segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DUODÉCIMO ARTIGO DO CREDO

   O último artigo do Credo ensina-nos que depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Céu, ou eternamente infeliz para os condenados no inferno. Deus é nosso Juiz e Remunerador. Por isso, dará o céu aos bons e o inferno aos maus.

    Este quadro representa o duodécimo (último) artigo do Credo que é: ... na vida eterna. Amém. Este quadro nº 16 representa o céu. O quadro seguinte, isto é, o nº 17 vai representar o inferno.

   
   No centro do quadro, vemos as três Pessoas divinas num triângulo sobre um trono de glória, cercado de anjos. Vários dentre eles tocam diversos instrumentos musicais, outros agitam turíbulos diante das três Pessoas divinas. A Santíssima Virgem,  sua rainha, está à sua frente, à direita de Jesus Cristo seu Filho e sobre um trono inferior ao trono de Deus, mas superior a tudo o que não é Deus.

   Numa segunda fileira circular: á direita, vemos São João Batista, Moisés, Davi, Abraão e outros santos do Antigo Testamento; à esquerda, vemos São José, São Pedro com os outros Apóstolos, um Evangelista com um livro; vemos ainda vários outros santos do Novo Testamento.

   Numa terceira fila, vemos representados outros santos, entre os quais  estão os mártires, como Santo Estêvão, Santos Pontífices, um santo rei, santas virgens mártires, como Santa Cecília e Santa Catarina, e santas mulheres como santa Maria Madalena. Santo Estêvão,  o primeiro mártir da Igreja, traz uma pedra na mão, porque foi martirizado à golpes de pedras. Santa Cecília tem uma harpa, porque ela cantava os louvores de Deus ao som dos instrumentos musicais; por isso ela é a padroeira da música. Aos pés de Santa Catarina,  mártir, vemos uma roda com lâminas cortantes, porque este foi o instrumento de seu martírio. Santa Maria Madalena tem um vaso na mão porque ela derramou um dia sobre a cabeça de Jesus, um vaso cheio de precioso perfume.

    Vemos representada também uma santa com o hábito carmelita.

    Vemos  ainda uma santa Virgem e Mártir; por isso traz o lírio, símbolo da virgindade; e a espada, símbolo do seu martírio.

    Na última fila à direita, vemos uma soldado, talvez para representar santo Expedito.

ARTIGO DUODÉCIMO DO CREDO (2ª parte)



  O quadro anterior, ou seja, o nº 16 representou a vida eterna feliz que é o Céu. Este quadro nº 17 representa a vida eterna infeliz que é o Inferno.


   No alto do quadro, vemos sete aberturas do inferno, que são marcadas pelas primeiras letras dos sete vícios capitais. O O indica o orgulho. O A indica a avareza. O L a luxúria, o E a inveja (envie em francês), o G a gula, o C a cólera ou ira, o P a preguiça. Pretende-se mostrar com isso que são sobretudo os pecados capitais que levam as almas para o inferno.

   Por cima de cada uma destas letras, um animal simboliza o pecado que ele representa. Vemos da esquerda para a direita: um leão que simboliza a ira; um porco que simboliza a gula; um sapo sempre preso à terra, simboliza a avareza; um bode que simboliza a luxúria; uma serpente que simboliza a inveja; uma tartaruga que simboliza a preguiça.

   Além do fogo que é um sofrimento comum a todos os condenados, cada um, no entanto, sofre penas particulares apropriadas aos pecados que cometeu.

   No centro do quadro vemos os orgulhosos sendo arrastados aos pés de Lúcifer e forçados a dobrar os joelhos diante dele. São assim tratados porque, durante suas vidas, não quiseram se humilhar diante de Deus.

   Sob a letra A, vemos os avarentos trazendo uma sacola suspensa ao pescoço. Esta sacola lembra-lhes o quanto eles foram insensatos em preferir os bens perecíveis da terra aos bens eternos do céu.

   Sob a letra L, vemos os impudicos atormentados cruelmente pelos demônios e animais ferozes. Não se quer dizer com isto que haja animais no inferno mas é para simbolizar a raiva com que os demônios atormentam os impuros.

   Sob a letra E, vemos os invejosos enlaçados e mordidos por monstruosos répteis.

   Sob a letra G, vemos os gulosos e os bêbados sendo devorados por fome e sede cruéis e alimentados com fel de dragão e veneno de áspide. Isto tudo simboliza o remorso terrível e eterno por terem feito do estômago o seu deus.

   Sob a letra C, vemos os coléricos e os vingativos dilacerando-se mutuamente e arrancando os cabelos.

   Sob a letra P, vemos os preguiçosos sendo mordidos por tartarugas, picados com objetos inflamados, e deitados em braseiros.

   Os transgressores dos dez mandamentos de Deus e os profanadores dos sete sacramentos são pisoteados por uma besta que tem sete cabeças e dez chifres.

   Em baixo do quadro, à esquerda, vemos centauros (= monstros metade homem metade cavalo) pisando aos pés os heresiarcas que combateram a Religião com os seus maus escritos.

   No centro do quadro, vemos representado Lúcifer e por cima dele vemos um relógio cujo ponteiro marca sempre a mesma hora, e esta hora é a eternidade. Isto é para mostrar que as penas dos condenados duram sempre (toujours), e que, uma vez caído no inferno, de lá não se sairá jamais.
  

domingo, 30 de outubro de 2016

JESUS, REI DE AMOR E DE PAZ

Extraído do Livro "Apelo ao Amor": Mensagem de Jesus a Sóror Josefa Menéndez, religiosa da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus (junho de 1923).

