"Zelo zelatus sum pro Domino Deo Exercituum",1Reis,XIX,10. Tradução do latim para o português:"Eu me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos Exércitos". Este é o lema do Santo Profeta Elias que é reconhecido pela Santa Igreja como o Fundador da Ordem Carmelitana. Como estou construindo um Carmelo, escolhi o Profeta Elias como padroeiro deste blog ao lado da Padroeira principal que é Nossa Senhora do Monte Carmelo.
domingo, 6 de fevereiro de 2022
H0MILIA DO 5º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
domingo, 30 de janeiro de 2022
HOMLIA DOMINICAL
Homilia do 4° domingo depois da Epifania: Mt VIII, 23-27. Esta grande tempestade é símbolo das provações de nossa vida: tentações (carne, mundo, demônio), doenças, mortes de parentes e amigos, injustiças, perda dos bens, calúnias, perseguições e injúrias por invejas. Esta barca, sacudida pelos ventos e ondas, é símbolo da nossa alma atingida por aquelas provações. Jesus estava na barca, mas dormia no momento da tempestade. Os Discípulos O acordaram gritando: "Senhor, salvai-nos porque estamos num iminente perigo de morrermos afogados!" Jesus acalmou a tempestade, mas censurou a pouca fé de seus discípulos: Porque temais, homens de fé mesquinha!" Tinham fé: por isso, recorreram a Jesus. Mas uma fé ainda bem pequena na divindade de Jesus. Por isso temeram e acharam necessário acordar a Jesus. Sendo um Deus-Homem, tanto dormindo como acordado, sua divindade sempre governa tudo com força e suavidade.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
DIREÇÃO ESPIRITUAL SOBRE A PAIXÃO DOMINANTE DO ORGULHO
Direção Espiritual sobre a paixão dominante do ORGULHO. Suas más inclinações: egoísmo, obstinação, mania de domínio levado até a tirania, dureza de coração, cólera (repele violentamente o q lhe faz mal ou resistência e excita o desejo de vingança), indelicadeza, brutalidade, vaidade, desmedido desejo de honrarias, altivez, desobediência, mania de coisas grandes, complacência de si mesmo (narcisismo), presunção. A maioria dos hereges pertence a este tipo de gente.
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
AOS GÁLATAS
AOS GÁLATAS
Dom Fernando Arêas Rifan*
O livro proposto para estudo neste cinquentenário do Mês da Bíblia, é a Carta de São Paulo aos Gálatas.
Os Gálatas, habitantes da Galácia, na Turquia atual, eram originários das tribos celtas da Gália. Ali foram fundadas comunidades cristãs, visitadas por Paulo, que lhes escreve esta carta.
Os cristãos desta comunidade foram visitados por cristãos extremados de origem judaica, que ensinavam que, sem a circuncisão e a Lei de Moisés, hão haveria salvação: são os judaizantes. Estes tentavam enfraquecer a autoridade de Paulo, difamando-o. São Paulo até suportaria em silêncio as ofensas pessoais, mas não podia permitir que a autenticidade do Evangelho fosse negada por estes que queriam impor aos cristãos a Lei de Moisés, negando o aperfeiçoamento trazido pelo Evangelho. Por isso, Paulo lhes escreve com veemência esta carta.
O principal objetivo desta carta é mostrar a caducidade da Lei de Moisés após a vinda de Cristo. A promessa feita a Abraão, nosso pai na fé, de que todos os povos seriam nele abençoados, é independente da Lei de Moisés, que veio 130 anos depois dessa promessa. Todos os povos são abençoados pela fé na promessa de Deus de um Salvador, o Messias, Jesus Cristo. A Lei de Moisés, tinha a finalidade de conduzir o povo ao Messias, o Cristo, e deveria desaparecer com a vinda dele, pois terminou a sua função.
