sábado, 31 de dezembro de 2016

ÚLTIMO DIA DO ANO

   Hoje, a Santa Madre Igreja concede Indulgência Plenária a todos aqueles que receberem a bênção do Santíssimo Sacramento e cantarem ou rezarem o "Te Deum Laudamus". As outras condições são: Não ter afeto ao pecado, rezar um Pai-Nosso e uma Ave Maria nas intenções do Santo Padre, o Papa, ter se confessado, e comungar. 
   É o dia de ação de graças a Deus pelos benefícios d'Ele recebidos durante o ano que vai findar. A gratidão é chave para recebermos mais dadivosos benefícios. Seja sincera e cordial a nossa ação de graças ao bom Deus!
   O último dia do ano obriga-nos também a um sério exame de consciência sobre o nosso passado próximo e remoto: atravessam a nossa memória as lembranças do tempo que passou, revemos os dias que já não nos pertencem a fim de sobre eles examinarmos a nossa consciência. O bem que fizemos no ano prestes a acabar alegra-nos e enche-nos de coragem; as infidelidades, pelo contrário, de que nos sentimos culpados, provoca-nos em nós o remorso e arrependemo-nos delas.
   O fim do ano proporciona-nos a ocasião de meditarmos sobre a fugacidade do tempo e sobre a vaidade das coisas. Verificamos que não é sempre agradável viver neste mundo e que, pelo contrário, a vida é muitas vezes bem desagradável a ponto de por vezes considerarmos uma sorte que o tempo passe em ritmo tão acelerado.
   O tempo se circunscreve apenas a um período da nossa vida, o mais breve, o da prova, durante o qual temos a liberdade de escolher e de determinar a nossa sorte futura, capitalizando ou não tesouros para a vida sem fim.
  Que arrependimento sentimos ao meditar: "Jamais se pode encher o vazio de um dia que se perdeu". Mas prefiro ficar com Santa Tereza d'Ávila que diz: "Porventura, Senhor, desamparastes o miserável ou afastastes o pobre mendigo quando se queria chegar a Vós? Porventura, Senhor, têm termos as Vossas grandezas ou as Vossas magnificas obras? Ó Deus meu e misericórdia minha! Como as podereis agora mostrar em vossa serva! Poderoso sois, ó meu Deus. Agora poder-se-á entender se minha alma se engana a si mesma, vendo o tempo que perdeu e como num instante Vós podeis, Senhor, fazer com que o torne a ganhar. Parece grande desatino, pois o tempo perdido, constumam dizer, não se pode tornar a recuperar. Bendito seja o meu Deus! Ó Senhor! Confesso o Vosso grande poder. Se sois poderoso, como sois, que há de impossível ao que tudo pode? Vós bem sabeis, meu Deus que no meio de todas as minhas misérias nunca deixei de conhecer o Vosso grande poder e misericórdia. Valha-me, Senhor, isto que não vos ofendi. Tende-o em conta. Recuperai, Deus meu, o tempo perdido, dando-me graça para o presente e para o porvir, para que apareça diante de Vós com vestes de boda. Se o quiserdes, podê-lo-eis". (Ex. 4).
   "Da minha parte, Senhor, não vejo melhor modo de recuperar o tempo perdido do que aplicar-me com todas as forças ao exercício do amor. Sim, o meu amor aumentará se eu souber cumprir por Vós todos os meus deveres e todas as minhas boas obras "com todo o coração ou seja, com toda a boa vontade".
   Caríssimos e amados leitores, vamos dizer a Jesus de todo coração: Já que é tão pouco o que posso fazer por Vós, ao menos que o faça com todo o amor de que me tornastes capaz.
   E terminemos com a ORAÇÃO DO ÚLTIMO DIA DO ANO:
   "Eis-nos chegados ao fim deste ano! Quantos benefícios não nos fizestes, ó Senhor, tanto à alma como ao corpo! Quem poderá jamais enumerá-los? Que ação de graças, pois não vos devemos dar hoje! Felizes de nós, se tivéssemos correspondido aos vossos benefícios. Mas ai! Sentimos que a consciência nos exproba a nossa ingratidão. Quantos pecados cometemos em todo este ano! Quantas virtudes deixamos de praticar! Que será de nós, ó Senhor, no dia em que nos chamardes a dar-vos contas? Com um coração cheio de reconhecimento e ao mesmo tempo traspassado de dor, nós vos damos as mais vivas e ardentes ações de graças e Vos pedimos humildemente perdão.
   Aceitai, Deus de bondade, este nosso ato: perdoai nossos pecados e dai-nos Vossa divina graça, para que comecemos e santamente acabemos o novo ano.
   Assim o propomos e assim o esperamos, confiados em vossa graça. Assim seja.

A CONFISSÃO BEM FEITA TORNA O PECADOR DE NOVO CAPAZ DE FAZER OBRAS MERITÓRIAS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

É óbvio, mas nunca será demais lembrar que os efeitos maravilhosos da absolvição sacramental, só existirão quando a confissão for bem feita. E, com a graça de Deus, vamos hoje meditar em mais um importantíssimo efeito da confissão: o pecador, recuperando a graça santificante, passa a merecer novamente, isto é, volta a fazer obras que têm merecimento sobrenatural para a vida eterna.

Na verdade, a confissão bem feita comunica-nos a graça santificante, como já meditamos em postagem anterior. Ora, esta graça é que nos torna capaz de fazer obras meritórias.  A alma morta pelo pecado grave não pode se mover e dar frutos salutares para a vida eterna. Dizemos na Teologia que as obras embora boas que se praticam enquanto o pecador ainda está no estado de pecado mortal, são obras "MORTAS". E estas nunca ressuscitarão. Mas as obras boas que uma pessoa tenha praticado enquanto estava na graça de Deus, estas obras, digo, são meritórias para o céu, são sobrenaturais. Todas, no entanto são perdidas com o pecado mortal. São obras chamadas na Teologia de "MORTIFICADAS". Estas é que são ressuscitadas pelas absolvição sacramental. E além disso, como veremos agora, a partir daí, isto é, recuperada que foi a graça santificante, a alma volta a merecer sobrenaturalmente, ou seja, passa novamente a fazer obras meritórias que têm valor para o céu.

Esta graça santificante é, na expressão do próprio Jesus Cristo, "aquela fonte de água viva que jorra para a vida eterna" (S. João, IV, 14). O filho adotivo de Deus, que dirige suas obras a Deus, dá a estas obras um valor sobrenatural e divino, que as torna dignas do céu, porque são obras da graça do Espírito Santo que habita em nós. Quando uma alma está na graça de Deus e a pessoa oferece suas ações a Deus, estas obras são divinizadas. E Deus as aceita e as julga dignas de uma recompensa eterna, sendo que cada uma produz em nós, segundo o Santo Concílio de Trento, "um aumento de graça nesta vida e um igual grau de glória na outra".

Conta-se que um dia, S. Francisco de Assis, chegando às portas da cidade de Senna, aí fincou seu bordão e no mesmo instante esse pedaço de pau seco, criou raízes, cobriu-se de folhas, de flores e frutos. A alma no estado de pecado mortal é uma árvore morta que não pode produzir frutos para a vida eterna. Ninguém pode ressuscitar os mortos senão Deus e aqueles a quem Deus comunica o seu infinito poder. Pois bem, Deus deu ao confessor o poder admirável de dar a vida às almas mortas pelo pecado mortal, por meio da absolvição sacramental. A graça santificante que as almas recuperam então, como uma seiva divina torna-as capazes de produzir obras sobrenaturais e meritórias. "Eu sou a vinha, disse Jesus, e vós sois as varas. Aquele que permanece em mim e eu nele, produz muito fruto" (S. João XV, 5).


Caríssimos, que tesouro de merecimentos pode ajuntar uma alma em estado de graça! A cada instante, em cada uma de suas ações, em cada uma de suas afeições, a alma pode adquirir uma glória eterna. Todo ato de amor que ela pratica merece um paraíso à parte. Ah! se os pecadores compreendessem bem esta verdade, não ficariam um só instante em estado de pecado.  Este é aquele tesouro que Nosso Senhor Jesus Cristo manda a gente juntar lá no céu, tesouro este que o ladrão da morte não rouba, a traça não rói nem a ferrugem consome!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A ABSOLVIÇÃO SACRAMENTAL DÁ À ALMA UMA BELEZA TODA CELESTIAL

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Parte superior: representação da alma no estado de graça.
Na parte inferior: representação da alma em pecado mortal.

Basta meditarmos que a alma em estado de graça é morada do próprio Deus!!! "A Trindade Santíssima, diz o sábio Cornélio a Lápide, habita pessoal e substancialmente na alma em estado de graça, e nela permanece como em seu templo, enquanto esta alma se mantém em estado de graça".
O Espírito Santo fez ver um dia a Santa Teresa d'Ávila a Santíssima Trindade presente e viva em sua alma. "Eu vi distintamente em minha alma, disse ela, as três pessoas divinas, e compreendi o sentido destas palavras de Jesus Cristo: As três pessoas divinas habitarão na alma que vive em estado de graça".

Esta grande verdade é afirmada pelo próprio Jesus Cristo claramente nas Sagradas Escrituras: "Se alguém me ama, meu Pai o amará também, e nós viremos a ele e nele faremos morada". (S. João XIV, 23). E São Paulo diz o mesmo: "O amor de Deus foi difundido em nossos corações pelo Espírito Santo, que habita em nós" (Rom. V, 5). E, coisa admirável! se ele habita em nós, nós também habitamos n'Ele. "Aquele que habita nos céus, diz Santo Anselmo, Aquele que reina sobre os anjos, Aquele diante do qual se inclinam a terra e os céus com tudo que eles encerram, Aquele mesmo dá-se a nós para ser nossa morada". Pois, aquele que está no amor, quer dizer, em estado de graça, está em Deus, e Deus está nele, como atesta a palavra divina na primeira Epístola de S. João IV, 16.

Caríssimos, que tristeza nos causa ver o pecado mortal, qual terrível incêndio, destruir este palácio da graça em nossa alma!!! Mas, por outro lado, quão maravilhoso é, ver o poder da absolvição levantar novamente das ruínas, este palácio!!!

São Filipe Neri dizia um dia a um dos seus discípulos: "Oh! meu filho, como vossa fisionomia está nojenta"! O moço compreendeu, e apressou-se a ir confessar-se. Quando voltou, seu bom pai lhe disse: "Agora estais belo, meu filho; eis aí como vos amo!"

São José Cupertino dizia ao criado de um cardeal: "Como! meu filho, tu serves a um tão nobre senhor, e não tens vergonha de sair com uma aparência tão imunda?. Vai, pois, lavar-te" O homem foi imediatamente confessar-se; depois voltou para junto do santo, que, abraçando-o, disse: "Meu filho, agora eis que te vejo formoso; ainda há pouco estavas horrível!"

