quarta-feira, 14 de março de 2018

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( II )

Virtudes do Beato Pio X.  ( continuação )
   7- Quanto a nós, que estávamos então no início do nosso sacerdócio, já ao serviço da Santa Sé, não poderemos jamais esquecer a nossa intensa comoção, quando, ao meio-dia daquele 4 de agosto de 1903, da Loggia da Basílica Vaticana a voz do Cardeal Primeiro Diácono anunciou à multidão que aquele Conclave - tão importante sob tantos aspectos! - tinha dirigido a sua escolha para o Patriarca de Veneza, José Sarto.
   8- Foi então pronunciado pela primeira vez perante o mundo o nome de Pio X. Que ia significar este nome para o Papado, para a Igreja, para a humanidade? Quando hoje, decorrido quase meio século, nós perpassamos pelo espírito a sucessão dos graves e complexos acontecimentos que o encheram, a nossa fronte inclina-se e os nossos joelhos dobram-se em admirada adoração dos desígnios divinos, cujos mistérios lentamente revelam aos pobres olhos humanos, à medida que se consumam no curso da história.
   9- Ele foi Pastor, bom Pastor. Parecia que tinha nascido para o ser. Em todas as jornadas do caminho, que pouco a pouco o conduzia do humilde lar natal, pobre de bens da terra, mas rico de fé e virtudes cristãs, até ao vértice supremo da Hierarquia, o Filho de Riese permaneceu sempre igual a si próprio, sempre simples, afável, acessível a todos, na sua casa paroquial da aldeia, , na cadeira capitular de Treviso, no bispado de Mântua, na Sé Patriarcal de Veneza, no esplendor da Púrpura romana, e continuou a ser o mesmo na majestade soberana, sobre a sédia gestatória e sob o peso da Tiara, no dia em que a Providência, modeladora longínqua das almas, inclinou o espírito e o coração dos seus Pares a confiar-lhe o cetro, caído das mãos enfraquecidas do grande Ancião Leão XIII nas suas mãos paternalmente firmes. Precisamente de tais mãos tinha o mundo necessidade então.
   10- Não tendo podido desviar da sua cabeça o terrível encargo do Sumo Pontificado, ele, que tinha sempre fugido às honras e às dignidades, como outros, ao invés, fogem de uma vida ignorada e obscura, aceitou entre lágrimas o cálice das mãos do Pai divino.
   11- Mas uma vez pronunciado o seu Fiat, este humilde, morto para as coisas terrenas e todo em anelos pelas coisas celestes, demonstrou no seu espírito a indomável firmeza, a robustez viril, a grandeza da coragem, que são as prerrogativas dos Heróis da santidade.
   12- Desde a sua primeira Encíclica, foi como se uma chama luminosa se tivesse erguido para esclarecer as inteligências e acender os corações. Não de modo diferente sentiam os discípulos de Emaús inflamarem-se-lhes os corações, enquanto o Mestre falava e lhes revelava o sentido das Escrituras (Lc XIV, 32).
   13- Não tendes porventura experimentado também este ardor, queridos filhos, que vivestes naqueles dias e ouvistes dos seus lábios o exato diagnóstico dos males e dos erros do tempo, e juntamente indicados os caminhos e os remédios para os curar? Que clareza de pensamento! Que força de persuasão! Era certamente a ciência e a prudência de um profeta inspirado, a intrépida franqueza de um João Batista e de um Paulo de Tarso; era a ternura paterna do Vigário e Representante de Cristo, atento a todas as necessidades, solícito a todos os interesses, a todas as misérias dos seus filhos. A sua palavra era trovão, era espada, era bálsamo; comunicava-se intensamente a toda a Igreja e estendia-se muito ao longe com eficácia; atingia o irresistível vigor, não só pela incontestável substância do conteúdo, mas também pelo seu íntimo e penetrante calor. Sentia-se nela ferver a alma de um Pastor que vivia em Deus e de Deus, sem outro objetivo senão levar para Ele os seus cordeiros e as suas ovelhas. Por isso, se ele, fiel às venerandas tradições seculares dos seus antecessores, conservou substancialmente todas as solenes (já não faustosas) formas exteriores do cerimonial pontifício, naqueles momentos  o seu olhar suavemente triste, fixo num ponto invisível, mostrava que não para si próprio, mas para Deus, ia toda a honra.
   14- O mundo, que o aclama hoje na glória dos Bem-aventurados, sabe que ele percorreu os caminhos assinalados pela Providência, com uma esperança inconcussa, mesmo nas horas mais escuras e incertas, com uma caridade que o impelia a votar-se a todos os sacrifícios pelo serviço de Deus e pela salvação das almas.
   15- Por estas virtudes teológicas, que eram como o travejamento fundamental da sua vida e que ele praticou num grau de perfeição, que superava incomparavelmente toda a excelência puramente natural, o seu Pontificado refulgiu como nas idades de ouro da Igreja. Acudindo em todos os instantes à tríplice fonte destas virtudes-rainhas, o Bem-aventurado Pio X iniciou e consumou o curso de toda a sua vida com o exercício heróico das virtudes cardeais: fortaleza de uma inflexível imparcialidade, temperança que se confundia com a renúncia total de si mesmo, prudência inteligente, mas prudência do espírito que é "vida e paz", distinta da "sabedoria da carne, que é morte e inimiga de Deus" (cf. Rom VIII, 6-7).
   

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( III )

Respondendo à uma objeção. ( continuação ).
   16- Será porventura verdade, como alguns afirmaram ou insinuaram, que no caráter do Bem-aventurado Pontífice a fortaleza muitas vezes prevaleceu sobre a prudência? Tal pôde ser a opinião de adversários, cuja maior parte eram também inimigos da Igreja. Na medida, porém, em que essa opinião foi partilhada por outros, ainda que admiradores do zelo apostólico de Pio X, essa apreciação é desmentida pelos fatos, quando se observa a sua solicitude pastoral pela liberdade da Igreja, pela pureza da doutrina, pela defesa do rebanho de Cristo dos perigos iminentes, que nem sempre encontrava em alguns toda aquela compreensão e íntima adesão, que deveria esperar-se deles. Agora que o mais minucioso exame perscrutou a fundo todos os atos e vicissitudes do seu Pontificado, agora que se conhece a sequência daquelas vicissitudes, nenhuma hesitação, nenhuma reserva é já possível e deve reconhecer-se que, ainda nos períodos mais difíceis, mais ásperos, mais graves e de mais responsabilidade, Pio X, assistido pela grande alma do seu fidelíssimo Secretário de Estado, o Cardeal Merry del Val, deu prova daquela iluminada prudência, que nunca falta nos santos, ainda que nas suas aplicações se encontre em contraste, doloroso mas inevitável, com os falazes postulados da prudência humana e puramente terrena.
   17- Com o seu olhar de águia mais perspicaz e mais seguro que a vista curta dos míopes raciocinadores, via o mundo tal qual era, via a missão da Igreja no mundo, via com olhos de santo Pastor qual era o seu dever no seio de uma sociedade descristianizada, de uma cristandade contaminada ou, pelo menos, assediada pelos erros do tempo e pela perversidade do século.
   18- Iluminado pelo resplendor da verdade eterna, guiado por uma consciência delicada, lúcida, de rígida retidão, ele tinha muitas vezes, sobre o dever de momento e sobre as resoluções a tomar, intuições cuja perfeita retidão desconcertava muitos que não eram dotados das mesmas luzes.
   19- Por natureza, ninguém mais doce, mais amável do que ele, ninguém mais amigo da paz, ninguém mais paternal. Porém, quando nele falava a voz da sua consciência pastoral, não tinha em conta senão o sentimento do dever: este impunha silêncio a todas as considerações da fragilidade humana; cortava cerce todas as tergiversações; decretava as disposições mais enérgicas, ainda que penosas ao seu coração.
   20- O humilde "cura de aldeia", como algumas vezes se quis chamar - e não é desdouro nenhum para si - em face dos atentados contra os direitos imprescindíveis da liberdade e da dignidade humana, contra os sagrados direitos de Deus e da Igreja, sabia erguer-se como um gigante com toda a majestade da sua autoridade soberana. Então o seu "non possumus" fazia tremer e às vezes retroceder os poderosos da terra, animando ao mesmo tempo os hesitantes e galvanizando os tímidos.
   21- A esta força diamantina do seu caráter e da sua conduta, manifestada logo desde os primeiros dias do seu Pontificado, se deve atribuir, primeiro a estupefação e depois a aversão daqueles que quiseram fazer dele o "signum cui contradicetur", revelando assim o fundo escuro das suas próprias almas.
   22- Não há, pois, excessivo predomínio da fortaleza sobre a prudência. Ao contrário, estas duas virtudes, que dão como que o crisma àqueles a quem Deus predestina para governar, foram em Pio X equilibradas a tal ponto que, examinados objetivamente os fatos, ele se mostrou tão eminente numa, quanto excelso na outra. Não é porventura esta harmonia de virtudes, nas altas regiões do heroísmo, o selo da santidade perfeita?
   

