sábado, 31 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE - ( V )

O SUJEITO DA INFALIBILIDADE
   Sujeito da Infalibilidade significa aqueles a quem Nosso Senhor Jesus Cristo confiou o poder de ensinar, e prometeu a Infalibilidade. São dois: a) O Papa. b) Os bispos em comunhão com o Papa.
   Vamos explicar ambos; mas antes vamos falar sobre o Magistério Eclesiástico. Na verdade, Nosso Senhor Jesus Cristo deu a Sua Igreja três poderes: 1º - de governar; 2º - de ensinar; 3º - de santificar.
   Em primeiro lugar, vamos ver mais detalhadamente em que consiste o poder de ensinar. Em outras palavras, vamos tratar do Magistério da Igreja, isto é, MAGISTÉRIO ECLESIÁSTICO.

MAGISTÉRIO ECLESIÁSTICO

   A Teologia Tradicional formula a seguinte tese: "O Magistério autêntico e vivo, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, é infalível ao transmitir a doutrina revelada".

   Explicação das palavras: Magistério autêntico: isto é, aquele que é concedido e firmado por um poder legítimo. Portanto, para que alguém ensine autenticamente é preciso uma delegação legítima para ensinar.
   Devemos observar que o simples magistério autêntico eclesiástico não é necessariamente um magistério infalível. Por exemplo: cada bispo tomado isoladamente e mesmo os bispos reunidos num concílio e até mesmo o Romano Pontífice, podem ensinar autenticamente, sem que a doutrina seja proposta infalivelmente; porque para isso (isto é, propor de maneira infalivel) requer-se pelo menos a intenção de ensinar alguma doutrina como infalível. Além desta intenção são requeridas ainda outras condições, como veremos depois.
   Vamos aqui, mais uma vez, explicar melhor o que é infalibilidade.
   DEFINIÇÃO DE INFALIBILIDADE: Infalibilidade é uma prerrogativa sobrenatural, que a Igreja docente (isto é, que ensina) goza em virtude de uma assistência divina, pela qual ela não pode errar (nem de fato nem de direito) ao propor uma doutrina revelada. Em duas palavras: é imunidade de erro. Não pode errar.
   Por que dissemos que a infalibilidade é uma prerrogativa sobrenatural? Porque o homem por sua natureza é falível, portanto, precisa de uma graça especial para não errar quando ensina.
Por que dissemos na definição: da Igreja docente? Porque aqui se trata da infalibilidade ativa. Pois, existe a infalibilidade  passiva, isto é, a infalibilidade da Igreja discente, isto é, infalibilidade daqueles que aprendem. A infalibilidade da Igreja docente é chamada ativa porque deve influenciar nos fiéis.
   A infalibilidade da Igreja discente é chamada passiva porque recebe a doutrina infalível da Igreja docente. Em outras palavras: a adesão por parte dos fiéis à doutrina proposta pela Igreja docente de modo infalível, faz com que a Igreja discente que aceita, se torne infalível. Depois vamos, se Deus quiser, explicar isto melhor, ao falarmos do "Sensus Fidei". Pelo que acabamos de expor, observemos de passagem, que não é vício capital de orgulho, conservar com firmeza, as verdades que a Santa Madre Igreja sempre nos propôs como infalíveis; mas, pelo contrário, é a virtude da fé, pela graça de Deus.
   Por que dissemos na definição: em virtude de uma assistência divina? Porque a assistência divina é causa eficiente. Portanto, a infalibilidade não vem nem da ciência, nem da santidade do sujeito, nem do talento natural.
   Por que dissemos na definição: ao propor uma doutrina revelada? Porque o objetos em torno do qual o Magistério autêntico da Igreja se diz infalível, são a doutrina revelada e todas aquelas que são necessariamente conexas com as verdades reveladas. Por exemplo: A imortalidade da alma é uma verdade revelada, é um dogma, e portanto, objeto direto da infalibilidade. A espiritualidade da alma é uma verdade necessariamente conexa com a imortalidade da alma, e portanto, é indiretamente, objeto da infalibilidade.
   Para terminar a explicação dos termos da definição de infalibilidade, quero lembrar mais uma vez que infalibilidade não significa que o sujeito (o papa e/ou os bispos em comunhão como o papa) seja onisciente, isto é, saiba todas as coisas; ou seja impecável, isto é, que não peca nunca. Só Deus é onisciente e não comunicou a onisciência a ninguém; e entre as criaturas humanas, só Nossa Senhora foi impecável.
  Ainda falta explicar por que na Tese sobre o Magistério Eclesiástico se diz Magistério VIVO?
   Antes de responder, devemos saber que os modernistas atualmente dizem Magistério Vivo num sentido ambíguo. Isto aconteceu sobretudo depois do Concílio Vaticano II. Para os modernistas o dogma deve evoluir segundo os tempos e as circunstâncias; e a Igreja deve estar sempre procurando se adaptar as novidades que o Povo de Deus vivencia, criando-as pelo sentimento religioso que vem do coração. As palavras: evolução, novidades, progresso, vivência, são capitais para os modernistas. Em outras palavras: o Magistério da Igreja é vivo, segundo os modernistas, porque tem que acompanhar o progresso do mundo. Os modernistas dizem que a Igreja é infalível, enquanto aprova as opiniões comuns do Povo de Deus. Portanto, invertem os papéis.
   Observação: Depois, ao tratarmos do Concílio Vaticano II, vamos explicar que o "aggiornamento" desejado por João XXIII, naquele concílio, era no sentido tradicional. Inclusive o Papa João XXIII, hoje Santo, que convocou o Concílio Vaticano II, havia incumbido alguns cardeais de confiança como o Cardeal Ottaviani, de preparar os esquemas do Concílio. Por exemplo, foi feito um esquema sobre a Igreja e lá fala do Magistério da Igreja. É o capítulo VII, "De Ecclesiae Magisterio", da 2ª parte do esquema "De Ecclesia", proposto pela Comissão de Teologia preparatória para o Concílio.O Cardeal Ottaviani era o presidente desta Comissão Teológica. Na confecção deste esquema sobre a Igreja trabalharam 31 membros, mais 36 consultores pertencentes a 15 nações, a maioria professores de universidade ou que ensinavam em grandes instituições eclesiásticas do mundo inteiro. Cada um deles estava credenciado por várias publicações de grande valor, algumas das quais eram utilizadas como manuais nos seminários e universidades. E levaram em conta até o lado pastoral do Concílio. Acontece que os modernistas queriam outra coisa, como veremos mais tarde, se Deus quiser.
   Vê-se claramente que o Papa João XXIII pretendia fazer como fizera o beato Pio IX no Concílio Vaticano I. Só que no Concilio Vaticano I não foram mudados os esquemas preparatórios por outros; e no Vaticano II, infelizmente foram mudados. Neste ponto o Papa João XXIII não teve a mesma força que teve o Papa Pio IX.  Vejam o que fizeram no Vaticano II: Dos 11 capítulos do esquema "De Ecclesia", ficaram só 4 e mesmo assim inteiramente mudados. O Capítulo VII sobre o Magistério foi simplesmente morto antes de nascer. Neste Capítulo VII não há nada de ambíguo: está inteiramente correto à luz da Tradição. E são grandes teólogos tradicionais que o afirmam. Lá diz: "Magistério Perene e Vivo". D. Antônio de Castro Mayer nos dizia que o seu grande amigo, o cardeal Ottaviani ficou triste e revoltado com esta troca dos esquemas e isto feito na última hora). Costumo dizer que os Modernistas trabalham muito mas onde não se deve: são como as formigas. O Cardeal Ottaviani, que era o Presidente da Comissão Teológica Preparatória, alertou várias vezes que havia muitas ambiguidades naqueles novos esquemas. E uma delas é o "subsistit in". Hoje já foi dado o sentido correto (embora até grandes teólogos tenham dificuldade em entender o emprego desta expressão) mas não foi retirada a expressão que deu azo ou espaço a tantos erros. Na minha opinião foi uma ponte para o ecumenismo, a ideia central de todo o Concílio Vaticano II.
   No próximo post, veremos o que escreveu D. Antônio de Castro Mayer sobre o Magistério Perene e Vivo.
  

 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA ( IV )