São Bernardo tinha razão em dizer: "Amai a confissão, é ela que nos torna agradáveis aos olhos de Deus, quando é feita com verdadeira dor dos pecados. Amai a confissão, se amais a beleza da vossa alma".

Santo Agostinho já tinha dito: "Se quereis realçar em beleza, confessai-vos; sois disforme, confessai-vos para vos tornardes belo; sois pecador, confessai-vos para vos tornardes justo".


Certa vez um jovem já ia entrando na sacristia onde estava o Padre Pio, e este disse-lhe: "Afasta-te daqui, porco!". O moço sai correndo e tremendo. Mas foi meditar no porquê daquela palavra "porco". E, tocado pela graça, reconheceu que ele, pelos pecados que trazia na alma, era verdadeiramente um porco, em certo sentido, bem pior, porque sua sujeira era culposa e na alma. Voltou e pediu confissão ao Padre Pio que o acolheu com toda bondade. E no fim disse-lhe o grande santo: "Vai em paz, você é belíssimo, és filho de Deus!" 

sábado, 24 de dezembro de 2016

A ABSOLVIÇÃO SACRAMENTAL DÁ A GRAÇA SANTIFICANTE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A pessoa, com o pecado mortal, perde a graça santificante. Se foi o primeiro pecado mortal, perde a graça santificante recebida no batismo. Isto significa perder a inocência batismal. Quando o pecador, depois de ter recuperado a graça santificante, torna-a a perder, aí vem a segunda tábua de salvação que é o Sacramento da Confissão. Neste segundo caso, pela absolvição sacramental, o pecador recupera a graça santificante que tinha perdido.

Caríssimos, devemos observar a imensa diferença entre o perdão que os homens dão e o perdão que Deus dá. Quando os homens se decidem a perdoar as ofensas que lhes foram feitas, não tornam mais a ter todavia os sentimentos de benevolência de que eram anteriormente animados para com aqueles que os ofenderam. Mesmo não guardando rancor, é muito difícil voltar a serem os mesmos, embora perdoem de fato. Deus, porém, não procede assim; perdoando-nos, dá-nos ao mesmo tempo a sua graça, a graça santificante que é o maior de todos os dons. é o SEGUNDO EFEITO da absolvição.

Meditemos um pouco sobre a graça santificante e teremos mais facilidade em compreender até onde vai o perdão divino. "O dom da graça, diz Santo Tomás, sobrepuja a todos os dons que uma criatura possa receber, visto que participa da mesma natureza de Deus". Dai-me um pecador, o mais miserável que possa haver, desde que ele tenha recebido a santa absolvição e o perdão dos seus pecados, tornar-se-á maior do que todos os reis da terra. Este pensamento arrebatava São Leão: "Reconhece, ó cristão, exclamava ele, reconhece tua dignidade, e, tornando-te participante da natureza divina, guarda-te bem de voltares à tua antiga baixeza". Diz o Espírito Santo no livro da Sabedoria VII, 14: "Ela é um tesouro infinito para os homens, e aqueles que dela gozam tornam-se amigos de Deus". "Ó bondade de Deus, exclama S. Gregório, nós não merecemos o título de servos, e Ele digna-se chamar-nos seus amigos". Pela absolvição readquirimos não só a amizade divina, porém, o que é mais honroso ainda, a dignidade de filhos adotivos de Deus. E devemos observar ainda que não se trata de adoção só no papel, isto é, legal em cartório; mas uma adoção pela qual nos tornamos participantes da natureza divina. É claro que não recebemos toda a natureza divina, pois Deus é infinito e nós simples criaturas. Mas a participação da natureza divina pela graça santificante nos torna semelhantes a Deus, e esta participação embora limitada, é real.
Daí, Pai é o nome com que Jesus Cristo nos ensinou a dirigirmos-nos a Deus que está no Céu. Deus é o Senhor. Mas quer que nos dirijamos a Ele como a um Pai. São João exulta nestes termos: "Considerai que amor o Pai nos testemunhou, querendo que sejamos chamados e que sejamos, efetivamente, filhos de Deus" (S. João III, 1). E não satisfeito de nos dar o título tão honroso e tão excelente de filhos de Deus, tem ainda para conosco os sentimentos e os cuidados de um pai. Ele próprio exprime da mais terna maneira pelo profeta Jeremias, os sentimentos de seu coração paternal: "Efraim não é para mim um filho honrado, um filho da minha ternura? Por isso, embora eu tenha falado contra ele, ainda me lembrei dele. Por isso se comoveram as minhas entranhas por ele; e, compadecido, terei misericórdia dele, diz o Senhor." (Jeremias, XXXI, 20). E em continuação o profeta mostra que Deus terá misericórdia dos pecadores, enviando-lhes o Messias: "Eis que o Senhor criou uma coisa nova sobre a terra: Uma mulher cercará um homem" (Jeremias, XXXI, 22).

Que há de mais suave e de mais terno do que estas palavras? Esta divina filiação nos dá direito à herança de que Jesus Cristo goza no céu: "Pois, se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Jesus Cristo" (Rom. VIII, 17). Somos herdeiros de Deus justamente porque Ele é nosso Pai, e somos co-herdeiros de Jesus Cristo, porque o Salvador é nosso irmão. Assim, temos direito à celeste herança e estamos inscritos entre os cidadãos do céu, benefício supremo pelo qual o Salvador convidou seus apóstolos a se alegrarem: "Alegrai-vos por ter vossos nomes inscritos nos céus" (S. Lucas X, 20).Ora, é certo que o homem, cada vez que cai em pecado mortal, é riscado do livro da vida, e inscrito, ao menos por momentos, no livro da morte eterna. Pois o Senhor disse: "Apagarei do meu livro aquele que tiver pecado contra mim" (Êxodo XXXII, 33). Mais terrível castigo não se pode imaginar. Contudo, tal é a força da absolvição bem recebida, que risca a cédula dos pecados, e inscreve de novo os homens no livro da vida, restituindo-lhes a dignidade de filhos e herdeiros de Deus. Isto prova que a graça é verdadeiramente em nós "o germe da glória", segundo a palavra de Santo Tomás de Aquino. 

SANTO NATAL

   Aos caríssimos e amados fiéis de minha reitoria, aos leitores e seguidores de meu blog desejo um FELIZ E SANTO NATAL, repleto de graças e bênçãos escolhidas do Menino Deus e de Sua Mãe Santíssima!

 "Sendo rico, fez-se pobre  para que, com Sua pobreza nos enriquecesse a todos" (2 Cor. VIII, 9).

   Jesus nasceu pobre; é aos pobres que se manifesta primeiro; eles recebem seus primeiros favores, assim como serão sempre o objeto de sua predileção. Envia Anjos por embaixadores, não a monarcas poderosos, mas a pastores, a homens simples, trabalhadores e vigilantes. Viverá com eles e no meio deles durante trinta anos. Quando chegar o tempo de pregar o reino de Deus, a eles se dirigirá primeiro porque é por causa deles que seu Pai o enviou: "Enviou-me para evangelizar os pobres". Já dali de seu trono, a mangedoura de palhas, Ele nos ensina que os bens deste mundo, o dinheiro e as riquezas, não são a felicidade. Que os ricos aprendam a caridade e o desapego desses bens passageiros; e os pobres aprendam a libertar o coração de qualquer inveja e cobiça.
   Mas Jesus não despreza os ricos e os sábios. Chamou através de uma estrela, os Reis Magos do Oriente, para arrancá-los das trevas do erro e ensinar-lhes a Fé católica. Jesus já condenava o ecumenismo que tenta parificar as religiões. Jesus, outrossim, combate a luta de classes: pois, ali estão os pobres - os pastores; e também os ricos - os Reis. Todos tem o seu lugar no coração do Menino Jesus.
   Verdadeiramente, o Nascimento de Jesus é motivo de alegria para todos. Basta ter boa vontade de segui-Lo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O mistério do Natal só inspira confiança. O Céu hoje só tem bênçãos a derramar sobre a terra. É por causa da humanidade que nasceu, é por nossa causa que é Salvador. Se os nossos pecados ainda clamam vingança, os vagidos que partem do presépio, chegam até ao coração do Pai das misericórdias. Paz nos corações de todos os homens! Jesus vem expulsar deles os remorsos que os atormentam, as paixões que os agitam. E que nos pede para gozarmos desta paz? A boa vontade; uma vontade decidida, não uma veleidade, que não é uma vontade boa. Os Anjos não dizem: Paz às almas justas e inocentes; paz aos Santos penitentes, que expiaram os seus pecados; mas dizem: Paz aos homens de boa vontade! Desde que eu esteja disposto a conformá-la com a vontade de Deus, tenho direito a contar com a paz. Tanto os pastores como os Reis Magos tiveram esta boa vontade. Mas na verdade, os pobres entendem melhor a linguagem da cruz, acostumados como estão às privações e sofrimentos. Todos correram a visitar Jesus. Consta que só três Reis foram fiéis: "Vimos a estrela e viemos adorar o Rei dos Judeus".
   Hoje vamos considerar o exemplo dos pastores. Na Epifania, se Deus quiser, falaremos mais dos Reis Magos.
   Os pastores são cercados de refulgente luz; vêem um Anjo e têm muito temor, mas é substituído logo pela confiança: "Não temais, diz o espírito celeste, anuncio-vos uma grande alegria, que será para todo o povo: nasceu-vos hoje em Belém o Salvador. Mas como reconhecereis vós este Messias tão ardentemente desejado durante séculos? São três os sinais, ou sejam, as insígnias de sua grandeza, de sua realeza: a humildade; a pobreza; a mortificação dos sentidos. Diz o anjo: "Invenietis infantem, pannis involutum, positum in praesepio". Invenietis infantem: encontrareis um menino recém-nascido que não fala - é a humildade. Jesus é o Verbo ou a Palavra do Pai, mas aqui não fala, só sabe chorar. Pannis involutum: envolvido em pobres paninhos - é a pobreza. E Ele é o Verbo pelo qual foram feitas todas as coisas, todo ouro, todas as pedras preciosas. Positum in praesepio: colocado numa mangedoura - é a mortificação dos sentidos. Deixou o Céu, a Pátria do Repouso eterno, da Glória infinita, e está aqui sobre palha, exposto às intempéries.
   Os pastores crêem nas palavras do Anjo, por mais opostas que sejam a todos os juízos humanos; confiam na sabedoria, no poder, na bondade de Deus. E vão ver e adorar esse Salvador recém-nascido. Partem, apressam-se. Ó prudente docilidade! Ó santa prontidão! "Acharam Maria, José e o Menino, que estava reclinado no presépio". Eis o fruto de sua retidão e obediência. Longe de se entibiarem à vista desta pobreza, sentem ainda mais fervor em se aproximar de um Salvador, que se mostra tão acessível, e em honrá-Lo e contemplá-Lo. Ali ficaram extasiados por muito tempo. Entregavam seu coração ao Menino Deus, e deixavam-no atuar neles livremente, limitando-se a cooperar com a ação de Jesus, sem a estorvar. Imitemos esta candura, e Jesus orará em nós, como orou neles. Saem dali anunciando o Salvador por toda parte.
  Caríssimos e amados leitores, vamos sem demora ao Altar do Salvador! O Altar deve ser para nós hoje, o que o presépio foi para os piedosos pastores. Procuremos nos aproximar de Jesus com os mesmos sentimentos, dispondo-nos para ali receber não nos braços mas no coração Aquele mesmo Jesus, na Comunhão. Este o verdadeiro Santo Natal que desejo para todos vós! Amém!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

EFEITOS DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Em artigos anteriores já tive oportunidade de mostrar como o Sacramento da Penitência constitui a obra prima da misericórdia  divina. Ao tratar dos efeitos da confissão poderemos constatar ainda melhor esta verdade. É óbvio que todas os maravilhosos efeitos da confissão se dão quando o pecador está bem disposto. Do contrário, é claro, este grande remédio, seria transformado pelo pecador, em veneno, ou, no mínimo o inutilizaria.

