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terça-feira, 16 de julho de 2019

A RETA RAZÃO HUMANA PROVA A ORIGEM DIVINA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Em Teologia usam-se os argumentos tirados das Sagradas Escrituras e depois os argumentos da Tradição. Frequentemente, usam-se também os argumentos da reta razão humana. Esta mostra a conveniência de uma determinada tese. Assim, em se tratando da origem divina do Sacramento da Penitência, vamos, com a graça de Deus, apresentar também os argumentos da reta razão, ou também chamados argumentos do bom senso.

Pois bem! O mais simples bom senso nos mostra que a confissão não pode ter senão uma origem divina. Suponhamos que seja uma invenção humana; certamente, uma tal invenção é bastante notável para que se conhecesse o seu autor. Sabe-se o primeiro cultor da ciência: foi Thales. Arquimedes inventou as espelhos-ustórios; Nilton descobriu a lei da gravidade; Gutemberg descobriu a arte de imprimir. Pedro Álvares Cabral descobriu o nosso querido Brasil; Colombo descobriu a América etc. etc., ... quem é, pois,o inventor da confissão? Foi, acaso, um grande santo? Mas acabamos de ver no artigo anterior que os santos Padres desde os mais próximos dos Apóstolos já supõem a confissão como um fato existente e conhecido. Logo, não foram eles que inventaram a confissão. Se os padres, os bispos e os papas fossem isentos da confissão, aquela afirmação teria alguma aparência de verdade; eles, porém, estão sujeitos a ela como os simples fiéis. Onde, pois, a razão que os induziria a impor-se uma obrigação tão humilhante? Por que força secreta teriam eles podido constranger os reis a irem ajoelhar-se ante um pobre padre para lhe fazer acusação de suas fraquezas, a submeter-se sem réplica às suas decisões, e receber dele, com respeito, uma penitência proporcionada às suas faltas? Se os padres tivessem inventado a confissão, teriam sido levados por um motivo qualquer. Qual seria este motivo? O interesse? Evidentemente que não; pois o confessor não recebe remuneração alguma pela confissão. O prazer? Mas sabeis o que é ser confessor?   - Ser confessor é ser escravo de todos - depender dos outros desde a manhã até à noite  -  a qualquer hora do dia e da noite. O confessor tem que sondar as chagas mais repugnantes, sem tremer, ouvir os crimes por maiores que sejam, sem arrepiar-se.

É sobretudo à cabeceira dos doentes e moribundos que os padres devem estar presentes. O padre deve administrar os sacramentos aos pestíferos com risco de contaminar-se do mal. Sua vida é uma vida de sacrifícios, de prisão e de fadiga, sobretudo no confessionário e junto aos leitos dos doentes.
Quem teria inventado a confissão? Talvez os fiéis? Mas esta segunda suposição é tão absurda como a primeira. A confissão é um constrangimento, um ato de humildade. Ora, o homem, em lugar de submeter-se de boa vontade a uma coisa que o constrange e humilha, é ao contrário levado a repelir tudo que o contraria.


Quando alguns do Anglicanismo quiseram introduzir a confissão na Inglaterra; que resultou? As revoltas populares, os gritos sediciosos levantaram-se ao mesmo tempo em todos os pontos do país. Uma tal imposição por parte de fiéis só merece a irrisão pública. Só Deus tem autoridade para impor este ato de humilhação como condição para se receber o perdão dos pecados. Portanto, o homem não podia inventar a confissão; ela é obra de Deus. Só Ele, o soberano Mestre, a poderia impor ao homem; e o homem, qualquer que seja, rei ou súdito, rico ou pobre, é obrigado a submeter-se a essa lei divina, sob a terrível pena de condenação eterna para os que, depois do Batismo, tenham cometido pecado mortal. 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

AS MISÉRIAS HUMANAS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
(Inspirada no Livro da Imitação de Cristo)

