quinta-feira, 29 de junho de 2017

O SACERDOTE É O AMOR DO CORAÇÃO DE JESUS


Catecismo do Santo Cura d'Ars sobre o Sacerdócio

   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 25 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
25º dia de junho

Somos não apenas imperfeitos, mas pecadores. E a missão principal de Jesus consiste precisamente em libertar-nos do pecado. São João Batista apontou a Jesus às margens do Jordão e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo". Jesus Cristo não veio apenas cobrir os nossos pecados. Isto é blasfêmia proferida por Lutero. Segundo o heresiarca, Jesus teria feito uma obra não de purificação interna através do Seu Sangue. E no entanto diz o Apocalipse: "Nos amou (Jesus Cristo) e nos lavou dos nossos pecados nos seu sangue" (Apoc. I, 5). Mas como o Coração de Jesus pleno de amor e misericórdia, aplica o preço infinito de seu Sangue derramado em sua Paixão e Morte e até a última gota através da abertura da lança feita em seu Coração já morto mas sempre unido à Divindade? Para apagar os nossos pecados, Jesus derrama sobre nós o seu sangue através do Sacramento da Penitência.  E aqui está a obra-prima da misericórdia do Coração de Jesus. Como a Santíssima Eucaristia, também o Sacramento da Confissão merece ser chamado o mistério do amor, o Sacramento do Coração de Jesus. É o mistério do amor indulgente até o ponto de esquecer a si mesmo.

Para aquilatarmos até onde vai a misericórdia do Coração de Jesus no Sacramento da Penitência, meditemos sobre o que aconteceu com os Anjos. Foram salvos do pecado por uma graça de preservação e os que foram infiéis a ela foram atingidos à primeira rebelião, sem esperança de perdão. Foi criado imediatamente o inferno, e os anjos maus foram os primeiros condenados a ele, à esta prisão eterna de tormentos. Entretanto, o homem, na verdade mais fraco e mutável, será objeto de uma conduta diversa da parte de Deus: o homem não se tornou impecável após o seu primeiro ato meritório e também não será atingido inexoravelmente após à sua primeira queda.

O homem terá que lutar contra o pecado durante toda sua vida, a todo instante e a todo instante poderá ser vencido, porque o Sacramento do Batismo elimina o pecado original mas não as suas consequências que é a concupiscência. O homem terá que merecer o céu neste campo de luta renhida e diuturna e até ao último suspiro. E nesta luta quantas quedas, quantas derrotas! Estaríamos condenados. Mas graças ao Sacramento da Penitência, está em poder do pecador levantar-se das próprias quedas. Somente a infinita misericórdia do Coração de Jesus podia operar semelhantes maravilhas.

Com a graça de Deus, aprofundemos mais este mistério de misericórdia e também da onipotência divina. E a primeira maravilha operada pelo Coração de Jesus, no sacramento da Penitência é reconciliar o interesse da glória de Deus e o do homem pecador, a conservação da lei e a salvação do transgressor da lei, a reparação da culpa e a conservação do culpado. 

Mas uma objeção talvez aflore na mente de alguém: a facilidade do perdão não pode aumentar a facilidade de pecar? Caríssimos, dada esta misericórdia mal entendida que hoje está quase se tornando moda, acredito que o demônio possa se aproveitar disto. Pelo ensinamento tradicional, porém, a facilidade do perdão, é vista considerando a gravidade do pecado, tão infinitamente criminosa que o Pai Eterno entregou o seu Filho Unigênito à imolação mais ignominiosa e cruel. A nós Deus exige o arrependimento sincero e profundo e por conseguinte um propósito firme e eficaz de evitar as ocasiões, a obrigação de vigiar e rezar e de fazer penitência. Eis o que diz São Paulo: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras" (Rom. II, 4-6). Assim, caríssimos, não nos aproximemos nunca do sacramento da Penitência sem meditar a dolorosa noite do Getsêmani, na qual o Coração de Jesus se sobrecarregou de todas a nossas iniquidades, iniquidades estas cuja expiação se tornou para nós tão fácil, mas oprimiram tão fortemente o Coração adorável de Jesus que um suor de sangue banhou todo o corpo do Salvador e inundou a terra. É o mesmo sangue que hoje é derramado sobre nós no momento da absolvição.


Esta tentação de minimizar o pecado e até tê-lo em conta de nada ou quase nada, será afastada pela meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Contemplando a bondade e paciência do Coração de Jesus, façamos nossas confissões com arrependimento profundo dos nossos pecados e por eles façamos mais penitências além das que o confessor nos impõe no confessionário. Amém!

sábado, 24 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS FALA AOS SACERDOTES

Caríssimos colegas no sacerdócio, imaginemos Jesus aparecendo a cada um de nós, como apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e dizendo-nos: "Eis aqui este Coração, que amou tanto os homens, e que por eles é tão pouco amado. Mas o que mais sinto, é que encontro ingratos até entre os meus ministros! Tu não podes mostrar-me maior amor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi. Prometo-te, que o meu Coração se abrirá para derramar as suas bênçãos sobre os que o honrarem e empregarem o seu zelo em fazê-lo honrar".

   Caríssimos, meditemos nestas queixas do Sagrado Coração de Jesus. 

  "Eis aqui o Coração": Jesus no-lo oferece; é o seu. É a obra prima do Espírito Santo: "Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade". É o órgão das mais nobres, das mais puras, das mais sublimes afeições. É o coração dos melhor dos pais, do mais sincero dos amigos. Sempre tão pronto a comover-se na presença dos que sofrem!

   "Que tanto amou os homens": Caríssimos, notai a palavra tanto. Sem dúvida que o Salvador dos homens os amou a todos, visto que morreu por todos. Mas até que ponto os amou? Quem o compreenderá? Quem o dirá? Lembremo-nos, por exemplo, do presépio, onde fez-se nosso irmão; do Cenáculo, onde fez-se nosso alimento; do Calvário onde foi o nosso resgate!...

   No céu, Jesus Cristo será a nossa recompensa! Um Deus  descendo dos resplendores da sua glória até às misérias da nossa humanidade, sujeitando-se a todas as humilhações, para nos elevar até ao seu trono, suportando todos os tormentos para nos alcançar uma suprema felicidade; um Deus fundando a Igreja, para nela estar sempre conosco, querendo que o seu corpo seja a nossa comida e o seu sangue seja a nossa bebida! Sendo poderosíssimo, não poderia dar mais!



   Caríssimos sacerdotes, se Jesus amou tanto os homens, que lugar ocupamos nós entre os que ele mais tem amado? Qual é o nosso ofício na Igreja, em que Ele reside, se oferece, e se nos dá? Que parte temos nós sacerdotes nos favores, que ele prodigaliza aos seus mais prezados amigos?

   'E que deles é tão pouco amado": Oh! que aflitiva palavra! Quantas almas desconhecem a generosa caridade do Coração de Jesus para com elas! Quantas outras a conhecem, sem que lha agradeçam! "Eu só recebo ingratidões da maior parte dos homens, sou abandonado, desprezado, insultado no sacramento do meu amor". Jesus procura consoladores, e não os encontra nem mesmo na classe sacerdotal, entre os que Ele distinguiu de todos os outros, com uma afeição incomparavelmente mais terna!

   "Mas o que mais sinto é que os meus ministros assim procedam comigo": Se eles não O amam, quem O amará? E contudo, quantos Sacerdotes dão ocasião a tão dolorosas queixas?! Sem falarmos dos que Lhe fazem uma guerra sacrílega com as profanações e os escândalos, quantos O tratam sem respeito, sem o amor verdadeiro? Enfastiam-se de Sua presença; celebram com tibieza; não têm tempo para conversar com Ele depois da Missa... Ó Jesus! quero confessá-lo, por mais que me custe: eu mereço cem vezes mais exprobrações que as que me dirigis. Humilho-me fazendo justiça: sou um dos ingratos de quem dizíeis: "Os outros limitam-se a ferir o meu corpo; mas estes ferem o meu Coração, que nunca deixou de amá-los". 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DO PENTECOSTES.

   Ó Jesus, concedei-me a graça de penetrar os segredos escondidos no Vosso divino Coração.

   1- Depois de termos fixado o nosso olhar na Eucaristia, dom que coroa todos os dons do amor de Jesus aos homens, a Igreja convida-nos a considerar diretamente o amor do Coração de Cristo, fonte e causa de todo o dom. Pode afirmar-se que a festa do Sagrado Coração de Jesus é a festa do Seu amor por nós. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus a Santa Margarida Maria; "eis o Coração que tanto amou os homens", repete-nos hoje a Igreja, mostrando-nos que "no Coração de Cristo, ferido pelos nossos pecados, Deus se dignou dar-nos, misericordiosamente, infinitos tesouros de amor" (cfr. Coleta). Inspirando-se neste pensamento, a liturgia de hoje refere-nos os imensos benefícios que nos provêm do amor de Cristo, é um hino de louvor ao Seu amor. "Cogitationes Cordis ejus", canta o Introito da Missa: "Eis os pensamentos do Seu Coração - do Coração de Jesus - através das gerações: arrancar as almas da morte e alimentá-las em sua fome". O Coração de Jesus anda sempre à procura de almas para salvar, para livrar dos laços do pecado, para lavar com o Seu Sangue, para alimentar com o Seu Corpo. O Coração de Jesus está sempre vivo na Eucaristia para saciar a fome dos que por Ele suspiram, para acolher e consolar todos os que, desiludidos pelas amarguras da vida, se refugiam n'Ele em busca de paz e alívio. E o próprio Jesus nos ampara na aspereza do caminho. "Tomai o meu jugo sobre vós, aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para as vossas almas" (Alleluia). Se é impossível eliminar da vida toda a dor, é no entanto possível, a quem vive com Jesus, sofrer em paz e encontrar no Seu Coração repouso para a alma cansada.