PRIMEIRO EFEITO: O perdão de todos os pecados cometidos depois do batismo. É de fé, pois Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Os pecados serão perdoados àqueles a quem vós os perdoardes" (S. João XX, 23). Assim, pois, no mesmo instante em que o confessor diz: Ego te absolvo...etc., m pecador, por mais criminoso que seja, deixa de ser pecador diante de Deus: todos os seus pecados são apagados, contanto, como já acabamos de notar, que ele tenha as disposições necessárias. E, caríssimos, e necessário ressaltar que os pecados são APAGADOS,  e não ENCOBERTOS, como loucamente têm pretendido os protestantes. S. João Batista dizia mostrando o Salvador: "Eis o Cordeiro de Deus que apaga (tira) os pecados do mundo" (S. João I, 29). O que é encoberto existe ainda; o que é apagado é inteiramente destruído.

E absolvição apaga os pecados para toda a eternidade. É o que significam estas palavras das Sagradas Escrituras: "Deus lançará todas as nossas iniquidades no fundo do mar (Miquéias VII, 19). "Vós lançastes meus pecados para traz das vossas costas" (Isaías, XXXVIII, 17). "Se o pecador fizer penitência, não me lembrarei mais das iniquidades que cometeu" (Ezequias, XVIII, 21). E isto não uma vez, nem sete vezes, porém, tantas quantas o pecador se confessar com arrependimento, como o decretou o Santo Concílio de Trento.

Além disto a absolvição perdoa todos os pecados, por mais numerosos e por mais enormes e extraordinários que sejam: "TUDO que desligardes na terra, será desligado no céu" (S. Mateus XVI). Quem diz TUDO não excetua coisa alguma.


Um exemplo: Uma mulher de má vida, atravessando um dia uma igreja para encurtar seu caminho, viu um grande número de pessoas que entravam com ânsias, e que pareciam estar à espera de alguma coisa extraordinária. Curiosa por saber o que se ia passar, tomou lugar como as outras; e aumentando a multidão ela achou-se logo cercada de tal modo, que lhe foi de todo impossível retirar-se. Algum tempo depois, um missionário subiu ao púlpito, e pregou sobre a bondade de Deus para com os pecadores. Ele repetia várias vezes: "Para todo o pecado há misericórdia, contanto  que o pecador se arrependa dele". Aquela mulher, que tudo tinha escutado com atenção, prendeu-se principalmente a essas palavras que a tinham tocado. Assim que terminou o sermão, ela atravessou a multidão aproximando-se do pregador. No momento em que este descia do púlpito, disse-lhe pressurosa: "é verdade, padre, que para todo o pecado há misericórdia?  -  Nada mais certo, respondeu ele; Deus perdoa a todos os pecadores contanto que se arrependam.  - Mas, replicou a mulher, há várias espécies de pecadores; Deus perdoará a todos indistintamente?  -  Sim, respondeu o pregador, contanto que eles detestem todos os seus pecados.  - Perdoará Deus a mim, que há 15 anos cometo os maiores pecados?  -  Sem dúvida, se quiserdes arrepender-vos e não cometê-los mais.  -  Se assim é, peço-vos marcar-me uma hora para me ouvir em confissão.  - Ouvir-vos-ei hoje mesmo, preparai-vos, que estarei às vossas ordens daqui a pouco". O missionário voltou alguns instantes depois, para ouvi-la. A confissão da pecadora durou muito tempo, terminando só à noite. Antes de retirar-se, ela disse: "Padre, não posso voltar para casa sem me expor ao perigo de cair nos mesmos pecados. Não poderíeis procurar-me um asilo para este noite? O missionário mostrou-lhe como isto não podia em hora tão avançada. Resolveu-se então a mulher a ficar na igreja até o dia seguinte, sendo que no dia seguinte foi encontrada morta, em uma capela dedicada â Santíssima Virgem; estava de joelhos, com a face prostrada sobre o chão molhado das lágrimas que ela tinha derramado. Chorara tão amargamente os seus pecados, que morrera de dor. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

QUANDO É PRECISO CONFESSAR-SE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A Santa Igreja no Código de Direito Canônico assim determina no cânon 989: Todo fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano. O Catecismo diz assim: Segundo mandamento da Igreja: "Confessar-se ao menos uma vez cada ano". Este 'AO MENOS' é para indicar que a Santa Igreja deseja que nos confessemos mais vezes. Como Nossa Senhora de Fátima pediu para a prática dos Cinco Primeiros Sábados, a confissão, os fiéis devotos confessam-se todos os meses. Quanto bem isto faz à alma!!!

Mas a Igreja tem o direito de nos impor esta obrigação? Sem dúvida, porque Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Ide, ensinai a todas as nações; quem vos ouve a mim ouve, quem não vos ouve, seja tido como pagão. Assim como meu Pai me enviou, assim também eu vos envio" (S. Mateus, XXVII, 19; S. Lucas, X, 19; S. João XX, 21).  A Igreja recebeu, pois, de Jesus Cristo, o mesmo poder que Ele tinha, por conseguinte, o poder de fazer leis. Eis aqui uma lei que a Igreja fez, cuja observância obriga sob pena de pecado mortal.

Aqui vamos mostrar como as várias objeções contra a confissão são aniquiladas por tudo o que nos artigos anteriores já escrevemos. Geralmente as objeções que se fazem contra a confissão são: Segundo uns a confissão não serve senão para crianças ou, quando muito, para mulheres devotas; segundo outros, é suficiente confessar-se a Deus, é degradante ir-se ajoelhar ante um padre; em todo caso, para que precisa o padre saber dos nossos pecados? Há quem diga: "é desagradável confessar-se, não tenho coragem; tenho medo do confessor; zombarão de mim". Há quem se glorie de não ter necessidade da confissão sob pretexto de ser muito honesto. Enfim, há muitos que declaram francamente que não querem confessar-se para não serem obrigados a guardar castidade, a fidelidade conjugal, e a restituições.

Como eu disse acima, todas estas objeções são completamente desfeitas, aniquiladas pelo que já foi dito sobre o sacramento da confissão, a saber: 1º  - a confissão foi estabelecida por Deus; 2º - Deus a impôs e a ordenou ao pecador. Se a confissão foi estabelecida por Deus, quem a destruirá? Se Deus a ordena, desgraçado daquele que não se confessa. Pois, a confissão ou o inferno, não há meio termo.
Pois bem, ou confessareis vossos pecados em segredo ao padre, neste mundo, com o coração contrito, ou então ireis confessá-los no inferno com os réprobos derramando lágrimas eternas. Escolhei... sêde prudente, pois se trata aqui de vós mesmos, dos vossos mais caros interesses, de vossa felicidade e de vosso futuro, em uma palavra, da vossa eternidade.

Os mundanos e os ímpios cercam a confissão, esta grande obra da misericórdia divina, com todas as objeções que pode inventar o orgulho, a cobardia e a corrupção do coração. Mas que são todas estas objeções, senão bolas de neve que se derretem aos primeiros raios do sol divino? Este ataque verdadeiramente pueril dos inimigos da Igreja se dá há 20 séculos, e que, apesar do número e da força dos agressores, a confissão não sofreu nenhum abalo. Está bem estabelecido o que Deus estabeleceu.
Caríssimos, não negamos que uma dúvida sobre a confissão possa surgir no espírito de um homem assisado, mas então a prudência quer que se estude a questão sem prevenção, e que se consultem os homens que melhor nos podem esclarecer.


O melhor meio para compreender e apreciar a confissão, é confessar-se; é mesmo o melhor meio para crer nela quando se julga não crer. Eis um exemplo esclarecedor sobre isto: A 21 de dezembro de 1858 apresentou-se ao santo Cura d'Ars um nobre senhor, muito bem vestido, de uns 50 anos de idade, trazendo no paletó a roseta de Legião de Honra. "Sr. Cura, venho conversar convosco sobre um assunto sério".  -  "Bem - respondeu com amabilidade o zeloso padre, ajoelhai-vos ali" e com o dedo mostrou-lhe um banquinho.  -  Sr. Cura, disse o homem, eu não venho confessar-me.  - Então para que vindes?  -  Venho para discutir.  - Para discutir? Mas eu não sei discutir! Ajoelhai-vos ali.  -  Mas, Sr. Cura, tive a honra de dizer-vos que não vim para me confessar. Não tenho fé, não creio, e...  -  Não tendes fé? pobre homem! Sou muito ignorante, mas vejo que sois mais ignorante do que eu. Ao menos, eu sei o que é preciso crer, e vós nem isto sabeis. Fazei o que vos digo; ajoelhai-vos ali.  -  É justamente sobre a confissão que tenho dúvidas, respondeu o homem, um pouco atrapalhado. Não me quero confessar sem crer, isso seria uma comédia que vós não desejaríeis.  -  Crede, meu amigo, eu sei disso, ajoelhai-vos ali. Vivamente impressionado com o aspecto de santidade que brilhava em torno do Cura d'Ars, e do tom das suas palavras cheias de fé, de sua humildade e de sua amável simplicidade, primeiro colocou um joelho sobre o banquinho e depois o outro. O santo confessor tratou-o com autoridade e bondade paternais. Um quarto de hora depois o senhor levantou-se, com o rosto banhado de lágrimas, lágrimas de alegria. E o senhor contava a todos que podia que, terminada a confissão, o Cura d'Ars dissera-lhe: "E agora, meu filho,  vamos  resolver suas dúvidas sobre a fé. Responde-lhe o penitente: "Senhor cura, não tenho mais nenhuma dúvida!". É que após a confissão, seu coração estava limpo e bem puro, e, então podia ver a Deus!!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O PADRE MARIA AFONSO RATISBONNE

