quarta-feira, 20 de novembro de 2019

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - QUARTA-FEIRA

ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!


QUARTO DIA  -  QUARTA-FEIRA

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me do mal cometido... Outrora pareciam-me ele tão sem importância e tão agradável! E por isso eu sufocava os remorsos em meio dos prazeres... Hoje seu peso esmaga-me, sua amargura faz o meu tormento, sua lembrança persegue-me e me dilacera. Pecados mortais perdoados, mas não expiados; faltas veniais, imperfeições leves, só muito tarde eu compreendo agora a vossa malícia!

Ah! si eu pudesse voltar à vida!... nenhuma promessa, por fascinante que fosse, nenhuma honra, nenhum prazer, nenhuma palavra sedutora seria capaz de me incitar a cometer o menor pecado. Vós que ainda tendes a liberdade de escolher entre Deus e o mundo, contemplai os flagelos, os espinhos, a cruz, que torturaram Jesus; elas vos dirão o que nossos pecados Lhe custaram.

Pensai nos arrependimentos tardios e dolorosos que haveis de ter de vossas faltas no Purgatório, e nada vos custará para confessar, no Sacramento da Penitência, todas as do passado, para sofrer no presente a pena que ainda lhes é devida, e para evitá-las no futuro.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução: - Socorrer hoje, no Purgatório, por todos os meios ao nosso alcance, as almas dos fiéis chegadas de todas as regiões da África, especialmente dos países outrora católicos, e recomendar--nos àquelas que, neste momento, sobem ao Céu.

Ramalhete espiritual:  -  Que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, si ele vier a perder a sua alma?

Sufrágio:  -  Um ato de contrição diante de uma imagem do Sagrado Coração.

Intenção particular:  -  Rogar pela alma mais rica em merecimentos.

Motivo:  -  Quanto mais ela for elevada em glória no Céu mais eficazmente poderá obter-nos um verdadeiro amor de Deus, sem o qual não existe verdadeiro mérito.

Oração para o quarta-feira:  -  Ó Senhor, Deus onipotente, suplico-vos pelo Sangue preciosíssimo que Jesus, vosso divino Filho, derramou nas ruas de Jerusalém, ao carregar uma cruz tão pesada em seus ombros sagrados, liberteis as almas do Purgatório, e mui especialmente aquela que for mais rica em merecimentos diante de vós, afim de que, elevada ao lugar sublime que espera, ela vos louve e bendiga para sempre. Amém.

Padre-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129:  Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouvi minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.

Oração jaculatória:  -  Jesus, Maria e José, eu vos dou meu coração, minha alma e minha vida. - Jesus Maria, José, assisti-me na última agonia. -  Jesus, Maria e José, morra eu tranquilamente na vossa santa companhia.




terça-feira, 19 de novembro de 2019

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - TERÇA-FEIRA


ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

TERCEIRO DIA  -  TERÇA-FEIRA
COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?
Arrependo-me das graças desprezadas. - Elas me foram oferecidas em tão grande abundância, a cada instante de minha vida, com tão insistentes solicitações... Regeneração cristã pelo batismo, vocação, sacramentos, palavra de Deus, inspirações santas, bons exemplos, favores insignes de preservação no perigo, de socorro na tentação, de perdão depois da queda. Que soma incalculável de escolhidas graças!
E umas eu recusei; aceitei friamente outras; abusei da maior parte delas.
Ah! si eu tivesse hoje, num só momento, a liberdade de estancar minha sede nas fontes da misericórdia que jorram do Coração Sagrado de Jesus, e que os pecadores e os indiferentes desprezam!
Escutai o que Santa Margarida Maria vos diz do alto do Céu, como nós vo-lo dizemos: Existe ninguém no mundo que não experimente toda espécie de socorros, uma vez que não falte para com Jesus Cristo um amor reconhecido tal como é aquele que lhe é testemunhado pela devoção a seu Sagrado Coração" (Obras de Santa Margarida Maria, t. II, 86).

PIEDOSAS PRÁTICAS
Resolução:  -  Socorrer hoje, no Purgatório, por todos os meios ao nosso alcance, as almas dos fiéis vindas de todas as regiões da Ásia, e especialmente as da Palestina, e recomendar-nos àquela que, neste instante, sobem ao Céu.