   EXPLICAÇÕES DA TEOLOGIA SOBRE INFALIBILIDADE
   Que vem a ser propriamente INFALIBILIDADE?
   Com relação à Igreja, infalibilidade é não poder a Igreja alterar a doutrina do Seu Divino Mestre, nem poder enganar-se sobre o verdadeiro sentido do que o mesmo Divino Mestre lhe ensinou, ordenou ou proibiu.
   É verdade que só Deus é infalível por natureza; mas pode Ele muito bem, por uma providência especial, conceder este privilégio a outro e proteger ou defender do erro aos que em Seu nome estão encarregados de ensinar, de tal forma que nunca neste ensino se apartem da verdade. E foi o que Deus realmente fez, dando ao seu magistério o dote da infalibilidade.
   A infalibilidade não provém de uma inspiração propriamente dita (como é o caso da Bíblia); nem vem de uma nova revelação, mas sim da uma ASSISTÊNCIA ESPECIAL concedida ou ao episcopado em união com o Papa, ou só ao Supremo Pastor para bem compreenderem e exporem a doutrina revelada por Jesus Cristo e os Apóstolos e que está contida nas Sagradas Escrituras e na Tradição. Infalibilidade não é uma moção interna miraculosa. É simplesmente uma garantia que Deus, cuja providência governa a Igreja, se digna conceder-lhes para impedir que ensinem autenticamente uma doutrina que esteja maculada de erro. E esta prerrogativa, não só não inutiliza as investigações, as controvérsias e as diligências humanas, senão também que as supõe e as exige. Vou explicar melhor. É como se o Divino Mestre dissesse aos seus representantes: "Eu estarei convosco nas vossas diligências e empenho em precisar bem a verdade, de modo que nunca proclamareis decisão alguma, que não esteja de acordo com a verdade". E assim é que somente depois de empregar todos os meios indispensáveis para não proceder com temeridade e imprudência, somente depois de ter cuidadosamente explorado as duas fontes da Revelação: a Sagrada Escritura e a Tradição, é que a Igreja (os bispos em união com o Papa) ou o Papa sozinho "ex cathedra" declara revelada uma verdade até então implicitamente encerrada no tesouro da Revelação.
   Também é preciso notar que infalibilidade é coisa inteiramente diversa da impecabilidade, que consiste em não poder alguém cometer pecado. Este privilégio foi concedido a Santíssima Virgem, mas não foi concedido aos papas. Houve papas, poucos aliás, que não foram lá modelos de virtude, infelizmente foram até viciosos. Mas devemos tomar muito cuidado neste ponto, porque há muita mentira histórica, ou seja, há muitas calúnias. O mais seguro é ler o que algum santo disse. Vamos dar apenas um exemplo. Ouçamos São João Bosco falando dos papas do século X: "O décimo século da Igreja foi assinalado por muitos deploráveis acontecimentos devidos à prepotência exercida em Roma pelo conde Adalberto e por suas filhas Marósia e Teodora. Estas duas ambiciosas mulheres introduziram no Pontificado, por meio da força, os de seu partido, sem consideração alguma a sua virtude e doutrina. Por isso, muitas vezes, fizeram-se eleições nas quais, homens de pouca ciência e de não muito bons costumes eram preferidos a outros que por doutrina e santidade eram os únicos que mereciam ser eleitos". E depois São João Bosco faz a seguinte observação: "Deve-se fazer sobressair a especial assistência que prestou Deus a Sua Igreja, posto que neste século, não houvesse heresia ou cisma, contra o qual fosse necessário convocar um Concílio Universal".
   Caríssimos e amados leitores, para que tenham uma ideia mais completa da situação, eis mais um exemplo (embora ainda no século IX). É o caso tristemente célebre do Papa Formoso que governou a Igreja de 891 a 896. O papa Estêvão VI (896-897) fez desenterrar o cadáver do papa Formoso, seu antecessor, julgou-o diante de um tribunal e depois mandou jogar o cadáver no rio Tibre. Pouco depois o próprio papa Estêvão VI foi preso e estrangulado no cárcere. É claro que em tudo isto não entra infalibilidade, mas pecados dos homens, dos quais nem os papas estão livres. Vocês já devem ter ouvido falar também do caso triste do papa Alexandre VI. Mas vamos antes meditar na palavras de São João Bosco citadas acima. Devemos só observar que em todo este século X não houve nenhum papa que até hoje fosse canonizado pela Igreja. Este triste século X foi chamado "o século de ferro".
   O Revmo. Pe. Álvaro Negromonte, célebre e erudito Diretor do Ensino Religioso na Arquidiocese do Rio de Janeiro anos antes do Concílio Vaticano II, dá a seguinte nota triste deste século X: "Morta Marósia (que, segundo São João Bosco, elegera à força papas indignos), seu filho Alberico elegeu sucessivamente, sob a influência de Santo Odon, monge de Cluny, quatro papas dignos; mas, por fim, fez eleger papa o seu próprio filho Otaviano que levou para o trono papal uma vida depravada. Mudou-se de nome, chamando-se João XII (955-964), mas não mudou de vida, sendo um dos mais indignos papas de toda a história. No entanto, continua o Padre Negromonte, nenhum papa indigno, procurou justificar seus pecados com erros doutrinários; todos guardaram intacta a pureza da Fé Católica; o que mostra como a Providência, que permite estas tormentas, vela pela Igreja. Isto deve ser frisado, porque constitui uma da mais extraordinárias vitórias da Igreja" (Cf. Hist. da Igreja, Pe. Álvaro Negromonte, p. 77 e 78, ed. de 1954. E confira também: "BREVE HISTÓRIA DOS PAPAS", livro vendido no Vaticano).

   NECESSIDADE DA INFALIBILIDADE: Um dogma fixo exige necessariamente uma infalibilidade para salvaguardá-lo. "Sem a promessa de uma assistência divina nenhum homem pode dizer a outro homem: tu hás de pensar e crer como eu. Onde não há um centro de unidade (como não há no Protestantismo) cada homem dá sua opinião, cada sábio levanta sua cátedra e funda a sua escola. E quando uma doutrina é prática (moral), quando os seus preceitos atingem a vida em todas as suas manifestações, refreiam a cobiça, mortificam a sensualidade, humilham o orgulho, é geral a oposição por causa dos interesses feridos.
   Nenhuma verdade se defende então por si só. É necessário montar-lhe ao lado uma sentinela vigilante e incorruptível que rechace assaltos, que lhe defenda a existência, a integridade, a eficácia iluminadora. Uma tocha exposta às rajadas dos ventos apaga-se; colocai-a no alto de uma torre, abrigai-a num invólucro de cristal; é farol... Divinamente assistida para repelir do tesouro da verdade qualquer mão sacrílega, ela mantém no seio da humanidade sempre aceso o farol da luz divina" (Padre Leonel Franca).
   Por isso, negar a infalibilidade, seria negar a própria Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o Magistério da Igreja para continuar sua missão, para iniciar todos os homens de todos os tempos na doutrina revelada e conservar absolutamente íntegro e intacto, qual precioso tesouro, o "DEPÓSITO" da verdade revelada (Depositum Fidei). É evidente que esse Magistério seria ilusório se pudesse correr o risco de falhar e se os fiéis não tivessem a garantia de que é o próprio Jesus Cristo, o Mestre, quem, por este meio lhes propõe Sua doutrina. Em outras palavras: O Magistério da Igreja deve ser dotado das prerrogativas da Infalibilidade.
  Caríssimos e amados leitores, em alguns posts seguidos, falaremos, se Deus quiser, do MAGISTÉRIO DA IGREJA. Acompanhem! Obrigado!

  

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA - ( III )

B - O DOGMA DA INFALIBILIDADE DO PAPA

   Nº 1836 - Antes da definição do dogma, o Concílio Vaticano I diz: "...Os Pontífices Romanos, conforme lhes aconselhavam a condição dos tempos e as circunstâncias, ora convocando Concílios Ecumênicos, ora sondando a opinião de toda a Igreja, dispersa pelo mundo inteiro, ora por Sínodos particulares ou empregando outros meios, que a Divina Providência lhes proporcionava, têm definido como verdade de Fé tudo aquilo que, com o auxílio de Deus, reconheceram ser conforme com a Sagrada Escritura e as Tradições Apostólicas. Pois o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de São Pedro para que estes sob a revelação do mesmo (=Espírito Santo), pregassem uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência conservassem santamente e expusessem fielmente o depósito da fé, ou seja a Revelação herdada dos Apóstolos. E esta doutrina dos Apóstolos abraçaram-na todos os veneráveis Santos Padres, veneraram-na e seguiram-na todos os santos doutores ortodoxos, firmemente convencidos de que esta cátedra de São Pedro, sempre permaneceu imune de todo erro, segundo a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo feita ao Príncipe dos Apóstolos: "Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos" (São Lucas XXII, 32).

     1837-  "Foi, portanto, este dom da verdade e da fé, que nunca falece, concedido divinamente a Pedro e aos seus sucessores nesta cátedra, a fim de que cumprissem seu sublime encargo para a salvação de todos, para que assim todo o rebanho de Cristo, afastado por eles do venenoso engodo do erro, fosse nutrido com o pábulo da doutrina celeste, para que assim, removida toda ocasião de cisma, e apoiada no seu fundamento, se conservasse unida a Igreja Universal, firme e inexpugnável contra as portas do inferno.

   Nº  1838 -  "Mas, como nestes nossos tempos, em que mais do que nunca se precisa da salutífera eficácia do ministério apostólico, muitos há que combatem esta autoridade, julgamos absolutamente necessário afirmar solenemente esta prerrogativa que o Filho Unigênito de Deus dignou-se ajuntar ao supremo ofício pastoral.

  Nº  1839  - (Segue-se a definição dogmática da infalibilidade do papa):  "Por isso Nós, apegando-nos à Tradição recebida desde o início da fé cristã, para a glória de Deus, Nosso Salvador, para exaltação da Religião Católica, e para a salvação dos povos cristãos, com a aprovação do Sagrado Concílio, ensinamos e definimos como dogma divinamente revelado que o Romano Pontífice, quando fala "Ex Cathedra", isto é, quando, no desempenho do ministério de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica alguma doutrina referente à fé e à moral, para toda a Igreja, em virtude da assistência prometida a ele na pessoa de São Pedro, goza daquela infalibilidade com a qual o Divino Redentor quis munir a Sua Igreja quando define alguma doutrina sobre a fé e a moral; e que portanto, tais declarações do Romano Pontífice, são por si mesmas e não apenas em virtude do consenso da Igreja, irreformáveis".

   Nº 1840  - "Se, porém, alguém ousar contrariar esta nossa definição, o que Deus não permita, seja excomungado".

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA ( II )

HISTÓRIA DO CONCÍLIO VATICANO I   (continuação)

     Já vimos que Pio IX começou a preparar o concílio há quatro anos antes, constituindo para isso uma comissão de cardeais de sua maior confiança. Por prudência foi tudo feito em segredo. Mas quando foi revelada a intenção do papa em convocar um Concílio Ecumênico e sobretudo quando ficou-se sabendo que neste concílio deveria ser definido solenemente o dogma da Infalibilidade do Sumo Pontífice, então começaram já as disputas. (Era a fase do demônio). Muita divisão! Mas Pio IX não desistiu e disse que confiava na proteção de Maria Santíssima. Apareceram três grupos: 1º - OS ANTI-INFALIBILISTAS, cujo chefe foi o padre Döllinger, sábio historiador da Igreja, teólogo e professor de História da Igreja. Infelizmente não se converteu, morreu herege e fundou a seita dos "Velhos Católicos".
   2º grupo: OS ANTI-OPORTUNISTAS: Admitiam a Infalibilidade do papa (a verdade) mas achavam que não era oportuno na época, defini-la como dogma. O chefe foi o bispo de Orléans Mons. Dupanloup e também Montalembert. Todos os anti-infalibilistas e os anti-oportunistas apresentavam como objeção os casos dos papas Libério e Honório I, sobretudo este último.
   3º grupo: OS INFALIBILISTAS: os que eram do lado do papa. Os chefes foram vários, mas vamos citar apenas alguns. Entre os bispos: D. Dechamps, bispo de Malinas; o cardeal Manning de Westminster. Entre os leigos sobressai o grande Louis Veuillot, que, como já dissemos, era um homem de fé viva e firme, de um amor ardente a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Sua Santa Madre Igreja. Seu jornal chamava-se: "L'Universe", nele Veuillot combateu o célebre bispo de Orléans Mons. Dupanloup que era liberal e escrevia no jornal "Le Français". Louis Veuillot combateu também um dos chefes do "Catolicismo Liberal", o conde e Montalembert (+ 1870). Este escrevia no jornal "L'Avenir" juntamente com Lamennais (Este era padre, apostatou-se e morreu sem se retratar). Como defendia a "Liberdade Religiosa" e não se retratou, foi excomungado pelo Papa Gregório XVI. Um dos seus livros: "Ensaio sobre a indiferença em matéria de Religião". Vejam uma das suas frases: "Todos os amigos da Religião precisam compreender que ela necessita somente de uma coisa: da liberdade". 
   O bispo D. Dupanloup, uma vez definido o dogma da infalibilidade do papa, aceitou-o plenamente. Montalembert morreu antes da definição do dogma, mas deixou preparado um escrito em que declarava morrer como filho obediente de Igreja, admitindo desde já todas as suas definições. 

REALIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO I

   Deveriam os bispos reunirem-se na Basílica de São Pedro do Vaticano e por isso chamou-se Primeiro Concílio do Vaticano ou Concílio Vaticano I. Inaugurou-se no dia 08 de dezembro de 1869 - Festa da Imaculada Conceição - achando-se presentes cerca de 770 pessoas entre bispos (como Santo Antônio Maria Claret), cardeais, abades (como D. Guerénger), gerais de Ordens Religiosas e insignes teólogos. Mais de três quartos dos que tinham direito a votos na Igreja. Neste Concílio só houve quatro sessões. O Concílio tinha 52 assuntos para serem tratados, mas não foi possível porque o papa foi obrigado a suspendê-lo por causa da guerra chamada franco-prussiana. E Roma também foi invadida. Portanto, este Concílio ficou inacabado. 
   NOTA: Acho necessário explicar alguns termos técnicos: "PADRES" do Concilio: Este termo é colocado entre aspas para significar os bispos, cardeais e outros que têm voz deliberativa, isto é, aqueles que podem votar. "PERITOS" do Concílio: são os teólogos que dão assistência aos "Padres". "OBSERVADORES"do Concilio: são os que não têm direito a voto e nem o direito de dar assistência aos "Padres". São geralmente autoridades católicas ( ou não, isto é, podem ser hereges: protestantes e ortodoxos cismáticos). Mas o termo "Observadores" também é técnico, ou seja, podem também falar apresentando suas sugestões. No Concílio Vaticano I, como vimos, não compareceram. Já no Concílio Vaticano II, não só compareceram, mas fizeram suas sugestões, como a História o comprova. Aliás, foram convidados justamente para falarem, já que a meta primordial do Concílio Vaticano II foi o diálogo ecumênico. Os Encontros de Assis são um prolongamento. (Fim da NOTA).
   A história da definição do dogma da Infalibilidade Pontifícia.
   Um esquema já retocado, foi apresentado a reunião ferial dos "Padres" do Concílio no dia 13 de julho de 1870. Dos 601 "Padres" votaram "SIM" (em latim= PLACET) 451; votaram "NÃO" (em latim ="NON PLACET) 88; e votaram "SIM" mas com correções (em latim= "PLACET JUXTA MODUM") 62 "Padres".
   Assim ficou preparado o decreto para a sessão pública solene, que seria no domingo seguinte; mas estourou a guerra franco-prussiana e os "Padres" anteciparam a sessão solene para o dia 18 de julho. Dos que se opunham, chefiados pelo bispo D. Dupanloup, 55 preferiram se retirar, do que votar "não" diante do papa. Como havia permissão para sair do Concílio por causa da guerra, aproveitaram e saíram.
   Então no dia 18 de julho de 1870 à 9 horas começou a sessão. No momento em que os "Padres" estavam dando os votos, estalou uma terrível tempestade, com trovões e relâmpagos, que durou duas horas e meia. Assistiam a sessão 535 "Padres". Só dois votaram "não" ou "non placet". Mas depois estes dois aceitaram docilmente.
   Ao sancionar Pio IX com sua suprema autoridade a constituição apostólica, contam que, passada a tempestade, um raio de sol penetrou pelas janelas e iluminou o rosto de Pio IX. No dia seguinte, por causa da guerra, o papa suspendeu o Concílio. O raio de sol penetrando na Basílica de São Pedro foi simbólico. Depois de tantas tempestades, de discussões apaixonadas, brilhou o sol da verdade e todos foram se acalmando. A definição tal como foi proclamada, dissipou muitas trevas, deu a chave da explicação de muitos fatos históricos (como dos papas Libério e Honório I) e houve por todas as partes o aplauso dos bispos e dos fiéis. Os que achavam que não era oportuna a definição do dogma da Infalibilidade - como D. Dupanloup, mais 54 bispos que saíram antes - se apressaram a escrever ao papa dando total adesão ao dogma e reconheceram que sua definição foi mais que oportuna, porque definindo os limites da Infalibilidade, resolveram-se as objeções sobretudo no caso do papa Honório I.
   Como já dissemos, o único caso triste foi do do Padre Döllinger ( que nem quis participar do Concílio) que não aceitou o dogma da Infalibilidade e portanto caiu na heresia e terminou fundando uma seita que se chamou "Os Velhos Católicos". Infelizmente este padre apóstata, herege e cismático morreu excomungado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA ( I )

  Faremos, se Deus quiser, uma série de artigos sobre a INFALIBILDADE PONTIFÍCIA.  Em primeiro lugar daremos um resumo da História e Doutrina do Concílio Vaticano I.

A - A HISTÓRIA DO CONCÍLIO VATICANO I

   Ano 1869 - 1870 inacabado. É o vigésimo Concílio Ecumênico da Igreja. Concílio Ecumênico é a reunião de todos, ou de uma grande parte dos Bispos da Igreja Católica, aos quais convoca e preside pessoalmente ou por delegação, o mesmo Sumo Pontífice. Ecumênico aqui quer dizer: de toda a Igreja.
   Quem convocou este Concílio foi o Papa Pio IX, hoje beato. (1846-1878). Chamava-se João Maria Mastai Ferretti. Foi um homem totalmente extraordinário. Não só foi extraordinária a duração de seu pontificado - trinta e um anos - mas também as consequências que este teve para a História da Igreja. Nunca houve um papa que fora tão querido dos católicos do mundo inteiro e tão respeitado pelos não católicos. É o papa da época de São João Bosco. Morreu dez anos antes de São João Bosco. E eis o que diz dele este grande santo: "Pela firmeza de sua fé, por sua caridade, por sua benevolência, por seus conselhos e por sua mansidão, tinha-se tornado a delícia do mundo inteiro e dos corações. Os próprios não católicos o consideravam qual amigo, pai, irmão e benfeitor... "Prova disto, continua São João Bosco, "a 6 de julho de 1871 completava-se o 25º aniversário de seu pontificado. Comoveu-se o mundo e todas as partes se prepararam de mil e diferentes modos para atestar ao Pontífice sua alegria e sua veneração... Deste a mais humilde aldeia até a mais ilustre cidade, os próprios protestantes, hereges e o Grão Sultão, todos compartilharam daquele grande dia. Os transportes de alegria dos católicos pela ocorrência do 25º ano de seu pontificado renovaram-se ao festejarem o 50º ano da celebração de sua primeira missa. O do seu jubileu episcopal, porém, excedeu a todos os demais acontecimentos da História Eclesiástica, e a tudo o que é possível legar à posteridade. Basta dizer que no ano de 1877, fiéis cristãos de toda idade e condições, partiam das mais longínquas regiões da terra para irem venerar ao chefe da Igreja e levar a seus pés quanto possuíam de mais precioso em trabalho da arte, em ouro, em prata ou em trabalhos científicos" (Hist. Ecl. de S. João Bosco). Foi um papa sobretudo missionário. "As Missões estrangeiras, diz São João Bosco, formaram um dos maiores objetos de seu paternal zelo".
   Pio IX foi ainda o papa que condenou os erros do Naturalismo e do Liberalismo com a Encíclica Dogmática "Quanta Cura" e o célebre "Syllabus" que, segundo vários abalizados teólogos, também é um documento dogmático. Foi Pio IX que definiu o dogma da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. É o papa, como já foi dito, que convocou e presidiu o Concílio Vaticano I e nele definiu o dogma da Infalibilidade Pontifícia. Depois destes parênteses para falarmos um pouco sobre o papa Pio IX, vamos agora fazer um resumo da história do Concílio Vaticano I.
   A História deste Concílio está intimamente ligada com a história do século XIX e de seus erros. Na Constituição "DEI FILIUS" deste Concílio Vaticano I, caíram feridos de morte os erros do Racionalismo e do Ateísmo. Na Contituição "PASTOR AETERNUS" ficaram sepultadas as idéias galicanas. (Depois vamos ver o que significa GALICANISMO).