   
    O padre Maria Afonso Ratisbonne merece, com justiça, o título de bom servo da Santíssima Virgem.
    Ele deve a sua conversão do judaísmo e da maçonaria à verdadeira religião à Santíssima Virgem que se dignou aparecer-lhe, ordenando-lhe que se fizesse católico e sacerdote. É o que consideramos em  postagens anteriores.
   O padre Maria Ratisbonne, agradecido por tantas preciosas graças, tornou-se um grande devoto de Maria Santíssima.
    Um profundo pesar, porém, lhe amargurava a vida: sua boa mãe era judia e, de modo algum, queria seguir o exemplo do filho.
    O padre rezava e suplicava, sem cessar, à Mãe de Deus pela conversão da mãe , com ilimitada confiança.
    Mas tudo parecia em vão. A mãe do padre adoeceu gravemente, entra em agonia e morre, sem dar o mínimo sinal de conversão.
    O padre Maria Ratisbonne estava como fora de si e continuamente dizia consigo mesmo: "Por que é que a Virgem Senhora não teve compaixão de mim e não salvou a minha pobre mãe? Eu era muito pior e ela me converteu!"
    Passado algum tempo, chega-lhe a visita de um sacerdote, que traz a mais alvissareira das notícias: o sacerdote vinha em nome da Santíssima Virgem Maria.
    O visitante enviado por Nossa Senhora disse ao padre Maria Ratisbonne: "Alegra-te, padre Ratisbonne venho trazer-te uma notícia, que creio ser a mais feliz de sua vida sacerdotal: sou enviado por Nossa Senhora. Ela apareceu a uma alma predileta de Deus e lhe deu o ordem de comunicar a V. Revma. o seguinte: "Quando a mãe do padre estava em agonia, eu a Mãe de Jesus fui falar com meu Filho e lhe disse: "Meu Filho, eu te peço que não permitas que se condene eternamente a mãe do meu servo , o padre Maria Afonso Ratisbonne". E, continua Nossa Senhora, um raio de graça eficaz saído do Coração de Jesus, iluminou a agonizante, que morreu com o arrependimento perfeito e com o desejo do santo batismo e assim se salvou". O padre Ratisbonne cai de joelhos, beija a Santa Medalha Milagrosa, eleva as mãos para o céu para agradecer a sua Mãe Celeste e saudar a sua mãe da terra que agora era também do céu. Um rio de lágrimas brotou de seus olhos, lágrimas de alegria, lágrimas de amor e gratidão a Maria Santíssima!

CONFISSÃO NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo a confissão existia mas não como sacramento, porque todos os Sacramentos foram instituídos pelo Divino Salvador. No Antigo Testamento existia, mas apenas como meio dado ao pecador para obter o seu perdão. Para se livrar da confissão seria, pois, preciso abafar a voz da natureza; ela clama a todos os culpados que não há perdão sem arrependimento e não há arrependimento sem acusação da falta cometida. Quem não reconhece sua falta e a confessa é porque dela não se arrepende. E assim, não pode ser perdoado.

Adão e Eva foram os primeiros pecadores e os primeiros penitentes; eles se confessaram, desculpando-se, é verdade, mas nisso eles fizeram o que fazem ainda tantos cristãos que se acusam lançando a culpa sobre os outros. Adão disse: "a mulher que Vós me destes por companheira apresentou-me o fruto da árvore proibida e eu comi. Eva disse: " a serpente me enganou e eu comi" - Eu comi, eis aí a confissão. (Cf. Gênesis III, 12).

Davi confessou sua culpa ao profeta Natan: "Eu pequei" (2 Reis XII, 13).

O filho pródigo, apresentado por Jesus Cristo como modelo de arrependimento, acusa seus erros dizendo: meu pai, eu pequei contra o céu em vossa presença (S. Lucas XV, 18). O bom ladrão na cruz fez uma confissão pública: "quanto a nós recebemos o que mereceram as nossas obras" (S. Lucas, XXIII, 41).

A confissão era formalmente prescrita pela Lei Mosaica: "Anunciai isto aos filhos de Israel  -  disse o Senhor a Moisés  - quando um homem ou uma mulher cometerem um dos pecados que acontecem de ordinário aos homens, eles confessarão a falta que cometeram" (Num. LV).  Estas últimas palavras: "as faltas que cometeram" demonstram evidentemente uma confissão particular e bem determinada. Esta confissão devia-se fazer ao sacerdote como atestam o Levítico capítulo V, e a tradição judaica; fazia-se ao ouvido do sacerdote e não era conhecida senão por ele.


"Quando Jesus Cristo veio ao mundo, diz um autor, ele achou a confissão estabelecida e, impondo aos fiéis a obrigação de se confessar, não deu uma lei nova, não fez senão confirmar e aperfeiçoar uma lei já existente, ele que veio, não destruir a lei, mas aperfeiçoá-la (S. Mateus V, 17). Algo semelhante ao que aconteceu com o matrimônio. Assim como Jesus Cristo elevou o matrimônio à dignidade de sacramento, também elevou a confissão à mesma dignidade, ligando-lhe graças especiais, tornando-a parte essencial do sacramento da penitência. É isto que explica porque o preceito da confissão não excitou murmuração alguma entre os judeus e os gentios. Estavam habituados; nada lhes parecia mais natural; uma tradição constante e universal fazia sentir a necessidade indispensável da confissão". 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A NECESSIDADE DA CONFISSÃO AFIRMADA POR SANTOS PADRES E CÉLEBRES ESCRITORES

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

S. Basílio (+ 380) em termos formais diz: "Consideramos como obrigatório para todos a confissão dos pecados àqueles a quem confiada a dispensa dos mistérios de Deus".

Santo Ambrósio (+ 397) diz: "Uma humilde confissão é a melhor defesa que o pecador pode fazer. É chorando por nossas faltas cometidas que escaparemos à pena eterna, que seria inevitável se procurássemos justificá-las".

Santo Agostinho (+ 430), comentando esta passagem dos Salmos "Entrai pela porta que conduz a Deus, pela confissão" (In Ps. 97) diz: "Por estas palavras o profeta declara que ninguém pode chegar à porta da misericórdia de Deus, senão pela confissão de seus pecados. O começo das boas obras é a confissão das más".

Tertuliano (+ 216), célebre escritor eclesiástico, já dizia: "Alivia-se o peso dos pecados confessando-os, tanto quanto se os agrava ocultando-os. A confissão é um começo de satisfação; a dissimulação é um ato de revolta... Vale, pois, mais vos condenardes ocultado vossos pecados do que vos salvardes confessando-os?... A confissão vos causa temor? Pensai nas chamas do inferno que a confissão extinguirá para vós. Refleti na enormidade do castigo para não mais hesitardes quanto à adoção do remédio".

O célebre e seguro autor espiritual Mons. Gaume diz que a confissão foi sempre considerada como o único meio para se obter o perdão dos pecados.

Caríssimos, é mesmo impossível que haja um outro meio de perdão. Com efeito, se houvesse na religião outro meio além da confissão, para se restabelecer na graça de Deus; se bastasse, por ex., humilhar-se em sua presença, jejuar, orar, dar esmolas, declarar-lhe sua falta no íntimo do coração, que aconteceria? Que ninguém mais se confessava. Pois quem seria bastante simples para ir solicitar, com um tom suplicante, aos pés de um homem, uma graça que poderia facilmente obter sem ele, e contra a sua vontade? Então que seria da confissão estabelecida pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. S. João, XX, 21 a 23).  - Cairia em desuso e ficaria sem efeito no mundo. Que seria do magnífico poder que Ele deu aos seus ministros de perdoar ou reter os pecados? Não é evidente que este poder tão admirável e divino tornar-se-ia um poder ridículo e completamente irrisório visto que nunca teriam de exercê-lo? Assim, ou há obrigação para todos os pecadores confessarem seus pecados ao padre, ou então Jesus Cristo zombou de seus ministros dizendo-lhes: os pecados serão perdoados a quem os perdoardes, etc. E teria igualmente zombado deles quando lhes disse: dar-vos-ei as chaves do reino dos céus (S. Mateus, XVI, 19). De que lhes serviria ter as chaves do céu se nele se pudesse entrar sem que fosse aberto pelo seu ministério?

Mas, não falte quem pergunte: Padre, mas a contrição perfeita não perdoa o pecador na hora? Respondo: é verdade! Mas é necessário estar lembrado que não se faz um ato de contrição perfeita sem que ao mesmo tempo  tenha o desejo da confissão. Ademais devemos dizer que ninguém é bom juiz em causa própria: quem tem segurança de ter conseguido obter uma contrição verdadeiramente perfeita? Com a confissão é segurança é muito maior, porque com a absolvição basta o penitente ter a contrição imperfeita, ou também chamada atrição. É muito mais fácil alguém se arrepender meditando no inferno que mereceu e no céu que perdeu, do que se arrepender sendo movido unicamente pela ofensa feita ao Sumo Bem e Benfeitor, nosso Pai que nos amou de tal modo que nos deu o seu próprio Filho, isto é, arrepender-se tendo como motivo o amor de Deus. Contudo, caríssimos, é sumamente louvável que procuremos sempre ter a contrição perfeita, mas o próprio Espírito Santo, sabendo da nossa fraqueza, aconselha-nos a meditar em nossos novíssimos: "Meditai nos vossos novíssimos e não pecareis jamais".

Como devemos estar sempre no estado de graça, devemos meditar assiduamente na Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo! Procurar em todas as ocasiões fazer atos perfeitos de amor a Deus. 


Quero lembrar outra verdade importantíssima: Se formos confessar levando no coração o ato de contrição perfeita é certo que a purificação da alma é muito maior, neste sentido que também ficam perdoadas as penas temporais justamente segundo o grau do amor a Deus. O fogo do amor de Deus purifica mais que o fogo do purgatório, pelos merecimentos infinitos de Nosso Senhor Jesus, merecimentos estes que as almas do Purgatório não têm mais à sua disposição. 

domingo, 11 de dezembro de 2016

NECESSIDADE DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Todo pecado ofende a Deus. Como ensinou o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor: toda a Lei se resume em dois mandamentos, ou seja, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Assim, mesmo quando a ofensa é feita ao próximo, ofende a Deus, porque Ele quer que amemos o próximo, pois, todo homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e todos somos destinados por Nosso Pai do Céu para a felicidade no Paraíso.

Assim sendo, devemos dizer que Deus é o ofendido pelos pecados dos homens, quer sejam diretamente cometidos contra Deus, como acontece quando são desobedecidos os três primeiros mandamentos, quer sejam indiretamente, como acontece quando são desobedecidos os outros sete mandamentos que se referem diretamente ao próximo. É sempre Deus ofendido pelo pecado.

