quinta-feira, 4 de maio de 2017

OUTRA QUALIDADE DA CONFISSÃO: SINCERA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Confissão sincera é aquela em que não há mentira e nem desculpa.

1. Confissão sem mentira: Uma mentira em matéria leve, dita na confissão, torna-se um falta mais grave, sem todavia ser mortal; mas mentira seria um pecado mortal, se a matéria fosse grave, por exemplo: quem acusasse um pecado mortal que não cometeu, ou negasse um pecado mortal que tivesse cometido e que nunca tivesse confessado, ou negasse o hábito contraído, isto seria enganar em matéria grave o ministro de Deus.

Lemos na vida de S. José de Anchieta, jesuíta e missionário no Brasil, que certa mulher,  de grande virtude na aparência, frequentando os sacramentos, com um exterior humilde e modesto, ocultava sob essa aparência enganadora hábitos criminosos. Por sua hipocrisia, tinha ganho a estima de toda a cidade e dos seus diretores. Ora, um dia, não encontrando o seu confessor ordinário, procurou o Padre José de Anchieta. Este, sem dúvida inspirado por Deus, mandou-lhe dizer que se recusava a confessá-la. Como houvesse admiração, disse: "Esta mulher dá-se a um trabalho inútil". Com efeito, logo sua vida infame se tornou pública, e, por um justo castigo de Deus, ela não tardou a morrer com todos os sinais de condenação.

2. Confissão sem desculpa: No tribunal da penitência, o pecador deve ser o acusador de si mesmo: acusador e não advogado de defesa. Quem se acusa sinceramente, sem atenuar as suas faltas, obterá delas o perdão, e receberá de Deus maior abundância de misericórdia. O duque do Osuna, vice-rei de Nápoles, estando um dia em uma galera, pôs-se a interrogar a cada um dos forçados, sobre o crime que tinha cometido. Todos responderam que eram inocentes, exceto um, que confessou merecer um grande castigo. O duque disse então a este último: "Pois, então, não é este o teu lugar: um celerado, como tu, no meio de todos estes inocentes!" Em seguida, mandou pô-lo em liberdade. Deus perdoa mais liberalmente ao penitente que se reconhece culpado, e não procura desculpar-se.

"Quantos não há, diz o teólogo Perriens, que se confessam mal! Alguns dizem ao confessor o pouco bem que fazem, e não falam dos seus pecados: 'Padre, eu ouço a missa todos os dias, recito o terço, não blasfemo, não juro, não roubo ...' Pois, bem! para que dizeis isto? é para que o confessor vos louve? Os vossos pecados é que deveis acusar. Examinai-vos, e encontrareis mil, aos quais deveis remediar: maledicências, palavras desonestas, mentiras, imprecações, aversões, pensamentos desonestos ... Outros não fazem senão desculpar os seus pecados, e parecem advogar a sua causa junto do confessor, por exemplo: 'Padre, eu blasfemo, porque tenho um superior insuportável. Tive ódio a uma vizinha, porque ela falou mal de mim'. De que serve, continua Perriens, semelhante confissão? que pretendeis? Quereis que o confessor aprove os vossos pecados? Escutai o que diz S. Gregório: 'Se vos desculpais, Deus vos acusará; e, se vos acusais, ele vos desculpará'.

Nosso Senhor, numa aparição a Santa Maria M. de Pazzi, queixou-se daqueles que, na confissão, se desculpam dos seus pecados, e os lançam sobre outros.

Se o(a) penitente diz assim: Tal pessoa deu-me ocasião; ou, fulano tentou-me. Confessar-se assim não é senão ajuntar novos pecados; pois, para desculpar as próprias faltas, atacam a reputação do próximo.

Já ouvi contar o seguinte episódio (contado naturalmente pela culpada): Uma mulher que, para desculpar os seus pecados, relatou todo o mal que sabia do marido:   -  Pois bem! diz-lhe o confessor por fim: por vossos pecados, recitarás uma Salve Rainha; e pelos do teu marido jejuarás durante um mês.  - Mas, perguntou a penitente, como sou eu obrigada a fazer penitência pelos pecados do meu marido?  -  E vós, como viestes, respondeu o confessor, acusar os pecados do teu marido, dizendo todo o mal que ele tem feito, para desculpar os teus próprios pecados? Diz o provérbio italiano: "Si non è vero, è bene trovato".

Caríssimos, devemos contar os nossos pecados e não falar dos pecados alheios. O penitente, sendo humilde, nunca vai procurar se desculpar. Pensa sempre assim: sou eu mesmo que, por minha própria maldade e fraqueza, quis consentir em ofender a Deus.

Agora, faz-se necessário aqui uma observação: O penitente, deve algumas vezes descobrir a falta do próximo, para fazer conhecer ao confessor, seja a espécie do pecado de que se acusa, seja o perigo em que se acha, afim de que ele possa julgar o que tem a fazer. Se, neste caso, a pessoa que se confessa, puder se dirigir a um confessor que não conheça a pessoa em questão, então deve procurar este confessor. Mas, se for difícil em mudar de confessor, ou se a pessoa julga que o seu  confessor ordinário, conhecendo melhor a sua consciência, está no caso de lhe dar conselhos acertados, não está  obrigada a procurar um outro. No entanto, a pessoa deve ter o cuidado em encobrir o seu cúmplice o melhor possível. Basta, por exemplo, designar o seu estado: dizer se é uma pessoa casada ou não, ou ligada por voto de castidade, sem pronunciar o seu nome.


Outra coisa: é pura perda de tempo dizer assim na confissão: "Eu me acuso dos sete pecados capitais, dos cinco sentidos, dos dez mandamentos de Deus". Vale mais declarar ao confessor uma falta que há muito vens cometendo, sem dela te corrigires.  Devemos confessar as faltas de que nos queremos corrigir. Pois, de que serviria a pessoa se acusar de todas as maledicências, de todas as mentiras, de todas as imprecações, não querendo desfazer-se destes vícios? Seria mais uma zombaria, um abuso do sagrado tribunal da penitência. Caríssimos, a pessoa deve ter o cuidado quando se confessar de tais faltas, ainda que elas sejam veniais, em formar um bom propósito de não mais recair nelas. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

PODE HAVER PROGRESSO NO DOGMA?

  Extraímos a resposta do livro "POR UM CRISTIANISMO AUTÊNTICO" pág. 4-8. 
   Diz D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória: "... Os homens fascinados pela miragem de uma felicidade ilusória, procuram criar para si um ideal de vida cristã segundo os moldes das exigências do mundo contemporâneo. Desprezam, neste afã,  o que a tradição católica mantém intransigentemente, e estabelecem novos cânones de um evangelho novo, em nada conforme àquilo que o Filho de Deus veio ensinar aos homens.
   Em primeiro lugar, que é um Dogma?
   Dogma entende-se uma verdade revelada e como tal proposta pela Igreja à profissão de Fé dos   fiéis. Envolve dois elementos. Para que haja "dogma" exige-se que a verdade definida tenha sido revelada, isto é, manifestada aos homens por Jesus Cristo ou mediante outros mensageiros escolhidos por Deus. Tais verdades se encontram no "depósito da revelação", isto é, nas Sagradas  Escrituras e na Tradição Apostólica. Quer dizer que não fazem parte da Revelação outras manifestações particulares de Deus a algumas pessoas, ainda que delas possa advir edificação espiritual para os fiéis. Tais manifestações nada acrescentam de novo à Revelação propriamente dita, e não exigem, como esta, o ato de fé de todos os homens.
   Outro elemento constitutivo do dogma é a definição da Igreja. É a Igreja que tem autoridade para ensinar o que Deus revelou. É a Igreja que goza da assistência do Espírito Santo para não errar quando propõe a Revelação. Pois foi à Igreja que Jesus Cristo mandou pregar o Evangelho a todos os povos (Mc. 16, 15); foi à ela que prometeu sua assistência até o fim do Mundo. (Mt. 28, 20). Assim é a Igreja, o santo Padre, ou o Concílio Ecumênico, que estabelece o Dogma.
   Duas questões, convém, aqui elucidemos. A primeira responde aos incrédulos que vêem nas sucessivas definições da Igreja uma prova da  versatilidade da Instituição de Jesus Cristo.
   Um dogma novo! - A Igreja então varia - dizem - que hoje crê o que ontem negava: tem agora por inconcusso e absolutamente certo o de que antes duvidava; nega no momento ou afirma o que, levada pelo vórtice dos tempos, desdirá mais tarde?!
   Como se enganam estes sábios do mundo que, infelizmente, ignoram a Sabedoria de Deus! No entanto, sua própria ciência deveria encaminhá-los a ver nesta vida da Igreja, que cresce e se desenvolve, um fenômeno natural a todo organismo vivo. Que faz a ciência? - Debruça-se sobre o livro da natureza que Deus, Suma Verdade, lhe abriu à investigação, e vai, pouco a pouco, folheando as páginas desta obra admirável, num esforço contínuo para descobrir as leis que regem este cosmo maravilhoso, e assim melhor conhecê-lo para mais facilmente dominá-lo.
   O sábio não inventa leis, nada cria de novo. Ele apenas verifica as relações existentes nos sêres desde sua origem milenária. Verifica, alegra-se, e coloca-as ao serviço da Humanidade. Quis a Providência dispor as coisas desta maneira, e assim dar à mais nobre das faculdades humanas o alimento espiritual da investigação no grande livro da natureza, onde reluz a Sabedoria da Criação.
   Coisa semelhante se dá com a Revelação, este acervo de verdades sobrenaturais com que se dignou Deus elevar nossa inteligência a uma ordem de conhecimento mais nobre. Este depósito sagrado entregue à Igreja não apresenta todas as verdades de modo explícito e claro. Há nas Sagradas Escrituras e na Tradição muita doutrina que, para ser explícita e claramente conhecida, demanda o estudo laborioso dos Padres e Doutores da Igreja. Assim, muitas verdades da Revelação só vieram a ser definidas mais tarde. E outras,    objeto de fé imediata e direta por parte dos fiéis, com o tempo, graças ao esforço dos estudiosos, tornaram-se mais claras e mais precisas.
   Poderíamos estabelecer um paralelo. Como a Ciência profana aprofunda o conhecimento da natureza, sem nada criar de novo; assim a Ciência sagrada, a Teologia Católica, penetra mais no íntimo do depósito da Fé, elucidando pontos já revelados, sem nada introduzir de absolutamente novo. O conhecimento da Revelação se enriquece e amplia; não há revelação nova. Como a natureza -  com relação à Ciência profana - é melhor apreendida, não é de novo criada.
   Há, porém, uma diferença entre as investigações científicas e os estudos teológicos realizados pela Igreja. Na investigação científica, a inteligência humana, falível por natureza, pode desgarrar-se e fixar-se em erros. Daí a sucessão de hipóteses explicativas dos fenômenos naturais, por vezes, em oposição umas às outras. Na Ciência sagrada, o estudo, enquanto é feito pelo conjunto dos doutores e sob a vigilante orientação da Santa Igreja, goza da assistência do Espírito Santo, de maneira que jamais acontece vir a totalidade dos fiéis a aceitar como certo e revelado aquilo que não foi objeto da palavra divina. O desenvolvimento, metódico e vivo da Fé, não se faz por etapas que se chocam e contradizem, mas de maneira harmônica, como o desabrochar de uma natureza que cresce sempre igual a si mesma, afirmando-se sempre melhor e com mais pujança.
   A definição de um dogma, pois, não quer dizer uma verdade nova, embora implique para o fiel uma obrigação nova: o ato de fé explícito na verdade cuja revelação é autenticada pela palavra da Igreja. Desde o começo da Igreja, lá estava este ponto, que entrava como matéria de Fé no conjunto indeterminado de tudo quanto Deus revelara. Agora, após anos de vida em que a Igreja foi explicitando sua Fé, chegou o momento conveniente de o Vigário de Cristo, no uso de sua infalibilidade, como  Pastor Supremo dos fiéis, declarar que, de fato, este mistério é do número dos revelados.
   Eis o sentido em que se pode falar em evolução dos Dogmas. Pois, no conhecimento dos artigos de Fé, podemos distinguir três períodos. No começo, há a posse pacífica da Revelação, na expressão simples e vulgar que nos apresentam os primeiros símbolos, antigos como os tempos apostólicos. Com o correr dos anos, surgem dúvidas, hesitações, às vezes contraditas. É a fase do esclarecimento, da polêmica apologética, do estudo mais aprofundado das fontes da Revelação, as Sagradas Escrituras e a Tradição. Neste período, aparecem heresias, isto é, posições que desvirtuam o conceito da verdade revelada, e não se submetem às diretrizes da Santa Igreja, a quem compete presidir e guiar as investigações teológicas. Como fruto destes estudos, apologética e polêmica, aclaram-se pontos obscuros, e reponta o conceito exato e, quanto possível, claro do mistério. Fixa-se a expressão da verdade, estabelecem os dogmas propriamente ditos, pois, nesta fase, intervém sempre a palavra autorizada e infalível do Concílio ou do Santo Padre que define o conteúdo da revelação na questão agitada.
   O  segundo ponto, que elucidar, atende às necessidades apologéticas para fazer face a orientações heretizantes que ressurgem no seio da Igreja.
   Quando a Igreja define um dogma, exprime em conceitos humanos, e em palavras humanas, a verdade divina, o mistério revelado. Esta expressão pode ser exata e própria quando se trata de um fato; será exata, mas analógica, quando o revelado for um mistério, no sentido estrito da palavra. Assim, não podemos ter um conceito próprio da Santíssima Trindade, verdade que supera nossa inteligência, aqui na terra. Mas, temos um conceito exato, isto é, isento de erro, quando analogicamente, através de comparações tomadas às coisas criadas, formamos uma ideia deste mistério altíssimo. Estes conceitos a Igreja os exprime em fórmulas dogmáticas, que sempre e em todo tempo, significam a mesma coisa, sempre e em todas as épocas correspondem àquelas idéias em que a Igreja,  guiada pelo Espírito Santo, concebeu o mistério de Deus... Aquilo que há dois mil anos acreditavam os primeiros cristãos, quando diziam que em Deus há uma natureza e três pessoas, é ainda a mesma coisa que nós hoje cremos quando enunciamos este dogma. Houve aperfeiçoamento na elucidação das noções de "pessoa" e "natureza", mas, em substância, o conteúdo da nossa fé foi e é objetivamente o mesmo... A verdade revelada é sempre a mesma. E o aperfeiçoamento  que, no decurso das idades há, não é evolução de um conceito para outro novo, mas progresso no conhecimento do mesmo conceito  que se aclara, que se aprofunda...Não há eliminação de uma verdade a que outra sucede. Na Igreja há vida, há progresso, há pujança, mas sempre da mesma natureza, por desenvolvimento, não por mudança, como sabiamente notou o Lerinense: " progresso quando uma coisa se desenvolve em si mesma; há mudança, quando uma coisa cessa de ser ela mesma e se torna outra. Cuide que haja progresso não haja mudança. Cresçam, pois, estas santas doutrinas, como é necessário. Progridam em amplidão e rapidez no decurso dos anos, com a ciência, a inteligência, a sabedoria de todos e de cada um, de cada indivíduo e de toda a Igreja! Mas que progridam na sua própria natureza (...) Há certamente uma grande diferença entre o desabrochar da infância e a maturidade do homem. Mas o homem e  o menino são a mesma pessoa(...) Que a doutrina da Igreja obedeça, pois, a esta lei do progresso; que ela seja aprofundada com os anos; mas que ela permaneça sempre uma, pura, incorruptível" (São Vicente de Lérins, Comm. 22).
  