Daí, como consequência, a liberdade dos cristãos, com relação à lei antiga. Foi importante a missão de São Paulo em desatrelar o cristianismo do judaísmo. Paulo, judeu, inspirado por Deus, compreendeu a provisoriedade da Lei de Moisés. Mas, - cuidado! - essa epístola, chamada por Lutero a “magna carta da Liberdade Cristã”, apregoa a liberdade em relação à Lei Mosaica, não frente a toda lei: o cristão, está obrigado a praticar as obras da lei superior da caridade e da graça.
Quando Paulo afirma que somos salvos pela Fé, e não pelas obras da Lei, significa que entramos na justificação e na amizade com Deus não porque tenhamos praticado obras boas e meritórias, mas unicamente porque Deus nos chamou e temos fé nesse chamado, como Abraão. Assim, ninguém compra a amizade com Deus ou ninguém sai do estado de pecador porque o mereça: é um dom gratuito de Deus, a graça, que perdoa o pecado e nos dá a filiação divina. Mas ninguém permanece na amizade de Deus, gratuitamente recebida, se não pratica as boas obras que essa amizade nos impõe: “Em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor, mas a fé agindo pela caridade” (Gl 5,6). São Tiago, corrobora essa doutrina. Não nega a gratuidade da justificação (cf. Tg 1,8), mas ensina a necessidade das boas obras como fruto da graça no cristão (cf. Tg 2, 14-26).
A Epístola aos Gálatas contém a doutrina da liberdade cristã, do mistério da cruz e da profissão da filiação divina: “A vós, a graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Ele se entregou por nossos pecados, para nos libertar do presente mundo mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gl 1, 3-4).
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
O MÊS DA BÍBLIA
O MÊS DA BÍBLIA
Setembro é o mês da Bíblia. Comemorando neste ano o cinquentenário dessa instituição na Igreja do Brasil, teremos ocasião para refletir sobre a Palavra de Deus escrita para nosso bem.
Segundo o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “celebrar o cinquentenário do Mês da Bíblia significa para toda nossa Igreja no Brasil o primado da Palavra de Deus”. Que “o anúncio da Palavra de Deus se torne, portanto, nesse caminho do Mês da Bíblia, a reafirmação do compromisso e a efetivação da missão de colocar a Palavra de Deus em primeiro lugar na vida da Igreja, na vida da família, na vida da comunidade de fé e na vida pessoal de cada um de nós”.
O livro proposto para estudo neste cinquentenário do Mês da Bíblia, é a Carta de São Paulo aos Gálatas, com o lema “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3, 28).
“A Palavra de Deus é viva, não morre nem envelhece, permanece para sempre. Está viva e dá vida. A Palavra, de fato, traz ao mundo o respiro de Deus, infunde no coração o calor do Senhor através do sopro do Espírito. A pregação não é um exercício de retórica e nem mesmo um conjunto de sábias noções humanas: seria somente lenha. É ao invés compartilha do Espírito, da Palavra divina que tocou o coração do pregador, o qual comunica aquele calor, aquela unção. Seria belo que a Palavra de Deus se tornasse sempre mais o coração de toda atividade eclesial” (Papa Francisco, 17/9/2020).
É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”.
O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).
A Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam. A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.
Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.
A Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).
O cristianismo é a religião da Palavra de Deus.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
SEJAMOS PATRIOTAS
SEJAMOS PATRIOTAS
Estamos na Semana da Pátria. No próximo dia 7 comemoraremos a Independência do Brasil, o nascimento do nosso país como nação. Data especial para cultivarmos a virtude do patriotismo, dever e amor para com o nosso país, incluído no 4º Mandamento da Lei de Deus.