Ramalhete espiritual:  -  "O valor duma só graça é superior ao valor natural do universo inteiro" (S. Tomás).

Sufrágio:  -  Algumas práticas indulgenciadas em honra do Sagrado Coração.

Intenção particular:  -  Orar pela alma Purgatório mais distanciada de sua libertação.

Motivo: -  Deixai-vos tocar por sua desolação e por sua humildade em suportar seus longos sofrimentos, pois elas vos serão reconhecidas! Felizes sereis, si elas vos obtiverem a humildade neste mundo, para serdes glorificados no outro.

Oração para terça-feira:  -  Ó Senhor, Deus onipotente, suplico-vos, pelo Sangue preciosíssimo que Jesus, vosso divino Filho, derramou em sua dolorosa coroação de espinhos, liberteis as almas do Purgatório, sobre tudo aquela que deveria ser a última a sair desse lugar de tormentos, afim de que ela não demore tanto a louvar-vos em vossa glória e a bendizer-vos para sempre. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.
Oração jaculatória: Pai Eterno, ofereço-vos o sangue preciosíssimo de Jesus Cristo, em expiação de meus pecados, em sufrágio das santas almas do Purgatório e pelas necessidades da Santa Igreja. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - SEGUNDA-FEIRA


ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

SEGUNDO DIA  -  SEGUNDA FEIRA
COLÓQUIO  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?
Arrependo-me dos bens dissipados:  -  Minha fortuna, minha saúde, meus talentos, minha posição no mundo: tudo isto poderia ter sido para mim um poderoso meio de salvação, si eu o tivesse aplicado na glória de Deus.
Quantas graças eu atrairia então sobre mim! Mas eu não quis! E todos os meus bens desvaneceram-se a meus olhos, no momento da morte! Ah! si eu dispusesse hoje desses bens perecíveis, como eu me aplicaria em adiantar um momento que fosse a minha libertação, para aumentar um degrau na glória que Deus me reserva no Céu, e para fazer conhecida na terra, a mais uma alma, a devoção ao Sagrado Coração.
Vós que, na terra, dispondes ainda de alguma fortuna, lembrai-vos de que dela haveis de dar contas... Pensai nisto... Usai dela segundo a justiça, a piedade e a caridade. Pagai vossas dívidas para com os vivos e para com os mortos; daí generosas esmolas aos pobres; trabalhai pela glória do Sagrado Coração esforçando-vos, por uma piedosa liberalidade, pela difusão do seu culto até as extremidades do mundo que lhe foi inteiramente consagrado.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Socorrer hoje no Purgatório por todos os meios em nosso poder, as almas dos fiéis chegadas de todos os pontos da Europa, especialmente as de Roma, e recomendar-nos àquelas que, neste momento, sobem ao Céu.

Ramalhete espiritual:  -  "À esmola estão abertas as portas do Paraíso" (S. João Crisóstomo).

Sufrágio:  -  Fazer alguma esmola para o culto do Sagrado Coração.

Intenção particular:  -  Rezar pela alma mais aproximada da sua libertação.

Motivo:  -  Quanto mais próximo está o termo de seu sofrimento, mais a alma deseja unir-se ao Sagrado Coração. Removei o obstáculo! Em troca, ela pedirá para vós a graça de romper os últimos laços que vos impedem de entregar-vos inteiramente a Deus.

Oração para a segunda-feira:  -  Ó Senhor, Deus onipotente, suplico-vos, pelo Sangue preciosíssimo que Jesus, vosso divino Filho, derramou em sua flagelação, liberteis as almas do Purgatório, e sobretudo aquela que se acha prestes a entrar na glória, afim de que ela comece desde já a bendizer-vos por toda a eternidade.

Pai-Nosso, Ave Maria, Salmo 129

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.


Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.

Descansem em paz, Amém.


Oração jaculatória:  -  Doce Coração de Maria, sede a minha salvação. 

domingo, 17 de novembro de 2019

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - DOMINGO - 1º dia.


Pelo Padre Vitor Jouet, M. S. C.

Fundador da Associação do Sagrado Coração para alívio e libertação das Almas do Purgatório
O Autor recebeu a Bênção Apostólica de  S. Pio X:

"Ao nosso caro filho, Padre Victor Jouet, bem como aos caros Associados de sua Confraria do Sagrado Coração de Jesus em favor das almas sofredoras do Purgatório, concedemos de todo coração a Bênção Apostólica.
Domingo do Laetare, 13 de março de 1904
Pio X, Papa.