Ora, só àquele que recebeu a ofensa cabe o poder de perdoar e também de determinar a penitência. Só Deus pode colocar as condições para que Ele possa perdoar. Pois bem! Para nos perdoar, Deus exige que confessemos nossas faltas aos seus ministros, aos padres. A confissão é, pois, necessária e obrigatória para todos os fiéis que perderam a inocência do batismo por qualquer pecado mortal. Muito gente pensa que se perde o inocência só com o pecado mortal contra a castidade. Na verdade, a Teologia ensina que inocência depois do batismo  consiste em conservar a graça santificante nele recebida. E esta graça se perde com qualquer tipo de pecado mortal, mesmo por pensamento e desejo. Só para dar um exemplo: quem aceitasse consciente e voluntariamente um desejo de roubar uma coisa de maior valor, já teria cometido um pecado mortal, e, portanto, com este pecado teria perdido a inocência batismal. Popularmente só se emprega inocência para significar  o desconhecimento de toda malícia no que se refere à pureza. Daí o povo dizer que uma criança perdeu a inocência quando conhece e faz algum pecado contra a castidade. Na verdade, perde-se a inocência batismal quando se cometem estes pecados e/ou qualquer outro tipo de pecado mortal. Inocência, portanto, teologicamente falando, é a conservação da graça santificante recebida no batismo. E neste sentido, esta inocência é privilégio de poucos.

O Sacrossanto Concílio de Trento ensina: "Se alguém disser que a confissão sacramental não é necessária por direito divino, para a salvação: seja anátema. E diz ainda: O Sacramento da Penitência é tão necessário para a salvação daqueles que perderam a inocência batismal, como o batismo o é para aqueles que o não receberam. Como já tivemos ocasião de explicar, é neste sentido que o Sacramento da Penitência é chamado "a segunda tábua de salvação depois do naufrágio". Diz São Bernardo que "depois do batismo, não há nenhum outro remédio para o pecador senão a confissão".

Este remédio divino, como já o provamos, Nosso Senhor Jesus Cristo no-lo deu quando disse aos Apóstolos: "Os pecados serão perdoados àqueles a quem vós os perdoardes", e ainda disse: "tudo que desligardes na terra será desligado nos céus".


Caríssimos, queremos, pois, obter o perdão de nossos pecados? Confessemo-los a um sacerdote que tenha a devida jurisdição. Queremos livrar nossa alma das correntes do pecado e do demônio? Não há outro meio senão a confissão. Ela é necessária ou menos em desejo, como já explicamos no caso de arrependimento perfeito, e é impossível fazê-la em realidade. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

A RETA RAZÃO HUMANA PROVA A ORIGEM DIVINA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
Em Teologia usam-se os argumentos tirados das Sagradas Escrituras e depois os argumentos da Tradição. Frequentemente, usam-se também os argumentos da reta razão humana. Esta mostra a conveniência de uma determinada tese. Assim, em se tratando da origem divina do Sacramento da Penitência, vamos, com a graça de Deus, apresentar também os argumentos da reta razão, ou também chamados argumentos do bom senso.

Pois bem! O mais simples bom senso nos mostra que a confissão não pode ter senão uma origem divina. Suponhamos que seja uma invenção humana; certamente, uma tal invenção é bastante notável para que se conhecesse o seu autor. Sabe-se o primeiro cultor da ciência: foi Thales. Arquimedes inventou as espelhos-ustórios; Nilton descobriu a lei da gravidade; Gutemberg descobriu a arte de imprimir. Pedro Álvares Cabral descobriu o nosso querido Brasil; Colombo descobriu a América etc. etc., ... quem é, pois,o inventor da confissão? Foi, acaso, um grande santo? Mas acabamos de ver no artigo anterior que os santos Padres desde os mais próximos dos Apóstolos já supõem a confissão como um fato existente e conhecido. Logo, não foram eles que inventaram a confissão. Se os padres, os bispos e os papas fossem isentos da confissão, aquela afirmação teria alguma aparência de verdade; eles, porém, estão sujeitos a ela como os simples fiéis. Onde, pois, a razão que os induziria a impor-se uma obrigação tão humilhante? Por que força secreta teriam eles podido constranger os reis a irem ajoelhar-se ante um pobre padre para lhe fazer acusação de suas fraquezas, a submeter-se sem réplica às suas decisões, e receber dele, com respeito, uma penitência proporcionada às suas faltas? Se os padres tivessem inventado a confissão, teriam sido levados por um motivo qualquer. Qual seria este motivo? O interesse? Evidentemente que não; pois o confessor não recebe remuneração alguma pela confissão. O prazer? Mas sabeis o que é ser confessor?   - Ser confessor é ser escravo de todos - depender dos outros desde a manhã até à noite  -  a qualquer hora do dia e da noite. O confessor tem que sondar as chagas mais repugnantes, sem tremer, ouvir os crimes por maiores que sejam, sem arrepiar-se.

É sobretudo à cabeceira dos doentes e moribundos que os padres devem estar presentes. O padre deve administrar os sacramentos aos pestíferos com risco de contaminar-se do mal. Sua vida é uma vida de sacrifícios, de prisão e de fadiga, sobretudo no confessionário e junto aos leitos dos doentes.
Quem teria inventado a confissão? Talvez os fiéis? Mas esta segunda suposição é tão absurda como a primeira. A confissão é um constrangimento, um ato de humildade. Ora, o homem, em lugar de submeter-se de boa vontade a uma coisa que o constrange e humilha, é ao contrário levado a repelir tudo que o contraria.


Quando alguns do Anglicanismo quiseram introduzir a confissão na Inglaterra; que resultou? As revoltas populares, os gritos sediciosos levantaram-se ao mesmo tempo em todos os pontos do país. Uma tal imposição por parte de fiéis só merece a irrisão pública. Só Deus tem autoridade para impor este ato de humilhação como condição para se receber o perdão dos pecados. Portanto, o homem não podia inventar a confissão; ela é obra de Deus. Só Ele, o soberano Mestre, a poderia impor ao homem; e o homem, qualquer que seja, rei ou súdito, rico ou pobre, é obrigado a submeter-se a essa lei divina, sob a terrível pena de condenação eterna para os que, depois do Batismo, tenham cometido pecado mortal. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

OS SANTOS PADRES E O SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
Santo Ambrósio (séc. IV) dizia: "Segundo a declaração de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que tem o poder de ligar tem também o de desligar. É um direito reservado exclusivamente aos padres. Os verdadeiros padres são os que a Igreja ordena. Aquele que recebeu o Espírito Santo pela ordenação, recebeu o poder de ligar como o de desligar os pecadores. Porque está escrito: recebei o Espírito Santo, os pecados serão remitidos a quem os remitirdes e retidos a quem os retiverdes. Deus prometeu a todos a sua misericórdia, e deu a todos os seus padres o direito ilimitado de conceder perdão (De poenit., c. 2). Deus conhece tudo, mas espera a vossa confissão, não para vos castigar, mas para vos perdoar" (Procec.).

Orígenes, (+ 254), disse: "Declararei a minha iniquidade. Já dissemos, mais de uma vez, que por essas palavras devemos entender a confissão dos pecados. Assim, vede o cuidado que a Escritura toma em dizer-nos que não se devem esconder os pecados no coração. Assim como se procura alívio vomitando a bílis que sobrecarrega o estômago, assim os que escondem os pecados no coração ficam como sufocados e não podem ser curados senão pela acusação de suas faltas: é uma espécie de vomitório salutar. Examinai somente, com cuidado, qual será aquele a quem ides de preferência confessar os vossos pecados. Escolhei, antes de tudo, um médico a quem possais expor as vossas enfermidades espirituais, que saiba chorar e sofrer convosco, e segui exatamente todos os conselhos que ele vos der" (Hom. em Os. 37).

Vamos ouvir agora um bispo do século 3º e que foi a honra da Igreja da África, São Cipriano: Ele louva os que, culpados de pecados por pensamento, vão confessar-se aos ministros de Deus, com dor e simplicidade, descobrindo os segredos de sua consciência (Cf. O. De Lapsis).

Tertuliano (séc. II): "Muitos evitam confessar os seus pecados porque têm mais cuidado com a sua honra do que com a sua salvação. Imitam esses doentes que, acometidos de um mal secreto, o escondem ao médico, deixando-se assim morrer, Será, pois, preferível condenar-vos escondendo os vossos pecados, do que salvar-vos confessando-os? (De Poenit. c. 10).

São Clemente, sucessor de S. Pedro, dizia no 1º século: "Aquele que tem cuidado com sua alma, não tenha vergonha de confessar os seus pecados afim de obter o perdão. S. Pedro, acrescentava ele, mandou descobrir aos Padres até os maus pensamentos. Enquanto estamos sobre a terra, convertamo-nos, pois, uma vez na eternidade, não poderemos mais confessar-nos nem fazer penitência" (In Epist. 2 ad Cor.).

Enfim escutemos S. João Evangelista, ele que recebeu diretamente da boca do próprio Filho de Deus a instituição do Sacramento da Penitência: "Se confessarmos os nossos pecados, Deus, que é justo e fiel, nos perdoará" (1 João, I, 9). Por estas palavras, diz Santo Afonso, deve-se entender a confissão sacramental. Segundo o mesmo santo Doutor da Igreja, vemos na Escritura os primeiros cristãos acusando-se aos pés dos Apóstolos. Os cristãos efésios, que tinham abraçado a fé, e, por conseguinte, recebido o batismo, assustados com os castigos infligidos aos profanadores do nome de Jesus, vinham, diz S. Lucas, em grande número, confessar e declarar a Paulo o que tinham feito, não seus milagres, como diz tolamente Lutero, mas sim seus pecados e ofensas, como diz a versão siríaca, e como o exige o contexto: e vários, que se entregaram a vãs curiosidades, trouxeram seus livros e os queimaram em presença de todos (Atos, XIX, 18). - A confissão existe, pois, desde o tempo dos Apóstolos.

Caríssimos, onde está, pois, o poder que levou os fiéis, há 20 séculos a confessarem aos sacerdotes as suas faltas e pecados? Ele se acha nestas palavras que Jesus Cristo disse aos apóstolos e aos seus sucessores no sacerdócio: "Os pecados serão remitidos a quem os remitirdes, e serão retidos a quem os retiverdes".


Conclusão: Portanto, caríssimos, a Confissão vem de Deus, foi Nosso Senhor Jesus Cristo que a instituiu: Confira S. João XX, 21 a 23. Está muito claro, e por isso, os Santos Padres, os Concílios, enfim toda Tradição da Igreja sempre o reconheceu. E é bom notarmos que este sacramento só existe na verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja, Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

OS CONCÍLIOS E OS SANTOS PADRES SOBRE O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Os Concílios: o de Laodiceia em 366, o de Rênes em 639, o de Chalon em 644, o de Nantes em 656, o de Constantinopla em 692, o de Germânia em 735, o de Tours em 813, o de Paris em 820, o de Pavia em 850, etc., proclamavam a instituição divina e a necessidade da confissão muitos séculos antes do 4º Concílio de Latrão.

O Concílio de Germânia, reunido em 735, ordena que cada coronel tivesse à sua disposição um padre para ouvir a confissão dos seus soldados.

