quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DISCUSSÃO ENTRE JESUS E OS JUDEUS



S. João VIII, 30- 39
Dizendo Ele [Jesus] estas coisas, muitos creram nele. Dizia, pois, Jesus aos judeus que creram nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendentes de Abraão e nunca servimos a ninguém: como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre na casa, mas o filho fica nela para sempre. Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós. Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.
Responderam e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto. Vós fazeis a obra de vosso pai. Eles disseram-lhe pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus. Disse-lhes pois Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não entendeis a minha linguagem? Porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o diabo e quereis satisfazer o desejo de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas porque vos digo a verdade, não me credes. Qual de vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.
Responderam pois os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio? Jesus respondeu: Eu não tenho demônio, mas honro o meu Pai, e vós a mim desonrais. Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e quem fará justiça. Em verdade, em verdade vos digo: quem guardar a minha palavra não verá a morte eternamente.
Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora reconhecemos que estás possesso do demônio. Abraão morreu e os profetas, e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte. És tu maior que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem pretendes tu ser? Jesus respondeu: Se eu glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus. Mas vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra. Abraão. vosso pai, regozijou-se com a esperança de ver o meu dia; viu-o e ficou cheio de gozo. Disseram-lhe, por isso, os judeus: Tu ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, eu sou.
Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou".

sábado, 13 de outubro de 2018

Precisa-se de uma Catarina de Sena

Artigo escrito por Gustavo Corção,  de saudosa memória. 
Extraído do livro "A TEMPO E CONTRA TEMPO".


   ANTEONTEM, dia 30 de abril, [foi escrito em 02 de maio de 1968], a Igreja comemorou mais um aniversário no céu de Catarina Benincasa, nascida em Sena, em 1347, e falecida, aos trinta e três anos de idade, no esplendor da santidade. O Introito da missa resume toda a contrastada vida da terceira dominicana, padroeira da Itália: "Dilexisti justitiam e odisti iniquitatem".

   Sim, foi o amor das coisas do Reino de Deus e o ódio do pecado que polarizaram toda a extraordinária vida da moça pobre, filha de um tintureiro, frágil, iletrada, e todavia capaz de manifestar diante dos homens as grandezas de Deus. [Nota minha: Sua mãe, embora pobre, foi agraciada por Deus, com 24 filhos, e da última Deus tinha desígnios grandiosos para a Santa Igreja]. Até aos vinte e um anos viveu obscuramente na sua casa modesta, servindo uma família enorme e exigente. Sua boa mãe não entendia os sacrifícios e os jejuns que a filha desde cedo se impunha. Com paciência heroica, Catarina suportou e venceu todas as dificuldades familiares e conseguiu viver uma intensa contemplação nos vagares que a casa lhe permitia. 

   Aos vinte e um anos, numa noite de terça-feira de carnaval, fechada em sua cela, Catarina recebeu visitas deveras extraordinárias: apareceu-lhe o Senhor com vestes nupciais, acompanhado de sua Mãe, de São João e São Paulo, e do profeta Davi, com sua harpa. Colocando em seu dedo um anel de ouro, disse-lhe o Senhor: "Eu, teu Criador e teu Salvador, te esposo na Fé que guardarás sem mancha até o dia em que te esposarei no céu".

   Começa então a vida de Catarina, e sua extraordinária influência junto aos dirigentes do mundo. Depois de poucos anos de pregação do pequeno grupo que a acompanhava, Catarina empreendeu a aventura de restaurar o trono de Pedro em Roma. O Papa Gregório XI estava em Avignon, entre seus cortesões que levavam vida escandalosa. Expulso de Roma pelas intrigas que fervilhavam em torno do Vaticano, o Papa se deixara entregar às más influências de parentes e seguidores mundanos. E é nesse meio que a filha do tintureiro vai buscá-lo e vai trazê-lo para Roma quase de rastros.

   Os intrigantes querem obstar de todos os modos a partida do Papa, mas a palavra de Catarina, moça humilde de vinte e quatro anos, soa aos ouvidos do Papa com um acento irresistível: "Ide" , lhe diz ela numa carta, "correi depressa à Esposa que vos espera pálida e moribunda. Restituí-lhe a vida!".

   O Papa embarca com sua corte. Em Gênova, os cardeais querem convencê-lo a voltar para Avignon. O Papa hesita, e declara que quer ouvir Catarina, que voltara a Roma por terra. O Papa sabe que Catarina está em Gênova, mas não consegue de seus seguidores que ela venha a bordo do navio. Para lograr tal encontro, o Papa lança mão de um estratagema de romance policial: disfarça-se, e consegue desembarcar para ter uma entrevista com a alma de fogo que tinha palavras do céu.

   Encontra-se, afinal, com Catarina, que lhe diz como tantas vezes disse ao seu confessor Raimundo Cápua: "Sê homem!" E fala-lhe longamente do palácio de sangue e fogo onde o Rei celebra as bodas de seu Filho. Volta o Papa reanimado, e os cortesões, os maus prelados, os demonii incarnati, como os chamava Catarina, não conseguem mais detê-lo. Dias depois a galera pontifical sobe o Tibre, e o Papa desembarca em meio da multidão delirante.

   Mais tarde, morto Gregório XI e eleito Urbano VI, os demonii incarnati produzem o grande cisma que afligirá a Igreja durante muito tempo, e que prepara a ferida maior da Reforma. Abandonado por seus cardeais, Urbano chama Catarina e diz: "Esta mulher fraca nos envergonha a todos nós!"

   Catarina organiza o combate: suas armas são o jejum, a penitência e a oração. Escreve aos seus discípulos, escreve ao rei de França, escreve à rainha de Nápoles que vacila. A cristandade está dividida entre duas obediências; ninguém mais se entende. Onde está a Igreja? O provérbio clássico tornou-se ambíguo: Ubi Petrus, ibi Ecclesia. Mas onde está Pedro? Seria o caso de dizer: Ubi Caterina, ibi Petrus. 

   É nesse tempo de gravíssimas perturbações na Igreja que Catarina escreve o seu "Diálogo da Divina Providência"... Disse eu, mais de uma vez, que ela escreve, mas seria mais correto dizer que ela dita as cartas que hoje enchem seis volumes, porque ela não sabia escrever. Sim, dita, e dita o Diálogo em êxtase, com palavras que recebe de Deus. Ela sabe que, nos momentos mais aflitivos da Igreja, é preciso ouvir a palavra de Deus, voltar à palavra de Deus, meditar a palavra de Deus. 

   Dias depois, oferecendo a vida pela Igreja, pela Navicella, Catarina morre gritando súplicas de perdão: "- Miserere.... miserere... Tu me chamas, Senhor, e eu vou, eu vou, não por meus méritos, mas por teu sangue. "Ó sangue!"

   Meditando esses e outros passos da vida fecundíssima de Santa Catarina de Sena, tive hoje a ideia de elevar a Deus uma súplica em forma de anúncio de jornal: precisa-se de uma Catarina de Sena. O mundo de hoje está em situação pior do que esteve no trecento.  E creio que não são menos abundantes, em torno do Papa, e pelo mundo todo, nem menos perniciosos hoje, aqueles que a Santa chamava de demonii incarnati. Tudo indica que devemos organizar o combate com as mesmas armas de Deus: a penitência, o sacrifício e a oração. 
2-5-68

NOTA: Creio que não são menos abundantes, na Igreja e pelo mundo todo, nem menos perniciosos hoje, aqueles que a Santa chamava de "demônios encarnados". Tudo indica que devemos organizar a verdadeira resistência,  com as mesmas armas de Deus: a penitência, o sacrifício e a oração.  Deus resiste aos soberbos e só dá a sua graça aos humildes. Santa Catarina de Sena é a concretização viva desta verdade. Toda resistência que vier do orgulho, tem um pai: o demônio, ou o próprio ou incarnado nos orgulhosos e rebeldes. Esta foi a "Resistência" de Lutero, Henrique VIII, Döllinger e "caterva". Os eclesiásticos modernistas são mais comunistas e mais perigosos que os comunistas leigos ateus, justamente porque dentro da Igreja Católica e, ironia dos tempos modernos, os discípulos de Lutero hoje, porque baseados na Bíblia, estão defendendo a família com mais denodo do que o empregado pelos clérigos comunistas  em destruí-la.