     Infeliz serás onde quer que estejas e para onde quer que te voltes, se  não recorreres a Deus. Ninguém vive no mundo sem alguma tribulação ou angústia, ainda que seja rei ou papa. Porque certamente estará melhor aquele que pode padecer alguma coisa por amor de Deus. 
    Levanta o pensamento aos bens do céu, e verás que todos os bens temporais nada são! Sempre incertos, são pesados porque nunca se possuem sem cuidado e temor. Não consiste a felicidade do homem em ter abundância de bens temporais; basta-lhe a mediania. É verdadeira loucura e dureza de coração passar a vida apegado à terra. Muitos acham que tendo dinheiro, prazeres, televisão, Internet, têm tudo e não pensam no céu. E pior ainda, não rezam e se o fazem, rezam mal e não trabalham para o único necessário: a salvação da alma. 
   Os Santos de Deus, porém, e todos os fiéis amigos de Cristo não atendem ao que agrada à carne nem ao que neste mundo brilha; mas toda a sua esperança e intenção se dirige aos bens eternos. Todo seu desejo se eleva para as coisas duráveis e invisíveis, para que o amor do visível os não arraste a desejar as coisas baixas. 
   Não percas, caríssimo irmão, a confiança de aproveitar nas coisas espirituais; ainda tens tempo e ocasião. 
   Por que queres dilatar de dia em dia o teu propósito? Levanta-te, começa neste mesmo instante e dize: Agora é tempo de obrar, agora é tempo próprio para me emendar. 
   Quando estás atribulado e aflito, então é tempo de merecer. 
   Se não te fizeres violência, não vencerás o vício. 
   Enquanto estamos neste frágil corpo, não podemos estar sem pecado, nem viver sem fadiga e dor. Por isso nos importa ter paciência, e esperar a misericórdia de Deus "Até que esta maldade se acabe e se destrua a mortalidade pela vida" (2 Cor., V, 4). 
   Oh! quão grande é a fraqueza humana que sempre está inclinada aos vícios! Hoje confessas teus pecados e amanhã tornas a cair neles, embora tenhas feito a confissão sincera e com propósito firme. Agora propões acautelar-te, e daqui a uma hora obras como se nada houveras proposto. Como diz São Paulo, o homem vê o bem e aprova-o; vê o mal e desaprova-o; no entanto termina fazendo o mal que desaprova e não o bem que aprova. Com muita razão, pois, nos devemos humilhar e não nos ter em grande conta, pois somos tão frágeis e tão inconstantes!
   Depressa se perde por descuido o que com muito trabalho dificultosamente se ganhou pela graça. Que será de nós no fim, se já somos tão tíbios no princípio.
   Ai de nós, se assim queremos buscar o descanso; como se já tivéramos paz e segurança quando em nossa vida não aparece ainda sinal de verdadeira santidade!
    "O homem nascido de mulher vive poucos dias e é oprimido de muitas misérias". Esta é a sorte que nos fez o pecado. Sobre esta grande miséria Jó se lamentava; mas pensando na eternidade não perdeu a esperança: "Sei que meu Redentor vive, e que serei de novo revestido de minha carne e nela verei o meu Deus; hei de vê-lo e meus olhos o contemplarão" (Jó XIX, 23-27). 
   Desde logo tudo muda: aquelas dores, antes sem consolação alguma, unidas às do Redentor, não são mais do que uma expiação necessária, uma prova de justiça e de misericórdia, um germe de eternas alegrias.
   Jesus Cristo, nosso Redentor abriu, por sua morte, o céu ao homem decaído, que, por graça única, pedia à terra uma sepultura. E nós poderíamos queixar-nos dos sofrimentos a que Deus reserva tão grande prêmio? Murmuraríamos quando, pelas tribulações se digna Jesus Cristo associar-nos aos méritos de seu sacrifício?
    Senhor, reconheço minha cegueira, minha ingratidão, a nada mais quero desejar neste mundo que ter parte em vossa paixão, afim de ser um dia participante de vossa glória. Desta hora para sempre sede Vós o senhor desta alma, o morador pacífico dela. Alumiai meus olhos, meu bom Jesus, para que sempre vejam a suavidade e brandura, desse Vosso coração, e, preso de Vossa formosura, tudo o mais não tenha em mim entrada. 
   O ramalhete espiritual  que levarei desta leitura meditada são as palavras do Divino Mestre: "Se alguém estiver aflito, acabrunhado com muitos problemas, venha a mim, e eu o aliviarei".

sábado, 6 de abril de 2019

O CONFESSOR É JUIZ DAS CONSCIÊNCIAS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Tem o confessor, portanto, o direito de conhecer as consciências de seus penitentes; e desde que Deus não lhe deu a faculdade de ler em nossa alma (Deus só deu este dom a alguns santos, como ao Santo Cura d'Ars, a São João Bosco, ao São Pio de Pietrelcina etc.) temos então o dever de lhe descobrir todos os pecados mortais, que, porventura,  temos cometido. Diz o Santo Concílio de Trento (35. 14 c. 5): "Com efeito, Jesus Cristo estabeleceu os sacerdotes como juízes a quem os fiéis devem submeter todos os pecados mortais, afim de que em virtude do poder das chaves, pronunciem a sentença que perdoa ou retém esses pecados. Porquanto é evidente que os sacerdotes não poderiam julgar sem conhecimento de causa, nem observar a equidade na imposição das penas, se as faltas lhes fossem declaradas somente em geral e não especificadas detalhadamente. Segue-se daí que os penitentes devem enumerar na confissão todos os seus pecados mortais, embora sejam de todo secretos e cometidos somente contra os dois últimos preceitos do Decálogo. Segue-se além disso que é preciso explicar na confissão todas as circunstâncias que mudam a espécie do pecado, pois que sem isto os pecados ainda não seriam expostos pelos penitentes, nem conhecidos pelo juiz em toda a sua integridade, e este não poderia avaliar no seu justo valor a enormidade dos pecados cometidos, nem impor aos penitentes uma pena proporcionada".