domingo, 11 de março de 2018

MÉTODO PARA ASSISTIR COM FRUTO À SANTA MISSA (Extraído de S. Leonardo de P. Maurício)

INTRODUÇÃO

  Era opinião de S. João Crisóstomo( e também de S.Gregório) que, no momento em que o padre celebra a Missa, os céus se abrem, e multidões de anjos  descem do Paraíso para assistir ao Santo Sacrifício. S. Nilo, abade, discípulo do mesmo S. João Crisóstomo , afirmava que via, quando este santo doutor celebrava, uma grande multidão daqueles espíritos celestes assistindo os ministros sagrados em suas augustas funções...
   Entre os hebreus, enquanto se celebravam os sacrifícios da antiga Lei, nos quais se ofereciam apenas touros, cordeiros e outros animais, era coisa digna de admiração ver com quanto recolhimento, modéstia e silêncio o povo todo acompanhava. E, se bem que o número de assistentes fosse incalculável, além de setecentos ministros que sacrificavam, parecia, no entanto, que o templo estava vazio, pois não se ouvia o menor ruído. Ora, se havia tanto respeito e veneração por estes sacrifícios que, afinal, não eram mais que uma sombra e figura do nosso, que silêncio, que atenção, que devoção não merece a Santa Missa, na qual o próprio Cordeiro Imaculado, o Verbo de Deus feito homem, se imola por nós.
   Bem o compreendia Santo Ambrósio. Após o Evangelho ele virava-se para o povo e o exortava a um piedoso recolhimento e impunha a todos guardar o mais rigoroso silêncio, não só proibindo a menor palavra, mas ainda abstendo-se de ficar raspando goela ou fazer qualquer ruído.E era obedecido. Dizia Santo Agostinho que um santo fervor como que contagiava a todos. Quem quer que assistisse à missa do Santo Bispo, sentia-se tomado de profundo respeito e comovido até ao fundo da alma, tirando assim grande proveito e acréscimo de graças.
  Hoje, infelizmente, até os fiéis não compreendem o valor do silêncio!!! Creio que também é falta de fé.
   Primeiro método: É o das pessoas que, de livro à mão, seguem atentamente todas as ações do sacerdote, a cada uma recitam outra prece vocal que lêem no livro, e  assim passam todo o tempo da Missa a ler. Não há dúvida que, se a essa leitura se junta a meditação dos grandes mistérios, é uma excelente maneira de assistir ao santo Sacrifício, e produz também grandes frutos. 
   São Leonardo considera este método fatigante.

   Segundo método: É o das pessoas que não se servem de livros e não lêem absolutamente nada durante todo o tempo do santo Sacrifício , mas que, com viva fé, fixam os olhos da alma em Jesus crucificado, e, apoiados na árvore da cruz, dela recolhem os frutos por meio de doce contemplação. Passam todo o tempo em piedoso recolhimento interior e na consideração dos sagrados mistérios da Paixão de Jesus Cristo, que são não somente representados, mas misticamente reproduzidos no santo Sacrifício. É certo que estas pessoas, mantendo suas almas assim recolhidas em Deus, exercem atos heróicos de fé, de esperança e de caridade e de outras virtudes, e não há dúvida que esta maneira de assistir à Santa Missa é muito mais perfeita que a primeira, e também mais doce e mais suave, como atesta a experiência de um bom irmão converso. Costumava ele dizer que, ao ouvir a Missa, não lia mais que três letras: a primeira, negra, era a consideração de seus pecados que lhe produziam confusão e arrependimento, e ocupava-o desde o começo ao ofertório. A segunda letra era vermelha: a meditação da Paixão de Cristo, na qual considerava o precioso Sangue que Jesus derramou por nós no Calvário, sofrendo morte tão cruel; nisto se entretinha até à comunhão. A terceira letra era branca:. Enquanto o sacerdote,scomungava, ele se unia a Jesus pela comunhão espiritual, ficando em seguida todo absorto em Deus, contemplando a glória eterna que esperava como fruto do divino Sacrifício. (Ele fazia só a comunhão espiritual, porque naquela época não era permitida a comunhão quotidiana).Esse homem simples, continua S. Leonardo, ouvia a Missa com grande perfeição e quisera eu que todos aprendessem dele tão alta sabedoria.

MÉTODO DE SÃO LEONARDO (Resumo)
   Logo que a Missa começa, enquanto o padre se humilha ao pé do altar, dizendo o Confiteor, fazei também um pequeno exame, excitai em vosso coração um ato de contrição sincera, pedindo a Deus perdão de vossos pecados, e implorando o auxílio do Espírito Santo e da Santíssima Virgem Maria, a fim de ouvir essa Missa com todo o respeito e devoção possíveis. Em seguida, dividi em quatro partes o tempo da Missa, para, nestas quatro partes, vos desobrigardes dos quatro grandes deveres, que são os fins para os quais é celebrado o Santo Sacrifício da Missa.
   PRIMEIRA PARTE: Desde o começo até o Evangelho. Cumpris o primeiro dever de honrar e louvar a majestade de Deus, digno de receber honras e louvores infinitos.É o primeiro fim da Missa, chamado fim latrêutico: ADORAR.  Para isso humilhai-vos com Jesus, abaixando-vos na consideração de vosso nada,e confessai sinceramente que nada sois absolutamente diante da imensa Majestade Divina. Dizei-lho, humilhando-vos não só em vosso coração. como também exteriormente, pois importa assistir à Santa Missa com uma atitude recolhida e modesta. Continuai a fazer muitos atos interiores, comprazendo-vos de que Deus seja infinitamente honrado, e repeti muitas vezes: "Sim, meu Deus, regozijo-me da honra infinita que resulta deste santo Sacrifício, para vossa Majestade; felicito-me e regozijo-me quanto posso".
   Não vos preocupeis em observar à risca as palavras que vos indico, mas usai aquelas que vos inspirar vossa piedade, mantendo-vos recolhido e unido a Deus, Desde modo cumpris o primeiro dever para com Deus: ADORÁ-LO.
   SEGUNDA PARTE: Deste o Evangelho até á Elevação: Cumpris o segundo dever de pedir perdão dos pecados. Este é um outro fim da Missa, chamado propiciatório: PEDIR PERDÃO. Lançando um rápido olhar aos vossos pecados; e vendo a dívida imensa que por eles contraístes com a Justiça divina, dizei com o coração humilhado: "Meu Jesus Bem-Amado, dai-me as lágrimas de Pedro, a contrição de Madalena, e a dor daqueles pecadores que, depois de terem sido grandes pecadores, se tornarm verdadeiros penitentes, a fim de que, por esta Missa, eu obtenha o mais completo perdão de meus pecados. Repeti muito destes atos de profunda e sincera contrição. Dai livre curso a vossos sentimentos e, sem confusão de palavras, mas do fundo do coração. Fazendo estes muitos atos de contrição, todo recolhido em Deus,  ficai certo de que assim pagareis completamente todas as dívidas que, por vossos pecados, contraístes com Deus.
   TERCEIRA PARTE: Depois da elevação até à Comunhão: Cumpris o terceiro dever de agradecer a Deus as graças recebidas. É outro fim da Missa chamado eucarístico: AGRADECER. Considerai os imensos benefícios de que foste cumulado e, em troca, oferecei a Deus um presente de valor infinito: o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Convidai mesmo todos os anjos e santos a render graças a Deus, por vós, da maneira seguinte: "Eis-me aqui, meu amado Senhor, cumulado de benefícios tanto gerais como particulares, que concedestes e quereis concder-me no tempo e na eternidade. Reconheço que vossas misericórdias para comigo foram e são infinitas. Eis aqui, portanto, em reconhecimento e em paga, este sangue divino, este corpo sacratíssimo , que vos apresento pela mão do sacerdote. Ó queridos santos, meus advogados, agradecei por mim a Deus a sua bondade, não viva eu e morra como ingrato, Poço-vos, suplicai-lhe aceitar minha boa vontade e levar em conta o agradecimemto cheio de amor, que, por esta missa, lhe oferece, por mim, o meu Jesus". Devemos repetir muitas vezes estes atos de ações de graça pelos benefícios recebidos da Bondade divina.
   QUATA PARTE: Depois da Comunhão até o fim da Missa: Cumpris o quarto dever que é o de pedir novas graças. É o fim da Santa Missa chamado impetratório: PEDIR GRAÇAS. Depois da comunhão sacremental do sacerdote e depois que comungardes também sacramentalmente, ou, senão for o caso, depois que fizerdes a comunhão espiritual, podeis e deveis pedir a Jesus novas graças. Comtemplando a Deus nos íntimo de vosso coração, não receeis pedir-Lhe muitas graças, pois neste momento Jesus une-se todo a vós e Ele mesmo ora por vós. Expandi, portanto, vosso coração, pedindo, não coisas de somenos importância, mas grandes graças, já que tão grande é a oferenda que Lhe fazeis, o seu divino Filho. Dizei-Lhe então com o coração repleto de humildade:"Ó meu Deus, reconheço-me por demais indigno de vossos favores; Não mereço ser atendido. Como poderíeis, porém, deixar de escutar vosso divino Filho, que, sobre este altar, pede por mim, oferendo-Vos a sua vida e o seu sangue?"
   Pedi graças para vós, para as crianças, para vossos amigos, parentes e conhecidos; implorai socorro para todas as vossa necessidades espirituais e temporais, rogai para a santa Igreja a plenitude de todos os bens e o fim de todos os males. E não o façais com negligência, mas com grande confiança, seguros de que vossas orações, unidas às de Jesus, serão atendidas. Saí da Igreja com o coração conpungido, como se descêsseis do Calvário.
   Dizei-me agora: se tivésseis ouvido deste modo todas as missas às quais assististes até ao presente, de quantos tesouros não teríeis enriquecido vossa alma!?
   No fim de seu livro sobre "As excelências da Santa Missa" São Leonardo traz alguns exemplos para excitar os padres e os fiéis, a uma grande devoção à Santa Missa. Vou transcrever apenas três.