A "Nova Igreja" prega contra a família

   Extraído do livro "A TEMPO E CONTRATEMPO" de autoria do saudoso Gustavo Corção.
   Artigo escrito em 20 de abril de 1968.



    EM meu último artigo referi-me a um livro publicado pelo ISPAC (Instituto Superior de Pastoral Catequética) intitulado Os Jovens e a Fé, e disse que esse livro cuidava de tudo, até do fogo-fátuo dos cemitérios, mas omitia uma Coisa muito importante. Deixei o suspense. O que é, o que é que os novos padres, que se dizem especialistas em jovens, esquecem de mencionar, e quando mencionam é para agredir? Hoje trago a resposta: é simplesmente a FAMÍLIA.

   Sim, senhores, neste livro de duzentas páginas não há um só tópico para tentar, ao menos timidamente, um ajustamento do moço dentro da família em que nasceu, e uma preparação para a família que venha a fundar. Todos nós sabemos o papel de destaque que a família tem nas preocupações e nos ensinamentos da Igreja. Durante dois mil anos todos nós católicos ensinamos que a Família é a célula da sociedade, o seminário onde se preparam os homens para a Cidade ou para a Igreja. Hoje se diz que os jovens devem "fazer opções livres" sem se "deixarem enquadrar".

   Sim, a doutrina clássica, que qualquer homem do povo conhece e respeita, não é mais conhecida e respeitada pelos pregadores da "Nova Igreja". Em todo livro editado pelo ISPAC o jovem é visto no espaço, sem raízes, ou então é convidado a enquadrar-se nos grupos de segregação etária, onde o moço fica privado das ricas experiências do mundo e da vida, e de certo modo fixado na imaturidade.

   Poucas são, nesse livro, as referências aos pais, e essas mesmas em termos de conflito, como se houvesse um essencial antagonismo entre as gerações. Da Família, como instituição, não encontrei uma linha. E é contra esse desserviço prestado aos moços, à sociedade e à Igreja que eu clamo.

   Domingo passado, no sermão, um padre de Botafogo me fulminou, me arrasou, me achatou, por estar eu "combatendo os padres que cuidam dos jovens". Não é verdade. Eu não combato os padres que zelam pelos jovens, combato sim, e combaterei enquanto persistir o fenômeno, e enquanto os dedos tiverem força para calcar as teclas da máquina, o novo padre que entra no mimetismo dos jovens, com mentalidade de adolescente, para ajudar o mundo a desagregar a Família.

   Vimos há dias alguns eclesiásticos excitados tomarem parte nas desordens feitas por estudantes visivelmente teleguiados pelos comunistas, que nem se deram ao trabalho de disfarçar tal comando. Essa atitude foi imprudente e nociva a todos os altos valores que deviam prezar. Ouso entretanto dizer que mal maior fazem os que pregam contra a instituição familiar. O veneno corrosivo que espalham é muito mais grave do que a desordem social, porque atinge as almas nos mais profundos afetos. E, no entanto, por incrível que pareça, aí está o fenômeno: padres, organizações eclesiásticas, a serviço da desagregação da Família. 

   O livro editado pelo ISPAC é antes de tudo bobo. Tem frases assim: "Hoje o homem é capaz de conduzir a história, ao passo que ontem a história o conduzia (pág. 99), à qual, sem hesitar, eu daria o prêmio Nobel da estupidez do ano. Adiante, na página 121, encontramos o sucedâneo da família no capítulo intitulado A PROGRESSIVA SOCIALIZAÇÃO DOS JOVENS. Que quererá dizer isto? O autor responde: "Damos a entender por socialização que os jovens abandonem, cada vez mais, os traços próprios de sua individualidade, e o individualismo de seu impulso, em benefício de um nivelamento e de uma ação no grupo e pelo grupo".

   Não discuto hoje a imbecilidade desta frase escrita em mau francês e traduzida em português ainda pior. Obstino-me na reclamação: e a Família? E a mãe? E o pai? E a casa, os irmãos, as paredes, o chão em que nasceram, o teto que os protege?

   Tempos atrás apareceu no Rio um dominicano francês que escreveu um artigo contra a família, instituição burguesa. Foi muito festejado pelos espertinhos da UNE que nesse tempo tiravam milhões das tetas da Entidade Máxima. Escrevi eu um artigo contra o dominicano que supunha ser um idiota isolado. Hoje tornou-se legião esse tipo de frade ou de padre, e tornou-se trivial o sermão contra o Quarto Mandamento de Deus. Ouvi eu mais de dez. Um jovem padre excitado ensinava do púlpito: "Os jovens têm de fazer suas experiências próprias, e digo ainda que doa nos sacrossantos ouvidos dos adultos".

   Outro, ainda mais excitado, num sermão de domingo publicou um conflito caseiro onde evidentemente o jovem tinha toda a razão e mais alguma. E acrescentava esta nota pitoresca: "Ontem o pai veio me procurar, um pai com cara de palhaço". Perto daqui, no Largo do Machado, havia uma missa especial para jovens. Quem acaso entrasse na igreja para rezar, era convidado a se retirar. Dizia o padre, ao microfone, que uma pessoa de idade imprópria estava presente e era convidada a retirar-se.

   Numa reunião de jovens, quando apareceu a mãe de um dos garotos, com vontade de ver como era a dita reunião, o padre, irritado, disse à senhora que não havia ali lugar para espiões. Tudo isto parece mentira, mas infelizmente o que pareceria monstruosa mentira anos atrás tornou-se verdade hoje.

   Todos nós sabemos que os moços estão hoje vivendo uma situação dramática, justamente por causa da desagregação familiar. Ora, o que dói a mais não poder é ver um dos nossos a trabalhar com tanto entusiasmo na mesma direção da desagregação familiar. Não pararei, ainda que em todos os bairros e em todos os domingos me injuriem os padres da bossa revolucionária.

   Em nome da verdade exijo que digam publicamente que não é o zelo pelos jovens que eu combato, e sim a demagogia, a exaltação cheia de equívocos, e sobretudo a atividade desagregadora da família.


   Nota: Vemos pelo presente artigo que eclesiásticos já vêm semeando os ventos comunistas da destruição da Família, já há muito tempo.  Mas o que dói a mais não poder é constatar que a tempestade desta destruição está levantada por gente dos altos escalões eclesiásticos. 
Afinal, onde Lula,  Maduro e outros comunistas foram procurar "bênção" para conseguirem enganar os cristãos do Brasil e da Venezuela? Todos sabem: junto a Francisco! 
    

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil


 "Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus" 
"Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo" (S. Mateus, I, 16).

