ainda: "Cristo é a cabeça em virtude da qual  todo corpo unido e ligado por todas as juntas, que se prestam mútuo socorro, consoante, uma operação proporcionada a cada membro" (Efésios, IV, 15 e 16).  E assim comenta São Cipriano: "Há um só Deus, um só Cristo, uma só Igreja de Cristo, uma só fé, um só povo, que pelo vínculo da concórdia é estabelecido na unidade sólida de um mesmo corpo. A unidade não pode ser cindida: um corpo que permanece único não pode dividir-se pelo fracionamento do seu organismo... Ela (a Igreja) não pode ser dispersada em pedaços pela dilaceração de seus membros e de suas entranhas. Tudo o que for separado do centro da vida não mais poderá viver à parte nem respirar".

Eis o comentário tão claro quão eloquente de Santo Agostinho: "Vede em que é que deveis tomar cuidado, vede por que é que deveis velar, vede o que é que deveis temer.  Às vezes, corta-se um membro do corpo humano, ou, antes, separa-se esse membro do corpo: uma mão, um dedo, um pé. Acaso a alma segue o membro cortado?  Quando ele estava no corpo, vivia; cortado, perde a vida. Assim o homem, enquanto vive no corpo da Igreja, é cristão católico; separado dele, torna-se herege. A alma não segue o membro amputado".  Sobre o mesmo assunto, comenta São Cipriano: "Quem quer que se separe da igreja para se unir a uma esposa adúltera, abdica também as promessas feitas à Igreja. Quem quer que abandone a Igreja de Cristo não chegará às recompensas de Cristo... Quem quer que não guarde essa unidade não guarda a lei de Deus, não guarda a fé do Pai e do Filho , não guarda a vida nem a salvação".

Nosso Senhor Jesus Cristo, dirigindo-se ao Pai, assim falou: "Assim como vós me enviastes ao mundo, eu também os enviei pelo mundo (Jo XVII, 18). "Ora, está na missão de Cristo, comenta Leão XIII, redimir da morte e salvar "o que perecera", isto é, não somente algumas nações ou algumas cidades, senão a universalidade do gênero humano todo, sem distinção alguma nem no espaço nem no tempo. "O Filho do Homem veio... para que o mundo seja salvo por ele" (Jo III, 17). "Porque nenhum outro nome sob o céu foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At IV, 12). A missão da Igreja é, pois, espalhar ao longe entre os homens e estender a todas as idades a salvação operada por Jesus Cristo, e todos os benefícios que dela decorrem. É por isso que, consoante a vontade de seu Fundador, necessário se torna que ela seja única em toda a extensão do mundo, em toda a duração dos tempos". ("SATIS COGNITUM"). 
























domingo, 3 de abril de 2016

O MAGISTÉRIO PERENE E INFALÍVEL DA IGREJA

LEITURA ESPIRITUAL - Dia  3 de abril


"Jesus, aproximando-se, falou-lhes, [aos 11 discípulos] dizendo: Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo" (S. Mateus, XXVIII, 18-20).

Realizada que foi na Cruz a obra da Redenção pela Misericórdia de Deus, havia mister uma sociedade externa, hierárquica para comunicar à almas até o fim do mundo, os tesouros da Redenção: é a Santa Madre Igreja. Depositária autêntica e fiel da Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, prolongamento natural de Sua missão na terra, ela será o órgão destinado a assegurar a salvação do homem e a imortalizar entre nós a presença do Redentor. Das obras da Sabedoria e do Amor de Deus, é a Igreja o mais belo remate. E quis seu Divino Fundador que entre os homens ela brilhasse com os resplendores de uma luz inconfundível: a INFALIBILIDADE.