   2- O Evangelho e a Epístola fazem-nos considerar ainda mais diretamente, o Coração de Jesus. O Evangelho (Jo. 19, 31-37) mostra-nos o Seu Coração posto a descoberto pela ferida da lança, e Santo Agostinho comenta: "O Evangelista disse abriu, a fim de nos mostrar que, de alguma maneira, se nos abre ali a porta da vida, donde brotaram os Sacramentos". Do Coração trespassado de Cristo - símbolo da amor que O imolou por nós na Cruz - brotaram os Sacramentos, figurados na água e no sangue saídos da Sua chaga, através dos quais recebemos a vida da graça; sim, é justo dizer que o Coração de Jesus foi aberto para nos introduzir na vida. "Estreita é a porta que conduz à vida" (Mt. 7, 14), disse Jesus um dia; mas se por esta porta entendemos a chaga do Seu Coração, podemos dizer que não nos podia abrir uma porta mais acolhedora.
   São Paulo, na sua belíssima Epístola, (Ef. 3, 8-19), convida-nos a entrar, ainda mais adentro, no Coração de Jesus para contemplar as Suas "riquezas incompreensíveis" e penetrar o "mistério escondido, desde o princípio dos séculos, em Deus". Este "mistério" é exatamente o mistério do amor infinito de Deus que nos preveniu desde a eternidade e que nos foi revelado pelo Verbo feito carne; é o mistério daquele amor que nos quis remir e santificar em Cristo, "no qual temos segurança e acesso a Deus". Mais uma vez Jesus Se nos apresenta como a porta que conduz à salvação: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo. 10, 9); e a porta é o Seu Coração que, rasgando-se por nós, nos introduziu na vida. Só o amor nos pode fazer penetrar neste mistério de amor infinito; mas não basta um amor qualquer, é necessário, como diz São Paulo, estarmos "arraigados e fundados na caridade". só assim poderemos "conhecer aquele amor de Cristo que excede toda a ciência, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus". 

   Colóquio: ... "Se vós, ó Jesus, sois a minha Cabeça, por que não deverá chamar-se meu, aquilo que é Vosso? Não é verdade que são meus os olhos da minha cabeça? Portanto o Coração da minha Cabeça espiritual é o meu coração. Que alegria para mim! Olhai: Vós e eu temos um só coração. Entretanto, ó Jesus dulcíssimo, havendo reencontrado este Coração divino que é Vosso e meu, elevarei a Vós, Deus meu, a minha prece: acolhei no sacrário das Vossas audiências as minhas orações, ou antes, atraí-me inteiramente ao Vosso Coração" (São Boaventura). 

(Meditação extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O.C. D.)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

VISITA AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR



Estás, ó minha alma, na presença do teu Deus! Aqui está sobre este altar Jesus Sacramentado, aquele mesmo que se fez homem por teu amor. Recolhe-te, pois, dentro de ti mesma; despe todos os cuidados terrenos e adverte bem que entras a falar com Deus. Une-te em espírito aos milhões de Serafins, que cercam o sagrado tabernáculo, e adora tu também com os anjos e santos a teu Senhor, ao Deus de infinita majestade que em si só resume as delícias e glória do paraíso.

Meu Jesus amantíssimo, creio firmemente, porque assim o ensinastes, que vós estais presente neste divino Sacramento em Corpo, Sangue, Alma e Divindade; que sois Aquele mesmo Deus, que por mim encarnastes, nascestes e morrestes, e agora vos assentais à direita de vosso divino Pai, e que um dia haveis de ser ainda meu Remunerador. Tudo isso eu creio, ó meu Jesus, e em vós creio que sois a primeira e infalível verdade. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé, já que a vossos pés humilhado vos adoro com os Anjos do Céu, em espírito e verdade, e todo me confundo e desapareço no abismo de vossas perfeições infinitas e do meu nada.

Ó Jesus, todo meu amor, Deus de toda a esperança, confiado nas vossas promessas, espero de vossa infinita Misericórdia todo o bem. Eu sei que o vosso sangue me perdoa todos os pecados, me dá a confiança de me chegar a vosso divino Pai, e me abre as portas do Céu. Espero que sobre mim derramareis a enchente de vossas graças para que eu possa viver santamente nesta vida mortal e depois gozar eternamente no Céu. Tenho a firme certeza de que alcançarei tudo o que de Vós espero.
Meu Senhor Sacramentado, que todo ardeis em chamas de caridade, e vos abrasais em vivíssimo fogo de amor para comigo, que mais não sou para convosco do que a mesma dureza e insensibilidade! Quem me dera que eu todo ardesse em vosso amor! Pudera eu amar-Vos como juntos Vos amam o Céu e a Terra! Acendei, Vos rogo, ó Jesus, em meu coração gelado um amor digno de Vós. Fazei que toda a minha alma e todo o meu ser se empreguem em Vos amar. Amo-Vos, Criador e Redentor meu, e Vos amarei sempre. Meu desejo é ver-Vos amado de todo o mundo e procurar-Vos toda a glória que mereceis, ainda mesmo à custa do meu próprio sangue.

Reconheço, Senhor, a minha impiedade, e detesto os meus pecados. O pó levantou-se contra Vós, o nada rebelou-se contra o Tudo. Ah! meu Jesus, que monstro de ingratidão sou eu! Longe de amar-Vos, vos tenho ofendido, e o que é pior ainda na vossa presença, meu Deus Sacramentado. Agora, porém, Vos peço perdão de todos os meus pecados; pesa-me  de os haver cometido, e mais que tudo detesto as ofensas feitas contra Vós, meu Bem infinito, amável sobre todas as coisas. Antes morrer, ó Jesus, do que tornar a ofender-Vos. Bem sei que sou indigno de perdão, mas vossa infinita Misericórdia me anima a esperá-lo. Perdoai-me, pois, ó Pai de infinita Misericórdia e sustentai a minha fragilidade.

Graças Vos dou, amabilíssimo Jesus, de todo o meu coração por Vos terdes deixado ficar entre nós no Santíssimo Sacramento do Altar; por terdes entrado em minha alam pela sagrada Comunhão, fazendo-Vos meu alimento, e por me admitirdes agora na vossa divina presença. Por mim Vos deem as devidas graças os Anjos do céu, todos os santos, e as almas dos justos e sobretudo Vossa Mãe, Maria Santíssima.

Meu dulcíssimo Jesus, que poderei dar-vos em troca de vos terdes sacrificado inteiramente por meu amor? Tomai todo o meu ser que vos ofereço em perpétuo holocausto; e por isso Vos consagro minha alma com todas as suas potências, meu corpo com todos os seus sentidos, e meu coração com todos os seus afetos. Aos interesses de vossa glória ofereço outrossim tudo quanto está ao meu alcance, quanto sou e quanto posso.

Eu Vos recomendo, Senhor, a Igreja, vossa Esposa, e o Sumo Pontífice, seu chefe visível . Enchei-o de vosso Espírito para santificação sua e nossa. Recomendo-vos também os hereges e infiéis para que das trevas de seus erros passem à luz da vossa Fé. Recomendo-Vos as minha necessidades espirituais e temporais e as de todos os fiéis cristãos. A todos dai-nos o necessário sustento, e fazei que reinem entre nós a paz e vossa divina graça. Dai descanso, Senhor, às almas do Purgatório; ajudai aos agonizantes; consolai os aflitos; convertei os perseguidores. Rogo-Vos também em favor dos pobres pecadores, para que esclarecidos com vosso divino lume e com a vossa graça, convertidos por meio de uma verdadeira penitência, tornem a Vós, Pai amoroso, sempre pronto a acolhe-los; outrossim Vos suplico por aqueles que nos regem e governam, para que o façam com justiça e respeitando sempre os Vossos preceitos;  por meus parentes, benfeitores, amigos e também inimigos, que assim mandais.

Rogo-Vos, enfim, que desse trono de Misericórdia, desse tabernáculo de Amor, desse altar de graças, me concedais o que tantas vezes me tendes prometido dar. Eu Vos peço o Espírito do bem e, por vosso intermédio, dulcíssimo Jesus , o peço a Vosso divino Pai. Oh! dai-mo para ter forças de resistir ao demônio e de vencer as suas ciladas; dai-mo para que com ele e com vossa graça possa perseverar constantemente no bem até exalar o último alento de minha vida.

Ouvi meus prantos, Senhor; escutai meus rogos, Deus de Misericórdia, que assim me vereis sempre sujeito à vossa divina Lei, e conformado com a vossa santíssima vontade.


Vinde a mim, Senhor; vinde a meu coração e santificai-o com a vossa graça. Vinde, ó saudade dos eternos outeiros, esperado de todas as nações, amor de todos os Patriarcas; vinde a mim. Uno-me convosco, e no vosso Coração sagrado todo me escondo. Outro bem não quero, senão a Vós. Fora de Vós nada mais quero. Dai-me vossa bênção, só ela me satisfaz eternamente. Amém!

domingo, 4 de junho de 2017

TESTEMUNHO DO ESPÍRITO SANTO

   

   O que é que procuram fazer algumas seitas protestantes? Exatamente o inverso. Convencidas de que para alguém estar em graça de Deus, é preciso, primeiro que tudo, estar plenamente certificado disto, procuram incutir no espírito de todos os seus adeptos a ideia de que são filhos de Deus e que o Divino Espírito Santo lhes está atestando isto: que são realmente co-herdeiros de Cristo e herdeiros do Céu.

   Ora, a coisa mais fácil deste mundo é um pecador que está aferrado ao pecado convencer-se de que é filho de Deus e de que irá para o Céu com toda a certeza, se este pecador vem sendo trabalhado por uma seita que já o convenceu de que nem a observância da lei divina, nem as boas obras contribuem para justificação do homem, nem são necessárias para a salvação e que o vai sempre acostumando a ver em Jesus Cristo EXCLUSIVAMENTE um Advogado que temos para com o Pai (1ª João II-1) e nunca isto: um Justo Juiz que há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos; e então DARÁ A PAGA SEGUNDO AS SUAS OBRAS (Mateus XVI-27).

   Tanto mais que este crente está acostumado a olhar para o que se passa neste mundo e a ver como frequentemente os advogados conseguem pôr no olho da rua muitos que deveriam permanecer sob as grades da prisão... E pode facilmente esquecer que o Advogado que temos para com o Pai é, como diz o próprio São João,  Jesus Cristo JUSTO (1ª João II-1) e, sendo justo, só pode advogar a causa daqueles que realmente são dignos de receber o perdão, por se acharem sinceramente arrependidos. 