terça-feira, 2 de maio de 2017

SANTO ATANÁSIO

   Homem providencial, que Deus deu à sua Igreja, para defender a divindade do Seu Verbo. Nasceu no Egito pelo ano de 295. Pelos 25 anos da sua idade, era diácono da igreja de Alexandria e muito dedicado ao seu bispo Alexandre, a quem auxiliou, desde o começo na campanha contra o arianismo, acompanhando-o a Nicéia e tomando parte muito ativa no Concílio.
   Tendo falecido Alexandre, foi elevado à categoria de bispo Patriarca de Alexandria, tendo apenas 33 anos.
   Atanásio, diz Mourret, era de pequena estatura, franzino, mas de porte firme e rosto nobre.
   Desde a sua elevação ao episcopado, diz Tixeront, a sua história confunde-se com a da ortodoxia nicena, Ninguém esteve mais vigilante e ninguém defendeu mais corajosamente a divindade do Verbo do que ele. Foi o maior dos inimigos dos arianos. Não houve violência que o atemorizasse, nem prepotência que o fizesse transigir. Como bispo de Alexandria, durante 45 anos combateu arduamente o erro, pela pregação e por meio de escritos, e sofreu por isso cruéis peseguições e calúnias, sendo cinco vezes exilado.
   Santo Atanásio brilha na história pela valentia do seu ânimo e pela firmeza do seu caráter, que nunca quebrou, nem torceu, no meio das mais violentas tempestades. Parecia que todos os poderes do mundo se tinham conjurado contra ele; o ímpério e os seus agentes, os sábios, os filósofos e, ao menos em grande parte, o próprio episcopado. E, segundo alguns historiadores, até o papa Libério o teria abandonado. Mas não vacilou um momento, porque tinha a mais profunda convicção de que defendia a verdade e a confiança mais absoluta de que Deus lhe concederia a vitória. Todavia, tão forte como prudente, nunca desprezou os meios humanos, que Deus colocara ao seu alcance, defendendo-se qual outro São Paulo, protestando, fugindo, escondendo-se (certa vez ficou vários meses escondido no túmulo de seu pai), trabalhando.
   Aplicou-se diligentemente, a defender a consubstancialidade do Verbo, evitando, propositadamente, quaisquer especulações, ou teorias, que pudessem comprometer a exposição ou a defesa desta verdade. Ninguém como ele, sabia descobrir o ponto fraco de uma questão, a falta de lógica de um argumento, ou encontrar a distinção precisa para tirar à heresia toda a possibilidade de defesa. Daí a sua grande influência nos concílios e o conseqüente ódio dos arianos contra ele.
   Como literato Santo Atanásio não procurou a elegância do estilo. O seu espírito, claro e preciso, sabia muito bem o que queria dizer e di-lo numa linguagem firme, apropriada, sem ornatos escusados, sem arrebiques de retórica e sem a mínima ambiquidade que pudesse ser explorada pelos espertos arianos. Pôs nos seus escritos, isto sim! toda a sua alma.
   Como exemplo do que acabamos de expor, eis apenas um pequeno trecho de uma carta circular que ele escreveu a todos os bispos no ano de 340: "... Com efeito,  não é de agora que a Igreja recebeu ordem e constituição definida. Ela vos foi transmitida pelos pais como algo bom e seguro. Também não é de agora o início da fé. Ela veio a nós do próprio Senhor através dos Apóstolos. Queira Deus que não se renuncie hoje àquilo que foi conservado na Igreja desde o início até ao nosso tempo; queira Deus que não sejamos nós a defraudar o que nos foi confiado. Irmãos, como administradores dos mistérios de Deus, deixai-vos comover, uma vez que vedes como tudo isso é roubado pelos outros. Ouvireis mais da boca dos portadores desta carta; a mim impõe-se-me apresentar isto de forma resumida, para que realmente reconheçais que tal coisa jamais aconteceu contra a Igreja desde o dia em que o Senhor, subindo ao céu, confiou sua missão aos Apóstolos com as palavras: "Ide pelo mundo; ensinai a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"...

   "...Mas por isso não deveis  temer a malvadez dos adversários; deveis, isso sim,... indignar-vos contra as novas manobras de que somos vítimas. Pois, se um membro sofre, todos sofrem junto e, segundo a palavra do Apóstolo, devemos chorar com os que choram. Uma vez que é a grande Igreja que sofre, cada um deve providenciar pacientemente para que o crime receba o castigo. Por todos eles, é o Salvador que é injuriado. São as leis de todos que são dissolvidas por eles. Por todos estes motivos peço-lhes... que condenem os ateus, para que agora os sacerdotes daqui e o povo vejam a vossa verdadeira fé unânime em Cristo, e para que aqueles que  erraram tanto na Igreja se sintam atraídos para voltarem a ela e cheguem a uma mudança de orientação. Saúdo a comunidade dos irmãos que estão junto a vocês! Todos os irmãos reunidos comigo os saúdam. Que o Senhor os guarde incólumes e em fiel comunhão de pensamento conosco..."
   SANTO ATANÁSIO!  ROGAI POR NÓS!
   N.B.: Sua festa é celebrada no dia 2 de maio.

  O que certamente se gostaria de saber ainda sobre Santo Atanásio é o que ele mesmo teria dito do Papa Libério. Santa Atanásio escreveu inúmeras obras. Os vários anos que ficou no exílio ou escondido dos arianos, aproveitou-os também para desenvolver o seu zelo, sobretudo, escrevendo. Além de ter escrito a vida de Santo Antão que exerceu admirável influência nas vocações monásticas, escreveu ainda as seguintes obras: 1-Exegese: Comentários sobre o Eclesiastes e outro Sobre o Cântico dos Cânticos, As Cadeias (Catenae) sobre o Livro de Jó; Exposição sobre os Salmos. 2- Obras de Apologia: Discurso sobre os gregos e sobre a Encarnação do Verbo;  3- Obras Dogmáticas: Discursos contra os arianos; Um tratado da Encarnação contra os Arianos; Uma exposição da Fé; há várias outras obras, mas apócrifas. Por isso mesmo não as citarei a não ser a mais afamada: O Símbolo "Quicumque". 4. - Obras histórico-apologética: A Apologia contra os arianos, Um escrito contra Valente e Ursácio, Apologia ao Imperador Constâncio, Apologia de sua fuga (era acusado por ter fugido: É certo que se ocultou, no uso de um legítimo direito, não para obedecer ao medo, mas para poupar a vida e poder continuar a fazer ouvir bem alto a voz da verdade.); Carta do doutrina de Diniz; Decretos do Concílio de Niceia; O Tratado dos Símbolos de Rímini na Itália e de Selêucia na Isaura; A História dos Arianos aos Monges. 5 - Obras de Moral e Disciplina: Vida de Santo Antão; Tratado sobre a Virgindade; Uma doutrina ad Antiochum; Uns Cânones Eclesiásticos; Uma série de Homilias; 6 - As Cartas: são muito valiosas e cheias de interesse, tanto para a História como para a Doutrina. E algumas delas podemos considerá-las verdadeiros Tratados.
  Santo Atanásio tem uma frase contra o Papa Libério: "Historia Arianorum ad Monachos", c. 41: "Liberius, extorris factus, post biennium denique fractus est, minisque mortis perterritus subscripsit". Em Português: "Libério tendo sido desterrado, depois de dois anos finalmente abateu-se, e aterrorizado pelas ameaças de morte, subscreveu".

