domingo, 27 de setembro de 2015

A SALVAÇÃO PELA FÉ - ( VII )

CAPÍTULO PRIMEIRO
DESMANTELO E DESEQUILÍBRIO DA TEORIA PROTESTANTE

(CONTINUAÇÃO E TÉRMINO DO CAPÍTULO PRIMEIRO)

   10. A BÍBLIA MAL COMPREENDIDA.

   Será possível que o Evangelho nos ensine esta doutrina tão ilógica de que as boas obras, o nosso modo de proceder não influem na salvação da nossa alma?
   É claro que não.
   Se os protestantes vivem a ensinar isto e julgam ver nas páginas da Sagrada Escritura uma doutrina tão estranha, é porque eles NÃO ENTENDEM certas passagens da Bíblia. Esta é que é a verdade.
   E não fiquem de cara amuada os protestantes, não se mostrem ofendidos conosco, pelo fato de dizermos que eles não entendem certos versículos da Bíblia. A Bíblia tem de fato muitas COISAS DIFÍCEIS DE ENTENDER, e é ela própria quem o diz, falando a respeito das epístolas de São Paulo, as quais ADULTERAM os indoutos e inconstantes, como TAMBÉM AS OUTRAS ESCRITURAS, para ruína de si mesmos (1ª Pedro III-16).
   E verá o leitor que é justamente nas epístolas de São Paulo, com especialidade, que os protestantes se atrapalham e se confundem, querendo ver aí uma teoria sobre a salvação que o próprio Paulo nunca ensinou. 
   Não há nenhuma desonra em não entender a Bíblia, que tem como Autor a Deus, cuja inteligência é infinita. Desonra e crime há, sim, em não entendê-la e ao mesmo tempo meter-se a doutrinador desastrado, apresentando uns textos e desprezando outros, blasfemando daquilo que ignora e incutindo no povo uma doutrina que não passa de uma caricatura da legítima doutrina do Evangelho. 
   Deus nos podia ter deixado uma Bíblia sempre clara e fácil de entender. Por que quis que ela fosse tão obscura e tão difícil em certos pontos? Foi para que ninguém se arvorasse em forjador de doutrinas, quando Deus deixou também aqui na terra a sua Igreja encarregada de ensinar a doutrina da verdade.
   É natural, portanto, que procuremos, primeiro que tudo, conhecer, em suas linhas gerais, a doutrina da Igreja sobre a salvação.
   Depois veremos como foi que surgiu no século XVI a teoria da salvação pela fé sem as obras. E será interessante ver como foi um homem que procurou arrancar do Evangelho uma doutrina muito CÔMODA, de acordo com os seus interesses pessoais; e depois muitos outros ficaram viciados nesta história de salvação baratíssima.
   Finalmente analisaremos os textos apresentados pelos protestantes, com os quais pretendem provar a sua tese da salvação pela fé sem as obras e veremos como todos eles se baseiam numa interpretação errônea, seja porque não tomam a FÉ no mesmo sentido em que a tomam as Escrituras, seja porque não percebem o verdadeiro mecanismo da salvação, no qual a graça de Deus exerce um papel muito importante, sem excluir, no entanto, a necessária cooperação humana. 

sábado, 26 de setembro de 2015

MAOMÉ

Extraído do "TRATADO DE HISTÓRIA ECLESIÁSTICA" escrito pelo Padre Rivaux.


   Maomé, este Átila do Oriente, nascera no ano 570, nos desertos da Arábia Pétrea, de um pai pagão e de uma mãe judia. Era intrépido, intrigante, eloquente e dotado de uma grande habilidade na arte da mentira e da impostura. Na idade de vinte cinco anos casou-se com uma rica viúva de Damasco, chamada Kadija, e aos quarenta anos tornou-se profeta. Como era epilético, o novo apóstolo fez de sua mesma enfermidade a base da sua grandeza, persuadindo primeiramente a sua mulher, a seu primo Ali, a Abu Bakr, homem distinto por seu mérito e suas riquezas, e depois por eles a muitos outros, que os horríveis acessos de epilepsia eram êxtases, em que se entretinha com o anjo Gabriel. Os árabes veem na epilepsia uma das formas consagradas de comunicação com o mundo natural, o ensino do novo profeta acha-se depositado num livro intitulado Corão ou Alcorão. É o Evangelho dos maometanos. O hábil impostor afirmou ter recebido sucessivamente as suas diferentes partes por ministério do anjo Gabriel. (Nota: Segundo Maomé, o Alcorão existia completo no céu, de onde descia em folhas volantes  conforme as circunstâncias e as necessidades do profeta, que por este meio podia tirar-se de todos os embaraços e justificar todos os crimes). 