   Não venham os protestantes dizer que se distingue facilmente a voz do Espírito Santo e a voz do nosso próprio orgulho e presunção. Pois podemos logo dar uma amostra bem clara do contrário. Todas as seitas protestantes, ao mesmo tempo que vão imbuindo da sua própria interpretação os seus adeptos, vão incutindo também neles a ideia de que o DIVINO ESPÍRITO SANTO ILUMINA, ESCLARECE A INTELIGÊNCIA DE CADA UM PARA BEM PENETRAR O SENTIDO DAS ESCRITURAS. O resultado é que, como veremos mais tarde, as interpretações da Escritura são as mais disparatadas e contraditórias, mas todos os protestantes, desde Lutero até o mais recente nova-seita, estiveram e estão plenamente convencidos de que a sua interpretação, foi o Divino Espírito Santo quem lhes inspirou! Nunca foi tão caluniado o Espírito Santo como nestes últimos tempos, desde o nascimento do Protestantismo até os dias de hoje! O Espírito Santo é infalível, não há dúvida alguma; a questão está apenas em saber quando é que o Espírito Santo nos fala e quando é que nos está falando no nosso íntimo o nosso próprio EU instigado por uma secreta vaidade. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

AS TRÊS PROCISSÕES DE SÃO BENTO LABRE

 LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Diz S. Bento Labre que há três classes de pecadores que se confessam: penitentes perfeitos, penitentes imperfeitos, penitentes falsos. Ao saírem do confessionário, eles se dividem e formam como que TRÊS PROCISSÕES, cada uma das quais toma um caminho bem diferente.

·      -   A primeira procissão é composta de penitentes perfeitos, isto é, daqueles que procuraram com cuidado, no fundo, do seu coração, todos os pecados cometidos. Em seguida, fizeram deles uma confissão boa, compenetrados de uma dor sincera de ter ofendido a Deus infinitamente bom, o mais terno dos pais, estando bem resolvidos a satisfazer neste mundo à justiça divina, ajuntando à penitência que lhes tinha sido imposta na confissão outras penitências espontâneas e, para remissão das suas penas temporais, recorrendo às indulgências da Igreja. Se estes santos penitentes são bem fiéis, subirão ao céu no mesmo instante da sua morte, e alcançarão logo a felicidade eterna.

·     -    O segundo grupo é composto dos penitentes imperfeitos. Nada de essencial faltou à sua confissão, nem o exame, que foi sério, nem a acusação dos pecados, que foi humilde, sincera e inteira, nem a contrição, que foi sobrenatural e profunda. Mas, fracos e pouco zelosos para levarem até o fim um trabalho de purificação por atos de contrição e de amor reiterados, por mortificações, esmolas e indulgências, morrem na amizade de Deus, sem que possam gozar logo da sua união, porque têm ainda de satisfazer à justiça divina. Eles são condenados ao purgatório, para lá se purificarem das manchas de que tão facilmente se poderiam purificar sobre a terra.

·     -    Finalmente, a terceira classe é composta dos falsos penitentes. Por sua culpa foi-lhes o remédio transformado em veneno mortal. Todos os cristãos sacrílegos chegam ao inferno pelo caminho que os devia conduzir ao céu; no inferno gemem eternamente por ter feito servir a sua condenação o que podia ser para eles um meio de salvação. Exclamarão durante toda a eternidade: por que não me converti cuidadosamente, não me acusei sinceramente, não me arrependi verdadeiramente?

Eis aí, caríssimos, o que dizia S. Bento Labre, o santo pobre de Jesus Cristo, para induzir os outros a que façam só boas confissões.

Terminemos com os conselhos do Padre Perriens: Alma cristã, não vos esqueçais de aplicar às almas do purgatório o maior número de indulgências que puderdes; fazendo-lhes esta caridosa aplicação, não receeis ficar passível das penas que tendes merecido. Santa Gertrudes, à hora da morte, afligia-se por não ter feito nada pela sua alma; pois, tudo quanto fizera de bem tinha-o aplicado às almas do purgatório. Então Jesus Cristo lhe apareceu e disse: Gertrudes, alegra-te; tua caridade para com as almas do purgatório foi-me tão agradável, que, depois da tua morte, serás isenta de toda a pena, e far-te-ei acompanhar ao paraíso por todas as minhas esposas queridas que a teus sufrágios devem o ter saído do purgatório".


quarta-feira, 24 de maio de 2017

CORRUPÇÃO EPIDÊMICA!

CORRUPÇÃO EPIDÊMICA!  

                                                                                                                                         Dom Fernando Arêas Rifan* 

          Certa vez, um rei perguntou aos seus ministros a causa de o dinheiro público não chegar ao seu destino como quando saiu da sua fonte. Um ministro mais velho, sentado na outra cabeceira da mesa, tomou uma grande pedra de gelo e pediu que a passassem de mão em mão até o Rei. Quando a pedra lá chegou estava bem menor. O ministro então disse: é essa a explicação: “passa por muitas mãos e sempre deixa alguma coisa”.
          A corrupção é considerada pela ONU o crime mais dispendioso de todos, causa de muitos outros. A corrupção propicia a ocupação de cargos por pessoas indignas, manobras políticas, compra de votos, licitações desonestas, o desvio, a malversação e o desperdício do dinheiro público, a impunidade, o tráfico de drogas, a sua veiculação nos presídios etc.
          “Aquele que ama o ouro não estará isento de pecado; aquele que busca a corrupção será por ela cumulado. O ouro abateu a muitos... Bem-aventurado o rico que foi achado sem mácula... Quem é esse homem para que o felicitemos? Àquele que foi tentado pelo ouro e foi encontrado perfeito está reservada uma glória eterna:... ele podia fazer o mal e não o fez” (Eclo 31, 5-10). São palavras de Deus para todos nós.
        Ao ler o título desse artigo, pensa-se logo nos políticos. Mas há muita gente, fora da política, que se enquadra nesse título: quantos exploradores da coisa pública, quantos sugadores do Estado, que não são políticos! Aí se enquadram todos os profissionais ou amadores que se corrompem pelo dinheiro.  Quem vota por dinheiro é corrupto. Quem vota apenas por emprego próprio é corrupto. Quem corre atrás dos políticos para conseguir benesses espúrias é corrupto.
        O Papa Francisco tem insistido sobre a diferença entre pecado e corrupção, entre o pecador e o corrupto. Pecadores somos todos nós, mas corrupto é aquele que perdeu a noção do bem e do mal. Já não tem mais o senso do pecado. Os corruptos fazem de si mesmos o único bem, o único sentido; negando-se a reconhecer a Deus, o sumo Bem, fazem para si um Deus especial: são Deus eles mesmos. O Papa lembrou que São Pedro foi pecador, mas não corrupto, ao passo que Judas, de pecador avarento, acabou na corrupção. “Que o Senhor nos livre de escorregar neste caminho da corrupção. Pecadores sim, corruptos, não.” (Homilia, 4/6/2013).
         A Igreja proclamou padroeiro dos Governantes e dos Políticos São Tomás More, “o homem que não vendeu sua alma”, exatamente porque soube ser coerente com os princípios morais e cristãos até ao martírio. Advogado, Lorde Chanceler do Reino da Inglaterra, preferiu perder o cargo com todas as suas regalias e a própria vida a trair sua consciência. Possa o exemplo de Santo Tomás More ensinar aos políticos, atuais e futuros, e a todos nós, que o homem não pode se separar de Deus, nem a política da moral, e que a consciência não se vende por nenhum preço, mesmo que isto nos custe caro e até a própria vida.
         Que Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos, que hoje celebramos, interceda pelo nosso Brasil para que Deus o livre desse grande mal da corrupção.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A PENITÊNCIA DADA PELO CONFESSOR

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Outra parte necessária da confissão é a SATISFAÇÃO, ou seja, a penitência imposta ao penitente pelo confessor. Dizemos que a satisfação ou penitência na confissão é parte necessária mas não essencial. Por que não é essencial? Porque sem ela o sacramento pode ser válido. Diz-se em teologia que a satisfação ou penitência é parte integrante do sacramento. Vamos dar exemplo de quando o sacramento da Penitência pode ser válido mesmo não havendo condição de se fazer a penitência: uma pessoa perto de morrer, recebe validamente o sacramento da Penitência, sem a imposição da penitência, porque o moribundo está incapacitado de a fazer.

Sendo, porém, a satisfação parte integrante, significa que ao confessar-se, se o penitente não tiver a intenção de cumprir a penitência, a confissão seria nula, pois, deve-se ter a vontade de satisfazer a penitência que o confessor impuser. Se, ao contrário, havia esta intenção ao confessar-se, e depois houvesse negligência em cumprir, a confissão seria válida, mas cometer-se-ia um pecado grave, sendo a penitência imposta em matéria grave.

Caríssimos, vamos explicar o porquê e o significado da SATISFAÇÃO ou PENITÊNCIA. Quem peca se torna culpado da falta cometida, e se torna passível da pena devida a esta falta. A absolvição, que dá depois o confessor, perdoa a falta, e ao mesmo tempo a pena eterna; e, quando o penitente tem uma grandíssima contrição, recebe também a remissão de toda a pena temporal; mas quando a sua contrição não é bastante grande, fica passível de uma pena temporal, que deve satisfazer, nesta vida ou no purgatório. Ora, o Santo Concílio de Trento nos ensina que, pela penitência sacramental não só se satisfaz a pena merecida, mas ainda se remedeiam os maus efeitos do pecado, as paixões, os hábitos viciosos , a dureza do coração, e, além disso, se adquire força para não recair. Daí compreendemos a vantagem de se confessar mais vezes, senão de quinze em quinze dias, pelo menos mensalmente.

Algumas perguntas com as devidas respostas sobre este assunto de que estamos tratando:

- Que pecado comete quem se descuida de fazer a penitência imposta pelo confessor na confissão? RESPOSTA: Devemos distinguir: se a penitência é leve, peca venialmente; se é grave, peca mortalmente. Quem sente muita dificuldade em cumprir a penitência recebida, pode fazê-la mudar pelo mesmo confessor ou por um outro.

2ª - Pode acontecer que realmente o penitente, dadas as circunstâncias em que se acha, não tenha condição de fazer tudo o que o confessor mandou, então o que fazer? RESPOSTA: O melhor é ali mesmo na hora da confissão, expor para o confessor as dificuldades que terá em cumprir aquela penitência que acabou de lhe impor. E deve dizer assim: Padre, temo não poder fazer esta penitência,  peço que me dê outra. É melhor agir assim do que ficar calado, e aceitar a penitência e depois não fazer nada.