  Em 1954 Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, Cardeal e Arcebispo Metropolitano de São Paulo, escreveu uma Carta Pastoral, verdadeira exaltação a Maria Santíssima. Dela daremos aqui aos caríssimos leitores apenas alguns trechos:
   "Os filhos bem-nascidos e espiritualmente bem formados exultam sempre em conhecer a vida da criatura abençoada que lhes deu o ser e o materno leite e amor de mãe. Se assim é na ordem natural, mormente na ordem sobrenatural ou na ordem da vida da graça.
   "Aquela que é Mater Divinae Gratiae tem todo o direito ao mais sublime amor e ao mais acendrado culto por parte de todos os verdadeiros cristãos, regenerados pelo divino sangue do Salvador dos homens. Pois este sangue redentor, Cristo o recebeu do seio imaculado e sempre virgem de Maria: Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus.
   A salvação moral e espiritual da cristandade descansará perenemente na proteção superna de Nossa Mãe do Céu, tal qual em seus braços maternais descansava o próprio Salvador, Jesus, o Cristo Filho de Deus Vivo.
   A devoção a Nossa Senhora é a salvaguarda da fidelidade religiosa do nosso povo; e, para cada um de nós, o penhor da conquista do Paraíso.
   Para sermos verdadeiros e bons brasileiros, havemos de ser fiéis devotos da Mãe de Deus e Nossa. 
   Em seus braços veio Jesus para nós; em seus braços iremos nós para Jesus.
   "Foi no meado do Mês do Rosário, outubro de 1717, que, no Vale Mariano do Rio Paraíba, nas águas do porto de Itaguaçu, da paróquia de Guaratinguetá, deu-se o evento milagroso da Imagem Aparecida de Nossa Senhora da Conceição.
   "O então vigário de Guaratinguetá, Padre José Alves de Vilela, deixou registrado no Livro de Tombo dessa sua privilegiada paróquia, um interessantíssimo relato de como a Imagem fora colhida pelas redes abençoadas do feliz pescador João Alves, que tinha por companheiros Domingos Martins Garcia e Filipe Pedroso. 
   É de justiça ressaltar a benemerência desse sacerdote virtuoso e culto que, durante os primeiros trinta anos, cuidou zelosamente da devoção a Nossa Senhora Aparecida.
   "Por iniciativa sua, com outros devotos, erigiu primitiva ermida, por ele mesmo, posteriormente transplantada e transformada em capela digna deste nome, cito no próprio local em que, cem anos mais tarde, construir-se-ia a majestosa igreja que é agora Basílica Nacional. (a antiga). 
  "Era em Itaguaçu que em todos os sábados, reunia-se a gente da vizinhança a cantar o terço, o ofício litúrgico popular e outros louvores a Nossa Senhora. Oxalá que tão belo exemplo de piedade de nossos antepassados não seja nunca jamais esquecido na tradição das famílias católicas de nossa Pátria! 
   Falando do PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA diz Dom Mota:
   "É o Brasil católico ajoelhado aos pés da Imaculada Conceição, é a alma brasileira que, em protestos de fé, cimenta e consolida os sentimentos que trouxemos do berço da nossa Pátria. Quer em romarias, mais ou menos organizadas, quer em grupos de famílias ou em visitas isoladas, sempre características do filial amor que devotamos à Mãe Santíssima, quantos saem daqui levando para a vida novas energias; quantos se regeneram no batismo da penitência; quantos abençoam a feliz inspiração que os trouxe um dia aos pés de Maria Santíssima!
   "A Aparecida é no Brasil a terra predileta de Nossa Senhora. É o Santuário em que ela se compraz de derramar as suas bênçãos, consolando e acariciando, a uns fortalecendo-lhes a fé e a coragem cristã, a outros inspirando nobres e salutares resoluções, quantas vezes restituindo-lhes a saúde do corpo, sempre a saúde da alma aos bem intencionados e sinceramente arrependidos".
   "Ainda as almas simples, as desse povo religioso e bom, que não sabe falar, mas sabe rezar, sentiam, como por instinto, que a Senhora Aparecida quer e deve reinar nos corações, nos lares, na família e na sociedade, em todos os recantos da Pátria estremecida, como Senhora absoluta de tudo quanto somos e de tudo quanto é nosso.
   "Este Santuário é água que satisfaz ao paladar do humilde e pequenino, e ao dos sábios; tanto atrai a devoção do caboclo do sertão, como a do gênio de Tomás de Aquino. Aqui na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, reza-se pela paz do Brasil grandioso e unido.
   "Que Nossa Senhora Aparecida, doravante, e para sempre, Rainha incontestada, e Soberana do Brasil, conserve-nos a todos a unidade da fé na unidade inquebrantável da Pátria!"
   "Aquiescendo paternalmente à patriótica e piedosa súplica do colendo Episcopado Nacional, houve por bem Sua Santidade, o Papa Pio XI, por MOTU PROPRIO de 16 de julho de 1930, oficialmente proclamar a Beatíssima e Imaculada Virgem Maria, sob o título de APARECIDA - PRECÍPUA PADROEIRA DE TODO O BRASIL, junto de Deus.
   "Eis as formais palavras da referida proclamação: (traduzindo do latim):
   "Por "motu próprio" e por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de APARECIDA PADROEIRA PRINCIPAL DE TODO O BRASIL diante de Deus. Concedemos isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus".

..."E então, de suas dadivosas mãos, a Virgem Imaculada - onipotência suplicante como é - fará jorrar sobre nós caudais de bênçãos; bênçãos que sejam luz para o nosso espírito em trevas de sobressaltos, que sejam força para a nossa vontade trepidante e quase a capitular, que sejam tranqüilidade para a nossa consciência em desassossego, e que sejam vibrações de sadio entusiasmo para o nosso coração abafado e desiludido.
   "Sensibilizados e ternissimamente agradecidos, podemos e devemos afirmar que, assim como a França foi o histórico cenário escolhido pela Virgem Imaculada para sua aparição a Catarina Labouré, a 27 de novembro de 1830, exigindo a cunhagem da Medalha, por antonomásia a MEDALHA MILAGROSA, assim como foi a Itália o palco majestoso da visão de Afonso Ratisbonne, a 20 de janeiro de 1842, na igreja de Santo André delle Fratte, em Roma, triunfando a Virgem da Medalha sobre o seu espírito de judeu acérrimo; assim também, e muito antes, fora o Brasil, em águas do Paraíba, o recesso tranqüilo e humilde, eleito por Nossa Senhora da Conceição, para o miraculoso aparecimento de sua Imagem a 17 de outubro de 1717. Imagem tão pequena em sua dimensão, quão grande, na veneração e no amor dos brasileiros.
   ..."Porque Maria Santíssima havia de ser Mãe de Deus por isso foi Imaculada em sua Conceição. E, depois, porque era a Mãe de Deus e Imaculada, por isso foi ressuscitada e assunta ao Céu, na integridade de sua pessoa. Em Maria, o Sol da graça infinita e da infinita justiça, refulgiu no seu zênite no mistério augusto e inefável da Maternidade Divina. Mas, na Imaculada Conceição, na gloriosa Ressurreição e na excelsa Assunção, rebrilhou o mesmo Solstício. Maria obteve vitória total sobre o pecado, pela plenitude da graça de Imaculada e Mãe de Deus: bem como obteve vitória total sobre a morte, pela plenitude da vida ressurreta e imortalizada na Glória do Paraíso.
   "Pois essa Criatura super-privilegiada, OBRA PRIMA  do Criador onipotente, onisciente e onibondoso, é a PRINCIPAL E CELESTIAL PADROEIRA DE TODO BRASIL, JUNTO DE DEUS. É a nossa Mãe do Céu! Que Nossa Senhora Aparecida console os que choram, conforte os que sofrem, encaminhe os transviados, reconcilie os inimigos, consolide as famílias, harmonize as sociedades, salve o Brasil! E assim como foi sua milagrosa Imagem recolhida nas redes dos pescadores, assim também se digne a querida Mãe e Padroeira recolher-nos a todos nas redes de sua bondade  e de seu poder, levando-nos para o Céu, levando-nos para Jesus: AD JESUM PER MARIAM!"

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A RAINHA DO BRASIL

A RAINHA DO BRASIL
                                                                  
                                                                                                                                                  Dom Fernando Arêas Rifan*

            No próximo dia 12celebraremos a Rainha e Padroeira do Brasil. Estaremos, pois, em prece pedindo sua proteção e bênção para o segundo turno das eleições, no difícil momento político e social por que passamos. Que Nossa Senhora Aparecida interceda junto de Deus para que essa eleição seja correta, pacífica e reformadora.
        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica.
        Graves males ameaçam a nossa pátria: a institucionalização do aborto (“nazismo de luvas brancas”, no dizer do Papa Francisco), a implantação da ideologia de gênero, a exaltação da prática do homossexualismo, a erotização da infância e da adolescência, a desconstrução da família natural, a implantação do socialismo e do comunismo, o abandono e a exploração dos pobres e miseráveis, a insegurança, o incentivo à criminalidade, a liberação das drogas e seus males, o desprezo da religião e suas trágicas consequências, etc, enfim, a destruição da civilização cristã e dos seus valores. 
        Quando o nazismo e o comunismo, regimes totalitários, adversários no campo político, mas iguais na mesma luta contra a fé cristã, ameaçavam os povos, o primeiro com uma fé pagã e o segundo com o materialismo marxista, o Papa Pio XI escreveu, em 14 de março de 1937, a encíclica “Mit Brennender Sorge”, contra o Nazismo, que com o seu “provocador neopaganismo” instituía “leis que suprimem ou dificultam a profissão e a prática da fé, em oposição ao direito natural”, e em 19 de março do mesmo ano, escreveu a encíclica “Divini Redemptoris”, contra o comunismo ateu, onde repete as mesmas condenações dos seus antecessores, chamando o comunismo de “doutrina nefanda, contrária ao próprio direito natural, a qual, uma vez admitida, levaria à subversão radical dos direitos, das coisas, das propriedades de todos e da própria sociedade humana”, “peste mortífera, que invade a medula da sociedade humana e a conduz a um perigo extremo”. 
      E, referindo-se ao comunismo, Pio XI esperava que, “além de todos aqueles que se gloriam do nome de Cristo, se oponham também denodadamente todos quantos creem em Deus e o adoram, que são ainda a imensa maioria da humanidade’, apelando a eles para que também concorram “para afastar da humanidade o grande perigo que a todos ameaça”; “todos os que não querem a anarquia e o terror devem trabalhar energicamente para que os inimigos da religião não alcancem o fim que tão abertamente proclamam”.  