A história conserva os nomes de muitos confessores. Eis aqui alguns; no século sétimo, Santo Ausberg, Arcebispo de Ruão, confessor do rei Tierry I; São Wieron, Bispo de Ruremonde, confessor de Pepino, pai de Carlos Martello. No século oitavo, Carlos Magno se confessava a Hildebrando, Arcebispo de Colônia, e seu filho Luiz le Debonnaire a Santo Alderico, Bispo de Mans. No 10º século, o imperador Othon tinha por confessor Ulrico, Bispo de Augsburg. No 11º século, o Padre Estêvão, da diocese de Orleans, dirigia a consciência da rainha Constança, mulher do piedoso rei Roberto.


Depois deste pequeno parêntese sobre os confessores de algumas altas personalidades, passemos finalmente a falar sobre os Santos Padres da Igreja. Aliás, vamos ouvir apenas alguns, porque, na verdade constituem uma multidão esmagadora para os nossos adversários. S. Bernardo (séc. XII) dizia: "De que serve confessar parte de seus pecados e calar outra? Não são todos eles conhecidos de Deus? Ousais, pois, ocultar alguma coisa àquele que ocupa o lugar de Deus em um tão grande sacramento?"  Santo Anselmo, (séc. XI), dizia: "Descobri fielmente aos padres, por uma humilde confissão, toda as manchas da lepra que tendes dentro de vós, e sereis purificados". São João Clímaco (séc. VI), escrevia: "Nunca se ouviu dizer que os pecados declarados no sacramento da penitência fossem divulgados. Deus assim determinou para que os pecadores não se afastassem por isso da confissão, ficando privados da única esperança de salvação que lhes resta". No séc. V. S. Leão, numa carta dirigida aos bispos de Campanha, protesta energicamente contra o abuso da confissão pública: "basta descobrir aos padres, por uma confissão secreta, os pecados de que se acha carregada a consciência". Santo Agostinho, falecido em 430, dizia: "Não basta confessar a Deus, é preciso confessar-se àqueles que receberam d'Ele o poder de ligar e desligar". S. João Crisóstomo (+ 407) falava da confissão nos mesmos termos em que os Padres falam em nossos dias: "O padre coloca seu trono no céu, e é de lá que exerce seu julgamento. Quem disse isso? o próprio Rei do Céu:  -  tudo que ligardes na terra será ligado no céu. Que há comparável a esta honra? O céu empresta à terra as suas decisões. O Juiz acha-se aqui em baixo, e o Senhor obedece ao seu ministro e ratifica o julgamento que este faz." E fazendo alusão aos Sacerdotes da Antiga Lei, que não faziam senão certificar a cura dos leprosos, sem os curar, o mesmo santo dizia: "Não é a lepra do corpo, é a da alma que os padres da Nova Lei curam. Não é o direito de julgar da cura que eles exercem, mas o de curar". 