3ª - Em que tempo devemos cumprir a penitência? RESPOSTA: No tempo prescrito pelo confessor; e, se este nada determinar a tal respeito, deve-se cumpri-la logo: pois, quando a penitência é grave, principalmente sendo medicinal, seria grave falta diferi-la por longo tempo.

4ª - Quem, depois da confissão, tivesse a desgraça de recair em um pecado grave, teria ainda de fazer a penitência imposta? REPOSTA: Sim, seria ainda obrigado a isso.

5ª - E a penitência assim feita, em estado de pecado, é satisfatória? RESPOSTA: Sim, é satisfatória.


Infelizmente pode acontecer que haja pessoas que não fazem a penitência imposta pelo confessor. Ou, então, vão adiando, e acabam se esquecendo. Sabei, caríssimos, que se não cumprirdes a vossa penitência neste mundo, tereis de fazer uma muito maior no purgatório. Por isso, devemos considerar a penitência do confessor muito pequena em comparação do castigo que merecemos, e devemos tomar aquela penitência imposta pelo confessor mais como uma lembrança de que devemos fazer mais penitências. Daí está respondida já uma outra pergunta: se a gente pode fazer mais ou maior penitência do que aquela imposta pelo confessor? Respondo: Pode e é sumamente aconselhável que o faça, desde que tenha a discrição para não fazer nada que prejudique à saúde, e faça tudo com muita humildade e reta intenção. 

domingo, 21 de maio de 2017

A CONSCIÊNCIA CRISTÃ


"Tudo o que não é segundo a fé é pecado" (Rom. XIV, 23).

Todo ato cristão  parte do íntimo da alma unida a Deus em conformidade com a Verdade que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim os dois conceitos FÉ e CONSCIÊNCIA CRISTÃ, coincidem perfeitamente. É, pois, a adesão interior a Jesus Cristo que faz nossa fé e nossa consciência. Portanto, quando o cristão unido interiormente a Jesus Cristo, age em desacordo com essa luz divina, peca. É neste sentido que S. Paulo diz: "Tudo o que não é segundo a fé, é pecado". São João Crisóstomo, com todos os intérpretes gregos, ensina que no texto em apreço, "FÉ" quer dizer "CONSCIÊNCIA".

Caríssimos, Nosso Senhor Jesus fez sua Igreja com sua hierarquia para ser a luz do mundo e o sal da terra. O Cristianismo é, por essência, uma doutrina sobrenatural da salvação. Seu fim é ensinar ao homem a sua elevação a um destino superior e subministrar-lhe os meios proporcionados à sua consecução. Mas a graça supõe a natureza. É a natureza do homem que é elevada à ordem sobrenatural. É sobre a natureza reta ou retificada que ele poderá realizar a sua missão sobrenaturalizadora. A moral humana e o direito natural só podem desenvolver-se e formular-se em corpo de doutrina pela Santa Madre Igreja. Por isso, onde e na medida em que o racionalismo laicista ou o materialismo ateu tentam banir a doutrina católica, renascem os ídolos pagãos com as suas servidões humilhantes e a pessoa perde sua dignidade. Enquanto os instintos cegos e as paixões indisciplinadas, onde a impureza, a ambição e o orgulho multiplicam os erros e as desordens, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo será o único meio para difundir claridades para o verdadeiro progresso aqui e máxime para as vias que conduzem à Eternidade Feliz. A Igreja de Nosso Senhor Jesus esclarece as inteligências e possui o segredo de energias sobrenaturais capazes de fortalecer a vontade. É ela, e somente ela, que plasma e ilumina as consciências tornando-as certas, retas e delicadas. Sua ação é interior, profunda e eficaz. Na prática do bem a consciência apura-se numa delicadeza e sinceridade que deve ter por testemunha o olhar de Deus. O amor de Jesus Cristo, modelo de perfeição humano-divina, deve introduzir no dinamismo da vida moral dos verdadeiros católicos uma força misteriosa de dedicação e generosidade, chegando mesmo ao heroísmo do martírio. É o fruto da consciência bem formada, é o exercício da virtude exaltada até à santidade.

Mensageira autorizada da verdade e do bem, a Igreja não poderá jamais deixar de testemunhar a verdade de Jesus, assim como jamais poderá eximir-se de ligar as consciências a esta Verdade, sem que pretenda com isso, é óbvio, violentá-las. O que ela quer é a sua adesão não puramente exterior, mas interior. Quando esta adesão interior lhe é resolutamente recusada, a Igreja não força, mas não pode senão implorar a misericórdia divina que converta os recalcitrantes. Nunca será misericórdia, abraçar o pecador com o pecado e tudo, no caso de o pecador se recusar a voltar atrás e se converter. A Igreja, a exemplo do Divino Mestre, é missionária, e deve ir à procura do pecador para o converter e não para falsear sua consciência no afã de tranquilizá-la no erro e no pecado. Isto é, sim, monstruosa impiedade: enganar as almas com uma paz que não é a de Jesus Cristo, mas a do mundo.
Procurar tirar os pecados das consciências não é fanatismo nem dureza de coração; é simplesmente preocupação de sinceridade e de retidão interior. A Igreja não pode tolerar, nem tem mesmo o direito de fazê-lo, que no número dos seus membros se encontrem católicos que só o sejam de nome. A Igreja Católica, deve ser por excelência, a preservadora e impulsora da moralidade humana. Deve ser o sal da terra para, dando gosto pelas coisas de Deus, preservar a almas e a sociedade da corrupção, seja ela lá de que espécie for. Só o Cristianismo pode ser escola de santos. A graça supõe a natureza, mas uma natureza reta ou retificada. Não será bom católico quem não começar por ser homem honesto.

A Igreja considerou sempre como parte de sua missão divina, elevar e sanear o ambiente moral da família. Se é verdade que, sendo a consciência a regra imediata que se deve seguir, nunca será lícito alguém ir contra ela, não é menos verdade que a intenção de conformar os nossos atos com a regra absoluta, que é a condição essencial do seu valor moral, supõe necessariamente o desejo e a intenção eficaz de a conhecer o mais exatamente possível. Eis porque o erro e a ignorância em semelhante matéria são imputáveis quando provêm da negligência em se instruir ou da prática continuada do mal, que acabou por obscurecer ou falsear a consciência. Assim, toda consciência errônea deve ser endireitada. Portanto, não poderia ser maior a impiedade, por parte de alguém da hierarquia eclesiástica ser o primeiro a exortar a alguém que esteja  procurando esclarecimento, a seguir em frente com sua consciência, ainda que clara e gravemente errônea. Seria a mãe dar uma serpente ao filho que lhe pedisse um peixe; dar uma pedra em lugar dum pão; e pior ainda, dar ao filho doente, em vez de remédio, veneno. Outrossim, é uma impiedade sem nome, a autoridade suprema da Igreja se recusar a esclarecer as consciências que esta mesma autoridade perturbou com alguma ambiguidade em questões de fé e moral. Devemos pedir a Deus pelos quatro cardeais que apresentaram ao papa as "DUBIA" e por todos os que os estão aprovando, para que continuem firmes na defesa da santa doutrina  de Nosso Senhor Jesus Cristo! Devemos também orar para que o Papa Francisco veja que não se trata de coisas de somenos importância, mas sim da Lei suprema da Igreja que é procurar a salvação das almas. Não se trata, pois, de procurar evitar a extinção de espécies animais mas trata-se de evitar a extinção da fé nas almas.

Caríssimos, na religião do homem que hoje se procura instaurar, até quanto ao SER MORAL o homem é deus para si mesmo. Nestes tempos calamitosos e faltos de fé, geralmente não se leva mais em conta a LEI de DEUS; já em muitos países são aprovadas leis contra o Decálogo e até contra a natureza, leis nela já insculpidas por Deus desde à criação.  E  já foram aprovados por lei,  o divórcio e até o aborto, a sodomia, pecados estes que bradam aos céus exigindo vingança. Não poderia ser maior o falseamento das consciências! As novas gerações acharão natural o que na verdade são monstruosos desrespeitos a Deus. Na míngua de sacerdotes que orientem as almas na verdade e no verdadeiro amor e adoração ao Criador, o mundo caminha no sentido de adorar as criaturas. Realizam-se, sem dúvida, as profecias de Nossa Senhora de La Salette. Não foi sem razão que Nossa Senhora apareceu chorando. E neste ano completam-se 45 anos que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima derramou lágrimas várias vezes em Nova Orleans nos Estados Unidos. 

Feita esta breve exposição, torna-se mais fácil compreender o porquê desta crise atual, crise esta que se estende a todos os campos, desde o religioso até ao econômico. É que o sal perdeu a sua força e não presta para outra coisa senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Apagou-se, ou quase, a luz da fé, a doutrina do Divino Mestre é substituída por novidades fabricadas ao sabor do mundo.
A verdadeira Moral, é substituída por uma NOVA: é a Moral de Situação.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

O SEGREDO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Dizia Santo Agostinho: "O que eu sei pela confissão, eu o sei menos do que aquilo que ignoro".
E Santo Ambrósio: "Não há nada mais oculto do que é descoberto em confissão".

Esta é a lei: O confessor é obrigado ao mais inviolável segredo a respeito do que sabe pela acusação do penitente. Esta lei do segredo da confissão não admite absolutamente nenhuma exceção. Fosse preciso salvar a sua vida, evitar uma grande desgraça, conservar mesmo a vida a cem milhões de pessoas, jamais o confessor poderia declarar o que ouviu no santo tribunal. Seria antes obrigado a deixar-se queimar vivo, do que revelar um só pecado. Também sempre que o sacerdote se viu colocado na alternativa de escolher entre a revelação do segredo sacramental e a morte, nunca hesitou em escolher a morte. Atesta-o São João Nepomuceno.