Jesus, nosso divino modelo, amava tanto sua pátria, que chorou sobre sua capital, Jerusalém, ao prever os castigos que sobre ela viriam, consequência da sua infidelidade aos dons de Deus. Não temos também motivos para chorar sobre nossa pátria amada? Nação que nasceu cristã, mas que anda esquecida dos valores cristãos legados pelos nossos missionários, presa de ideologias espúrias; povo nem sempre bem educado, nem sempre pacífico nem cortês e que não sabe escolher bem seus representantes; na política, além da falta de harmonia e equilíbrio entre os poderes, a corrupção, a falta de honestidade, ética, honradez, com total desprezo das virtudes humanas e cristãs, necessárias ao bom convívio e à vida em sociedade.
Observando as redes sociais, notamos a ausência total do respeito à opinião alheia, o ódio, a incitação à violência, a falta de humildade e modéstia, o desaparecimento da tolerância, do respeito pelas consciências, do apreço pela verdade, o disseminar de calúnias, intrigas e suspeitas. Tudo isso se constitui no oposto às virtudes humanas e cristãs, que são a base da civilização.
E as virtudes da honestidade, da não acepção de pessoas, da caridade desinteressada, do comedimento no falar, do respeito para com o próximo, do amor pela verdade, da convicção religiosa, da constância, da fidelidade nas promessas, do cumprimento da palavra dada?
Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política, I, 1,9). Política vem do grego pólis, que significa cidade. E, continua Aristóteles, “toda a cidade é evidentemente uma associação, e toda a associação só se forma para algum bem, dado que os homens, sejam eles quais forem, tudo fazem para o fim do que lhes parece ser bom”. E Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado. “A comunidade política existe... em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. O bem comum compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, 74). Daí se conclui que a cidade – o Estado - exige um governo que a dirija para o bem comum. Não se pode separar a política da direção para o bem comum. Procurar o bem próprio na política é um contrassenso.
Como cristãos, nós sabemos que a base da moral e da ética é a lei de Deus, natural e positiva, traduzida na conduta pelo que se chama o santo temor de Deus ou a consciência reta e timorata. Uma vez perdido o santo temor de Deus, perde-se a retidão da consciência, que passa a ser regida pelas paixões. Uma vez abandonados os valores morais e os limites éticos, a sociedade fica ao sabor das paixões desordenadas do egoísmo, da ambição e da cobiça.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
A ARCA PERDIDA APARECEU
A ARCA PERDIDA APARECEU
O primeiro filme da saga Indiana Jones – Os caçadores da Arca Perdida – traz a história de Indiana Jones e um grupo de nazistas procurando a Arca da Aliança, que Hitler acreditava ter poderes misteriosos para tornar seu exército invencível. Tudo isso é ficção, é claro.
O que era a Arca da Aliança? O ponto central do povo de Deus no Antigo Testamento era o Tabernáculo, que continha essa Arca da Aliança, sinal vivo da presença de Deus no meio do povo hebreu. A Arca da Aliança era uma urna feita de acácia, madeira incorruptível, revestida de ouro, com uma tampa também de ouro puro, encimada por dois querubins de asas abertas, em gesto de adoração. Essa tampa chamava-se propiciatório, e representava a presença de Deus. A Arca continha as tábuas da Lei - o Decálogo, os dez mandamentos dados a Moisés - o cetro de Aarão e um pote com o maná, aquele pão milagroso que alimentou o povo durante quarenta anos no deserto. Esta Arca, que era levada em procissões solenes, foi muito honrada e louvada pelo Rei Davi, que a instalou sob a tenda do santuário real de Jerusalém. O rei Salomão a introduziu no Templo de Jerusalém, por ele magnificamente construído. Ao lado da arca se depositava o livro da Lei ou da Aliança, daí o nome de Arca da Aliança.
Parece que esta arca teria desaparecido quando da invasão dos babilônios, chefiados por Nabucodonosor, que destruíram Jerusalém e o Templo de Salomão no ano 587 A.C.. O segundo livro dos Macabeus (2, 1-8) diz que, na ocasião, a Arca foi escondida por Jeremias numa gruta do Monte Nebo, local nunca achado, e que reaparecerá no fim dos tempos.