OS ANTECEDENTES DO CONCÍLIO VATICANO I

   Quatro anos antes do Concílio (em 1865) o papa Pio IX já nomeara cinco comissões de cardeais de sua maior confiança para preparar o Concílio. Enviou a trinta e cinco cardeais dos mais conspícuos e sábios da Igreja latina seu desejo de que expusessem sua opinião sobre os temas que no Concílio se haviam de ventilar e pediu que enviassem suas respostas às comissões dos cardeais. Fez o mesmo com os bispos do rito oriental. E, por prudência, os trabalhos foram feitos em segredo.
   Pio IX, aproveitando da estima que gozava até junto aos não católicos (hereges = os protestantes e os ortodoxos cismáticos) com espírito missionário e não por falso ecumenismo, convidou-os para estarem presentes no Concílio. Declarou que seria um tempo de graças e de bênçãos para eles. Tanto os protestantes como os ortodoxos cismáticos não aceitam a Infalibilidade Pontifícia. Por isso eu disse "não por falso ecumenismo," porque o próprio Pio IX  em julho de 1871 vai dizer aos Peregrinos de Nevers "... sem dúvida, deve-se praticar a caridade, fazer o possível para atrair os extraviados; entretanto, não é necessário por causa disto compartilhar com suas opiniões".
   Quando, se Deus quiser, escrevermos sobre o Concílio Vaticano II, veremos, também baseados nas palavras do papa (no caso Paulo VI), que foi bem diferente o espírito com que foram convidados os protestantes para estarem no Concílio Vaticano II e na Comissão para elaboração do "Novus Ordo Missae".
   Diz o célebre historiador eclesiástico Llorca: "O convite do papa Pio IX aos protestantes e ortodoxos cismáticos caiu no vazio", isto é, ninguém aceitou, ninguém compareceu. Se soubessem (como aconteceu no Concílio Vaticano II e na Comissão do Novus Ordo Missae) que lá ouviriam e leriam coisas ambíquas que poderiam interpretar a seu favor, certamente teriam ido, e depois teriam aceito uma foto ao lado de Pio IX, com sorrisos de satisfação e teriam elogiado os trabalhos do Concilio e de sua Comissão talvez mais do que o fizeram os próprios católicos. É preciso que todos saibam que foram os próprios protestantes que iniciaram o movimento ecumênico no começo do século passado.
   Bom! Depois de mais estes parênteses, continuemos. Diz Llorca que certo dia, um dos familiares de Pio IX se queixava das dificuldades contra a celebração do Concílio. O Papa tranqüilo respondeu: "Todos os concílios passam por três fases: a do diabo, a dos homens e a de Deus; agora estamos na fase do diabo; não são de se estranhar as dificuldades". Efetivamente a fase do demônio no furor dos inimigos da Igreja antes do concílio e mesmo durante o concílio; a fase dos homens nas disputas demasiado acres dos teólogos e "Padres" no Concílio e fora dele. A fase de Deus resplandece em suas definições dogmáticas e na aceitação pacífica delas".
   Como já dissemos anteriormente, o Concílio Vaticano I condenou os erros do Racionalismo, do ateìsmo e as idéias galicanas. Na ordem política, Pio IX sofreu a perseguição brutal de um tal Bismark na Alemanha e um tal Cavour na Itália. Pio IX foi perseguido pelas armas por Garibaldi que invadiu os Estados Pontifícios, e o Santo Padre teve que fugir para Gaeta.
   Na ordem social: o Socialismo de Luis Blanc e o Anarquismo de Proudhon (este dizia: "A propriedade é um roubo").
   Na ordem intelectual religiosa, um homem fizera muito mal às almas: um tal de Renan que escreveu a "Vida de Jesus". (1863). Este homem, padre apóstata, foi o símbolo do racionalismo ímpio. Na época de Pio IX ( que nascera em 1792 e morreu em 1878; governou a Igreja de 1846 a 1878), os católicos estavam divididos em dois grupos: os ultramontanos que condenavam todas as tendências modernas da sociedade; e os católicos liberais (como Montalembert) que pretendiam acomodar-se às exigências modernas. E o Papa Pio IX com a Encíclica "Quanta Cura" e o "Syllabus" deu razão aos ultramontanos. Entre os ultramontanos se destacou um leigo de grande firmeza na fé e um jornalista vigoroso: chamava-se Louis Veuillot ( pronuncia-se Luí Veiô).
   Sobre a situação religiosa da época diz São João Bosco: "As doutrinas errôneas destes últimos tempos, os chamados filósofos modernos, as diferentes formas de sociedades secretas, a maçonaria, o socialismo, os livres-pensadores, os espiritistas e outras seitas semelhantes se apoderaram de tal sorte do coração e da mente dos homens que o romano Pontífice Pio IX julgou necessária a convocação de um Concílio Ecumênico.

sábado, 24 de outubro de 2015

O MAGISTÉRIO INFALÍVEL E O MAGISTÉRIO NÃO INFALÍVEL

Extraído da "INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA", escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 02 de março de 1965.

   O MAGISTÉRIO INFALÍVEL.

   Quis Jesus Cristo que sua Igreja gozasse da infalibilidade no ensino das verdades reveladas e em tudo que se torne necessário para a guarda e fiel exposição do depósito da Revelação. Esta infalibilidade reside pessoalmente no Romano Pontífice, Pastor e Mestre supremo de todos os fiéis, quando em virtude de seu cargo define doutrina atinente à Fé ou à Moral.

   De si, o magistério dos Bispos não é infalível. Quando, no entanto, eles, em comunhão com o Papa e entre si, ensinam, como autênticos mestres, matéria relativa à fé e aos costumes, de maneira que, ao ensinar, concordam moralmente todos no mesmo ensinamento, de fato enunciam infalivelmente uma doutrina revelada. O uso desta infalibilidade é ainda mais patente nos Concílios Ecumênicos, quando, em união como o Papa, agem os Bispos como Doutores e Juízes da Igreja Universal.



   O MAGISTÉRIO NÃO INFALÍVEL.

   Mesmo no Magistério eclesiástico não infalível, devem os fiéis reverência e adesão interna, de acordo com as condições do ensino. Assim, devem receber e admitir obsequiosamente o Magistério supremo do Papa, ainda quando não fale "ex cathedra", isto é, quando não tenha intuito de definir ou dirimir uma questão. A adesão a tais ensinamentos deve ser interna e leal, e se medirá de acordo com as intenções manifestadas nos mesmos, quer pela índole do documento, quer pela frequência do ensino, quer pela maneira como é ele ministrado.

   Analogicamente - bem que em grau inferior, como explanamos em Nossa Carta Pastoral sobre Problemas do Apostolado Moderno, de 6 de janeiro de 1953, Diretrizes nº 7 e 8 - é dever dos fiéis acatar, com religiosa submissão, o ensinamento do próprio Bispo, aderindo à sua doutrina, sempre que ensine, em nome de Jesus Cristo, verdades de Fé ou costumes. Tanto mais que os Pastores da Igreja, o Papa e os Bispos, não chegam a um ensino autêntico, em nome de Cristo, antes de fazer as convenientes investigações determinantes pela prudência que requerem a gravidade e as consequências da própria ação. 




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE - TIPOS DE MAGISTÉRIO ( VIII )

   Vamos explicar os dois tipos de Magistério da Igreja, expondo, de maneira bem clara e detalhada, quando é infalível e quando não é infalível, segundo a Tradição viva da Santa Madre Igreja.
   1º - MAGISTÉRIO ORDINÁRIO DOS BISPOS: é quando uma verdade é ensinada em toda Igreja como doutrina revelada. Quando que isto acontece? Um bispo isoladamente não é infalível. (Aliás, a História da Igreja mostra que muitas heresias foram inventadas por bispos). Mas, quando todos os bispos espalhados pelo mundo católico ensinam tal doutrina relativa à Fé e à Moral como contida na Revelação, aí eles são infalíveis. Vamos explicar melhor com as palavras de D. Antônio de Castro Mayer: "De si, o magistério dos bispos não é infalível. Quando, no entanto, ensinam como autênticos mestres, matéria relativa à fé e aos costumes, de maneira que, ao ensinar, concordam moralmente todos no mesmo ensinamento, de fato enunciam infalivelmente uma doutrina revelada" (Cf. "POR UM CRISTIANISMO AUTÊNTICO" p.  ). Diz-se moralmente todos porque não é necessário que sejam todos matematicamente.
   Tanto no Concílio Vaticano I (1870) como já antes em 1863, Pio IX na Encíclica "Ineffabilis Deus" sobre a Imaculada Conceição de Nossa Senhora diz o seguinte: "...Querendo proceder com toda prudência constituímos uma Comissão especial de Veneráveis Irmãos Nossos, Cardeais da Santa Igreja Romana, ilustres por piedade, por ponderação de juízo e por ciência das coisas divinas, e escolhemos entre o clero secular e o regular homens particularmente  versados nas disciplinas teológicas, com o encargo de examinarem com a maior diligência tudo o que diz repeito à Imaculada Conceição da Virgem e nos darem depois o seu parecer.
   "... Enviamos uma Encíclica a todos os Veneráveis Irmãos bispos do mundo inteiro, a fim de que, depois de orarem a Deus, nos fizessem saber, mesmo por escrito, qual era a piedade e a devoção dos seus fiéis para com a Imaculada Conceição da Mãe de Deus; O QUE ERA QUE PENSAVAM ESPECIALMENTE ELES - OS BISPOS - DA DEFINIÇÃO EM PROJETO." (aqui temos a consulta do Papa sobre o Magistério ordinário dos Bispos). E diz Pio IX que os consultados (da Comissão e os Bispos do mundo inteiro) "com voto que se pode dizer unânime, pediram-nos que, com nosso supremo juízo e autoridade, definamos a Imaculada Conceição da mesma Virgem".
   Então, acabamos de ver o que significa ou quando se realiza o Magistério Ordinário dos Bispos e quando ele é infalível. Agora vamos ver quando se dá o Magistério Ordinário dos Papas.

   2º - MAGISTÉRIO ORDINÁRIO DOS PAPAS: são todos os documentos da Santa Sé; Decretos, Encíclicas que não vêm marcados  pela nota da infalibilidade.
   Quando o Magistério Ordinário dos  Papas é infalível?
   Resposta: O Magistério dos Papas é infalível quando Papas sucessivos, por um espaço suficientemente longo, repetem nos seus Documentos do Magistério Ordinário, os mesmos ensinamentos em questão de fé e moral, ou os que estejam intimamente conexos com estas questões de fé e moral. Em outras palavras: "As Encíclicas e outros Documentos do Magistério Ordinário do Sumo Pontífice só são infalíveis nos ensinamentos corroborados pela Tradição ou seja, por uma doutrinação contínua, através de vários Papas e por longo espaço de tempo" (Cf. "POR UM CRISTIANISNO AUTÊNTICO" pp. 323 e 367). Como exemplo de Magistério Ordinário infalível, D. Antônio de Castro Mayer cita a Encíclica "Humanae Vitae" em que o Papa Paulo VI, declarando ilícito o uso dos anticoncepcionais; insere-se numa Tradição ininterrupta do Magistério Eclesiástico.
   Eu me lembro que, na época, os progressistas murmuraram contra a Encíclica, e infelizmente muitos bispos e padres não obedeceram e até hoje muitos não obedecem. O Papa Paulo VI sofreu muito com esta desobediência e foi justamente por isso que, na época, o Padre Pio, hoje São Pio, escreveu uma carta a Paulo VI, agradecendo, elogiando e procurando consolar o Santo Padre o Papa Paulo VI.

MAGISTÉRIO EXTRAORDINÁRIO
   O Magistério Extraordinário se dá em dois casos:
   1º - O Papa sozinho.
   2º - Os Bispos em união com o Papa.
   A - O Magistério Extraordinário do Papa sozinho.
   1º - Quando que é infalível: Isto acontece quando o Papa define "ex cathedra". Já vimos a definição do dogma da Infalibilidade do Papa pelo Concílio Vaticano I. Mas vamos apenas resumir. São 4 as condições:
   1ª) O objeto da Infalibilidade é bem delimitado, isto é, só questões de fé (dogma) e costumes (moral), e tudo aquilo que esteja estreitamente ligado a fé e/ou a moral.
   2ª) Quando o Papa fala "ex cathedra", isto é, no desempenho do seu cargo de Pastor e Doutor de todos os cristãos (=Doutor Universal, ou seja, como Chefe Supremo da Igreja aqui na Terra. Portanto, quando fala como pessoa particular não é infalível).
   3ª) Ele tem que definir, quer dizer, tem que resolver de modo terminante uma questão, seja ela uma questão que tenha sido discutida antes ou não.
   4ª) Não só definir, mas definir com o propósito de obrigar a Igreja inteira. O Papa indica geralmente este propósito pela sentença de anátema, que ele pronuncia contra quem negar adesão à verdade definida.