   Efetivamente ele tinha-as redigido com o auxílio de alguns homens instruídos, pertencentes a diversas religiões seguidas no Oriente, e entre os quais se contam comumente o judeu Abdallah e um monge nestoriano chamado Sérgio. O Alcorão contém cento e quatorze capítulos. É um acervo confuso de contos, de visões, de sermões, de preceitos, de conselhos, em que se encontram a verdade e a mentira, o sublime e o absurdo, e em que abundam as contradições. Confessa que há um só Deus, mas sem distinção de pessoas, e Maomé é seu profeta; rejeita os dogmas da Encarnação, da Redenção, da Graça; ensina que os homens são necessariamente predestinados para o céu ou para o inferno; que depois da morte há um juízo particular, e no fim do mundo um juízo universal, em que só os maometanos serão salvos; que os maus serão precipitados no inferno e que os bons irão para o paraíso, onde acharão águas límpidas, prados agradáveis, mesa e todos os prazeres dos sentidos; que, além do céu e do inferno, existe uma espécie de purgatório; que Jesus Cristo é o maior dos profetas, porém que não é Deus; que Maria, dando-o ao mundo, não perdeu a sua virgindade; que os judeus não puderam matar nem crucificar o Filho de Maria, porque tiveram em seu poder só a imagem dele, tendo sido a sua pessoa tirada deste mundo e colocada perto de Deus; que a lei de Moisés e o Evangelho são livros divinos, mas que os judeus e os cristãos os alteraram, corromperam e não entenderam;  que Abraão não era nem judeu nem cristão, mas muçulmano, isto é, consagrado a Deus. Em resumo, o deísmo, o fatalismo e o sensualismo constituem todo o ensino dogmático de Maomé. 

   A moral do islamismo abrangia as virtudes da ordem sobrenatural, a justiça, a temperança, etc., as quais Maomé ajuntou, como preceitos particulares, a abstinência do vinho e da carne de porco, frequentes abluções, a circuncisão, o jejum, sobretudo o jejum do mês de Ramadan, a santificação  da sexta-feira, a oração cinco vezes ao dia e a viagem a Meca uma vez na vida. Quanto às virtudes interiores, como a humildade, a paciência, a mansidão, o amor de Deus, a confiança na sua bondade, etc., não se faz menção delas no Alcorão. A castidade é reputada como nada. Maomé permite o divórcio e a poligamia, que autorizou com o seu exemplo, pois teve ao mesmo tempo quinze mulheres e muitas concubinas; até mesmo casou com a mulher de seu filho adotivo. Contudo, o novo legislador condenava o adultério. 

   O culto da nova religião reduzia-se à oração pública, ás abluções e outras cerimônias, que deviam acompanhá-las. O sacrifício, propriamente dito, e com ele o sacerdócio, não existia no islamismo. Os imãs ou ministros ordinários do culto, que vieram mais tarde para o serviço das mesquitas, não formavam um verdadeiro clero, um corpo sacerdotal. O trabalho manual é considerado pelo Alcorão como sendo uma ocupação própria de escravos. A preguiça, elevada assim à dignidade de um dogma, matou no Oriente a agricultura, a indústria, o comércio a as artes.

   A grande lei do Alcorão é o ódio de tudo quanto não é maometano. O alfanje [sabre de lâmina curta e larga, o que usam ainda hoje para degolar cristãos] era a chave do paraíso. Quanto mais se exterminasse tudo o que se opusesse ao islamismo, maior perfeição haveria. Tal era a obrigação mais sagrada dos muçulmanos, e história diz-nos quão fielmente ele a cumpriram. Havia então numerosas cidades na África, e quase todas foram saqueadas e destruídas por eles. 

   Contudo, apesar da astúcia do visionário, formou-se uma conjuração contra ele. Expulso da sua tribo como impostor, refugiou-se em Medina, no ano 622. Esta fuga foi a época da sua glória, da fundação do seu império e de sua religião. Chama-se hégira, isto é, fugida ou perseguição;  e é daí que os maometanos contam os anos. O profeta fugitivo empunhou o alfanje e fez-se conquistador. Levantou tropas e em menos de doze anos submeteu, por si ou por seus generais, todo o país até quatrocentas léguas de distância de Medina, tanto ao Oriente, como ao meio-dia. O novo apóstolo veio a ser, assim, um dos mais poderosos monarcas da Ásia. Afinal, querendo uma judia saber se Maomé tinha realmente o dom de profeta, fez-lhe comer um pedaço de carneiro envenenado, e o profeta morreu no ano 632 da era de Jesus Cristo e no undécimo da hégira. O seu corpo foi sepultado em Medina, e diz-se vulgarmente que ele está suspenso na abóboda do templo de Meca, mas isso é uma fábula.