NOVENA
ATOS PREPARATÓRIOS



ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

PRIMEIRO DIA   -  DOMINGO

COLÓQUIO  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?
Arrependo-me do tempo perdido:  -  "Não o julgava nem tão precioso, nem tão rápido, nem tão irreparável... Si eu o soubesse"... Si eu pudesse ainda repará-lo!...
Tempo precioso!... Aprecio-te agora como o mereces. Tu me foste dado para empregar-te no amor de Deus, em minha santificação. no consolo e na edificação do próximo; empreguei-te porém no pecado, no prazer, em obras que agora me causam amargos pesares! Tempo tão rápido na terra e tão lento nesta prisão de fogo! Passavas outrora como o relâmpago; minha vida fugia como um sonho; e agora as horas me parecem anos!... os dias... séculos!
Tempo irreparável! Na terra parecias jamais acabar; e a morte cortou o fio de meus dias, no momento em que menos o pensava. Ó tempo perdido, eis que passaste sem esperança de voltar!
Oh! Vós que viveis ainda na terra, consagrai por nós ao Coração de Jesus algumas dessas horas em que a graça vos é oferecida em tão grande abundância e com tanta facilidade!

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Socorrer hoje no Purgatório, por todos os meios em nosso poder, as almas daqueles que, durante sua vida, praticaram este santo exercício, e recomendar-nos àquelas que, neste instante, sobem ao Céu.

Ramalhete espiritual:  -  "Os sofrimentos das almas do Purgatório são tão grandes, que um dia lhes parece mil anos" (São Vicente Ferrer).

Sufrágio:  -  Consagrar um instantezinho honrando o Sagrado Coração em favor das Almas do Purgatório.

Intenção particular:  -  Rogareis ao Sagrado Coração em favor da Alma mais abandonada.
Motivo:  -  Quanto maior for a sua penúria, maior será o seu reconhecimento. Ela pedirá a Deus que não vos abandone, e que não permita jamais vos afastardes dele pelo pecado.

Oração para o domingo:  -  Ó Senhor, Deus onipotente, suplico-vos, pelo Sangue preciosíssimo que Jesus, vosso Filho, derramou no Jardim das Oliveiras, liberteis as almas do Purgatório; recomendo-vos de modo muito particular a alma mais abandonada. Conduzi-a à morada da glória, afim de que ela vos louve e bendiga durante toda a eternidade, Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129 ("De profundis").

Salmo 129: Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.


Oração jaculatória:  -  Doce Coração de Jesus, fazei que eu vos ame sempre e cada vez mais!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O DOENTE E A SAÚDE

O DOENTE E A SAÚDE

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
                                                          
No próximo fim de semana, em São Paulo, participarei como palestrante do 1º Encontro Nacional dos Agentes da Pastoral da Saúde (CNBB). Na minha palestra enfocarei os aspectos teológicos, morais e sociais da doutrina da Igreja sobre a saúde e a doença.
Na economia da salvação, a doença e o sofrimento estiveram sempre entre os problemas mais graves que afligem a vida humana. Na doença, o homem experimenta a sua incapacidade, os seus limites, a sua finitude. Qualquer enfermidade pode fazer-nos entrever a morte. Mas a doença pode levar à angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é. Muitas vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele.
Comovido por tanto sofrimento, Cristo não só Se deixa tocar pelos doentes, como também faz suas as misérias deles: «Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças» (Mt 8, 17). Pela sua paixão e morte na cruz. Cristo deu novo sentido ao sofrimento, que pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora.
“Os doentes são a figura de Jesus Cristo. Muitos comprovadamente delinquentes, blasfemos, chegam inesperadamente ao hospital por disposição última da misericórdia de Deus, que os quer salvos. Nos hospitais, a missão das irmãs, dos médicos, dos enfermeiros, consiste em colaborar com esta infinita misericórdia, ajudando, perdoando, sacrificando-se... Bem-aventurados nós, médicos, tantas vezes incapazes de remover uma enfermidade, felizes de nós, se levarmos em conta que, além de corpos, estamos em face de almas imortais, para as quais urge o preceito evangélico de amá-las como a nós mesmos” (São José Moscatti, médico).
 “Doentes precisam de médico”, disse Jesus (Lucas 5,31). Não estão de acordo com o Evangelho, os que, pensando confiar em Deus, dispensam o recurso aos médicos. Ele mesmo não curou todos os doentes. Por isso, nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças. A vida e a saúde física são bens preciosos, confiados por Deus. Temos a obrigação de cuidar razoavelmente desses dons, tendo em conta as necessidades alheias e o bem comum. O cuidado da saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade para se conseguirem condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimentação, vestuário, casa, cuidados de saúde, ensino básico, emprego e assistência social.
No enfoque ético, “a moral natural e cristã mantém em toda a parte os seus direitos imprescritíveis; é deles, e não de considerações de sentimentalismo, de filantropia materialista, naturalista, que derivam os princípios essenciais da deontologia médica; a dignidade do corpo humano, a superioridade da alma sobre o corpo, a fraternidade de todos os homens, o domínio soberano de Deus sobre a vida e sobre o destino” (Pio XII; radiomensagem ao VII Congresso Internacional de Médicos Católicos, sobre a moral e o direito dos médicos, 11/8/1956).