   2º - Quando o Magistério Extraordinário do Papa não é infalível?
   Resposta: quando faltar alguma  destas quatro condições acima descritas. Como dizia D. Antônio de Castro Mayer, o Concílio Vaticano I não definiu que faltando alguma destas condições o Papa continua sendo infalível. Portanto, o Concílio Vaticano I não definiu que o Papa é sempre infalível. Mas também não podemos, por isso, concluir que não entrando a infalibilidade o papa erre sempre; até devemos dizer que normalmente também não erra. Mas pode errar, sobretudo em tempo de crise na Igreja. E contra fatos não há argumentos. Já mostramos e explicamos o caso do Papa Honório I.

   B - O Magistério Extraordinário dos Bispos: Quando é infalível e quando não é infalível.
   1º) O Magistério Extraordinário Infalível dos Bispos:
   Quando todos os bispos são convocados, o Concílio Geral ou Ecumênico representa o corpo docente da Igreja: logo é infalível. Mas, é claro, o Concílio tem que ser legítimo, ou seja, deve ser convocado pelo Papa e seus   decretos têm de vir sancionados por ele pessoalmente ou por seus delegados quando estes tiverem procuração para isso.
   Com estas condições, normalmente todo Concílio Ecumênico é dogmático, e portanto infalível, a menos que o Papa que convoca (e o que o reconvoca) declarem expressamente que o Concílio Ecumênico será pastoral. Foi o caso do Concílio Vaticano II. Foi legítimo, porque convocado pelos papas, foi Ecumênico, porque todos os bispos foram convocados; mas foi um concílio fora do normal, ou atípico, porque até então os Concílios Ecumênicos foram dogmáticos.
   Houve na Igreja muitos Concílios Particulares, ou seja, dos bispos de uma Província, ou dos bispos de um país, justamente para se tratarem mais de questões pastorais. Isto é mais prático e até mais prudente, já que as necessidades pastorais não são sempre as mesmas em toda Igreja; quer dizer, cada região, cada país, e até cada diocese tem   suas questões pastorais próprias. Por exemplo, no Brasil em 1939 houve, na então Capital, a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, um Concílio Plenário dos Bispos. E  o então Sumo Pontífice o Santo Padre o Papa Pio XII o aprovou e enviou um Legado para convocar e presidir. E entre outras questões práticas, este Concílio Plenário Brasileiro procurou examinar os meios para afastar os males e danos causados pelos erros do Protestantismo e do Espiritismo. Antes do Concílio Vaticano II, em cada 20 anos, pelo menos, deveria haver um Concílio Plenário em cada país. Hoje há os "Sínodos dos Bispos" e as geralmente desastrosas "CN dos B".
   Para terminar, vamos fazer algumas observações: Voltemos aos Concílios Ecumênicos.
   A quem  fazia a objeção de que a infalibilidade dos papas  torna inúteis os Concílios Ecumênicos, Santo Afonso Maria de Ligório respondia: "Eles são úteis porque os povos aceitam mais facilmente seus decretos e porque os bispos conhecem melhor as razões destes decretos e expõem-nos mais claramente aos fiéis. Eles são úteis também para fechar a boca daqueles hereges que fazem pouco caso das definições do Papa". (Oeuvres Dogmatiques de Saint Ligori T. II, pág. 324).
   Diz ainda Santo Afonso que o Concílio sem o Papa, não pode definir nada relativo à fé. (Idem, p. 220).
   O Papa é que tem o direito de convocar um Concílio Ecumênico. Mas Santo Afonso é de opinião que em dois casos os cardeais e os bispos podem convocar um Concílio. O 1º é quando o papa é dúbio, isto é, quando há dúvida se um papa é legítimo ou é um anti-papa, como aconteceu na época do cisma do Ocidente.
   O 2º caso é quando um papa (como pessoa particular) tivesse caído de uma maneira perseverante e notória em heresia.
   No caso de papa dúbio, diz Santo Afonso, é preciso obedecer aos decretos do Concílio, porque a Santa Sé é considerada vacante. (Idem, p. 165).
   No segundo caso (de heresia) o papa seria destituìdo "ipso facto" do Pontificado, porque estaria fora da Igreja e por conseguinte não poderia ser seu chefe. Seria papa aquele que o Concílio declarasse. (Idem, p. 232).
   É preciso notar, entretanto, que são simples opiniões de Santo Afonso. E sobre esta hipótese de um papa cair em heresia como pessoa particular, há discussões intermináveis entre os teólogos. O Relator da Fé no Concílio Vaticano I, o Bispo D. Zinelli diz o seguinte: "Confiados na Providência sobrenatural, julgamos bastante provável que nunca um papa, como pessoa particular caia em heresia. Mas Deus não falta nas coisas necessárias; portanto, se Ele permitir tão grande mal, não faltarão meios para remediar tal situação". Vê-se que D. Zinelli apresenta simplesmente uma opinião piedosa. Mas como era Relator da Fé no Concílio Vaticano I, podemos supor com muita probabilidade, que o Papa Pio IX tenha aprovado esta opinião. Mas também, na verdade, não encontramos nada escrito a respeito. Pelo menos eu não consegui encontrar.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE ; MAGISTÉRIO VIVO ( VI )

   "É certo, escreveu D. Antônio de Castro Mayer, que o Concílio Vaticano I definiu que o Magistério do Romano Pontífice é infalível em determinadas condições. Não definiu que, faltando tais condições, seja  o Soberano Pontífice igualmente infalível. (sublinhado meu). Seria absurdo, no entanto, daí concluir que o Papa erra sempre que não faz uso de sua prerrogativa de infalibilidade. Pelo contrário, ainda quando não se reveste desta prerrogativa, devemos supor que ele acerte, porquanto, normalmente age com prudência e não emite sua opinião antes de muito ponderar. Para não falar nas graças especiais com que o assiste o Espírito Santo.
   "Por isso é de todo inaceitável a atitude leviana daqueles que não fazem caso dos Documentos da Santa Sé, que não vêm sigilados com a nota de infalibilidade. Pois estes documentos obrigam a uma aceitação interna que só poderia ser recusada na hipótese de haver engano patente no que eles trazem ou porque abertamente contrário a toda a tradição da Igreja, ou porque evidentemente falso. O que absolutamente inadmissível é considerar, sem mais, peremptos Documentos solenes do Magistério Ordinário como as enciclicas doutrinárias, especialmente as escritas para dirimir quesões ou apontar erros relativos a Fé, como por exemplo a "Pascendi Dominici Gregis" de São Pio X, contra o Modernismo, ou a "Humani Generis"de Pio XII contra o Neomodernismo. Especial atenção merecem também os Documentos do Magistério Ordinário quando Papas sucessivos, por um espaço suficientemente longo, repetem neles os mesmos ensinamentos. Temos neste fato um sinal de que tal doutrina faz parte do depósito da Fé confiado a Santa Igreja. Não compreendemos, portanto, como se possa formar católicos, ignorando totalmente a fonte mais próxima da verdade revelada que é o Magistério vivo. Só por semelhante atitude se tornam suspeitos os fautores de um novo cristianismo; certamente não é desta maneira que se realizará o "aggionarmento" de que tanto falava João XXIII" (Cf. "Por Um Cristianismo Autêntico" pp. 322 e 323. Caríssimos leitores, lendo assim todo o texto,(sem fazer subtrações: o que seria mentira criminosa) podemos ver claramente que D. Antônio de Castro Mayer falava contra os modernistas e neomodernistas.
   Para terminar, vamos considerar a frase que sublinhei nesta longa citação: "O Romano Pontífice no Concílio Vaticano I, não definiu que faltando tais condições seja o Soberano Pontífice igualmente infalível".
    Como vimos, D. Antônio de Castro Mayer declara que a um documento não infalível , só se pode recusar a aceitação interna na hipótese de haver engano patente no que ele traz, ou porque abertamente contrário a toda tradição de Igreja, ou porque evidentemente falso. (Cf. P.C.A. p.367 d; 368 e) "... Tal é o valor da Tradição, que mesmo as Encíclicas e outros Documentos do Magistério Ordinário do Sumo Pontífice, só são infalíveis nos ensinamentos corroborados pela Tradição, ou seja, por uma doutrinação contínua, através de vários Papas e por longo espaço de tempo. De maneira que, o ato do Magistério Ordinário de um Papa que colida com o ensinamento caucionado pela Tradição magisterial de vários Papas e por espaço notável de tempo, não deveria ser aceito.(sublinhado meu). Entre os exemplos que a História aponta de fatos semelhantes, avulta o de Honório I. Viveu este papa, no tempo em que a heresia monotelita fazia estragos na Igreja do Oriente. Negando a existência de duas vontades em Jesus Cristo renovam os monotelitas o absurdo que Éutiques introduziu no dogma, quando pretendeu que em Jesus Cristo havia uma só natureza, composta da natureza divina e da natureza humana. Habilmente o Patriarca Sérgio de Constantinopla insinuou no espirito de Honório I que a pregação das duas vontades no Salvador só causava divisões no povo fiel. Acedendo aos desejos do Patriarca Sérgio, que eram também os do Imperador, o Papa Honório I proibiu que se falasse nas duas vontades do Filho de Deus feito homem. Não advertiu o Pontífice que seu ato deixava o campo aberto à difusão da heresia. Por isso mesmo não se lhe devia dar atenção. Entre os que lamentaram o ato de Honório I, estão o VI Concílio Ecumênico que foi o terceiro reunido em Constantinopla, e São Leão II, papa ao confirmar aquele Concilio. Entre os que continuaram a ensinar as duas vontades em Jesus Cristo está o grande São Máximo, chamado, O Confessor porque selou com o martírio sua fidelidade à doutrina católica tradicional".
   "Guardemos, pois, com o máximo respeito e atenção, o critério de aferimento para as novidades que surgem na Igreja:
- Ajustam-se as novidades à Tradição?
- Então são de boa lei.
- Não se ajustam, mas se opõem à Tradição; ou diluem a Tradição?
- Então não devem ser aceitas.
   "Tradição, é certo, não é imobilismo. É acréscimo, porém, na mesma linha, na mesma direção, no mesmo sentido, crescimento de seres vivos que se conservam sempre os mesmos. Por isso mesmo, não podem considerar tradicionais, formas e costumes que a Igreja não incorporou na exposição de sua doutrina, ou na sua disciplina. A tendência neste sentido, foi chamada por Pio XII "reprovável arquiologismo"(=apego ao que é antigo só porque antigo) na Encíclica "Mediator Dei". Isto posto, tomemos como norma o seguinte princípio: quando é visível que a novidade se afasta da doutrina tradicional, é certo que não deve ser admitida".
   Depois, D. Antônio de Castro Mayer mostra os vários modos de corromper a Tradição: uma escala que vai da oposição aberta a Tradição, ao desvio quase imperceptível. E ele alerta para o perigo maior nesta última maneira. Gota a gota, sem se perceber. Dois passos à frente, um para traz; vai se fazendo aos poucos e um pouco sempre fica; vai-se aos poucos tirando a substância, deixando finalmente só a casca. Isto chama-se: lavagem cerebral, ou seja, mudança das idéias sem a pessoa perceber. É uma baldeação ideológica inadvertida. Nas aulas D. Antônio dizia a mim e ao Fernando, (hoje S. Exa. Revma. D. Fernando Arêas Rifan) que uma cadeira de três pés, faltando um, é mais perigosa que uma de um pé só, faltando três. Uma moeda falsa é tanto mais perigosa quanto mais parecida com a verdadeira.
  "Nas circunstâncias atuais, continua D. Mayer, todas as maneiras de corromper a Tradição oferecem perigo para a Fé, mas talvez as mais perigosas são aquelas maneiras mais disfarçadas e que portanto menos aparecem como opostas a Igreja Tradicional. Segue-se que de nós se pede cuidadosa vigilância, não venhamos a assimilar o veneno meio inconscientemente. Se há gente de boa fé, que, por ignorância ou ingenuidade, nas novidades que vai aceitando, tenciona apenas obter nova expressão da verdadeira Igreja; há também e sobretudo, a astúcia do demônio que se serve destas mesmas intenções para desgarrar os fiéis da ortodoxia católica".
   Caríssimos e amados leitores, nunca poderemos esquecer que a tática dos modernistas e de todos os hereges, para difundir seus erros e procurar destruir a Igreja, é a ambigüidade. "Ambiguus" em latim, quer dizer: "que tem dois sentidos" (como empregou Virgílio, célebre escritor latino); quer dizer também "enganador" (como empregou Cícero, outro célebre escritor latino). Em latim "verbum bilingue" quer dizer: "palavra de língua dupla"; e no sentido figurado, quer dizer: "palavra falsa". Na Bíblia Sagrada, no Livro da Sabedoria VIII, 13 Deus diz: "Eu detesto a arrogância e a soberba; o mau proceder e a língua dupla". Por isso Jesus Cristo disse: "Seja o vosso falar sim, sim; não, não".
   Imaginem como é necessário que a nossa linguagem com Deus deve ser sincera através da Liturgia!
   Não podemos julgar ninguém. A gente só fica sabendo da intenção de alguém se a própria pessoa revelar. Pois bem, aconteceu que um progressista dos quatro costados, chamado Dom Duschak, no dia 05 de novembro de 1962, revelou o seguinte: "Minha idéia será introduzir uma Missa ecumênica". Aí, perguntaram a ele se esta idéia foi sugerida por seus diocesanos. D. Duschak respondeu: "Não, eu penso mesmo que eles seriam contra, assim como se opõem muitos bispos. Mas se se pudesse colocá-la em prática, eu creio que eles terminariam por aceitá-la. No Concílio, continua D. Duschak, nós o exprimimos de uma maneira diplomática, mas depois do Concílio, nós tiraremos as conclusões implícitas..." (Confira Revista "De Bazuin", nº 48, ano 1965, página 04).
   Com os Modernistas e Neomodernistas toda vigilância é pouca!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O "SENSUS FIDEI"