                       

A CONFISSÃO DOS PECADOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Contar os próprios pecados ao confessor talvez pareça algo muito penoso para o homem, que é naturalmente orgulhoso. Por isso devemos pedir a Deus, Nosso Senhor a virtude da humildade. Na verdade, o confessionário é um tribunal de misericórdia. O pecador, o réu se acusa, mas não para ser condenado e sim para ser perdoado. Ma o faz no segredo do confessionário. Como Deus é bom!. Podia exigir, de quem O ofendesse, uma confissão pública das suas faltas, e o pecador devia, mesmo assim, julgar-se muito feliz podendo evitar o inferno por esse preço. Deus, porém, contenta-se com uma confissão secreta, e o sacerdote que a ouve é obrigado ao mais inviolável segredo.

É evidente que a confissão dos pecados para ser boa e, portanto válida, deve apresentar algumas qualidades. São três estas qualidades: humilde, sincera e inteira (íntegra).

Com a graça de Deus, nesta postagem de hoje, vamos explicar a primeira qualidade:

1. A confissão deve ser humilde.

O penitente que se vai confessar deve considerar-se um criminoso condenado à morte, carregado de tantas correntes quantos são os pecados que tem na consciência; assim se apresentará diante do confessor, que ocupa o lugar de Deus, e que só o pode livrar dessas correntes, bem como do inferno que o pecador mereceu. É necessário, pois, que o penitente fale ao confessor com toda a humildade. O pecador não deve dizer uma palavra sequer para se desculpar. É preciso, outrossim, que o próprio tom e a linguagem denotem a humildade do coração.

Eis um exemplo: Um dia, um grande pecador foi procurar S. Francisco de Sales, e confessou-lhe as suas desordens com um tom e uma linguagem que denunciavam falta de arrependimento e de pudor. O Santo rompe em suspiros e em soluços. "Padre, diz o pecador, estais sentindo-se mal?  -  Não, sinto-me bem, mas sois vós que estais mal.  - O penitente disse-lhe: eu, padre, sinto-me otimamente!  -  Pois, bem! então, meu filho, continuai. Então o penitente continua com o mesmo tom, e o Santo a chorar cada vez mais. "Mas, afinal, diz o penitente, porque chorais?  - Eu choro, meu filho, porque vós não chorais, replicou o confessor. A estas palavras, todo envergonhado de si mesmo e completamente transformado, o pecador exclama: "Ó miserável que eu sou! os outros confessores fazem algumas vezes chorar os seus penitentes, e eu faço chorar o meu confessor! Os meus pecados arrancam lágrimas ao inocente, e eu não choro!" E com esta consideração, quase chegou a desfalecer de dor. E desde então tornou-se um modelo de virtude, sobretudo de humildade, chegando ao ponto de contar tudo isto para os outros  afim de se humilhar.

Há alguns que ousam contestar o confessor, e que lhe falam com tanta arrogância, como se ele lhes devesse submissão; que fruto poderão tirar de uma confissão feita assim? É preciso, pois, que testemunheis ao confessor o mais profundo respeito: falai-lhe sempre com humildade, e obedecei humildemente em tudo que vos prescreve! Se, por acaso, algum confessor vos repreender, guardai silêncio, escutai humildemente os seus conselhos, e aceitai com a mesma humildade o remédio que vos dará para vos corrigir.

Não vos zangueis com o vosso confessor, como se vos tivesse faltado com a justiça ou com a caridade. Vamos fazer uma comparação: que diríeis, se vísseis um doente que, em quanto o cirurgião lhe faz uma operação, se queixasse da sua crueldade? Não o acusaríeis de loucura? Ele me faz sofrer, diz o doente.  -  Sim; mas esta dor, que ele vos causa, é o que vos deve curar; de outro modo estaríeis perdido.

Se o confessor vos manda voltar depois de oito ou quinze dias, para a absolvição, e neste intervalo fazer alguma restituição, afastar a ocasião, recomendar-vos a Deus, evitar a recaída, empregar outros remédios que ele vos prescreve  -  obedecei, e ficareis assim livres do pecado.

Não vedes que, antes, tendo sido sempre absolvido, recaístes poucos dias depois nos mesmos pecados? Talvez me respondais: mas, padre, e se nesse meio tempo vem a morte? Respondo: Deus que vos deu vida durante o longo tempo em que vivestes no pecado, sem pensardes em que vos corrigir, agora, que quereis mudar de vida, temeis que vos tire a vida?  -  Entretanto, dizeis ainda: mas, padre, pode acontecer-me que chegue a morte.  Respondo: meu filho! Uma vez que isto pode dar-se, não deixeis de vos conservar disposto a morrer, fazendo continuamente atos de contrição. Já dissemos que quem se acha contrito e disposto a recorrer ao sacramento, recebe de Deus no mesmo instante o perdão dos seus pecados. Depois, caríssimo, pensa no seguinte: que vos serviria receber a absolvição sem demora, cada vez que vos confessásseis, se não renunciais ao pecado? Todas estas absolvições não fariam senão aumentar os vossos tormentos no inferno, porque. Por isso, caríssimo amigo, não fiqueis descontente; quando o confessor diferir a vossa absolvição, quer experimentar-vos algum tempo, para ver como vos conduzis. Se cairdes sempre no mesmo pecado mortal, ainda que vos acuseis, o confessor não pode absolver-vos, sem algum sinal extraordinário e manifesto da vossa boa disposição; doutro modo seríeis condenado e ele também. Submetei-vos, pois, e fazei o que ele vos diz; depois, quando voltardes, tendo observado o que prescreveu, recebereis certamente a absolvição, podereis, assim, fica em paz. Amém!


domingo, 30 de abril de 2017

ORAÇÃO DE SANTA CATARINA DE SENA PELO MUNDO E PELA IGREJA

   "Rogo-Vos, agora, Pai Eterno, tende piedade do mundo e da Santa Igreja. Não demoreis em usar de misericórdia para com o mundo. Escutai e realizai o desejo dos vossos servidores. Vós mesmo Vos fizestes clamar; escutai, pois, as suas vozes. Vosso Filho aconselhou que chamássemos, pois obteríamos resposta; que batêssemos, que a porta nos seria aberta; que pedíssemos, pois haveríamos de receber".
   "Ó Pai, vossos servidores imploram misericórdia; respondei-lhes, pois. Sei que a misericórdia é atribuída a Vós; não podeis deixar de concedê-la a quem suplica. Vossos servidores batem à porta do Vosso Filho; eles conhecem o amor que tendes pelo homem e por isso batem à vossa porta. A chama do Vosso amor não pode, não há de recusar a quem insiste com confiança. Abri, pois. Descerrai, despedaçai os corações endurecidos dos Vossos filhos. Eles mesmos nada pedem; escutai, porém, em força de Vossa infinita bondade e por amor dos Vossos servidores, que suplicam por eles. Vede como se acham ante a porta do Vosso Filho e clamam".
   "Que Vos pedem eles? O Sangue do Vosso Filho. Em tal Sangue lavastes o pecado e apagastes a mancha da culpa de Adão. É Sangue nosso, nele nos lavastes. Não ireis desdizer-Vos, nem o quereis diante de quem Vos implora. Concedei, pois, aos homens o fruto do Sangue. Colocai no prato da balança o preço do Sangue de Jesus, para que o demônio não mais arrebate as ovelhinhas. Vós sois o Bom Pastor, pois nos destes o Vosso Filho. Por obediência Ele morreu pelas ovelhas, lavando-as no Sangue. É esse Sangue que Vossos servidores pedem, como mendigos à Vossa porta. Rogam pelo mundo: que o perdoeis. Que a Santa Igreja floresça novamente com bons e santos pastores; que desapareça a iniquidade dos ministros maus".
   "Ó Eterno Pai! Prometestes misericórdia para o mundo, prometestes reformar a Santa Igreja, prometestes dar-nos conforto pelo amor que tendes aos homens e em atenção à oração dos Vossos servidores, bem como pela paciência que demonstram nas adversidades. Não demoreis em volver-nos um olhar piedoso. Já que amais dar resposta antes mesmo que peçamos, dizei uma palavra de perdão. Abri a porta da Vossa inestimável caridade, manifestada a nós no Verbo Encarnado. Bem sei que a abris antes de pedirmos. Baseando-Vos no próprio amor que lhes destes, Vossos servidores clamam à procura de Vossa glória e da salvação das almas. Concedei-lhes o pão da vida, ou seja, o fruto do Sangue. Eles o imploram para a glória do Vosso nome e para a santificação dos homens. Ao que parece, a salvação de numerosas pessoas dá maior glória a Vós, do que se todos fossem deixados no obstinação do mal. Tudo Vos é possível, Pai Eterno! Embora nos tenhais criado sem nossa colaboração, sem ela não nos quereis salvar; rogo-Vos, pois, que façais tais pessoas desejar quanto os vossos servidores imploram. Eu o imploro por Vosso infinito amor. Vós nos criastes do nada; agora existimos. Perdoai e reformai os vasos construídos à Vossa imagem e semelhança; reformai-os para a graça na misericórdia do Sangue do Vosso Filho".
                                               ( Livro "O Diálogo" de Santa Catarina de Sena, Terceira Parte, Cap. 29.2 ).

   Caríssimos e amados leitores, a exemplo dos santos, rezemos com fé, humildade e confiança, pela Santa Igreja, hoje invadida e dominada pelos modernistas, os piores inimigos da Igreja, como declarou São Pio X.
   As Sagradas Escrituras comparam os maus pastores a cães mudos que não podem ladrar: (Cf. Isaías, LVI, 10 ). Assim a Bíblia nos autoriza a comparar os bons pastores a cães que ladram.    Ora, a Santa Igreja, como denunciou São Pio X e mais tarde confirmou o Papa Pio XII, está invadida pelos inimigos. Penso que  os bispos e padres que lutam para defender a Fé e que foram injustamente suspensos têm que aproveitar a oportunidade de poder estar dentro da sua casa para mais eficazmente expulsar os invasores. Quando uma casa é invadida e os donos e seus verdadeiros filhos são expulsos, pouco adianta os cães ficarem latindo no terreiro. Têm que entrar com cuidado é claro; mas, embora a luta seja mais renhida, corpo a corpo, será mais eficaz e meritória. Temos que fazer como Santa Joana d'Arc, mas na ordem espiritual. Até acho que atualmente, não é a hora azada para se pensar em regularização canônica. Por isso entendo a prudência de D. Fellay em se preocupar em ser recebidos como sempre foram, pela graça de Deus, verdadeiros católicos.  
   É óbvio que os verdadeiros católicos têm que procurar fazer exatamente o que os modernistas não querem; e ter o cuidado em não fazer o que querem. Os modernistas tripudiam sobre as lamentáveis rebeliões e consequentes divisões provocadas entre os tradicionalistas. Alguns julgam estar resistindo ao progressismo, mas, na verdade, estão enfraquecendo a verdadeira "RESISTÊNCIA"  a esta terrível crise dentro da Igreja e em toda Sociedade. 
Todos aqueles que pretendem estar trabalhando para o Reinado do Sagrado Coração de Jesus, mas não têm o espírito reto de, como os Santos, resistir sem faltar com o respeito devido à dignidade divina do sacerdócio, na verdade não estão edificando mas escandalizando e fazendo coro aos inimigos da Santa Madre Igreja. 

   São José, Patrono da Santa Igreja, rogai por nós!


domingo, 23 de abril de 2017

AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA ( II )



"Por ventura é aos homens que pretendo agradar? Se agradasse aos homens não seria servo de Jesus Cristo" (Gálatas, I, 10).

  Respondendo à algumas objeções

   1ª OBJEÇÃO: Vestes é uma questão secundária. O que importa é o coração.
   RESPOSTA: Vimos já na postagem anterior "As vestes à luz da Bíblia Sagrada ( I )" que Deus não pensou assim. Ele mesmo fez questão de cobrir Adão e Eva com túnicas depois que nossos primeiros pais pecaram (Gênesis, III, 21). Depois, na verdade, nós não dizemos que toda aquela que se veste de acordo com a virtude da modéstia tem forçosamente o coração bom e perfeito, e estará isenta de outras faltas. Em outras palavras, nós não queremos dizer que a modéstia no vestir seja tudo o que a pessoa deve ser, mas é uma das coisas necessárias para se agradar a Deus e até é uma das coisas pelas quais se pode conhecer a pessoa segundo declara a própria Bíblia no livro do Eclesiástico, XIX, 27: "A veste do corpo, o riso dos dentes, e o andar do homem, dão a conhecer o que ele é". Uma coisa é certa: Sob uma veste imodesta e impudica nunca encontraremos uma alma pura. Vimos na postagem anterior sobre as vestes, que a modéstia é exigida por Deus na Sagrada Escritura e é com a convicção de coração no sentido de agradar mais a Deus e com empenho de fazer sempre o que está mais de acordo com a Sua vontade, que a pessoa deve se vestir com modéstia. O que importa é o coração reto que procura fazer o que Deus manda.

   2ª OBJEÇÃO: Este negócio de vestes é relativo. Hoje, vestes que antes eram proibidas, são permitidas e não impressionam mais.
   RESPOSTA: Diz a Bíblia Sagrada: "Os olhos não se fartam de ver" (Eclesiastes I, 8). É a concupiscência dos olhos de que faz menção o livro do profeta Ezequiel, XXIII, 14-16. Esta concupiscência dos olhos leva a pessoa a procurar ver sempre o pior, ou seja, o que é mais sensual. Assim a veste desde que começa a ser menos decente, vai provocando desejos mais perversos. E a sensualidade, embora encontrando o que deseja, nunca se satisfaz. Daí, de um lado, se compreende porque o mundo tende sempre a uma maior imodéstia nas modas. E, por outro lado, entende-se porque a Igreja sempre lutou por uma maior modéstia nos trajes. E antigamente exigia-se até mais do que o mínimo para impedir que as vestes fossem piorando sempre mais. E, a medida que o progressismo foi dando liberdade, a coisa foi só piorando e vai piorar mais se todos os padres da Igreja não voltarem a combater a imodéstia como a Igreja sempre fez. Dizem que tudo é natural. Mas pelos frutos se conhece a árvore. O que nós estamos vendo é uma sociedade cada vez mais entregue aos pecados da carne. É o desprezo completo pelos mandamentos de Deus, que, no entanto, continuam e continuarão de pé. É o que diz o Salmo CX, 8: "Todos os Seus mandamentos (Senhor) são imutáveis, confirmados em todos os séculos, fundados na verdade e na equidade".

   3ª OBJEÇÃO: Mas é muito difícil seguir estas normas da modéstia. Impondo-as, vai ficar um número muito pequeno na igreja.
   RESPOSTA: Quanto a ser difícil nós não negamos. Jesus mesmo já dissera: "O Reino do Céus padece violência, e só os violentos é que o arrebatam" (São Mateus, XI,12). Quanto a ser um número pequeno o daqueles que seguem as normas da modéstia, nós devemos primeiramente observar que: se todos os padres, baseados na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, ensinassem a modéstia, os fiéis se convenceriam melhor e o número seria maior, embora continuasse a ser minoria em relação aos maus. Nosso Senhor Jesus Cristo já disse: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida e quão poucos são os que dão com ele!" (São Mateus, VII, 13 e 14). Jesus é o caminho a verdade e a vida (São João, XIV, 6). Compreende-se que o caminho do céu e estreito quando se pensa naquela palavra de São Paulo na Epístola aos Gálatas, V, 24: "Aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a sua carne com os seus vícios e concupiscências"
   A História Sagrada confirma o que acabamos de dizer sobre o pequeno número: Quando Deus destruiu a humanidade pelo dilúvio, só oito pessoas se encontraram fiéis a Deus e se salvaram. O resto se entregara aos pecados da carne. Confira Gênesis capítulos VI e VII. Quando Deus destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra só quatro pessoas se salvaram, porque só elas não tinham se contaminado pela homossexualidade. Leia na Sagrada Escritura o capítulo XIX do livro do Gênesis.
  
   4ª OBJEÇÃO: Mas Deus é pai e não vai exigir tanto sacrifício e nem vai castigar alguém por seguir a moda.
   RESPOSTA: Bom! Primeiramente, é necessário deixar bem claro que Deus não proíbe seguir a moda. Já vimos que Santo Tomás de Aquino, cintando inclusive Santo Agostinho, diz que se deve seguir o costume de cada país. Mas já vimos outrossim que a  Bíblia Sagrada  condena unicamente a moda que não seja conforme a decência. Condena também a moda,(mesmo decente), mas que é usada com travestimento.
   Vimos nas Sagradas Escrituras que Deus castigou várias vezes os homens por causa dos pecados da carne. E São Pedro diz que estes castigos foram para servir de exemplo àqueles que venham viver também impiamente segundo a imunda concupiscência. (2 São Pedro, II, 4-10). Vimos, também, que aqueles que desejarem ser de Jesus Cristo têm que renunciarem a si mesmos, aos seus vícios e concupiscência. (Gálatas, V, 24).
   Porque Deus é Pai bondoso e paciente eu não vou ofendê-Lo, mas, pelo contrário, devo procurar a Sua vontade e segui-la. "Quem me ama, disse Jesus, guarda os meus mandamentos". "Quem é meu amigo procura fazer o que eu mando" (São João, XIV, 15 e XV, 14).
   Os que querem seguir esta mentalidade progressista de que Deus é pai e não castiga ninguém e por isso posso fazer o que quero, ouçam o que diz a Bíblia Sagrada em Eclesiástico, V, 2 a 9: "Não te abandones na tua fortaleza,  aos  maus desejos de teu coração; e não digas: Como sou poderoso! Quem poderá obrigar-me a dar-lhe conta das minhas ações? Porque Deus certamente se vingará delas. Não digas: Eu pequei e que mal me veio daí? Porque o Altíssimo, ainda que paciente, é justiceiro, Não estejas sem temor da ofensa que te foi perdoada, e não amontoes pecados sobre pecados.E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, Ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a Sua misericórdia e a Sua ira estão perto uma da outra, e Ele olha para os pecadores na sua ira. Não tardes em te converter ao Senhor, e não o difiras de dia para dia porque virá de improviso a Sua ira." Confira também Epístola aos Romanos, II, 4: "Ou desprezaste as riquezas da Sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência?"
  
   5ª OBJEÇÃO: Mas se a gente não seguir a moda, as pessoas do mundo zombam e chama a gente de atrasada, cafona etc.
   RESPOSTA: Primeiramente, sempre resta uma moda decente; pois os criadores das modas querem o dinheiro de todo mundo, assim como os políticos querem de todo mundo, os votos. Mas, mesmo na hipótese de não haver nenhuma moda  decente no país, devemos estar dispostos a sofrer zombarias por amor a Jesus. O fato é que não podemos ser do mundo, porque a Sagrada Escritura diz a todas as classes de pessoas; "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo" (1 de São João, II, 15). O fato de o mundo zombar daqueles que seguem a Jesus, isto sempre existiu. Jesus mesmo disse: "Porque não sois do mundo, o mundo vos aborrece" (São João XV, 19). São Paulo também diz: "Aqueles que querem viver piamente em Jesus Cristo, sofrerão perseguição" (2 Timóteo, III, 12). Já os Apóstolos pela pregação da fé, e os cristãos por permanecerem firmes nesta fé, foram objeto de zombarias e de toda espécie de sofrimentos. Confira Atos dos Apóstolos, XVII, 32 a 34; e Hebreus, XI, 36 a 40; e 1 São Pedro, IV, 4. Medite, entretanto, no que disse o Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo: "No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele quando vier na glória de Seu Pai com os santos anjos" (São Marcos, VII, 38).

   6ª OBJEÇÃO: Mas a Igreja tem que seguir o progresso; se adaptar aos novos tempos; não pode ficar parada no tempo e nos espaço.
   RESPOSTA: Esta objeção faz parte da doutrina modernista, hoje praticada pelos progressistas, mas já condenada anteriormente por São Pio X.
   O progresso nas coisas boas, a Igreja nos ensina a procurar sempre. Em outras palavras: a Igreja deve levar os homens ao progresso no bem. Isto sim! Porque Jesus fez a Igreja para ser o sal da terra e a luz do mundo. Para a Religião ser verdadeira e ter firmeza, a quem se deve seguir? A Jesus ou aos homens? É claro que se deve seguir a Jesus. Eis o que diz São Paulo: "Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se agradasse aos homens, não seria servo de Cristo" (Gálatas, I, 10). Diz ainda a Sagrada Escritura: "Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e o será por todos os séculos. Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas" (Hebreus, XIII, 8 e 9).

Nossa Senhora revelou à Jacinta, vidente de Fátima: "VÃO APARECER MODAS QUE OFENDERÃO MUITO O MEU DIVINO FILHO".

sábado, 22 de abril de 2017

A IGREJA E O MUNDO (III)

A IGREJA E O MUNDO (III)
"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida".

D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória, em sua CARTA PASTORAL "AGGIORNARMENTO" E TRADIÇÃO escreveu em 1971 que o esforço na adaptação ("aggiornamento") foi além da simples expressão mais ajustada à mentalidade contemporânea. Declara que, em largos meios eclesiásticos, este "aggiornamento" atingiu a própria SUBSTÂNCIA  da Revelação. Diz D. Mayer: "Não se cuida de uma exposição da verdade revelada, em termos em que os homens facilmente a entendam; procura-se, por meio de uma linguagem ambígua e rebuscada, mais propriamente, propor uma nova Igreja, ao sabor do homem formado segundo as máximas do mundo de hoje. Com isso, difunde-se, mais ou menos por toda parte, a ideia de que a Igreja deve passar por uma mudança radical, na sua Moral, na sua Liturgia, e mesmo na sua Doutrina".

Fico a imaginar que quando o Papa João XXIII, anunciou um Concilio, e este pastoral e para fazer "aggiornamento" (o verdadeiro sentido dado pelo Papa, certamente entrou num ouvido e saiu pelo outro) os modernistas esfregaram as mãos e disseram: "Ou agora ou nunca mais; o prato não podia estar melhor pronto para nós mudarmos esta Igreja 'fechada e ultrapassada'!!!" E pior: são unidos e incansáveis nesta tarefa diabólica! Talvez não ousaram imaginar o que infelizmente está acontecendo: um Papa a seu favor, diametralmente oposto a S. Pio X. Atualmente é o reinado das trevas, mas como eclipse. Por fim Nosso Senhor Jesus Cristo dará um basta ao Modernismo, ao Comunismo e ao Liberalismo  e triunfará o Imaculado Coração de Maria e teremos o Reinado do Sacratíssimo Coração de Jesus. Tenhamos fé, pois, a Igreja é divina!

Feita esta introdução, vamos ver como a verdadeira Igreja, (não a  modernista) mas a tradicional, age em relação ao MUNDO, no sentido dado pelo texto em apreço.

A Igreja Tradicional, sempre baseada na Sagrada Escritura e na Tradição, combate o mundo ( no sentido exposto acima) e adverte os homens contra os seus perigos e as suas seduções. Ela admite e elogia os legítimos progressos da ciência e da sociedade. Aliás a Igreja deu grandes cientistas e homens célebres à sociedade. A doutrina e moral de Nosso Senhor Jesus Cristo, no entanto, são perfeitas, e como tais, não podem sofrer adições, subtrações, alterações ou transformações. Podem sim esclarecer-se. É como um ser vivo que se desenvolve e aperfeiçoa, porém na mesma natureza, que faz com que o indivíduo seja sempre o mesmo.

Apenas um parêntese: Antigamente dizia-se simplesmente SANTA MADRE IGREJA, todos sabiam que se tratava da única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje, dominando na Igreja os Modernistas, faz-se mister adicionar a qualificação TRADICIONAL, em oposição à ala progressista, que, como diz D. Mayer na citação acima, "procura-se propor uma nova Igreja, ao sabor do homem formado segundo as máximas do mundo de hoje".

A Igreja Tradicional procura ver o que disse Jesus Cristo, que disseram os Apóstolos e os seus sucessores sobretudo os santos, no decorrer dos séculos.

1. QUE DISSE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO?

a) Jesus afirma que Ele não é do mundo e que seus seguidores também não são do mundo: Na oração ao Pai: "Dei-lhes a tua palavra e o mundo os odiou, porque não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os guarde do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo" (S. João, XVII, 14-16). Após a Última Ceia, dirigindo-Se aos seus discípulos:  "Se o mundo vos aborrece, sabei que primeiro do que a vós me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque vós não sois do mundo[...] por isso o mundo vos aborrece" (S. João, XV, 18 e 19).

b) Jesus afirma que venceu o mundo: "Haveis de ter aflições no mundo, mas tende confiança, eu venci o mundo" (S. João, XVI, 33).

c) Jesus afirma que a sua paz não é a mesma do mundo: "Deixo-vos a paz: dou-vos a minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo" (S. João, XIV, 27).

d) Jesus explicando a parábola do semeador, disse que são os cuidados do mundo com seus deleites desordenados e a ilusão das riquezas que impedem o homem de se converter quando ouve a palavra de Deus: "Os que recebem a semente entre os espinhos são aqueles que ouvem a palavra; mas as solicitudes do mundo e a ilusão das riquezas e os afetos desordenados, entrando, afogam a palavra e ela fica infrutuosa" (S. Marcos, IV, 18).

e) Jesus fala contra os escândalos e na necessidade da mortificação: "Ai do mundo por causa dos escândalos! Porque é inevitável que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo! Por isso, se a tua mão ou o teu pé te escandaliza, corta-o e lança-o fora de ti; melhor te e entrar na vida com um pé ou mão a menos, do que, tendo duas mãos e dois pés, ser lançado no fogo eterno" (S. Mateus, XVIII, 7-9).

f) Jesus exige abnegação, penitência e renúncia do mundo: "E chamando a si o povo com seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida[neste mundo]a perderá [a eterna]; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, a salvará. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca pela sua alma? No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (S. Marcos, VIII, 34-38).

g) Jesus no sermão da montanha mostra as suas máximas que são diametralmente opostas à máximas do mundo: Caríssimos, aconselho que leiam e meditem este sermão do Divino Mestre, sermão este que o Evangelista São Mateus relata nos capítulos 5º, 6º e 7º.

2. QUE DISSERAM OS APÓSTOLOS SOBRE O MUNDO?

SÃO JOÃO EVANGELISTA: "Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes, e porque a palavra de Deus permanece em vós e porque vencestes o maligno. Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa, e a sua concupiscência com ele, mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 S. João, II, 14-17). Hoje se dirigem aos jovens (JMJ) com linguagem bem diferente!!!

SÃO PAULO: "E não vos conformeis com este século (=mundo), mas reformai-vos com o renovamento do vosso espírito, para que reconheçais qual é a vontade de Deus, boa, agradável e perfeita" (Rom. XII, 2). "Digo-vos pois: andai segundo o espírito de Deus e não satisfareis os desejos da carne. Porque a carne tem desejos contrários ao espírito, e o espírito desejos contrários à carne; porque estas coisas são contrárias entre si, para que não façais tudo aquilo que quereis. As obras da carne são manifestas: são o adultério, a fornicação, a impureza e a luxúria, a idolatria, os malefícios, as inimizades, as contendas, as rivalidades, as iras, as rixas, as discórdias, as seitas, as invejas, os homicídios, a embriaguez, as glutonarias e outras coisas semelhantes, sobre as quais vos previno, como já vos disse, que os fazem tais coisas não possuirão o reino de Deus"  (Gálatas, V, 16, 17 e 19-21). "Nem sequer se nomeie entre vós a fornicação ou qualquer impureza ou avareza como convém a santos; nem palavras torpes, nem loucas nem chocarrices que são coisas inconvenientes" (Efésios, V, 3-6). "Não vos deixeis seduzir; as más conversações corrompem os bons costumes". "Não reine, pois, o pecado no vosso corpo mortal de maneira que obedeçais às suas concupiscências" (Romanos, VI, 12). "E vós estáveis mortos pelos vossos delitos e pecados nos quais andastes outrora, segundo o costume deste mundo, segundo o príncipe que exerce o poder sobre este ar, espírito que agora domina sobre os filhos da incredulidade entre os quais também todos nós vivemos outrora, segundo os desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e da concupiscência e éramos por natureza filhos da ira como todos os outros"  (Efésios, II, 1-3). "Aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a sua carne com os seus vícios e concupiscências" (Gálatas, V, 24).

SÃO PEDRO: "Por Ele mesmo [Jesus] nos deu as maiores e mais preciosas promessas a fim de que por elas vos torneis participantes da natureza divina, fugindo da corrupção da concupiscência que há no mundo" (2 S. Pedro, I, 4). "Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vós abstenhais dos desejos carnais que combatem contra a alma" (1 S. Pedro II, 11).

SÃO TIAGO: "Adúlteros, não sabeis que a amizade deste mundo é inimiga de Deus? Portanto, todo aquele que quiser ser amigo deste século constitui-se inimigo de Deus (S. Tiago, IV, 4). "A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é essa: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo" (S. Tiago, I, 27).

A Teologia Moral tradicional sempre ensinou que temos obrigação de fugir das ocasiões perigosas; ambientes onde reinam a imoralidade e a imodéstia por causa da concupiscência dos olhos e da carne: "Quem ama o perigo morre nele" (Eclesiástico, III, 27). Daí também o conselho de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação" (S. Marcos, XIV, 38). "Não frequentes o trato com a bailarina, nem a ouças, para que não suceda pereceres à força de seus atrativos (...). "Não deixes errar os olhos pelas ruas da cidade, nem andes  vagueando pelas suas praças. Afasta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes com curiosidade para a formosura alheia. Por causa da formosura da mulher pereceram muitos, e por ela se acende a concupiscência como fogo" (Eclesiástico, IX, 4, 7-9).

Aquelas que vivem em excessos de vaidades e na imodéstia devem meditar no seguinte: Se a Sagrada Escritura tem tão detalhadas e exigentes advertências contra os perigos da simples vaidade e atrativos femininos quanto mais não será exigente em relação a maldade da imodéstia feminina. Jesus disse: "Ai da pessoa que der escândalos!"

Por outro lado, aquelas pessoas que possam ficar perturbadas diante destes textos, já que são obrigadas a viver num mundo tão corrupto, queremos esclarecer que este texto da Bíblia adverte o homem contra a maldade de procurar o mal e se expor voluntariamente ao perigo. Mas se nós guardamos no coração a vontade decidida de não ofender a Deus, embora tendo que trabalhar em ambientes perigosos, tendo que andar nas ruas e praças das cidades e até que tratarmos com pessoas perigosas , nós não pecamos mesmo sendo inevitável a vista de muitas imoralidades e imodéstias, porque de um lado não procuramos estas coisas e por outro, quando se apresentam, não aceitamos. Procurar, então, mortificar a vista o quanto for possível e Deus nos dará a graça suficiente para não nos contaminarmos. E assim não perdemos também a alegria do espírito.

Coisa bem diferente é quando a pessoa procura o mal como por exemplo: se alguém sai às ruas e praças sem necessidade e já com o intuito de procurar ver o que não deve, ou vai ao baile (que foi sempre perigoso e hoje deixou de ser sem maldade), se vai ao carnaval etc., nestes casos já pecou, porque aceitou a maldade no coração. Os modernistas dizem que o que manda é o coração; os tradicionalistas dizem: sim, o que manda é o coração reto que procura fazer o que Deus manda, e evitar o que Ele proíbe.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

A IGREJA E O MUNDO (II)


"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo" ( 1 S. João, II, 15 e 16).

Desde o Concílio Vaticano II que vem se instalando e se avolumando uma desastrosa revolução dentro da Santa Madre Igreja. Na época em que escrevi este artigo já se falava em uma Nova Igreja, com uma Moral Nova e uma Liturgia Nova. Tudo mudou no sentido em que os Modernistas sempre tanto almejavam. Tivemos a grande graça de sermos orientados por um Bispo, sábio, humilde, homem de oração e de penitência, D. Antônio de Castro Mayer. Em abril de 1971 escrevia ele, citando Paulo VI: "muitos fiéis se sentem perturbados na sua fé por um acumular-se de ambiguidades, de incertezas  e de dúvidas, que atingem essa mesma fé no que ela tem de essencial. Estão neste caso os dogmas trinitário e cristológico, o mistério da Eucaristia e da Presença Real, a Igreja como instituição de salvação, o ministério sacerdotal no seio do Povo de Deus, o valor da oração e dos Sacramentos, as exigências morais que dimanam, por exemplo da indissolubilidade do matrimônio ou do respeito pela vida. Mais: até a própria autoridade divina da Escritura chega a ser posta em dúvida, em nome de uma 'desmitização radical" (Exortação Apostólica de Paulo VI, A.A.S., 63, p. 99). Comentando estas palavras do Papa Paulo VI, diz D. Mayer: "Como vedes, amados filhos, a crise na Igreja não poderia ser mais profunda. Lendo as palavras do Papa, nós nos perguntamos: que ficou de intacto no Cristianismo? pois, se não há certeza sobre o dogma trinitário, mistério fundamental da Revelação cristã, se pairam ambiguidades sobre a Pessoa adorável do Homem-Deus, Jesus Cristo, titubeia-se diante da Santíssima Eucaristia, se não se entende a Igreja como instituição de salvação, se não se sabe a que o Sacerdote entre os fiéis, nem há segurança das obrigações morais, se a oração não tem valor, nem a Sagrada Escritura, que há de Cristianismo, de Revelação cristã? (...) Depois D. Mayer mostra que havia um empenho por construir uma nova Igreja psicológica e sociológica: "Tanto mais, escreve o ínclito Bispo, quanto a Exortação do Santo Padre deixa entrever que há uma verdadeira conspiração para demolir a Igreja. É o que se deduz do trecho seguinte ao acima citado, no qual o Pontífice observa que às dúvidas, ambiguidades e incertezas na exposição positiva do dogma, somam-se o silêncio "sobre certos mistérios fundamentais do Cristianismo" e a "tendência para construir um novo cristianismo a partir de dados psicológicos e sociológicos" no qual "a vida cristã esteja destituída de elementos religiosos"(p. 99). Há, pois, continua D. Mayer, entre os fiéis, um movimento de ação dupla convergente para a formação de uma nova Igreja, que só pode ser uma nova falsa religião; de um lado, criam-se incertezas sobre os mistérios revelados; de outro, estrutura-se uma vida cristã ao sabor do espírito do século". (Carta Pastoral, "Aggiornamento e Tradição", L. "Por um Cristianismo Autêntico, p. 358 e 359).

Feita esta introdução, vamos agora ver o modo de agir dos modernistas em relação ao mundo.

No texto último citado, no fim diz D. Antônio de Castro Mayer: "Estrutura-se uma vida cristã ao sabor do espírito do século". SÉCULO é sinônimo de MUNDO no sentido explicado no texto em apreço.

É de todos evidente como a postura dos modernistas e dos tradicionalistas na Igreja, em relação ao mundo, é muito diferente. Os modernistas não se preocupam em combater o mundo; em advertir os féis contra suas máximas, seus perigos, suas seduções. O que é preciso, dizem eles, é satisfazer à mentalidade moderna. Dizem que a Igreja para não soçobrar precisa acomodar sua doutrina ao mundo de hoje. Não pode ficar parada no tempo e no espaço. Esta igreja nova estabelece a religião do homem e elimina tudo quanto possa significar uma imposição à liberdade ou uma repressão à espontaneidade humana. Desconhece assim a queda original e extenua a noção de pecado. Faz esquecer a austeridade cristã, não fala em penitência. Tem toda indulgência para o prazer mesmo venéreo, para os pecados da carne. Na vida conjugal e familiar, a religião do homem sobrepõe o prazer ao dever. Os filhos são considerados como um fardo pesado. Justificam os métodos anticoncepcionais. A moral nova é indulgente e até favorável a homossexualidade, e a co-educação. A imodéstia nos trajes, a frequentação de ambientes perigosos e pecaminosos, como: carnaval, praias, piscinas, bailes; os namoros mais indecentes e avançados, tudo isso é olhado com muita indulgência pela moral-nova da ala progressista. E como os homens ou procedem como pensam ou terminam pensando de acordo com seu procedimento, numa sociedade toda ela mergulhada na sensualidade, começam a perder a noção do bem e do mal (hoje já perderam) e a criar para si uma moral subjetiva que lhes não censure a conduta irregular. Daí a ojeriza a tudo que lhes avive a consciência do estado moralmente deplorável.  Parece que os modernistas querem tranquilizar as consciências no pecado. Como as consciências, na maioria talvez, já estejam cauterizadas, vão se familiarizando como o pecado, com os ambientes e costumes pecaminosas e bebem o pecado como por brincadeira, "per risum": "É um divertimento para o louco fazer o mal" (Prov. X, 23).

Por isto, a sociedade de hoje não tolera que se lhe fale no inferno, que se lhe lembre que o demônio existe e é o príncipe deste mundo. Não gosta que se fale em castigos. Como gostaria que tudo isso não passasse de ilusões, quer viver como se nada disso tivesse consistência. Faz como a avestruz que esconde a cabeça na areia para não ver o perigo. E além do mais, os fautores e seguidores desta moral nova dos modernistas se colocam do lado do mundo, e nisto não são incomodados pela imprensa, televisão, rádio e hoje, Internet (Mídia), mas, pelo contrário, recebem todo apoio destes meios de comunicação que, na maioria das vezes,(ainda bem que a Internet tem sua aplicação para o bem, só depende de cada um) são, na verdade, agentes do mundo. Os próprios sacerdotes da ala modernista deixam a batina e até o clergiman e se sentem assim mais à vontade no mundo participando de ambientes dissipantes e até pecaminosos. Jesus Cristo ia à casa de pecadores para convertê-los, mas estes vão a ambientes onde se cometem pecados, e os pecadores ficam ainda mais confirmados em sua enganosa tranquilidade de consciência . Mas sua verdadeira conversão torna-se menos viável.

No próximo artigo, se Deus quiser, falaremos do modo de agir da verdadeira Igreja, ou seja dos que seguem a Sagrada Escritura, segundo a interpretação dos Santos Padres, ensinamento este transmitido pelo Magistério vivo, perene e infalível da Igreja. Amém!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A IGREJA E O MUNDO (I)


"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo" (1 João, II, 15).

Escrevi este artigo quando ainda seminarista, ou mais precisamente, há 45 anos. Mostrei-o à S. Ex.cia Rev.ma D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória, que, então,  bondosamente o leu e deu a sua aprovação.

 Hoje, vemos como os modernistas, mais do que nunca, dominando na Igreja, fazem uma mistura das coisas sagradas com as mundanas, como foi o fato sacrílego acontecido no carnaval deste ano em São Paulo, quando o Cardeal Odilo Pedro Scherer permitiu que o bloco carnavalesco União de Vila Maria, sob pretexto de homenagear os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, misturasse samba com cânticos religiosos, e colocasse a imagem de Nossa Senhora Aparecida, inclusive com o manto e coroa bentos por um padre do Santuário de Aparecida, colocasse, digo, num ambiente o mais mundano e pecaminoso possível, que é o carnaval, máxime o do Brasil. Assim sendo, achei por bem publicar este artigo. Oxalá as almas possam ver onde está a verdadeira doutrina de Nosso Senhor, e, outrossim, vejam como os modernistas são realmente os maiores inimigos da Igreja.

Feita que foi esta introdução, vamos iniciar as nossas reflexões sobre este texto das Sagradas Escrituras, acima enunciado.

Demos, em primeiro lugar, a noção correta de MUNDO, sentido este expresso no texto em apreço e nos muitos outros que aqui citaremos.

Tomamos aqui o termo MUNDO  não enquanto significa as obras da criação ou o conjunto das pessoas que vivem na terra (bons e maus), mas enquanto significa o complexo daqueles que são escravos da tríplice concupiscência e cujas máximas são contrárias às de Jesus Cristo. Mundo neste último sentido é explicado pelo Apóstolo São João na sua Primeira Epístola: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa, e a sua concupiscência com ele, mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 João, II, 15-17). 

Baseados sempre nas Sagradas Escrituras e na Tradição, vamos explicar esta definição do mundo dada por S. João Evangelista.

1. CONCUPISCÊNCIA DA CARNE: Sobre ela eis o que diz São Paulo: Caminhemos como de dia, honestamente; não caindo em glutonarias e na embriaguez, não em desonestidades e dissoluções; não em contendas e emulações, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não vos ocupeis da carne em suas concupiscências" (Rom. XIII, 13 e 14). "Caminhemos como de dia, honestamente". As obras dos filhos das trevas são feitas comumente à noite. São todas as desonestidades provenientes da concupiscência da carne. É o amor desordenado dos prazeres dos sentidos. Em primeiro lugar o amor sensual ou luxúria, espalhado por todo o corpo: ver, ouvir, falar, fazer tudo aquilo que acende e alimenta as chamas do amor impuro. Também os excessos no comer e beber e a moleza da vida.

Em outras passagens, o Apóstolo mostra como devem agir os "filhos da luz": Aqueles que são de Jesus Cristo, crucificaram sua carne com seus vícios e concupiscências" (Gálatas, V, 24). Caríssimos, vede que S. Paulo não diz: "crucificaram seus vícios e concupiscências", mas "sua carne com seus vícios e concupiscências". O bom médico vai à raiz do mal. A carne, depois do pecado original, é a raiz dos males.

Ouçamos ainda S. Pedro, o primeiro Papa: "O Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne na imunda concupiscência" (1 Pedro, II, 9 e 10).

2. CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS: Compreende duas coisas: a) a curiosidade doentia ou seja o desejo imoderado de ver, ouvir e conhecer o que se passa no mundo, alimentando e excitando assim a sensualidade. Neste sentido eis o que diz o Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: "Ooliba [figura da corrupção de Jerusalém] foi aumentando sempre a fornicação porque tendo visto alguns homens pintados na parede, umas imagens dos caldeus delineadas com cores... pela concupiscência dos seus olhos concebeu por eles uma paixão louca"  (Ezequiel, XXIII, 14 e 16). "Os olhos não se fartam de ver..." (Eclesiastes I, 8). "Eu(Jesus), porém, digo-vos que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a já cometeu adultério com ela no seu coração" ( S. Mateus V, 28). 

Como a concupiscência vem do mundo, este promove tudo aquilo que provoca e fomenta a concupiscência dos olhos, e através desta, a concupiscência da carne, como por exemplo: revistas pornográficas, filmes, novelas e espetáculos imorais, bailes, imodéstia no vestir, sobretudo em certos ambientes como praias, piscinas, e festas mundanas, sobressaindo entre elas o Carnaval (máxime aqui no Brasil), namoros indecentes mesmo em público, (assim eu escrevia há 45 anos, e hoje? nem preciso dizer o que são!). Entra ainda o papel da televisão, do cinema, da maioria dos jornais e hoje máxime da Internet usada para o mal, como veículos de propagação destas imoralidades.

b) A concupiscência dos olhos pode ser interpretada também como o amor desordenado do dinheiro, ou avareza. Com efeito, o dinheiro, ou apegando o homem a terra e afastando seu pensamento de Deus ou provocando o luxo e o comodismo, oferece maior facilidade para tudo aquilo que fomenta a concupiscência dos olhos e promove a concupiscência da carne. Aliás é por aí que o demônio começa como ensina S. Paulo: "Os que querem enriquecer caem na tentação e no laço do demônio e em muitos desejos inúteis e perniciosos que submergem os homens na morte e na perdição. Com efeito a raiz de todos os males é o amor do dinheiro" (1 Timóteo, VI, 9 e 10). Jesus disse: "Não procureis (com cuidados excessivos) o que haveis de comer e beber e não andeis com espírito preocupado. Porque são os homens do mundo que buscam todas estas coisas" (S. Lucas, XII, 29). E explicando a parábola do semeador diz ainda: "A semente que caiu entre espinhos, representa aqueles que ouviram a palavra, porém, vão e ficam sufocados pelos cuidados do mundo, pelas riquezas e prazeres desta vida e não dão fruto" (S. Lucas, VIII, 14).

Eis como a Sagrada Escritura fala da concupiscência dos olhos tomada no sentido de AVAREZA: "O olho do avaro não se sacia com uma porção injusta; não se fartará, enquanto não tiver consumido e secado a sua vida. O olho mau tende para o mal, e não se saciará de pão, mas estará faminto e melancólico à mesa" (Eclesiástico, XIV, 9 e 10).

3. A SOBERBA DA VIDA: É o orgulho. É primeiramente a vaidade mais vulgar que gosta da ostentação e do luxo. O dinheiro ajuda a soberba. Esquecido de Deus e entregue a si mesmo, o homem considera-se o seu próprio deus. Daí vêm: avareza, espírito de independência, egoísmo, vã complacência, vanglória, jactância, ostentação, hipocrisia etc.. O homem orgulhoso confia em si mesmo; por isso se expõe aos perigos, aos ambientes mundanos, não aceita uma norma de vida, um moral fora e acima dele. Ele mesmo é o árbitro de suas ações, ele é que determina a sua moral, o seu modo de agir. Em uma palavra: ele faz a sua religião. Compreende-se assim facilmente com o orgulhoso, que, na verdade, é rejeitado por Deus, tem o caminho aberto para toda concupiscência, entregando-se aos pecados e baixezas da carne, o que aliás constitui um castigo de seu próprio orgulho.

Vejamos apenas alguns textos da Sagrada Escritura sobre a soberba da vida: "Mas vós, pelo contrário, elevai-vos na vossa soberba" (S. Tiago, IV, 16). "O princípio da soberba do homem é afastar-se de Deus" (Eclesiástico, X, 14). "Não há coisa mais detestável do que o avarento. Por que se ensoberbece a terra e a cinza? "Tua arrogância enganou-te, assim como a soberba do teu coração" (Jeremias, CLIX, 16).

O mundo, que tem como príncipe o demônio (Cf. S. João, XII,31; XIV, 30; XVI, 11).  ) e por estandarte a tríplice concupiscência, como age? Caríssimos, depois da queda original a natureza humana é inclinada para a concupiscência que atrai e alicia, e esta é alimentada pelo mundo que por sua vez é governado pelo demônio. Estes são os três inimigos das nossas almas: o mundo, a carne, e o demônio. Eis a explicação dada pelo próprio Espírito Santo através de S. Tiago: " Cada um é tentado pela sua própria concupiscência que atrai e alicia. Depois a concupiscência quando concebeu dá à luz o pecado" (S. Tiago, I, 14). S. João diz por sua vez: "Aquele que comete o pecado é filho do demônio, porque o demônio peca desde o princípio" (1 S. João, III, 8). E no capítulo V, 19 diz: "Sabemos que somos de Deus, mas o mundo está sob o maligno". Nosso Senhor Jesus Cristo na parábola do joio explicou que é o demônio o homem inimigo que suscita os maus sobre a terra (Cf. S. Mateus, XIII, 39).

O mundo então através da tríplice concupiscência e excitado pelo demônio persegue os bons de duas maneiras:

 1 - Seduzindo-os através de suas vaidades e prazeres; promove, como vimos acima, tudo aquilo que favorece os olhares lascivos e enlaces sensuais, mas apresenta tudo isso como coisas necessárias para fomentar o amor; como úteis para a saúde, recreações, higiene, etc.. E assim, procura enganar as consciências. Depois o mundo elogia os que sabem gozar a vida. Prega o amor desordenado do prazer: "Coroemo-nos de rosas antes que elas murchem" (Sab. II, 8). É um dever sagrado, dizem os mundanos, aproveitar a mocidade, gozar a vida. O mundo seduz ainda pelos seus maus exemplos. Com mostra a trilhar o caminho largo, apresenta como argumento supremo a maioria. Todos os mandamentos se resumem neste: todo mundo faz assim; é a moda, etc..

2 - Quando não pode seduzir os bons, o mundo trata de os aterrar movendo-lhes perseguições: Assim, desviam-se da prática da religião os tímidos, metendo a riso os devotos, os que fazem penitência, os "ingênuos" que acreditam em dogmas imutáveis, motejam das mães que têm muitos filhos, e que vestem modestamente suas filhas, zombam daqueles que fogem dos ambientes perigosos: como bailes, praias, piscinas, carnaval, etc..

Já disse a Sagrada Escritura: "Aqueles que querem viver piedosamente sofrerão perseguição" (2 Timóteo, III, 11).

Diante da opressão que o mundo lhes faz, consolem-se com o diz a Sagrada Escritura: Em realidade se Deus não perdoou ao mundo antigo; mas somente salvou com outros sete a Noé, pregador da justiça, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo dos ímpios, e se condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as as cinzas para servir de exemplo aqueles que venham a viver impiamente, se, enfim, livrou o justo Lot oprimido pelas injúrias e pelo viver luxurioso destes infames (esse justo que habitava entre eles sentia diariamente a sua alma atormentada, vendo e ouvindo as suas obras iníquas), é porque o Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo, a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne na imunda concupiscência e desprezam a soberania (de Cristo)" (2 S. Pedro, II, 4-10).
Caríssimos, desculpem-me por eu ter me estendido demais. Mas, na verdade, o artigo ainda continua.  Veremos ainda, se Deus quiser, o modo de agir dos modernistas e o da Tradição em relação ao mundo. Faremos depois mais dois artigos sobre A MODÉSTIA NO VESTIR. Sempre me baseando nas Sagradas Escrituras.


terça-feira, 18 de abril de 2017

AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA ( I )

   Escrevi este artigo há 4 décadas. O que é palavra de Deus, permanece para sempre e vale para todos.
   Como muitos padres não usam mais falar contra a imodéstia das modas, muitas pessoas, sobretudo as mais novas, ficam pensando que as exigências do modéstia são invenções de alguns padres. Por isso, quero tratar deste assunto baseado na Sagrada Escritura, que é a palavra de Deus escrita para nosso ensinamento.
   1 - Deus criou Adão e Eva no estado de inocência, sem a concupiscência, isto é, sem o desregramento das paixões. Daí, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavam. (Confira Gênesis, II, 25). E eles conversavam familiarmente com Deus. Mas, a partir do momento que pecaram, perderam a inocência, começaram a ter maldade e então, tiveram vergonha em se verem nus, e coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. (Confira Gênesis, III, 7). Foi o que eles puderam conseguir naquele momento após o pecado. Mas embora assim cobertos na cintura, se julgaram ainda nus, tiveram vergonha e se esconderam de Deus: "E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele respondeu: Ouvi a tua voz no paraíso, e tive medo, porque estava nu, e escondi-me" ( Gênesis, III, 9 e 10). E notai que o próprio Deus não achou suficiente esta veste sumária. Eis o que diz a Bíblia em Gênesis, III, 21: "Fez também o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu".
   2 - Consideremos bem isto, porque é uma ação do próprio Deus. Quem ousará contestá-la?! Se veste fosse assim algo secundário, Deus teria deixado à critério de Adão e Eva. Considere-se, primeiramente, que Deus os vestiu assim com modéstia, embora fossem esposos e os únicos que existiam até então sobre a terra. Como tudo que Deus faz é bom, disto tiramos duas conclusões: 1ª- aqui aplica-se também a palavra de São Paulo que recomenda a modéstia "porque Deus está perto" (Filipenses, IV, 5). - Deus assim agiu para servir de ensinamento à toda posteridade. A pessoa deve se vestir com modéstia não só na igreja, mas em toda parte. É claro que na igreja exigir-se-ão modéstia e decoro ainda maiores. São Paulo diz: "Do mesmo modo orem também as mulheres em trajes honestos, vestindo-se com modéstia e sobriedade" (1 Timóteo, II, 9). Considere-se também que Deus vestiu nossos primeiros pais com TÚNICAS. A túnica, por sua própria natureza, é uma veste que satisfaz as exigências da modéstia, porque oculta inteiramente o corpo, não só enquanto o cobre, mas também enquanto não deixa transparecer a sua forma.
   3 - Sobre veste, há ainda no Antigo Testamento uma outra passagem: "A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher, porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus" (Deuteronômio, XXII, 5). Estas palavras da Bíblia indicam duas coisas: 1ª - Que havia diferenciação entre o modo de se vestir dos homens e das mulheres. A própria ordem natural feita por Deus exige que as diferenças entre os sexos sejam manifestadas. Já que depois do pecado original, os corpos têm de ser cobertos, as vestes têm que ser adequadas a cada sexo. Fica assim condenada toda moda unissex. 2ª - Em segundo lugar, a Bíblia condena o travestimento, ou seja, a mulher vestir as  roupas próprias de homem, e o homem vestir as roupas próprias de mulher. A Bíblia Sagrada não fala  que tipo de veste se deveria usar. Por isso Santo Tomás, citando Santo Agostinho, diz que se deve usar as vestes segundo o costume de cada região ou país, desde que sejam modestas e apropriadas para cada sexo. No Antigo Testamento, quando homens e mulheres usavam túnicas, havia diferença, sobretudo por causa dos véus que as mulheres usavam. E nos primeiros séculos do Cristianismo o véu para as mulheres era obrigatório, como diz Santo Agostinho. Santo Tomás de Aquino atesta que este costume caiu, embora a queda deste costume não fosse uma coisa louvável. Mas o uso do véu para o sexo feminino continua obrigatório na igreja: pelo menos, assim fazem os fiéis tradicionalistas, obedecendo o que diz São Paulo: "Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher faça oração a Deus, não tendo véu? (1 Cor. XI, 13). E, como disse Jesus, a igreja é casa de oração.
   Entre o povo fiel a Deus, procurando obedecer ao Seu preceito, desde os primeiros tempos, procurou-se um feitio de túnica para cada sexo, além das vestes complementares que davam naturalmente uma diferenciação maior, sobretudo o uso do véu para as mulheres, como já foi dito. Há, no entanto, testemunhos de que os pagãos não obedeciam estas normas. Não reconheciam o verdadeiro Deus e a Sua Lei.
   Os sacerdotes da Antiga Lei também usavam túnicas cujo modelo era bem diferente e foi indicado pelo próprio Deus. Confira Êxodo, XXVIII, 31. Nosso Senhor Jesus Cristo também se cobria com túnica. Confira S. João, XIX, 23. Há muitas outras passagens do Antigo e do Novo Testamento que mostram ser a túnica usada entre o povo. Por exemplo: Gênesis XXXVII, 32; São Mateus, V, 40; (fala também da capa); Atos, IX, 39 etc. Até hoje, os padres ( pelo menos alguns) usam a batina que é uma veste talar que lembra a túnica de Jesus. Ninguém vai dizer que é veste feminina. O feitio da batina é muitíssimo diferente de um vestido como hoje é usado pelas mulheres. Além disso há o colarinho que é obrigatório; e a faixa que é facultativa.
   Além da primeira razão da decência para as vestes (o repeito à presença de Deus; a concupiscência própria e a vergonha natural depois do pecado original), há também uma outra razão que diz respeito ao próximo. Como depois do pecado original passou a existir no homem a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos pelos quais entram no coração os maus desejos, a lascívia, os adultérios etc., as vestes cobrindo direito o corpo se tornam necessárias também em relação ao próximo, ou seja, para se evitar o escândalo, isto é, tropeço que leva as pessoas a cair no pecado. E neste particular, indecente e condenável é não só a veste que não cubra bem o corpo, mas também quando deixa transparecer a forma do corpo ou em razão do seu próprio feitio ou por ser ajustada. Aliás, roupa muito ajustada, só pode ter uma razão de ser: a maldade. Além de ser incômoda, é, segundo a medicina, prejudicial à saúde.  
   Nosso Senhor Jesus Cristo deixou os princípios, os avisos, as regras da Moral pelos quais todos os homens devem guiar o seu modo de proceder. Segundo diz a Sagrada Escritura na Epístola aos Hebreus, XXII, 8 e 9: "Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje, e por todos os séculos". E, por outro lado, os homens, quanto à concupiscência, são também sempre os mesmos. Daí, não pode ninguém dizer que os tempos mudaram e por isso, as advertências de Jesus não têm mais valor hoje. Consideremos, então, algumas destas advertências de Jesus. Ele falou contra os escândalos, isto é, as seduções que levam os outros ao pecado. Disse Jesus: "Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é inevitável que sucedam escândalos; mas ai daquele por quem vem o escândalo!" (São Mateus, XVIII, 7-9). Jesus advertiu igualmente: "Quem olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração" (São Mateus, V, 28). Agora, quem é que não reconhece que uma pessoa vestida menos decentemente é causa destes maus desejos e adultérios contra os quais fala Jesus acima ?
   E há também o escândalo das crianças que se sentem tentadas a imitar as adultas e assim vão perdendo o recato, o pudor e a pureza já desde pequenas. Jesus advertiu: "É melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar do que escandalizar uma criança" (São Mateus, XVIII, 6). Já imaginaram as contas que vão dar a Deus as mães que dão este mau exemplo às suas filhas!!! Os pais procurem, pois, seguir o conselho que a Bíblia Sagrada lhes dá em relação aos filhos: "Tens filhos? Ensina-os bem, e acostuma -os à sujeição desde a sua infância. Tens filhas? Conserva a pureza de seus corpos" (Eclesiástico, VII, 25 e 26). Quantas mães, no entanto, desculpam seus filhos dizendo que são jovens e devem aproveitar a mocidade. Estas ouçam o que diz a Sagrada Escritura: "Regozija-te, pois, ó jovem na tua mocidade e viva em alegria o teu coração na flor de teus anos, segue as inclinações de teu coração e o que agrada a teus olhos, mas sabe que Deus te chamará a dar contas de todas estas coisas" (Eclesiastes, XI, 9 e 10). Meditem, outrossim, nos elogios que a Bíblia faz a castidade e pureza: "Oh! quão formosa é a geração pura com o seu brilho!" (Sabedoria IV, 1). "Graça sobre graça é a mulher santa e cheia de pudor! Todo preço é nada em comparação de uma alma que pratica a castidade" (Eclesiástico, XXVI, 19 e 20).
   CONCLUSÃO: A Sagrada Escritura e a Tradição são as duas bases sólidas sobre as quais se funda a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se alguém não as aceita, então vai se basear em quê? No seu modo de pensar? Nas máximas do mundo? Mas quem age assim, não é de Jesus Cristo.
NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA!   CONVERTEI OS PECADORES! 
  


domingo, 16 de abril de 2017

SANTA PÁSCOA!


SANTA PÁSCOA



Desejo aos caríssimos leitores uma FELIZ E SANTA PÁSCOA!



"Vós não sabeis que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Nós fomos, pois, sepultados com Ele, a fim de morrer (para o pecado) pelo batismo, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós vivamos uma vida nova" (Rom. VI, 3 e 4).

Os méritos de Jesus Cristo adquiridos pela sua Paixão e Morte, subsistem para depois da Sua gloriosa Ressurreição. Para isto significar, quis conservar as cicatrizes das chagas: apresenta-as ao Pai em toda a sua beleza, como títulos à comunicação da sua Graça. Como diz São Paulo: "... (Jesus) porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente  os que por Ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós"(Hebr. VII, 25).
É logo no Batismo que participamos da graça da Ressurreição. É também o que diz S. Paulo, como acima transcrevemos.  A água santa em que mergulhamos no Batismo é, segundo o Apóstolo, a imagem do sepulcro (Na época se administrava o batismo também por imersão). Ao sair dela, fica a alma purificada de toda a falta, de toda a mancha, livre da morte espiritual e revestida da graça, princípio da vida divina. Jesus Cristo tem infinito desejo de nos comunicar a Sua vida gloriosa, assim como teve um ardente desejo de ser batizado com o batismo de sangue para nossa salvação. E o que é mister seja feito para correspondermos a este desejo divino e nos tornarmos semelhantes a Jesus ressuscitado? É preciso viver no espírito do nosso Batismo: renunciar de verdade (e não só de lábios) a tudo o que na nossa vida é viciado pelo pecado; fazer "morrer" cada vez mais o "velho homem". Continuando o texto supracitado no início: "Porque, se nos tornarmos uma só planta com Cristo, por uma morte semelhante a d'Ele, o mesmo sucederá por uma ressurreição semelhante, sabendo nós que o nosso homem velho foi crucificado juntamente com Ele, a fim de que seja destruído o corpo do pecado, para que não sirvamos jamais ao pecado" (Rom. VI, 5 e 6). Assim, tudo em nós deve ser dominado e governado pela graça. Nisto consiste para nós toda a santidade: afastar-nos do pecado, das ocasiões do pecado, desapegarmo-nos das criaturas e de tudo o que é terreno, para vivermos em Deus e para Deus com a maior plenitude e estabilidade possíveis.  E São Paulo continua explicando: "De fato aquele que morreu, justificado está do pecado. E, se morremos com Cristo, creiamos que viveremos também juntamente com Cristo"...

Caríssimos, esta obra de santidade inaugurada no Batismo, continua durante toda a nossa existência. São Paulo dizia: "Eu morro todos os dias". É certo que Jesus Cristo só morreu uma vez; deu-nos assim o poder de morrer com Ele para tudo o que é pecado. Nós, porém, devemos "morrer" todos os dias, pois conservamos em nós as raízes do pecado, raízes estas que o demônio trabalha para fazer brotar de novo. Portanto, destruir em nós essas raízes, fugir de toda a infidelidade, desapegar-se de todo criatura amada por si mesma, afastar das nossas ações todo o motivo, não só culpável, mas puramente natural; libertar-nos de tudo o que é criado, terreno, conservar o coração livre duma liberdade espiritual, - eis, caríssimos, o primeiro elemento da nossa santidade. Mostra-o S. Paulo em termos os mais expressivos: "Purificai-vos do velho fermento para serdes uma massa nova; pois, desde que Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado por nós, tornastes-vos pães ázimos. Participemos portanto do banquete, não com o fermento antigo, o fermento do mal e da perversidade, mas com os ázimos da verdade e da sinceridade".

Aqui também faz-se mister uma explicação: Entre os Israelitas, nas vésperas da festa da Páscoa, deviam desaparecer das casas toda a espécie de fermento; No dia da festa, depois de imolado o cordeiro pascal, comiam-no com pães ázimos, isto é, sem fermento, não levedados (Cf. Ex. XII, 26 e 27).  Pois bem! Tudo aquilo eram apenas "figuras e símbolos" da verdadeira Páscoa, a Páscoa cristã. Naquele momento da regeneração batismal, participamos da morte de Cristo, que fazia morrer em nós o pecado: tornamo-nos, e assim devemos permanecer pela graça, uma nova massa, isto é, "nova criatura", "novo homem", a exemplo de Jesus Cristo saído glorioso do sepulcro.

Os judeus, chegada a Páscoa, se abstinham de todo  o fermento para comer a cordeiro pascal, "assim também vós, cristãos,  que quereis participar do mistério da Ressurreição e unir-vos a Jesus Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado por vós, deveis, doravante, levar uma vida isenta de todo o pecado; deveis abster-vos desses maus desejos que são como que um fermento de malícia e perversidade; deveis conservar em vós a graça que vos fará viver na verdade e na sinceridade da lei divina.

Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. E, se renunciamos ao demônio, suas obras que são os pecados, e suas pompas e vaidades que levam ao pecado, digo, se renunciamos a tudo isto, é justamente para vivermos para Deus. E este viver para Deus encerra em si uma infinidade de graus. Supõe em primeiro lugar afastamento total de todo pecado mortal; pois, entre este e a vida divina há incompatibilidade absoluta. Há depois a separação do pecado venial, das raízes do pecado, de todo o motivo natural; desapego de tudo quanto é criado. Quanto mais completa for esta separação, mais libertados estamos, mais livres espiritualmente e mais se desenvolve e desabrocha também em nós a vida divina; à medida que a alma se liberta do humano, abre-se para o divino, vive na verdade a vida de Deus.

Caríssimos, permaneceremos em Jesus que é a Vida, pela graça, pela fé que n'Ele temos, pelas virtudes de que Ele é o modelo perfeito. E é preciso que Jesus Cristo reine em nossos corações. É mister que tudo em nós Lhe seja submetido.  Jesus deve ser a nossa vida. Oxalá pudéssemos dizer com todo verdade como São Paulo: "Vivo, mas não sou mais que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim!"


Vamos resumir tudo também com palavras de São Paulo: "Portanto, se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são lá de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus; afeiçoai-vos às coisas que são lá de cima, não às que estão sobre a terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Col. III, 1-3). Amém!