Há inúmeros fatos semelhantes ao de São João Nepomuceno. Vou relatar aqui apenas um: Em 1860, um indivíduo cometeu um assassinato. Confessou-se depois, deixando na sacristia, onde um pobre cura o tinha ouvido, uma roupa ensanguentada que pertencia à vítima. O cura foi preso e acusado do crime. Não podia dizer uma só palavra de desculpa sem que violasse o segredo sacramental. Deixou-se, pois, condenar como culpado. Foi degradado e enviado para as minas da Sibéria. Em 1875, o verdadeiro assassino, achando-se no leito de morte, chamou testemunhas e declarou, sob a fé do juramento, que era ele o culpado e que o sacerdote estava inocente. O novo João Nepomuceno foi, pois, chamado do exílio, e solenemente reintegrado em sua paróquia.

Um sacerdote, citado em justiça, deve responder, mesmo com juramento, que ignora o autor de um crime, quando não o sabe senão pela confissão. "Um homem, diz Santo Tomás de Aquino, não pode ser chamado como testemunha senão como homem. É a razão porque o padre não prejudica a sua consciência afirmando ignorar uma coisa de que não teve conhecimento senão como ministro de Deus. Pois, propriamente falando, não foi a ele que se fez a confissão, mas a Deus".


Uma pergunta que geralmente se faz é a seguinte: E o penitente é obrigado ao segredo? Em outras palavras: pode ele contar a outros o que o confessor lhe disse no santo tribunal da confissão? Resposta: O sigilo da confissão foi estabelecido em favor do penitente, e não em favor do confessor. Entretanto, os teólogos concordam em dizer que o penitente é obrigado, pela lei do segredo natural, a não divulgar as palavras do confessor, que possam causar-lhe algum prejuízo. "Eu, acrescento, diz Santo Afonso, que esta lei é mais rigorosa que qualquer outra do mesmo gênero, porque o confessor dá os seus conselhos, não livre e espontaneamente como os outros, mas por dever e por obrigação". Convém, além disso, que o penitente guarde silêncio sobre tudo o que lhe diz seu padre espiritual, pelos seguintes motivos: a) Pelo respeito devido ao sacramento, as coisas santas não devem ser objeto de conversações fúteis; b) Pelo respeito a si mesmo, visto que se expõe por isso a tornar conhecidas as suas próprias faltas, e passar por ter uma língua inconsiderada; c) Pelo respeito que se deve ao confessor, cujas palavras são tantas vezes mal compreendidas e deturpadas pelo penitente; d) Pelo respeito às almas que precisam ter uma confiança muito grande no confessor, confiança que não deixa de diminuir por esta espécie de conversas. Devemos ter presente na mente que o confessor é médico, e, o que se dá atinente às doenças corporais, com as devidas adaptações, se aplica também às doenças espirituais no que se refere a alguns detalhes: por exemplo: os remédios que são salutares para um paciente, podem ser prejudiciais a outros. Assim os conselhos que se aplicam a um penitente, podem não ser salutares a outros, porque as consciências não são iguais: há as consciências delicadas, as escrupulosas e as laxas. Agora, detalhes na confissão que, com certeza não farão nenhum mal a ninguém, mas, pelo contrário será para o bem de todas as almas que deles tomarem conhecimento, o penitente pode externá-los, embora não esteja obrigado a isso. Em algumas das postagens que aqui fiz sobre o "Sacramento da Confissão", relatei alguns destes exemplos. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

DESFAZENDO DÚVIDAS DE CONSCIÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Padre, tenho tantas dúvidas de consciência! Que devo fazer? Responderei com o célebre escritor espiritual e grande teólogo o Padre Perriens. Este, por sua vez se baseia em Santo Afonso Maria de Ligori, que, como todos sabem é a maior autoridade na Igreja no que se refere à Teologia Moral.

"Quanto às dúvidas, que podereis ter, relativamente a pecados que não estais certos de ter cometido, ou a confissões talvez mal feitas, se quiserdes manifestá-las ao vosso diretor, para maior tranquilidade, fareis bem, a menos que não sejais escrupulosos; pois, para os escrupulosos, não aconselho a que confessem as suas dúvidas.

Todavia, é bom que conheçais alguns ensinamentos aprovados pelos teólogos, que podem livrar-vos de muitas inquietações e dar-vos a paz.

1. Em primeiro lugar, não há obrigação de confessar os pecados graves, quando duvidosos, ou quando há dúvida de terem sido cometidos com pleno conhecimento ou consentimento perfeito e deliberado.

Além disso, as pessoas que levaram durante muito tempo vida espiritual, quando duvidam de ter cometido ou não algum pecado grave, podem estar certas de não ter perdido a graça de Deus; pois, é moralmente impossível que uma vontade firme nos bons propósitos mude de repente, e consinta em um pecado mortal, sem o conhecer claramente; porque o pecado mortal é um monstro tão horrível, que não pode entrar em uma alma que teve por muito tempo horror a ele, sem se fazer conhecer claramente.

2. Em segundo lugar, quando o pecado mortal foi cometido com certeza, e se duvida se foi confessado ou não, então, não havendo razão para julgar que tenha sido confessado, deve-se certamente declará-lo.

Mas, havendo razão ou presunção fundada de que o pecado foi outrora confessado, não há obrigação de o confessar.

Daí, quando uma pessoa fez as suas confissões gerais ou particulares com o cuidado requerido, e receia ter omitido algum pecado ou alguma circunstância, não precisa acusar-se de novo, pois pode crer prudentemente que fez o que devia.  - Mas, objetar-me-eis, se eu estivesse obrigado a dizer isso, sentiria muita vergonha. Resposta: Não importa; desde que não estais obrigado a falar da vossa dúvida, esta repugnância não vos deve inquietar. Basta dizer em vosso coração: Senhor, se eu soubesse verdadeiramente que devia confessar-me, eu o faria logo, qualquer que fosse a pena que tivesse de sofrer.

Demais, é bom que cada um descubra ao seu diretor as dúvidas que o inquietam, não fosse isto senão para se humilhar, a menos que não seja escrupuloso; pois, neste caso, não deve falar neles. [Escrupuloso: quem tem coceira nas vistas, quanto mais esfrega, mas coça].

Mas o que eu queria principalmente é que fizéssemos conhecer ao confessor as vossas PAIXÕES, as vossas INCLINAÇÕES  e AS CAUSAS das vossas tentações, afim de que ele pudesse achar as raízes do mal; pois, não se arrancando essas raízes, as tentações não cessarão nunca; e há grave perigo de consentir nelas, quando se pode afastar a causa e não se o faz.

É ainda útil, pelo menos, a algumas pessoas, para se humilharem, descobrir as tentações que mais as humilham; tais são especialmente, as tentações contra a castidade. "A tentação descoberta é meio vencida",  diz São Filipe Nery. Eu disse, PELO MENOS A ALGUMAS PESSOAS,  pois, para outras, que são raras vezes tentadas, mas muito tímidas neste matéria, temendo sempre ter consentido, é por vezes prudente proibir-lhes que se confessem sobre tal ponto, enquanto não têm a certeza de ter consentido no pecado."


Gostaria de acrescentar que, uma pessoa que conta as tentações, mas logo garante que não deu consentimento, isto é simplesmente perder tempo no confessionário. Porque aí se contam pecados, e, quando não se consente nas tentações, não há nenhum pecado. E se alguém, porventura só contar tentações nas quais não consentiu, não pode receber a absolvição, a menos que inclua pecados passados já confessados e dos quais tem certeza de ter arrependimento de os ter cometido. Digo isto, porque temos de distinguir duas coisas: a confissão e a direção espiritual. Mas, quando há tempo suficiente, e não vai deixar outros penitentes esperando muito tempo, se pode por ocasião da confissão, fazer também a direção espiritual.  

segunda-feira, 15 de maio de 2017

ESCLARECIMENTOS QUE TRANQUILIZAM A RESPEITO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Fazemos estes esclarecimentos para que o demônio não engane ninguém na confissão.

Primeiramente, a quantas pessoas devemos fazer conhecer os nossos pecados? Resposta: Basta que o digamos uma vez a um só confessor. E, como já tivemos ensejo de demonstrar, temos obrigação de confessar somente os pecados mortais. Esta é a matéria necessária. Por conseguinte, caríssimos, se o vosso pecado não é mortal, ou se, quando o cometestes, não o considerastes como tal, não sois obrigado a confessá-lo. Por exemplo: uma pessoa cometeu em sua infância uma ação desonesta, ignorando então que isso fosse pecado mortal, não tendo mesmo a menor dúvida a esse respeito; não é obrigada a confessar esse pecado.

Para desfazer outra possível tentação do demônio mudo para afastar alguém da confissão, ou, para levá-la a fazer confissão nula e sacrílega, vou formular mais alguns pretextos que o inimigo das almas costuma apresentar:

Temo, dirá alguém, que o confessor me repreenda, quando ouvir o meu pecado. Resposta: Isto, caríssimo(a), é uma apreensão inteiramente sem fundamento. Repreender-te? Por que? Isto é pura insinuação do demônio mudo, porque o ministro de Deus coloca-se no confessionário, para aí ouvir, não a narração de êxtases e de revelações, ou atestado de pretensas virtudes. O confessor, na verdade, se senta no confessionário, esperando ouvir a acusação de pecados cometidos. E caríssimos, o confessor não pode ter consolação maior do que quando uma alma lhe descobre as suas misérias. Se pudésseis sem muita pena livrar da morte uma rainha ferida pelos seus inimigos, que consolação não experimentaríeis procurando a sua liberdade! Pois bem! é o que faz o confessor, quando uma pessoa vai declarar-lhe o mal de que se tornou culpada: pela absolvição que lhe dá, cura a sua alma ferida pelo pecado, e a livra da morte eterna. Os sacerdotes zelosos têm alegrias que nenhum leigo poderá ter; mas estas alegrias os confessores as levarão consigo para o túmulo. Nós padres, às vezes, parecemos tristes, mas estamos sempre alegres e distribuindo alegrias espirituais.