EXEMPLOS
   1º - A piedosa rainha Maria Clemtina, que morreu em Roma com 33 anos de idade e foi assistida no hora da morte pelo mesmo São Leonardo de Porto Maurício. Diz este santo Missionário: "Como a própria Maria Clementina se dignou dizer-me muitas vezes, punha todas as suas delícias em assistir ao divino Sacrifício e cada dia ouvia quantas Missas podia, Mantinha-se imóvel, diz S. Leonardo que o presenciou muitas vezes, sem almofadas, sem apoio , imóvel como uma estátua. Sua carruagem, continua S. Leonardo, percorria a toda velocidade as ruas de Roma, a fim de permetir-lhe chegar a tempo nas diversas igrejas." Esta santa rainha era dirigida espiritualmente por S. Leonardo. Ele afirma que Maria Clementina lhe escreveu um carta jé no leito de morte onde ela afirma que morria porque seu coração não agüentava mais o ardente desejo de receber Jesus todos os dias. E isto naquela época não era permitido.  

  2º - Fora de Roma, diz São Leonardo, conheço uma grande princesa, ilustre tanto por sua piedade como pelo seu nascimento, que ouve cada manhã várias missas, e ocupa suas damas nos trabalhos destinados ao altar, a ponto de enviar caixas cheias de corporais, manustérgios e outras peças semelhantes aos missionários e pregadores, para que as distribuam às igrejas pobres e a fim de que o divino Sacrifício seja oferecido a Deus com toda pompa, decência e solenidade adequadas.

   3º- Para ouvir a Missa Santa Isabel da Hungria se dirigia com grande pompa à igreja. Mas para assistir o Santo Sacrifício da Missa, retirava da cabeça a coroa, os anéis dos dedos, depunha seus ornamentos de rainha, e cobria-se com um véu, ficando em atitude tão modesta que jamais foi vista desviar sequer os olhos. Tudo isso agradou de tal modo a Deus, que Ele quis manifestá-lo a todos: durante a Missa, a Santa aparecia envolta de tal claridade que se velavam de deslumbramento os olhos dos assistentes; parecia-lhes comtemplar um anjo do Paraíso.
São Leonardo apresenta inúmeros exemplos e de todas as classes de pessoas. Mas não posso cançar-vos.
Não posso, porém, deixar de fazer-vos uma pergunta: Diante do que vemos hoje, há ou hão motivo de chorar?

quarta-feira, 7 de março de 2018

A DIGNIDADE DA MULHER

  A DIGNIDADE DA MULHER   
                                                                                                           Dom Fernando Arêas Rifan*            
               Amanhã é o dia internacional da mulher. Como todos os anos, prestamos aqui nossa homenagem a elas, pela sua excelente dignidade e valor diante de Deus e dos homens.           Na verdade, foi o cristianismo que salvou a dignidade da mulher! A história, nos testemunhos de Juvenal e Ovídio, nos conta que a moral sexual e a fidelidade conjugal, antes do cristianismo, estavam em extrema degradação. Constatamos isso, vendo atualmente a situação da mulher nos povos que não têm o cristianismo. No começo do século II, Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro. Galeno, médico grego do século II, ficava impressionado com a retidão do comportamento sexual dos cristãos. Os próprios historiadores são obrigados a confessar que foram os cristãos que restauraram a dignidade do matrimônio. 
           As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo (cf. Thomas E. Woods Jr, “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”).
Isso confere com o que ensina Papa S. João Paulo II: “Cristo se constituiu, perante os seus contemporâneos, promotor da verdadeira dignidade da mulher e da vocação correspondente a tal dignidade. Às vezes, isso provocava estupor, surpresa, muitas vezes raiando o escândalo: ‘ficaram admirados por estar ele conversando com uma mulher’ (Jo 4, 27), porque este comportamento se distinguia daquele dos seus contemporâneos. Em todo o ensinamento de Jesus, como também no seu comportamento, não se encontra nada que denote a discriminação, própria do seu tempo, da mulher. Devemos nos colocar no contexto do ‘princípio’ bíblico, no qual a verdade revelada sobre o homem como ‘imagem e semelhança de Deus’ constitui a base imutável de toda a antropologia cristã.‘Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou, criou-os homem e mulher’ (Gn 1, 27). Os dois são seres humanos, em grau igual, ambos criados à imagem de Deus” (Mulieris dignitatem, sobre a dignidade e a vocação da mulher).
        Mas, “a igualdade de dignidade não significa ser idêntico aos homens. Isso só empobrece as mulheres e toda a sociedade, deformando ou perdendo a riqueza única e valores próprios da feminilidade. Na visão da Igreja, o homem e a mulher foram chamados pelo Criador para viver em profunda comunhão entre si, conhecendo-se mutuamente, para dar a si mesmos e agir em conjunto, tendendo para o bem comum com as características complementares do que é feminino e masculino” (S. João Paulo II, Mensagem sobre a mulher, 26/5/1995).
        Dizemos hoje, como fez S. João Paulo II (Carta às Mulheres, 29/6/1995), o nosso muito obrigado às mulheres, a todas e a cada uma, representadas na mulher-mãe: “Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida”.
*Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney
        

É PRECISO LUTAR E VENCER AS TENTAÇÕES DO DEMÔNIO



"Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio, porque nós não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, conta os espíritos malignos espalhados pelos ares. Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e ficar de pé depois de ter vencido tudo. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestindo a couraça da justiça, e tendo os pés calçados para ir anunciar o Evangelho da paz; sobretudo tomai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do maligno; tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito(que é a palavra de Deus), orando continuamente em espírito, com toda a sorte de orações e de súplicas, e vigiando nisto mesmo com toda a perseverança..." (Efésios, VI, 11-18).

O Apóstolo S. Paulo, num belíssimo surto de oratória, descreve o aparelhamento que tornará o homem apto para o tremendo combate contra os demônios. Na verdade, a vida cristã é uma luta; luta esta, aliás, muito penosa, tanto mais que ela é diuturna e só termina com a morte. Não há, porém, combate de mais capital importância, pois, que nele se joga a vida eterna.

"Não temos  -  diz o Apóstolo  -  que lutar contra a carne e o sangue", isto é, contra os homens, pois estes seriam menos terríveis, "mas contra os príncipes, contra as potências, contra os dominadores desse mundo de trevas, contra os espíritos maus espalhados pelos ares". Em geral, as tentações que nos vêm  pelas criaturas humanas são mais abertas e por isso mesmo muito menos pérfidas. Mas o demônio, príncipe deste mundo, homicida, invejoso,  pai da mentira e serpente astuta, ele dissimula-se, e faz até a pobre alma achar que só será feliz satisfazendo suas paixões. Este nosso adversário, além de invisível é também mais forte que o homem.Tem a seu favor dois cúmplices fortíssimos: a concupiscência da carne e o mundo.  Muito tenaz pela inveja que o consome, volta à carga e redobra os golpes. Caríssimos, prestai bem atenção que S. Paulo nomeia os PRÍNCIPES, as POTÊNCIAS, os DOMINADORES deste mundo de trevas. Isto está a indicar que o Apóstolo se refere aos demônios das ordens superiores. Na verdade, cotejando todas as passagens dos Evangelhos em que Jesus Cristo, Nosso Senhor, fala dos demônios, podemos afirmar, sem medo de errar, que, embora todos sejam maus, há alguns piores e mais terríveis. Entre eles há alguns cuja força é dez vezes, cem vezes, mil vezes talvez superior a dos outros. Os exorcistas tocam de perto esta realidade. Um exemplo destes demônios mais terríveis, é aquele que os Evangelhos chamam de demônio MUDO. S. João Bosco escrevendo sobre o sacramento da confissão, ao falar sobre este demônio, diz: "Quantas almas este demônio perde!!! Minha mão treme ao escrever sobre ele!" Este demônio mudo procura levar as pessoas a não orar e a não se confessar, ou a fazer mal estas duas coisas. Outro demônio terrível é o que a Bíblia no livro de Tobias denomina ASMODEU (que significa DEVASTADOR). Segundo o famoso exorcista, faz pouco tempo falecido, o Padre Gabriele Amorth, este demônio é o que procura devastar as famílias. Demônios terríveis, outrossim, são aqueles que trabalham para fazer cair as almas sacerdotais e consagradas a Deus. Estes demônios perdem almas, digamos assim, por atacado.