         *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

 

O DIREITO DE LEGÍTIMA DEFESA



Quando em Teologia Moral, estuda-se o 5º mandamento da Lei de Deus (Êxodo XX, 13) NÃO MATARÁS, também no final deste tratado teológico, estudamos as exceções que a própria Bíblia Sagrada autoriza. Uma delas é justamente o direito de legítima defesa. Assim se define: "Vim vi repellere, omnia jura permittunt" = todos os direitos permitem reprimir a força pela força. Estamos falando de direito e não de dever. Isto quer dizer que, se o agredido não quiser se defender com o único meio possível que é empregar também a força e matar o injusto agressor, ele pode não usar deste seu direito de legítima defesa e preferir morrer do que matar. No fim, veremos que só há dois casos em que não só o agredido tem o direito mas também o dever da legítima defesa.

 Diz o próprio Deus a Noé: "Todo o que derramar o sangue humano será castigado com a efusão do seu próprio sangue; porque o homem foi feito à imagem de Deus" (Gênesis IX, 6). Esta determinação de Deus fazia parte da Lei do Talião em vigor no Antigo Testamento. Mas fiz esta citação para analisar só o último inciso, isto é, PORQUE O HOMEM FOI FEITO À IMAGEM DE DEUS. Por ser o homem criado à imagem de Deus, sua vida deve ser respeitada, e quem atenta contra este direito, ou seja, o injusto agressor, perde ele esta dignidade de semelhança com Deus e, por conseguinte perde o direito à vida. Esta razão: "PORQUE O HOMEM FOI FEITO À IMAGEM DE DEUS", justifica, portanto,  a legítima defesa por parte do inocente. 

Contudo, devemos observar inicialmente, que este direito de legítima defesa tem que ser exercido com as normas morais devidas. Por exemplo: Este direito só existe no momento da agressão injusta; ademais, este direito deve-se exercer  "servato moderamine inculpatae tutellae" como se exprime a Teologia Moral e creio também os juristas, isto é, NA MEDIDA EXATA EM QUE FOR ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO PARA REPELIR A AGRESSÃO. Quando o ataque do injusto agressor é de tal modo que não há como conseguir a proteção social (=chamar a polícia) a tempo, aí o agredido inocente tem o direito de se defender, e de matar o agressor, caso não haja outra saída: ou mata ou morre.  Na surpresa de um assalto ou ataque, só o agressor é responsável pelo mal que lhe possa suceder (inclusive sua condenação eterna), porque se põe voluntariamente fora da lei pelo mesmo fato da agressão (de imagem de Deus se tornou filho do demônio).

Há um antigo provérbio latino que diz: "SI VIS PACEM, PARA BELLUM" = se queres a paz, prepara-te para a guerra. Isto significa o seguinte: PARA EVITAR SER ATACADO, O MELHOR MEIO É PÔR-SE EM CONDIÇÕES DE SE DEFENDER. Podemos fazer a aplicação deste axioma nos casos particulares de legítima defesa. Se quero a paz para mim, para minha família, para minha liberdade, para os meus bens, e sobretudo para minha virtude (a castidade, a honra da virgindade) devo ter as condições de me defender. Vão seria o direito à legítima defesa se não houvesse o direito à obtenção dos meios necessários para tanto. 

Nosso Senhor Jesus Cristo para mostrar que devemos estar dia e noite e a toda hora preparados para a ladrão da morte, faz esta comparação (S. Lucas XII, 39): "Se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão estaria bem armado para defender sua casa e não deixaria que ela fosse invadida". Em outras palavras: todo chefe de família está sempre preparado, com as armas necessárias para se defender e também defender sua família, justamente porque não sabe nem o dia nem a hora, que o bandido, assaltante, estuprador e assassino o vai  agredir. Porque, se soubesse, o chefe de família chamaria a polícia e não poderia se expor a morrer ou a matar.

Ademais, a Lei de posse de arma de fogo é uma defesa mesmo para aquele que, por algum motivo, não pode ou não quer se usufruir dele, porque os bandidos não sabem quem possui arma ou não. Sabendo, porém, os bandidos que, pela lei do desarmamento, o mais certo é que as pessoas estão sem defesa, ficam mais audaciosos e se tornam mais criminosos. Suponhamos que duas famílias ricas moradoras numa mesma rua, sendo que uma tem arma em casa e a outra não e o bandido fique ciente disto, eu creio que ele (o bandido) não vai escolher como sua vítima a família que ele sabe estar bem armada.  Na verdade, o medo de morrer, diminui a vontade de matar. A impunidade é a mãe dos crimes. Assim também a Lei que diminuísse a idade penal dificultaria os crimes de menores. É claro que para as pessoas de bem e sobretudo de fé, basta-lhes o temor de Deus; mas os bandidos não têm fé, e geralmente são ateus porque comunistas ou, pelo menos, sem a mínima dúvida, são envenenados, consciente ou inconscientemente, pela ideias comunistas.

Além da arma de fogo legalizada e devidamente guardada, (e também tendo recebido as devidas instruções para manuseá-la) creio que se devam multiplicar nas ruas e nas casas as câmeras. Assim como as câmaras (pardais) evitam certamente muitas mortes por acidente de trânsito, assim pelas câmeras se evitariam outrossim, muitas mortes perpetradas por mãos de bandidos. Mas além disso é preciso que as penas sejam mais duras para os criminosos e que os policiais recebam todo apoio que merecem, não só por parte da sociedade mas também dos governos. Os militares merecem nossa admiração, respeito e gratidão. Enquanto os comunistas odeiam os militares, nós cristãos devemos amá-los e considerá-los nossos superiores e benfeitores. Quando os comunistas implantam sua ditadura num país, eles têm a satânica satisfação em usar os militares para fuzilar os cristãos. Isto foi-me dito por um padre que era missionário na China. 

 Quem não quiser ficar em presídios superlotados, não cometa crimes. É preferível que os criminosos vão para a cadeia mesmo que esta fique superlotada, do que os cemitérios fiquem superlotados de inocentes mortos pelos criminosos.

Se todas as famílias do Brasil cujo algum membro fora vítima de bandidos, ou por assalto,  por estupro  e por assassinato, forem contatadas e interrogadas o que pensam sobre o que acabei de expor, tenho certeza que me darão razão. Pois bem, o que não queremos para nós, não devemos deixar que aconteça com os nossos irmãos e irmãs.

Agora, para terminar, vejamos brevemente, quando não só temos o direito mas o DEVER de legítima defesa. Pela Moral Católica há dois casos em que se dá este DEVER de legítima defesa: 1º  -  se o agredido está em pecado mortal, porque o bandido assaltante, além de matá-lo, irá lançá-lo no inferno; 2º  -  se o agredido é uma pessoa da qual depende o bem comum ou o bem da família, como um Presidente, um pai (ou uma mãe) de família (Cf. S. Afonso de Ligório,nº 390; e cf. também Ballerini nota (c ), p. 377). 

Santo Tomás na S. Th. 2. 2. q. 64 a 7 ensina que, em se tratando de um civil que possa fugir do agressor, ele DEVE fazê-lo; mas se tratar de um militar ele não está obrigado a fugir (mesmo que possa) e pode matar o injusto agressor. Aqui estamos falando segundo a lei de Deus, baseado na Bíblia e nas interpretações dos Santos Doutores da Igreja (Cf. Theol. Moralis sec. S. Alfonsi de Ligorio, autore Jos. Aertnys, C. SS. R., de V praecepto c. II).