Sóror Josefa Menéndez
   "Se desejais paz, Eu sou a Paz. Sou a Misericórdia e o Amor...A vossa alma, criada por um Pai que vos ama, não com qualquer amor, mas com amor imenso, e eterno, encontrará um dia, no lugar da felicidade sem fim que esse Pai vos prepara, resposta a todas as suas necessidades.
   Lá, encontareis a recompensa do trabalho cujo peso houverdes suportado aqui na terra.
   Lá, encontrareis a família que tanto amastes sobre a terra e pela qual vertestes vossos suores.
   Lá, vivereis eternamente, pois a terra é apenas uma sombra que desaparece e o céu não passará nunca.
   Lá, vos unireis ao vosso Pai que é o vosso Deus.
   Se soubésseis que felicidade vos espera!...
   Mas, ouvindo-Me, talvez estejas dizendo: Quanto a mim, não tenho fé! Não creio na outra vida.
   Não tens fé?... Então, se não crês em Mim, por que Me persegues?... Por que te revoltas contra as minhas leis, e fazes guerra àqueles que Me têm amor?... e, se queres liberdade para ti, por que não a dás aos outros?...
   Não acreditas na vida eterna?... Dize-Me se vives feliz na terra e se não sentes necessidade de alguma coisa que não podes encontrar aqui...
   Procuras prazer e, se chegas a consegui-lo, não ficas saciado...
   Andas atrás das riqueza e, se consegues adquiri-la, nunca te julgas assaz rico...
   Tens necessidade de afeição e, se a encontras um dia, dentro de pouco tempo estás cansado!
   Não! coisa alguma destas é o que tu desejas... O que desejas, certamente não o encontrarás na terra... Porque, aquilo de que tens necessidade, é de paz, não a paz do mundo, mas a dos filhos de Deus, e como poderias tu encontrá-la no seio da revolta?
   Por isso é que Eu venho mostrar-te onde está essa paz, onde encontrarás essa felicidade, onde saciarás esta sede que há longo tempo te devora. Não te revoltes, se Me ouves dizer-te: Tudo isso, encontrá-lo-ás no cumprimento da minha Lei; não, não te espantes desta palavra, a minha Lei não é tirania; é Lei de amor!
   Sim, a minha Lei é de amor, porque Eu sou teu Pai.
   Bem sabeis que a disciplina é necessário no exército, e o regulamento na família bem ordenada. Também na grande família de Jesus Cristo, impõe-se uma Lei, mas uma Lei cheia de suavidade.
   Venho ensinar-vos o que é essa Lei e o que é o meu Coração que vô-la dá, esse Coração que vós não conheceis e que tantas vezes tendes ferido! Procurais-Me para Me dar a morte, ao passo que Eu vos procuro para vos dar a vida. Qual de nós triunfará? A vossa alma ficará tão endurecida que se não renda Àquele que vos deu a sua própria Vida e todo o seu Amor?
   Na ordem humana, os filhos usam sempre o nome do pai, sem o que não poderiam ser reconhecidos como da sua família.
   Assim, os filhos que são Meus usam o nome de cristãos, que lhes é conferido pelo sacramento do Batismo, ao nascerem. Vós que recebestes este nome, sois meus filhos, tendes direito a todos os bens de vosso Pai.
   Sei que não Me conheceis nem Me tendes amor, antes, pelo contrário, Me odiais e perseguis. Mas, Eu amo-vos com amor infinito e quero dar-vos parte naquela herança a que tendes direito.
   Crede no meu amor e na minha Misericórdia!
   Vós Me ofendestes: Eu vos perdôo.
   Vós Me perseguistes: Eu vos amo.
   Vós Me feristes com palavras e com ações; Eu quero fazer-vos bem e abrir para vós os meus Tesouros.
   Não penseis que ignoro como até aqui vivestes: sei que desprezastes as minhas graças, talvez mesmo hajais profanado os meus Sacramentos. Pois eu vos perdôo.
   E agora, se quereis viver felizes na terra e assegurar ao mesmo tempo a vossa eternidade, fazei o que vou dizer-vos: Sois pobres? Esse trabalho, que vos é imposto pela necessidade, fazei-o com submissão e ficai sabendo que também Eu vivi trinta anos sujeito à mesma lei, porque fui pobre e até muito pobre.
   Não olheis os vossos patrões como a tiranos. Não desejeis a sua desgraça, mas fazei valer os seus interesses e sede fiéis.
   Sois ricos? Tendes por vossa conta operários, servos? Não exploreis o seu trabalho. Remunerai o seu labor segundo a justiça e provai-lhes a vossa afeição e a vossa bondade. Porque, se tendes uma alma imortal, também eles a têm; se recebestes os bens que possuis, não foi somente para vosso gozo e bem estar pessoais, mas a fim de que, administrando-os com prudência, possais exercer a caridade para como o próximo.
   Depois de terdes, uns e outros, aceitado com submissão a lei do trabalho, reconhecei humildemente a existência de um Ser que está acima de tudo o que é criado. Esse Ser é o vosso Pai.
   Como Deus, exige que cumprais a sua Lei Divina.
   Como Pai, pede-vos filial submissão aos seus Mandamentos.
   Assim, depois de terdes passado uma semana inteira nos vossos trabalhos, nos vossos negócios, nos vossos recreios lícitos, pede-vos que deis uma hora ao menos ao cumprimento do seu preceito. Será exigir muito?
   Ide pois à sua Casa, à Igreja. Ele lá vos espera dia e noite; e, em cada domingo ou dia de festa dai-lhe essa hora, assistindo ao mistério de Amor e de Misericórdia que se chama a Missa.
   Durante ela, falai-Lhe de tudo; da vossa família, dos vossos filhos, dos vossos negócios, dos vossos desejos... Apresentai-Lhe as vossas penas, as vossas dificuldades, os vossos sofrimentos. Se soubésseis como Ele vos ouvirá e com que Amor vos atenderá!
   Talvez Me digais: - "Não sei assistir à Missa. Há tanto tempo que não entro numa igreja!" - Não vos atemorizeis. Vinde; passai simplesmente essa hora a meus pés. Deixai que a consciência vos diga o que deveis fazer, e não cerreis os ouvidos à sua voz. Abri vossa alma... Então a minha graça vos falará. Mostrar-vos-á, pouco a pouco, como deveis proceder em cada circunstância da vossa vida, como haveis de comportar-vos com vossa família ou nos vossos negócios; como deveis educar os vossos filhos, amar os vossos inferiores, respeitar os vossos superiores. Ela vos dirá, talvez, que deveis abandonar esta empresa, quebrar aquela amizade má, afastar-vos energicamente daquela reunião perigosa... Ela vos dirá que odiais tal pessoa sem razão e que, ao contrário, destoutra pessoa que freqüentais e amais, deveis separar-vos e fugir dos seus conselhos.
   Experimentai e, pouco a pouco, vereis como se vai estendendo a cadeia das minhas graças. Porque acontece com o bem como com o mal, basta começar. Os anéis da cadeia prendem-se uns aos outros. Se hoje ouvirdes a minha graça e a deixardes trabalhar em vós, amanhã a ouvireis melhor; mais tarde ainda melhor, e assim, de dia para dia, a luz aumentará, a paz crescerá e preparareis a vossa felicidade eterna!
   Porque o homem não foi criado para ficar sempre neste mundo. É feito para a eternidade. Sendo imortal, deve portanto viver, não para aquilo que morre, mas para o que permanecerá.
   Juventude, riqueza, sabedoria, glória humana, tudo isso passa e acaba. Só Deus subsiste por toda a eternidade...
   Se o mundo e a sociedade estão repletos de ódios e em lutas contínuas, povos contra povos, nações contra nações e indivíduos contra indivíduos, é porque o grande fundamento da fé quase desapareceu.
   Reanime-se a fé, e a paz voltará e a caridade reinará.
   A fé não prejudica a civilização e não se opõe ao progresso. Pelo contrário, quanto mais enraíza nos indivíduos e nos povos, mais crescem neles  sabedoria e a ciência, porque Deus é Sabedoria e Ciência infinitas. Mas onde a fé já não existe, desaparece a paz e, com ela, a civilização e o verdadeiro progresso... pois Deus não está na guerra... Já não há senão ódio entre os povos, lutas de opiniões entre si, levantamento das classes umas contra as outras e, no próprio homem, rebelião das paixões contra o dever.
   Desaparece então tudo o que constitui a nobreza do homem.
   Deixai-vos convencer pela Fé e sereis grandes. Deixai-vos esclarecer pela Fé, e sereis livres. Vivei segundo a Fé e não morrereis eternamente.
   Que todas as almas saibam a que ponto meu Amor as procura, as deseja e as espera para enchê-las de felicidade. Corro no encalço dos pecadores como a Justiça no encalço dos criminosos; mas a justiça os procura para castigá-los e Eu para lhes perdoar.
   Quero perdoar. Quero reinar.
   Quero perdoar às almas e às nações. Quero reinar sobre as almas, sobre as nações e sobre o mundo inteiro.
   Para apagar a sua ingratidão, derramarei uma torrente de Misericórdia.
   Para reinar, começarei derramando misericórdia, pois meu reino é de paz e de amor. Sou a sabedoria e a felicidade.
   Sou o Amor e a Misericórdia.

NB.: Talvez possa haver quem desconheça estas belíssimas mensagens do Coração de Jesus a Sóror Josefa Menéndez e, assim, pergunte qual a autenticidade e, portanto, a segurança destas aparições. Pois bem, no prólogo da edição francesa lemos o seguinte: "As almas que lerem estas páginas terão a alegria filial de encontrar aqui - com consentimento de Sua Santidade, dado pelo próprio punho - o autógrafo do Cardeal Pacelli, então Protetor da Sociedade do Sagrado Coração, abençoando a 1ª edição francesa do "Apelo ao Amor".