 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


sábado, 2 de novembro de 2019

A existência do Purgatório é dogma de Fé



"Quem deixa esta vida, como membro do Corpo de Cristo, como sarmento vivo na Vide que é Nosso Senhor Jesus Cristo, tem a Vida eterna: não se poderá perder. Sem dúvida, a maior parte dos homens, deixando esta vida, não tem a necessária pureza para entrar no Amor vital mais íntimo com o Deus que é a própria Santidade. Por isso existe um estado de purificação, ao qual se devem submeter essas almas e - como podemos bem afirmar - também se submetem de boa vontade, pois elas conhecem a distância que separa a sua alma de Deus. A este estado chamamos Purgatório. A Igreja nada definiu até hoje, a respeito do modo dessa purificação; os Orientais, mesmo os unidos à Igreja de Roma, evitam a palavra Purgatório. A existência do Purgatório, no entanto, que a própria razão insinua, é também expressamente revelada. Já no Antigo Testamento, no Segundo Livro dos Macabeus está escrito: "É um pensamento santo e salutar, rezar pelos mortos, para que sejam libertados de seus pecados" (2 Macab. XII, 46). Judas Macabeu fez oferecer um sacrifício em Jerusalém por aqueles soldados mortos, que se haviam munido de objetos provenientes de sacrifícios aos ídolos. É certo que as almas do Purgatório sofrem sem aumentar os seus merecimentos, isto é, não podem crescer no amor. Sem dúvida, seus sofrimentos são grandes. Antes de tudo sentem amargamente por se verem excluídos da visão de Deus, até a total purificação. Igualmente certo é que nós, pelo Santo Sacrifício e pela oração, podemos correr em seu auxílio. Não menos certo é também que elas estão absolutamente seguras de sua salvação, o que para elas constitui motivo de grande consolação. O Purgatório torna-se deste modo um lugar de amor e submissão à vontade de Deus". (Extraído da Pequena Teologia Dogmática, autores: D. Rudloff e D. Keckeisen, ambos O. S. B.)
  
  "Em verdade, Senhor, para os Vossos fiéis, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a casa deste exílio terrestre, uma eterna morada se adquire nos céus". Assim, bem mais do que um fim inexorável, a morte é para o cristão uma porta aberta para a eternidade, porta esta que o introduz na vida eterna. 
  Devemos aproveitar este dia para pensarmos também na nossa morte. Temos uma vantagem e uma desvantagem com relação às almas do Purgatório: Elas não podem mais merecer, como acabamos de meditar. Nós, os vivos, podemos. No entanto, elas já estão seguras da salvação. Nós não. Temos que trabalhar com muito esforço para a garantirmos. 
  Terminemos, então, com as palavras de Santo Agostinho: "Concedei-me, ó Senhor, que com a morte dos entes queridos experimente uma aflição razoável, derramando lágrimas resignadas sobre a nossa condição mortal, depressa reprimidas pelo consolador pensamento de fé, a qual me diz que os fiéis, ao morrerem, somente se afastam um pouco de nós para irem a um lugar melhor. Não consintais que eu me entristeça como os gentios que não têm esperança. Poderei de fato experimentar tristeza, mas quando estiver aflito, que a esperança me conforte. Com uma esperança tão grande, não fica bem, Senhor, que o Vosso templo esteja de luto. Aí morais Vós, que sois o consolador, aí morais Vós, que não faltais às Vossas promessas. 
  Fazei, Senhor, que durante minha vida, sofra sempre com paciência, pratique a caridade, seja manso e humilde, desapegado do mundo e da carne; e quando Vós me chamardes, pela Vossa misericórdia, me alegrarei em encontrar junto de Vós os meus entes queridos que aí já estão. Amém! 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A SANTÍSSIMA EUCARISTIA E O PURGATÓRIO