   ... "Acusa-se até Maomé, diz Newman, de ter contradito as suas primeiras revelações com revelações posteriores, e os seus próprios sequazes são concordes em admitir este fato; e quando sucede, que as contradições são tais, que as não podem resolver, decidem-se então a declarar nula uma da passagens contraditórias. No Alcorão há mais de cento e cinquenta versículos que são assim declarados nulos. Este livro deu ocasião a tantos comentários, a tantas versões e interpretações diferentes, que no tempo do califa Moaviah, carregavam duzentos camelos".

Nota: O Estado Islâmico (EI) foi criado para levar o mundo a pensar que o uso da espada (alfanje) é exclusivamente deste grupo recém-criado, quando, na verdade, o Islamismo na sua essência, tem por finalidade dominar o mundo pela espada. Mas atualmente, mudaram a tática: agora, enquanto os cristãos ficam preocupados só com o EI, os muçulmanos primeiro deverão invadir pacificamente todos os países do mundo, e depois, se multiplicarem o mais possível, Cada homem pode ter 4 mulheres e estas não podem evitar filhos. Pensam que chegará a hora azada para dar um golpe simultâneo e mundial.  E, o pior, é que com os elogios que o Concilio Vaticano II fez a eles e máxime, o fato de o então Papa João Paulo II ter beijado o Alcorão, diminuíram as conversões para o Catolicismo e aumentaram as apostasias de cristãos para o Islamismo. Quando, no ano 2000 estive em Jerusalém procurei saber da boca deles mesmos (o nosso guia era judeu) qual foi a repercussão daquele ecumenismo da Igreja Católica. Respondeu-me em nome de todos os judeus e muçulmanos (porque fiz questão de frisar que não queria a simples opinião pessoal dele) que a repercussão foi a melhor possível: "Afinal a Igreja católica vem reconhecendo que nós estamos com a verdade" (Palavras textuais do nosso guia, o Sr. Leão). Este o fruto deste maldito ecumenismo! Mas talvez os muçulmanos sejam num futuro não muito longo, o flagelo de Deus para castigar esta humanidade que não quer ouvir nem os apelos de Jesus Cristo nem os de sua Mãe Santíssima em Fátima. Não sai de minha cabeça que a terceira parte do Segredo de Fátima, será realizada pelas mãos dos muçulmanos.  

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  16 de setembro

   O exercício da adoração deve ser feito como uma verdadeira meditação. 

   Para seguir a ordem natural das ideias e dos sentimentos, convém figurar que se tem uma régia visita a fazer, e para a qual é necessário o desempenho de três deveres: a preparação, o assunto a tratar e a conclusão.

   O primeiro dever é a preparação, que se divide em preparação remota e preparação próxima. a primeira consiste em escolher o assunto da adoração, determinar-lhe dois ou três pontos, isto é, duas ou três verdades ou pensamentos dominantes.

   Quanto aos sentimentos é impossível prevê-los, visto que eles são fruto espontâneo da contemplação da verdade, da bondade de Deus, em uma palavra, do próprio trabalho da meditação. Mas é necessário prever a homenagem da conclusão, determinar o que se pode oferecer ou prometer a Nosso Senhor, bem como as súplicas a Lhe fazer.

   Escolhido o assunto, é mister que o adorador prepare a sua pessoa exteriormente, a fim de que a sua aparência seja conveniente e digna. A Santa Igreja não pede elegância nem luxo nas adorações, mas o decoro. O caraterístico da adoração é ser um culto essencialmente festivo; o adorador, portanto, deve também ser festivo em suas vestes e em suas piedosas homenagens. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  15 de setembro

   Tudo pode se tornar objeto fecundo de oração; depende da disposição da alma, de seu estado, de suas impressões, e principalmente da graça do momento, de um raio de luz que se projete sobre ela penetrando-a profundamente,

   É de proveito que o assunto seja tomado na Santa Eucaristia, e que tudo a Ela se refira, ao seu serviço, à sua glória.

   A Santíssima Eucaristia é rica em assuntos de oração; todas as verdades a ela convergem ou dela dimanam como os raios partem do sol; todas as virtudes de Nosso Senhor aí são continuadas ou glorificadas, e cada mistério da vida do Salvador, admiravelmente representado. A divina Eucaristia é o resumo inefável da vida mortal e da vida gloriosa da Jesus Cristo, colocado à disposição do cristão a fim de que ele possa honrar seu Mestre e seus dois estados, e participar da graça de um e de outro.