sábado, 29 de outubro de 2016

JESUS, REI DOS REIS

Jesus, Rei do Céu e da Terra
   Caríssimos e amados leitores, hoje, último domingo de outubro, a Santa Madre Igreja celebra a festa da Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Primeiramente, vamos meditar nas palavras do próprio Deus nas Sagradas Escrituaras. No Apocalípse I, 4-8: "Graça a vós e paz, da parte d'Aquele que é, que era e que há de vir; e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; e da parte de Jesus Cristo, que é testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos, o príncipe dos reis da terra, que nos amou e nos lavou dos nossos pecados no seu sangue, e nos fez sermos reino e sacerdotes para Deus seu Pai. A Ele, glória e império pelos séculos dos séculos. Amém. Eis que Ele vem sobre as nuvens e todos os olhos O verão, também aqueles que o transpassaram. E baterão no peito ao vê-lO todas as tribos da terra. Assim se cumprirá. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor Deus, que é, que era e que há de vir. o Todo-poderoso". Capítulo XXI, 5-8: "O que estava sentado no trono disse: Eis que Eu renovo todas as coisas. E ajuntou: Escreve, porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras. Depois disse-me: Está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Eu darei gratuitamente da fonte da água da vida ao que tiver sede. Aquele que vencer, possuirá estas coisas. Eu serei seu Deus e ele será meu filho. Mas, pelo que toca aos tímidos, aos incrédulos, aos execráveis, aos homicidas, aos fornicadores, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no tanque ardente de fogo e de enxofre: o que é a segunda morte".
Capítulo XXI, 24-27: "As nações caminharão à sua luz e os reis da terra lhe trarão a sua glória e a sua honra". Capítulo XXII, 13- 16: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes no sangue do Cordeiro, para terem parte na árvore da vida e entrarem pelas prtas na cidade. Ficam fora os cães, os feiticeiros, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos atestar estas coisas nas Igrejas. Eu sou a raíz e a geração de David, a estrela resplandecente da manhã".
   Ouçamos o testemunho do próprio Jesus, Evangelho de São João, XVIII, 33-37: "Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: És tu o Rei dos judeus? Respondeu Jesus: Dizes isso por ti mesmo ou foram outros que te disseram de mim? Respondeu Pilatos: Sou eu, por ventura, judeu? Tua gente e os pontífices Te entregaram a mim. Que fizestes pois? Respondeu Jesus: Meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, meus servos lutariam, para que eu não fosse entregue aos judeus: porém, agora meu Reino não é daqui. Disse-Lhe, então, Pilatos: Logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu dizes: Eu sou Rei. Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho à verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz."
   Ouçamos agora a São Paulo na Epístola aos Colossenses, I, 12-20. O Apóstolo aí enumera os títulos que fazem de Jesus Cristo o Rei de todos os reis. Rei enquanto Deus, Rei enquanto Homem: "Irmãos, damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de participar da sorte e herança dos Santos na Luz; que nos tirou do poder das trevas e nos transportou ao Reino do Filho do seu amor. N'Ele, e por seu Sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura. Porque, n'Ele foram criadas todas as coisas nos Céus e na Terra, quer as visíveis, quer as invisíveis; os Tronos, as Dominações, os Principados, as Potestades, tudo foi criado por Ele e n'Ele. E Ele está acima de todas as coisas, e todas subsistem por Ele. Ele é também a Cabeça do Corpo da Igreja, é o princípio, o primogênito dentre os mortos. Ele em tudo tem a primazia, porque, foi do agrado do Pai que n'Ele residisse toda a plenitude: para que se reconciliassem por Ele todas as coisas, pacificando pelo Sangue derramado na Cruz, tanto as coisas da terra como as coisas dos Céus, em Cristo Jesus, Senhor Nosso".
   REFLEXÕES (Missal Dominical Popular):
   Em virtude da Sua divindade, é Jesus Cristo Rei do Céu e da Terra. "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada foi feito". Jesus-Deus é Senhor Supremo e ilimitado de tudo quanto existe no universo criado.
   Mas também como Homem Jesus é rei do universo. Interrogado por Pilatos a respeito da Sua realeza, Jesus respondeu: "Sim, Eu sou Rei; mas o meu reino não é deste mundo". O reino de Nosso Senhor Jesus Cristo não é do mundo, mas está no mundo, não é reino mundano, temporal, como os outros reinos; mas é um reino sobrenatural, celeste, divino, que existe no mundo e para o mundo. Pela Encarnação, pela Paixão e Morte adquiriu Jesus novos títulos de soberania sobre o mundo e a humanidade. Nasce num estábulo, na mais extrema pobreza, mas de terras longínquas acodem reis poderosos para Lhe prestarem sua homenagens! Morre no patíbulo da ignomínia, mas sobre a Sua cabeça fulgura em três línguas o título da Sua realeza. Expira como se fora um criminoso, e no mesmo instante a natureza o proclama com misteriosas salvas como a seu Rei e soberano Senhor: o sol cobre-se de luto, a terra estremece de dor, partem-se os rochedos com formidável estampido, rasga-se o véu da antiga aliança, e os próprios mortos ressurgem, para dizerem aos vivos que o Crucificado é o Rei do Universo, Rei também das tenebrosas regiões da morte.
   "Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações", assim dizemos na ladainha. De todos os corações! Será verdade? Oxalá assim fosse!
   Se Jesus Cristo reinasse na sociedade, ah! Que ditosos tempos de paraíso não haviam de despontar muito em breve! Se Cristo reinasse na legislação da nossa querida Pátria; se Cristo reinasse nas Câmaras e nos Congressos; se Cristo reinasse nos Tribunais; se Cristo reinasse nas Escolas e nas Repartições públicas que feliz e próspera nação não seria a nossa!... Mas, ai! Que o reinado de Cristo abrange apenas uns pontos mui diminutos da nossa vida social! E sabes tu, meu caro cristão, quem é que, antes dos mais, estaria em condições de conquistar para Jesus Cristo o reinado social? Quem Lhe poderia garantir o triunfo da sociedade humana?
   São Pio X dizia: "Dêem-me mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente". É a família cristã e, antes de tudo és tu, ó mãe de família! Nas tuas mãos é que está o futuro do nosso povo, a felicidade ou a desgraça do Brasil! Se tu não souberes, ou não quiseres educar os futuros cidadãos, juízes, funcionários, magistrados, debalde será todo o nosso esforço. Mas se tu lançares na alma dócil dos teus filhos os alicerces da fé e da moral cristã, então, sim, mãe cristã, podemos esperar o triunfo do reino de Cristo na sociedade brasileira!
   Os reis e soberanos da terra recompensam a dedicação dos súditos com ordens e insígnias, com empregos e colocações. O reino de Cristo não é deste mundo; não é agora o tempo das recompensas cabais; agora temos de trilhar com Ele o caminho da cruz. Mas dia virá, "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou àqueles que O amam."
   A quaresma segue-se a Páscoa, à Sexta-feira da Paixão o domingo da Ressurreição, e o Tabor não fica longe do Calvário.
   Se neste vida formos companheiros do Rei das dores, é certo que na outra seremos também companheiros do Rei da glória.

UNDÉCIMO ARTIGO DO CREDO

  


O undécimo artigo do credo é: ... na ressurreição da carne. Este quadro representa a ressurreição dos mortos que vai acontecer no fim do mundo.

    Vemos os anjos soando as trombetas para chamar todos os homens ao julgamento; os túmulos se abrem, os mortos ressuscitam e saem do pó. Entre eles vemos um rei que conserva sua coroa, e um bispo que reencontra ao ressuscitar, seus paramentos pontificais.

    No alto do quadro, aparece a Cruz nos ares, toda resplandecente de luz e cercada de espíritos angélicos. Sua vista consola os bons, que estendem para ela os braços com confiança. Para os maus, porém, a Cruz é motivo de remorso e de pavor; e eles procuram se esconder e pedem que as montanhas caiam sobre eles.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DÉCIMO ARTIGO DO CREDO




   Este quadro representa o décimo artigo do Credo que é: ... na remissão dos pecados.

   O catecismo de São Pio X diz: "Os que na Igreja exercem o poder de perdoar os pecados são, em primeiro lugar, o Papa que é o único que possui a plenitude de tal poder; depois os Bispos e, sob a dependência dos Bispos, os Sacerdotes".

   A instituição do sacramento da confissão está em São João XX,21-23. Jesus disse aos seus discípulos: "Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

   O quadro acima representa Nosso Senhor Jesus Cristo entregando as chaves a São Pedro, em sinal do poder que lhe conferia de perdoar ou remeter os pecados.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O NONO ARTIGO DO CREDO (1ª parte)

Quadro nº 12 - O nono artigo do Credo

   O nono artigo do Credo é: ... na Santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos.
   Este quadro nº 12 representa a 1ª parte: ... na Santa Igreja Católica. 

O quadro seguinte, ou seja, o nº 13 vai representar a 2ª parte, ou seja: na comunhão dos Santos.

   No alto deste quadro vemos representado Jesus constituindo São Pedro como chefe visível da Igreja. Entregando-lhe o cajado de pastor, dá-lhe a missão de apascentar seus cordeiros e suas ovelhas, isto é, de governar os pastores e os fiéis de que se compõe a Igreja, que é chamada por Jesus, de Seu rebanho.

   Em baixo neste quadro, vemos representados: 1º- O papa, sucessor de São Pedro, revestido de hábitos brancos, e trazendo sobre a cabeça a tiara, isto é, uma triplice coroa como era tradição até Paulo VI; 2º - aos dois lados do papa, os cardeais, cujas vestes são vermelhas e estão com os chapéus próprios, por isso chamados chapéus cardinalícios; 3º - na frente do papa, um arcebispo com um ornamento de lã branca passado sobre os ombros e que se chama pállium; 4º - um bispo com sua mitra e com seu báculo; muitos prelados, religiosos e religiosas; 5º - mais alto, à direita, um padre que dá a comunhão, outro que prega o Evangelho aos fiéis e um missionário que, com o crucifixo na mão, anuncia Jesus Cristo aos pagãos.
  

NONO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)







   Este quadro representa a 2ª parte do nono artigo do Credo que é: ... na comunhão dos Santos.

   Na parte superior do quadro, vemos representada a assembléia dos anjos e dos santos que estão no céu. No centro, vemos os fiéis da terra. 

Na parte inferior do quadro, vemos as almas do purgatório. São as três etapas da Igreja: a Igreja triunfante no céu, a Igreja militante na terra e a Igreja padecente no purgatório. Há uma comunhão entre elas: é a Comunhão dos Santos.

   No alto do quadro, vemos representados os anjos e os santos que adoram as três Pessoas da Santíssima Trindade, e oram pelos fiéis que vivem ainda sobre a terra.

   No meio do quadro, os fiéis da terra assistem o Santo Sacrifício da Missa, no qual invocam os santos do céu, oram uns pelos outros, e imploram o alívio para as almas do purgatório.

   A parte inferior do quadro, representa as almas do purgatório. As águas refrescantes que os dois anjos derramam sobre elas, simbolizam o alívio que lhes proporciona o Santo Sacrifício da Missa.
  

sábado, 22 de outubro de 2016

OITAVO ARTIGO DO CREDO





   Este quadro representa o oitavo artigo do Credo que é: Creio no Espírito Santo.

   Vemos representado o Cenáculo, onde os apóstolos aguardaram a vinda do Divino Espírito Santo unânimes em oração juntamente com a Virgem Santíssima, alguns discípulos e algumas santas mulheres. Ficaram todos aí recolhidos e em oração durante dez dias. Aconteceu que, quando se completaram os dez dias, estando todos juntos no mesmo lugar, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam em oração. Vemos o Espírito Santo em forma de uma pomba toda iluminada de raios, e vemos  umas como línguas de fogo repartidas e pousadas sobre cada um deles. Neste momento ficaram todos eles cheios do Espírito Santo.
  

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SÉTIMO ARTIGO DO CREDO

 Este quadro representa o sétimo artigo do Credo que é: ...de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.