18. "Ademais, o benefício da caridade mútua entre os vivos, à qual o sacramento eucarístico traz tanta força e incremento, derrama-se principalmente, pela virtude do sacrifício, sobre todos aqueles que são abrangidos pela Comunhão dos Santos. Esta, como ninguém ignora, outra coisa não é senão uma comunicação mútua de socorros, de expiações, de orações, de benefícios entre os fiéis, quer os que já estão de posse da pátria celeste, quer os que ainda estão condenados às chamas expiatórias, quer enfim os que ainda são viandantes nesta terra, mas não formando todos senão uma só cidade que tem por cabeça Cristo e por forma a caridade. Ora, a fé ratifica esse dogma: conquanto só a Deus seja lícito oferecer o augusto sacrifício, podemos entretanto celebrá-lo em honra dos santos que reinam nos céus com Deus que os coroou, no intuito de nos conciliarmos o patrocínio deles, e também, como o ensinaram os apóstolos, a fim de apagarmos as faltas de nossos irmãos que, mortos no Senhor, ainda não expiaram completamente.


19. Assim, pois, a caridade sincera, acostumada a fazer tudo e a tudo sofrer pela salvação e pelo bem de todos, jorra, abundante, ardente e cheia de atividade, da santíssima Eucaristia; na Eucaristia Cristo reside, vivo ele próprio; nela, entrega-se sobretudo ao seu amor para conosco; nela enfim, arrastado pelo transporte da sua divina caridade, renova incessantemente o seu sacrifício. Assim, fácil é ver em que fonte os homens apostólicos hauriram a sua força para os seus duros labores, e d onde as instituições católicas, tão numerosas e tão diversas, que se têm tornado beneméritas da família humana, tiram a sua inspiração, o seu poder, a sua perpetuidade e os seus felizes resultados". (Excerto da Encíclica "MIRAE CARITATIS" de Leão XIII sobre a Santíssima Eucaristia). 