   Uma vez começada a oração, não se deve mudar facilmente o assunto preparado, pois seria expor-se à inconstância e esterilidade. A alma deve, portanto, manter o assunto e nele concentrar o seu espírito, a menos que o sopro da graça o substitua por um outro melhor, mas não deve abraçá-lo imediatamente para se certificar de sua vantagem ; esta regra é de muita importância. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  14 de setembro

      O ponto importante da adoração, como da meditação, é saber considerar o assunto e dele retirar afetos e atos práticos de virtude, É mister que a alma se detenha numa verdade, num pensamento, como a abelha se demora na flor em que há profusão de mel.

   O recolhimento interior da alma num pensamento é o sinal de sua riqueza, assim como é indício de tentação uma certa inquietude, agitação, leviandade do espírito, quanto ao assunto preparado.

   À consideração, segue-se o afeto. É a chama que se eleva do fogo; é o amor da verdade, da bondade conhecidas, traduzindo-se em sentimentos diversos. Não há outra regra para o sentimento que a impressão da luz, da graça do momento, que é sempre simples e natural; é necessário segui-la, nutrir-se dela.

   Deus é simples e pede a naturalidade em tudo o que fazemos. Sejamos "nós mesmos" fazendo somente o que Ele nos der a força e a graça de poder cumprir.

   A simplicidade é paralela ao amor. Procuremos tender à simplicidade cristã por meio do amor divino; fixemos nosso centro em Deus e nos deixemos perder em seu amor para vivermos de sua vida divina. 

domingo, 13 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  13 de setembro

   A luz do fogo que arde no coração de Nosso Senhor deve, no começo de todas as vossas adorações, penetrar o íntimo de vossa alma e mostrar-vos num relance toda a sua pobreza e miséria do momento, inundando-a do profundo sentimento de sua ingratidão, de sua indignidade, e, ao mesmo tempo, reanimando-a pela confiança de obter o perdão, visto que estais aos pés do trono da graça e da misericórdia.

   Quando alguém se acerca de um príncipe, o primeiro ato é fitá-lo, seguindo-se depois um olhar sobre si mesmo para verificar se está convenientemente trajado e capaz de lhe ser agradável.

   A alma que ama a Deus de todo o coração vê facilmente os próprios defeitos e percebe o mais leve movimento da natureza corrompida, tal como sente, ao menor sopro, a presença do tentador. Esta alma contempla-se em Deus como num espelho fiel; lê o seu íntimo também em Deus, como a criancinha que, com um simples olhar, lê a falta que cometeu, na tristeza, no silêncio ou na atitude menos amorosa de seu papai ou de sua mamãe.

   Mas isto não é tanto um exame propriamente dito: é antes, a vigilância da delicadeza.

sábado, 12 de setembro de 2015

CONFORMIDADE COM A VONTADE DIVINA

   Desta matéria trata a Teologia Ascética e Mística.
   Por este nome de conformidade com a vontade divina compreendemos a submissão completa e afetuosa da nossa vontade à de Deus, tanto à vontade significada, como à vontade de beneplácito.
   A vontade de Deus apresenta-se-nos efetivamente sob este duplo aspecto: a) é a regra moral das nossas ações, significando-nos claramente o que devemos fazer, pelos seus mandamentos ou conselhos;  b) governa todas as coisas com sabedoria, dirigindo os acontecimentos, para os fazer convergir para a glória de Deus e salvação dos homens, e é-nos, por conseguinte, manifestada pelos acontecimentos providenciais que se passam em nós e fora de nós. 
   A primeira chama-se vontade significada porque nos assinala claramente o que devemos fazer. A segunda denomina-se vontade de beneplácito, neste sentido que os acontecimentos providenciais nos dizem qual é o agrado ou beneplácito de Deus. Portanto, a vontade significada de Deus já é conhecida a priori; enquanto a vontade de beneplácito só é conhecida depois de acontecida.
   A vontade significada compreende quatro coisas: os mandamentos de Deus e da Igreja, os conselhos, as inspirações da graça, e, para as comunidades, as Constituições e as Regras.