Extraído da "INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA", escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 2 de março de 1965. 

   
   Declara São Pedro que o novo povo de Deus deve publicar as perfeições de Quem o chamou das trevas para sua luz admirável. É a missão que tem a Igreja de, pela fé nas verdades reveladas, pela esperança dos bens futuros e pela caridade para com Deus e os homens, dar ao mundo testemunho vivo de Jesus Cristo. No desempenho de tal missão, goza o povo de Deus da prerrogativa da infalibilidade, quando, sob orientação dos legítimos Pastores, bem que espalhado pelo mundo todo, professa ele unanimemente como reveladas verdades de fé e costumes. Em semelhante caso não pode errar. Age nele o "sensus ficei", suscitado e mantido pelo Espírito Santo. Testifica ele então uma palavra não humana mas de Deus (cf. 1 Tes. 2, 13). 


NOTA: Até aqui a exposição de D. Antônio de Castro Mayer.
Gostaria de fazer uma observação que, no meu fraco entendimento, acho oportuna para os nossos dias. 

   Em todos os casos em que a Santa Igreja é infalível, ensina ao povo a Doutrina revelada por Deus. Os fiéis guardando-a com toda pureza e fidelidade estão sempre na verdade: são, portanto, infalíveis. 

   Ora, pode acontecer, sobretudo em tempo de crise na Igreja, que até Papas fora do campo da infalibilidade (por exemplo, quando o Papa dá uma entrevista, faz um sermão, escreve uma carta, telefona etc.) não ensinem com clareza a verdade; mas, neste caso, os fiéis bem instruídos em 2 mil anos pelo Magistério infalível da Igreja, permaneçam firmes na fé. 

   Assim aconteceu na época em que o Papa Honório I favoreceu a heresia do Monotelismo. 
   Na época do Arianismo, Santo Hilário dizia, que a maioria dos bispos empregava uma linguagem ambígua para enganar os fiéis, mas estes tinham os ouvidos mais santos do que os bispos, os seus corações. Os verdadeiros FIÉIS entendiam sempre no sentido ortodoxo.

  Para terminar, confiramos o Apóstolo, como aconselha D. Antônio de Castro Mayer no fim do seu artigo transcrito acima: 

   "Por isso, também nós damos sem cessar graças a Deus, porque, tendo vós recebido a palavra de Deus, que ouvistes de nós, a abraçastes não como palavra dos homens, mas (segundo é verdade) como palavra de Deus, a qual opera em vós" (1 Tess. II, 13). 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  15 de outubro

   "Quando Eu for elevado da terra atrairei tudo a Mim".

   Foi primeiramente do alto da cruz que Nosso Senhor atraiu a si todas as almas, resgatando-as. Mas ao pronunciar estas palavras tinha em vista, de certo, o seu trono eucarístico, aos pés do qual deseja congregar todas as almas a fim de prendê-las nas cadeias de seu amor.

   Com efeito, Jesus quer conquistar, pela Eucaristia, o coração do homem; se vem a ele com todos os seus dons e encantos de sua infinita bondade, é para prendê-lo a si pela gratidão; se Jesus oferece ao homem o seu divino coração, é, em primeiro lugar, para ter direito de pedir o dele.

   O Santíssimo Sacramento, portanto, é o dom régio, o ato supremo de Jesus Cristo em favor do homem.

   Entre os dons de Jesus Cristo, a Eucaristia é como o sol entre os demais astros e em meio da natureza. Por Ela Jesus sobrevive, se perpetua para ser, entre os homens, um sol de amor!

   

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  14 de outubro

   A exposição pública do Santíssimo Sacramento é a graça última: depois da exposição, o céu ou inferno.

   O homem deixa-se atrair pelo que tem brilho. Nosso Senhor se elevou num trono, e apresenta-se resplandecente aos nossos olhos. Não há mais desculpa. Se O abandonarmos, se passamos diante d'Ele sem nos convertermos, Nosso Senhor se afastará, não nos restando mais esperança alguma!

   Servi portanto a Nosso Senhor; consolai-O, ateai o fogo de seu amor por toda a parte em que ele ainda não arde; trabalhai pela extensão de seu reinado, seu reinado de amor: Adveniat regnum tuum, regnum amoris! 

   Com Jesus Eucaristia a luz resplandece sobre o mundo. Com a Eucaristia temos o pão dos fortes, a provisão dos viajores, o pão de Elias que nos dá forças para chegar à montanha de Deus, o maná que nos faz suportar o horror do deserto. 

   Com Jesus temos a consolação, o repouso nas fadigas, nas inquietações da alma, nas angústias do coração.

   Na Eucaristia encontramos o remédio para os nossos males, a satisfação das novas dívidas que contraímos diariamente com a justiça divina, por nossos pecados, Nosso Senhor se oferece cada dia como vítima de propiciação pelos pecados do mundo. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  13 de outubro

      Os soberanos revestem de régio aparato as suas palavras e ações, o que, aliás, é necessário pois o homem só se deixa governar pelo temor ou pelo amor.

   Em se tratando porém de Nosso Senhor, este rei a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, onde o fausto, a glória, o esplendor de suas palavras e ações?

   Milhões de anjos partem a cada instante do tabernáculo e a ele retornam, depois de cumprirem as ordens de Nosso Senhor. Aí têm seu centro, seu quartel general, pois aí se encontra o General em chefe dos exércitos celestes.

   Vedes e ouvis por acaso alguma coisa? Todas as criaturas Lhe obedecem e nada percebemos. Eis como Jesus sabe ocultar as suas ações! Eis como sabe governar no aniquilamento!

   E os homens que têm autoridade sobre outros julgam ter algum valor! Falam em voz alta, em tom enérgico, pensando que assim impõem as ordens com mais eficácia!

   Eis uma lição para os superiores, os chefes da família; todos devem ser humildes no exercício da autoridade, a exemplo de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  12  de outubro

   Nosso Senhor opera e trabalha no Santíssimo Sacramento.

   É medianeiro, salvador das almas. Ele nos santifica aplicando-nos os méritos de sua redenção, e estende o seu agir divino a todas as criaturas.

 É o Verbo que pronunciou a palavra pela qual tudo foi criado, e que ainda a tudo conserva por efeito de sua palavra. Continua a pronunciar a FIAT  que conserva a vida em toda a criação.

   E Nosso Senhor, aí, não é apenas Criador, mas também reformador, restaurador e rei de toda a terra.

   As nações Lhe foram confiadas para regê-las e é por meio d'Ele que o Pai exerce o seu poder sobre o mundo. Sim, Jesus governa o mundo. A palavra de ordem que rege o universo parte do Santíssimo Sacramento. Jesus Hóstia tem nas mãos a vida de todos os seres, e é o Juiz dos vivos e dos mortos.

   Considerai agora a humildade de Nosso Senhor; não dá suas ordens visivelmente aos homens, porque então todos haviam de querer obedecer somente a Ele. Oculta-se, para que obedeçamos aos nossos semelhantes que recebem um reflexo de sua autoridade. 

   Que admirável união da autoridade e da humildade!

domingo, 11 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  11 de outubro

   Honra a Jesus Eucaristia, que a merece e a ela tem direito.