NO PURGATÓRIO

LEITURA ESPIRITUAL, dia 1



Por Mons. Ascânio Brandão


Quando levamos nossos mortos queridos à sepultura, costumamos dizer: descansaram!... Sim, descansaram das fadigas e lutas desta vida que é um combate no dizer expressivo de Jó: "militia est vita hominis super terram - a vida do homem neste mundo é um combate. Porém, descansaram já no seio de Deus? Estão já no eterno repouso no céu? Ai! é tão grande a fragilidade humana, que bem poucos, raríssimos, são os que deixam esta vida e entram logo no céu. Os mortos entram, sim, na paz do Senhor, mas na paz da justiça, geralmente na paz da expiação do purgatório. O purgatório é o lugar da paz. Lá habita a doce paz dos eleitos, dos que resignados e cheios de amor e de dor cumprem a sentença e se purificam à espera do céu. Já se chamou ao purgatório, e com razão, o vestíbulo do paraíso. É o pórtico da eternidade bem-aventurada
   Sim, nossos mortos descansaram, mas sofrem, e sofrem muito mais do que tudo quanto padeceram nesta vida.... Não digamos comodamente: estão no céu! estão no céu!. Com isto padecem as almas do purgatório. A Igreja, pelas lições impressionantes da sua liturgia quer que associemos ao pensamento da morte o da eternidade. E diz o prefácio da Missa dos defuntos: se a condição da nossa morte nos entristece, console-nos a promessa da imortalidade futura.
   E depois, quantas vezes gemendo sobre nós, clama: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno! Dai-lhes o descanso eterno! Implora misericórdia para nossa pobre alma, lembra o juízo tremendo de Deus, e quer nos aliviar nas chamas expiadoras do purgatório. Nunca meditemos na morte sem meditarmos no purgatório. É este o sentido da liturgia nos funerais.
   Estas preces tocantes e belas, estes ritos impressionantes e cheios de majestade, lembram-nos a nossa dignidade de cristãos, a dignidade de nosso corpo, sacrário de uma alma imortal e templo do Espírito Santo, destinado a ressuscitar um dia e comparecer no tribunal do juízo. Lembram-nos a triste condição de uma pobre alma ao comparecer diante de Deus, e implora misericórdia ao Juiz dos vivos e dos mortos. Sim, não podemos, como cristãos e filhos da Igreja, separar o pensamento da morte do da eternidade. E como sabemos qual é a justiça de Deus, não deixaremos de considerar que após a morte, aí vem o purgatório para quase todos nós, e que lá na expiação, há muitas almas queridas pelas quais somos obrigados a orar por dever de justiça e de caridade. Eis, pois, repito, o sentido da meditação da morte e da liturgia dos mortos. Não é um pensamento de morte, não estão vendo? É ao invés um pensamento de vida. Vita mutatur non tollitur, diz o prefácio dos defuntos. A vida não foi tirada, nem desapareceu, mudou-se apenas. De terrena passou a ser eterna. Eis como o cristão pensa na morte.
   É certo, diz um autor, a ingratidão não pode existir no purgatório. Aquelas benditas almas hão de proteger e socorrer os que as aliviam nesta vida com seus sufrágios...
   São Filipe Neri era devotíssimo das almas e cheio de caridade, nunca deixou de socorrê-las em toda sua vida. Muitas vezes lhe apareceram para lhe testemunhar uma gratidão profunda. Depois da morte do santo, um dos seus confrades o viu na glória do céu, cercado de uma multidão de bem-aventurados no esplendor da glória eterna. - Que corte é esta que vos cerca? pergunta o padre. - São as almas que livrei do purgatório e que salvei. Vieram me acompanhar na glória. (...) Na morte e depois da morte, seremos recompensados pelo que tivermos feito em sufrágio da benditas almas do purgatório. (...) A pobre criatura humana tão miserável nem sempre ao deixar a terra, é bastante pura e santa e merece a presença do Senhor, a visão beatífica. E também como há de ser condenada às chamas eternas a alma que, embora não tivesse pago a dívida dos seus enormes pecados na penitência desta vida, não é, todavia, merecedora do castigo eterno? Há de entrar no Céu? Não. Lá só se encontram os santos e os puros de coração. E que pureza angélica requer a divina justiça para o céu! Há, então, de ser condenada ao inferno? Oh!, também, não. A misericórdia divina jamais o permitiria. Faltas veniais, imperfeições, falta de penitência dos pecados graves, tudo isto, é bem verdade, exige castigo e sem a penitência não se há de entrar no céu. Porém, a justiça e a misericórdia divina se uniram - Justitia et pax osculatae sunt. - O pecado será castigado, a dívida exigida pela justiça será paga até o último ceitil, mas a infinita misericórdia há de salvar a pobre alma culpada, há de lhe abrir um dia as portas do céu.
   Existe um purgatório! Não é consoladora e racional a doutrina da Igreja neste dogma?
   Sobre o Purgatório, há só dois pontos, perfeita e claramente definidos pela Igreja, e que, portanto, constituem objeto de nossa Fé: 1) - Existe um lugar de purificação temporária para as almas justificadas que saem desta vida sem completa penitência dos seus pecados. 2) Os sufrágios dos fiéis e especialmente o santo Sacrifício da Missa são úteis às almas.
   Já nos primeiros séculos, segundo o testemunho de Tertuliano e dos Santos Padres e os monumentos, os cristãos, sufragavam os mortos com orações, e pelo santo Sacrifício da Missa celebrado sobre as sepulturas. Nas inscrições, nos epitáfios se encontram nas catacumbas belas preces pelos mortos. No Século IV em 302, Santa Perpétua nos conta uma visão do Purgatório. Diz ela:
   "Estávamos em oração na prisão, depois da sentença que nos condenava a sermos expostas às feras, e de repente chamei por Demócrito. Era um meu irmão segundo a carne. Morrera com um câncer na face. A lembrança da sua triste sorte me afligia. Fiquei admirada de me ter vindo à lembrança este irmão e me pus a rezar por ele com todo fervor, gemendo diante de Deus. Na noite seguinte, tive uma visão na qual vi Demócrito sair de um lugar tenebroso no qual se acham muitas pessoas. Estava abatido e pálido, com a úlcera que o levou à sepultura. Tinha uma grande sede. Junto de mim estava uma bacia com água, mas ele em vão tentava beber e não conseguia. Conheci que meu irmão estava sofrendo e era preciso rezar por ele. Pedi por ele a noite com muitas lágrimas, para que fosse libertado. Alguns dias depois tive outra visão, na qual Demócrito me apareceu todo brando, brilhante e belo, e se inclinou e bebeu à vontade a água que antes não pôde tirar. Conheci por isto que estava livre do suplício".