No intuito de tranquilizar as almas timoratas e escrupulosas, mister se faz lembrar que, embora seja tamanha a força dos demônios que realmente os torna temíveis, no entanto, é certo que eles não são invencíveis. As criaturas humanas fracas e inexperientes, pela graça de Deus e empregando as armas acima indicadas por S. Paulo, têm o poder de vencer o demônio. E isto é de fé: "Deus é fiel e nunca permite que sejamos tentados acima das nossas forças" (1 Cor. X, 13). S. Tiago também diz: "Resisti ao diabo e ele fugirá de vós" (Tiago IV, 7). Diz ainda: "Seja-vos motivo de júbilo vos achardes expostos a provação, a tentações de toda sorte" (Tiago I, 2).

Caríssimos, a vitória contra o demônio é questão de vontade. Devemos ter vontade firme em empregar as armas contra os dominadores do mundo. O que há no mundo, diz São João, é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida. Portanto o demônio só tem domínio sobre aqueles que, resistindo as graças de Deus, se deixam levar pelo orgulho, avareza e luxúria, ou também pelos outros vícios capitais.

Analisemos, portanto, as armas indicadas por São Paulo para nos garantir a vitória: "Tomai a armadura de Deus": a primeira e principal arma a nossa disposição é a oração. Com a oração humilde podemos dizer com S. Paulo: "Tudo posso n'Aquele que me conforta". Deus dá a graça aos humildes. Através da oração humilde, Deus nos reveste de Sua armadura inexpugnável. Assim, malgrado as tentações, podemos permanecer de pé na graça de Deus e vencer sempre todos os ataques dos demônios, mesmo os  dos mais terríveis. "Tendo cingido os vossos rins com a verdade": realmente, a adesão irrestrita às verdades do Evangelho vence todas as heresias de todos os séculos. "Vestindo a couraça da justiça": S. Paulo dá-nos a entender que o homem justo, ornado de todas as virtudes torna-se invulnerável. "Tendo os pés calçados para ir anunciar o Evangelho da paz": devemos ser zelosos das nossas almas e das almas de nossos irmãos. Daí, o dever de estarmos prontos a fugir da tentação que nos assalta e a correr em socorro do próximo quando estiver para sucumbir. É óbvio que esta missão é específica dos sacerdotes e, portanto, mais do que para os leigos, é para eles de premente necessidade. "Sobretudo tomai o escudo da fé": esta arma é fundamental, porquanto a fé intrépida do cristão ensina-lhe a opor à solicitações do inimigo a lembrança das verdades eternas para moderar-lhes o ardor e quebrar-lhes a violência. "Tomai também o elmo da salvação": pode ser traduzido também "cobri-vos com a capacete da esperança", pois tal como o capacete protege a cabeça, a esperança nos protege nos tempos de perseguições, animando-nos com a promessa dos bens futuros. Se na tentação pensarmos no céu, toda renúncia nos parecerá palha e bolha de sabão diante da glória que nos espera. "Empunhai a espada da palavra de Deus": como o soldado com a espada atacava e avançava, assim, armado de toda palavra de Deus, o cristão poderá atacar o inimigo de sua alma e avançar de perfeição em perfeição até o ápice da santidade.

Caríssimos, uma última observação: A Sagrada Escritura , embora não oculte a força misteriosa dos demônios, ressalta ao mesmo tempo que todo poder da ação demoníaca deve reconhecer a absoluta subordinação à vontade de Deus. Haja vista o exemplo de Jó, contra o qual precisou satã de uma permissão de Deus.

terça-feira, 6 de março de 2018

Aberrações ensinadas pelo ISPAC em Belo Horizonte

OBSERVAÇÃO: Trata-se, mais uma vez, de um artigo do saudoso erudito Gustavo Corção, artigo este extraído do livro A TEMPO E CONTRA TEMPO, escrito em 8-6-1968.
   Talvez alguém ou até muitos perguntem o porquê da transcrição de assuntos tão antigos! É porque a História é mestra da vida. 
   Li em 23-06-2015 um artigo no conceituado site "FRATRES IN UNUM": A CNBB decrépita e a Juventude da Fé Católica" e li também em (05/03/2016) "CNBB PROFÉTICA.   Fiz do primeiro artigo  um comentário onde afirmo que, com poucas exceções, são os bispos no mundo todo que estão tirando o fé do povo. Pois bem, disse que no decurso de uns longos 50 anos, venho acompanhando a derrocada da fé, crise esta perpetrada por aqueles mesmos que deveriam ser os guardas da mesma fé. . É a autodemolição. Mas ainda em 1968, pelo menos no Brasil, bispos esquerdistas e progressistas eram minoria. Se Corção fosse vivo hoje teria a nímia facilidade em provar o contrário: os bons bispos constituem minoria inexpressiva (não só numérica como ativamente). 
   Pelo artigo de Gustavo Corção podemos averiguar que o mau fermento do esquerdismo e progressismo, logo após o Concílio Vaticano II, já levedava a massa da crise atual. Eis o artigo:


"O EPISCOPADO brasileiro conta com muitos bispos sábios e veneráveis. Posso até afiançar, e poderia provar, que é uma pequena minoria a famosa ala de bispos esquerdistas ou progressistas, que se inculcam como interessados pela melhoria de condições sociais, e que insinuam que todos os que deles descordam só o fazem para defender o status quo e para impedir as ditas melhorias sociais do Brasil. Torno a dizer: graças a Deus constitui minoria (e só não digo inexpressiva minoria porque esses poucos são excessivamente expressivos) a parte do episcopado que mais se interessa pela promoção de suas ideias do que pelo zelo da boa doutrina.
A grande parte do episcopado continua, digo melhor, permanece onde o Cristo Jesus recomendou que permanecesse (Jo. XV). Mas depois desta sincera e consoladora declaração, não vejo como explicar e como ocultar a inquietação diante do que se faz atualmente no Brasil sob o olhar aprovador da Conferência Nacional dos Bispos e, portanto, sob a mesma aprovação dos bispos que não são modernistas e transviados.
Como exemplo dou abaixo duas transcrições do que se ensina no ISPAC  de Belo Horizonte. em cursos para formação de catequistas, começando em 2 de março, foram abordados vários assuntos, e distribuídas as apostilas respectivas. A que tenho diante dos olhos refere-se ao tema "secularização" e constitui uma das novidades da onda de apostasia que corre o mundo.

Eis as duas passagens que colhemos entre outras equivalentes, e que transcrevemos, pedindo ao leitor desculpas pelo mau português que não é nosso:

   "DESPEDIDA DO CRISTIANISMO TRADICIONAL - Notamos, em nossos dias, uma deseclesialização;  cada vez mais a gente fica por fora da Igreja com suas práticas tradicionais. Uns porque não concordam com o cristianismo em sua forma tradicional. Esta é por demais estranha ao mundo de hoje. Outros são mais indiferentes: não apenas o cristianismo tradicional está ultrapassado mas também a religião como tal (pois pertence a uma forma de cultura anterior). Mais outros dizem: sei que creio, mas sei também que a fé se torna discutível. Vamos procurar! Parece que a última posição é a mais comum: procurar uma resposta, uma nova forma de cristianismo. Isto é um sinal feliz. Pois enquanto há procura há também esperança. Os melhores livros atuais não são aqueles que já têm a resposta pronta, mas os que partem da realidade e sua problemática e tentam descobrir de que é que se trata afinal. As respostas antigas não satisfazem, pelo menos não na forma tradicional. Novas respostas ainda não há. Estamos numa fase de transição. Em tudo isto trata-se, em primeiro lugar, de cristianismo tradicional. Acabou. Existem várias opiniões a respeito deste fenômeno... A expressão "Deus morreu, nós o matamos", não é nova. Já a encontramos na obra de Nietzsche... A expressão "Deus morreu" pode significar: rejeitar a imagem tradicional de Deus, feita à imagem do homem, projetada a partir da incapacidade de dominar o mundo e a natureza; pode ser rejeitar o cristianismo tradicional, de um cristianismo estranho à vivência atual do mundo; pode ser também aceitar uma atitude ateísta na qual o homem se responsabiliza pelo mundo... e este modo de pensar é a tentativa de refletir sobre a fé, não na maneira de adaptação, mas na base da ruptura total com a tradição, para fundar a vida cristã, mas salvando a plena responsabilidade intramundana pelo mundo, pela história. Nestas tentativas nem tudo mostra madureza de pensamento. Há também disparates. Aliás, nem todos esses teólogos concordam entre si. Combatem-se mutuamente. Mas em todo o caso trata-se de uma séria tentativa, geralmente de jovens (está dito tudo!!) para situar o cristianismo no futuro próximo". 