   Entretanto, Ele não se contentaria com as homenagens exteriores; quer o culto de nosso amor, o serviço interior, a submissão de nosso espírito, não concentrada em nós mesmos, porém manifestada pelas atenções tão ternas quão delicadas do filho extremoso que procura viver ao lado de seus pais, que sente necessidade de vê-los e de testemunhar-lhes seu amor, que sofre e definha longe deles, que acode pressuroso para ajudá-los nas necessidades, que atende ao mais ligeiro sinal e adivinha, tanto quanto possível, os desejos de seus pais, disposto a tudo fazer para contentá-los. 

   Eis o culto do amor natural.

   O culto de amor que Jesus Eucaristia nos pede é semelhante a este.

   Quem ama, procura a Eucaristia, sente prazer em falar neste augusto Mistério, tem necessidade de Jesus, a Ele se dirige sem cessar, oferecendo-Lhe as ações, as alegrias e consolações, fazendo de tudo isto um ramalhete para Jesus Hóstia.

   Fazei algum sacrifício especial em honra do Santíssimo Sacramento. Procurai ter, cada dia, uma nova flor para Lhe oferecer. 

sábado, 10 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  - 10 de outubro

   Jesus Cristo prometeu permanecer com sua Igreja até a consumação dos séculos, promessa que não fez a um povo nem a um indivíduo em particular.

   Ficará conosco se soubermos cercar de honra e amor a sua pessoa sagrada. A condição é expressa. Jesus Cristo tem direito à honra, e a exige. É nosso Rei, nosso Salvador.

   A Ele tributemos honra soberana, o culto supremo de latria, a homenagem pública, porque somos seu povo.

   A corte celeste se prostra na presença do Cordeiro imolado. Jesus ao entrar neste mundo, recebeu as adorações dos anjos; no decorrer de sua vida mortal recebeu-a da turbas, e dos apóstolos depois da ressurreição.

   E não merece Ele honras maiores no Santíssimo Sacramento, onde multiplica os sacrifícios e se humilha mais profundamente?

   A Ele, portanto, a honra solene, a magnificência, a riqueza, a beleza do culto. Deus fixara os menores detalhes do culto mosaico, simples figura do nosso. Os séculos que se caracterizaram pelo espírito de fé, jamais se contentavam com o que empreendiam para o esplendor do culto eucarístico, como testemunham as obras de arte e magnificência das basílicas, dos vasos sagrados e dos ornamentos. A fé operava estas maravilhas. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

OS DOIS SEXOS

Artigo extraído do livro "O PROBLEMA SEXUAL" de autoria do Padre Lacroix.

   Escrevo este artigo no intuito de orientar os nossos caríssimos e nobres Vereadores a não votarem na diabólica "IDEOLOGIA DE GÊNERO". (todos votaram contra).

   OS DOIS SEXOS  -  BASE DA SOCIEDADE HUMANA

   Criando os primeiros homens, Adão e Eva, Deus os fez sexualmente tão diferentes, com o intuito bem patente: eles deviam completar-se mutuamente para a constituição de uma dupla obra grandiosa, a família e a sociedade.

   1 - FINALIDADE DOS DOIS SEXOS

   Fatos bíblicos:  Em breves palavras aponta a Sagrada Escritura o plano de Deus com a bissexuação humana. Nada mais basicamente instrutivo sobre o assunto do que elas. Assinalam claramente o duplo fim social do homem e da mulher: a propagação do gênero humano pela procriação de filhos e o mútuo auxílio dos cônjuges.

   No primeiro capítulo do Gênesis, Moisés narra  sumariamente como Deus criou os seres do universo em 6 espaços de tempo, e, por último, o primeiro casal da humanidade, dando-lhe a ordem de povoar o mundo. Deus criou o homem à sua imagem; homem e mulher os criou (1, 27). Deus abençoou-os e disse: "Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a" (1, 28).

   No capítulo segundo, apresenta o hagiógrafo mais algumas preciosas particularidades sobre a criação dos nossos protoparentes. Salienta que Deus criou primeiro Adão e o colocou no paraíso das delícias. Insinua como, apesar de tudo, vem Adão a sentir-se solitário, isolado; nenhum ser lhe podia oferecer o adjutório de que precisava e que procurava, que lhe conviesse e lhe correspondesse. Só então é que Deus criou Eva e lha entregou como companheira de vida que o ajudasse. Foi para ele uma felicidade, uma maravilha. Eis aqui as próprias palavras da Bíblia: 

   "Deus pôs o homem no paraíso das delícias (2, 15). Mas não havia para Adão adjutório semelhante a ele (2, 20). Deus disse: "Não é bom para o homem que esteja só; façamos-lhe um adjutório à sua semelhança" (2, 23). Da costela que o senhor tomou do homem, formou uma mulher e trouxe-a a Adão (2, 22). Disse então Adão: "Eis aqui o osso dos meus ossos e a carne da minha carne (2, 23). Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher e serão dois numa só carne" (2, 24). 

   Sentido de alguns pormenores bíblicos importantes. - Deus é admirável em tudo que faz, até nos pormenores da narração bíblica. É de surpreender que o hagiógrafo relate tão laconicamente no primeiro capítulo do Gênesis, a criação dos primeiros seres humanos como homem e mulher, juntamente com a ordem divina de propagar o gênero humano., e relegue para o fim do segundo capítulo a historiação minuciosa da formação de Eva. - Foi, sem dúvida , para incutir no gênero humano, uma vez para sempre, a diferença que há entre o último e o primeiro escopo da união dos dois sexos, entre a propagação do gênero humano e o mútuo auxílio dos progenitores. É de admirar mais ainda, como Deus resolveu o problema da companhia e do auxílio de que Adão necessitava. Resolveu-o de modo a salientar maravilhosamente a natureza e importância grandiosa do adjutório que ideou conceder a Adão.

   Da costela, tirada de Adão, formou Deus Eva. Por que e para que? Para evidenciar que Eva vem de Adão? Com toda certeza há uma significação muito mais profunda e grandiosa ainda. O que parece pormenor insignificante, é uma realidade importantíssima. A costela que Deus tirou de Adão, é o símbolo de que dividiu realmente Adão, para formar Eva, de modo que ao contemplar Eva, prorrompeu Adão nas seguintes palavras: "Eis aqui osso dos meus ossos e carne da minha carne (2, 23). Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne" (2, 24). Aí temos a reta conclusão de tudo, a solução clara do grande mistério pela boca de Adão. Manifesta esta espontaneamente a íntima convicção do que o Criador provocou nele por todas essas formalidades, a saber, "a unidade do homem e a mulher numa só carne". - Daí podemos lucidamente deduzir as primeiras grandes verdades deste união conjugal e da constituição da família. 

   (...) Homem e mulher são feitos um para o outro, de modo a se completarem e integrarem no desempenho da respetiva missão. As prerrogativas da mulher redundam em benefício do homem, e as deste em benefício da mulher. A providência divina distribui os dons com peso e medida, de acordo com os planos gerais e particulares. Aliás, cada homem e cada mulher recebem suficientes dons e graças para se salvar, dentro ou mesmo fora do matrimônio, no celibato.

   (...) A questão de superioridade de um sobre o outro sexo é uma questão fútil. Ambos são grandes, tanto o homem como a mulher, desde que estejam à altura da sua missão, cada qual maior na sua própria esfera de atividade, e quanto melhor desempenharem o papel que a natureza e o próprio Deus lhe marcaram. - A inversão dos papéis do homem e da mulher foi e será sempre contrária à natureza, e muitíssimo prejudicial aos interesses comuns da família.

  (...) As características próprias do homem e da mulher, são dons de Deus, dados e feitos para se completarem na vida e produzirem, sobretudo, a maior união possível da duas almas, do homem e da mulher, no casamento. É este o plano de Deus, o ideal da natureza!"


   Até aqui o Padre Lacroix. Gostaria de acrescentar alguns esclarecimentos sobre a diabólica "IDEOLOGIA DE GÊNERO" que querem nos impingir. Esta é contra a natureza, inspirada pelo demônio, e onde for legalizada será motivo de maldição e de castigos terríveis, piores do que aquele que Deus mandou sobre Sodoma e Gomorra.

   Para quem não sabe; e parece que são muitos, vamos brevemente explicar o que significa esta IDEOLOGIA DE GÊNERO. Ensina ela que nós nascemos com um sexo biológico definido (homem e mulher) mas, além dele existiria o sexo psicológico ou o gênero, que poderia ser psiquicamente falando construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Ou seja, não existiria mais uma mulher ou um homem naturais, mas, ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, psiquicamente falando e seria constituído socialmente homem e mulher. As consequências, como alerta Dom Fernando Areas Rifan, sabemos, são o incentivo ao homossexualismo, a mistura de sexos, o uso de banheiros femininos pelos homens e vice versa, a promiscuidade, o matrimônio gay etc.

   Como diz o conceituado Médico Cardiologista Dr André Assis Rodrigues, a ideologia de gênero é algo imposto, não democrático, muito menos científico.

     Na Suécia onde já foi implantada a Ideologia do gênero, as estatísticas dão conta que  se tornou o país onde há mais abusos sexuais, estupros e homossexualismo no mundo.

    Não é possível que os nossos vereadores vão querer isto para os nossos municípios!

  Como o uso de bombas d'água está ficando muito dispendioso por causa do alto preço da energia elétrica, será que os vereadores vão votar uma lei para eliminar  a Lei dos Vasos Comunicantes, de tal modo que a água que está nos reservatórios mais baixos chegue às caixas acima dos mesmos?! No entanto, loucura maior do que esta é a diabólica IDEOLOGIA DE GÊNERO!!! Até lá chega o homem que se afastou de Deus. E, caríssimos, isto é obra dos comunistas, que querem corromper a sociedade e destruir a família. Rezemos e façamos penitência, porque tudo caminha para atrair castigos terríveis sobre a humanidade. Leiamos nas Sagradas Escrituras o que aconteceu às cidades de Sodoma e Gomorra. Relembremos, outrossim, as mensagens de Nossa Senhora em Fátima.

   Devemos saber que há discriminações justas, isto é, há desigualdades na natureza. Por exemplo: os QIs não são os mesmos. Então, para estes que querem a aprovação da IDEOLOGIA DE GÊNERO, seria mister também acabar com os Exames ou Provas na educação, ou então, dar a mesma nota a todos. Não se deveria olhar o grau de inteligência ou dedicação de cada um, mas os professores deveriam se reunir para decidir a nota igual para todos, a mesma inclusive, para os preguiçosos que não quiseram estudar. Digamos: uma nota neutra.