   A conformidade de Beneplácito consiste em se submeter o homem a todos os acontecimentos providenciais que Deus quer ou permite para nosso maior bem, e sobretudo para nossa santificação. Apoia-se neste fundamento que nada sucede sem a vontade ou permissão de Deus, e que Deus, sendo como é infinitamente sábio e infinitamente bom, não quer nem permite nada senão para bem das almas, ainda quando o não vejamos. "Para os que amam a Deus, diz S. Paulo, tudo coopera para o bem". (Rom. VIII, 28).
    Nosso Senhor Jesus Cristo, no Pai-Nosso mandou que pedíssemos: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu".
   Demos um exemplo: É da vontade signifcada de Deus que conservemos e defendamos a nossa Fé.
   Mas não sabemos com certeza qual seria o melhor meio para conservar e defender a nossa fé nesta crise que assola a Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mais especificamente: na presente conjuntura, se e como deveria a FSSPX fazer o "acordo" com a Santa Sé? Até entre os membros da própria Fraternidade não há um consenso. Todos, é claro, querem fazer o que for da santíssima vontade de Deus. Portanto, nada mais sábio e piedoso que o conselho de Sua Excelência Reverendíssima Dom Fellay: "Rezemos para que se faça a santíssima vontade de Deus".  
   Devemos conservar e defender sempre a nossa fé, e também devemos continuar rezando sempre. Devemos pedir sempre a Deus Nosso Senhor a graça de conformidade com a Sua Santíssima Vontade tanto significada quanto de beneplácito.  

AS FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  12 de setembro

   Quando fordes à adoração, deveis, em primeiro lugar, afugentar o demônio tomando água benta e fazendo um ato de contrição. É um dever de decoro a que está obrigado tanto o pobre como o rico. 

   Purificai-vos e entrai! Vindes à adoração fazer o papel dos anjos; sede, portanto, puros como eles. Oh! o estado de graça! O demônio nos distrai dele, e assim procuramos fazer pequenos atos de virtudes negligenciando a pureza de nossa consciência. E o que é um ato de virtude? É um fruto. A árvore que produz o fruto, depende da raiz; tende pois cuidado para que a raiz seja sã.

   O Senhor se agrada do louvor que parte dos lábios das criancinhas porque provém de um coração puro.

   Penetrai-vos destas ideias; tende em grande preço o estado de graça, dizendo frequentemente: - Na adoração. sou o representante da Igreja, de toda a família de Jesus Cristo, sou o advogado dos pobres e dos pecadores, seu intercessor; como ousaria pedir perdão para eles se eu mesmo sou pecador? Ademais, o Senhor somente atende à pureza, ao estado de graça. Os santos Lhe aplacavam a cólera porque, aos seus olhos, eram vítimas puras adornadas com a pureza de seu Filho, o Pontífice puro, inocente e sem mancha. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  11 de setembro

   A adoração eucarística tem por objeto a divina pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento que aí está vivo, deseja que Lhe falemos e quer nos falar também. Todos podem se dirigir a Nosso Senhor. Não permanece Ele aí para atender a todos? Não nos diz Ele: "Vinde todos a Mim?"

   O colóquio que se estabelece entre a alma e Jesus é a verdadeira meditação eucarística, é a adoração, para a qual todos recebem a graça necessária. 

   Considerai a vossa hora de adoração uma hora do paraíso. Ide fazê-la como se fôsseis para o céu, para o banquete divino; esta hora será então desejada e acolhida com alegria. Que o vosso coração suspire ternamente por ela, dizendo:  -  "Daqui a 4 horas, a 2 horas,  uma hora, irei à audiência da graça e do amor de Jesus, que me convidou e me espera".

   Quando a vossa hora for penosa à natureza, rejubilai-vos ainda mais. É a hora privilegiada, que será contada por duas! Quando, por doença ou impedimento justo, não puderdes fazer vossa adoração, deixai que o vosso coração se entristeça um instante; em seguida, uni-vos em espírito de adoração aos que adoram no momento. No leito de sofrimento, em viagem ou no trabalho, guardai nessa hora maior recolhimento e o fruto será o mesmo que se estivésseis aos pés do bom Mestre!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Prece de S. Luís M. G. de Montfort pedindo a Deus missionários para a Sua Companhia de Maria