   Agora eu. Torno a pedir desculpas ao leitor pelo mau português e pelo bestialógico. Feitos esses descontos, o que sobra é simplesmente o seguinte: o ISPAC, Instituto Superior de Pastoral Catequética, em Belo Horizonte, como aliás no Rio e em outros pontos do país, está ensinando os caminhos da apostasia, da blasfêmia, da negação de Deus, da recusa do cristianismo, a umas pobres freiras apatetadas, ou a uns jovens inebriados pelo incenso com que são adorados. Bem sei que esses professores são, antes de tudo, uns pobres idiotas que talvez não saibam o que fazem.

   O movimento modernista que aflige a Igreja e perde as almas se compõe, como é regra nestes casos, de uma pequena parte de perversos e uma multidão de idiotas. Seja como for, o resultado bruto é uma monstruosidade que me leva a clamar, a gritar, aos ouvidos dos bispo do Brasil.

   Onde estais? Como podeis admitir que tais coisas se ensinem com o apoio, as bênçãos e as verbas da Conferência Nacional dos Bispos? Como entender que os descendentes dos apóstolos se tenham tornado tão insensíveis à Sagrada Doutrina que tem por assinatura o preciosíssimo sangue de nosso Salvador? Onde está a Fé de nossos Bispos? Onde a autoridade? Onde o amor pela Igreja? Onde a devoção pelas palavras de vida?

   O pobre imbecil que ditou as palavras acima transcritas acaba de descobrir que a tradição católica é a da partida para novas procuras, porque onde há procura há esperança. De onde eu concluo que, na doutrina desse frade franciscano de Divinópolis, só há esperança onde faltar a fé.

   Veja bem o leitor: nenhum de nós ignora que a vida seja uma procura perpétua, um esforço contínuo. Todos nós procuramos os caminhos para melhor servir à vontade de Deus. Às vezes entendemos mal a irrepreensível Providência. Nenhum de nós se gaba de ter chegado a uma forma, a um padrão de vida satisfatório. Mas o que esse frade apóstata nos diz é que o própria palavra de Deus não é de Deus. Estivemos iludidos até aqui. Foi falso o ensinamento da Igreja durante vinte séculos. Sim, durante vinte séculos a Igreja ensinou a um povo boboca uma história parecida com a do Papai Noel, que traz brinquedos no noite de 24 de dezembro. Agora, depois do Concílio, abrimos os olhos, descobrimos os pêlos do corpo, somos adultos, e podemos tranquilamente deitar pela janela os algodões e os cetins da fantasia do pobre Papai Noel.

   Há ainda uns bobos que creem, mas o ISPAC está atento e pronto para soerguer do chão da crença elementar esses pobres retardatários...

   Detenho-me aqui exausto, sem saber continuar este artigo. Provavelmente hão de achar que sou eu quem está fazendo o escândalo dentro da Igreja. 

                                                                                            8-6-68 

OBSESSÃO DIABÓLICA



"Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar" (1 Pedro V, 8).

Extraí este artigo, em quase sua totalidade, do COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA escrito pelo célebre teólogo Padre Ad. Tanquerey.

Caríssimos, primeiramente é de grande utilidade trazer aqui a observação inicial do autor: "Sobre a ação do demônio, diz Tanquerey, há dois extremos que evitar: há quem lhe atribua todos os males que nos sucedem; é esquecer que existem em nós não só estados mórbidos que não supõem qualquer intervenção diabólica, mas também as tendências más que vêm da tríplice concupiscência, e que estas causas naturais bastam para explicar muitas tentações. Outros há, pelo contrário, que, esquecendo o que a S. Escritura e a Tradição nos dizem da ação do demônio, não querem admitir em caso algum a sua intervenção. Para nos conservarmos no justo meio, a regra que devemos seguir é não aceitar como fenômenos diabólicos senão aqueles que, ou pelo seu caráter extraordinário, ou por um complexo de circunstâncias denotem a ação do espírito maligno".

 O que é afinal obsessão diabólica? "A obsessão é em substância uma série de tentações mais violentas e duradouras que as tentações ordinárias. "É externa, quando atua sobre os sentidos externos, por meio de aparições; interna, quando provoca impressões íntimas. É raro que seja puramente externa, visto o demônio não atuar sobre os sentidos senão para perturbar mais facilmente a alma. Há, contudo, Santos que, com serem obsediados exteriormente por toda a qualidade de fantasmas, conservam na alma uma paz inalterável".

1º - "O demônio pode atuar sobre todos os sentidos externos: a) Sobre a vista, aparecendo umas vezes em formas repelentes, para aterrar as pessoas e afastá-las da prática das virtudes (...); outras, em formas sedutoras, para atrair ao mal, como sucedeu frequentes vezes a Santo Afonso Rodrigues. (Hoje podemos dar exemplos na vida do Padre Pio de Pietrelcina). b)  Sobre o ouvido, fazendo escutar palavras ou cantos blasfemos ou obscenos, como se lê na vida de Santa Margarida de Cortona; ou fazendo algazarra, para atemorizar, como sucedia ao Santo Cura d'Ars. c) Sobre o tato, de duas maneiras, infligindo golpes e feridas, como se lê nas bulas de canonização de Santa Catarina de Sena, de S. Francisco Xavier, e na vida de Santa Teresa (...).

Há casos, como nota o P. Schram, em que estas aparições são simples alucinações, produzidas por uma super-excitação nervosa; ainda mesmo nesse caso, são temerosas tentações.

2º - "O demônio atua também sobre os sentidos internos, a imaginação e a memória, e sobre as paixões, para as excitar. Como contra a própria vontade, é o homem invadido por imagens importunas, obsessoras, que persistem a despeito de enérgicos esforços; sente-se empolgado pela efervescência da cólera, pelas ânsias do desespero, por movimentos instintivos de antipatia, ou, ao contrário, por ternuras perigosas e que nada parece justificar. Não há dúvida que é por vezes dificultoso decidir se há obsessão verdadeira; mas, quando estas tentações são juntamente repentinas, violentas, persistentes e difíceis de explicar por uma causa natural,[sublinhado meu] pode-se ver nelas uma ação especial do demônio. Em caso de dúvida, é bom consultar um médico cristão, que possa examinar se estes fenômenos não serão devidos a um estado mórbido..."

Como deve proceder o Diretor Espiritual em relação às vítimas de obsessão diabólica? Diz Tanquerey: "Deve juntar a prudência criteriosa com a bondade mais paternal.

a) É claro que não há de crer, sem provas sérias, numa verdadeira obsessão. Haja, porém, ou não obsessão, deve o diretor ter compaixão dos penitentes assaltados de tentações violentas e persistentes, e sustentá-los com sábios conselhos (...).

b) Se, na violência da tentação, se produziram desordens sem consentimento algum da vontade, lembrar-lhes-á que não há pecado sem consentimento. Em caso de dúvida, julgará que não houve falta, ao menos grave, quando se trata de pessoa habitualmente bem disposta.
c) Tratando-se de pessoas fervorosas, perguntar-se-á a si mesmo o diretor se essas tentações persistentes não farão talvez parte das provações passivas... e neste caso, dará a essas pessoas os conselhos apropriados ao seu estado de alma.

d) Se a obsessão diabólica é moralmente certa ou muito provável, podem-se empregar, PRIVADAMENTE, os exorcismos prescritos pelo RITUAL ROMANO, ou fórmulas resumidas: neste caso, é bom não prevenir a pessoa que se vai exorcizá-la, havendo receio de que esta declaração lhe perturbe e exalte a imaginação; basta avisá-la de que se vai recitar sobre ela uma oração aprovada pela Igreja. Quanto aos exorcismos SOLENES, não é permitido empregá-los senão com licença do Ordinário, e com as precauções..." [que foram expostas quando falamos da possessão].