Confesso que gostaria muitíssimo de não tratar deste assunto, mas a falta de Deus nos corações levou a humanidade (e nimiamente em nossa querida Pátria) à barbárie para não dizer à ferocidade monstruosa. Se estivéssemos nos primeiros séculos do Cristianismo, quando os cristãos viviam como se fossem um só coração e uma só alma, sem sombra de dúvida,  não se faria mister tratar deste assunto. Temos que trabalhar com todas as forças para banir de nossa Pátria o Comunismo e sua ideologia ateia e materialista e aí sim, logo reconstruir a civilização cristã. Amém!

PS.: Pediram-me que explicasse melhor este assunto e, se porventura, ainda resta alguma dúvida, peço a caridade de me solicitar maior explanação. Obrigado!

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ALERTA CONTRA INCONSCIENTES AJUDAS AOS COMUNISTAS



 Primeira coisa que é necessário destacar: Amar os pobres não é odiar os ricos. Demos a palavra a D. Antônio de Castro Mayer, de santa e saudosa memória:
 "Amemos, pois, desveladamente os pobres, sejamos seus protetores, defendamos seus direitos,  - salvando sempre, porém, os direitos das outras camadas da sociedade, porque a felicidade do corpo social está na harmonia de todas as classes, com seus direitos e deveres, e não na supremacia de uma sobre a outra, tripudiando sobre a lei moral.

A laicidade favorece a seita marxista: Nesta mesma ordem de ideias, convém fazer algumas reflexões a respeito do falseamento freqüente dos movimentos destinados a ajudar e defender os operários, trabalhadores rurais, empregados domésticos, enfim, a classe dos que ganham dignamente seu pão com o trabalho assalariado.
Qualquer iniciativa no sentido de elevar essa classe espiritual, cultural e moralmente, é digna de todos os encômios. Assim também os movimentos que se propõem a defesa dos legítimos direitos dela na relações com os empregadores. Há de aqui, porém, levar-se em conta, primeiro, que em tais movimentos, vistos em seu conjunto, jamais se deve recusar a primazia à parte espiritual e moral. Se eles cuidarem apenas da parte econômica, no fundo estarão auxiliando a difusão dos erros comunistas, uma vez que estes afirmam precisamente que são os fatores econômicos os únicos que realizam todo progresso, mesmo cultural e, enquanto não se pode acabar inteiramente com as crenças, até religioso. É isso falso, e uma campanha em prol das classes menos favorecidas da fortuna, que não sublinhasse essa falsidade, estaria indiretamente beneficiando o comunismo. Por semelhante razão, lamentamos profundamente o caráter laico dos nossos sindicatos, quer de empregados, quer de patrões. Posta de lado a influência direta da Religião, resulta impossível resolver os problemas sociais dentro dos quadros da civilização cristã, baseada em valores espirituais aos quais os econômicos devem estar subordinados, como meros auxiliares.

A tendência de igualar as condições de patrões e empregados serve o comunismo: É pelo esquecimento dos valores espirituais que frequentemente as reivindicações operárias descambam para a exigência de uma igualdade absoluta de direitos entre empregados e empregadores. Coisa em si absurda, uma vez que o próprio contrato de trabalho supõe duas situações distintas, cada qual com seus direitos legítimos, não porém os mesmos, pois que se fossem os mesmos nem sequer seria possível contrato. Quando duas pessoas contratam é porque não têm os mesmos direitos; a uma falta o que a outra tem, e o contrato é feito precisamente para que se completem, se auxiliem reciprocamente, ficando ambas satisfeitas, conservando, porém, cada qual, seus direitos. As campanhas a favor dos direitos dos operários, e empregados em geral, com tendência a igualar as situações, servem aos comunistas, cujo ideal é a supressão da diversidade de classes sociais. Eis, pois, um campo em que a defesa de direitos autênticos e até sagrados pode prestar-se, nas condições em que vivemos, à exploração da seita marxista.
Ao cuidar dos operários é preciso marcar bem a função que eles têm na sociedade, função digníssima e deles própria, que bem desempenhada os leva a dar seu contributo indispensável para o bem comum, e que no entanto será fundamentalmente viciada, se, corroídos de inveja porque lhes não coube outra posição mais elevada, vierem a sabotar a tarefa que executam, ou a colaborar em movimentos que provocam a desordem no campo econômico-social. Com semelhante procedimento, eles prejudicariam a sociedade toda, e a si mesmos, espiritual e materialmente.

Sem o concurso das virtudes cristãs nada se fará de útil para os pobres: Não é preciso insistir para que se veja como as reivindicações operárias  -  tão legítimas e simpáticas  - quando feitas nesse espírito ajudam poderosamente a criar ambiente favorável ao comunismo e contrário à civilização cristã. Esta é feita das grandes virtudes sociais, a obediência, a humildade e o amor. Virtudes que falam em desapego e dedicação. Virtudes cujo concurso impede que as reivindicações operárias, por mais categóricas e enérgicas que sejam, se transformem em fator de desordem social. Virtudes que, se vierem a falhar, nem se obterá a salvação eterna, razão por que fomos criados, nem a paz e a prosperidade social, motivo por que existe a sociedade civil. Sem elas domina a inveja, a desconfiança, o ódio, causas da desagregação social, sobre a qual lança o manto negro da tirania, o despotismo moscovita".

(Extraído da CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista, escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 13 de maio de 1961).

domingo, 7 de outubro de 2018

Festa de Nossa Senhora do Rosário - História.