Outra preocupação: O confessor, ao menos, escandalizar-se-á e tomará para sempre horror de mim. Resposta: Erro completo! Longe de se escandalizar com a vossa conduta, ficará edificado por vos ver fazer a confissão sincera das vossas faltas, apesar da confusão que experimentais. E, depois, pensais que o confessor não ouviu, confessando outros, muitos pecados semelhantes aos vossos, e talvez mais graves? Oh! quem dera que fôsseis só vós que tivésseis ofendido a Deus! Também não é verdade que o confessor vos terá horror; ao contrário, mais vos estimará, e se aplicará de boa vontade a ajudar-vos, comovido pela confiança que lhe testemunhastes, descobrindo-lhe as vossas misérias. Eis o que se passou com  um afortunado penitente de São Francisco de Sales: Muito lutou consigo mesmo para fazer uma confissão geral dos numerosos desvarios da sua mocidade. O bondoso S. Francisco de Sales, que ficara muito comovido com o humilde arrependimento  do penitente, manifestou-lhe o seu contentamento e a sua alegria. "Quereis consolar-me, padre, respondeu o penitente ainda todo confuso; pois, com certeza, não podeis ter ainda estima por um miserável pecador como eu!  -  "Estais muito enganado, replica logo São Francisco de Sales; eu seria um verdadeiro fariseu, se, depois da absolvição, vos considerasse ainda pecador. A meus olhos estais agora mais branco que a neve. Devo amar-vos duplamente: pela grande confiança que me testemunhais, abrindo-me tão perfeitamente o vosso coração, e porque vos tornastes meu filho em Jesus Cristo. De vaso de ignomínia, vejo-vos transformado em vaso de glória; não é certo que a Nosso Senhor agradaram mais as lágrimas do que desagradou a queda de São Pedro? Finalmente, eu teria muito duro coração se não tomasse parte na alegria que experimentam os anjos. Acreditai-me, acrescenta o Santo Bispo, as lágrimas que vi correr dos vossos olhos fizeram em minha alma o que faz a água dos ferreiros, que mais depressa abrasa do que extingue o fogo dos seus braseiros. Ó Deus! como eu vos amo deveras, agora que o nosso coração ama a Deus!" Esse penitente retirou-se tão satisfeito, que não sabia com que palavras exprimir a sua felicidade e o seu reconhecimento. E não contendo dentro de si o oceano de felicidade, externou-o a todos os que queriam ouvi-lo, contando tudo o que aconteceu com ele na confissão feita com o bispo Francisco de Sales.

Outra tentação do demônio: Confessar-me-ei mais tarde. Resposta: Mas, neste caso, o que pode acontecer é a pessoa ir acrescentando mais sacrilégios. E o sacrilégio é coisa horrível!!! E assim, o remédio que Jesus Cristo vos preparou com seu sangue na confissão, é convertido para vossa alma em um veneno mortal! É preciso também pensar no seguinte: quantas mortes repentinas e imprevistas! E então, que será daqueles que deixam a confissão para mais tarde, e são assim surpreendidos pela morte? Que será destes tais para toda a eternidade?

Caríssimos, tomai, pois, coragem. O difícil é só até começar a confissão. Desde que tiverdes começado a abrir o vosso coração, toadas as apreensões se dissiparão, e ficai persuadidos de que , depois da confissão, estareis mais contentes, por ter confessado as vossas faltas, do que um homem do mundo que ficasse rei de toda terra. E ficai sabendo que, quanto maior for a violência que tiverdes feito para vos vencerdes, maior será o amor com o qual Deus vos abraçará.


Para terminar, quero contar um fato: O célebre orador Padre Paulo Ségneri refere que uma mulher fez um tal esforço sobre si mesma, para confessar certos pecados cometidos em sua infância, que desfaleceu. Em recompensa deste ato generoso, Nosso Senhor lhe concedeu uma compunção tão grande e um amor tão forte, que desde esse momento entregou-se à perfeição, praticando austeras penitências. Morreu em odor de santidade. Amém!

domingo, 14 de maio de 2017

VIRTUDES PARA UMA FAMÍLIA CRISTÃ


LEITURA MEDITADA 

"Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da  graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes" (Colossenses, III, 12-21).

Nestas exortações de S. Paulo temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo,  às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que "misericórdia"; que "paciência"; que "benignidade"; que 'humildade"; que "perdão das ofensas"; que "que sorrisos de amabilidade!". O político, a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também). O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e consequentemente: honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).
Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança; um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.

A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d'Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  "Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais", insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é ao mesmo tempo, fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. "Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome - diz Jesus Cristo - estarei eu no meio deles" (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: "Pai Nosso que estais no céu". O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.

Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis, como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: "Pequei".  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50, Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: "Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade" (vers. 1-3); "O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado" (vers. 19).


quarta-feira, 10 de maio de 2017

É UMA LOUCURA E UMA DESGRAÇA A VERGONHA EM CONFESSAR OS PECADOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Em primeiro lugar, vamos ouvir a palavra do grande doutor da Igreja, Santo Agostinho: "Que desgraça para vós! Pensais somente na vergonha e não pensais que, se não confessardes, vos condenareis! Ó loucura! não receastes fazer uma ferida mortal em vossa alma, e corais de lhe aplicar o remédio que a pode curar".

O Sacrossanto Concílio de Trento diz: "Se o médico não vê e não conhece bem a chaga, não pode curá-la". Caríssimos, que desgraça para uma alma que se confessa, calar por vergonha qualquer pecado grave! "O que devia reparar o mal causado por este pecado, torna-se um novo triunfo para o demônio", exclama Santo Ambrósio.

Prestai atenção nesta comparação: Os soldados vitoriosos fazem alarde das armas que tomaram ao inimigo; e assim que o demônio se gloria das confissões sacrílegas, armas  de que despojou àqueles que podiam servir-se delas para o vencer. Realmente, como são dignas de lástima estas almas, que mudam assim seu remédio em veneno!

Na  parte superior: símbolo de uma alma no
estado de graça após uma santa confissão.
Na parte inferior do quadro: símbolo de uma
alma dominada pelo demônio após confissão
sacrílega. 
Por exemplo: Tal pessoa teve a desgraça de cair em um pecado grave; mas, não o declarando na confissão, comete um sacrilégio, que é um pecado muito maior; eis aí como o demônio triunfa.
Dizei-me: se, por não ter confessado vosso pecado, devêsseis ser mergulhado em uma caldeira de azeite a ferver, e que depois este pecado devesse ser conhecido por todos os vossos parente e todos os vossos concidadãos, ocultá-lo-eis? Seguramente que não, tanto mais quanto sabeis que, depois de uma boa confissão, o vosso pecado ficaria escondido, e não teríeis de vos sujeitar a esse horrível suplício. Ora, é muito certo que, se não confessais o vosso pecado, ardereis no fogo do inferno durante toda a eternidade, e, no dia do julgamento, esse pecado será conhecido, não só dos vossos parentes e dos vossos concidadãos, mas de todos os homens: "Pois devemos todos comparecer ao tribunal de Jesus Cristo" (2 Cor. V, 10). Se não confessais o mal que fizestes, diz o Senhor, "manifestarei vossas ignomínias a todas as nações" (Naum, III, 5).

Suponhamos: Cometestes o pecado mortal; se não o confessais, sereis condenado. Por conseguinte, se vos quereis salvar, deveis confessá-lo um dia; e, se deveis confessá-lo um dia, por que não agora? Quereis esperar que chegue a morte, depois da qual não podereis mais confessá-lo! Ficai sabendo que, quanto mais diferirdes a sua confissão, multiplicando com isto os sacrilégios, tanto mais hão de aumentar em vós a vergonha e a obstinação, ou o endurecimento do coração. Sabei, outrossim, que, se não confessais o vosso pecado, nunca tereis repouso durante a vossa vida. Ah! que tormento experimenta em si mesmo uma pessoa que sai do confessionário, sem ter declarado o seu pecado" É uma víbora que traz continuamente em seu seio, e que não deixa de lhe dilacerar o coração. Dupla desgraça: sofrerá um inferno nesta vida e na outra! Coragem, pois, o pecador demasiadamente temeroso; se tivestes a desgraça de não confessar algum pecado por vergonha, tomai a resolução de vos acusar dele o mais depressa possível. Isto não é difícil; basta que digais ao confessor: "Padre, tenho vergonha de confessar um pecado". Ou, então,  dizei: "Tenho inquietação de consciência sobre minha vida passada". Será depois trabalho do confessor arrancar o espinho que vos mortifica. Oh! que alegria quando tiverdes expulsado do vosso coração aquela funesta víbora!

Para terminar esta postagem, quero contar um fato histórico: Santa Ângela de Foligno, que também teve, em sua mocidade, a desgraça de ocultar pecados em confissão. Desde muitos anos, o cuidado da sua reputação lhe fechava a boca, quando uma noite, não podendo mais suportar-se a si mesma, levantou-se, ajoelhou e, derramando lágrimas, invocou com fervor o socorro de S. Francisco de Assis, em quem tinha tido sempre uma grande confiança. O santo apareceu-lhe e lhe disse com suave compaixão: "Pobre filha, se me tivésseis chamado mais cedo, desde muito tempo que eu teria vindo em teu auxílio! Amanhã, ao amanhecer, sai de casa; o primeiro padre que encontrares, será este que te envio para te confessar e te salvar". No dia seguinte, de manhã, Ângela encontrou diante da sua casa um bom padre capuchinho que entrou na igreja, para celebrar a missa. Ela seguiu-o; depois da missa, confessou-se com grande arrependimento. Fez desde então tais progressos na virtude, que chegou a uma santidade sublime e foi enriquecida do dom dos milagres. Tal foi sua humildade que fez questão de contar esta passagem de sua vida! Mas ela não tinha obrigação de contar. E realmente só no dia do juízo final, veremos quantas almas se salvaram, por terem rezado para conseguir esta graça de sair de uma vida de sacrilégios!


terça-feira, 9 de maio de 2017

A CONFISSÃO DEVE SER INTEIRA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Se o pecador não se confessar dos pecados mortais de que tem lembrança, não recebe o perdão. Falo dos pecados lembrados, porque, esquecendo involuntariamente um pecado, desde que a pessoa tenha um arrependimento geral de todas as ofensas feitas a Deus, este pecado esquecido será perdoado; mas, se a pessoa se lembrar dele depois, deve então confessá-lo.

No caso, porém, de a pessoa deixar voluntariamente de declarar um pecado mortal, então deve acusar-se desta omissão, e renovar além disso a confissão de todos os outros pecados já declarados; pois, a confissão foi nula e sacrílega.