 Quero expor um exemplo que não é dado por Tanquerey mas que dele fui testemunha: Faz já alguns anos quando fui transferido de uma paróquia para outra. E a primeira coisa que topei na nova paróquia foi um caso que me pareceu preternatural, ou seja, de uma ação do demônio. Um menino, aliás não inteiramente normal mentalmente, mas, como usamos dizer aqui, um pouco retardado, fora por muito tempo molestado pelo demônio.  Suas roupas que estavam no varal dentro de casa e à noite,  eram jogadas pelo chão. Às vezes, o menino amanhecia vestido de mulher. Embora à noite ninguém visse, e as portas e janelas fechadas, apareciam pedras e barros dentro da casa onde estava o menino. Como já faz muitos anos, não me lembro de tudo.  O pároco já havia feito exorcismos e levou até o Santíssimo para benzer a casa. Mas os fenômenos continuavam e por meses e meses. Bom! Primeiro pedi que vigiassem dia e noite o menino, sem ele perceber, é óbvio. Ficou constatado que não era ele que fazia tudo aquilo, mas o fato é que não viam ninguém fazendo.  Instruído já por um fato acontecido em outra paróquia, disse para seus pais de criação que procurassem averiguar bem se aquele menino era batizado. Todos achavam que sim, tanto que já tinha feito a primeira comunhão e se confessava e comungava regularmente. Mas, averiguando cuidadosamente, fora constatado que não era batizado porque seus pais eram espíritas e o "batizaram" no Espiritismo. Foi logo preparado e foi batizado. E a partir do dia do batismo desapareceram todos aqueles fenômenos estranhos.E assim, podemos dizer que o feitiço virou contra o Feiticeiro! Amém!

segunda-feira, 5 de março de 2018

POSSESSÃO DIABÓLICA



Considerando que há muita desinformação atinente a este assunto tão angustiante, e isto até por parte de alguns exorcistas, achei por bem, visando a maior glória de Deus e o bem das almas, expô-lo aqui no meu modesto blog. 

Caríssimos e amados leitores, em primeiro lugar serão de enorme utilidade algumas noções preliminares.

É certo que o demônio pode, por permissão de Deus, exercer influência e dirigir ataques contra o homem, produzindo nos sentidos externos ou internos, operações e impressões, anômalas, dolorosas e/ou aflitivas. Radicalmente perverso e maligno, lança mão de quanto possa contrariar a glória de Deus e a felicidade do homem.

Jesus Cristo diz que o demônio é invejoso e homicida deste o início da humanidade. Realmente com o pecado original dos nossos primeiros pais, o inimigo das almas passou a ter um grande império e a exercer uma acerba tirania. Mas com a vinda de Jesus Cristo que venceu este príncipe do mundo, do orgulho, da avareza e da impureza, o domínio do demônio diminuiu muito e visa muito mais atormentar as almas antes do que os corpos, acorrentando-as (quando elas se afastam de Jesus) com as cadeias do pecado. Quem não está com Jesus, estará com o demônio, como afirmou o divino Mestre: "Quem não está comigo, está contra mim". Este ataque do demônio às almas, é feito ordinariamente através das tentações de que falaremos em outro artigo, se Deus quiser. O ódio insaciável que o Maligno tem à humanidade leva-o também a lançar mão de todos os meios e, se lhe for dado, descarregar também sobre o corpo os mais pesados golpes. São os ataques extraordinários: possessão e obsessão ou infestação.

O maior mal que pode acontecer a uma pessoa é ter sua alma possuída pelo demônio por meio do pecado mortal. É infinitamente pior do que a possessão porque esta atinge o corpo, e, só indiretamente, às vezes, atinge a alma. Mas como a possessão da alma pelo demônio é algo invisível, são poucas as pessoas que se preocupam em sair deste estado o mais lastimável possível.

Falemos, então, da possessão. "Dois elementos  -   diz o Pe. Tanquerey  -  constituem a possessão: a presença do demônio no corpo do possesso, e o império que ele exerce sobre esse corpo, e, por intermédio dele, sobre a alma. É este último ponto que nos cumpre explicar. O demônio não está unido ao corpo como a alma o está; não é com relação à alma senão um motor externo, e, se influi sobre ela, é por intermédio do corpo em que habita. Pode atuar diretamente sobre os membros do corpo e fazer-lhes executar toda a sorte de movimentos; indiretamente influi sobre as faculdades, na medida em que estas dependem do corpo para as suas operações". E continua o grande teólogo Padre Tanquerey: "Podem-se distinguir nos possessos dois estados distintos: o estado de crise e o estado de sossego. A crise é como uma espécie de acesso violento, em que o demônio manifesta o seu império tirânico, imprimindo ao corpo uma agitação febril que se traduz por contorções, explosões de raiva, palavras ímpias e blasfemas. Os pacientes parece que perdem então todo o sentimento do que neles se passa, e, voltando a si mesmos, não conservam lembrança alguma do que disseram ou fizeram, ou antes do que o demônio fez por eles. Só ao princípio é que sentem a irrupção do demônio; depois, parece que perdem a consciência de tudo isso".(...) "Nos intervalos de repouso, nada vem revelar a presença do espírito maligno: dir-se-ia que se retirou". [E aí alguns exorcistas se enganam]. 

Como dizia o afamado exorcista, o Padre Gabriele Amorth, recentemente falecido: o demônio, às vezes, demora muito tempo para sair de um possesso.

Se, por um lado, muitos exorcistas  menos avisados ou nímia e apressadamente crédulos, fazem em vão o exorcismo, quando deveriam encaminhar o paciente ao médico; por outro lado, às vezes,  manifesta-se a presença do demônio por uma espécie de enfermidade crônica que desconcerta todos os recursos da medicina. O exorcista prudente, quando subsiste alguma dúvida, deve enviar logo o paciente aos médicos. Daí, caríssimos leitores, será de suma importância conhecer os sinais certos da possessão diabólica:

Segundo o Ritual Romano Tradicional (De exorcizandis obsessis a daemonio), há três sinais principais que podem dar a conhecer a possessão: "ignota lingua loqui pluribus verbis vel loquentem intelligere", isto é, "falar uma língua desconhecida, fazendo uso de muitas palavras dessa língua, ou compreender quem a fala". Vede, caríssimos como o Ritual Tradicional é judicioso: "fazendo uso de muitas palavras dessa língua". (Certa vez, um pastor protestante fez um pretenso exorcismo de uma sua criada, querendo ela demonstrar que estava possessa, falou algumas poucas palavras em grego e hebraico, só com um detalhe, que ela as havia aprendido adrede de seu amo. É preciso que todos saibam também que muitos pretensos exorcistas usam o hipnotismo de palco e enganam até multidões).  Mas passemos ao segundo sinal: "descobrir coisas remotas e ocultas". Por prudência, o exorcista deve hoje em dia, sobre tudo por causa da Internet, procurar indagar se a pessoa não soube através da mídia; e, em se tratando de predição do futuro, é prudente esperar se realmente vai realizar. Também o exorcista não deve deixar se enganar por predições vagas. Terceiro sinal: "dar mostra de energias que ultrapassam as forças naturais da idade ou da condição. É evidente que se reunirem estes três sinais é quase certo que se trate de possessão.  Os exorcistas devem ter cuidado porque o demônio pode também querer ridicularizar as coisas sagradas e zombar do próprio exorcista e enganar os fiéis. Que faz o Pai da Mentira? Tenta alguém a dissimular que está possesso.  E, então, o exorcista fica fazendo papel de palhaço e, pior ainda, usando inutilmente as coisas sagradas, e o que é mais grave, há padres que usam até a Hóstia Consagrada.

Caríssimos, se às vezes se enganaram alguns exorcistas, é porque se haviam afastado das regras traçadas pelo Ritual Tradicional. Para evitar esses erros, é oportuno fazer examinar o caso não somente por sacerdotes mas também por médicos católicos e de preferência, médicos especialistas em síndromes nervosas.

Indico sempre três grandes remédios contra a possessão: 1 - Purificação da alma com uma boa confissão, e de preferência, uma confissão geral. 2 - Usar a água benta, mas ter o cuidado de usar a água benta com o Ritual Romano Tradicional, que já inclui vários exorcismos. 3 - Ter o crucifixo em casa, e melhor ainda trazê-lo sempre consigo. Usar também a Medalha Milagrosa, a medalha de São Miguel Arcanjo e também a do Anjo da Guarda.

Para terminar, quero lembrar o frase de Santo Agostinho: "O demônio é um cão amarrado e só morde em quem dele se aproxima". Daí dizer São Paulo: "Não deis lugar ao demônio". Amém!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O SERMÃO DOS ANÁTEMAS


 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   No fim da tarde do Domingo de Ramos, Jesus sobe novamente o Monte das Oliveiras  e volta para à casa de seus amigos em Betânia. Será que ninguém ofereceu pousada ao recém aclamado Rei? 