O livro do Apocalipse (Revelação), que trata dos últimos tempos, fala do reaparecimento da Arca: “Abriu-se o Santuário de Deus que está no céu, e apareceu no Santuário a Arca da sua Aliança... Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. Estava grávida...” (Ap 11, 19 – 12, 2). Quem é essa mulher-mãe, que seria a Arca da Aliança, que teria um filho que governaria todas as nações, a quem o dragão (o demônio), não conseguiria derrotar?
A Constituição Apostólica Munificentissimus Deus do Papa Pio XII, sobre a definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu, cita os Santos Padres da Igreja ao interpretar textos da Sagrada Escritura, referindo-se a Nossa Senhora. Assim, a propósito, o Salmo: “Erguei-vos, Senhor,...Vós e a Arca da vossa santificação” (Sl 131, 8). E, na Arca da Aliança, feita de madeira incorruptível e colocada no templo de Deus, viam como que uma imagem do corpo puríssimo da virgem Maria, preservado da corrupção do sepulcro, e elevado a tamanha glória no céu. Do mesmo modo, ao tratar desta matéria, descrevem a entrada triunfal da Rainha na corte celeste, e como se vai sentar à direita do divino Redentor (Sl 44,10.14-16).
Como Jesus honrou a sua Mãe, honramos nós também a Virgem Maria, a nova Arca da Aliança, que conteve em seu seio, assim como simbolicamente continha a antiga Arca, o Filho de Deus feito homem, Jesus Mestre (os dez mandamentos), o pão da vida eterna, a Eucaristia (o maná), o sumo sacerdote da nova lei (o cetro de Aarão).
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
A VACINA DA ORAÇÃO
Devemos beber nas fontes da graça: o Santo Sacrifício da Missa, os Sacramentos, a ORAÇÃO. Existimos e nos movemos em Deus. É pela vida de oração que permanecemos unidos a Deus. A própria Missa e os Sacramentos ficarão sem todo efeito na alma que não tem espírito de oração. Ela fica sem a luz e a força dos raios vivificantes do Sol da Justiça (= santidade) que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo torna-se tíbio (= morno). Por conseguinte, não há imunidade contra o vírus do pecado. A alma sem oração é anêmica, fraca.
Caríssimos, a oração bem feita é a vacina 100 % eficaz contra os vírus disseminados pelo mundo e pelo demônio. Quereis saber qual é a mais terrível epidemia dos nossos tempos? A falta de oração e, sobretudo, de oração bem feita. Vivemos num mundo de barulho e de uma agitação febril pelas coisas terrenas. Donde é preciso distanciamento do mundo com seus vícios e concupiscências. Fiquemos em casa, na casa do recolhimento e da oração!!!
"Senhor, quando Vos invoco, é que eu conheço que sois o meu Deus!" (Salmo 55, 10) Amém!
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
O DIA DO PADRE
O DIA DO PADRE
Dom Fernando Arêas Rifan*
Hoje é o dia de cumprimentarmos todos os nossos sacerdotes, que seguindo a sua vocação, se tornaram “outro Cristo”, seus ministros, dedicando-se totalmente às nossas almas, esgotando-se ao seu “serviço”, não tendo outra profissão que a dedicação a Deus e à sua Igreja.
Por que hoje? Porque hoje se celebra o patrono de todos os padres, São João Maria Vianney, o Cura ou Pároco da cidadezinha francesa de Ars, “modelo sem par, para todos os países, do desempenho do ministério e da santidade do ministro”, no dizer de São João Paulo II, paradigma para a nova evangelização.