   Devemos mudar de vida, fazer mais penitência e rezar mais e melhor, porque a profecia de Nossa Senhora em Fátima está se realizando: "O COMUNISMO ESPALHARÁ SEUS ERROS PELO MUNDO TODO".

   

   

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  9 de outubro

   CHRISTUS AB OMNI MALO PLEBEM SUAM DEFENDAT  -  Que o Cristo nos defenda de todos os males.

   A Eucaristia é o para-raio divino que desvia de sobre as nossas cabeças os golpes da justiça de Deus.

   Qual mãe devotada e cheia de ternura que, no intuito de subtrair o filhinho à cólera de um pai irritado esconde-o em seu regaço e o abraça de modo a lhe fazer uma trincheira com seu próprio corpo. Jesus multiplicou-se pelo mundo, envolvendo-o e encobrindo-o com sua presença misericordiosa.

   A justiça divina já não ousa então ferir, porque não encontra onde.

   E que proteção contra o demônio! O sangue de Jesus que nos enrubesce os lábios, nos torna temíveis a satanás. Assinalados com o sangue do verdadeiro Cordeiro, não seremos tocados pelo anjo exterminador.

   Ah! sem a Eucaristia, sem este Calvário perpétuo, quantas vezes não teria a cólera divina estalado sobre as nossas cabeças.

   A Eucaristia nos livra de todos os males!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  8 de outubro

   CHRISTUS IMPERAT - Cristo impera.

   Nenhum rei exerce o seu domínio sobre o mundo inteiro; existem outros soberanos, com iguais direitos.

   Mas Deus Pai disse a Jesus Cristo: "Dar-te-ei todas as nações como herança". E Nosso Senhor, enviando os seus ministros pelo mundo, lhes disse: "Todo poder me foi dado no céu e na terra: Ide e ensinai, governando todas as nações".

   Foi do cenáculo que partiram estas ordens, e o tabernáculo eucarístico, prolongamento, multiplicação do cenáculo, é o quartel general do Rei dos reis. Aí recebem as suas ordens os que combatem o bom combate. Diante de Jesus Eucaristia todos são súditos, todos obedecem, desde o Papa, Vigário de Jesus Cristo, até o simples fiel.

  CRISTO IMPERA! E a sua lei é uma lei de amor. 

   Quantos soberanos reinam pelo amor? Ah! Somente Jesus Cristo, que não impõe o seu jugo pela força. Seu reinado é a própria doçura, seus verdadeiros súditos dedicam-Lhe inteiramente a vida e se necessário, morrem para Lhe serem fiéis. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Festa de Nossa Senhora do Rosário - História.

     A cidade de Costantinopla era a capital da Turquia.  Desde sua fundação (a. 657 a. C.) chamava-se Bizâncio. Depois recebeu o nome de Istambul e, atualmente chama-se Ankara. No ano de 1571 (como até hoje) a Turquia é na sua maioria muçulmana, ou seja, religiosamente falando, segue o Islamismo, seita fundada por Maomé. Por isso são chamados também maometanos. Para eles toda guerra para eliminar os infiéis ( chamam de infiéis todos os que não seguem o Islamismo e, sobretudo os católicos) é guerra santa. Por isso, sempre constituíram para a Igreja Católica uma grande ameaça.
   Assim no ano de 1571 Constantinopla quis a todo transe impor na Europa católica o Islamismo. Os turcos muçulmanos armaram um terrível exército neste intuito. Ocupava a cadeira pontifícia S. Pio V, este grande Papa providencial. Diante da grande ameaça islâmica, Pio V constituiu uma Confederação ou Liga Santa. Formavam-na a Santa Sé, a República de Veneza e a grande Espanha.
   Reunem-se em Roma. Pio V convocou os Cardeais Granvela e Pacheco e Dom João Zueñiga, embaixador do Rei Católico na Corte Romana e Miguel Soriano, por parte da República de Veneza; daquela Liga Santa, surgiu a semente para a epopéia de Lepanto. O Papa nomeou Marco Antônio Colomba, seu general; Felipe II nomeou como Generalíssimo de Mar e Terra a Dom João de Áustria, que tinha, então, apenas vinte cinco anos de idade.
   O tempo urgia, pois, os turcos já faziam arremetidas e assaltos. Eles fizeram simultaneamente três assaltos: atacaram a Albânia com 60 mil homens; atacaram a ilha de Chio com 40 galeras; as tropas do terrível Mustaphá  arremessaram-se   sobre a ilha de Chipre. Em pouco tempo tomaram de assalto as praças mais fortes; mataram vinte mil habitantes, e fizeram quinze mil escravos só na cidade de Nicósia. Renovaram as mesmas atrocidades em Famagusta, cujo comandante teve o nariz e as orelhas cortadas, e depois foi esfolado vivo por ordem de Mustaphá. Malta e Sicília já perigam. A estas notícias o Papa S. Pio V usou de seu poder. O nome glorioso de Espanha, que domina terras e mares, ameaça eclipsar-se. O Oriente muçulmano ameaça o Ocidente católico, e a salvação, está nas mãos da Espanha. Alí Pachá e Selim têm naquela hora um poderio que é necessário exterminar a todo custo. O cenário da conflagação há de ser Lepanto, a cidade marítima da Grécia. Lepanto é um Golfo que antigamento chamava-se Golfo de Corinto.
   Tratava-se de uma legítima defesa, e antes de tudo, defesa da Fé. O Papa benzeu o estandarte e o bastão do generalato que Dom João levaria nesta guerra;  em Nápolis, no Convento de São Francisco, os recebe Dom João das mãos do Cardeal Granvela, em solene cerimônia: "Tomai, ditoso Príncipe, disse o cardeal, as insígnias do verdadeiro Verbo Humano. Tomai o vivo sinal da Santa Fé de que nesta empresa sois defensor. Ele vos dê vitória gloriosa sobre o inimigo ímpio e que por vossa mão seja abatida sua soberba". E o povo respondeu em côro: AMEN. São Pio V ordenou que em toda cristandade se rezasse publicamente o santo Rosário.
   As naves católicas haviam saído de Messina, e estando nas Ilhas Curzolari, tiveram notícia de que a frota turca saía do porto de Lepanto, composta de 224 galeras ao mando de Alí Pachá. Dom João de Áustria ordenou à sua frota que se colocasse no lugar mais alto as imagens de Cristo Crucificado, e estando todos ajoelhados diante delas aumentou de tal modo o ânimo de lutar e o valor nos soldados cristãos, que, em um momento e quase que por um milagre, foi erguido em toda a armada um grito geral de alegria, que, repetindo em voz mais alta - "Vitória!... Vitória!..." - podia ser ouvido até pelos próprios inimigos. 
   Vai começar a histórica Batalha de Lepanto! E realmente! Momentos depois, juntavam-se as duas esquadras e com estrondo pavoroso as duas galeras capitâneas, tendo antes artilharia e os arcabuzes feito sua matança entre as fileiras do General  turco Alí Pachá. Generalizou-se o combate, envolvendo-se entre si as galeras inimigas com um ardor sem igual. Depois do fogo de arcabuz e canhão, chegava a abordagem e se brigava com machadinhas e espadas, e danificadas estas, prosseguiam a luta corpo a corpo. O aspecto era terrível ! Naquela atmosfera de morte transcorreram várias horas,até que um alarido de vitória cruzou o cenário trágico com a rapidez de um relâmpago: As forças cristãs que haviam abordado a nave capitânea do muçulmano Alí Pachá, lograram matá-lo e ao mesmo tempo que arriavam daquela e outras naus o estandarte turco, chamado o Sanjac, substituindo-o pelo de Crsito Crucificado. Sem embargo, a batalha prolongou-se até que a noite viesse cobrir a enseada de Lepanto, à cuja hora a derrota muçulmana havia sido completa e categórica. Morreram das forças cristãs 7.500 homens. Entre os turcos, porém, morreram 32.000 homens. O exército católico fez ainda 3.500 prissioneiros e libertou   5.000 escravos cristãos. Os turcos perderam 224 embarcações.
Sete de outubro - Festa de N. S. do Rosário
   O Papa Pio V afirmou que esta importante vitória era devida à intercessão da Mãe de Deus; e parece que teve, a este respeito, esclarecimentos sobrenaturais. No momento mesmo do combate, o santo Papa, que se achava no meio dos cardeais reunidos, deixou-os de repente, abriu a janela, e esteve por algum tempo com os olhos erguidos para o céu. Voltou depois e disse: "Não tratemos mais de negócios agora; pensemos somente em dar graças a Deus pela vitória, que acaba de conceder ao exército cristão". Realmente, àquela hora exata, Dom João de Áustria vencia os muçulmanos em águas do mar Jônico. Em reconhecimento o santo Pontífice mandou acrescentar à Ladainha da Santíssima Virgem a invocação Auxílio dos cristãos! rogai por nós! e instituiu a festa solene com o título de Nossa Senhora da Vitória. Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII mudou este título no de Nossa Senhora do Rosário.
   São Pio V morreu no mesmo ano da  vitória de Lepanto. - Os turcos olhavam este pontífice como o seu mais terrível inimigo, e o mais forte baluarte da Europa e da cristandade. Por isso o Sultão Selim, sabendo da sua morte, ordenou que houvesse festejos públicos durante três dias na cidade de Constantinopla.

FLORES DA EUCARISTIA



Leitura espiritual  -  7 de outubro

CHRISTUS REGNAT - Cristo reina.

Não é sobre os territórios que Jesus reina, mas sobre as almas, e reina pela Eucaristia.
Um soberano deve reinar por meio das suas leis e pelo amor que os súditos lhe dedicam.

Ora, a Eucaristia é a lei do cristão, lei de caridade, lei de amor, promulgada no cenáculo, no admirável discurso após a ceia: "Amai-vos uns aos outros, eis o meu preceito. Amai-vos como eu vos tenho amado. Permanecei em Mim e observai os meus mandamentos."

É ainda lei revelada na Comunhão. Como os discípulos de Emaús, a alma, percebendo então tudo claramente, compreende a plenitude desta lei.

Era a fração do pão que tornava os primeiros cristãos fortes contra os perseguidores, e fiéis em praticar a lei de Jesus Cristo. "Perseveravam na fração do pão".


A lei de Jesus Cristo é uma, santa, universal e eterna. Nada lhe será mudado, nada poderá enfraquecê-la. O próprio Jesus Cristo, seu divino autor, a protege, e gravando-a em nosso coração pelo amor, promulga-a como Legislador, a cada uma de nossas almas.