   Mas nestes cinco dias, até sua prisão no Horto das Oliveiras, muitas coisas aconteceram. Jesus voltava a Jerusalém, oferecendo até o fim, oportunidade de conversão para os fariseus. Amaldiçoa uma figueira e no outro dia já está seca. É um ato que funciona qual parábola. Expulsa os vendilhões do templo. Desfaz por várias vezes as ciladas feitas a Ele. Jesus Cristo provou suficientemente a sua Divindade, rompendo as malhas destas redes de armadilhas, e deixa os astutos e maldosos fariseus reduzidos ao silêncio.

   Mas, talvez, o que mais prova sua Divindade nestas discussões com os seus figadais inimigos foi o discurso dos anátemas, discurso este lançado diretamente na cara dos inimigos e fê-lo com aquela autoridade que não tem similar entre os simples homens.

   Acabaram-se os chamamentos, e chega a hora terrível dos anátemas e da verdade nua e crua sobre o malévolo e orgulhoso espírito farisaico. Foi, de todos os discursos de Jesus, o mais terrível. A força da sua ira é tão fulminante como o império da sua doçura. Na verdade, já não havia nada a fazer com aqueles corações irredutíveis de orgulho.

   Como exórdio, Jesus começa por se dirigir a todos os ouvintes: "Os escribas e fariseus estão sentados na cátedra de Moisés. Fazei, pois, o que vos dizem, mas não façais o que fazem. Dizem e não fazem. Atam fardos pesados e insuportáveis, e os põem aos ombros dos outros; mas eles nem com um dedo estão dispostos a tocar-lhes. Tudo o que fazem, fazem-no para que os homens os vejam". "Por isso alargam as filatérias e aumentam as orlas dos mantos. E procuram  os primeiros lugares nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas. Procuram as saudações na praça e ficam inchados quando os homens lhes chamam rabi". 

   - Mas vós, - acrescenta Jesus, dirigindo-se aos seus discípulos - a ninguém chameis pai nesta terra, porque um só é o vosso Pai, que está nos céus. Nem vos chameis mestres uns aos outros, porque um só é o vosso Mestre, Cristo". 

   Até aqui, apenas o exórdio do discurso. De súbito, Jesus Cristo levanta a voz  e pronuncia grandes e terríveis maldições:

   - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que fechais aos homens o reino dos céus; porque nem vós entrais, nem quereis que os outros entrem!

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que devorais as casas das viúvas com o pretexto de fazer longas orações!

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que percorreis os mares e a terra para fazer um prosélito e, mal o conseguis, o converteis num filho do inferno, duas vezes pior do que vós!

    - "Ai de vós, guias cegos, que dizeis que jurar pelo templo não é nada e que o que obriga é jurar pelo ouro do templo! Néscios e insensatos, o que vale mais, o ouro, ou o templo que santifica o ouro!

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais dízimo da menta e do cominho e abandonastes as coisas essenciais da Lei, a justiça, a misericórdia e a fé! Devíeis observar estas, sem omitir aquelas. Guias de cegos, que filtrais um mosquito e engolis um camelo.

    "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que vos mostrais como sepulcros caiados, vistosos aos olhos dos homens e, por dentro, cheios de ossadas de mortos e de podridão asquerosa!..."

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos santos e afirmais que, se tivésseis vivido nos tempos antigos, não teríeis manchado vossas mãos com o sangue dos profetas! Vós mesmos o confessais; Sois dignos filhos dos que assassinaram os enviados de Deus. Acabai de encher a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras, como conseguireis fugir à eterna condenação? Por isso, eis que Eu vos envio profetas e sábios e escribas; e matareis alguns deles e crucificareis outros; outros ainda, haveis de os açoitar nas vossas sinagogas e perseguir de cidade em cidade, para que desça sobre vós todo o sangue vertido na terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que vós matastes entre o templo e o altar. Em verdade vos digo que tudo isto virá sobre esta geração".

   Caríssimos e amados irmãos, havia por detrás destes anátemas uma visão do futuro, um castigo. E Jesus, por isso, termina estas suas invectivas com um soluço vibrante de amor, pois tinha sido o amor que havia inspirado este requisitório supremo. À apóstrofe mais trágica junta-se uma exclamação transbordante de ternura: 

    - "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes Eu quis acolher teus filhos, com a galinha recolhe os pintainhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa fica deserta. Porque Eu vos digo: Não me vereis enquanto não disserdes: Bendito seja o que vem em nome do Senhor!"

    

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

OBRIGAÇÕES DE VÁRIOS ESTADOS DE VIDA



S. Antônio M. Claret

OBRIGAÇÕES DAS ESPOSAS
01.  Estimar seu marido.
02.  Respeitá-lo como a sua cabeça.
03.  Assisti-lo com toda diligência.
04.  Ajudá-lo com reverência.
04.  Responder-lhe com mansidão.
05.  Calar quando estiver zangado, e enquanto durar a zanga.
06.  Suportar com paciência seus defeitos.
07.  Repelir toda familiaridade.
08.  Cooperar com o marido na educação de seus filhos.
09.  Não desperdiçar as coisas e os bens de casa.
10.  Conservar boa harmonia com todas as pessoas da casa.

OBRIGAÇÕES DAS VIÚVAS
01.  Ser modelo de virtudes para as donzelas e casadas.
02.  Ser amiga de retiro.
03.  Ser inimiga da ociosidade.
04.  Amante da mortificação.
05.  Dada à oração.
06.  Zelosa de seu bom nome.

OBRIGAÇÕES DOS OPERÁRIOS E JORNALEIROS
01.  Oferecer a Deus com frequência todas as privações e fadigas.
02.  Trabalhar com toda diligência e exatidão.
03.  Não trabalhar nos domingos e dias santos de guarda.
04.  Não perder a paciência e nem blasfemar.
04.  Não reter as coisas alheias.
05.  Não ocasionar gastos, nem causar prejuízos a seus próprios patrões.
06.  Não perder tempo.
07.  Não faltar à palavra dada.
08.  No trabalho não murmurar, nem ter conversações livres, maliciosas e inconvenientes.

OBRIGAÇÕES DOS POBRES
01.  Resignar-se à vontade de Deus em sua pobreza.
02.  Não apropriar-se de coisas alheias nem mesmo sob o pretexto de necessidade.
03.  Esforçar-se para adquirir um honesto bem estar.
04.  Procurar enriquecer-se em bens eternos.
05.  Lembrar-se que Jesus Cristo e Maria Santíssima foram pobres.

OBRIGAÇÕES DE VÁRIOS ESTADOS DE VIDA


 S. Antônio M. Claret

OBRIGAÇÕES DOS CHEFES DE FAMÍLIA
01.  Sustentar a família conforme o próprio estado.
02.  Não dissipar os bens da família em jogos nem em vaidades.
03.  Pagar pontualmente o ordenado aos criados, jornaleiros, etc.
04.  Vigiar sobre os costumes de seus filhos e dependentes.
05.  Procurar que freqüentem a palavra de Deus e os santos Sacramentos.
06.  Corrigi-los com prudência.
07.  Castigá-los sem paixão de ira, etc.
08.  Tratá-los com benevolência.
09.  Tê-los ocupados.
10.  Assisti-los em suas doenças.
11.  Edificá-los com o bom exemplo.
12.  Encaminhá-los a Deus, e proporcionar-lhes bons mestres, patrões, etc.
13.  Procurar a devida separação entre pessoas de diferente sexo.
14.  Não admitir pessoa alguma que possa, com suas conversações, ou de qualquer outra maneira, ser motivo de escândalo à família.

OBRIGAÇÕES DOS FILHOS E DEPENDENTES
01.  Olhar e considerar os pais e patrões como representantes de Deus.
02.  Amá-los de coração.
03.  Respeitá-los devidamente e falar bem deles, tanto em sua presença como em sua ausência.
04.  Obedecer-lhes com prontidão.
05.  Servi-los com fidelidade.
06.  Socorrê-los em suas necessidades.
07.  Sofrer seus defeitos, calando sempre.
08.  Rogar a Deus por eles.
09.  Ter cuidado das coisas de casa.

OBRIGAÇÕES DOS MARIDOS
01.  Amar a sua esposa, como Jesus Cristo a Igreja.
02.  Não desprezá-la, porque é companheira inseparável.
03.  Ter cuidado dela, como guarda de sua pessoa.
04.  Sustentá-la com decência.
05.  Suportar seus defeitos com toda paciência.
06.  Assisti-la com caridade.
07.  Quando necessário, corrigi-la com benevolência.
08.  Não maltratá-la com palavras nem obras.
09.  Não fazer nem dizer coisa alguma diante dos filhos, ainda que pequenos, que possa ser para eles motivo de escândalo.