     A cidade de Constantinopla era a capital da Turquia.  Desde sua fundação (a. 657 a. C.) chamava-se Bizâncio. Depois recebeu o nome de Istambul e, atualmente chama-se Ancara. No ano de 1571 (como até hoje) a Turquia é na sua maioria muçulmana, ou seja, religiosamente falando, segue o Islamismo, seita fundada por Maomé. Por isso são chamados também maometanos. Para eles toda guerra para eliminar os infiéis ( chamam de infiéis todos os que não seguem o Islamismo e, sobretudo os católicos) é guerra santa. Por isso, sempre constituíram para a Igreja Católica uma grande ameaça.
   Assim no ano de 1571 Constantinopla quis a todo transe impor na Europa católica o Islamismo. Os turcos muçulmanos armaram um terrível exército neste intuito. Ocupava a cadeira pontifícia S. Pio V, este grande Papa providencial. Diante da grande ameaça islâmica, Pio V constituiu uma Confederação ou Liga Santa. Formavam-na a Santa Sé, a República de Veneza e a grande Espanha.
   Reúnem-se em Roma. Pio V convocou os Cardeais Granvela e Pacheco e Dom João Zueñiga, embaixador do Rei Católico na Corte Romana e Miguel Soriano, por parte da República de Veneza; daquela Liga Santa, surgiu a semente para a epopeia de Lepanto. O Papa nomeou Marco Antônio Colomba, seu general; Felipe II nomeou como Generalíssimo de Mar e Terra a Dom João de Áustria, que tinha, então, apenas vinte cinco anos de idade.
   O tempo urgia, pois, os turcos já faziam arremetidas e assaltos. Eles fizeram simultaneamente três assaltos: atacaram a Albânia com 60 mil homens; atacaram a ilha de Chio com 40 galeras; as tropas do terrível Mustaphá  arremessaram-se   sobre a ilha de Chipre. Em pouco tempo tomaram de assalto as praças mais fortes; mataram vinte mil habitantes, e fizeram quinze mil escravos só na cidade de Nicósia. Renovaram as mesmas atrocidades em Famagusta, cujo comandante teve o nariz e as orelhas cortadas, e depois foi esfolado vivo por ordem de Mustaphá. Malta e Sicília já perigam. A estas notícias o Papa S. Pio V usou de seu poder. O nome glorioso de Espanha, que domina terras e mares, ameaça eclipsar-se. O Oriente muçulmano ameaça o Ocidente católico, e a salvação, está nas mãos da Espanha. Alí Pachá e Selim têm naquela hora um poderio que é necessário exterminar a todo custo. O cenário da conflagação há de ser Lepanto, a cidade marítima da Grécia. Lepanto é um Golfo que antigamente chamava-se Golfo de Corinto.
   Tratava-se de uma legítima defesa, e antes de tudo, defesa da Fé. O Papa benzeu o estandarte e o bastão do generalato que Dom João levaria nesta guerra;  em Nápoles, no Convento de São Francisco, os recebe Dom João das mãos do Cardeal Granvela, em solene cerimônia: "Tomai, ditoso Príncipe, disse o cardeal, as insígnias do verdadeiro Verbo Humano. Tomai o vivo sinal da Santa Fé de que nesta empresa sois defensor. Ele vos dê vitória gloriosa sobre o inimigo ímpio e que por vossa mão seja abatida sua soberba". E o povo respondeu em coro: AMEN. São Pio V ordenou que em toda cristandade se rezasse publicamente o santo Rosário.
   As naves católicas haviam saído de Messina, e estando nas Ilhas Curzolari, tiveram notícia de que a frota turca saía do porto de Lepanto, composta de 224 galeras ao mando de Alí Pachá. Dom João de Áustria ordenou à sua frota que se colocasse no lugar mais alto as imagens de Cristo Crucificado, e estando todos ajoelhados diante delas aumentou de tal modo o ânimo de lutar e o valor nos soldados cristãos, que, em um momento e quase que por um milagre, foi erguido em toda a armada um grito geral de alegria, que, repetindo em voz mais alta - "Vitória!... Vitória!..." - podia ser ouvido até pelos próprios inimigos. 
   Vai começar a histórica Batalha de Lepanto! E realmente! Momentos depois, juntavam-se as duas esquadras e com estrondo pavoroso as duas galeras capitânias, tendo antes artilharia e os arcabuzes feito sua matança entre as fileiras do General  turco Alí Pachá. Generalizou-se o combate, envolvendo-se entre si as galeras inimigas com um ardor sem igual. Depois do fogo de arcabuz e canhão, chegava a abordagem e se brigava com machadinhas e espadas, e danificadas estas, prosseguiam a luta corpo a corpo. O aspecto era terrível ! Naquela atmosfera de morte transcorreram várias horas,até que um alarido de vitória cruzou o cenário trágico com a rapidez de um relâmpago: As forças cristãs que haviam abordado a nave capitânia do muçulmano Alí Pachá, lograram matá-lo e ao mesmo tempo que arriavam daquela e outras naus o estandarte turco, chamado o Sanjac, substituindo-o pelo de Cristo Crucificado. Sem embargo, a batalha prolongou-se até que a noite viesse cobrir a enseada de Lepanto, à cuja hora a derrota muçulmana havia sido completa e categórica. Morreram das forças cristãs 7.500 homens. Entre os turcos, porém, morreram 32.000 homens. O exército católico fez ainda 3.500 prisioneiros e libertou   5.000 escravos cristãos. Os turcos perderam 224 embarcações.
Sete de outubro - Festa de N. S. do Rosário
   O Papa Pio V afirmou que esta importante vitória era devida à intercessão da Mãe de Deus; e parece que teve, a este respeito, esclarecimentos sobrenaturais. No momento mesmo do combate, o santo Papa, que se achava no meio dos cardeais reunidos, deixou-os de repente, abriu a janela, e esteve por algum tempo com os olhos erguidos para o céu. Voltou depois e disse: "Não tratemos mais de negócios agora; pensemos somente em dar graças a Deus pela vitória, que acaba de conceder ao exército cristão". Realmente, àquela hora exata, Dom João de Áustria vencia os muçulmanos em águas do mar Jônico. Em reconhecimento o santo Pontífice mandou acrescentar à Ladainha da Santíssima Virgem a invocação Auxílio dos cristãos! rogai por nós! e instituiu a festa solene com o título de Nossa Senhora da Vitória. Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII mudou este título no de Nossa Senhora do Rosário.
   São Pio V morreu no mesmo ano da  vitória de Lepanto. - Os turcos olhavam este pontífice como o seu mais terrível inimigo, e o mais forte baluarte da Europa e da cristandade. Por isso o Sultão Selim, sabendo da sua morte, ordenou que houvesse festejos públicos durante três dias na cidade de Constantinopla.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A FAMÍLIA

 
LEITURA ESPIRITUAL

   Vemos com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

   Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade, se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial. 

   E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. E, horribile dictu, o próprio Sumo Pontífice reconhece que as últimas mudanças que ele fez nos processos matrimoniais quanto à declaração de nulidade podem colocar em risco a indissolubilidade do matrimônio. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total ou quase das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a "a misericórdia" do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem. 

   Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

   Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

   Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: "É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu".

   Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés. 

   Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: "Mais um que ficou na armadilha". Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: "Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha". 

   Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: "Então o meu amigo não é casado?" - Ainda não, respondeu o amigo.  -  "Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas". É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida. 

   O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: "serão os dois uma úncia carne", disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o precito de honrar "pai e mãe". Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte. 

   Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher". "A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas sua boas obras".  "Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres" (Palavras de um poeta castelhano). 

   Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa! "Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente" (S. Pio X). 

   Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  "Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador". Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

   Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: "Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra". Pai e mãe santos! Que graça!

   Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que "o casamento é santo, mas no Senhor". Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento. 

   Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: "Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho - buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa..." (Pio XII, "Sertum laetitiae).




CARTA DE S. FRANCISCO DE ASSIS AOS GOVERNANTES DOS POVOS

   "A todos os potentados e conselheiros, juízes e governadores no mundo inteiro, e a todos quantos receberem esta carta, Frei Francisco, mísero e pequenino servo do Senhor, deseja saúde e paz.
   Considerai e vede que "se aproxima o dia da morte" (Gn 47, 29). Peço-vos pois com todo o respeito de que sou capaz que, no meio dos cuidados e solicitudes que tendes neste século, não esqueçais o Senhor nem vos afasteis dos Seus mandamentos. Pois todos aqueles que O deixam cair no esquecimento e "se afastam dos Seus mandamentos" são amaldiçoados" (Sl 118, 21) e serão por Ele entregues ao esquecimento" (Ez 33, 13). E quando chegar o dia da morte, "tudo o que entendiam possuir ser-lhes-á tirado" (Lc 8, 18). E quanto mais sábios e poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores "tormentos padecerão no inferno" (Sab. 6, 7).
   Por isso aconselho-vos encarecidamente, meus senhores, que deixeis de lado todos os cuidados e solicitudes e recebais com amor o santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ocasião de Sua santa memória.
   E rendei tão grande homenagem ao Senhor com o povo a vós confiado, que todas as tardes, que façais anunciar por um pregoeiro ou por outro qualquer sinal que todo o povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus todo-poderoso. E se o não fizerdes, sabei que haveis de dar conta perante Vosso Senhor Jesus Cristo no dia do Juízo.
   Os que levarem consigo este escrito e o observarem saibam que serão abençoados por Deus Nosso Senhor.

Como S. Francisco converteu a fé o Sultão da Babilnônia - I FIORETTI -

      São Francisco, instigado pelo zelo da fé cristã e pelo desejo do martírio, atravessou uma vez o mar com doze de seus companheiros santíssimos, para ir diretamente ao sultão de Babilônia. E chegou a uma região de sarracenos, onde certos homens cruéis guardavam as passagens, que nenhum cristão que ali passasse podia escapar sem ser morto; como aprouve a Deus, não foram mortos, mas presos, batidos e amarrados foram levados diante do sultão. E estando diante dele São Francisco, ensinado pelo Espírito Santo, pregou tão divinamente sobre a fé cristã, que mesmo por ela queria entrar no fogo. Pelo que o sultão começou a ter grandíssima devoção por ele, tanto pela constância de sua fé, como pelo desprezo do mundo que nele via; porque nenhum dom queria dele receber, sendo pobríssimo; e também pelo fervor do martírio que nele via. E deste ponto em diante o sultão o ouvia com boa vontade e pediu-lhe que freqüentemente voltasse à sua presença, concedendo livremente a ele e aos seus companheiros que podiam pregar onde quisessem. E deu-lhes um sinal com o qual não podiam ser ofendidos por ninguém. Obtida esta licença tão generosa, São Francisco mandou aqueles seus eleitos companheiros, dois a dois, por diversas terras de sarracenos, a pregar a fé cristã; e ele com um deles escolheu um lugar... Vendo São Francisco que não podia obter mais fruto naquelas partes, por divina revelação se dispôs com todos os seus companheiros a retornar aos fiéis; e reunindo todos os seus voltou ao sultão e despediu-se. E então lhe disse o sultão: Frei Francisco, de boa vontade me converteria à fé cristã, mas temo fazê-lo agora, porque se esses homens o descobrissem matariam a mim e a ti com todos os teus companheiros: mas, porque tu podes fazer muito bem, e eu tenho de resolver certas coisas de muito peso, não quero agora causar a tua morte e a minha, mas ensina-me como me poderei salvar, e estou pronto a fazer o que me impuseres. Disse então São Francisco: senhor, separar-me-ei de vós, mas depois de chegar ao meu país e ir ao céu pela graça de Deus, depois de minha morte, conforme a vontade de Deus, enviar-te-ei dois dos meus irmãos, dos quais receberás o santo batismo de Cristo e serás salvo, como me revelou meu Senhor Jesus Cristo. E tu, neste espaço, desliga-te de todo impedimento, a fim de que, quando chegar a ti a graça de Deus, te encontre preparado em fé e devoção. E assim prometeu fazer e fez. Isto feito, São Francisco retornou com aquele venerável colégio de seus santos companheiros: e depois de alguns anos São Francisco, pela morte corporal, restituiu a alma a Deus. E o sultão adoecendo espera a promessa de São Francisco e faz postar guardas em certas passagens, ordenando que, se dois frades aparecessem com o hábito de São Francisco, imediatamente fossem conduzidos a ele. Naquele tempo apareceu São Francisco a dois frades e ordenou-lhes que sem demora fossem ao sultão e procurassem a salvação dele, segundo lhe havia prometido. Os quais frades imediatamente partiram e, atravessando o mar, pelos ditos guardas foram levados ao sultão. E vendo-os, o sultão teve grandíssima alegria e disse: Agora sei, na verdade, que Deus mandou os seus servos para a minha salvação, conforme a promessa que me fez São Francisco por divina revelação. Recebendo, pois, a informação de fé cristã, e o santo batismo dos ditos frades, assim regenerado em Cristo, morreu daquela enfermidade, e sua alma foi salva pelos méritos e operação de São Francisco.