Nascido de uma família de camponeses católicos e muito caridosos, João Maria tinha sete anos quando o “Terror” da Revolução Francesa reinava em Paris e os padres eram exilados ou mortos. Recebeu a primeira comunhão aos treze anos, durante o segundo Terror, quando a igreja de sua cidade foi fechada e as tropas revolucionárias atravessavam a paróquia. O governo revolucionário estabeleceu a constituição civil do clero e só os padres que faziam esse juramento cismático eram conservados nos cargos. Os outros padres, fiéis à Igreja e que não aceitavam aquele cisma, eram perseguidos, mas atendiam secretamente os fiéis nos paióis das fazendas. Foi a visão desses heróis da fé que fez surgir no jovem Vianney a sua vocação sacerdotal. Candidato, pois, ao heroísmo e à cruz no ministério.
Enfrentou dificuldades no Seminário, donde chegou a ser despedido por incapacidade nos estudos, teve problemas com o serviço militar, conseguiu, porém, aos vinte e nove anos, ser ordenado sacerdote, mas sem permissão para ouvir confissões. Após três anos, foi enviado a uma pequeníssima paróquia, Ars, onde permaneceu durante 42 anos, até o fim da sua vida.
“Há pouco amor de Deus nessa paróquia”, disse-lhe o Vigário Geral ao nomeá-lo, “Vossa Reverendíssima procurará colocá-lo lá”. De fato, Ars, nesse período pós Revolução Francesa, estava esquecida de Deus: pouca frequência às Missas, trabalho contínuo nos domingos, bailes, blasfêmias, etc. O Pe.Vianney começou com penitências e orações próprias. Pregação e catequese contínuas, visitas às famílias e caridade para com os pobres. A Igreja foi se enchendo. Ouvia confissões desde a madrugada até a noite. Peregrinos de toda a França acorriam a Ars, chegando a cem mil por ano. Suas pregações eram assistidas por bispos e cardeais. Seu catecismo era ouvido por grandes pregadores que ali vinham aprender com tanta sabedoria. Morreu aos 74 anos, esgotado pelas penitências e trabalhos apostólicos no ministério sacerdotal. Dizia esse herói da Fé: “É belo morrer depois de ter vivido na cruz”.
Durante a JMJ, na Missa na Catedral do Rio, o Papa Francisco nos lembrou: “Não é a criatividade, por mais pastoral que seja, não são os encontros ou os planejamentos que garantem os frutos, embora ajudem e muito, mas o que garante o fruto é sermos fiéis a Jesus, que nos diz com insistência: ‘Permanecei em mim, como eu permaneço em vós’ (Jo 15,4)”. Rezemos sempre pelos nossos sacerdotes. Sua santificação nos interessa muito.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
quinta-feira, 8 de julho de 2021
OS BONS CRISTÃOS
OS BONS CRISTÃOS
Quando se quer conhecer uma empresa ou uma agremiação, o melhor espelho dela são os seus bons membros, que compensam as fraquezas dos maus. Os bons, os que seguem as normas e são corretos, são os que verdadeiramente representam a empresa ou agremiação. Quem quiser conhecer os brasileiros, não deve ir ao presídio. Ali não estão os melhores cidadãos. Mas deve pesquisar as pessoas honradas e cumpridoras dos seus deveres.
O mesmo acontece com a Igreja. Quem quiser conhece-la, e ela tem vinte séculos, deve olhar, não os hereges ou os maus cristãos, mas os santos. Esses realmente a representam e são exemplos para todos. Esses são os verdadeiros cristãos, os que seguiram os seus ensinamentos.
“A santidade é o rosto mais belo da Igreja” (Papa Francisco – Gaudete et Exsultate, 9). E a Igreja tem santos de todas as condições e classes sociais, a nos ensinar que qualquer um, de qualquer posição ou profissão, pode vir a ser santo. São os modelos de cristãos.