   "Lembrai-vos, Senhor, lembrai-vos da vossa Congregação que desde o princípio vos pertenceu, e em que pensastes desde toda a eternidade; que seguráveis na vossa mão onipotente, quando, com uma palavra, tiráveis do nada o universo; e que escondíeis ainda em vosso coração, quando Vosso Filho, morrendo na cruz, a consagrou por sua morte, e a entregou, qual precioso depósito, à solicitude de sua Mãe Santíssima: Lembrai-vos da vossa Congregação que desde o início vos pertenceu.
   Atendei aos desígnios de vossa misericórdia, suscitai homens da vossa destra, tais quais mostrastes a alguns de vossos servos, a quem destes luzes proféticas, a um são Francisco de Paula, a um São Vicente Ferrer, a uma Santa Catarina de Sena, e a tantas outras grandes alma, no século passado e até neste, em que vivemos.
   Lembrai-vos: Onipotente Deus, lembrai-vos desta Companhia, ostentando sobre ela a onipotência de vosso braço, que não diminuiu, para dar-lhe a luz e produzi-la, e para conduzi-la à perfeição.
   Ó grande Deus que podeis fazer das pedras brutas outros tantos filhos de Abraão, dizei uma só palavra como Deus, e virão logo bons obreiros para a vossa seara, bons missionários para a vossa Igreja.
   Lembrai-vos: Deus de bondade, lembrai-vos de vossas antigas misericórdias, e, por essas mesmas misericórdias, lembrai-vos da vossa  Congregação; lembrai-vos das promessas reiteradas que nos tendes feito, por vossos profetas e pelo vosso próprio Filho, de sempre  atender favoravelmente a todos os nossos pedidos justos. Lembrai-vos das preces que, desde tantos séculos, vossos servos e servas para este fim vos têm dirigido; venham à vossa presença seus votos, seus soluços, suas lágrimas e seu sangue derramado, e poderosamente solicitem vossa misericórdia. Mas lembrai-vos sobretudo de vosso amado Filho: Olhai para a face de vosso Cristo. Comtemplem vossos olhos sua agonia, sua confusão, o seu amoroso queixume no Jardim das Oliveiras, quando disse: Que utilidade terá o meu sangue? Sua cruel morte e seu sangue derramado altamente vos clamam misericórdia, a fim de que, por meio desta Congregação, seja seu império estabelecido sobre os escombros do de seus inimigos.
   Lembrai-vos: Lembrai-vos, Senhor, desta Comunidade nos efeitos de vossa justiça. É tempo de cumprir o que prometestes. Vossa divina fé é transgredida; vosso Evangelho desprezado; abandonada, vossa Religião; torrentes de iniqüidades inundam toda a terra, e arrastam até os vossos servos; a terra toda está desolada; a impiedade está sobre um trono; vosso santuário é profanado, e a abominação entrou até no lugar santo. E assim deixareis tudo ao abandono, justo Senhor, Deus das vinganças? Tornar-se-á tudo afinal como Sodoma e Gomorra? Calar-vos-eis sempre? Não cumpre que seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu, e que a nós venha o vosso reino? Não mostrastes antecipadamente a alguns de vossos amigos uma futura renovação de vossa Igreja? Não se devem os judeus converter à verdade? Não é esta a expectativa da Igreja? Não vos clamam vos  todos os santos do céu: "Justiça!" Não vos dizem todos os justos da terra: "Sim, vinde, Senhor!" Não gemem todas as criaturas, até as mais insensíveis, sob o peso dos inumeráveis pecados de Babilônia, pedindo a vossa vinda para restabelecer todas as coisas?
   Atenção! Esta oração é grande: continuaremos a escrevê-la. Por gentileza, continue lendo-a.

Continuando a Prece de S. Luís M. G. de Montfort ( II )

   NB: Por estar escrevendo para o público, e, como nem todos, com certeza, entendem o latim, estou traduzindo algumas expressões latinas; e suprimindo outras sem prejudicar o sentido da prece.