    Hoje, festa de São Francisco de Assis, peçamos a Deus por intercessão dele, a conversão dos hereges, cismáticos, ateus e dos católicos que vivem no pecado. Hoje, mas do que na  época do Poverello, se faz mister amparar a Santa Madre Igreja que está auto se demolindo, sobretudo por causa do ecumenismo. Vendo o verdadeiro espírito de São Francisco de Assis, não temos dificuldade em perceber que não se poderia escolher lugar menos indicado para os tristemente famigerados "Encontros Ecumênicos" do que a cidade natal deste grande Missionário e de Santa Clara.

MEDITAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


S. Francisco fala aos pássaros (miniatura do sec.XIII)
   São Francisco de Assis, estando em retiro no monte Alverne fez uma seríssima meditação: "O céu aberto em cima de minha cabeça. O inferno aberto sob meus pés. E o cristão no meio! Assim estou no mundo, sob um Céu que me espera e cujo pensamento me conforta e estimula na luta". Quando a cruz pesar demais sobre nossos ombros doloridos, olhemos para o Céu. Certo dia ouvindo São Francisco de Assis o tanger de uma corda da lira celeste nas mãos de um anjo, entrou em êxtase e desfaleceu de tanta alegria. Sua pobre natureza se sentiu aniquilada, ante a estupenda maravilha de tão deliciosa melodia. Que não será, ó meu Deus, ouvir os cânticos eternos! Santo Inácio dizia: "Como me parece pequena e desprezível esta terra, quando olho para o Céu!" O céu aberto! Eia! Confiança! Todo sofrimento é pouco para tamanha felicidade!
   "O inferno aberto!" Meditemos um pouco. Pode-se comparar todo nosso martírio, toda a amargura da terra, a uma só das penas eternas? Então, por que não suportarmos hoje um castigo tão leve em reparação de nossos pecados, que, mil vezes, já mereceram a condenação eterna?
   "O cristão no meio!" ... para a luta, para a escolha livre do seu destino! Oh! como a vida é séria e cheia de responsabilidades! No meio, entre o Céu e terra, o cristão luta! Oh! saibamos sofrer e, com o pobrezinho de Assis, meditemos o que somos, onde estamos e o que nos espera na Eternidade!" Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, Eu também me envergonharei dele no dia do juízo". 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

QUESTÃO DE VIDA E MORTE

QUESTÃO DE VIDA E MORTE

                                                                                                                                                                      Dom Fernando Arêas Rifan*


            Sete de outubro próximo, coincidindo com a votação do primeiro turno das eleições, é o dia de Nossa Senhora do Rosário, festa estabelecida pelo Papa São Pio V como gratidão pela vitória dos cristãos, que, incentivados pelo Papa, pegaram em armas para combater os inimigos da fé e da civilização cristãs, na batalha de Lepanto.
            
De 1º a 7 de outubro, a Igreja no Brasil celebra a Semana Nacional da Vida e, no dia 8 de outubro, o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB).
        
   Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós também já fomos, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom.
            Diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro: “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (S. João Paulo II, Evangelium Vitae n. 58). E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o mesmo Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que... apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina - declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (ibidem n. 62).
            Que Nossa Senhora, Mãe de Deus feito homem, Jesus Cristo, nascituro em seu ventre, proteja todos os nascituros e todo o nosso Brasil.
            Estamos na ocasião propícia de lutarmos pela vida e de escolhermos os candidatos que são a favor da vida, contra o aborto provocado.
           
A Igreja não tem partido nem indica candidatos, pois quer que os católicos raciocinem e usem sua razão e consciência ao votar. Mas nos ajuda nessa reflexão, advertindo-nos em quem não votar.
            
Por isso, seguindo a doutrina da Igreja, você não pode votar em candidatos nem em partidos que defendam, como programa, a legalização do aborto, chamado pelo nosso Papa Francisco de “nazismo de luvas brancas”. Um católico não pode apoiar esse “nazismo”, não pode votar em partidos que militam a favor da morte do nascituro através do aborto provocado.             Estou escrevendo sobre isso, porque o Papa Bento XVI, alertando os Bispos a orientarem os fiéis para que não votem em candidatos que defendam o aborto, ensinou que, “quando os direitos fundamentais da pessoa e a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.
           Assim, lembrando que amamos e respeitamos as pessoas, não as excluindo, mas não promovemos o pecado, alertamos não se pode votar em partidos ou candidatos que, de uma maneira ou outra, incentivem a prática do homossexualismo, o que é contrário ao que ensina o Catecismo da Igreja Católica nem nos que pretendem, sob o pretexto de informação, promover a erotização da infância, através de uma aberrante educação sexual, e a ideologia de gênero. Nem os que equiparam a família natural a outros tipos de união. Referindo-se a esse tema, o Papa Francisco ensina: “Dói dizer isso hoje: fala-se sobre famílias diversificadas, de diversos tipos de família. Sim, é verdade que a palavra família é análoga, e existem a família das estrelas, das árvores, dos animais..., mas a família imaginada por Deus, homem e mulher, é uma só”. Votemos, pois, em quem defende a família natural, idealizada pelo Criador.
            Ficam excluídos também do voto católico os partidos e candidatos que apoiam regimes totalitários e ditatoriais, que tanto mal já fizeram e fazem ao povo, com a violação dos direitos humanos. 
            Além disso, a CNBB pede que votemos em candidatos que são “ficha limpa” e que reprovemos os candidatos que buscam o foro privilegiado, advertindo-nos que não devemos escolher candidatos que promovam a violência. Assim, devemos excluir da nossa escolha também os candidatos e partidos socialistas e comunistas, que apoiam o ódio e a luta de classes, base do socialismo e comunismo, meio de chegar, segundo eles, à ditatura do proletariado. Ficam assim fora todos os que promovem invasão da propriedade alheia e defendem a marginalidade violenta.
            Que nessas eleições, com a consciência cristã bem orientada, possamos escolher os melhores candidatos, ou, infelizmente, os menos ruins, os que causarão menos estragos ao povo, à família sobretudo, e ao nosso país. 
            Rezemos a Nossa Senhora do Rosário pelo bom destino da nossa Pátria, para que tudo corra bem, ordeira e retamente.
 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

   

O EXEMPLO DE UM PAI E OFICIAL



Reflexões sobre o texto segundo S. João IV, 46-53

Deus é o autor da natureza e da graça. E se serve, ás vezes, de uma e de outra. Segundo o texto supra-citado,  Deus se serve da doença do filho para levar o pai e toda sua família a receber a graça. Assim, geralmente, Deus começa a conversão de alguém pela natureza e termina pela graça.