 

 Vemos aqui representada a cena do juízo final que se dará no fim do mundo.

   Jesus Cristo está sentado sobre as nuvens, cercado dos anjos e dos santos. Bem juntos de Jesus vemos representados os apóstolos, porque eles, juntamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, julgarão as doze tribos de Israel.

   Jesus Cristo é precedido de Sua Cruz e de quatro anjos soando as trombetas para chamar todos os homens ao julgamento.

   A Santíssima Virgem é colocada à direita de Jesus e à frente dos eleitos, aos quais Nosso Senhor Jesus Cristo dirige estas consoladoras palavras: "Vinde benditos de meu Pai; possuir o reino que vos foi preparado desde a criação do mundo".

   O anjo vingador está à esquerda de Jesus, expulsando para o inferno os réprobos, depois que o Soberano Juiz fê-los ouvir a sentença terrível: "Afastai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno, preparado para o demônio e seus seguidores".

   Vemos, em baixo à esquerda do quadro e consequentemente à direita de Jesus, os vivos, isto é,  os eleitos, subindo para o céu com vestes brancas.

À direita do quadro, e consequentemente à esquerda de Jesus, vemos os mortos ( espiritualmente), isto é, os condenados, em formas horríveis, descendo para o inferno.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

SEXTO ARTIGO DO CREDO (1ª parte)

  O sexto artigo do Credo é: Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.



   Este quadro nº 8 representa a primeira parte, ou seja, a Ascensão de Jesus. Subiu ao Céu...

   O quadro nº 9 vai representar a outra parte, ou seja: ...está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

   Este quadro representa a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo no monte das Oliveiras. Esta montanha tem três cimos e é do cimo do meio que Nosso Senhor subiu aos céus, em presença dos seus discípulos e das santas mulheres, deixando, diz-se, na rocha a impressão do Seu pé esquerdo. Tive a graça de ver e oscular esta marca do pé de Jesus, marca esta que já está quase apagada de tanto o povo beijá-la e tocá-la durante quase dois mil anos.

   No momento que Jesus desapareceu numa nuvem luminosa aos olhos de seus discípulos, dois anjos se apresentaram junto deles. Os anjos disseram-lhes: Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu. 

SEXTO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)



   O sexto artigo do Credo é: Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

   O quadro anterior, ou seja, o nº 8 representou: Subiu ao Céu, isto é, a Ascensão de Jesus.

 Este quadro nº 9 representa: ...está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

     Este quadro representa Jesus Cristo no Céu sentado à direita  de Seu Pai sobre um trono de glória; os anjos e os santos rodeiam-no, e Seu trono é levado por uma multidão de espíritos celestes. O Pai tem um cetro; o Filho segura Sua Cruz, ambos seguram o mundo, criado pelo Pai, redimido pelo Filho e santificado pelo Espírito Santo.  Vemos, também, o Espírito Santo representado na figura de uma pomba cercada de luz.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

QUINTO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)



   O quinto artigo do Credo é: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. O quadro nº 6 representou: Desceu aos infernos.

Este quadro nº 7 representa a Ressurreição de Jesus: ... ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   À esquerda, perto do anjo vemos algumas santas mulheres que vieram, diz o Evangelho, embalsamar o corpo de Jesus. E eis que se deu um grande terremoto. Porque um anjo do Senhor desceu do céu, e, aproximando-se, revolveu a pedra e sentou sobre ela. A sua veste  era branca como a neve. Os guardas sentiram grande terror e ficaram como mortos.

   As mulheres também tiveram medo; mas o anjo, tomando a palavra, disse-lhes: Vós não temais, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado; Ele já aqui não está; ressuscitou como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor esteve depositado.












terça-feira, 18 de outubro de 2016

QUINTO ARTIGO DO CREDO (1ª parte).




   O quinto artigo do Credo é: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   Este quadro representa a primeira parte, ou seja: Desceu aos infernos. O quadro nº 7 vai representar a outra parte: ...ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   No catecismo às crianças devemos observar em primeiro lugar que foi a alma de Jesus que desceu aos "infernos" ou seja, ao Limbo dos Justos, dos quais, por sua vez,  estavam lá só suas almas. Mas como as almas são espirituais, não as podemos ver. Então representamos seus corpos.

   E assim, este quadro representa a alma de Jesus Cristo aparecendo às almas cativas no Limbo dos Justos.
Em primeiro plano vemos Adão e Eva de joelhos; vemos à esquerda, Abraão com a faca na mão, tendo de joelhos ao seu lado, seu filho Isaac. À direita vemos Moisés com as tábuas dos dez mandamentos.

   Em baixo do quadro, vemos o inferno onde estão os condenados e os demônios. Jesus Cristo não desceu a este lugar de sofrimentos nem ao purgatório, mas fez sentir sua ação sobre os condenados fazendo-os ver o que eles por própria culpa perderam; e mostrou-se às almas do purgatório  dando-lhes a esperança da glória.

   "Infernos" (no plural) é a mesma coisa que "lugares inferiores da terra". Em hebraico é "sheol"; em grego é "Hades". São Paulo fala claramente da descida da alma de Jesus aos "infernos" ou seja, ao lugares inferiores da terra. Na Epístola aos Efésios c. 4, 8 e 9: "Tendo subido ao alto, levou cativo o cativeiro..." Ora, que significa subiu, senão que também antes tinha descido aos lugares inferiores da terra? Aquele que desceu (Jesus), é aquele mesmo que também subiu acima de todos os céus para cumprir todas as coisas". Jesus, portanto, fez resplandecer sua entrada triunfal nos céus no dia da Ascensão com a companhia dos justos que conduziu dos lugares inferiores da terra, ou seja, "dos infernos" ou em hebraico, do "sheol" ou também do tradicionalmente chamado "Limbo dos Justos". No "Limbo dos Justos," além daqueles que o quadro acima mostra claramente, podemos incluir, por exemplo, Noé, Jacó, muitas santas mulheres, os patriarcas, os profetas, São José, numa palavra: todos os que tinham sido fiéis à lei, pondo no Messias prometido toda a esperança. Eram almas santas; o céu, todavia, estava vedado aos homens desde o pecado de Adão, e só Nosso Senhor Jesus Cristo havia de no-lo franquear, entrando nele, primeiro.

   A chegada do Salvador àquele lugar de expectativa, trouxe à todas as almas justas júbilo imenso, pois era o anúncio e o penhor da sua libertação próxima. Não é, contudo, neste dia que elas entraram no céu; ali Jesus Cristo as levaria somente no dia da Ascensão. A partir da Ascensão o Limbo dos Justos ficou vazio. Pois, todos os justos que ali estavam foram para o céu. A partir daí, as almas quando saem dos corpos (ou seja, quando se dá a morte), se estiverem inteiramente santas, vão direitas para o céu; se estiverem na graça de Deus, mas ainda manchadas com pecado venial ou pena temporal, então, vão para o purgatório, até se purificarem inteiramente e, só então, vão para o céu; se a alma estiver com pecado mortal, vai para o inferno eterno.
    

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ARTIGO 4º DO CREDO



  O quarto artigo do Credo é: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

   Vemos no alto deste quadro Pilatos sentado em seu tribunal; à esquerda, vemos representada a flagelação de Jesus; à direita, vemos Jesus pregado na cruz. 

Em baixo, vemos Jesus crucificado entre dois ladrões. Sua sepultura é representada em baixo deste quadro, no ângulo direito.

sábado, 15 de outubro de 2016

Alguns Pensamentos de Santa Teresa d'Ávila

Teresa e Rodrigo fugindo para terra de mouros
   Introdução: Havia em Ávila uma bela Basílica levantada em memória de três pequenos mártires, Vicente e as suas duas irmãs Cristela e Sabina, que haviam negado a oferecer sacrifícios aos falsos deuses em tempos dos romanos. Flagelados, submetidos ao suplício da roda, tinham perseverado nos seus louvores a Jesus Cristo até lhes arrebentarem a cabeça contra as pedras. Os pagãos tinham proibido que os enterrassem, mas uma monstruosa serpente, temida na região pelos estragos que causava, erigira-se em guardiã dos seus inocentes cadáveres; não espantara somente as aves de rapina, mas ainda os profanadores, e um judeu que se arriscara a aproximar-se só conseguira livrar-se invocando o nome de Jesus e prometendo ao monstro que receberia o batismo. Pois bem! A pequena Teresa já imaginava outra basílica em Ávila: a dos irmãos mártires Rodrigo e Teresa. Sabendo que os turcos muçulmanos matavam os cristãos, Teresa e seu irmão Rodrigo fugiram de casa à procura do martírio. Para tanto,  pensavam em ir à terra dos mouros. Este foi um dos primeiros pensamentos de Teresa: morrer mártir por amor a Jesus. Tinha ela, então, 7 anos.