No último dia 3, foi nos proposta a veneração de São Tomé, apóstolo, muito conhecido pela recusa em acreditar na ressurreição de Jesus, a menos que o visse com seus próprios olhos e tocasse nas cicatrizes de suas chagas. São Gregório Magno comenta que “mais nos serviu para a nossa fé a incredulidade de Tomé, que a fé dos discípulos fiéis”. Pois, tendo Jesus lhe aparecido, o fez tocar nas suas chagas, recebendo dele a firme profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. São João afirma, o que São Tomé corrobora: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos apalparam... nós vos anunciamos” (1Jo 1, 1). Ele pregou o Evangelho na Pérsia, onde foi martirizado pela sua Fé, apagando com o seu sangue, seu pecado de incredulidade.
Domingo passado, transferido do dia 29 de junho, tivemos a solenidade de São Pedro e São Paulo. Pedro, escolhido de propósito por Jesus para chefe e fundamento da sua Igreja, engloba a fraqueza humana e a força divina que o sustentava e sustenta em seus sucessores, vigários de Cristo na terra. Paulo, fariseu fanático, convertido no encontro com Jesus ressuscitado, tornou-se o grande propagador do cristianismo no mundo pagão greco-romano.
No dia 6, festejamos Santa Maria Goretti, denominada a Santa Inês do século XX, assassinada em 6 de julho de 1902, com 12 anos de idade, porque preferiu morrer a ofender a Deus, pecando contra a castidade, como a queria forçar seu assassino. Era uma menina de família católica, de boa formação. Exemplo de resistência às seduções e assédios.
Dela disse o Papa Pio XII: “Santa Maria Goretti pertence para sempre ao exército das virgens e não quis perder, por nenhum preço, a dignidade e a inviolabilidade do seu corpo. E isso não porque lhe atribuísse um valor supremo, senão porque, como templo da alma, é também templo do Espírito Santo. Ela é um fruto maduro do lar cristão, onde se reza, onde se educam os filhos no temor de Deus e na obediência aos pais. Que o nosso debilitado mundo aprenda a honrar e a imitar a invencível fortaleza desta jovem virgem”.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
quinta-feira, 24 de junho de 2021
ELE NÃO ERA UMA CANA
Dom Fernando Arêas Rifan*
Dia 24 de junho, celebramos São João Batista. Assim cognominado pelo batismo que administrava, foi o precursor de Jesus, que fez o seu elogio, dizendo: “Entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista” (Mt 11,11).
Foi ele que apresentou Jesus ao povo de Israel. Anunciado ao seu pai, Zacarias, foi santificado ainda no seio materno quando da visita de Nossa Senhora, já grávida do Menino Jesus, à sua prima Isabel. Por isso a Igreja festeja, no dia 24, o seu nascimento, ao contrário de todos os outros santos, dos quais ela só comemora a morte, ou seja, seu nascimento para o Céu.
Desde criança, retirou-se para o deserto para fazer penitência e se preparar para sua futura missão. Ministrava ao povo o batismo de penitência, ao qual Jesus também acorreu, por humildade. Sua pregação era: “Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo... Produzi fruto digno de vosso arrependimento... Eu vos batizo com água, como sinal de arrependimento, mas o que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno nem de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3, 2, 8, 11).
Jesus, no começo do seu ministério público, quis também, por humildade, misturando-se aos pecadores, ser batizado por João. João quis recusar, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?... Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba e vir sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho amado; no qual eu me agrado’” (Mt 3, 14, 16-17).
Jesus fez dele também um outro elogio importante: “Que fostes a ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?” (Mt 11, 7). Por que não era uma cana agitada pelo vento? São João Batista era o homem da verdade, sem acepção de pessoas. Por isso admoestava o Rei Herodes contra o seu pecado de infidelidade conjugal e incesto, o que atraiu a ira da amante do rei, Herodíades, que instigou o rei a metê-lo no cárcere. No dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou na frente dos convivas, o que levou o rei, meio embriagado, a prometer-lhe como prêmio qualquer coisa que pedisse. A filha perguntou à mãe, que não perdeu a oportunidade de vingar-se daquele que invectivava seu pecado. Fez a filha pedir ao rei a cabeça de João Batista. João foi decapitado na prisão, merecendo o elogio de Jesus, por ser um homem firme e não uma cana agitada pelo vento.