Tendo sobre este oficial de Cafarnaum desígnios de misericórdia, envia uma doença ao seu filho; e este pai alarmado, temendo perder o objeto de suas mais vivas afeições, parte imediatamente e vai à procura de Jesus. Ele teria permanecido em sua casa, se seu filho estivesse bem de saúde; teria continuado a viver com uma fria indiferença em relação a Jesus, ouvindo falar de Sua doutrina, de Seus milagres, mas não se inquietando nem de ver estes, nem de ouvir aquela. Se ele vem a Jesus é em vista de seu filho e para obter de Jesus que Ele se digne descer à sua casa e curar seu filho. Mas este primeiro passo, embora imperfeito e terrestres os seus motivos, coloca-o ao menos em condição de ver a Jesus, de ouvi-Lo, de receber úteis lições de Seus lábios divinos, mesmo censuras que lhe serão salutares, e, como resultado final, levar aquele pai e toda sua família a crerem em Jesus, não mais como simples profeta, como taumaturgo, mas como o Messias, como o Cristo, e tudo isto com uma fé firme e completa.

 No princípio, na verdade, a fé daquele oficial do rei deixava muito a desejar. Acreditava ele que Jesus pudesse curar seu filho, mas somente se Jesus se aproximasse dele e o tacasse; pensava que esta cura de seu filho não era possível à distância e por um simples ato da Sua vontade; em outras palavras, ele não acreditava que Jesus fosse Deus e como tal capaz de exercer seu poder tão longe quanto se estende Sua imensidade divina, isto é, em todo lugar.  Pede a Jesus que vá a sua casa, pois crê ser esta condição necessária para que Jesus possa realizar o milagre que solicita. E Jesus recusa se render ao pedido do oficial e até faz-lhe uma dura censura em relação a fraqueza de sua fé: "Se não virdes milagres não credes". Talvez também um certo orgulho estivesse aninhado no coração deste vice-rei; talvez pensasse que seu alto posto merecia bem que Jesus se dignasse ir visitá-lo: disposição assaz pouco própria para que merecesse os favores do divino Mestre. Caríssimos, devemos estar lembrados das disposições do Centurião também de Cafarnaum. Disse este a Jesus: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, dizei daqui mesmo uma só palavra e meu servo ficará curado lá em casa!" Que fé e que humildade!

Mas Jesus, em relação ao oficial do rei, não desprezou, o pouquinho de fé que trazia em seu coração. Como Jesus é bom! Malgrado as disposições tão defeituosas deste oficial do rei, Jesus atenderá o seu pedido, só porque este não se revoltou mas recebeu com submissão a correção amarga e pública que lhe fez; também porque perseverou na sua oração: "Senhor, vem antes que meu filho morra". Apesar de aquele oficial não ter a fé suficiente que Jesus pudesse curar seu filho de longe, ou então, ressuscitá-lo, o bondoso Salvador, tocado pela dor deste pai, pela sua humildade embora bem fraca ainda, e sobretudo tocado pela persistência de sua oração, Jesus diz-lhe: "Vai, seu filho está cheio de vida". E assim aconteceu. E a prontidão deste milagre, assim operado de longe, e por uma ordem soberana do Salvador, é uma lição preciosa que instrui o oficial, que esclarece e aumenta sua fé, que lhe mostra que Jesus não é um profeta comum, um simples enviado de Deus quais foram Elias, Eliseu, que curaram  doentes e ressuscitaram  mortos, mas com a ajuda dum poder delegado; não, um tal milagre faz ver que aquele que comanda assim de longe a doença, e sem que se faça mister tocar o doente, é mais que um homem, é Deus, é o Messias esperado, o Redentor do mundo.

"O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu". Obedece a Jesus e vai cheio de alegria e de esperança, impaciente por encontrar curado e passando bem este filho que ele havia deixado recentemente nas garras da morte. Mas eis que seus servidores vêm ao seu encontro para dar-lhe a boa notícia. Uma dúvida, porém, parece ainda preocupar o espírito daquele feliz pai: esta cura teria sido por acaso, isto é, efeito ordinário das forças da natureza? A fé do oficial vai crescendo gradualmente, mas ainda era imperfeita e um tanto fraca. Daí a sua pergunta: A que hora o meu filho doente se achou melhor? Seus servos disseram-lhe: "Ontem pela sétima hora, a febre o deixou. E reconheceu logo o pai ter sido aquela a mesma hora em que Jesus lhe dissera: Vai, porque seu filho está curado, cheio de vida. E então ele acreditou e toda a sua família. Agora sua fé era perfeita e firme. Portanto, não mais com alguma hesitação, não mais com alguma restrição, ele creu que Jesus era o Messias e o Salvador do mundo.

Caríssimos, vemos neste episódio como Deus é bom e misericordioso. Ele se acomoda à nossa fraqueza; Ele toma o pouco que Lhe damos, fecunda-o e fá-lo crescer pela sua graça.

Admiramos, outrossim, o efeito do bom exemplo: esta fé do oficial é tão verdadeira, tão viva que ela se comunica a todos que estão ao seu redor. Toda sua casa, toda sua família acreditou com ele! É uma grande e bela pregação o exemplo dum chefe de família quando ele é verdadeiramente cristão. Nem sua esposa, nem seus filhos, nem seus domésticos puderam resistir a uma fé tão firme! A autoridade que é inerente ao seu título de pai e de oficial do rei, as suas luzes, o seu caráter, impõem a convicção a todos. O pai e, no caso também oficial, feito para comandar, investido de uma porção do poder mesmo de Deus, ele pode  fazer muito bem, quando é fiel à sua missão, quando é, de alguma maneira o sacerdote do lar, cheio de respeito pela religião. E quem não se sentiria atraído por esta influência? Caríssimos, se temos tantas vítimas de drogas, tantos bandidos que assaltam, que cometem os mais horrendos crimes de estupros e assassinatos (inclusive assassinos da verdadeira democracia), se temos leis ímpias como a do aborto, a da união de gays,se temos projetos de lei da ideologia de gênero (que em nosso país só não passou graças as pessoas de bem), e, em alguns países já a lei da eutanásia etc. tudo isto é provocado pelo comunismo que trabalha com ardis para destruir a Família e a Religião. Esta serpente infernal prega a luta de classes, explora os pecados de ALGUNS POUCOS que usam mal o seu direito de propriedade particular, para lançar os pobres contra os ricos.

Caríssimos, estamos nas vésperas das eleições. Todos meus fiéis ou ex-paroquianos sabem que não sou de me intrometer em política. Estamos, no entanto, numa conjuntura histórica de nosso querido Brasil, que talvez sua, por vezes, conturbada história nunca tenha visto. Estamos numa alternativa de vida ou de morte para a nossa pátria extremosamente amada: ou direita contra o comunismo ou esquerda com a comunismo ateu. Ou preservação da família cristã ou (perdoem-me a palavra, porque não encontro outra mais apropriada) a cachorrada do comunismo; ou a ordem e progresso com a direita composta de pessoas de bem, ou o caos mais horrível com o materialismo comunista. Ou o Brasil que as pessoas de bem querem ver, ou uma nova Cuba e uma outra Venezuela. Em uma palavra, ou continuar o Brasil caminhando rumo ao ateísmo ou recomeçar o caminho dos mandamentos de Deus. Assim, nunca a nossa responsabilidade ao votar foi tão grande como neste ano de 2018! E responsabilidade primeiramente diante de Deus cuja existência o Comunismo nega. Depois, responsabilidade diante de nossa Bandeira, na qual não existe vermelho, mas cujo lema tão belo ORDEM E PROGRESSO, nos governos petistas, vem sendo letra morta. Queremos, brasileiros de bem, que a partir de 1º de janeiro de 2019, este belíssimo lema seja uma realidade.

Confesso que não conheço profundamente os candidatos, mas tenho ouvido outros padres fiéis à sua missão de salvar almas, e tenho assistido vídeos de pessoas de competência indiscutível que afirmam que devemos votar em Jair Messias Bolsonaro, 17.

Ó Jesus, que dissestes que seria melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar, do que escandalizar uma criança, defendei o Brasil do Comunismo! Ó Jesus, o Brasil está agonizante, corroído pelo câncer do PT em vários anos de seu governo. Vem, ó Jesus, antes que o nosso Brasil morra nas garras do Comunismo! O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos! Amém!