  Meditemos agora em alguns pensamentos desta Doutora da Igreja, Mestra na Vida Espiritual. Mas antes quero lembrar  o dia 27 de setembro de 1970, quando Sua Santidade o Papa Paulo VI proclamou Santa Teresa, Doutora da Igreja: Finda a cerimônia, retirados os paramentos sagrados, o Santo Padre Paulo VI saudando o Prepósito Geral da Ordem dos Carmelitas Teresianos, exclamou com viva alegria: "São tão oportunos hoje os ensinamentos de Santa Teresa, que, na verdade, o relógio da Providência marcou hoje a HORA  de Santa Teresa. Ela nos ensina o caminho verdadeiro, o "caminho" da oração, da comunhão com Deus. Os demais são veredas, nem sempre chegam ao destino. O Espírito Santo deseja que voltemos ao caminho autêntico: "à oração, à vida íntima com Deus. Eis a lição que nos dá Santa Teresa, Doutora da Igreja".
   Assim sendo, ouçamo-la durante alguns instantes, guardemos no coração os seus sábios ensinamentos, meditando-os intimamente e procurando depois praticá-los com fidelidade:

"Nada te turbe, nada te espante; todo se pasa, Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza; quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta". Em português: "Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança; Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta."

"Ou sofrer, ou morrer!
  "Quando considero a glória que tendes preparada, meu Deus, para os que perseveram em fazer a Vossa vontade, quando medito nos trabalhos e dores com que a ganhou o Vosso Filho e quão mal a tínhamos merecido, e quando penso no muito que Ele merece que não se desagradeça a grandeza de amor que tão custosamente nos ensinou a amar, aflige-se a minha alma. Como é possível, Senhor, que se esqueça tudo isto e que tão olvidados estejam de Vós os homens, quando Vos ofendem? Ó Redentor meu, como é possível que assim se esqueçam de si mesmos? Oh! Como é grande a Vossa bondade se apesar disso Vos lembrais de nós! E, tendo nós caído, por Vos ferirmos com um golpe mortal, Vós esquecido disto nos tornais a dar a mão e nos despertais de frenesi tão incurável para que Vos procuremos e Vos peçamos saúde" Bendito seja tal Senhor! Bendita tão grande misericórdia! Ó alma minha! bendiz para sempre a tão grande Deus! Como é possível voltarmo-nos contra Ele?"
   "Ó Senhor, como são suaves os Vossos caminhos! Mas quem caminhará sem temor? Temo estar sem Vos servir e quando Vos vou a servir não encontro coisa que me satisfaça para pagar algo do muito que Vos devo. Parece que me quisera empregar toda nisto mas, quando bem considero a minha miséria, vejo que não posso fazer nada que seja bom, se Vós não mo concedeis".
   "´E claro que a suma perfeição não está nos regalos interiores nem nos grandes arroubamentos, nem visões, nem no espírito de profecia, mas sim em ter a nossa vontade tão conforme com a de Deus, que não entendemos Ele querer alguma coisa sem que a queiramos com toda a nossa vontade e tomemos tão alegremente o saboroso como o amargo". "Agora, ó meu Deus, livremente Vos dou a minha vontade... Cumpra-se em mim, Senhor, a Vossa vontade sempre e como quiserdes. Se me quereis com trabalhos dai-me força e que venham! Se me quereis entre perseguições e enfermidades, desonras e necessidades, não voltarei as costas, ó meu Pai!"
   "Quanto mais as verdades da fé ultrapassam a ordem natural tanto mais firmemente creio nelas e me dão maior devoção. Todas, todas as grandezas que Vós fizerdes ficam explicadas para mim por serdes todo-poderoso; neste ponto jamais tive dúvidas".
 
Transverberação de Santa Teresa d'Ávila (Escultura
de Bernini).  Um anjo transpassou seu coração com
uma seta de amor.  Morreu não de doença, mas de
amor de Deus.  Seu coração não aguentou o ardor
do amor de Deus que a consumia. 
  "Como poderei ter um amor digno de Vós, meu Deus, se Vós não o reforçais com o amor que Vós mesmo me tendes? Só o amor dá valor a todas as coisas e o mais necessário é que seja tão grande que nada o estorve para amar. Mas eu não tenho senão palavras, pois não valho para mais. Valham-me meus desejos, meu Deus, perante o Vosso divino acatamento e não olheis meu pouco merecer. Que mereçamos todos amar-Vos, Senhor! Já que se há de viver, viva-se para Vós, acabem-se os nossos desejos, e interesses. Que maior coisa pode haver do que merecer contentar-Vos? ... Eu desejo, Senhor, contentar-Vos. Mas o meu contentamento, bem o sei, não está em nenhum dos mortais. Sendo assim, não me culpareis o meu desejo. Vedes-me aqui, Senhor! Se é necessário sofrer para Vos prestar algum serviço, não recuso quantos trabalhos me possam vir na terra... Mas que farei para poder contentar-Vos, ó minha alegria e meu Deus! Já que não Vos sirvo em nada, com alguma coisa tenho de me consolar, pois se, nas grandes coisas, Vos servira, não faria caso das ninharias, Bem-aventurados aqueles que Vos servem com obras grandes! Se o desejo e a inveja que lhes tenho me fossem tomados por conta, não ficaria muito atrás em contentar-Vos; mas não valho nada, Senhor meu! Ponde Vós em mim o valor pois tanto me amais!"

   "Quando penso em Cristo devo sempre lembrar-me... do Vosso grande amor, ó Pai, que em Jesus quisestes dar-nos um penhor de tal amor. Amor gera amor: ainda que esteja muito no princípio e eu muito ruim, procuro ter bem presente esta verdade e despertar-me para amar. Quando Vós, ó Senhor, me fizerdes a mercê de me imprimirdes no coração este amor, tudo se me tornará fácil e poderei em breve passar às obras sem nenhum trabalho. Meu Deus dai-me este amor - pois sabeis o muito que me convém - pelo amor que nos tivestes e pelo Vosso glorioso Filho que, tão à Sua custa, no-lo mostrou".

  

O ideal apostólico de Santa Teresa d'Ávila

   Santa Teresa nascera em 1515 e tinha dois anos quando Lutero começou sua revolta contra a Santa Igreja. Morreu ela no ano de 1582, portanto, com 67 anos. Assim sendo teve a grande tristeza de tomar conhecimento dos estragos que Lutero e seus sequazes iam perpetrando em vários países. Eis o que ela diz no primeiro capítulo do seu livro "CAMINHO DE PERFEIÇÃO": "Nesta ocasião, tive notícias dos prejuízos e estragos que faziam os luteranos na França, e o quanto ia crescendo esta desventurada seita. Deu-me grande aflição, e, como se pudesse ou valesse alguma coisa, chorava com o Senhor, suplicando-lhe para remediar tanto mal. Parecia-me que mil vidas daria eu para salvação de uma só alma das muitas que ali se perdiam. Sendo mulher e ruim, senti-me incapaz de trabalhar como desejava para a glória de Deus. Tendo o Senhor tantos inimigos e tão poucos amigos, toda a minha ânsia era, e ainda é, que ao menos estes fossem bons. Determinei-me então a fazer este pouquinho a meu alcance, que é seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível e procurar que estas poucas irmãs aqui enclausuradas fizessem o mesmo".
"Deus te perdoe, frei João, me pintaste feia e
remelosa".
   A crise da Igreja na época era realmente muito grande e penetrara até nos Carmelos. Santa Teresa, vendo ser impossível reformar o Carmelo da Encarnação, onde era Carmelita, construiu um outro Carmelo em Ávila, o Carmelo de São José. Seu intento era seguir a  Regra Primitiva de Santo Alberto de Jerusalém. Fundou 17 Carmelos. Reformou, com ajuda de São João da Cruz, não só os Carmelos femininos, mas também os masculinos. São  chamados Carmelitas descalços(as). Pois bem, continuemos a ler Santa Teresa:
"Confiava na grande bondade de Deus, que nunca falta a quem por Ele se decide a tudo deixar. Sendo elas(as irmãs do novo Carmelo de São José) tais como eu as pintava em meus desejos, entre suas virtudes, desapareceriam minhas faltas, e assim poderia de algum modo contentar ao Senhor. E, ocupadas todas em orações pelos defensores da Igreja, pregadores e letrados que a sustentam, ajudaríamos, no que estivesse ao nosso alcance, a este meu Senhor, tão atribulado por aqueles a quem fizera tanto bem. Até parece que esses traidores pretendem crucificá-Lo de novo, deixando-O sem ter onde reclinar a cabeça. Ó meu Redentor, impossível meu coração não se afligir muito! O que se passa agora com os cristãos? Serão sempre aqueles que mais Vos devem, os que mais Vos fazem sofrer? Aqueles a quem maiores benefícios fazeis, que escolheis para amigos, aqueles entre os quais andais e com os quais Vos comunicais pelos sacramentos? Não lhes bastaram os tormentos que por eles padecestes? Certamente, Senhor meu, nada faz quem agora se aparta do mundo! Se nele Vos tratam com tão pouca lealdade, que podemos nós esperar? Merecemos, porventura, que nos correspondam melhor? Acaso lhes fizemos maiores benefícios para que nos tenham amizade? Que é isto? Que esperamos ainda, nós que pela bondade do Senhor não estamos contaminados por esta sarna contagiosa? Quanto a eles(os luteranos), pertencem ao demônio. Bom castigo  já ganharam por suas próprias mãos. Mereceram com seus deleites o fogo eterno. Lá se avenham! (Ao digitar estas palavras de Santa Teresa, me veio a mente o seguinte: Que teria sentido Santa Teresa, se naquela época o Papa elogiasse Lutero? Penso que, com certeza, ela morreria de dor). "Não deixa de partir-me o coração ao ver como se perdem tantas almas. Quisera eu não ver mais perdas cada dia e, ao menos, impedir em parte o mal. Ó minhas irmãs em Cristo! ajudai-me a suplicar isto ao Senhor, já que para este fim vos reuniu aqui.(no Carmelo de São José). Esta é a vossa vocação. Estes hão de ser vossos negócios. Estes, vossos desejos. Aqui se empreguem vossas lágrimas. Sejam estes os vossos pedidos e não, irmãs, súplicas por negócios do mundo. Rio-me e até me aflijo de ver certas coisas que nos encarregam de pedir a Deus. Querem que alcancemos de Sua Majestade rendas e dinheiro - e não raro são pessoas que, a meu ver, deveriam antes implorar a Deus graça para calcar tudo aos pés. São bem intencionadas, e condescendemos por ver sua confiança. Mas estou convencida de que nestas matérias nunca me ouve o Senhor."
   "O mundo está pegando fogo. Querem, por assim dizer, de novo sentenciar a Cristo, levantam-Lhe mil testemunhos falsos. Pretendem lançar por terra a Sua Igreja.(Aí está a verdade sobre Lutero). E havemos de gastar o tempo em pedidos que, se fossem ouvidos por Deus, teríamos talvez uma alma de menos no céu? Não, irmãs, não é tempo de tratar com Deus assuntos de pouca importância! Por certo, se não fora em atenção à fraqueza humana, tão amiga de ser ajudada em tudo - e justo é fazê-lo, quando está em nossas mãos - gostaria que se entendesse: não são essas as coisas que se hão de pedir a Deus com tanto empenho".