   Eis um belo trecho que vem provar a antiguidade da crença do purgatório.
   Santo Agostinho reconhece a autenticidade das Atas de Santa Perpétua e nota que o irmãozinho da Santa deveria ter cometido alguma falta depois do batismo. (...).
   Vemos tantos entes queridos que deixaram esta vida, é verdade, em boas disposições, mas como eram culpados de certas faltas e não haviam feito uma penitência devida, receamos às vezes pela sua salvação. Todavia nos diz o coração que não podiam se perder. Eram bons, tinham qualidades apreciáveis, foram talvez caridosos e fizeram algum bem nesta vida. Admitir que esteja no céu depois de tantas faltas e defeitos e ausência de penitência, não o podemos. Dizer que estejam condenados, é muito duro, e, apesar de tudo, como poderiam ter se perdido almas tão caridosas e boas e que fizeram algum bem neste mundo? A ideia do purgatório se impõe necessariamente à nossa razão ou, antes, se impõe à nossa fé. (...).
   Havemos de chorar nossos mortos e a religião não nos pode proibir as lágrimas tão justas, quando sentimos nosso coração ferido pelo golpe duro da saudade. Todavia, havemos de chorar cristãmente nossos defuntos queridos. É mister lembrar-nos deles mais com orações e sufrágios do que com lágrimas estéreis. O pensamento do purgatório é um consolo. Sabemos que podemos ainda auxiliar, valer e socorrer nossos entes queridos. É bem possível que padeçam no purgatório.
   A Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo não proíbe que choremos os nossos mortos queridos. Podemos, pois, render a estes o tributo de nossas lágrimas e de nossa saudades. Com esta pobre natureza, como ficarmos insensíveis ante a morte de um ente estremecido? Como nos custa ver arrebatados pela morte os entes com quem convivemos, nosso pai, nossa mãe, nosso filho, nosso irmão, nosso amigo"... A religião, se bem que nos ensine a ser fortes na dor e a meditar  na Paixão de Jesus Cristo, não nos veda aquelas lágrimas e saudades. Ela não tem o estoicismo pagão, estúpido e anti-natural. Pois, Jesus não chorou na sepultura de Lázaro? Não choraram, na Paixão, Maria Madalena e as Santas mulheres? A religião nos permite chorar do mesmo modo os nossos mortos. Quer apenas que o façamos, não como os pagãos, desesperados e desiludidos, mas como quem tem esperança na vida eterna e crê na imortalidade. Choremos a separação dolorosa, mas com a doce esperança de que, um dia, numa pátria melhor, onde não haverá nem luto, nem dor, ou sofrimento de qualquer espécie, nem separação, tornaremos a ver todos aqueles que amamos aqui na terra. Como esta esperança consola! O cristão não deve dizer com desespero, ante o cadáver gelado de um ente querido: - "Nunca mais te verei" Adeus para sempre!" Não! Embora em pranto, suas palavras devem ser estas: - "Até ao céu! Lá nos tornaremos a ver e seremos para sempre felizes".
   O dogma do purgatório, tão em harmonia com nosso coração, nos diz que podemos ainda ajudar nossos mortos queridos para podermos dizer-lhes: até o céu!.
   Deus revelou muitas vezes à Bem-avemturada Ana Taigi a sorte das almas do purgatório. Ela pedia continuamente pelas pobres almas, num misterioso sol que sempre lhe aparecia. Foi Ana Taigi uma grande mística do século XIX. Em 30 de maio de 1920, S. S. Bento XV declarava bem-aventurada a humilde e pobre mãe de família, que durante tanto tempo chamou a admiração de Roma e do mundo com tantos prodígios sobrenaturais. A beata Ana Taigi, romana de nascimento, via os acontecimentos futuros e a sorte dos mortos.
   Um homem, conhecido de Ana, morreu, e ela o viu nas chamas do purgatório, salvo do inferno pela divina Misericórdia, porque socorreu um pobre que o importunava muito pedindo esmola. Viu um conde cuja vida se passou em delícias e divertimentos, mas que na hora da morte teve um grande arrependimento e se salvou, mas deveria sofrer no purgatório tormentos incríveis tanto tempo quanto passou neste mundo sem se preocupar com a penitência e com a salvação eterna.
  Viu homens de grande virtude sofrendo porque se deixaram levar pela vaidade e amor próprio, muito apegados aos elogios e à amizade dos grandes da terra.
   Um dia Nosso Senhor lhe disse: levanta-te e reza, meu Vigário na terra está na hora de vir me prestar contas. Ana Taigi sufragou a alma do Papa e depois o viu como um rubi ainda não de todo brilhante, pois, lhe faltava se purificar mais.
   Faleceu em Roma o cardeal Dória, que deixou grande fortuna, e naturalmente celebraram-se por sua alma centenas de Missas. Foi revelado à beata Ana Taigi que as missas celebradas por alma do cardeal eram aproveitadas para as almas dos pobrezinhos abandonados e que não tinham quem mandasse celebrar por eles.
   Via-se assim a divina Justiça que não olha a riqueza nem as possibilidades dos ricos em arranjar sufrágios, com descuido às vezes neste mundo da verdadeira penitência.
   Viu Ana no purgatório um sacerdote muito estimado por suas virtudes e sobretudo pelas brilhantes pregações que fazia e o tornavam admirado de todos. Sofria muito este pobre padre. Foi revelado à beata Ana que ele expiava a falta de procurar com muito empenho a fama de bom pregador e um pouco de vaidade ao pregar a palavra de Deus, sobretudo nas complacências com os elogios.
   Viu dois religiosos muito santos no purgatório, em sofrimentos duros. Um deles expiava o seu apego ao próprio juízo e pouca submissão ao modo de ver de outros, e outro a dissipação, a falta de recolhimento e piedade no exercício do ministério sacerdotal.
   Enfim, a beata Ana trouxe com a sua bela e impressionante mensagem do sobrenatural no século XIX, muitas luzes sobre o purgatório e impressionantes lições da Justiça de Deus, e também não há dúvida, da Misericórdia que salva tantas almas pelas chamas expiadoras do purgatório.
  