Santa Teresa d'Ávila, que vira o inferno, não deixava de repetir aos pregadores: "Pregai, pregai contra as más confissões; pois, é pelas más confissões que a maior parte dos cristãos se condena".

Caríssimos, é, na verdade, vergonhoso cometer o pecado, mas não é vergonhoso livrar-se dele pela confissão. Aqui podem-se aplicar as palavras das Sagradas Escrituras: "Há  vergonha que leva ao pecado, e há vergonha que traz consigo glória e graça" (Eclesiástico, IV, 25). Devemos fugir da vergonha que nos torna inimigos de Deus pelo pecado, mas não da que, pela confissão do pecado cometido, alcança a graça de Deus e a glória do céu.

Que vergonha houve para os santos convertidos e penitentes, quando fizeram a confissão de seus grandes e inúmeros pecados? Assim: Santo Agostinho, Santa Maria do Egito, Santa Margarida de Cortona, etc.? Foi pelas suas confissões que adquiriram o céu, onde agora gozam de Deus. Quando Santo Agostinho se converteu, não contente de confessar os seus pecados, ele os consignou em um livro, para os tornar conhecidos de todo o mundo.

Santo Antônio de Lisboa (de Pádua) conta que um bispo viu um dia o demônio ao lado de uma mulher que se dispunha à confissão, e lhe perguntou o que fazia ali. O espírito maligno respondeu: "Estou restituindo o que roubei; quando tentei esta mulher para pecar, tirei-lhe a vergonha; agora, lha restituo, a fim de que não tenha coragem de confessar o pecado". S. João Crisóstomo diz o seguinte: "Deus deu a vergonha para o pecado, e a confiança à confissão. O demônio faz tudo ao contrário: liga ao pecado a confiança, e à confissão a vergonha". 


Cuidado com o demônio mudo, muito cuidado com ele! Faz como o lobo: este toma a ovelha pelo pescoço, para que ela não possa gritar; e, segurando-a assim, a arrasta e a devora. Do mesmo modo age o demônio com certas almas: toma-as pela garganta, impedindo-as de declarar o seu pecado. e, por este meio, leva-as para o inferno. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

SANTO TOMÁS DE AQUINO EXPLICA A SANTA MISSA - TREZENTOS ANOS DEPOIS S. PIO V A CODIFICA e CANONIZA ( II )

ARTIGO V: Se as cerimônias usadas na celebração deste mistério são convenientes.
   Parece que as cerimônias usadas na celebração deste sacramento não são convenientes.
   Mas devemos dizer o contrário, porque estas cerimônias fazem parte do costume legitimo (consuetudo) da Igreja, que não pode errar, dado que é inspirada pelo Espírito Santo.
   EXPLICAÇÃO que dá a SOLUÇÃO para todas as dificuldades ou objeções.
   Como dissemos, para ser mais perfeita a significação, tudo o que se faz nos sacramentos é significado duplamente por palavras e por atos. Ora, certos passos da Paixão de Cristo, representados na celebração deste sacramento, são significados por palavras. Ou ainda certas coisas concernentes ao corpo místico, que esse sacramento representa; e outras referentes ao uso do mesmo, que deve ser com devoção e reverência. Por isso, na celebração deste mistério, certas práticas representam a Paixão de Cristo; ou ainda, a disposição do corpo místico; e certas outras dizem respeito à devoção e reverência devidas a este sacramento.
    OBJEÇÕES
    E assim podemos responder às objeções:
    1ª Objeção: Este sacramento pertence ao Novo Testamento, como o mostra a sua própria forma. Ora, na vigência do Novo Testamento não se devem observar as cerimônias do Velho, nas quais o sacerdote e os ministros lavavam-se com água quando iam oferecer o sacrifício. Assim, lemos em Êxodo, XXX, 19: "Aarão e seus filhos lavarão as suas mãos e os pés, quando tiverem de se aproximar do altar...". Logo, não é conveniente o sacerdote lavar as mãos na solenidade da missa.
    RESPOSTA: A ablução das mãos se faz na celebração da missa, pela reverência devida a este sacramento. E isto por duas rações: 1º - Por ser costume geral tocarmos em coisas preciosas com as mãos lavadas. Por onde, faltaria à decência quem se achegasse a tão grande sacramento com as mãos sujas, mesmo no sentido material. - 2º - Pelo significado da ablução. Pois, como diz (S.) Dionísio, o lavarmos as extremidades significa a purificação, ainda dos mínimos pecados, segundo aquilo do Evangelho de S. João, XIII, 10: "Aquele que está lavado não tem necessidade de lavar senão os pés". E esta purificação é necessária a quem se achega a este sacramento. O que também é significado pela confissão que se faz antes do começo da missa. E o mesmo significava a ablução dos sacerdotes na Lei Velha, conforme o ensina (S.) Dionísio no mesmo lugar. - Mas a Igreja não o observa como preceito cerimonial da Lei Velha, senão como instituído por ela, e na prática em si mesma conveniente. Por isso, não é observado do mesmo modo por que o era antigamente. Também se omite a ablução dos pés, conservando-se só a das mãos, por poder fazer mais facilmente e por bastar a significar a perfeita purificação. Pois, sendo as mãos o órgão dos órgãos, na expressão de Aristóteles, todas as obras se lhes atribuem a elas. Donde o dizer o Salmo XXV, 6: "Lavarei as minhas mãos entre os inocentes".

    2ª Objeção: O Senhor mandou que o sacerdote queimasse incenso de suave fragrância sobre o altar que estava diante do propiciatório (Êxodo, XXX, 7). O que também era uma das cerimônias do Antigo Testamento. Logo, não deve o sacerdote oferecer incenso, durante a missa.
    RESPOSTA: Não usamos incenso como se fosse um preceito cerimonial da lei, mas por uma determinação da Igreja. Por isso não oferecemos do mesmo modo pelo qual o estatuía a Lei no Velho Testamento. - E o fazemos por duas razões - Primeiro, para reverenciar este sacramento: para que o bom cheiro do incenso, expulse algum mau odor do local, que pudesse provocar repugnância. Segundo, para representar o efeito da graça da qual, como de bom odor, Cristo tinha a plenitude, segundo aquilo da Escritura Gênesis XXVII, 27: "Eis o cheiro de meu filho como o cheiro de um campo cheio." E o qual deriva de Cristo para os fiéis, por meio dos ministros, segundo aquilo do Apóstolo em 2 Corintios II, 14: "Por nosso meio difunde o odor do conhecimento de si mesmo em todo lugar." Por isso , depois de incensado todo o altar, que designa a Cristo, incensam-se os demais, numa certa ordem.

   3ª Objeção: a) Transferimos para aqui a primeira parte da 2ª objeção do artigo anterior.
   Os atos de Cristo nós os conhecemos pelo Evangelho. Ora, na consagração deste sacramento se alude a ato que não está no Evangelho. Assim, aí não lemos que Cristo, na consagração deste sacramento, elevasse os olhos para o céu. Pois, na celebração deste sacramento se diz: Tendo elevado os olhos ao céu". Logo,  isto não deveria ser feito na celebração deste sacramento.
RESPOSTA: Como diz o Evangelho de São João XXI,  25 , muitas coisas fez  e disse o Senhor pelos Evangelistas não referidas. Entre elas está que o Senhor, na Ceia, elevou os olhos para o céu, o que a Igreja o recebeu pela tradição dos Apóstolos. Pois é racional, que quem, na ressurreição de Lázaro  e na oração que fez pelos discípulos, levantou os olhos para o Pai, como o narra o evangelista, com maior razão o fizesse ao instituir este sacramento, coisa mais importante.

   3ª Objeção: b) As cerimônias realizadas nos sacramentos da Igreja não devem reiterar-se. Logo, não deve o sacerdote repetir tantas vezes os sinais da cruz sobre este sacramento.
   RESPOSTA: O sacerdote, na celebração da Missa, faz o sinal da cruz para exprimir a Paixão de Cristo, que na cruz se consumou. A Paixão de Cristo, porém, realizou-se como por alguns graus.(=por etapas).
Assim, primeiro, teve lugar a entrega de Cristo, feita por Deus, efetuada por Judas e pelos Judeus. E isto significam os três sinais da cruz acompanhados das palavras: Haec dona +, haec munera + haec sancta sacrificia illibata +. Em português: "Estes dons, estes presentes, estes santos sacrifícios sem mancha." Segundo, depois foi Cristo vendido. Ele foi vendido, porém, pelos sacerdotes, escribas e fariseus. Para o significar, o sacerdote faz de novo por três vezes o sinal da cruz, dizendo: "Benedictam, +  adscriptam, +  ratam" + . Em português: "Bendita, aprovada, ratificada". Ou para mostrar o preço da venda, que foram os trinta dinheiros. E acrescenta duplo sinal da cruz às palavras: "ut nobis corpus + et sanguis +... Em português: "Afim de que para nós o corpo e o sangue..." a fim de designar a pessoa de Judas, o vendedor, e de Cristo, o vendido. - Terceiro, a Paixão de Cristo foi prenunciada na ceia. Para designá-lo o sacerdote faz em terceiro lugar, o sinal da cruz por duas vezes - uma ao consagrar o corpo; outra, ao consagrar o sangue, dizendo em ambas as vezes: "benedixit"=abençoou. Quarto: em quarto lugar, consumou-se a Paixão mesma de Cristo. E para representar as cinco chagas de Cristo o sacerdote faz pela quarta vez cinco sinais da cruz, dizendo: "hostiam + puram, hostiam+sanctam,  hostiam+ immaculatam,  panem +sanctum  vitae aeternae,  et calicem+ salutis perpetuae."  Em português: "a Hóstia pura, a Hóstia santa, a Hóstia imaculada. o Pão santo da vida eterna e o Cálice da salvação perpétua". Quinto: em quinto lugar é representada a extensão do corpo na cruz, a efusão do sangue e o fruto da paixão. Daí mais três sinais da cruz acompanhados das palavras: "Filii tui + Corpus, et + Sanguinem sumpserimus, omni + benedictione" ... Em português: "participando deste altar, recebermos o sacrossanto Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de toda bênção celeste"... Sexto: em sexto lugar é representada a tríplice oração que Cristo fez na cruz: - uma pelos seus perseguidores, quando disse: "Pai, perdoai-lhes"... a segunda para libertar-se da morte, quando disse: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste"? a terceira para alcançar a glória quando exclamou: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". E para significá-lo o sacerdote faz três sinais da cruz, dizendo: "sanctificas,+  vivificas, + benedicis"+... = santificais, vivificais, abençoais... Sétimo: em sétimo lugar, representa as três horas durante as quais ficou suspenso na cruz, isto é, desde a sexta até a nona hora. E para significá-lo, faz de novo o sacerdote por três vezes o sinal de cruz, pronunciando as palavras: "Per + ipsum, et cum + ipso, et in + ipso". = "Por Ele, com Ele e n'Ele". Oitavo: em oitavo lugar, representa-se a separação entre a alma e o corpo, por dois sinais da cruz subsequentes, fora do cálice.  Nono: Enfim, em nono lugar, é representada a ressurreição, operada no terceiro dia, por três cruzes, acompanhadas da palavras: "Paz + Domini sit  + semper +  vobiscum". = "A paz do Senhor esteja sempre convosco."
   - Mas, podemos dizer, mais brevemente, que a consagração deste sacramento e a aceitação deste sacrifício, bem como o seu fruto, procedem da virtude (=força ou eficácia)  da cruz de Cristo. Por isso, sempre que o sacerdote faz menção de alguma dessas três coisas(=consagração deste sacramento, aceitação deste sacrifício e o seu fruto) faz o sinal da cruz.