   "Dai filhos e servos à vossa Mãe: quando não, fazei que eu morra. É por vossa Mãe que vos imploro. Lembrai-vos de suas entranhas e de seu seio, e não rejeiteis minhas súplicas; lembrai-vos de quem sois Filho, e atendei-me; lembrai-vos do que ela é para vós e do que sois para ela, e satisfazei a meus votos. Que vos peço eu? nada em meu favor, tudo para vossa glória. Que vos peço eu? O que podeis, e até ouso dizer, o que deveis conceder-me, como verdadeiro Deus que sois, a quem todo poder foi dado no céu e na terra, e como o melhor dos filhos, que amais infinitamente vossa Mãe.
   Que vos peço eu? Sacerdotes , livres de vossa liberdade, desprendidos de tudo, sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem irmãs, sem parentes segundo a carne, sem amigos segundo o mundo, sem bens, sem embaraços, sem cuidados, e até sem vontade própria.
   Escravos de vosso amor e de vossa vontade; homens segundo o vosso coração, que, sem vontade própria que os macule e faça parar, executem todas as vossas vontades, e derrubem todos os vossos inimigos, quais novos Davids, com o cajado da cruz e a funda do santíssimo Rosário, nas mãos.
   Almas elevadas da terra e cheias de celeste orvalho, que, sem obstáculos, voem de todos os lados, movidos pelo sopro do Espírito Santo. Em parte, foi delas que tiveram conhecimento vossos profetas, quando perguntaram: "Quem são estes que voam como nuvens? Para onde os impelia o ímpeto do espírito, para ali caminhavam".
   Almas sempre à vossa mão, sempre prontas a obedecer-vos, à voz de seus superiores, como Samuel: Eis-me aqui; sempre prontos a correr e a sofrer tudo por vós e convosco, como os apóstolos: Vamos também nós e morreremos com Ele.
   Verdadeiros filhos de Maria, vossa Mãe Santíssima, engendrados e concebidos por sua caridade, trazidos em seu seio, presos a seu peito, nutridos de seu leite, educados por sua solicitude, sustentados por seus braços e enriquecidos de suas graças.
   Verdadeiros servos da Santíssima Virgem, que, como outros tantos São Domingos, vão por toda parte, com o facho lúcido e ardente do santo Evangelho na boca, e na mão o santo Rosário, a ladrar, como cães fiéis, contra os lobos que só buscam estraçalhar o rebanho de Jesus Cristo; que vão, ardendo como fogos, e iluminando como sóis as trevas deste mundo; e que, por meio de uma verdadeira devoção interior, sem hipocrisia; exterior sem crítica; prudente, sem ignorância; terna, sem indiferença; constante, sem versatilidade, e santa, sem presunção, esmaguem, por todos os lugares em que estiverem, a cabeça da antiga serpente, a fim de que a maldição que sobre ela lançastes seja inteiramente cumprida. Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; e ela te esmagará a cabeça.
   É verdade, grande Deus, que o mundo há de armar, como predissestes, grandes ciladas ao calcanhar dessa mulher misteriosa, isto é, à pequena Companhia de seus filhos que hão de surgir perto do fim do mundo; é verdade que há de haver grandes inimizades entre essa bendita posteridade de Maria Santíssima e a raça maldita de satanás: mas é essa uma inimizade toda divina, a única de que sejais autor: Porei inimizades. Porém esses combates e essas perseguições dos filhos da raça de Belial contra a raça de vossa Mãe Santíssima só servirão para melhor fazer resplandecer o poder de vossa graça, a coragem da virtude dos vossos servos, e a autoridade de vossa Mãe, pois que lhes destes, desde o comêço do mundo, a missão de esmagar esse soberbo, pela humildade de seu coração: Ela te esmagará a cabeça.
   Continua na próxima postagem...

Continuando a Prece de S. Luís M. Gringnon de Montfort - ( III )

   Quando não, fazei que eu morra. Não é melhor para mim morrer do que Vos ver, meu Deus, todos os dias tão cruelmente e impunemente ofendido, e a mim mesmo ver todos os dias em risco de ser arrastado pelas torrentes de iniqüidades que aumentam a cada instante, sem que nada se lhes oponha? Ah! mil mortes me seriam mais toleráveis. Enviai-me o socorro do céu, ou senão chamai a minha alma. Sim, se eu não tivesse a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, haveis de ouvir este pobre pecador, nos interesses de vossa glória, como já ouvistes a tantos outros "Este pobre clamou e o Senhor ouviu-o", pedir-Vos-ia do mesmo modo que o profeta: "Tirai a minha alma". (= Elias)
   A confiança que tenho em vossa misericórdia faz-me, porém, dizer com outro profeta: "Não morrerei, mas viverei, e publicarei as obras do Senhor"; (=David). até que com o velho Simeão possa dizer: "Agora, Senhor, podeis deixar partir o vosso servo em paz, porque os meus olhos viram a vossa salvação, etc.
   Lembrai-Vos: Divino Espírito Santo, lembrai-Vos de produzir e de formar filhos de Deus, com Maria, vossa divina e fiel Esposa. Formastes Jesus Cristo, cabeça dos predestinados com ela e nela, e com ela e nela deveis formar todos os seus membros; nenhuma pessoa divina engendrais na Divindade, mas só Vós, únicamente Vós, formais todas as pessoas divinas, fora da Divindade, e todos os santos que têm existido e hão de existir até ao fim do mundo, são outros tantos produtos de vosso amor unido a Maria Santíssima. O reino especial de Deus Pai durou até o dilúvio, e foi terminado por um dilúvio de água; o reino de Jesus Cristo foi terminado por um dilúvio de sangue, mas o vosso reino, Espírito do Pai e do Filho, está continuando presentemente, e há de ser terminado por um dilúvio de fogo, de amor e de justiça.
   Quando virá este dilúvio de fogo do puro amor, que deveis atear em toda a terra de um modo tão suave e tão veemente que todas as nações, os turcos, os idólatras, e os próprios judeus hão de arder nele e converter-se? "Não há quem possa se esconder de seu calor".
   Que seja ateado. Seja ateado esse divino fogo que Jesus Cristo veio trazer à terra, antes que ateeis o fogo de vossa cólera, que há de reduzir tudo a cinzas. "Enviai, o vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra". Enviai à terra este Espírito todo de fogo, para nela criar sacerdotes todos de fogo, por cujo ministério seja a face da terra renovada, e reformada por vossa Igreja.
   Lembrai-Vos da Vossa Congregação: É uma congregação, uma assembleia, uma seleção, uma escolha de predestinados que deveis fazer no mundo e do mundo: "Eu vos escolhi do meio do mundo". É uma rebanho de pacíficos cordeiros que deveis ajuntar entre tantos lobos: uma companhia de castas pombas e de águias reais entre tantos corvos; um enxame de laboriosas abelhas entre tantos zangões; uma manada de céleres cervos entre tantas tartarugas; um batalhão de leões destemidos entre tantas lebres tímidas. Ah! Senhor: Reuni-nos de todas as nações; congregai-nos, uni-nos para que de tudo se renda toda a glória ao Vosso nome santo e poderoso.
  