A MEDALHA MILAGROSA E A CONVERSÃO DE AFONSO RATISBONNE

   "Nessa maravilhosa conversão manifesta-se o dedo de Deus; aí se admira o poder de Maria Santíssima, pois não havia nada, absolutamente nada que dispusesse Afonso Ratisbonne para receber tão assinalado favor.
   Nasceu Afonso em Strasburgo, no meio de uma rica família israelita. Eram ao todo dez irmãos. Teodoro, doze anos mais velho que Afonso, chega à fé cristã após longas e penosas pesquisas, na calma da reflexão e na plena madureza de espírito.
   Teodoro, recebeu o batismo aos 25 anos, após haver concluído seu curso de Direito. Abraçou o estado eclesiástico e foi sagrado sacerdote cinco anos depois do seu batismo.
   Seu irmão Afonso, desde a primeira mocidade jactava-se de não ter nenhuma religião. "Eu era judeu de nome, diz ele; eis tudo, porque eu não acreditava nem sequer em Deus. Nunca abri um livro de religião e, na casa do meu tio, bem como entre meus irmãos e irmãs, não se praticava a menor prescrição do judaísmo".
   Um ano e quatro meses antes da sua conversão, enfermara gravemente um dos seus sobrinhos, filho do seu irmão mais velho. O Padre Teodoro, que então exercia os seus ministérios sacerdotais em Paris, desejava pelo menos abrir as portas do céu a seu sobrinho, conferindo-lhe o santo batismo.
   Teria talvez alcançado o assentimento do pai, se não fosse a intervenção do seu irmão Afonso que, cheio de indignação e de furor, enxotou violentamente para longe do pequenino moribundo o ministro de Deus. Este, que já havia sofrido tanto da parte da sua família e de toda a colônia israelita, retirou-se com calma, disposto a sofrer ainda mais pelo nome de Jesus Cristo e pela salvação dos seus.
   No Santuário de Nossa Senhora das Vitórias, onde trabalhava, fazia o piedoso sacerdote ferventes preces pela conversão do seu irmão Afonso que o não podia tolerar. Como explicar tamanho ódio contra seu bondoso irmão Teodoro, se Afonso era judeu religiosamente falando só de nome? É que ele se filiara a maçonaria e então era implacável inimigo dos cristãos.
   Havia Afonso concluído seu curso de Direito e estava para completar 27 anos, quando os desejos da sua família, corroborados por simpatia recíproca, o induziram a casar-se com a sua sobrinha, filha do seu irmão mais velho. "Pensei, então, narra Afonso, que a minha felicidade fosse completa. Via minha família no auge da alegria, pois devo dizê-lo, há poucas famílias cujos membros se unem tanto como a minha... Só um dos seus membros me parecia odioso: era meu irmão Teodoro. Entretanto ele também nos amava, mas seu hábito me causava repulsa, seu pensamento me turbava, sua palavra grave e séria excitava a minha cólera".
  "E, continua Afonso, "por causa da conversão de Teodoro eu nutria acerbíssimo ódio contra os padres, as igrejas, os conventos, e sobretudo contra os jesuítas, cujo nome só bastava para provocar o meu furor".
   A noiva de Afonso contava 16 anos apenas, pelo que julgaram seus pais conveniente diferir por algum tempo o casamento.
   Neste meio tempo Afonso empreenderia uma viagem ao estrangeiro com o duplo fim de distrair-se e de revigorar a sua saúde.
   Afonso deixou Strasburgo a 17 de novembro de 1841, decidido a visitar Nápoles, a passar o inverno em Malta e a voltar pelo Oriente. Outros, porém, eram os desígnios da Providência. Demorou alguns dias em Marselha e partiu para Nápoles.
   Durante a viagem fundeou o navio em Civitavecchia: era o dia 8 de dezembro e a artilharia disparava algumas salvas. Maravilhado, perguntou Afonso qual era o motivo daqueles rumores de guerra nas terras pacíficas do Papa. Responderam-lhe que era a festa da Imaculada Conceição. Sacudiu os ombros com desdém e não quis desembarcar. Não tinha nenhum desejo de visitar Roma, embora dois amigos seus o estimulassem vivamente a dar esse passo. Deus, porém, o guiava para o Cidade Eterna. Ao deixar Nápoles, em vez de comprar passagem para Palermo. por engano achou-se numa diligência que se dirigia para Roma e lá chegou a 6 de Janeiro. 
    Era o ano de 1842. Afonso Ratisbonne achava-se em Roma,  a cidade eterna, da qual cada pedra é uma lembrança sagrada e tem uma voz para celebrar as grandezas da fé cristã. Ali Ratisbonne encontrou seu companheiro de infância Gustavo Bussíère, irmão do barão Teodoro de Busssière.
   Teodoro de Bussière era íntimo amigo do Padre Teodoro Ratisbonne. O Barão abandonara o protestantismo para fazer-se católico e por esta razão inspirava a Afonso Ratisbonne uma profunda antipatia. Gustavo Bussière mantinha-se protestante e, em companhia de Afonso Ratisbonne, metia freqüentemente a rídiculo a Igreja Católica.
   A 15 de Janeiro, nove dias apenas depois de sua chegada, resolveu Afonso deixar Roma e se viu na dura contingência de ir apresentar suas despedidas ao indesejável barão Teodoro de Bussière. O distinto e piedoso barão  suportou pacientemente, durante uma hora, uma saraivada de sarcasmos proferidos pelo jovem Afonso contra o catolicismo, procurando evidentemente atingir os dois Teodoros convertidos: o seu irmão Ratisbonne convertido do judaísmo; e o irmão de Gustavo Bussière, convertido do protestantismo.
   "Então, - refere o barão - apresentou-se à minha mente uma ideia maravilhosa, uma ideia celeste, que os sábios do mundo teriam julgado rematada loucura: "Já que sois um espírito tão forte e seguro de vós mesmo, lhe disse, não recusareis trazer o que estou para dar-vos".
   - De que se trata? perguntou secamente Afonso. - "Respondi-lhe  mansamente - disse Bussière, trata-se simplesmente desta medalha". Era a medalha milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Recusou-a Afonso com um misto de indignação e de espanto.
   "Mas - acrescentou o barão Bussière friamente - segundo o vosso modo de ver, isto vos deve ser absolutamente indiferente, ao passo que para mim trará um grandíssimo prazer". - "Oh! - exclamou Afonso rindo a bom rir, a bandeiras despregadas - "então a trarei por mera complacência para mostrar-vos que é sem razão que acusam os judeus de obstinação e de invencível teimosia. Além disso me fornecereis um belíssimo capítulo para as minhas notas e impressões de viagem".
   "E, prossegue  o barão, "Ratisbonne continuava com motejos que me ralavam o coração... Entretanto, passei-lhe ao pescoço uma fita à qual minhas netinhas tinham pregado uma medalha. Mas restava-me ainda uma coisa mais difícil de obter: queria que ele recitasse a piedosa invocação de São Bernardo: "Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria..." Revoltou-se ao ouvir este segundo pedido. "Mas uma força interior impelia-me, prossegue B. de Bussuère, a lutar contra as suas reiteradas recusas com uma espécie de obstinação. Apresentei-lhe a oração suplicando-lhe que a trouxesse consigo e que tivesse a bondade de copiá-la porque eu não dispunha de outro exemplar". Então, com um movimento de impaciência e ironia, para se ver livre das minhas importunações, disse ele: "Bem! eu escreverei; dar-vos-ei a minha cópia e conservarei a vossa". E retirou-se visivelmente contrariado.
   Afonso cumpriu a palavra; copiou a oração, leu-a e releu-a tantas vezes que já a sabia de cor. As palavras de "Memorare" não lhe saíam da memória.
   No dia 20 de Janeiro, festa de São Sebastião, Afonso ainda se achava em Roma, onde o retinha uma força misteriosa. Ao meio dia conversou num café com dois amigos. "Se neste momento - diz ele - um terceiro interlocutor  se tivesse aproximado de mim e me tivesse dito: "Afonso, dentro de um quarto de hora adorarás Jesus Cristo, teu Deus e teu Salvador... e renunciarás ao mundo, a suas pompas, a seus prazeres, a tua fortuna, a tuas esperanças, a teu futuro, e se for necessário renunciarás ainda a tua noiva, à afeição da tua família... Digo que se algum profeta me tivesse feito semelhante predição, só a um homem eu julgaria mais insensato que ele, e seria aquele que tivesse dado crédito à possibilidade de tal loucura".
   Era 20 de Janeiro de 1842. Ratisbonne acha-se ainda em Roma. Saindo de um Café onde acabara de conversar com dois amigos, encontra uma carruagem: é do Barão de Bussière que o convida para dar um passeio. Afonso, sem muito entusiasmo, mais para não fazer uma descortesia àquele do qual pouco antes tinha sido hóspede, aceita o convite. Acharam-se logo diante da igreja de Santo André delle Fratte. O piedoso conde de Laferronays devia receber as honras fúnebres e o Barão de Bussière fora encarregado de reservar uma tribuna para a família do defunto.
   "Será coisa de dois minutos, diz ele a Afonso que, durante este tempo resolve visitar a igreja. Esperava-o nesta igreja a misericórdia de Maria Santíssima. Soara a hora da graça que desde a conversa no café, já trabalhava suavemente em sua alma. A Mãe de Deus se deixara comover pelas orações do barão de Bussière , do conde de Laferronays que morrera repentinamente depois de ter dito à sua esposa: "Repeti hoje mais de cem vezes o Lembrai-vos", e sobretudo pelas orações e lágrimas ardentes que em seu Santuário derramava seu diletíssimo servo o Padre Teodoro, irmão de Afonso Ratisbonne.
   Tenta Afonso descrever o que então se passou em sua alma: "Esta igreja é pobre e deserta; creio que nela me achei mais ou menos só... Nenhum objeto de arte atraiu a minha atenção... Subitamente nada mais vejo... ou antes, ó meu Deus, vejo uma só coisa! Como seria possível falar do que vi? Oh! não, a palavra humana não deve tentar exprimir o que se não pode exprimir; toda descrição, por sublime que seja, não seria mais que uma profanação da inefável realidade..."
   Tornando à igreja, Barão de Bussière não encontra Afonso onde o havia deixado, mas ajoelhado diante da capela de São Miguel Arcanjo e de São Rafael, submergido em profundo recolhimento.
   "A esta vista, pressentindo um milagre, depõe o barão, apoderou-se de mim um frêmito religioso. Dirijo-me a ele, agito-o várias vezes sem que ele dê conta da minha presença. Afinal, voltando para mim seu rosto banhado de lágrimas, junta as mãos e me diz: "Oh! como este senhor rezou por mim!"
   Compreendi logo que se tratava do falecido Conde de Laferronays. Amparado, quase levado por mim, sobe à carruagem. Onde quereis ir? pergunto-lhe eu.
    _ "Levai-me para onde quiserdes. Depois do que vi, obedeço".
   Declara-me em seguida que só falará com o consentimento de um padre, porque o que eu vi - acrescenta ele - só o posso dizer de joelhos".
   Conduzido à igreja do Jesú, dos padres jesuítas, ao lado do padre Villefort que o convida a explicar-se, tira Afonso a medalha, abraça-a, mostra-a e exclama: "Eu a vi! Eu a vi!... Havia uns instantes que eu estava na igreja, quando repentinamente me senti dominado por uma turbação inexprimível. Ergui os olhos; todo o edifício desparecera à minha vista; só uma capela tinha, por assim dizer, concentrado toda a luz; e, no meio desta irradiação, apareceu, em pé sobre o altar, grande, brilhante, cheia de majestade de doçura a Virgem Maria, tal qual está em minha medalha; uma força irresistível atraiu-me para ela. A Virgem com a mão me fez sinal para que me ajoelhasse. Pareceu dizer-me: "Está bem! Não me falou nada, mas eu compreendi tudo".
   Mais tarde dirigiu-se Afonso à Basílica de Santa Maria Maior a fim de agradecer a sua celeste benfeitora o grande benefício recebido.
   Ao entrar na capela de Nossa Senhora, exclamou: "Oh! como estou bem aqui! Gostaria de ficar aqui para sempre: parece-me que já não estou na terra!"
   Ao fazer a visita ao Santíssimo Sacramento, por pouco não desfaleceu. Apavorado, exclamou: "que coisa horrível estar na presença do Deus vivo sem ser batizado!"
   Afirma o Padre Roothan, geral da Companhia de Jesus, que "depois da sua conversão o senso da fé nele se manifestava de modo tão intenso que lhe fazia sentir, penetrar e reter tudo o que lhe era proposto, tanto que em pouco tempo o julgaram suficientemente instruído para receber o santo Batismo".
   Ratisbonne recebeu sem dúvida uma assistência toda especial de Deus e da Santíssima Virgem.
   A 31 de Janeiro, 11 dias após a aparição, Afonso Ratisbonne abjura solenemente a maçonaria e recebe o batismo na igreja do Gesú das mãos do cardeal Patrizzi. O vasto e suntuoso templo estava repleto. Ali se encontrava o escol da sociedade romana e estrangeira. Acompanhado pelo Padre Villefort e por seu padrinho, o barão de Bussière, Afonso foi levado à porta da igreja. Vestido de uma longa túnica de damasco branco, trazia o Terço e a medalha de Nossa Senhora nas mãos.
   - Que pedes à Igreja de Deus? pergunta-lhe o oficiante.
   - A fé!
   Ah! diz uma testemunha ocular dessa cena majestosa, já tinha a fé católica aquele a quem a estrela da manhã iluminara com os seus raios.
   Afonso beija a terra e fica prostrado até ao fim dos exorcismos.
   Levanta-se e, guiado pelo pontífice, encaminha-se para o altar entre as bênçãos de uma imensa multidão que respeitosamente se abre à sua passagem.
   Perguntam-lhe qual é o seu nome.
   - Maria! responde num arrebatamento de amor e de gratidão.
   - Que desejas?
   - O batismo.
   - Crês em Jesus Cristo?
   - Creio!
   - Queres ser batizado?
   - Quero!
   Com um sorriso de celeste beatitude levantou sua cabeça ainda umedecida da água batismal. Acabava de transpor um abismo: era cristão.
   Afonso, cheio de Deus, radicalmente transformado pela graça, deixa o mundo e entra na Companhia de Jesus. Nela viveu dez anos vida exemplar e só a deixou, desfeito em lágrimas, para fazer a vontade de Deus que o queria ao lado do seu irmão, o Padre Teodoro, para com ele trabalhar numa obra tão grata ao mesmo Deus e de tanta relevância, qual é a da conversão dos judeus.
   O piedoso Padre Maria Afonso Ratisbonne nunca se esqueceu de sua Mãe amantíssima que o arrancou das trevas da incredulidade para os esplendores da verdadeira fé.
   Inclinava-se profundamente sempre que ouvia no canto das ladainhas a invocação: "Refúgio dos pecadores, rogai por nós!"
   Os que o ouviam falar da sua Mãe Celeste adivinhavam o que se passava no seu coração; seu olhar fulgurante parecia que ainda contemplava a mais bela e a mais pura das virgens.
   A medalha milagrosa, que exercera papel preponderante em sua conversão, era o seu mais caro tesouro. Julgou um dia que a havia perdido; sua aflição foi extrema; parecia-lhe que fora abandonado pela Virgem misericordiosíssima. Suas lágrimas não cessaram de correr até que a encontrou.
   Maria Santíssima foi a sua consolação em todas as penas e seu grande motivo de esperança em todas as provações. Dizia que Maria Santíssima não é outra coisa que uma mão de Deus, não a mão que castiga, mas a mão das misericórdias.
    Dizem os historiadores que quando o Padre Ratisbonne pregava sobre Nossa Senhora, todos os ouvintes se comoviam, muitos pecadores se convertiam. Leiam por gentileza o próximo post deste blog e verão a conversão mais importante que o Padre Maria Afonso obteve por intercessão de Maria Santíssima.
   Caríssimos leitores, possa esse episódio tão comovente, que acabais de ler, reavivar em vossos corações a chama da devoção a Santíssima Virgem Maria.
   Se quisermos assegurar o único bem desejável que é a eterna salvação de nossa alma, vivamos, como bons filhos, no Coração maternal de Maria Santíssima.
   Os que a ela recorrem não deixam de ser ouvidos; os que choram em seu regaço materno não deixam de ser consolados e os que nela depositam inteira confiança e evitam tudo o que possa magoar-lhe o coração, nada têm que temer nem na vida nem na morte.
   A devoção sincera a Maria Santíssima é penhor seguro de salvação. Deus quis que por ela tivéssemos Jesus. E Jesus é a nossa salvação. Por isso o pedido que nos faz a Nossa Mãezinha do Céu é este: "Não ofendam mais o meu Filho!!!"
NB: As coisas aqui narradas foram quase integralmente extraídas do livro: "O caminho que leva para Deus" do Pe. Arlindo Vieira, S. J.    

PIO IX DEFINE EM 1854 O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM E QUATRO ANOS DEPOIS N. SENHORA APARECE EM LOURDES