Carmelo da Encarnação em Ávila onde Teresa tomou
o hábito de Carmelita (1536-1563).
   Quero acrescentar aqui as belíssimas palavras do grande D. Chautard no seu extraordinário Livro "A ALMA DE TODO APOSTALADO":
   "Ordinariamente uma oração curta, mas fervorosa, contribui muito mais para apressar uma conversão do que longas discussões e excelentes discursos. Aquele que ora, trata com a CAUSA PRIMEIRA. Opera diretamente sobre ela. Tem, desta sorte, em mãos todas as causas segundas, visto como estas somente desse princípio superior recebem sua eficácia. Por isso o efeito desejado é então obtido com maior segurança e rapidez. Dez mil hereges, no dizer de uma revelação respeitável, foram convertidos por uma só oração inflamada da seráfica Santa Teresa, cuja alma ardendo em amor de Cristo não podia compreender uma vida contemplativa, uma vida interior que se desinteressasse das solicitudes apaixonadas do Salvador pela redenção das almas. "Aceitaria o purgatório, diz ela, até ao juízo final, para livrar uma só dessas almas. E que me importaria a duração dos meus sofrimentos, se assim pudesse livrar uma só alma e sobretudo muitas para maior glória de Deus". E, dirigindo-se às suas religiosas: "Dirigi para este fim inteiramente apostólico, minhas filhas, vossas orações, vossas disciplinas, vossos jejuns, vossos desejos".

Santa Teresa d'Ávila: Alguns pensamentos de fé e confiança em Deus

Teresa de Ahumada e Cepeda nasceu em Ávila, Espanha
em 1715 e morreu em Alba de Tormes em 1582.  Entrou
para o Carmelo da Encarnação em Ávila no ano de 1536;
tomou o nome de Irmã Teresa de Jesus.
Em 1563 sai definitivamente do Carmelo da Encarnação
e passa a residir no Carmelo de São José, por ela fundado
para  aí seguir a Regra Primitiva do Carmelo. Juntamente
com São João da Cruz ela é a reformadora do Carmelo. 
     "Ó Senhor, bem longe de me espantar diante das Vossas obras, elas são para mim mais um motivo para Vos louvar. Quanto mais estas obras são dificultosas de entender, mais devoção me inspiram e tanto mais quanto mais dificultosas são... Assim, quanto mais as verdades da fé ultrapassam a ordem natural tanto mais firmemente creio nelas e me dão maior devoção. Todas, todas as grandezas que Vós fizerdes ficam explicadas para mim por serdes todo-poderoso; neste ponto jamais tive dúvidas".

     "Ó grande Deus, como é fraca a nossa fé!... Porque segundo a nossa maneira de ser, se não nos dão o que queremos - com este livre arbítrio que temos - não admitiremos o que Vós nos dais, ainda que seja melhor... Não, meu Deus, não; não quero ter mais confiança em coisa que eu possa querer para mim! Escolhei Vós para mim o que quiserdes, que isso quero eu, pois todo o meu bem está em Vos contentar. E se Vós, Deus meu, me quisésseis contentar a mim, cumprindo tudo o que pede o meu desejo, vejo que iria perdida".

     "Ó Senhor e Deus meu, em nós está tão morta a fé que acreditamos mais no que vemos do que no que ela nos diz; e na verdade não vemos senão desventuras naqueles que vão atrás destas coisas sensíveis!...Se aparecem grandes dificuldades, que não fará o demônio para nos acobardar? Pelo menos, enfraquece a fé e leva-nos a não acreditar que Vós sois poderoso para fazer obras superiores ao nosso entendimento; é um grande dano!
     "Bendito sejais, meu Deus! Confesso o Vosso grande poder. Sim, bem sei que sois poderoso e que há de impossível a quem tudo pode? Embora miserável, creio firmemente que podeis o que quereis e quantas maiores maravilhas ouço dizer de Vós, e considero que podeis fazer ainda maiores, mais se fortifica a minha fé e com maior determinação creio que o fareis. E por que admirar-nos do que faz o Todo-Poderoso?"

     "Senhor meu, como sois um amigo verdadeiro e poderoso que podeis quanto quereis e nunca deixais de amar a quem Vos ama! Louvem-Vos todas as criaturas, Senhor do mundo! Quem desse vozes para dizer quão fiel sois a Vossos amigos! Todas as coisas faltam, Vós, Senhor de todas elas, nunca faltais. Pouco é o que deixais padecer a quem Vos ama. Que delicada, doce e saborosamente os sabeis tratar! Oh! Quem nunca se tivesse detido a amar ninguém senão a Vós! Parece, Senhor, que se provais com rigor a quem Vos ama é para que, no extremo do trabalho se entenda o maior extremo do Vosso amor. Deus meu, quem tivesse entendimento e letras e novas palavras para encarecer Vossas obras como as entende a minha alma! Falte-me tudo, Senhor meu, mas se Vós não me desamparais, eu não Vos faltarei a Vós! Levantem-se contra mim todos os letrados, persigam-me todas as coisas criadas, atormentem-me os demônios, não me falteis Vós, Senhor, que eu já tenho experiência do lucro com que deixais a quem só em Vós confia!"

O Espírito Apostólico das três Teresas Carmelitas

   Refiro-me às três santas carmelitas: Teresa d'Ávila, Teresa de Lisieux, Teresa dos Andes.

Teresa menina, pintada como carmelita.

   SANTA TERESA D'ÁVILA:
   "Tende compaixão de mim, meu Deus, ordenai de modo a que eu possa cumprir em algo os meus desejos, para Vossa honra e glória. Não Vos recordeis do pouco que mereço e da baixeza da minha natureza! Não fostes Vós, Senhor, poderoso para fazer que o grande mar se retirasse, e o grande Jordão deixasse passar os filhos de Israel? Alargai, Senhor, o Vosso poderoso braço; resplandeça a Vossa grandeza em coisa tão baixa, para que entendendo o mundo que nada posso, Vos louvem a Vós. Custe-me o que custar, pois isso quero, e daria mil vidas, se tantas tivera, para que uma só alma Vos lembrasse um pouco mais. Dá-las-ia por bem empregadas e entendo com toda a verdade que nem mereço padecer por Vós um trabalho muito pequeno, quanto mais morrer. Mas vede, Senhor, já que sois Deus de misericórdia, tende-a desta indigna pecadora, deste miserável verme que assim se atreve conVosco! Vede, Deus meu, os desejos e as lágrimas com que isto Vos suplico e olvidai os meus pecados por quem sois, e tende lástima de tantas alma que se perdem e favorecei a Vossa Igreja. Não permitais, Senhor, mais danos na cristandade; dai luz a tantas trevas!"
Santa Teresinha do Menino Jesus.
No claustro do Carmelo de Lisieux.
  