Assim, a virtude que mais sobressai em João Batista, além da sua humildade e penitência, é a firmeza de caráter, tão rara hoje em dia, quando muitos pensam ser virtude o saber “dançar conforme a música”, ser uma cana que pende de acordo com o vento das opiniões, o pautar a vida pelo que dizem ou acham e não pela consciência reta, voz de Deus em nosso coração. João Batista foi fiel imitador de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, que, como disse o poeta João de Deus, “morreu para mostrar que a gente pela verdade se deve deixar matar”.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
quarta-feira, 9 de junho de 2021
O APÓSTOLO DO BRASIL
Dom Fernando Arêas Rifan*
Sexta-feira próxima, celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, recordando o grande amor de Deus por nós. Jesus Cristo, Deus feito homem, tem um coração como o nosso, com todas as perfeições divinas e humanas, num coração perfeito. E esse amor nós vemos espelhado no coração dos santos, que se dedicaram a espalhar o amor de Deus pelo mundo.
Exemplo desse amor, nós o temos no Apóstolo do Brasil, o grande missionário São José de Anchieta, falecido em 9 de junho de 1597, em Reritiba, hoje Anchieta ES. Por isso, nesse dia, celebramos a sua memória.
São José de Anchieta nasceu na verdade em Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, em 19 de março de 1534. Tendo recebido uma primorosa educação cristã em sua família, foi enviado a estudar em Coimbra, onde dividia o seu tempo entre o estudo e a oração. Sentindo-se chamado por Deus para a vida consagrada e desejando levar a luz do Evangelho aos que não o conheciam, entrou, aos 17 anos, na Companhia de Jesus, sociedade religiosa missionária recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Deus o provou com uma grave doença, com fraqueza e dores em todo o corpo, durante dois anos. Os superiores decidiram enviá-lo ao Brasil, na esperança de que o bom clima da terra lhe fizesse bem. Providência divina! Partiu de Lisboa em 1553, com 19 anos de idade, acompanhando o novo Governador Geral do Brasil, Duarte da Costa, e alguns outros jesuítas.
Viveu aqui no Brasil dos 19 aos 63 anos, idade em que morreu, sendo ao longo desses 43 anos o verdadeiro “Apóstolo do Brasil”, participando da fundação de escolas, igrejas e cidades, liderando a catequese dos índios, aprendendo perfeitamente a língua deles e escrevendo a primeira gramática brasileira em tupi. É, junto com o Pe. Manuel da Nóbrega, o fundador da cidade de São Paulo, tendo estado também no Rio por ocasião da fundação da cidade, onde dirigiu o Colégio dos Jesuítas. Preparou alas da escola como enfermaria, criando a Santa Casa do Rio de Janeiro, sendo, além disso, diretor do Colégio dos Jesuítas em Vitória ES.
Anchieta lutou para que o Brasil não ficasse dividido entre portugueses e franceses. Quando, apoiados pelos franceses, os Tamoios se rebelaram contra os portugueses, Anchieta se ofereceu como refém, enquanto Manuel da Nóbrega negociava a paz. Ficou cinco meses no cativeiro, resistindo à tentação contra a sua castidade, pois os índios ofereciam mulheres aos prisioneiros. Para manter a virtude, Anchieta fez uma promessa a Nossa Senhora de que escreveria um poema em sua homenagem: é o seu célebre “Poema da Virgem”, de 4.172 versos.
A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo Brasil inaugurando missões, catequizando e instruindo os índios e colonos, consolidando assim o cristianismo e o sistema de ensino no país, fundando povoados, sendo o grande promotor da expansão e interiorização do país. Ele amou os pobres e sofredores, amenizando e curando seus males e foi solidário com os índios, ajudando-os conhecer e amar a Deus em sua própria língua e costumes. Sadia enculturação!
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