Um só acontecimento bastaria para tornar o Pontificado de Pio IX eternamente célebre na Igreja: é a Definição do Dogma da Imaculada Conceição de Maria Santíssima, pronunciada a 08 de dezembro de 1854, na presença de 200 bispos, formando a mais augusta assembléia eclesiástica, havida desde o Concílio de Trento.
   "É raro, diz o Padre Rivaux, que a Igreja defina um dogma para satisfazer somente aos piedosos desejos e à devoção dos fiéis. O motivo deste ato de poder, o maior que se possa exercer sobre o homem, foi sempre a condenação de algum erro perigoso; por isso os espíritos mais justos notam uma ligação e relação íntimas entre a definição dogmática da Imaculada Conceição e a condenação de todos os erros monstruosos, que infeccionavam o mundo, de sorte que uma dessas duas coisas não pode fazer-se sem a outra.
   Desde o aparecimento do protestantismo, a guerra contra a Igreja tomou proporções gigantescas. Dessa grande heresia, continua o Padre Rivaux, nasceu o racionalismo, primeiramente teológico, depois teológico e filosófico, mais tarte teológico, filosófico e político, e finalmente teológico, filosófico, político e social. Este racionalismo, aplicado de mil modos pelas seitas modernas e sociedades secretas, abrange ao mesmo tempo o homem religioso e social, e forma um vasto sistema de erros, que invade e corrompe religião, moral, ciências, literatura, artes, política, família, tudo enfim, e ameaça arrancar de seus fundamentos toda a sociedade humana, para a reconstruir segundo as suas utopias, e dar-lhe uma nova organização humanitária.
   "O princípio fundamental deste racionalismo de mil formas é a deificação da razão humana, que uns elevam ao nível e outros acima do dogma e da verdade revelada, e que finalmente os panteístas identificam com Deus mesmo. Deus confundido com o grande todo não subsiste e não se revela como pessoa senão na humanidade inteira; e os indivíduos da espécie humana somente dele são partículas ou modificações finitas e transitórias. - Como se vê, é um regresso para a antiga e absurda mentira de Satanás, tentando enganar a primeira mulher por estas palavras: Sereis com uns deuses.
   "A conseqüência inevitável deste monstruoso sistema, ou antes o seu fundamento lógico necessário, é a negação do pecado original. Porque, segundo este sistema, o homem é isento de corrupção, é perfeito, é santo de sua natureza; os seus instintos, sejam quais forem, são bons e divinos, etc. Se no presente ele parece miserável e degradado, deve isto atribuir-se ao vício das leis sociais e religiosas. Cumpre pois curá-lo desses estorvos, emancipar a humanidade e reconstruí-la num estado perfeito, segundo uma nova moral, uma nova ciência, uma nova Igreja, e uma associação universal de todos os povos. É por isso que se fala tantas vezes de futuros destinos da humanidade, da emancipação da mulher, da carne, e até mesmo de redenção nova etc.
    O Padre Rivaux fala em 1877 como se hoje estivesse explicando a nossa era, ou melhor dizendo, como se estivesse expondo a "NOVA ERA", "NEW AGE". Um dia, se Deus quiser, falaremos mais sobre isto.
   "Assim perfeito e santo de sua natureza, continua o Padre Rivaux, o homem não precisou de redenção. Em conseqüência, Jesus Cristo não foi senão um filósofo humanitário, encarregado unicamente de uma missão civilizadora e terrestre. Atribuíram-lhe depois falsamente as prerrogativas e os caracteres do deus humanidade, donde o seu nome de Deus-Homem ou Homem-Deus. - A sua história católica não é mais que um complexo de mitos, etc.
   "O nosso último destino, a nossa suprema felicidade acha-se neste mundo, e só por um progresso indefinido e fatal se deve alcançar, etc. - É desta maneira que blasfemam, renegam a Jesus Cristo, e que alguns sábios, em nome do progresso, nos fazem retroceder até ao paganismo mais absurdo e grosseiro. E este paganismo moderno, proveniente, não de se ter ignorado o Evangelho, mas de se ter conhecido e renegado será pior que o antigo, um mal quase irremediável, segundo este oráculo de São Paulo: "É impossível que os que foram uma vez iluminados, e depois disto caíram, tornem a ser renovados pela penitência". Tal é o resumo, tais são as conseqüências desastrosas e ímpias dos erros modernos. Em suma, nega-se o pecado original quer em si e seus efeitos, quer na reparação, que recebeu por meio de Jesus Cristo.
   "Mas o dogma do pecado original com os seus estragos no homem, e o dogma da redenção divina que os repara, foram já definidos pela Igreja. Por outro lado, é tal o estado da sociedade, é tamanho o resfriamento da fé, tão universal o da caridade, que se julgava, que se não podia esperar grande resultado da renovação das antigas definições, nem de uma condenação formal e solene dos principais erros modernos. O mal parecia exigir uma medida oportuna e sábia, que esclarecesse os espíritos e servisse ao mesmo tempo para inflamar os corações dos fiéis. Ora, a Igreja não podia melhor conseguir este fim do que definindo o dogma da Imaculada Conceição, no qual se acham encerradas e como personificadas todas as verdades do catolicismo, diretamente opostas aos numerosos erros do racionalismo moderno.
   "Com efeito, se Maria, por um privilégio único foi preservada do pecado original, segue-se, que a posteridade de Adão não é nem pura nem santa na sua origem; mas que é viciada e culpável, e precisa de um Redentor. - Se Maria foi preservada, porque devia ser Mãe de Deus, segue-se que Jesus Cristo, seu filho, não é um filósofo  humanitário ou uma pura idéia: é verdadeiramente Deus, unindo na pessoa simples e única do Verbo a natureza  divina e a natureza humana. - Se é à dignidade e aos méritos de Jesus Cristo, seu Filho, reparador da humanidade decaída, que Maria deveu a sua preservação, segue-se, que a missão de Jesus Cristo não foi uma missão terrestre e meramente social, mas sim celeste e sobrenatural: isto é, remir o homem pecador, tirá-lo da morte do pecado, livrá-lo da escravidão do demônio.
   Aqui o Padre Rivaux condena antecipadamente a TL e o MST. Basta o bispo de Campos estudar a verdadeira Teologia!
   "Logo, a graça que Jesus Cristo veio trazer-nos não é a civilização política, mas a fé, a vida sobrenatural, a dignidade de filhos adotivos de Deus; logo a felicidade, para a qual veio encaminhar-nos, não é a felicidade temporal desta vida, mas a felicidade eterna do céu; logo a terra é um lugar de transição, de exílio, de expiação, de luta entre a carne viciada pelo pecado e o espírito ajudado da graça de Jesus Cristo, e por conseqüência todos os atos do homem, que tendem a diminuir nele os ardores da concupiscência, fruto do pecado, e a reformar as suas paixões revoltadas: assim como a oração, as obras de mortificação e de penitência, não são exagerações da idade média, excessos de um misticismo exaltado, mas sim os justos meios de aplicação, e como o complemento da Paixão de Nosso Divino Redentor, como ensina o grande Apóstolo das nações (Coloss. I, 24). - Concluamos ainda que, se o homem, desde a sua origem, foi pecador ou prevaricador, não é independentemente de sua natureza; logo há uma lei superior, a que deve obedecer; logo são falsas as máximas da pretendida liberdade absoluta do homem, da independência do seu pensamento, da soberania da humanidade e da opinião, etc.
   "Pelo que precede se vê quantas verdades importantes se acham encerradas e concentradas na da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem, e quantos erros perniciosos dos nossos tempos foram condenados pela definição deste dogma. - Assim se verifica cada vez mais o que a Igreja canta em honra de sua gloriosa Rainha: "Ó santa Virgem, só vós exterminastes todas as heresias no universo inteiro": Cuncta haereses tu sola interemisti in universo mundo".
   "Uma dupla manifestação provocada pela definição deste dogma em oito de dezembro de 1854 provou bem esta verdade consoladora: a manifestação odienta e violenta da incredulidade, e a manifestação filial e jubilosa dos fiéis. O dragão infernal de novo esmagado sob o pé da Virgem não podia deixar de soltar gritos de furor; incapaz de cantar a beleza de Maria Imaculada, o monstro esforçou-se inutilmente por manchá-la e feri-la no calcanhar: insidiaberis calcaneo ejus.
   "Mas por outro lado e ao mesmo tempo, os filhos da Igreja e da verdade exultaram de alegria e de felicidade. Os entusiasmos de Éfeso empalidecem e desaparecem perante os fogos de júbilo e de triunfo, que todo o mundo católico espontaneamente acendeu em honra da Imaculada Virgem Maria. - Este consolador dogma foi proclamado na cidade eterna, donde a vista de Maria abrange todo o universo católico, como o poder divino que ali se exerce; e as cidades e as aldeias imitam a Igreja Mãe e Senhora. - Deus, que recusara a proclamação da Imaculada Conceição às instâncias dos séculos de fé, tinha-a, em sua bondade, reservado para os nossos tempos, corrompidos e ameaçados por sofistas, sem dúvida para os curar e salvar. - Assim o procedimento da Igreja, a alegria dos fiéis, a raiva do inferno, o despeito, os sarcasmos e as blasfêmias da impiedade, tudo se explica naturalmente.
   "Foi tão agradável à Santíssima Virgem a definição deste dogma, que ela se dignou confirmá-la, pronunciando em 1858, estas palavras: "EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO", na memorável e tão misericordiosa aparição em Lourdes, que abriu para todo o mundo e particularmente para a França uma fonte inexaurível de milagres, de graças, e de bênçãos".
  

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A INSTITUIÇÃO DIVINA DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA PROVADA PELA TRADIÇÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Antes de expor os argumentos da Tradição é sempre útil ver quais são os adversários da tese e refutá-los. Pois bem, como todos sabem, os grandes adversários do Sacramento da Penitência são os protestantes. Estes, seguindo Calvino, e também os ímpios modernos ousam dizer que a confissão era desconhecida nos primeiros séculos do Cristianismo. Sustentam que a confissão data dos 4º Concílio de Latrão em 1215, época em que o Papa Inocêncio III tê-la-ia inventado. Caríssimos, isto constitui um grave erro que denota a mais grosseira ignorância, ou, pior ainda, é uma demonstração da mais insolente má fé. Vamos ouvir Santo Afonso: este grande Doutor da Santa Igreja diz que o Papa Inocêncio III, não fez senão determinar o tempo em que a confissão deve ser feita pelos fiéis, isto é, ao menos uma vez por ano, como já haviam prescrevido os papas Inocêncio I (+ 417), Leão I (+ 474), Zeferino (+218). Além disso, sabemos que a Tradição e a História da Igreja se apoiam no Santo Evangelho de S. João para provar que a confissão foi instituída por Jesus Cristo. Suponhamos os Sacramento da Penitência como a Igreja o administra, realmente estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo: Eis aqui os fatos que se devem produzir e dos quais a História Eclesiástica dá, sem dúvida, testemunho; os Padres da Igreja falarão da Confissão em seus escritos, e dirão que ela vem de Jesus Cristo; hão de afirmar que é necessária à salvação, que deve ser feita com sinceridade e com contrição; que só os sacerdotes podem absolver, etc. Os Concílios traçarão as regras aos confessores, para remediar os abusos que nascerão em diversas épocas da história. Conservar-se-ão muitos nomes de confessores que prestaram o socorro de seu ministério a personagens históricos. Talvez se encontre nas mais antigas igrejas o lugar dos tribunais da penitência; enfim, as seitas separadas da Igreja de Jesus Cristo, desde os primeiros séculos, terão provavelmente conservado alguns vestígios dessa salutar instituição.

Consultando as antiguidades eclesiásticas obteremos precisamente estes resultados que acabamos de enumerar. Até historiadores protestantes, devendo ser sinceros diante da evidência, declararam que a Confissão entre os Católicos já era exercida nos quatro primeiros séculos. Por exemplo, o historiador protestante Gibbon diz: "o homem instruído não pode resistir ao peso da evidência histórica que estabeleceu a Confissão como um dos principais pontos da doutrina católica em todo o período dos quatro primeiros séculos".


Entre outras seitas heréticas encontramos também quem dá testemunho histórico da existência da Confissão já nos primeiros séculos da Igreja Católica. Por exemplo: os eutiquianos, os jacobitas, os armênios, os nestorianos, em um palavra, as Seitas do Oriente, separadas da Igreja Romana desde o 4º e o 5º séculos, praticavam a confissão como necessária. Muitos sábios autores atestam que se vêem nas catacumbas de Roma os confessionários próximos aos altares, cujas pinturas, semelhantes às de Pompéia, remontam aos primeiros séculos do Cristianismo.