Ouçamos o Papa Leão XIII:

"A doutrina celeste de Jesus Cristo, embora esteja em grande parte consignada nos livros inspirados por Deus, se tivesse sido entregue aos pensamentos dos homens não podia por si mesma unir os espíritos. Com efeito, facilmente devia suceder incidir ela sob a ação de interpretações variadas e diferentes entre si, e isso não somente por causa da profundeza e mistérios dessa doutrina, como também por causa da diversidade das mentes dos homens e da perturbação que devia nascer do jogo e da luta das paixões contrárias. Da diferença de interpretação nasce necessariamente, dissensões, rixas, tais como as temos visto irromperem na Igreja desde a época mais próxima da sua origem. Eis o que  escreve Santo Irineu em falando dos hereges: "Eles confessam as Escrituras, mas lhes pervertem a interpretação". E Santo Agostinho: "A origem das heresias e desses dogmas perversos que apanham as almas na armadilha e as precipitam no abismo é unicamente a de serem as Escrituras, que são boas, compreendidas de maneira que não é boa". Para unir os espíritos, para criar e conservar o acordo dos sentimentos, importava, pois, necessariamente, apesar da existência das Escrituras divinas, um outro princípio". (...)

..."Pela virtude dos seus milagres, Jesus Cristo prova a sua divindade e a sua missão divina; emprega-se em falar ao povo para instruí-lo nas coisas do céu, e exige absolutamente que se preste fé inteira ao seu ensino; exige-o sob a sanção de recompensas ou de penas eternas. "Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais (Jo X, 37). Se eu não tivesse feito entre eles obras que nenhum outro fez, eles não teriam pecado (Jo XV, 24). Mas, eu  faço tais obras e se não quereis crer em mim mesmo, crede ao menos nas minhas obras" (Jo, X, 38). Tudo o que Ele ordena, ordena-o com a mesma autoridade; no assentimento de espírito que exige, Ele não excetua nada, não distingue nada. Portanto, os que escutavam Jesus, se queriam chegar à salvação, tinham o dever não somente de aceitar em geral toda a sua doutrina, mas de dar pleno assentimento da alma a cada uma das coisas que Ele ensinava. Com efeito, recusar crer, ainda que fosse num único ponto, em Deus que fala, é contrário à razão".

"Na iminência de voltar aos céus, envia Ele [Jesus] seus apóstolos, revestindo-se do mesmo poder com que seu Pai a Ele mesmo enviou, e ordena-lhes espalharem e semearem por toda parte sua doutrina. "Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai todas as nações... ensinando-as observar tudo o que eu vos ordenei". Serão salvos todos os que obedecerem aos Apóstolos; os que não obedecerem perecerão. "Quem crer e for batizado será salvo; que não crer será condenado" (S. Marcos XVI, 16, 16). E, como convém sumamente à Providência divina não encarregar alguém de uma missão, mormente se ela é importante e de alto valor, sem lhe dar ao mesmo tempo os meios de desobrigar-se dela como é mister, Jesus Cristo promete enviar aos seus discípulos o Espírito de verdade, que ficará neles eternamente. "Se eu for, vo-lo enviarei (o Paráclito)... e, quando esse Espírito de verdade vier, ensinar-vos-á toda a verdade (S. João, XVI, 7-13). E eu rogarei a meu Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que Ele fique sempre convosco; será o Espírito de verdade... (S. João, XIV, 16-17). Ele é que dará testemunho de mim; e vós também dareis testemunho" (S. João, XV, 26-27).

"Por conseqüência, Ele ordena aceitar religiosamente e observar santamente a doutrina dos Apóstolos como a sua própria. "Quem vos escuta, a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza" (S. Lucas, X, 16). Os Apóstolos são, pois, enviados por Jesus Cristo do mesmo modo que Ele próprio é enviado por seu Pai: "Assim como meu Pai me enviou, assim em vos envio" (S. João, XX, 21) (...). "Por Ele (Jesus Cristo) foi que recebemos a graça e o apostolado para fazer obedecer à fé todas as nações em nome d'Ele" (Romanos, I, 5). "E, tendo partido, eles pregaram por toda parte, cooperando o Senhor com eles e confirmando-lhes a palavra pelos milagres que a acompanhavam" (S. Marcos, XVI, 20). De que palavra se trata? Evidentemente daquela que abrange tudo o que eles mesmos haviam aprendido de seu Mestre; porque eles atestam publicamente e em plena luz ser-lhes impossível calar o quer que seja de tudo o que viram e ouviram". ( Excertos da Enc. "SATIS COGNITUM" do Papa Leão XIII).