   4ª Objeção: O Apóstolo  diz em Hebreus, VII, 7: "Sem nenhuma contradição, o que é inferior recebe a bênção do que é superior". Ora, Cristo, que está neste sacramento, depois da consagração, é muito maior que o sacerdote. Logo, inconvenientemente o sacerdote benze, depois da consagração, este sacramento, fazendo sobre Ele o sinal da cruz.
   RESPOSTA: O sacerdote, depois da consagração, não faz o sinal da cruz para benzer e consagrar, mas só para comemorar o sinal da cruz e o modo da Paixão de Cristo, o que ficou claro pelo que foi dito acima ao responder à terceira objeção. (cinco cruzes sobre Nosso Senhor para significar as cinco chagas feitas em Jesus na Sua Paixão).

   5ª Objeção: Nos sacramentos da Igreja não deve haver nada que seja ridículo. Ora, é ridículo fazer gesticulações, como quando o sacerdote estende os braços, põe as mãos, junta os dedos e se inclina. Logo, tais coisas se não deviam fazer neste sacramento.
   RESPOSTA: Nenhum dos gestos do sacerdote, na missa, constitui gesticulação ridícula , pois têm o fim de representar alguma coisa. - Assim, o estender os braços depois da consagração significa o Cristo com os braços estendidos na cruz. - Também levanta as mãos ao orar, para significar que a sua oração se dirige  a Deus, pelo povo, segundo aquilo da Escritura Tren., III, 41: "Levantemos ao Senhor os nossos corações com as mãos para os céus.". E Êxodo, XVII, 11 diz: "Quando Moisés tinha as mãos levantadas vencia Israel". - Quando põe as mãos, inclina-se, orando súplice e humildemente, designa assim a humildade e a obediência com que Cristo sofreu. - Junta os dedos polegar e indicador, com que tocou o corpo consagrado de Cristo a fim de que não se disperse alguma partícula que a eles se tivesse apegado. O que constitui reverência para com o sacramento.

   6ª Objeção: Também é ridículo o sacerdote voltar-se tantas vezes para o povo, tantas vezes saudá-lo. Logo, nada disso devia fazer-se na celebração deste sacramento.
   RESPOSTA: O sacerdote volta-se cinco vezes para o povo, para significar que o Senhor se manifestou cinco vezes no dia da ressurreição, como dissemos quando tratamos da ressurreição de Cristo. - Saúda sete vezes o povo, isto é, cinco vezes quando se volta para ele; e duas, em que não se volta, isto é, quando antes do prefácio diz: "Dominus vobiscum". E quando diz: "Pax Domini sit semper vobiscum" = "A paz do Senhor esteja sempre convosco" para designar a septiforme graça do Espírito Santo. Quanto ao bispo, quando celebra nos dias festivos, diz, na primeira saudação: "Pax vobis", o que depois da ressurreição o Senhor o disse aos discípulos, cujas pessoas sobretudo as representa o bispo.

   7ª Objeção: O Apóstolo em 1ª Cor. I, 13  diz que Cristo não deve ser dividido. Ora, depois da consagração Cristo está neste sacramento. Logo, o sacerdote não devia fraccionar a hóstia.
   RESPOSTA: A fracção da hóstia significa três coisas. Primeiro, a divisão mesma do corpo de Cristo, que se operou na Paixão. - Segundo, a distinção do corpo místico em diversos estados. - Terceiro, a distribuição das graças procedentes da Paixão de Cristo, com diz (S.) Dionísio. Por onde, tal fracção não induz divisão em Cristo.

   8ª Objeção: As cerimônias deste sacramento representam a Paixão de Cristo. Ora, na Paixão, o corpo de Cristo foi dividido nos lugares das cinco chagas.  Logo, o  corpo de Cristo devia ser dividido antes em cinco que em três partes.
   RESPOSTA: Como diz o Papa Sérgio (em De consecr., didt. II): "Triforme é o corpo do Senhor. A parte oferecida, posta no cálice, representa o corpo de Cristo já ressuscitado. Isto  é, o próprio Cristo e a Santa Virgem, que já estão na glória com os seus corpos. A parte que se come significa os que ainda vivem nesta terra. pois os peregrinos neste mundo se unem com Cristo pelo sacramento; e ficam alquebrados pelo sofrimento como o pão comido é triturado. - A parte remanescente no altar até o fim da missa significa o corpo jacente no sepulcro; porque até o fim dos séculos os corpos dos santos estarão nos sepulcros; mas as almas estão no purgatório ou no céu. Este rito porém não se observa atualmente, isto é, o de conservar uma parte até ao fim da missa. Mas permanece a mesma significação das partes. O que certos explimiram em versos, dizendo: A hóstia se divide em partes; molhada (=a que fica dentro do cálice com o precioso sangue) significa os que gozam da plena beatitude; seca, signifca os vivos; conservada, significa os sepultos.
   Certos, porém, dizem, que a parte posta no cálice significa os viventes neste mundo; a conservada fora do cálice significa os plenamente bem-aventurados, isto é, em corpo e alma; a parte comida significa os outros.

   9ª Objeção: O corpo de Cristo é totalmente consagrado neste sacramento, em separado do sangue. Logo, não se devia misturar com o sangue uma parte dele.
   RESPOSTA: O cálice pode ter dupla significação. - Numa é a Paixão mesma, representada neste sacramento. E então, a parte posta no cálice significa os ainda participantes dos sofrimentos de Cristo. - Noutra significação pode simbolizar o gozo dos bem-aventurados, também prefigurado neste sacramento. Por onde, aqueles cujos corpos já gozam da plena beatitude são simbolizados pela parte posta no cálice. - E devemos  notar, que a parte posta no cálice não deve ser dada ao povo como complemento da comunhão, porque o pão molhado Cristo não o deu senão ao traidor Judas.

   10ª Objeção: Assim como o corpo de Cristo é dado neste sacramento  como comida, assim o sangue de Cristo, como bebida. Ora, à recepção do corpo de Cristo, ao celebrar a missa, não se lhe acrescenta nenhum outro alimento para o corpo. Logo, não devia o sacerdote, depois de ter bebido o sangue de Cristo, tomar vinho não consagrado. (Se refere ao vinho das abluções)
   RESPOSTA: O vinho, em razão da sua humidade, serve para lavar. Por isso, é tomado depos da suscepção deste sacramento, para lavar a boca, para que nenhuma partícula nela fique; o que constitui reveverência para com este sacramento. Por isso, uma disposição canônica determina: o sacerdote deve sempre lavar a boca com o vinho, depois de ter recebido completamente o sacramento da Eucaristia; salvo de dever no mesmo dia (Isto porque o jejum eucarístico era de 12 horas e só se celebrava de manhã) celebrar outra missa; a fim de que o vinho tomado para lavar a boca não impedisse celebrar outra vez. E pela mesma razão lava com vinho os dedos, com que tocou o corpo de Cristo.

   11ª Objeção: O verdadeiro deve corresponder ao figurado. Ora, do cordeiro pascal, que foi a figura deste sacramento, a lei ordenava que nada se consevasse para o dia seguinte. Logo, não se deviam conservar hóstias consagradas, mas consumí-las logo.
   RESPOSTA: A verdade deve, de certo modo, corresponder à figura; assim não deveria realmente a parte da hóstia consagrada, da qual o sacerdote e os ministros ou também o povo comungam, ser conservada para o dia seguinte. Mas devendo este sacramento ser recebido todos os dias, o que não se dava com o cordeiro pascal, por isso é necessário conservar outras hóstias consagradas para os enfermos. Por onde na legislação da Igreja dada pelo Papa (S.) Clemente se estabelece: "O prebítero tenha sempre preparada a Eucaristia de modo que quando alguém adoecer, dê-lhe logo a comunhão, não vá morrer sem ela."

   12ª Objeção: O sacerdote fala aos ouvintes no plural; por   exemplo, quando diz: "Dominus vobiscum" (= O Senhor esteja convosco), e, "Gratias agamus" (= Demos graças). Ora, não devemos falar no plural quando nos dirigimos a um só, sobretudo inferior. Logo, não devia o sacerdote celebrar a missa, estando presente só um ministro.
   RESPOSTA: Na celebração solene da missa, vários devem estar presentes. Donde o dizer o Papa Sotero: "Também isto foi estabelicido, que nenhum sacerdote ouse celebrar solenemente a missa sem dois ministros presentes, que lhes respondam, a ele como terceiro; porque quando diz no plural "Dominus vobiscum"; e a oração secreta "Orate pro me", é necessário evidentemente que lhe alguém responda à saudação".  Por isso, para maior solenidade, lemos no mesmo lugar como estatuído ( De Consecr. dist. I , papa Soter) que o bispo celebre, com vários ministros, a solenidade da missa. - Mas, nas missas privadas, basta haver um ministro, representante de todo o povo católico, em nome do qual responde no plural ao sacerdote.