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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A IGREJA CORPO MÍSTICO DE CRISTO

A IGREJA CORPO "MÍSTICO" DE CRISTO

"Cristo é a Cabeça do Corpo da Igreja" (Colossenses I, 18).

"Ao meditar este ponto da doutrina católica ocorrem-nos logo aquelas palavras do Apóstolo: 'Onde o delito abundou superabundou a graça' (Rom V, 20). Sabemos que Deus constituiu o primeiro progenitor do gênero humano em tão excelsa condição, que com a vida terrena transmitiria aos seus descendentes a vida sobrenatural da graça celeste. Mas depois da triste queda de Adão toda a humana linhagem, infeccionada pela mancha original, perdeu o consórcio da natureza divina (cf 2 Ped I, 4) e todos ficamos sendo filhos de ira (Ef II, 3). Deus, porém, na sua infinita misericórdia 'amou tanto ao mundo que lhe deu seu Filho unigênito' (Jo III, 16); e o Verbo do Eterno Pai, com a mesma divina caridade, revestiu a natureza humana da descendência de Adão, mas inocente e imaculada, para que do novo e celeste Adão dimanasse a graça do Espírito Santo a todos os filhos do primeiro pai; e estes que pelo primeiro pecado tinham sido privados da filiação adotiva de Deus, pelo Verbo encarnado, feitos irmãos segundo a carne do Filho Unigênito de Deus, recebessem o poder de virem a ser filhos de Deus (Cf Jo I, 12).

"E assim Jesus Crucificado não só reparou a justiça do Eterno Pai ofendida, senão que nos mereceu a nós, seus consaguíneos, inefável abundância de graças. Estas graças podia Ele distribuí-las diretamente por si mesmo a todo o gênero Humano. Quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, a fim de que por meio dela todos fossem em certo modo seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada".
"Ora, para definir e descrever esta verdadeira Igreja de Cristo, - que é Santa, Católica, Apostólica Igreja Romana, nada há mais nobre, nem mais excelente, nem mais divino do que o conceito expresso na denominação "Corpo Místico de Jesus Cristo"; conceito que imediatamente resulta de quanto nas Sagradas Escrituras e nos escritos dos Santos Padres frequentemente se ensina".
"Que a Igreja é um corpo, ensinam-nos muitos passos da Sagrada Escritura. 'Cristo, diz o Apóstolo, é a Cabeça do Corpo da Igreja' (Col I, 18). Ora, se a Igreja é um Corpo, deve necessariamente ser um todo sem divisão, segundo  aquela sentença de Paulo: 'Nós, muitos, somos um só corpo em Cristo' (Rom XII, 5). E não só deve ser um todo sem divisão, mas também algo concreto e visível, como afirma Nosso Predecessor de feliz memória Leão XIII, na Encíclica 'Satis Cognitum': 'Por isso mesmo que é um corpo, é a Igreja visível aos olhos'.

"Estão pois longe da verdade revelada os que imaginam a Igreja por forma, que não se pode tocar nem ver, mas é apenas, como dizem, uma coisa 'pneumática' que une entre si com vínculo invisível muitas comunidades cristãs, embora separadas na fé."
"O corpo requer também multiplicidade de membros, que unidos entre si se auxiliem mutuamente. E como no nosso corpo mortal, quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele, e os sãos ajudam os doentes; assim também na Igreja os membros não vivem cada um para si, mas socorrem-se e auxiliam-se uns aos outros, tanto para mútua consolação, como para o crescimento progressivo de todo o Corpo".

"Mais ainda. Como na natureza não basta qualquer aglomerado de membros para formar um corpo, mas é preciso que seja dotado de órgãos ou membros com funções distintas e que estejam unidos em determinada ordem, assim também a Igreja deve chamar-se corpo sobretudo porque resulta de uma boa e apropriada proporção e conjunção de partes e é dotada de membros diversos e unidos entre si. É assim que o Apóstolo descreve a Igreja quando diz: 'como num só Corpo temos muitos membros, e os membros não têm todos a mesma função, assim muitos somos um só Corpo de Cristo, e todos e cada um membros uns dos outros' (Rom XII, 4).

"Não se julgue, porém, que esta bem ordenada e 'orgânica' estrutura do Corpo da Igreja se limita unicamente aos graus da hierarquia; ou, ao contrário, como pretende outra opinião, consta unicamente de carismáticos, isto é, dos fiéis enriquecidos de graças extraordinárias, que nunca hão de faltar na Igreja. É fora de dúvida que todos os que neste Corpo estão investidos de poder sagrado são membros primários e principais, já que são eles que, por instituição do próprio Redentor, perpetuam os ofícios de Cristo Doutor, Rei e Sacerdote. Contudo, os Santos Padres, quando celebram os ministérios, graus, profissões, estados, ordens, deveres deste Corpo Místico, não consideram só os que têm ordens sacras, senão também todos aqueles que, observando os conselhos evangélicos, se dão à vida ativa, ou à contemplativa, ou à mista, segundo o próprio instituto; bem como os que, vivendo no século, se consagram ativamente a obras de misericórdia espirituais ou corporais; e finalmente também os que vivem unidos pelo santo Matrimônio"


"Antes é de notar que, sobretudo nas atuais circunstâncias, os pais e as mães de família, os padrinhos e madrinhas, e notadamente todos os seculares que prestam o seu auxílio à Hierarquia eclesiástica na dilatação do reino de Cristo, ocupam um posto honorífico, embora muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade, que por promessa de Jesus Cristo nunca faltará na Igreja" (Todo o artigo compõe-se de excertos da Encíclica do Papa Pio XII "MYSTICI CORPORIS CHRISTI" - 1943). 

terça-feira, 14 de março de 2017

O MAIS TERRÍVEL FLAGELO NA IGREJA

   O sacerdócio na Antiga Lei era apenas figura do sacerdócio deixado por Nosso Senhor Jesus na Sua Igreja. O que a Sagrada Escritura diz dos sacerdotes no Antigo Testamento muitas vezes se aplica também aos do Novo Testamento e, às vezes, até com mais propriedade. É o caso de que tratamos no presente artigo: o castigo da existência de pastores maus, escandalosos e omissos. 

   Consideremos algumas passagens das Sagradas Escrituras: "Ouvi isto, ó sacerdotes, e tu, ó casa de Israel, ouve com atenção; escuta, ó casa real, porque sobre vós se vai exercer o juízo, pois, devendo ser sentinela, lhe tendes armado laços e sido para ele como uma rede estendida sobre o monte Tabor" (Oséias V, 1). Oh! Sacerdote de Jesus Cristo, oh! Pastor de almas, que terrível juízo sofrereis um dia! Oh! Eclesiásticos que escandalizais! Então vós, que sois os protetores natos da inocência, armais-lhe laços? Estendeis as vossas abomináveis redes sobre o mesmo Tabor, sobre esse monte santificado por tantos e tão veneráveis mistérios. 

   "O meu povo tornou-se um rebanho perdido; os seus pastores enganaram-nos e fizeram-nos andar desgarrados pelos montes; dos montes passaram aos outeiros e esqueceram-se do lugar do seu repouso" (Jeremias L, 6).  

   Assim, o mais terrível flagelo que Deus podia empregar para punir uma paróquia, uma diocese, uma província, um país e até todo orbe, seria permitir que lhes fossem enviados pastores escandalosos. Eis o que Deus mesmo diz por um profeta: Como castigarei os pecadores obstinados? Que novo golpe lhes infligirá a minha justiça indignada? Eis o castigo: "Os seus pastores enganaram-nos..." (Jeremias citado acima).

  Observemos que os Pastores na Igreja podem escandalizar também por omissão. Eis o que diz a Bíblia sobre eles: "As suas sentinelas estão todas cegas, todas se mostraram ignorantes; são cães mudos, que não podem ladrar, que vêem coisas vãs, que dormem, e que amam os sonhos. E estes cães tão sem-vergonha não podem saciar-se; os mesmos pastores não têm nenhuma inteligência; todos declinaram para o seu caminho, cada um para sua avareza, desde o mais alto até o mais baixo" (Isaías LVI, 10 e 11). E logo em seguida o profeta acrescenta: "O justo perece, e não há quem lhe dê atenção..." (Isaías LVII, 1). 

   Caríssimos, temos que rezar muito e fazer penitências pelos eclesiásticos desde "o mais alto até o mais baixo".

   Fala-se hoje em um "Deus das surpresas". O próprio Deus, pela boca de São Paulo disse que "Jesus é sempre o mesmo, ontem, hoje e sempre". Portanto, caríssimos, devemos rezar e fazer penitência para conseguirmos a graça da perseverança: seja nosso falar "Sim, sim; Não não"; e rejeitemos toda doutrina nova e estranha. Até as revelações particulares só são aprovadas pela Igreja se estiverem em consonância com a Revelação Pública que terminou com a morte do último Apóstolo. Não pode haver "surpresa" de novidades na doutrina. Como dizia São Vicente de Lérins: "Nove, non nova", Não podem haver doutrinas novas na Igreja, embora possam ser apresentadas de maneira nova.  

   

   

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

IGUALDADE E DESIGUALDADE NA IGREJA

Extraído da INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA, escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 2 de março de 1965.

 Assim, na Igreja somos"o corpo de Cristo, e cada um, de sua parte, é um de seus membros" (1 Cor. 12, 27). Inculca neste passo o Apóstolo - e nós julgamos conveniente sublinhar - que todos os membros da Igreja têm uma dignidade fundamental, que é a mesma em todos, como filhos de Deus, membros de Jesus Cristo, chamados todos à perfeição. Sob este ponto de vista, não há na Igreja discriminação entre os fiéis, sejam eles "judeus ou gregos, servos ou livres" (cf. Gal. 3, 28), isto é, pertençam a esta ou àquela nação, tenham esta ou aquela condição social.
  

   Ao lado dessa dignidade fundamental, comum a todos os membros da Igreja, que deve, por sua alta excelência, ser por todos reconhecida e respeitada, dispôs Deus uma desigualdade requerida pelas funções e ministérios, indispensáveis num corpo organizado. Semelhantes funções e ministérios importam novas dádivas que são outras tantas excelências, que devem, igualmente, ser reconhecidas e tomadas no devido respeito; como, numa família, sem inveja, antes com amor, todos acatam e veneram a autoridade dos pais, sem que nenhum filho pretenda tomar-lhes o lugar ou usurpar-lhes a dignidade.

   Por seu turno, os que foram distinguidos pela Providência com maiores dons, a fim de exercerem na Igreja funções ou ministérios especiais, não têm razão alguma de menosprezar os demais, consoante a palavra do Apóstolo: "que tens que não recebeste? e se recebeste, por que te vanglorias, como se o não tivesses recebido? (1 Cor. 4, 7).

   A economia da graça, caríssimos filhos, tem o sigilo da harmonia divina. Santo Agostinho afirma que onde há humildade, aí há majestade; "ubi humilitas ibi maiestas" (Sermão 24). Realmente, a majestade só se compreende à imitação de Jesus Cristo, que, apesar de suas prerrogativas divinas, veio ao mundo para servir os homens; assim todas as dignidades na Santa Igreja  (o mesmo se diga da sociedade), que, objetivamente, envolvem excelências singulares  -  o que é preciso reconhecer  -  são de fato constituídas em benefício da comunidade, como todas as partes do corpo servem ao bem comum do organismo. Além do mais, a escala ascendente dos graus de excelência na Igreja  -  como em geral na ordem dos seres  -  induz a alma a um conhecimento menos imperfeito da inefável grandeza de Deus. Tem, pois, outrossim, uma missão pedagógica. São Pio X dava como característica do espírito modernista, o desejo de despojar a autoridade religiosa de todo aparato exterior, dos ornamentos pomposos pelos quais ela se apresenta num como espetáculo. Nisso, acrescenta o Papa, esquecem-se os modernistas de que a Religião, se pertence à alma, nela não se confina; e de que as honras tributadas à autoridade redundam em homenagem a Jesus Cristo, que a instituiu.