O confessor, se o julgar necessário, tem o direito de interrogar o penitente, e este é obrigado a responder segunda a verdade, às perguntas que lhe são feitas. O confessor deve também examinar as disposições do penitente: ver se tem o arrependimento que Deus exige para ser perdoado; se tem o firme propósito de evitar todo pecado para o futuro; se está resolvido a fugir das ocasiões que lhe foram tão funestas no passado. Não será o caso de exigir a restituição do bem alheio? Não haverá algum ódio a que é preciso renunciar? Não se entrega o penitente a leituras que é preciso proibir-lhe como perigosas para a fé e os bons costumes? Pôs ele em prática os meios aconselhados nas confissões anteriores? O confessor, hoje, tem muito mais matérias de observação nos penitentes, tais como: festas profanas, Internet, televisão. A Internet deve ser usada só para o bem e o penitente que tiver algum apego a pornografia, só deverá receber a absolvição se estiver disposto a deixar estes pecados fugindo da ocasião. O mau uso da Internet está sendo um terrível instrumento do demônio para prender almas nas cadeias do inferno.


Conhecendo  assim a consciência do penitente e as suas disposições, o confessor pode, com conhecimento de causa, julgar se deve dar, diferir, ou recusar a absolvição. E, caríssimos, longe de vós, o pensamento de que o confessor é livre de dar ou recusar a absolvição a seu gosto. Absolutamente não! Ele não é o senhor, ainda menos o dissipador dos dons de Deus, mas é o dispensador deles. Ele é seriamente obrigado a seguir as regras traçadas na teologia tradicional a pronunciar sua sentença dum modo justo, imparcial e consciencioso, sabendo que deve dar contas ao grande Juiz dos vivos e dos mortos. 

Saibam todos o quanto é penoso ao confessor chegar ao extremo de se ver obrigado a negar a absolvição. Mas sobre isto falaremos, se Deus assim o permitir, na postagem seguinte. Amém!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SANTA IGREJA CATÓLICA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA


A Igreja Católica é a sociedade de todos os fiéis reunidos pela profissão de uma mesma fé, pela participação dos mesmos sacramentos e pela obediência ao Santo Padre, o Papa. Compõe-se ela de justos e pecadores, pois Nosso Senhor Jesus Cristo compara-a um campo onde Deus planta o trigo, isto é, os bons, mas o homem inimigo, ou seja, o demônio semeia o joio, isto é, os maus. O divino Mestre também compara-a a uma rede que apanha bons e maus peixes; ainda, a dez virgens das quais umas são prudentes e outras loucas. Compara ainda sua Igreja a umas bodas onde se ajuntam uns que trazem a veste nupcial e outros que não a tem. A separação dos justos e dos pecadores será feita no último dia do juízo . Assim, por maior pecador que seja um católico, ele pertence ao corpo da Igreja, salvo se pela infidelidade e apostasia se tenha retirado voluntariamente, ou tenha sido expulso pela excomunhão. Mas estes infelizes são como galhos secos, que, embora ainda presos à arvore não participam da sua seiva que só se espalha nos galhos vivos. Mas, caríssimos, há uma diferença abismal que é um recurso consolador ao maior criminoso: o galho morto não pode reviver, ao passo que um membro da Igreja, morto pelo pecado grave, pode recuperar a graça, recebendo novamente a influência da vida divina que Nosso Senhor Jesus Cristo, como tronco da videira, derrama sobre os justos. Ao rezarmos todos os dias o CREDO, resumo admirável de nossa fé, dizemos: "Creio no remissão dos pecados". É uma verdade na qual se baseia a Redenção. E assim, que felicidade sermos filhos da Igreja! Pois, só nela se encontra a remissão dos pecados por um Sacramento especial, a obra prima da misericórdia divina: é o Sacramento da Penitência, só existente e praticado na verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sacramento mil vezes abençoado! Quando o pecado tinha feito alguém filho da morte e da perdição, a Penitência, torna-o filho da vida e da ressurreição. Por este sacramento, a maldição dá lugar à benção, por ele, as lágrimas de dor transformam-se em lágrimas de alegria, os espinhos do remorso convertem-se em chamas de amor. Sem ele, como a morte é amarga, mas sob a sua proteção ela é suave e cheia de esperança. É um tribunal, o confessionário, mas onde o réu mesmo se acusa arrependido sabendo que sempre levantar-se-á dele, perdoado. Se estava o penitente nas garras do diabo, levanta-se dali nas mãos do Pai do Céu; se era galho seco; por um prodígio misericordioso do Sangue de Jesus, levanta-se dali, ramo verdade e viçoso! Assim as poucas palavras da forma sacramental, são chaves de ouro que abrem as portas do céu, o ferrolho que fecha o abismo aberto aos pés do pecador; a marreta que quebra as correntes da escravidão; a esponja, que embebida com a sangue do Santíssimo Redentor, apaga a enxurrada lodosa de nossas iniquidades. Amém!