   SANTA TERESA DE LISIEUX:
   "Ser Vossa esposa, ó Jesus... ser, pela união conVosco a mãe das almas, já me devia bastar... Contudo sinto em mim outras vocações, sinto a vocação de guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de doutor, de mártir; enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por Vós, Jesus, todas as obras mais heróicas... Sinto na alma a coragem de um Cruzado, quereria morrer num campo de batalha em defesa da Igreja... Quereria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores... Quereria percorrer a terra, pregar o Vosso nome e plantar no solo infiel a Vossa Cruz gloriosa... Mas acima de tudo, ó meu Bem Amado Salvador, quereria derramar o sangue por Vós até à última gota... O martírio, eis o sonho da minha juventude! Mais uma vez, sinto que o sonho é irrealizável, pois não poderia limitar-me a desejar um só gênero de martírio... Para me satisfazer precisaria de todos... Ó meu Jesus! que respondereis a todas as minhas loucuras?... Existirá acaso alma mais pequenina, mais impotente do que a minha?! Contudo exatamente por causa da minha fraqueza, tivestes por bem, Senhor, satisfazer as minhas aspiraçõezinhas infantis, e quereis agora, satisfazer outras aspirações mais vastas do que o universo... Compreendo que só o Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue... Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares... numa palavra, que era Eterno!... Ó Jesus, meu Amor... a minha vocação... encontrei-a finalmente, a minha vocação é o Amor! Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu... no coração da Igreja, minha mãe, serei o Amor... Assim serei tudo, assim será realizado o meu sonho".

Juanita Fernández Solar, estudante.
   SANTA TERESA DOS ANDES: ( Extraído de sua composição literária: "Demolidores e Criadores):
   "Há um poder sempre reinante, uma dinastia que não conhece ocaso, uma luz que jamais se extingue, e esse poder foi sempre combatido, essa dinastia, sem cessar, perseguida, essa luz esteve continuamente circundada de trevas. Eis aqui a eterna história do poder da Igreja, da dinastia do Papado, da luz, da verdade. Enquanto tudo passa e fenece a seus pés, a Igreja se mantém erguida, porque está sustentada pelo poder do alto.
   Corramos o pano de fundo do cenário dos povos modernos e veremos que, em cada século, os filhos da Igreja têm de levar a seus lábios a trombeta guerreira. Essa luta não terminará, porque é eterno o antagonismo entre a sombra e a luz. Enquanto os filhos da sombra destroem, os filhos da luz recriam. Daí o título que adotamos: "Demolidores e criadores".
I


   "O que se passa no século XVI? Os países da Europa se incendeiam no fogo de guerra fratricida. Na Alemanha um astro sinistro se interpõe entre as almas e o sol da verdade. Lutero e seus sequazes dão o grito de guerra. O alvo de seus ataques é a autoridade da Igreja. Crede o que quiserdes!... Qual é o fruto desta rebelião? A destruição da comunhão de idéias. As nações se vêem inundadas de sangue, as almas envoltas nas trevas do erro, e a heresia, como rio a transbordar, arrasta as massas populares, a nobreza, os tronos e até os ministros do altar. Os canais por onde Deus derrama as graças sobre as almas estão, pois, envenenados.
   Mas será possível que o mundo pereça? Não. Um novo astro surge no horizonte: é o ferido de Pamplona, Inácio de Loyola, que cai como soldado de um rei terreno e se levanta como guerreiro do Rei do céu. Vede-o alistar uma Companhia que não há de manejar o canhão nem empunhar a espada. Quereis conhecer suas armas? O crucifixo! Sua divisa? A maior glória de Deus! Seus soldados se espalham por toda a parte e, portadores da luz da verdade, vão deixando atrás de si um rastro luminoso: derramam luz na Europa, na controvérsia, na pregação, no ensino; derramam luz nas Índias com Francisco Xavier, que regenera nas águas do batismo milhões de almas; derramam luz os soldados do nova milícia aonde quer que dirijam seus passos.

Santa Teresa dos Andes, Carmelita.
II
   "Passemos a página do século XVI e veremos no século seguinte o mesmo espetáculo de sombra e luz, de demolidores e criadores. No século XVII vemos destacar-se entre as sombras uma figura de aspecto rígido e severo: Jansênio, que lança o gelo e a sombra por onde passa. A chama do amor vacila e acaba por extinguir-se com um grito ímpio: Cristo não morreu por todos! Já não apresenta o Crucifixo com os braços estendidos para receber a todos, a todos sem exceção, mas com os braços entreabertos para receber alguns e rejeitar os demais. "Fugi do Deus Sacramento, pois podeis afastar sua vontade por causa de vossa indignidade. Fugi, fugi!", clamam os demolidores do século XVII. E as almas, aterradas, fogem... e se esfriam e se perdem...
   Deus estava ferido no mais delicado de seu amor... O Verbo pronuncia uma vez mais a palavra criadora que vai fazer brilhar a luz no meio das trevas. Em Paray-Le-Monial se levanta um sol esplendoroso e vivificante: Jesus Cristo mostra a uma humilde visitandina seu Coração aberto, abrasado em chamas de amor; queixa-se do esquecimento dos homens e os chama todos com insistência. A legião jansenista grita: "Fugi, fugi!"... A voz de Paray-Le-Monial clama entretanto: "Vinde, vinde!" A negra bandeira do terror cederá diante do belo estandarte do amor. Isto é tudo? Não. Ali está o grande apóstolo da caridade, São Vicente de Paulo, que, à imitação do divino Mestre, chama o pobre, o enfermo, a criança. Para todos há lugar em seu coração. Sua bela legião de Irmãs da Caridade arranca ao inferno milhares de almas no instante supremo. O amor desterrado reanima as almas. A luz tira os espíritos das sombras. O coração divino de Jesus e o coração deificado de Vicente de Paulo falam de amor: de amor infinito, um; e de compaixão até o heroísmo, o outro".

III

   "A luta não terminou. O inimigo espreita sempre a Igreja. A tempestade é mais terrível que nunca no século XVIII. Os corifeus da maldade - Voltaire e Rousseau - se mostram, o primeiro com o sorriso zombeteiro nos lábios e a blasfêmia na pena; o segundo, com o sofisma e a confusão nas idéias; e ambos com a corrupção no coração. Os pretensos filósofos querem explicar tudo racionalmente, e proclamam diante do mundo que não há Deus, e arrancam Cristo do coração de nobres e plebeus, e ainda se atrevem a arrancá-lo do coração da criança. Detende-vos, infames! Está bem cheia vossa medida. Esse santuário de inocência não pode ser traspassado. Estas crianças pertencem a Jesus Cristo! Um apóstolo se levanta em nome do Deus da infância. João Batista de La Salle funda as escolas cristãs, encerrando no coração das crianças desvalidas a chama da fé que se extingue por toda a parte.
   Guerra ao Papa! É o grito da falange mortífera. E, em seu frenético entusiasmo, diz que já não haverá quem suceda ao mártir da impiedade, Pio VI. Mas não griteis tão alto. Deus disse que as portas do inferno não prevalecerão e escarnecerá de vossos desígnios. Vede sentado e estabelecido no trono um novo Papa. Lançastes a vossa nobre nação sobre o patrimônio de São Pedro, e eis que os cismáticos cumprem, inconscientemente, sua missão: eles arrojam o invasor e, sob a segurança de suas armas vencedoras, a Igreja nomeia um novo piloto: é Pio VII.

   CONCLUSÃO

   "Oh! Igreja, teu poder jamais será destruído! As trevas cobriram a face do universo na aurora dos tempos, e ao Fiat lux, fugiram vencidas. Mais tarde, as sombras da idolatria cobriram o mundo antigo. Veio o Verbo e dissipou as trevas, porque o Verbo era a Luz. Hoje as sombras cobrem de novo o orbe cristão. Mas aí está a palavra de Cristo, Verdade eterna: "Aquele que me segue e cumpre minha palavra não anda nas trevas". Oh! Palavra de vida! A Ti amor eterno, a Ti eterna fidelidade!"

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

REGRA "PRIMITIVA' da Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo

Como neste carmelo, pela graça de Deus, vamos seguir na íntegra a Sagrada Tradição da Santa Madre Igreja e também da Ordem Carmelitana, pensei em levar ao conhecimento de todos, especialmente daquelas que se sentem chamdas à vida de carmelita, a Regra "Primitiva" de Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém. Pois, nela se inspirou Santa Teresa d'Ávila para reformar a Ordem Carmelitana.


Carmelo construído pelo Padre Elcio Murucci em Varre-Sai, RJ-Brasil

1.     Alberto, por graça de Deus, Patriarca de Jerusalém, aos queridos filhos em Cristo B(rocardo) e demais religiosos eremitas que vivem debaixo da sua obediência no Monte Carmelo, junto à fonte (de Elias) , saúde no Senhor e bênção do Espírito Santo.

2.     Em diferentes ocasiões e de diversas maneiras (cf.Hb 1,1) os santos Padres estabeleceram de que forma cada um, em qualquer Ordem ou modo de vida religiosa que escolha, haja de viver em obséquio de Jesus Cristo (cf. 2Cor 10,5), servindo-o fielmente com puro coração e reta consciência (cf. 1Tm 1,5). Mas como nos pedis que, segundo o vosso propósito, vos demos uma fórmula de vida que estejais obrigados a guardar daqui por diante.

3.     Determinamos primeiramente que tenhais um de vós mesmos por Prior, o qual seja eleito para este ofício por unânime consentimento de todos, ou da maior e mais qualificada parte, ao qual cada um de vós prometa obediência; e depois de a ter prometido, procure verdadeiramente guardá-la com as obras (cf. Jo 3,18) com castidade e pobreza. 