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A VIDA APÓS A MORTE

A VIDA APÓS A MORTE

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
                                                          
No próximo sábado, dia 2, faremos a comemoração de todos os fiéis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna.
É tempo de reflexão sobre a vida após a morte, a vida eterna, e sua importância maior do que a vida presente, da qual ela depende. A nossa alma é imortal e levará consigo a responsabilidade dos seus atos na vida presente. Ademais, a morte nos leva a refletir sobre a humildade que devemos ter. Todos compareceremos diante de Deus. Ali não haverá distinção entre ricos e pobres, entre reis e súditos, entre presidentes, parlamentares e magistrados e os cidadãos comuns, entre Papa, Bispo, Padres e simples fiéis. Platão já dizia que no juízo as almas estarão nuas, sem nenhuma honraria. A distinção só será entre bons e maus, e isso não no sentir do povo, mas diante de Deus, que tudo sabe.
Mas olhemos a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero. Confiemos na misericórdia de Deus, que é nosso Pai, que nos enviou seu Filho, Jesus, que morreu por nós, para que não nos condenássemos, mas que tivéssemos a vida eterna.  “Deus não criou a morte e a destruição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou todas as coisas para existirem... e a morte não reina sobre a terra, porque a justiça é imortal” (Sb 1, 13-15). O pecado é que fez entrar a morte no mundo. Mas a esperança da ressurreição nos consola.
Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: “Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade! A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. Santo Agostinho nos advertia: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”
Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23). “Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31). Diz A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos. O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.
Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que nossos falecidos descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém.

        *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney