sábado, 16 de julho de 2011

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO - IV -

SE PARTICIPARMOS DAS DORES DE JESUS NA CRUZ, PARTICIPAREMOS TAMBÉM DA SUA VIDA GLORIOSA.

    Diz São Paulo: "Se sofremos com Ele para que também com Ele sejamos glorificados." (Rom.VIII, 17). Jesus tendo-nos obtido a graça de com Ele levarmos a nossa cruz, far-nos-á igualmente participar da Sua Glória. Para nós como para Ele, esta glória será medida pela nossa "paixão".
   Quando Nosso Senhor Jesus Cristo fala aos Apóstolos na Sua Paixão, acrescenta sempre que "ressuscitará ao terceiro dia". Instrumento da nossa salvação a cruz tornou-se para Cristo penhor da Sua glória. O mesmo se dá conosco. Depois de termos participado da Paixão do Salvador, teremos também parte na Sua glória. Na véspera de Sua morte, Jesus dizia aos seus discípulos:"Conservaste-vos ao meu lado nas minhas provações". E logo acrescenta: "E Eu, em paga, preparo-vos um reino, assim como meu Pai me preparou" (São Lucas XXIV). Se nos tivermos conservado com Jesus nas Suas provações, se tivermos muitas vezes contemplado com fé e amor os seus sofrimentos, Jesus Cristo virá buscar-nos, quando soar a nossa hora derradeira, para nos levar ao Reino do Seu Pai.
   Dia virá, mais cedo do que pensamos, em que a morte estará próxima; estaremos deitados no leito sem movimento; os que nos rodeiam fitar-no-ão em silêncio, na imobilidade de nos ajudarem, deixaremos de ter contato com o mundo exterior, a alma estará a sós com Jesus. Saberemos então o que é ter estado com Ele em Suas provações; ouvi-Lo-emos dizer, nesta agonia que é agora a nossa, suprema e decisiva: "Não me deixaste na minha agonia, acompanhaste-Me quando eu ia para o Calvário, para morrer por ti; aqui estou Eu agora; estou ao teu lado para te ajudar, para te levar comigo; não temas, tem confiança, sou Eu"! Poderemos então repetir com confiança a palavra do Salmista: "Etsi ambulavero in medio umbrae mortis, non timebo mala; quoniam tu mecum es" (Salmo XXII, 4) "Senhor, agora que me vejo rodeado das sombras da morte, nada temo, pois Vós estais comigo"!
 CONCLUSÃO
   Assim como acabamos de meditar, vemos que a devoção à Paixão de Jesus Cristo é a mais útil, a mais terna e a mais cara a Deus, Nosso Senhor. Devoção que mais consola os pecadores e mais anima as pessoas que amam a Jesus. De onde recebemos tantos bens senão da Paixão de Cristo? De onde temos a esperança do perdão, a força contra as tentações, nas provações e a confiança de chegar ao Paraíso? De onde vem tantas luzes da verdade, tantos convites de amor, tantos estímulos para mudar de vida, tantos desejos de nos doar a Deus, senão de Paixão de Cristo? Dizia São Boaventura: "Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias na Paixão do Senhor". Nada contribui tanto para a santidade das pessoas como a Paixão de Cristo. E dizia já Santo Agostinho: "Vale mais uma lágrima derramada na meditação da Paixão de Jesus, do que um jejum a pão e água durante uma semana".
   Ah! caríssimos leitores, como beijar a cruz se não queremos honrá-la com  o nosso sacrifício. Jesus recusou tudo o que pudesse suavizar os seus tormentos! E nós? Não imitamos, talvez, a Barrabás que passando diante  de Jesus   com a Cruz, quiçá diria: "Eu devia estar crucificado no lugar deste homem; eu estou livre e ele que se vire! Tais seriam em essência, nossos sentimentos se não quiséssemos sofrer nada.
   No espelho do Crucifixo procuremos ver o abismo da divina misericórdia, a grandeza do divino Amor e o  valor de uma alma. Um Deus dá Sua vida pelas almas!!! E assim terminemos:
   A Vós correndo vou, braços sagrados,
   Nessa Cruz sacrossanta descobertos:
   Que para receber-me, estais abertos,
   E, para não castigar-me, estais cravados.

    A vós, olhos divinos eclipsados,
    De tanto sangue e lágrimas cobertos,
    Que, para perdoar-me, estais despertos.
    E, por não devassar-me, estais fechados.

     A vós, pregados pés, por não fugir-me,
     A vós, cabeça baixa, por chamar-me,
     A vós, sangue vertido, para ungir-me;

      A vós, lado patente, quero unir-me;
      A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
      Para ficar unido, atado e firme!
                             (Da "Floresta" do Pe. Manuel Bernardes).

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO - III -

A PAIXÃO E A MORTE DE JESUS É FONTE DA NOSSA CONFIANÇA

   Na cruz, Jesus Cristo representava-nos  a todos; mas, se sofreu por todos nós, não nos aplica os frutos da Sua imolação, se não nos associarmos ao Seu sacrifício. E o fazemos de três modos:
1º - Contemplando com fé e amor a Jesus nos diferentes passos da via dolorosa: Todos os anos: a Semana Santa; todos os dias pela meditação, pelo menos ao rezarmos o Santo Têrço meditando os mistérios dolorosos; a Via- Sacra. A Paixão de Jesus, aliás, deve ser o objeto principal de nossas meditações. 
2º - Através da Santa Missa: A Paixão de Jesus ocupa um lugar tal na Sua vida, é de tal modo a Sua obra, ligou-lhe tal importância, que quis fosse recordada no meio de nós, não só uma vez por ano, mas todos os dias e no mundo todo em todas as horas. O próprio Jesus instituiu um sacrifício para perpetuar através dos séculos a memória e os frutos da Sua oblação no Calvário. É o Santo Sacrifício da Missa. Participar ou oferecê-lo com Cristo constitui uma participação íntima e muito eficaz na Paixão e Morte de Jesus. E participaremos de uma maneira mais perfeita e completa se nos unirmos a Jesus também pela Comunhão sacramental.
3º Suportando por amor de Jesus Cristo, os sofrimentos e adversidades que, nos desígnios da Sua Providência, nos envia. A caminho do Calvário, Jesus sucumbiu várias vezes sob o peso da Cruz. Ele "a Força de Deus", fraco, humilhado, prostrado por terra. A Divindade quis que a Humanidade sentisse a sua fraqueza a fim de nos merecer a força de suportarmos os nossos sofrimentos.
   A cada um de nós Deus dá também uma cruz para levar, e cada qual pensa que a sua é a mais pesada. Devemos aceitá-la sem discutir, sem dizer: "Deus podia mudar tal ou tal circunstância de minha vida". Nosso Senhor diz-nos:"Se alguém quer ser meu discípulo, tome a sua cruz e siga-me". Nesta aceitação generosa da nossa cruz, encontramos a união com Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque, notai bem: levando a nossa cruz, estamos levando realmente uma parte da de Jesus Cristo, que quis ser ajudado pelo Cirineu. Jesus diz-nos:"Aceitai esta parte dos meus sofrimentos que, na minha presciência, vos reservei no dia de minha Paixão". Digamos-Lhe com todo amor: "Sim, Divino Mestre, aceito esta parte de todo coração, porque vem de Vós". Tomem-la por amor d'Ele e em união com Ele.
   O Verbo Encarnado, Cabeça da Igreja, tomou a sua parte das dores, a maior; mas quis deixar à Igreja que é o Seu Corpo Místico, uma parte de sofrimento. São Paulo, embora com palavras profundas e aparentemente estranhas, afirma-o na Epístola aos Col. I, 24: "O que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo, completo-o eu na minha carne, pelo Seu Corpo que é a Igreja". Mas porventura falta alguma coisa aos sofrimentos de Cristo?! Evidentemente que não. Foram superabundantes, imensos, e o seu mérito infinito. Então porque fala São Paulo de "completar" esses sofrimentos? É Santo Agostinho quem nos responde: "O Cristo total é formado pela Igreja unida ao seu Chefe, à sua Cabeça, que é Jesus Cristo. O chefe sofreu tudo quanto devia sofrer. Só falta que os membros, se quiserem ser dignos do Chefe, suportem a sua parte de dores".
   Temos, pois, como membros de Cristo, de nos unir aos Seus sofrimentos. Cristo reservou-nos uma participação na sua Paixão, mas ao mesmo tempo, colocou ao lado da Cruz a força necessária para a levar. É o que, diz São Paulo: "Jesus Cristo, tendo experimentado o sofrimento, tornou-se para nós um Pontífice cheio de compaixão" (Heb. II, 17 e 18; IV, 15 e V, 2).

  

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO - II -

DE QUE MODO SANTIFICOU JESUS A IGREJA PELA SUA OBLAÇÃO?

   1º - DESTRUIU O PECADO E RESTITUIU-NOS A GRAÇA.
   Jesus Cristo representava toda a humanidade. É o novo Adão. Uniu-se a uma raça pecadora, embora o pecado O não tenha atingido pessoalmente: "absque peccato" (=sem pecado), mas "Toma sobre Si os pecados de todos os homens": "O Senhor colocou sobre ele a iniquidade de todos nós". (Isaías, LIII, 6). Representa-nos a todos, e, por isso mesmo, satisfaz por todos nós. Jesus Cristo tornou-se, por amor, solidário dos nossos pecados; nós, pela graça,  tornamo-nos solidários das suas satisfações.
   2º - MERECEU PARA SUA IGREJA TODAS AS GRAÇAS DE QUE ELA NECESSITAVA PARA FORMAR A SOCIEDADE QUE ELE QUER "SEM MANCHA NEM RUGA, MAS SANTA E IMACULADA.
   E o valor destes merecimentos é infinito, porque Ele é um Deus. Jesus Cristo mereceu, portanto, para nós, todas as graças e todas as luzes: "Transportou-nos das trevas à luz" (Col., I, 12 e 13). Ele é a causa de nossa santidade e salvação. A virtude dos sacramentos vem da Cruz; eles só têm eficácia em continuidade com a Sagrada Paixão de Jesus Cristo. E assim em Jesus Cristo possuímos tudo; nada nEle falta do que precisamos para a nossa santificação: "E há nEle copiosa redenção" (Salmo CXXIX, 7). O seu sacrifício oferecido por todos, deu-Lhe direito de nos comunicar tudo quanto mereceu.  
   "Quando for levantado na cruz, será tão grnde o meu poder, que atrairei a mim todos aqueles que em mim tiverem fé".
  Quando fitamos o Crucifixo, pensemos nesta promessa infalível do nosso Pontífice Supremo; ela é a fonte da mais absoluta confiança. "Se morreu por nós, sendo como éramos seus inimigos, que graça de perdão, de santificação, poderá recusar-nos agora que detestamos o pecado, que procuramos desapegar-nos das criaturas e de nós mesmos para só a Ele agradar?
   Pai, atraí-me para o filho! - Jesus Cristo - Filho de Deus - atraí-me para Vós 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO - I -

   Alguém disse: Acabei de ler a postagem sobre o Ato de perfeito Amor a Deus; mas como conseguir ter este Amor Perfeito (dentro das limitações humanas) a Deus, Nosso Pai e Senhor? O melhor meio é meditar a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que faremos, se Deus quiser, em quatro postagens.
   O Pai nos amou de tal modo que nos deu o seu Filho Unigênito. Jesus, o Filho de Deus feito Homem nos amou de tal modo que se entregou a Si mesmo por nós. Amor se paga com amor.

  A Paixão constitui o "santo dos santos" dos mistérios de Jesus Cristo. Marca o ponto culminante da obra que vem realizar neste mundo, obra para qual todas as outras convergem ou da qual tiram seu valor e eficácia. Para Jesus, é a hora em que consuma o sacrifício que deve dar ao Pai glória infinita. - redimir a humanidade,- e reabrir aos homens as fontes da vida eterna. E como Jesus desejou a Paixão! que Ele chama a Sua Hora. "Devo ser batizado com um batismo- o batismo de sangue - e quanto anseio por o ver realizado!" E quando chega esta hora segundo a vontade do Pai, Jesus entrega-se com o maior ardor, apesar de conhecer de antemão todos os sofrimentos que devem despedaçar-Lhe o corpo e a alma. "Desejei com o maior ardor comer esta Páscoa convosco, antes de sofrer a minha Paixão" "Jesus Cristo, diz São Paulo, amou a Igreja - entregou-se a Si mesmo por ela, por amor dela - para a santificar e fazer aparecer diante de Si uma Sociedade gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas toda santa e imaculada". (Ef. V, 25-27).
   Nestas palavras está indicado o próprio mistério da Paixão: "Jesus entregou-se a si mesmo". O que é que O move a isto? O amor. "Amou a Igreja". Qual é o fruto? "Para santificar, para que ela seja bela, santa e imaculada". A Igreja aqui significa o reino daqueles que devem formar o Corpo Místico de Jesus (1Cor. XII,27) Jesus Cristo amou esta Igreja, e foi por a ter amado que se entregou por ela.
   Sem dúvida, antes e acima de tudo, foi por amor ao Pai que Jesus Cristo quis sofrer a morte na Cruz: "Mas é preciso que o mundo conheça que amo o Pai e que faço como Ele ordenou" (S. Jo. XIV, 31). Mas é também o seu amor para conosco. Aliás essa era a vontade do Pai, como disse a Pedro: "Não hei de beber o cálice que o Pai me deu? (S. Jo. XVIII, 11).
   Na última ceia, quando vai soar a hora de sua oblação, que diz aos apóstolos, congregados em volta d'Ele? "Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos". ( S. Jo. XV, 13). E Jesus vai no-lo demonstrar, pois diz São Paulo: "Foi por nós que Ele se entregou".
   Morreu por amor de nós, sendo como éramos seu inimigos". Que maior prova de amor poderia dar-nos?Nenhuma.  E entregou-se livremente: "Oblatus est quia ipse voluit" E esta liberdade com que Jesus dá a sua vida por nós é absoluta. Meditemos: "Deus amou o mundo a ponto de lhe dar o Seu Filho único" e Jesus Cristo, por sua vez, amou os seus irmãos a ponto de se entregar a Si mesmo total e espontaneamente para os salvar" Jesus oferece-se a si mesmo e sem reserva, isto é, totalmente. A Sua alma e o Seu corpo são dilacerados, esmagados pelos sofrimentos, não há nenhum que JESUS não experimente. Já no Getsêmani dissera: "A minha alma está triste até a morte!" Que abismo! Um Deus, Poder e Beatitude infinitos, acabrunhado pela tristeza, pelo pavor, e pelo tédio. O Verbo Encarnado conhecia todos os sofrimentos que iam cair sobre Ele durante as longas horas de sua Paixão. Esta visão fazia nascer na sua natureza sensível toda a repulsa que teria sentido uma simples criatura; na divindade a que estava unida, a sua alma via claramente todos os pecados dos homens, todos os ultrajes feitos à santidade e ao amor infinito de Deus. Tomou sobre Si todas estas iniquidades; e sentia pesar sobre sua cabeça toda a cólera da justiça divina, Mas Jesus tudo aceita. Sai do Jardim das Oliveiras e vai ao encontro dos seus inimigos. Traído pelo beijo de um dos Seus apóstolos, acorrentado pela soldadesca como um malfeitor, é levado ao Sumo Sacerdote. Ali cala-se no meio das falsas acusações. Fala apenas para proclamar que é o Filho de Deus. Jesus, Rei dos mártires, morre por haver confessado a Sua divindade, e todos os mártires darão a vida pela mesma causa.
   Pedro, o chefe dos apóstolos, por três vezes renegou a Jesus. Foi esse, sem dúvida, para o nosso divino Salvador um dos mais profundos sofrimentos daquela terrível noite.
   Os soldados guardam Jesus e cobrem-No de injúrias e maus tratos. Não podendo suportar aquele olhar tão meigo, vendam-Lhe os olhos. Dão-Lhe bofetadas; Têm até a ousadia de manchar com vis escarros aquela face adorável que os Anjos contemplam extasiados.
   Logo de manhã foi conduzido ao Sumo Sacerdote, depois arrastado de tribunal a tribunal; tratado por Herodes como louco e insensato,  Ele, Sabedoria eterna; açoitado por ordem de Pilatos; os algozes ferem sem dó a vítima inocente, cujo corpo se torna logo uma chaga viva. Enterram na cabeça de Jesus uma coroa de espinhos e cobrem-no de escárnios.
   O covarde governador romano imagina que o ódio dos judeus ficará satisfeito vendo Jesus Cristo naquele triste estado; apresenta-O à multidão: "Ecce homo!", "Eis aqui o homem!".
   Contemplemos neste momento o divino Mestre mergulhado nesse abismo de sofrimento  e humilhações, e pensemos que o Eterno Pai também no-Lo apresenta, dizendo: "Eis aqui o meu Filho, o esplendor da minha glória, ferido por causa dos crimes do meu povo: "Eu o feri por causa do pecado do meu povo".( Isaías, LIII, 8).
   Jesus ouve os gritos daquela população enfurecida que lhe prefere um bandido e em paga de todos os benefícios que dEle recebeu, reclama a Sua morte: "Crucifica-O, crucifica-O".
   É pois pronunciada a sentença de morte, e Jesus Cristo tomando em seus ombros feridos a pesada cruz, dirige-se para o Calvário. Quantas dores ainda Lhe não estavam reservadas! A vista de Sua Mãe tão ternamente amada e cuja dolorosa aflição compreende melhor do que ninguém; o despojarem-No das suas vestes; o cravarem-Lhe as mãos e os pés, a sede ardente. Depois os odiosos sarcasmos dos seus piores inimigos. Enfim, o abandono por parte do Pai, cuja santa vontade cumpre sempre: "Pai, por que me abandonaste?"
   Bebeu o cálice até a última gota; realizou até os mais pequenos pormenores de tudo o que fora predito: "Consummatum est". Sim, tudo está consumado, só Lhe resta entregar a alma ao Pai: "E inclinando a cabeça, entregou o espírito"(S. Jo. XIX, 30).
   Quando a Igreja na Semana Santa, nos lê a narrativa da Paixão, interrompe-a neste ponto para adorar em silêncio. Prostremo-nos com ela; adoremos Esse Crucificado que acaba de exalar o último suspiro: Ele é realmente o Filho de Deus.
   Ó Divino Salvador, que tanto sofrestes por amor de nós, prometo-Vos fazer o possível para não mais pecar. Fazei pela vossa graça, ó Mestre adorável, fazei com que morramos para tudo quanto é pecado, apego do pecado ou à criatura e que só vivamos para Vós!.
   É o que diz São Paulo: "O AMOR QUE JESUS CRISTO NOS DEU PROVA, MORRENDO POR NÓS, DEVE FAZER COM QUE AQUELES QUE VIVEM, JÁ NÃO VIVAM PARA SI, MAS PARA AQUELE QUE MORREU POR ELES". (2 Cor., V, 15).
   

domingo, 3 de julho de 2011

AVISO

   Pela graça de Deus, entrarei hoje em retiro. Só a partir do dia 12, se Deus quiser, é que voltarei a colocar postagens nos Blogs "ZELO ZELATUS SUM" e "VIA-VERITAS-VITA". Peço desculpas a todos os meus caríssimos visitantes e seguidores. Mas peço sobretudo, suas valiosas orações para que eu faça um santo Retiro e me torne menos indigno de tão sublime vocação, e possa fazer maior bem às almas remidas pelo preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
   Embora seja um retiro especificamente sacerdotal, pelo menos algumas das meditações ou conferências poderão ajudar também, "mutatis mutandis', os leigos.
   Por isso, deixo aqui a pergunta: Você, caríssimo(a) leitor(a) acha que seria proveitoso colocar na Internet através do Blog, pelo menos algumas destas conferências ou meditações?
   Pode dar sua opinião aqui mesmo nos comentários, ou enviar sua mensagem através do meu e-mail: pemurucci@gmail.com.
                                         Muito obrigado!
                                                                       Padre Elcio Murucci

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O MISSIONÁRIO

   Adeus, parentes!... Adeus, ó lares!...
   Adeus, encantos de meu País!
   Adeus, ó Pátria!... Eu cruzo os mares!...
   Adeus, pra sempre... Seja feliz!

          Oh! não! Não partas - dizem amigos.
           Por que nos deixas, por que te vais?
           Aqui na Pátria não há perigos,
           És nobre, rico, desejas mais?

                    Oh, não! Não deixes o nobre edìlio,
                    O edílio meigo do pátrio lar!
                    Se não agruras, se não exílio,
                    Que é que encontras além do mar?

                               A mãe te pede, não faças isto,
                               Oh! não lhe causes tanta aflição!
                               O nobre moço fitou o Cristo,
                                E em confidência lhe disse então:

                                             Eu ouço os gemidos das almas pobres
                                             Dos pais famintos, dos filhos nus.
                                             São grandes almas, são almas nobres
                                             E ... nada sabem do bom Jesus!

                                                 Eu vejo os homens a sós penarem.
                                                 Deixai-me que eu parta, deixai-me, ó sim!
                                                 Ouço as almas por mim chamarem
                                                 Ouço Cristo chamar por mim!

                                                        E vós amigos, vós não ouvistes
                                                        Crianças órfãs, chamando: "Pai"?
                                                        A tal pergunta quedaram tristes
                                                        E a mãe lhe disse: "Meu filho, vai!"
                                  
                                                                             (Do "São Vicente").

                                              
                                                   
                                                                               

                                                                               
                                                       

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A SANTA MISSA com meditação sobre o SANGUE DE JESUS

   DO PRINCÍPIO AO EVANGELHO: Volvei ó Deus meu, um olhar de bondade sobre este altar. Aqui finalmente, Vos posso oferecer um sacrifício digno da Vossa Majestade infinita. Ofereci-vos já o humilde trabalho das minhas mãos, as penas do meu coração, as lágrimas dos meus olhos...mas o que são estas oblações tão mesquinhas perante as exigências da Vossa justiça e os direitos do Vosso amor? Mas, eis um sacrifício em tudo digno de Vós: eis o SANGUE sacratíssimo do Vosso Filho Jesus! Eu vo-Lo ofereço com a alma trêmula pela grandiosidade e o valor da mesma oferta, mas com a certeza de que será plenamente agradável à Vosso infinita Majestade.
   Ó grande Deus, recordai a bondade imensa com que acolheste um dia as ofertas simples do inocente Abel, recordai com quanta complacência contemplaste o sacrifício de Abraão, recordai quanto serviram para acalmar a Vossa justa cólera as milhares de vítimas que Vos eram imoladas em homenagem de adoração no templo de Jerusalém, recordai... ó meu Deus, recordai que uma só gota do SANGUE de Jesus vale infinitamente mais que todas as vitimas antigas; que só aquele Calvário purpureado de um SANGUE divino vale mais que um mundo inteiro inundado de sangue humano. E este SANGUE de Jesus sou eu que hoje Vo-Lo ofereço! Eu me uno com o pensamento e o coração ao vosso sacerdote... eu que com o desejo e com todo amor Vo-Lo apresento naquele cálice que em breve tempo será levantado ao alto entre as mãos do Vosso ministro... Ó meu Deus, quanto me sinto grande e aventurada neste momento! Pensar que Vos ultrajei até tirar a vida ao Vosso Filho... e agora poder oferecer-Vos o Seu SANGUE para Vos fazer perdoar o meu delito consumado!
  
DO EVANGELHO À ELEVAÇÃO: Deveria ser eu a vítima expiatória dos meus pecados; mas ainda que o meu sangue corresse todo pelos degraus deste altar, ainda que o meu corpo fosse esquartejado e calcado aos pés, ainda que exalasse o espírito em suplicios  horrendos, bastaria porventura o meu sacrifício por si só para apagar a mais pequena das minhas venialidades? Aceitai, pois, ó meu Deus, o SANGUE de Jesus em satisfação de todas as minhas culpas: eu Vo-Lo ofereço como satisfação devida à Vossa justiça infinita, que eu ultrajei de tantas maneiras; e enquanto este SANGUE sobe até Vós em holocausto de expiação, desça também sobre a minha alma em lavacro de perdão e purificação. Tenho já chorado as minhas culpas, é verdade, mas tantas lágrimas derramadas ainda me não restituiram a inocência perdida... ah! é só das veias de Jesus e do seu Sagrado Lado que pode cair uma chuva santa capaz de apagar todas as minhas iniquidades. Volvei, ó meu Deus, volvei o Vosso olhar para este SANGUE precioso! ele passou através do Coração de Jesus, e é, portanto, um SANGUE que fez palpitar o maior amor que da terra tenha sido elevado para o Céu... fez pulsar aquele Coração com as palpitações de uma contrição infinitamente viva e profunda... a dor  comprimiu-O como que dentro duma tenaz de ferro e fê-Lo espirrar da fronte  e de toda pessoa de Jesus até correr pela terra... é um SANGUE que à calma suave da inocência reune os frêmitos santos do zelo pela Vossa causa... é um SANGUE que tem já lavado as culpas de mil gerações, e não terá o poder de lavar as minhas? é um SANGUE que durante tantos séculos tem aplacado a Vossa ira, e só hoje, que se trata de mim, não terá o poder de mover-Vos à compaixão?

   DA ELEVAÇÃO À COMUNHÃO: E ei-Lo sobre o altar: o SANGUE de Jesus. Está aqui para mim, está todo `a mimha disposição... e eu O recolho nas minhas mãos, apresento-O à Vossa Majestade divinamente real, ó grande Deus, e ouso dizer-Vos: eis a digna compensação que Vos ofereço pelos benefícios sem fim com que enriquecestes a minha existência. Vós criaste-me, e eu em paga deste primeiro benefício ofereço-Vos o SANGUE de Jesus. Vós conservaste-me a vida por tantos anos, protegendo-me contra inumeráveis perigos e aventuras, fazendo até por vezes desabrochar belas rosas entre os espinhos da minha vida: e eis o meu agradecimento - O SANGUE DE JESUS.
   Vós chamaste-me à fé, e ajudaste-me a conservá-la entre os escândalos de pobres almas que a sacrificavam ao intersse duma paixão ou a aviltavam com desonrosas transigências, e à fé acrescentastes mais tarde o dom inefável de graças especiais que entre o povo cristão me colocaram numa classe privilegiada: e o meu reconhecimento está todo aqui: no SANGUE DE JESUS. E eu Vos prometo que sempre, por toda a parte, agora e até ao meu último suspiro, vos darei uma só homenagem de gratidão, mas que será digna de Vós: apresentar-Vos-ei sempre o cálice do SANGUE DE JESUS.

   DA COMUNHÃO AO FIM: Quisera, ó meu Deus, pedir-Vos muitas graças para mim e para os meus caros. Ó meu Deus, mas sou um nada pecador! Então fale a Vós por mim o SANGUE DE JESUS. Diga-Vos este SANGUE, ó meu Deus, que eu estou de braços abertos esperando a graça de conhecer-Vos sempre melhor e assim de amar-Vos com crescente fervor, de servir-Vos com indefectível constância e de chegar um dia a gozar-Vos no Céu para sempre. Ainda uma graça, ó meu Deus. Pelo amor de Jesus, pelo valor do SANGUE que por mim derramou, concedei-me a graça de ter sempre deste SANGUE uma inextingüível sede... que ele venha todos os dias humedecer e abrandar as securas da minha alma... que ele venha infundir-me uma nova vida de virtude e de santidade... que ele venha fazer-me viver toda, mas mesmo toda, de JESUS e só de JESUS. Amém.

SANTA MISSA: A alma em procura do AMOR.

   DO PRINCÍPIO AO EVANGELHO: Eu me aproximo do vosso altar, ó grande Deus, onde espero encontrar o que eu tanto procuro e por que tanto suspiro: o amor a JESUS. Dentro em breve Ele consumará sobre o altar o Sacrifício de Si mesmo, misticamente derramará por mim todo o Seu Sangue até a última gota., e eu oferecerei à Vossa infinita Majestade a Sua Paixão , a Sua Morte, e Vos pedirei em compensação uma só graça: a de amar a JESUS. É este um amor que eu calquei aos pés tantas vezes, já com meus pensamentos que vaguearam d'Ele em procura de vaidades, já com as minhas palavras quando, descurando a oração, me entretive em conversações frívolas e mundanas, já com as obras que modelei mais sobre os caprichos das paixões que sobre os preceitos  e exemplos do Evangelho e dos santos. Confesso a minha culpa, ó Senhor, e espero que as súplicas da Virgem Santíssima e dos santos cujas relíquias estão na pedra d'Ara deste altar, me alcançarão o Vosso perdão e que a Vossa misericórdia terá piedade de mim, e por amor a JESUS me concederá mais tarde a vida eterna.
   Ó Deus piedoso, volvei o Vosso olhar sobre a minha miséria, vede o meu pobre coração... parece morto, porque está sem a chama do amor de JESUS. Tem  piedade de mim, e concedei-me este santo amor, fazei-me ver como é grande a Vossa misericórdia, deixai que o grito angustioso da minha alma suba até ao Vosso trono, e ouvi benigno as minhas súplicas.
   Ó Deus Pai, que me criastes, dai-me o amor de JESUS, e será perfeita a obra da vossa criação; ó Deus Filho que me remistes, dai-me o Vosso amor, e será perfeita a obra da Vossa redenção; ó Deus Espírito Santo que me santificastes, dai-me o amor de JESUS, e será   perfeita, em prol de minha alma, a obra da Vossa santificação. Vós tendes direito de serdes glorificado, ó meu Deus; mas que glória mais bela para Vós que a de ver JESUS amado de todos os corações? Eu tenho necessidade de paz, e desejo ardentemente alcançar a verdadeira paz; mas onde a encontrarei eu senão no amor de JESUS? Concedei-me, pois, este amor, e os Anjos cantarão glória a Vós no mais alto dos Céus, e paz a minha alma de boa vontade.

   DO EVANGELHO À ELEVAÇÃO: Quisera, se pudesse, apresentar-Vos o sacrifício total de mim mesma, juntamente com  o de JESUS, mas não posso oferecer-Vos mais que um pouco de pão e um pouco de vinho, uma gotinha   d'água. Aceitai benigno esta humilde oferta e pelo infinito valor d'Aquele em que será transubstanciado, perdoai-me os meus inúmeros pecados, todas as transgressões da Vossa Divina Lei, todas as negligências no Vosso santo serviço; e como prova do Vosso perdão dai-me a graça de amar-Vos com o mesmo Coração e com as mesmas obras de JESUS. Oh! como eu quesera ser uma só coisa com JESUS! Como quisera saber orar-Vos com o Seus lábios, louvar-Vos com a Sua língua, viver da Sua vida, imolar-me com o Seu sacrifício! Vós que o podeis, fazei-me a graça de estar unida à Sua natureza divina com vínculos tão estreitos e com tanta intimidade, como Ele quis estar unido à natureza humana; porque então poderei amá-Lo a Ele e amar-Vos a Vós com um só dulcíssimo e eterno amor. Quisera, ó meu Deus, ter um coração que me tornasse digna da estar junto dos Anjos, dos Arcanjos, dos Querubins, dos Serafins e de toda a Corte Celeste, para poder cantar dignamente a Vossa grandeza e dizer-Vos com uma melodia divina: - Sois Santo, Santo, Santo, ó Senhor Deus dos Exércitos! Hosana no mais alto dos céus! - Quisera estar perto daqueles santos que mais amaram a JESUS, para poder honrar-Vos menos indignamente: mas não sou mais que uma pobre peregrina, longe da pátria...ah! que ao menos eu recorde e medite nuitas vezes quanto eles amaram a JESUS, e que o exemplo dos seus santos ardores me desperte da sonolência espiritual e me acenda no coração um incêncdio de amor; e que eles me obtenham com a sua intercessão o que eu não posso alcançar com a minha débil oração. Quero amar a JESUS! Ó meu Deus, não desprezeis este meu desejo, ouvi os meus ardentes votos, e fazei que por meio deste santo amor eu evite a condenação eterna, e pela Vossa infinita bondade, seja agregada ao celeste e eterno grêmio dos vossos eleitos.

DA ELEVAÇÃO À COMUNHÃO: Eis sobre o altar a celeste Vítima! Eis JESUS!!!  Eu Vo-Lo ofereço. ó meu Senhor e meu Deus! E Vós bem sabeis o porquê desta oferta. Tenho necessidade de amar-Vos com uma alma pura como a de JESUS, com uma vida imaculada como a de JESUS: e Vós que tanto desejais ser amado das Vossas criaturas, fazei-me a graça de eu ter de futuro a inocência dum Abel, a fé firme e operosa dum Abraão, a piedade dum Melquisedeque, a fim de que tudo quanto Vos oferecer em homenagem de amor Vos seja grato e aprazível, e eu mereça um olhar sereno e propício da Vossa infinita Majestade. Ofereço-Vos, portanto, o Vosso divino Filho, e com a fronte inclinada por terra Vos peço que mandeis o Anjo a tomar deste altar uma Vítima tão augusta, e a levá-La até ao altar sublime que se eleva ao conspecto da Vossa divina Majestade afim de que, enquanto eu sobre a terra receber o Seu Corpo e o Seu Sangue, Ele lá em cima obtenha da Vossa misericórdia, que eu seja repleta de graça e de bênçãos. Que a minha vida seja JESUS !!!
   Sou culpada, ó meu Deus; reconheço-o e confesso-o; e a minha maior culpa é a de Vos não ter amado. Não sei mesmo se  no  futuro chegarei a amar-Vos quanto eu desejara; mas espero que chegará também para mim o suspirado dia de poder amar-Vos no Paraíso, como Vos amam os Anjos e os Santos; espero que me concedereis também a mim um posto entre as almas bem-aventuradas, e espero-o sobretudo pelos merecimentos de JESUS, Vosso Filho e meu Redentor. Ah! meu Deus! por amor de JESUS livrai-me enguanto viver sobre a terra, de todos os males que mereci pela minha vileza; livrai-me dos pecados que cometi com o amor às criaturas; livrai-me das penas merecidas com as minhas culpas; livrai-me para o futuro, mesmo das mais ligeiras venialidades, afim de que eu passe o resto da vida ocupada somente em amar-Vos.

   DA COMUNHÃO AO FIM DA MISSA: Ó queridíssimo JESUS, ó Cordeiro imaculado, tende piedade de mim. Vede como eu sou pobre... falta-me tudo, porque me falta o Vosso amor. Deixai cair sobre minha alma uma gota ao menos daquele Sangue que derramastes com tanta generosidade, lavai as manchas refastas da minha consciência, retituí um pouco de vida ao meu coração, fazei que ele torne a palpitar por Vós... Ó Cordeiro imaculado, afartai para longe de mim o maior de todos os pecados  -  o de recusar-Vos o meu amor. Vede o meu coração: como está agitado! está em luta contínua contra as paixões, que o querem subjugar... fazei ouvir a Vossa voz e restituí-lhe a paz, reconduzindo-o à posse serena do Vosso amor. Vinde, ó JESUS, vinde Vós mesmo ao meu coração, e acendei-lhe a chama do Vosso amor por que tanto suspiro; vinde e ligai-me a Vós tão fortemente, que fique para sempre unida à observância da Vossa santa Lei. Não sou digna, verdade, de receber-Vos no coração, mas basta uma só palavra para curar-me de todas as minhas espirituais enfermidades. Vinde, pois, ó JESUS, e o Corpo e o Sangue que imolastes sobre este altar, unindo-se a minha alma, a guarde , a defenda, a proteja, a encha de graças e a faça viver do Vosso amor agora e por toda a eternidade. Ah! meu doce e bom JESUS! vinde e uni-Vos a mim com tal intensidade e perfeição, que das minhas culpas passadas não reste mais vestígio em minha alma, nem peso algum nas balanças da Vossa justiça.
   Ainda uma graça, ó meu Deus: dai-me a Vossa bênção! Ó Deus Pai, criaste-me por amor; ó Deus Filho, remiste-me por amor; ó Deus Espírito Santo, santificaste-me por amor: portanto eu sou a obra do Vosso amor...abençoai, pois, a quem tanto amaste... e transformai-me, com a Vossa bênção , em um serafim de amor! Amém!

terça-feira, 14 de junho de 2011

A SANTÍSSIMA EUCARISTIA E A CARIDADE CRISTÃ

    Página extraìda da Carta Pastoral sobre o Santo Sacrifício da Missa escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 12 de setembro de 1969. Sua leitura é muito oportuna para os nossos dias.
   "Muito particularmente cultiva a caridade, porquanto a Santíssima Eucaristia é o Sacramento do amor, da união sobrenatural que vincula todos os fiéis num só corpo; como os grãos de trigo se juntam para formar um só pão, a Santíssima Eucaristia une todos os fiéis num só Corpo Místico de Cristo ( cf,1Cor. X, 17).
   Cultivar a caridade não quer dizer tolerar todos os defeitos, todos os vícios do próximo. Muito pelo contrário, a caridade pede a energia e a bondade, bem dosadas, para conseguir a verdadeira emenda do próximo.
   Ressaltemos aqui, amados filhos, para vossa edificação espiritual, que é muito comum, entre muitos católicos, um erro crasso na prática de uma pseudocaridade. São de fato, tais católicos, de uma intolerância total, ou quase, quando está em jogo a própria pessoa. Não sabem perdoar, como manda o grande preceito do Divino Mestre, as ofensas pessoais, aquelas de que devemos purificar a consciência antes de nos aproximar do altar, segundo manda o Salvador (cf. Mat. V, 24). No entanto, são de uma benignidade, igualmente sem limites, quando as ofensas atingem a Nosso Senhor na sua doutrina ou na sua moral. Têm todos os ódios, todos os ressentimentos, todas as aversões contra os responsáveis por ultrajes que feriram seu amor próprio, sua dignidade pessoal. E convivem, na mais franca amizade, com os apóstatas, com os que conspurcaram os votos de seu batismo, com os hereges, os ateus, todos enfim que, não reconhecendo a verdadeira Igreja de Cristo, não prestam a devida honra à palavra de Deus. Se semelhante amizade visasse seriamente a conversão dos que se acham nos caminhos da condenção eterna, ou fosse ordenada pela necessária convivência social, ainda poderia ela justificar-se, desde que se conservasse nos limites indicados por tais fins. Infelizmente, amados filhos, não é o que se dá. Alimenta-se a amizade por motivos de ordem natural, e, no que menos se pensa, é no bem da alma, na conversão dos transviados, dos inimigos de Deus.
   D. Antônio exorta-nos a fazermos um exame de consciência sincero...
   É bem possível que , num exame sincero de consciência, descubramos a causa da inutilidade talvez de nossas Missas e Comunhões, ou seja, do fato de não avançarmos um passo ( na vida espiritual), apesar de nossas Missas e Comunhões. A Missa, amados filhos, é fonte de toda a santidade. Ela, porém pede para efetivar na alma a santidade que dela dimana, a adesão firme, serena mas profunda aos amores e aos ódios de Jesus Cristo.
   Não precisamos dizer, amados filhos, que nesses ódios , nessa aversão profunda contra o mal, não vai nem pode ir o menor desejo de condenação eterna de quem quer que seja. Nosso ódio deve ser como o do Divino Mestre, que castigava sempre com o desejo ardente da salvação eterna mesmo dos inimigos de seu Santo Nome.
   Imitemos também neste ponto a Santa Igreja, de que somos filhos, bem que indignos. Sabeis que a Santa Madre Igreja tem penas severíssimas para os empedernidos nas suas empresas nefastas contra a obra de Deus. Não obstante, ainda ao fulminar tais penas, fá-lo com um pensamento de salvação. Visa em primeiro lugar, é claro, a preservação dos fiéis; mas não esquece a salvação daqueles mesmos que assim pune. São Pio X, que se viu na contingência de pronunciar a excomunhão maior contra o autor do modernismo na França, Loisy, recomendava ao Bispo da região, onde residia aquele infeliz perjuro, não deixasse envidar os esforços possíveis para o retorno dessa ovelha tresmalhada".  


 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

SANTO TOMÁS DE AQUINO, Q.LXXXII, ART.II - Se cabe só ao sacerdote a dispensação da Eucaristia.

   Antes da exposição deste assunto feita por Santo Tomás, quero relatar os elogios que alguns Papas fazem de Santo Tomás de Aquino. Tive no Seminário Maior um professor muito inteligente e espirituoso que gostava de dizer que Santo Tomás de Aquino não era qualquer um para ir jogando pela janela.
   Os papas Clemente VI, Nicolau V, Bento XIII, e outros mais testemunham o brilho que a admirável doutrina do Doutor Angélico dá à Igreja no mundo inteiro. São Pio V, que também era dominicano, reconhece que a doutrina de Santo Tomás confunde, derruba e dissipa as heresias, e que cada dia livra ela o mundo inteiro de funestos erros.O papa Urbano V, falando à academia de Tolosa: "Queremos e pelo teor das presentes vos ordenamos seguirdes a doutrina do bem-aventurado Tomás, como sendo verídica e católica, e vos aplicardes com todas as vossas forças a desenvolvê-la". O papa Inocêncio XII impõe as mesmas prescrições à universidade de Levaina e Bento XIV ao colégio dionisiano de Granada. O papa Inocêncio VI: "A doutrina de Santo Tomás de Aquino, mais que todas as outras, exceto o direito canônico, tem a vantagem da propriedade dos termos, da medida na expressão, da verdade das proposições, de tal sorte que os que a possuem nunca são surpreeendidos fora da senda da verdade, e todo aquele que a tem combatido tem sido sempre suspeito de erro." A maior honra, porém, tributada a Santo Tomás foi no Concílio de Trento. Os Padres do Concílio  dos quais muitos eram grandes santos, não repartiram esta honra com nenhum dos Doutores católicos: "quiseram eles que no meio da santa assembléia, com o livros das divinas Escrituras e dos decretos dos Pontífices supremos, no próprio altar, fosse depositada, aberta, a 'Summa Theologica" de Santo Tomás de Aquino, para que nela pudessem haurir conselhos, razões , oráculos". É o que afirma o papa Leão XIII.
   Depois desta introdução, vamos diretamente ao assunto tratado por Santo Tomás de Aquino.
   Parece que naõ cabe só aos sacerdotes a dispensação deste sacramento da Eucaristia.
  ( Em outras palavras: Parece que leigos e leigas poderiam também distribuir a comunhão.)
   Responde Santo Tomás: " Pelo contrário não podem porque assim dispõe um cânone "De consecr. dist, II); "Chegou ao nosso conhecimento que certos presbíteros entregam o corpo do Senhor a um leigo ou a uma mulher, para o levarem aos enfermos. Por isso o Sínodo interdiz que não se ouse mais proceder assim para o futuro; mas o próprio presbítero é quem deve, por mãos próprias, dar a comunhão aos doentes.
   SOLUÇÃO - Ao sacerdote pertence a dispensação do corpo de Cristo. por três razões: Primeiro, porque, como dissemos, ele consagra em nome de Cristo. Ora, o próprio Cristo, assim como consagrou o seu corpo na Ceia, assim o deu a tomar aos outros. Por onde, assim como ao sacerdote pertence a consagração do corpo de Cristo, assim também lhe cabe dispensá-lo. - Segundo, porque o sacerdote é constituido mediatário entre Deus e o povo. Portanto, assim como lhe cabe oferecer a Deus os dons do povo, assim também lhe pertence dispensar ao povo os dons santificados por Deus. - Terceiro, porque a reverência devida a este sacramento requer que não seja tocado senão pelo que é consagrado; por isso é consagrado o corporal e o cálice e consagradas são as mãos do sacerdote, para tocá-lo. E ninguém o pode tocar senão em caso de necessidade: por exemplo, se caísse no chão ou em outro caso semelhante.
( Nestes casos semelhantes poderíamos incluir vários exemplos: São Tarcísio, pois era necessário e não havia outro jeito: O caso de Santa Clara, que foi necessáro para se evitar a profanação do Santíssimo; no caso dum incêndio de uma igreja onde não há padre na hora para tirar o Santissimo etc.)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

EXPLICAÇÃO DA SANTA MISSA

   A Santa Missa é um mistério de Fé. Não só não vemos. Nossos sentidos percebem o contrário. Só a palavra de Jesus nos dá a garantia total. "Senhor! aumentai a minha fé". Caríssimos e amados irmãos e irmãs está faltando fé, e uma fé viva, firmíssima, inabalável. "Senhor, aumentai a minha fé!!! Havendo esta fé, agradaremos a Deus. A Santa Missa voltará a ser o Sol do Mundo, o Centro da Religião. Por ela nos santificaremos. Toda tibieza, todos os incovenientes, todos os abusos serão banidos pela fé, digamos assim,  normalmente, por si mesma. Faremos a "OBRA DE DEUS", que é a maravilha das maravilhas (cf. Salmo CX) não fraudulentamente, mas, pelo contrário, bem feita e com todos os frutos de santidade. Se na década de 60,em que eu era criança a fé já era fraca, hoje é como uma semente de mostarda mas, dividida em 50 partes; e a fé em geral, talvez seja menor do que uma destas partes.A fé, hoje, é como uma chama bruxuleante, prestes a se extinguir. "Senhor! aumentai a minha fé". Estou escrevendo esta introdução, chorando literalmente. "Senhor! aumentai a minha fé!!! São Pio, ensinai-me a celebrar a Santa Missa!!! Ensinai o nosso povo a se santificar pela verdadeira participação da Santa Missa.
Peço-lhe a gentileza de acompanhar a explicação abaixo, no Misssal Quotidiano em português.
MÉTODO PARA PARTICIPAR DA SANTA MISSA
(Extraído em parte dos escritos teológicos de Tanquerey)
   A idéia que deve presidir a tudo o mais é esta: A Santa Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário. 
   A) PREPARAÇÃO: Antes da missa há uma preparação - outrora era a missa dos catecúmenos, ou não batizados. Era a parte de instrução. Se preparavam para receber o batismo. A Missa propriamente dita começa com o ofertório. Mas esta parte antes da Missa continua sendo uma preparação, agora dos fíèis, para a Santa Missa. Três sentimentos dominam esta parte de preparação:
   1º - PENITÊNCIA: No pé do altar o sacerdote no Salmo Judica me pede a Deus que o separe cada vez mais do homem injusto e enganador, que faça brilhar na sua alma a luz da verdade, para que possa subir ao altar e encontrar a alegria. O Confiteor é a confissão humilde dos seus pecados para obter o perdão, pela virtude do sacrifício divino. Os fiéis presentes unem-se-lhe para implorarem a misericórdia de Deus, Misereatur, Indulgentiam... Assim reconfortado, o sacerdote sobe ao altar com o povo cristão, que o acompanha em espírito, e implora, pelos méritos dos santos, a remissão das suas mais pequenas faltas, Aufer a nobis, Oramus te. Estes mesmos sentimentos, são expressos de novo no Kyrie Eleison, dirigido ás três Pessoas Divinas, pois todas elas concorrem para a sua santificação.
  2º - ADORAÇÃO E GRATIDÃO DO PECADOR PERDOADO: Estes sentimentos resplandecem no Gloria in excelsis,dirigidos às três Pessoas Divinas em união com o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Seguem-se-lhe algumas orações destinadas a fazer participar dos frutos do sacrifício. É a oração chamada "colecta".
   3º - A PALAVRA DE DEUS: A Epístola e o Evangelho põem diante dos nossos olhos a palavra de vida que ilumina e fortalece as almas. Damos-lhe uma adesão plena e completa no CREDO, expressão de fé sincera e generosa de quem quer praticar o que crê.
   Estes piedosos sentimentos não podem deixar de dispor as nossa almas para a Santa Missa.

   B - O SACRIFÍCIO: O Sacrifício própriamente dito compreende três atos:
   1º A oblação, isto é, a oferta da Vítima que é o OFERTÓRIO.
    A imolação da Vítima  que é  a     CONSAGRAÇÃO.
   A recepção da Vítima que é a  COMUNHÃO.
  
   1º O OFERTÓRIO: O sacerdote oferece em primeiro lugar a matéria do sacrifício, o pão e o vinho que aqui só  representam desde já o corpo e o sangue de Cristo. Oferece-os em expiação dos pecados do povo cristão e pela salvação do gênero humano. Mas, lembrando-se de que os fiéis são o corpo místico de Cristo, oferece-os a todos e a si mesmo em união com a vítima principal, que é Jesus. Convida os fiéis a unirem-se às suas preces: Orate, fratres. Como importa que sejamos mais de que simples espectadores desta oblação!!! Jesus, nossa cabeça e nosso Chefe, oferece-se todo; desprende-se das criaturas e de se mesmo para se dar a Deus. Cumpre-nos, portanto, participar dos seus sentimentos. Digamos com a Madre Maria de Jesus: "Conservemo-nos escondidos no divino cálice, tal como a gota de água que o sacerdote mistura com o vinho do altar, para que as nossas humildes reparações e o nosso sacrifício se misturem com o sacrifício do nosso Salvador e a Sua e a nossa oblação sejam uma só oblação".

 2º - A CONSAGRAÇÃO:  Mas antes há um anúncio e uma preparação.
   A - O PREFÁCIO: Num diálogo comovente entre o sacerdote e o povo cristão, somos convidados a levantar o nosso coração para Deus, a dar-Lhe graças pelos seus benefícios, sobretudo pelo benefício que resume todos os outros - a EUCARISTIA. Diz Santo Agostinho: "Quando ouvirdes o sacerdote dizer-vos: Sursum corda (= Levantai os vossos corações), e responderdes: Habemus ad Dominum (= Nós os temos erguidos para o Senhor), procedei de forma que a vossa resposta seja sincera e conforme à verdade das palavras de Deus. Trata-se de coisas bem reais. Seja, pois, como dizeis. Que o que a língua pronuncia a consciência não desaprove". 
  
   B - O SANCTUS: o sanctus lembra-nos que proclamar a grandeza e a santidade de Deus é o fim primordial do sacrifício.
    O  TE IGITUR mostra-nos que o fim secundário é a participação das almas na santidade divina. É por isso que pedimos por todos os grandes interesses da Igreja, pelo Papa, pelos bispos, por todo o povo cristão, particularmente por aqueles que oferecem ou por quem é oferecida a Missa, e pelos assistentes.
   O COMMUNICANTES: Como a Igreja militante está em comunhão com a Igreja triunfante, associamo-nos à Sempre Virgem Maria, que nos deu Jesus, aos santos Apóstolos, aos mártires, a todos os santos, membros insignes do Corpo Místico de Cristo, para, graças à sua intercessão, tirarmos frutos para a nossa santificação e salvação eterna.
   O HANC IGITUR OBLATIONEM: O sacerdote junta as mãos, estende-as sobre o cálice e a hóstia, oferece-se a si e aos assistentes, com a grande Vítima, para que pelos seus méritos sejamos preservados da condenação e admitidos no número dos eleitos - graça suprema que nunca será demais pedir.
 Chega o momento solene da Consagração, isto é, a TRANS-SUBSTANCIAÇÃO E A IMOLAÇÃO DA VÍTIMA.
A CONSAGRAÇÃO:  Como ensina Santo Tomás de Aquino, sendo esta uma ação própria e exclusiva do sacerdote, ele deve fazer a Consagração em voz submissa. E aqui, o sacerdote, colocando-se mais que nunca no lugar de Jesus, Soberano Pontífice, pronuncia lentamente, religiosamente, as palavras que Jesus pronunciou na última Ceia. Então, abre-se o céu, Jesus desce à terra e oculta-se sob as espécies do pão e do vinho, e ali fica em corpo, sangue, alma e divindade. O sacerdote levanta-O ao céu, oferece-O à Trindade como Hóstia pura, santa e imaculada, como o pão da vida eterna e o cálice da Salvação. O sacerdote não faz uma narração; ele empresta a Jesus suas mãos e seus lábios para fazer o que Jesus mandou: "Fazei isto em memória de mim".
   Humildemente prostrados em união com os anjos e santos que cercam o tabernáculo, os fiéis adoram silenciosamente o Verbo Encarnado, Jesus-Hóstia, e por Ele adoram, glorificam, bendizem, louvam o Deus criador e santificador, as três Pessoas Divinas. Mas oferecem-Lhe sobretudo as adorações e as homenagens da Vítima infinitamente agradável ao Pai, felizes por poderem glorificá-Lo como merece.
   Suplicam com plena confiança ao Altíssimo que se digne lançar um olhar favorável sobre esta vítima, mais santa do que as que foram oferecidas outrora pelo justo Abel, pelo patriarca Abraão, pelo sacerdote Melquisedeque, suplicam, com certeza de serem ouvidos, ao Onipotente, que se digne ordenar que esta hóstia seja levada pelas mãos do santo anjo até ao trono de Deus, para que todos aqueles que participam do sacrifício e da comunhão sejam abençoados: "Ó pão memorial da morte do Senhor, pão vivo que dá a vida ao homem, dá a minha alma a graça de viver só de Ti e de encontrar em Ti as suas delícias". ( Hino ADORO TE DEVOTE).
   O MEMENTO ETIAM: É o momento de rezar pelos mortos. Em toda missa os defuntos não são esquecidos, e pede-se a Deus que todos, em especial aqueles pelos quais a Missa é oferecida, entrem imediatamente no lugar do refrigério da luz e da paz.
   O NOBIS QUOQUE PECCATORIBUS: Como o pecado é o único obstáculo à visão de Deus, pede-se pelos pobres pecadores que todos nós somos, para que recebamos o perdão da divina misericórdia e participemos da glória dos santos
    O PER IPSUM, ET CUM IPSO ET IN IPSO:  Todas estas graças são pedidas por Jesus Cristo. É por Ele, com Ele e n'Ele que nós damos toda a honra e glória a Deus Pai, na unidade do Espírito Santo e santificador. 
   Assim temos um pálido resumo do Cânon da Missa em que Jesus se torna presente no altar e se imola misticamente. Seríamos ingratos se não nos deixássemos possuir do Seu espírito de hóstia, isto é, de vítima. Nós devemos ser também vítimas, se bem que imperfeitas, e, participando nos sofrimentos do Salvador, participaremos na sua glória. É este aliás o fim da terceira parte da Missa: a COMUNHÃO.

   - A COMUNHÃO: Também a comunhão tem uma preparação: o PATER NOSTER. o AGNUS DEI  e as outras orações seguintes.
   O PATER NOSTER: Membros do Corpo Místico de Jesus, repetimos com uma santa confiança a oração que Ele mesmo nos ensinou, a mais bela oração que existe, o Pater Noster. Unidos a Ele, cumprimos os nossos deveres de religião para com o Pai, desejando que o Seu nome seja conhecido, amado e glorificado, que o Seu reino se estabeleça em todo o mundo, que a Sua vontade se faça na terra como no céu. Com Ele, imploramos todas as graças de que necessitamos, e sobretudo o pão eucarístico, que sintetiza todos os outros dons; suplicamos que nos perdoe os pecados passados, que nos preserve das faltas que ainda pderíamos cometer no futuro e que nos dê a paz que ultrapassa toda a inteligência e que prepara a união íntima e permanente com Jesus. Tal é, com efeito, a petição do AGNUS DEI e das ORAÇÕES seguintes.
   A COMUNHÃO:  Protestando a sua indignidade, como o centurião, mas confiando na misericórdia divina, o sacerdote, e com ele o povo cristão, comungam o corpo e o sangue do Salvador, unem-se no âmago da alma a Jesus, aos seus sentimentos mais íntimos e, por Ele, ao próprio Deus, às três Pessoas da Trindade. O mistério da união está consumado: somos um só coração e uma só alma com Jesus e, com Ele, apenas um com o Pai e o Espírito Santo. Realiza-se verdadeiramente a oração de Jesus na última ceia. (Conf. S. João, XVII, 23-26). Momento delicioso este, em que o nosso coração bate em uníssimno com o Coração de Jesus! Com Ele adoramos, louvamos, bendizemos a Deus, que fez grandes coisas em nós. Adoramo-lo porque é nosso Deus, e adoramo-lo tanto mais devotamente quanto mais humildemente se oculta  e aniquila. Depois desta silenciosa adoração, ouvimos com o coração o amigo que se digna entreter-se conosco.; recolhemos com amor as mais pequeninas palavras, os mais pequeninos desejos do Bem-Amado. "Inveni quem diligit anima mea, tenui eum, nec dimittam..."(Cant.,III, 4). Parece-nos que nesse momento não podemos recusar-lhe nada, que o esforço para perseverar no bem já não nos amedronta; que não estamos sós, que aderimos a Jesus como os ramos ao tronco da videira, que recebemos d'Ele a vida e a força; que, à semelhança dos discípulos de Emaús, sentimos o coração alegrar-se enquanto Ele fala e estamos prontos a colaborar com Ele durante todo dia. Oferemos-Lhe espontaneamente toda a nossa alma. Queremos Deus, a Sua glória, a Sua vontade, ainda que exija de nós duros sacrifícios. É que Jesus vive em nós.
   E nada há de melhor do que unirmo-nos sempre aos atos de gratidão e amor da Santíssima Virgem, a mais perfeita adoradora do seu Filho. Digamos a Maria Santíssima: Senhora, já que arrebataste o coração de Jesus para no-lo dar, não deixes de arrebatar o nosso para o dares a Jesus,
    Em agosto de 2000, pela bondade e misericórdia divina, e malgrado meus deméritos, tive a alegria de celebrar a Santa Missa em Belém no local onde Jesus nasceu. Depois da consagração eu disse para Nossa Senhora: "Minha Mãe do Céu, acabo de trazer aqui o mesmo Jesus que a Senhora trouxe há 2000 mil anos atrás. Mas, eu não o poderia fazer se a Senhora não o tivesse feito antes".
   Aliás, caríssimos e amados irmãos e irmãs, tenhamos sempre em mente que a Eucaristia é o Pão de nossa Mãezinha do Céu. Escreveu Santo Agostinho: "Jesus tomou carne da carne de Maria." Santo Alberto Magno diz: "Maria nos deu a carne de sua carne, os ossos dos seus ossos, e continua a dar-nos na Eucaristia este doce e virginal manjar celeste". São Pio de Pietralciana dizia algumas vezes aos seus filhos espirituais: "Não estais vendo Nossa Senhora sempre ao lado do Sacrário? Uma vez, perguntaram a Santa Bernadette: "Você gosta mais de receber a Santa Comunhão, ou de ver Nossa Senhora na gruta?" Ela respondeu: "Que pergunta esquisita! São duas coisas que não se podem separar. Jesus e Maria estão sempre juntos!" Fizeram-lhe esta outra pergunta: "Como é que você faz para ficar tanto tempo em ação de graças depois da Comunhão?" Santa Bernadette respondeu: "Fico considerando que a Virgem Santa que me está dando o Menino Jesus. Depois o recebo. E eu lhe falo a Ele, e Ele me fala a mim".

AS ORAÇÕES FINAIS DA SANTA MISSA: Com a comunhão que nos une tão intimamente a Deus, termina os sacrifício propriamente dito. Mas assim como há uma preparação antes da Missa, também há algumas orações que lhe servem de epílogo. Estas orações são breves. Um pedido instante para que o corpo e o sangue de Jesus produzam em nós frutos estáveis. Depois o sacerdote beija o altar que representa Cristo, abençoa o povo cristão, ou antes, pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo que o abençoe. Guardemo-nos de pensar que as bênçãos de Deus são como as dos homens, simples votos. Não, elas são verdadeiramente eficazes: para Deus, abençoar é fazer bem.

O ÚLTIMO EVANGELHO:  É como um resumo de toda a Missa. É todo o mistério da Encarnação reproduzido e sintetizado na Eucaristia. Nada poderia concluir melhor o grande drama que é o sacrifício da missa.
     CONCLUSÃO
Quando assistirmos à Santa Missa, transpotemo-nos em espírito ao pé do Calvário, ajoelhemos humildemente junto de Maria, Mãe do Salvador e nossa mãe, supliquemos a ela que inunde a nossa alma de algum dos sentimenos que animavam a sua.





  
    

quinta-feira, 19 de maio de 2011

FAZ DEZ ANOS DO INÍCIO DAS OBRAS DO CARMELO - AGRADECIMENTO

   Em maio de 2001 iniciávam-se o desatêrro e a terraplenagem para início das obras do Carmelo, no Sítio Santa Cruz II, Município de Varre-Sai, RJ, Brasil.
   Sinto-me muitíssimo feliz em poder agradecer, do fundo do coração, atravé da Internet, as ajudas espirituais e materiais que venho recebendo de meus caríssimos atuais fiéis, e de ex-paroquianos em quase toda Diocese de Campos,RJ, e de outros lugares do Brasil, especialmente de Santa Maria, RS., nestes dez anos que venho construíndo este Carmelo de Nossa Senhora do Carmo.
   Que Deus, Nosso Senhor, os recompense centuplicadamente com muitas bênçãos,  graças escolhidas e saúde na alma e no corpo. E em minhas Santas Missas, sempre peço pelos meus irmãos e parentes, pelos benfeitores vivos e falecidos. No "Memento dos mortos" lembro-me sempre de pedir o suflágio das almas da Irmã Fátima e das grandes benfeitoras do Carmelo: D. Santa e Arlete (Varre-Sai) e D. Hermínia (Santa Maria, RS ) e muitos outros, como por exemplo, o Sr. Enzzo.
   Sem esta generosa caridade dos fiéis e amigos, eu não teria condição de chegar aonde cheguei, muito menos, de continuar as obras até o fim.
   Deus lhes pague! Minha imorredoura gratidão! Muito obrigado!
                                                                                                     Padre Elcio Murucci    

sábado, 14 de maio de 2011

DA MODÉSTIA QUANTO AO ORNATO EXTERIOR

   Artigo extraído de Santo Tomá de Aquino, Suma Teológica, 2-2 q. 169. a. 1 e 2.
   Artigo primeiro: Parece que não há nenhum vício nem nenhuma virtude em matéria de ornato exterior... Mas, pelo contrário: a honestidade supõe a virtude. Não faltar nada do que exige a honestidade ou a necessidade, sem se cair no exagero. Logo, pode haver virtude e vício em matéria de vestuário.
SOLUÇÃO: As coisas exteriores, em si mesmas, de que o homem usa não são matéria de nenhum vício, que só existe em quem as emprega imoderadamente. Ora, esta imoderação pode dár-se de dois modos.- Primeiro, relativamente ao costume daqueles com quem convivemos. Citando Santo Agostinho, Santo Tomás diz que devemos seguir os costumes locais ou do país. Segundo, pode haver imoderação, no uso das referidas coisas, pelo afeto desordenado de quem usa delas; donde vem que às vezes, p. ex., usamos dos ornatos exteriores com sensualidade, quer estejamos de acôrdo ou não com os costumes daqueles com quem convivemos. Ora, por esse afeto desordenado se pode pecar por excesso, de três modos: 1- quando as nossas vestes e coisas semelhantes são acompanhadas de ornatos excessivos afim de granjear a glória dos homens. 2- quando nos preocupamos excessivamente com o nosso vestuário, em vista do prazer. No caso as vestes estariam sendo usadas como um culto do corpo. 3- quando simplesmente nos preocupamos excessivamente com a roupagem externa, mesmo se não há nenhum fim desordenado.[ Foi Jesus quem condenou esta preocupação excessiva com o vestuário.]
   Como há três vicios neste ponto, há, também três virtudes: humildade, fugindo de toda vanglória; honesta suficiência, fugindo do prazer e contentando-se com o necessário; simplicidade que é o hábito pelo qual nos contentamos com o que nos acontece. Em outras palavras: conformámo-nos com a nossa posição social.
   Mas o afeto pode ser também desordenado por defeito, e de dois modos: 1- desleixo, falta de cuidado e negligência em nos vestirmos como devemos; falta de asseio. 2 - Seria o vício de usar estas dificiências todas para buscar a vanglória: querer apresentar-se com o afeto desordenado, pretendendo com estes desleixos, parecer humilde e penitente.   
 Artigo segundo: Parece que os ornatos femininos constituem pecado mortal.
   Assim, faz-se a seguinte objeção: Assim como não convém à mulher usar de roupas masculinas, assim também não deve usar de ornatos desordenados. Ora, o primeiro procedimento é pecado, segundo diz a Sagrada Escritura em Deuteronômio, capítulo 22, versículo 5: "A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher, porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus". Donde se conclui, que o ornato exagerado das mulheres é pecado mortal.        
   Mas, em contrário, devemos dizer que os ornatos femininos em si mesmos, não constituem pecado mortal. Porque, se assim fosse, haveríamos de concluir que os artífices fabricadores destes ornatos também pecariam mortalmente. Então apresentamos a SOLUÇÃO: Em relação ao ornato das mulheres, devemos levar em conta os mesmos elementos que consideramos já acima, em geral, relativamente ao vestuário exterior; e, além disso, mais em especial, devemos notar que os ornatos femininos provocam mais os homens à lascívia, isto é, à sensualidade, segundo à Escritura: "E eis que uma mulher lhe sai ao encontro, ornada à moda das prostitutas, prevenida para caçar as almas" (Prov. VII, 10). Pode contudo a mulher aplicar-se licitamente em agradar ao seu marido, afim de que ele, por desprêzo, não venha a cair em adultério. Por isso diz o Apóstolo: "As mulheres casadas cuida das coisas que são do mundo, de como agradar ao marido" (1 Cor, VII, 34). Por onde, se a mulher casada se ornar para agradar ao marido, pode fazê-lo sem pecado. Mas, as mulheres, que não têm marido, nem os querem ter, e vivem em estado de não os poderem ter, não podem sem pecado querer agradar aos olhos dos homens, para o fim da concupiscência, pois, seria dar-lhes o incentivo de pecar. Se, pois, se ornarem com a intenção de despertar nos outros a concupiscência, pecam mortalmente. Se o fizerem, porém, sem esta má intenção, mas só por leviandade ou por uma certa vaidade fundada na jactância (se pretender apenas ser admirada e elogiada), nem sempre comete pecado mortal, mas, às vezes, venial. [Nem seria venial, se o fizer sem pensar em nada, mas pura e simplesmente por leviandade]. E o mesmo se dá, neste ponto, com os homens. 
   Por tudo que acabamos de explicar, vamos responder a objeção que foi feita no início deste segundo artigo, objeção esta baseada na Bíblia Sagrada: Deut. XXII, 5. 
   RESPOSTA À OBJEÇÃO: Como dissemos (no artigo 1º), o vestuário  exterior deve corresponder à condição da pessoa, de conformidade com o uso comum. Por isso e considerado em si mesmo, é repreensível e vicioso uma mulher trazer trajes de homem e vice-versa. E sobretudo porque pode ser uma causa de sensualidade. Mas, se a Bíblia diz que isto é abominável, e, portanto, coisa grave, é por uma circunstância à parte. No caso, é porque os pagãos usavam deste travestimento na prática dos seus cultos idolátricos.[Sabemos pela História que os pagãos cometiam as maiores abominações diante de seus ídolos; e, para tanto, as mulheres se vestiam de homem e os homens de mulher.] [ E Santo Tomás continua dentro desta lógica]: Pode-se, porém, proceder deste modo ( isto é, a mulher usar roupa masculina ...) e sem pecado, se o exigir a necessidade:  quer para ocultar-se dos inimigos, quer por falta de outras roupagens, quer por outro qualquer motivo semelhante. [Geralmente se dá o exemplo de Santa Joana d'Arc].
   Ainda falando dos ornatos femininos, Santo Tomás cita o Apótolo São Paulo e tira as conclusões: Donde o dizer o apóstolo: "Orem também as mulheres em trajes honestos, ataviando-se com modéstia e sobriedade, e não com cabelos frisados, nem com ouro, nem pérolas ou vestidos custosos, mas sim como convém a mulheres que fazem profissão de piedade" (1 Tim. II, 9 e 10). Pelo que, continua Santo Tomás, dá a entender, que o ornato sóbrio e moderado não é proíbido às mulheres, senão só o supérfluo, o vergonhoso e o impudico. [Falando sobre pintura, Santo Tomás diz: Nem sempre a pintura constitui pecado mortal, mas só quando feita por lascívia ou por desprêzo de Deus, casos a que se refere (S.) Cipriano. Saibamos, porém, que uma coisa é fingir uma beleza que não se tem, e outra, ocultar um defeito proveniente de alguma causa, como p. ex., uma doença ou qualquer outra. O que é lícito; pois, segundo o Apóstolo, "os que temos pelos mais vis membros do corpo a esses cobrimos com mais decoro" (1 Cor. XII, 23).
   Até aqui: Santo Tomás de Aquino. Só o que está entre colchetes, que é meu. 
 Antes de terninar, porém, gostaria de fazer algumas observações.
OBSERVAÇÕES: 1ª - Santo Tomás não fala em calças compridas para as mulheres. Por um motivo por demais óbvio: não havia e certamente ninguém da Idade Média podia imaginar que um dia houvesse. Começaram a aparecer em 1911. E esta moda só pegou mesmo em 1920. E no Brasil só mais tarde. 
                               2ª - Muito menos a Sagrada Escritura fala em calças compridas femininas.                        
                                         3ª -  Se a calça comprida feminina não é como a dos homens porque é de feitios diferentes e também por ser só uma parte do vestuário, mesmo assim  é condenável precisamente por provocar a sensualidade, mostrando as formas do corpo. D. Antônio de Castro Mayer deu-me a seguinte orientação: As mulheres, moças e meninas que, por algum motivo, eram obrigadas a usarem calças compridas, não as usassem justas e além disso, em alguns lugares como p. ex., nos hospitais como enfermeiras, usassem um jaleco mais comprido E estas pessoas deviam vestir-se assim só em caso de necessidade. Mas só por isso, não deviam ser afastadas dos sacramentos. Vamos falar mais sobre isso, se Deus quiser, na próxima postagem que terá como título: AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA. A Sagrada Escritura, como é a palavra de Deus, oferece-nos os princípios gerais pelos quais se resolvem todos os casos particulares.
                               4ª- Antigamente não havia este despudor provocante que há hoje em todo lugar. Mesmo as pessoas sem prática da religião tinham vergonha de se apresentarem em público sumariamente vestidas. O pudor foi-se perdendo aos poucos. Por isso antigamente os padres até os santos como o Santo Cura d'Ars, Sao Barnardino de Sena e muitos outros cujos sermões chegaram até nós, falam contra o excesso de vaidade. e contra a má intenção de provocar a lascívia. Mas, a fortiori, teriam combatido e com muito zelo, a imoralidade das modas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O NOSSO ORGANISMO SOBRENATURAL

   Vamos terminar o nosso estudo sobre a graça.
   Deus, que habita na nossa alma, não permanece nela apenas para receber as nossas adorações e homenagens; quer também dar-se a nós e levar-nos até Ele para termos a felicidade perfeita.
   Deus é vida e fonte de vida: "Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens". (S.João, I,4). Ora, para nos levar até Ele, Deus quis comunicar-nos uma participação da sua vida divina. Mas, fracas criaturas  que somos, como poderemos nós receber esta participação da vida de Deus? Só se aprouver à bondade divina completar e aperfeiçoar a nossa alma, dotando-a de um organismo sobrenatural, muito superior ao que podem exigir as criaturas mais perfeitas. Ora é precisamente o que Ele faz, vindo habitar em nós.
   Como homens, todos temos, por natureza, uma vida intelectual que nos permite conhecer a verdade e amá-la. Mas ela não pode proporcionar-nos mais que um conhecimento imperfeito, adquirido ao preço de muitos trabalhos, pela reflexão, pela análise, pelo reciocínio, por uma longa série de induções e deduções, em que estamos sujeitos a enganar-nos. É esta vida que Deus vai trnsformar: sem nada tirar do que há de bom em nós, insere na nossa alma um organismo sobrenatural completo.
   Já vimos, ao tratar do graça santificante, que Deus espalha, digamos assim, na própria substância da nossa alma, a graça habitual, que desempenha em nós o papel de princípio vital sobrenatural, fazendo-os semelhantes, mas mão iguais, a Deus, e preparando-nos, embora de uma maneira remota, para conhecer a Deus como Ele se conhece e para o amar como Ele se ama. Desta graça santificante dimanam as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo, que sobrenaturalizam as nossas faculdades naturais, e nos dão o poder imediato de praticar atos meritórios de vida eterna.
   Para pôr em movimento estas faculdades, concede-nos graças atuais, que nos iluminam a inteligência, fortificam a vontade, dão-nos energias que superam de longe as nossas forças e ajudam-nos a praticar ações a que podemos chamar deiformes; com efeito, trata-se não de atos meramente humanos, mas de atos que, embora sendo nossos, são também de Deus, pois Ele quer ser nosso colaborador e operar em nós o querer e o agir (Fil. II, 13). Como já vimos, a graça penetra totalmente o nossa vida natural e eleva-a tornando-a semelhante à vida de Deus. A vida própria de Deus é ver-se a si mesmo diretamente e amar-se infinitamente, visto ser infinitamente amável. Ora, nenhuma criatura por mais perfeita que a imaginemos, pode por si mesma contemplar a essência divina, que habita numa luz inacessível a toda criatura (1Tim. VI, 16). Mas Deus, por um privilégio inteiramente gratuito, chama o homem a contemplá-lo face a face no céu, com Ele se contempla a si mesmo, não certamente no mesmo grau, pois o homem é um ser limitado, mas do mesmo modo, diretamente, sem raciocínio, sem intermidiário. Tal é o sentido desta frase de São Paulo: "Nós agora vemos como por um espelho (i.é, por um intermidiário), obscuramente, mas depois vê-lo-emos face a face; agora conheço-o em parte, mas depois hei de conhecê-lo como sou conhecido" (1Cor. XIII, 12 13). É também este o pensamento de São João quando diz: "Agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que seremos um dia. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como é" (1 S. João, III, 2). É participarmos de uma maneira finita, mas real, da própria vida de Deus; é conhecê-lo como Ele se conhece, amá-lo como Ele se ama.
   No céu veremos a Deus; na terra, comungamos já do seu pensamento pela fé. que é a luz de Deus. É, pois, bem verdade que pela fé  e pela caridade começamos a conhecer a Deus como ele se conhece e a amá-lo como Ele se ama, embora num grau muito inferior, e que começamos a participar da Sua vida.
   A liberalidade divina outorga-nos generosamente, no próprio momento em que recebemos a graça habitual, um conjunto de virtudes e de dons sobrenaturais. As virtudes sob a direção da prudência, nos permitem operar sobrenaturalmente com o concurso da graça atual. Os dons nos tornam tão dóceis à ação do Espírito Santo que, guiados por uma espécie de instinto divino, somos, por assim dizer, movidos e dirigidos por este divino Espírito. Devemos advertir, porém, que estes dons não se exercem de modo frequente e intenso senão nas almas mortificadas.
   No exercício das virtudes, a graça deixa-nos ativos, sob o influxo da prudência. No uso dos dons, quaando estes atingiram pleno desenvolvimento, exige de nós mais maleabilidade do que atividade. Façamos uma comparação: Quando a mãe ensina o filhinho a andar, umas vezes, contenta-se de lhe guiar os passos, impendindo-o de cair; outras vezes, toma-o nos braços, para o ajudar a vencer um obstáculo  ou lhe dar um pouco de descanço. No primeiro caso, é a graça cooperante das virtudes; no segundo caso, é a graça operante dos dons.
   Além de tudo isso, o Nosso Pai celestial concede-nos GRAÇAS ATUAIS.
   A graça atual é um auxílio sobrenatural e transitório que Deus nos dá para nos iluminar a inteligência e fortalecer a vontade na produção dos atos sobrenaturais.

sábado, 7 de maio de 2011

OS NOSSOS DEVERES PARA COM O HÓSPEDE DIVINO

   Primeiro dever: PENSAR MUITAS VEZES neste Deus que vive em nós e fazer-lhe companhia. Quando uma pessoa notável nos dá a honra de nos visitar, nós apressamo-nos a dispensar-lhe o melhor do nosso tempo e a tornar-lhe a estadia junto de nós tão agradável quanto possível. Não será precisamente isso o que devemos fazer em relação ao nosso hóspede divino, que nos dá a honra de nos visitar e de estabelecer em nós a sua morada? A Ele que se ocupa incessantemente dos interesses da nossa alma, havíamos de esquecer? Santa Teresa d'Ávila censurava-se por ter vivido tanto tempo sem pesnsar frequentemente na Santíssima Trindade. "Compreendia bem, escrevia ela, que tinha uma alma, mas a estima que essa alma merecia, a dignidade do hóspede que nela habitava - isso não o compreendia bem, porque as vaidades da existência eram como uma cortina diante de meus olhos. Se tivesse compreendido como agora, que era grande o Rei que habitava o pequeno palácio de minha alma, parece-me que não o teria deixado só tantas vezes" (Cf. Caminho de Perfeição, cap. XXVIII). Muitos leitores hão de censurar-se da mesma maneira e esforçar-se doravante por fazer companhia ao hóspede divino desde a manhã até à noite.
   Os meios são simples: 1º - Recolhermo-nos no começo dos nossos trabalhos, dizendo: Deus vive em mim, e consagrarmos às três pessoas divinas o ato que vamos realizar. É para isto que fazermos o sinal da cruz no início dos nossos trabalhos.
                                          2º - Sabendo que o hóspede divino é para o homem uma fonte de luz, de força, de consolação, as alma interiores voltam repetidamente para Ele, no decurso dos seus atos, os olhos do espírito e do coração.
                                          3º - Nas orações, as almas interiores nunca esquecem as palavras de Jesus: "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, tendo fechado a porta, ora a teu Pai, que está presente, em segredo" (Mat. VI, 6). O quarto onde se recolhem é a cela do coração. É aí que encontram a Santíssima Trindade, é aí que, unidas, incorporadas no Verbo Encarnado, adoram e suplicam em silêncio. 
   Segundo dever: ADORAÇÃO. Como não glorificar e louvar este hóspede divino, que, sendo Deus, transforma a nossa alma num verdadeiro santuário? E com que amor se deve repetir a doxologia dos primeiros cristãos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, que não é uma fórmula vaga, porque exprime todos os sentimentos de adoração, de louvor e de amor. Sobretudo quando assiste a Santa Missa, a alma interior gosta de orar pausadamente, de saborear, digamos assim, todas as preces em honra da Santíssima Trindade: o Kyrie eleison, o Gloria in excelsis Deo, o Sanctus, o Pater-Noster; e, quando no fim da missa, o sacerdote se inclina sobre o altar para suplicar à Santíssima Trindade que se digne aceitar o sacrifício que acaba de oferecer, a alma piedosa acrescenta a oferenda do seu próprio coração e sente-se confortada para todo o dia.
   Terceiro dever: O AMOR. E o nosso amor não há de manifestar-se apenas em sentimentos piedosos, mas em obras e sacrifícios: 1º - Será um amor penitente, que se propõe expiar as infidelidades. 2º - Será  um amor reconhecido, que agradece todos os dons a este insigne benfeitor, a este consolador dedicado que opera em nós e conosco com tanto zelo e constância. 3º - Será um amor de amizade, que nos levará a corresponder às ambilidades divinas com uma santa alegria e a conversar afetuosamente com o mais fiel e o mais generoso dos amigos; que nos levará sobretudo a aceitar todos os seus interesses, a procurar a sua glória, a louvar e a fazer louvar o seu santo nome. 4º - Será enfim um amor generoso, que vai até o sacrifício, ao esquecimento de sì, à aceitação cordial de todas as provações que lhe aprouver enviar-nos. Como Santa Teresinha do Menino Jesus, diremos sinceramente: "Não sou egoísta: é a Deus que eu amo e não a mim... A minha alma está sempre na escuridão; mas eu sou feliz, sim, muito feliz, por não ter qualquer consolação... Teresa ama a Jesus só por Ele".
   Quarto dever: A IMITAÇÃO. O amor generoso conduz à imitação. O homem deseja assemelhar-se o mais possível àquele a quem ama. Mas como imitar a Trindade, cuja santidade é infinita? De duas maneiras: evitando cuidadosamente tudo o que pode toldar a pureza da alma, e adornando-a de todas as virtudes. Templo vivo da Santíssima Trindade, o cristão deve conservar com cuidado extremo a pureza do corpo e da alma. Digamos com santa energia: "Antes morrer, ó meu Deus, do que manchar o vosso santuário; antes morrer do que expulsar-vos do meu coração, introduzindo nele o pecado e o demônio".
   "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito" (Mat. V, 48). Para facilitar esta tarefa o Filho de Deus fez-se homem como nós, viveu a nossa vida, abraçou as nossas misérias e as nossas fraquezas, exceto o pecado, e tornou-se, assim, o caminho que devemos trilhar para subir até ao Pai.
   Há, no entanto, uma virtude cuja prática Nosso Senhor nos recomenda, para imitarmos a unidade perfeita que reina entre as três pessoas divinas: a caridade fraterna. "Que todos sejam um, como tu, meu Pai, o és em mim e eu em ti, para que eles sejam um em nós" (S.João, XVII, 21). Nos primeiros séculos, os pagãos se convertiam vendo este bom exemplo dos cristãos e diziam: "Vede como eles se amam!"