4.    Podereis habitar nos ermos ou lugares que vos forem dados, dispostos e acomodados para a observância de vossa Religião, segundo o que parecer mais conveniente ao Prior e aos Religiosos.

5.     Além disso, no sítio em que houverdes de habitar, cada um de vós tenha uma cela individual separada, conforme lhe for assinalada por ordem do mesmo Prior, com o consentimento dos demais irmãos ou da parte mais prudente.

6.     Todavia tomareis, num refeitório comum, os alimentos que vos forem dados, ouvindo todos juntos uma lição da Sagrada Escritura, onde isto comodamente se possa observar.

7.     A nenhum  irmão seja lícito, sem licença do Prior atual, mudar ou trocar com outro o lugar que lhe foi designado.
        A cela do Prior esteja à entrada do convento, para que ele seja o primeiro que acorra a receber os que a ele vierem, e de seu arbítrio e disposição dependa tudo o que se houver de fazer.

8.     Permaneça cada um na sua cela ou junto dela, meditando dia e noite na lei do Senhor (cf. Sl 1,2; Js 1,8) e velando em oração (cf.Pd 4,7), a não ser que se ache legitimamente ocupado em outros afazeres.

9.     Os que souberem recitar as Horas canônicas com os clérigos as recitarão conforme os estatutos dos santos Padres e o costume pela Igreja aprovado.
         Aqueles que as não souberem recitar dirão por Matinas vinte e cinco vezes o Pai-Nosso, exceto nos domingos e festas solenes, em cujas Matinas determinamos que se dobre o dito número, de sorte que se diga o Pai-Nosso por cinqüenta vezes. Pelas Laudes matutinas, dir-se-ão sete e outras tantas por cada uma das outras Horas, exceto Vésperas, pelas quais se rezará quinze vezes a dita oração.

10.    Nenhum irmão diga que tenha alguma coisa própria, mas tudo entre vós seja comum (cf. At 4,32; 2,44)e se distribua por mão do Prior ou do irmão por ele escolhido para esse ofício,  dando a cada um o que lhe faltar (cf. At 4,35), ponderando as idades e necessidades de cada um.

11.    Ser-vos-á lícito, porém, ter jumentos ou mulos, segundo o pedir a vossa necessidade, como também alguns animais ou aves para a nutrição.

12.    Edifique-se uma capela no meio das celas, onde mais comodamente for possível, na qual deveis reunir-vos todos os dias de manhã para ouvir missa, onde isso comodamente se puder fazer.

13.    Nos domingos ou em outros dias, sendo necessário, tratareis da conservação da Ordem e da saúde das almas, onde também, mediante a caridade, sejam corrigidos os excessos e culpas em que os irmãos tiverem incorrido.

14.    Jejuareis todos os dias, exceto nos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o dia da Ressurreição do Senhor, caso alguma enfermidade ou debilidade do corpo, ou outra justa causa não persuada a que se deixe o jejum, porquanto a necessidade não tem lei.

15.    Abster-vos-eis de comer carne, não sendo para remédio de enfermidade ou debilidade do corpo.
         Mas porque vos é necessário mendigar com mais freqüência, para que não sejais incômodos e pesados às pessoas que vos hospedarem, quando fizerdes jornada podereis, fora de vossas casas, comer coisas cozidas com carnes; e, navegando, ser- vos-á lícito, no mar, o uso da carne.

16.    Porque a vida do homem sobre a terra é uma contínua tentação (cf. Jó 7,1) e os que piamente querem viver em Cristo padecem perseguições (cf. 2Tm 3,12), e também porque o demônio , vosso adversário, como um leão rugindo, anda em continuado giro, buscando a quem devorar (cf. 1Pd 5,8), procurai com o maior cuidado  vestir-vos das armas de Deus para poderdes resistir a seus assaltos (cf. Ef 6,11).
     Cingi , pois, os vossos corpos com o cinto da castidade (cf. Ef  6,14) e fortalecei vosso peito com pensamentos santos, pois está escrito: "A consideração santa te guardará" (cf. Pr 2,11 segundo os LXX). Deveis vestir a couraça da justiça (cf. Ef 6, 14) para que, com todo o vosso coração, com toda a vossa alma e com toda a vossa fortaleza, ameis o Senhor vosso Deus (cf. Dt 6, 5) e ao próximo como a vós mesmos (cf. Mt 19,19; 22, 37, 39).
     Em todas as ocasiões haveis de armar-vos com o escudo da fé, com a qual possais rebater e extinguir os incendidos golpes do inimigo (cf. Hb 11,6), Ponde sobre vossa cabeça o capacete da salvação (cf. Ef. 6, 17) para que só do Salvador, que salva o seu povo de todos os pecados, espereis salvação (cf. Mt 1, 21).
     A espada, porém, do espírito, que é a palavra de Deus (cf. Ef 6,17), esteja sempre abundantemente ( cf. Cl 3,16) em vossa boca e em vossos corações (cf. Rm 10,8), e tudo quanto fizerdes, fazei-o em nome do Senhor (cf. Cl 3,17; 1Cor 10,31).

17.    Deveis também empregar-vos em algum trabalho, para que o demônio vos ache sempre ocupados e não tome ocasião de vossa ociosidade para entrar em vossas almas. Para isso, tendes a instrução e o exemplo do Apóstolo São Paulo, por cuja boca falava Jesus Cristo (cf. 2Cor 13,3), o qual Deus constituiu pregador e doutor das gentes em fé e verdade (cf. 1Tm 2,7), e seguindo os seus passos não podereis errar.
    "Em trabalho e fadiga", diz ele, "estivemos entre vós, trabalhando de dia e de noite para não sermos de algum peso ou incômodo. Não porque o não pudéssemos fazer, mas para vos dar exemplo do que deveis imitar. Isto mesmo vos intimávamos quando, estando convosco, vos dizíamos que quem não quer trabalhar não coma. E porque temos ouvido entre vós que alguns andam ociosos, sem trabalhar coisa alguma, a estes admoestamos e regamos em Nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando em silêncio, comam o seu pão" (cf. 2Ts 3,7-12). Este caminho é bom e santo, caminhai por ele (cf. Is 30,21).

18.    Recomenda o Apóstolo o silêncio quando nele mesmo manda trabalhar (cf. 2Ts 3,12), assim como o Profeta testifica que o culto da justiça é o silêncio (cf. Is 32,17), e noutro lugar: "No silêncio e na esperança estará a vossa fortaleza" (cf. Is 30, 15).
     Por isso determinamos que,  depois das Completas, guardeis silêncio até o fim da Prima do seguinte dia. No mais tempo, ainda que não seja tão rigorosa a sua observância, contudo se evite com diligência todo o excesso no falar, pois está escrito e ensina a experiência: "No muito falar não faltará pecado" (cf. Pr 10,19). E: "Quem é inconsiderado em suas palavras experimentará danos" (cf. Pr 13,2). E também: "Aquele que fala muito ofende a sua alma" (cf. Eclo 20,8). E o Senhor diz no Evangelho: "De toda palavra ociosa que os homens disseram darão conta no dia do Juízo" (Mt 12,36).
     Faça, pois, cada um de vós uma balança para as suas palavras, e freios retos para a sua boca, a fim de não pecar e cair pela sua língua, de sorte que seja incurável e mortal a sua queda (cf. Eclo 28,29e 30); guarde com o Profeta os seus caminhos para que não peque com a sua língua (cf. Sl  38,2), e procure com diligência e cautela guardar o silêncio, no qual está todo o culto da justiça (cf. Is 32,17).

19.    Tu, porém, B(rocardo), e qualquer outro que depois de ti for eleito Prior, tem sempre na lembrança e põe por obra o que o Senhor diz no Evangelho: "Todo aquele que quiser ser o maior entre vós será vosso ministro, e o que entre vós quiser ser o primeiro será vosso servo" (Mc 10, 43-44; cf. Mt 20, 26-27).

20.     Vós também, demais irmãos, honrai com humildade o vosso Prior, considerando nele Jesus Cristo, que o pôs sobre vossas cabeças e diz aos Prelados da Igreja: "Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza a mim despreza" (Lc 10,16), para que não sejais julgados pelo desprezo, mas para que mereçais, pela obediência, o prêmio da vida eterna.

21.     Tudo isto vos escrevemos brevemente, determinando a forma e regra do vosso Instituto, conforme a qual deveis viver. Mas, se alguém fizer mais alguma coisa do que isto, o Senhor, quando vier a julgar, dar-lhe-á a paga. Use-se, porém, de discrição, que é a reguladora das virtudes.

Observação: Esta regra foi entregue por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, aos Carmelitas, entre os anos de 1206 e 1214. Aprovou-a primeiramente Honório III em 30 de janeiro de 1226. Logo a sancionaram Gregório IX, em 6 de abril de 1229, e Inocêncio IV, em 8 de junho de 1245. Por fim, ratificou-a este último Pontífice em 1º de outubro de 1247. Seguimos aqui o texto como presente na bula "Quae honorem Conditoris (Reg. Vat. 21, ff. 465v-466r). As citações bíblicas foram acrescentadas. Faltam também  no Registro original, os números dos artigos.