NB. Continua em próximas postagens. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

MÁXIMAS PARA CADA DIA DO MÊS


 S. Antônio M. Claret

01.  Deus me vê, Deus me ouve, Deus há de julgar-me.
02.  Deus é meu Criador, meu Redentor, meu Benfeitor, meu Pai: ousarei eu ofendê-Lo?
03.  A alma é minha, é uma só, é eterna... infeliz de mim se a perder!
04.  Se a alma se salvar, tudo está salvo; se ela se perder, tudo está perdido para mim e perdido para sempre.
05.  Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se perder sua alma?
06.  Não há paz, felicidade nem contentamento para quem vive apartado de Deus.
07.  A morte chega na hora menos pensada.
08.  Num instante se peca, num instante se morre, num instante se cai no inferno.
09.  A morte é conforme à vida: tal vida, tal morte.
10.  Fomos criados unicamente por Deus e para o Céu.
11.  Tudo é vaidade, menos amar a Deus.
12.  Um momento de prazer... e depois?... depois uma eternidade de tormentos!
13. Quem poderá habitar em meio do fogo devorador do inferno, e entre os ardores sempiternos?
14.  Que faria um condenado se tivesse o tempo que eu tenho? E eu, que faço?
15.  O inferno está cheio de bons desejos não levados a efeito.
16.  A estrada do céu é estreita e poucos são os que caminham por ela; a estrada do inferno é larga e muitos vão por ela. Convém viver com os poucos, para salvar-se com os poucos.
17.  Breve sofrer, e eterno gozar.
18.  Quem desprezar os pecados veniais, não tardará em cair nos mortais.
19.  Na hora da morte nada nos consolará senão as boas obras, nada nos dará pena senão o mal que houvermos feito.
20.  Foi conveniente que Jesus padecesse e assim entrasse na glória.
21.  Cristo em jejum, eu em fartura! Cristo pobremente vestido, e eu luxuosamente vestido? Cristo entre penas, e eu nadando em delícias?
22.  Faze agora o que quiseres ter feito na hora da morte, porque naquele instante quererás fazê-lo, mas não será tempo.
23.  Vigiai e orai para não cairdes em tentação: Jesus Cristo é quem nos avisa.
24.  É necessário orar e nunca deixar de o fazer.
25.  Sem fazer-se violência a si mesmo, não se entra no reino dos céus.
26.  Ai do mundo por causa dos escândalos; mais desgraçado ainda aquele por quem vier o escândalo. Jesus Cristo mesmo o diz.
27.  Que consolação recebem agora os condenados, dos deleites que gozaram neste mundo, com os quais compraram o inferno?
28.  Aquele que não faz o que pode para salvar sua alma, ou não tem fé, ou é um louco.
29.  Para salvar-se é preciso ter a eternidade na cabeça, Deus no coração, e o mundo debaixo dos pés.
30.  Se desejarmos entrar no céu, lembremo-nos que Maria é a porta do céu.
31.  O Anjo da guarda está sempre conosco; respeitemos sua presença, agradeçamos seu amor, confiemos em seu auxílio, e tenhamos uma terna devoção a S. José.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A IGREJA CORPO MÍSTICO DE CRISTO

A IGREJA CORPO "MÍSTICO" DE CRISTO

"Cristo é a Cabeça do Corpo da Igreja" (Colossenses I, 18).

"Ao meditar este ponto da doutrina católica ocorrem-nos logo aquelas palavras do Apóstolo: 'Onde o delito abundou superabundou a graça' (Rom V, 20). Sabemos que Deus constituiu o primeiro progenitor do gênero humano em tão excelsa condição, que com a vida terrena transmitiria aos seus descendentes a vida sobrenatural da graça celeste. Mas depois da triste queda de Adão toda a humana linhagem, infeccionada pela mancha original, perdeu o consórcio da natureza divina (cf 2 Ped I, 4) e todos ficamos sendo filhos de ira (Ef II, 3). Deus, porém, na sua infinita misericórdia 'amou tanto ao mundo que lhe deu seu Filho unigênito' (Jo III, 16); e o Verbo do Eterno Pai, com a mesma divina caridade, revestiu a natureza humana da descendência de Adão, mas inocente e imaculada, para que do novo e celeste Adão dimanasse a graça do Espírito Santo a todos os filhos do primeiro pai; e estes que pelo primeiro pecado tinham sido privados da filiação adotiva de Deus, pelo Verbo encarnado, feitos irmãos segundo a carne do Filho Unigênito de Deus, recebessem o poder de virem a ser filhos de Deus (Cf Jo I, 12).

"E assim Jesus Crucificado não só reparou a justiça do Eterno Pai ofendida, senão que nos mereceu a nós, seus consaguíneos, inefável abundância de graças. Estas graças podia Ele distribuí-las diretamente por si mesmo a todo o gênero Humano. Quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, a fim de que por meio dela todos fossem em certo modo seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada".
"Ora, para definir e descrever esta verdadeira Igreja de Cristo, - que é Santa, Católica, Apostólica Igreja Romana, nada há mais nobre, nem mais excelente, nem mais divino do que o conceito expresso na denominação "Corpo Místico de Jesus Cristo"; conceito que imediatamente resulta de quanto nas Sagradas Escrituras e nos escritos dos Santos Padres frequentemente se ensina".
"Que a Igreja é um corpo, ensinam-nos muitos passos da Sagrada Escritura. 'Cristo, diz o Apóstolo, é a Cabeça do Corpo da Igreja' (Col I, 18). Ora, se a Igreja é um Corpo, deve necessariamente ser um todo sem divisão, segundo  aquela sentença de Paulo: 'Nós, muitos, somos um só corpo em Cristo' (Rom XII, 5). E não só deve ser um todo sem divisão, mas também algo concreto e visível, como afirma Nosso Predecessor de feliz memória Leão XIII, na Encíclica 'Satis Cognitum': 'Por isso mesmo que é um corpo, é a Igreja visível aos olhos'.

"Estão pois longe da verdade revelada os que imaginam a Igreja por forma, que não se pode tocar nem ver, mas é apenas, como dizem, uma coisa 'pneumática' que une entre si com vínculo invisível muitas comunidades cristãs, embora separadas na fé."
"O corpo requer também multiplicidade de membros, que unidos entre si se auxiliem mutuamente. E como no nosso corpo mortal, quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele, e os sãos ajudam os doentes; assim também na Igreja os membros não vivem cada um para si, mas socorrem-se e auxiliam-se uns aos outros, tanto para mútua consolação, como para o crescimento progressivo de todo o Corpo".

"Mais ainda. Como na natureza não basta qualquer aglomerado de membros para formar um corpo, mas é preciso que seja dotado de órgãos ou membros com funções distintas e que estejam unidos em determinada ordem, assim também a Igreja deve chamar-se corpo sobretudo porque resulta de uma boa e apropriada proporção e conjunção de partes e é dotada de membros diversos e unidos entre si. É assim que o Apóstolo descreve a Igreja quando diz: 'como num só Corpo temos muitos membros, e os membros não têm todos a mesma função, assim muitos somos um só Corpo de Cristo, e todos e cada um membros uns dos outros' (Rom XII, 4).

"Não se julgue, porém, que esta bem ordenada e 'orgânica' estrutura do Corpo da Igreja se limita unicamente aos graus da hierarquia; ou, ao contrário, como pretende outra opinião, consta unicamente de carismáticos, isto é, dos fiéis enriquecidos de graças extraordinárias, que nunca hão de faltar na Igreja. É fora de dúvida que todos os que neste Corpo estão investidos de poder sagrado são membros primários e principais, já que são eles que, por instituição do próprio Redentor, perpetuam os ofícios de Cristo Doutor, Rei e Sacerdote. Contudo, os Santos Padres, quando celebram os ministérios, graus, profissões, estados, ordens, deveres deste Corpo Místico, não consideram só os que têm ordens sacras, senão também todos aqueles que, observando os conselhos evangélicos, se dão à vida ativa, ou à contemplativa, ou à mista, segundo o próprio instituto; bem como os que, vivendo no século, se consagram ativamente a obras de misericórdia espirituais ou corporais; e finalmente também os que vivem unidos pelo santo Matrimônio"


"Antes é de notar que, sobretudo nas atuais circunstâncias, os pais e as mães de família, os padrinhos e madrinhas, e notadamente todos os seculares que prestam o seu auxílio à Hierarquia eclesiástica na dilatação do reino de Cristo, ocupam um posto honorífico, embora muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade, que por promessa de Jesus Cristo nunca faltará na Igreja" (Todo o artigo compõe-se de excertos da Encíclica do Papa Pio XII "MYSTICI CORPORIS CHRISTI" - 1943).