Continuando a Prece de S. Luís M. Grignon de Montfort ( V )

  Predissestes esta ilustre Companhia a vosso profeta, que dela fala em termos muito obscuros e misteriosos, mas divinos: "Ó Deus, Vós reservastes uma chuva abundante para tua herança; e, quando ela enfraqueceu, Vós a reconfortastes. Nela morarão os da Vossa grei; na Vossa bondade, ó Deus, preparastes o sustento para o pobre. O Senhor dará a nova, e grande é o número dos mensageiros. O rei dos exércitos está em poder do seu muito amado, e a que é a formosura da casa reparte os despojos. Quando descansais no meio das vossas herdades, sois como as penas prateadas da pomba, na extremidade de cujo dorso há o brilho flavo do ouro. Enquanto o Altíssimo dispersa os reis da terra, tudo no (monte) Salmon branqueará de neve. O monte de Deus é um monte fértil, monte coagulado, monte fecundo. Mas, por que pensais em (outros) montes férteis? Há um monte em que aprouve a Deus morar, porque o Senhor habitará nele eternamente" ( Profeta David no Salmo LXVI, 10-17). 
   Qual é, Senhor, essa chuva abundante que separastes e escolhestes para vossa enfraquecida herança senão esses santos missionários, filhos de Maria Vossa Esposa, aos quais deveis congregar e separar do mundo, para bem de Vossa Igreja, tão enfraquecida e maculada pelos crimes de seus filhos?
   Quais são esses animais e esses pobres que hão de habitar em Vossa herança, e ser aí nutridos com a divina doçura que lhes haveis preparado, senão esses pobres missionários abandonados à Providência e transbordantes de Vossas delícias divinas; esses misteriosos animais de Ezequiel, que hão de ter a humanidade do homem, por sua desinteressada e benfazeja caridade para com o próximo; a coragem do leão por sua santa cólera  e por seu ardente e prudente zelo contra os demônios e filhos de Babilônia; a força do boi por seus trabalhos apostólicos e pela mortificação contra a carne; e finalmente a agilidade da águia, por sua contemplação em Deus?
   Tais são os missionários que quereis enviar à Vossa Igreja. Terão olhos de homem para o próximo, olhos de leão contra Vossos inimigos, olhos de boi contra si próprios, e olhos de águia para Vós. Estes imitadores dos Apóstolos pregarão com grande força e virtude, e tão grande, tão esplêndida, que hão de comover todos os espíritos e todos os corações nos lugares em que pregarem. A eles é que haveis de dar Vossa palavra; e até mesmo Vossa boca e vossa sabedoria à qual nenhum dos Vossos inimigos poderá resistir.
   Entre esses prediletos Vossos, ó amabilíssimo Jesus, é que tomareis Vossas complacências na qualidade de Rei das virtudes, pois que em todas as suas missões não hão de ter por objeto senão dar-Vos toda a glória das vitórias que alcançarem sobre Vossos inimigos: O Rei dos exércitos está em poder do seu muito amado, e a que é a formosura da casa reparte os despojos. 
   Por seu abandono à Providência e pela devoção à Maria Santíssima terão as asas prateadas da pomba: quando descansais no meio das Vossas herdades, sois como as penas prateadas da pomba: isto é, uma perfeita caridade para com o próximo, para suportar-lhe os defeitos, e um grande amor a Jesus Cristo, para levar a sua cruz.  
   Só Vós, ó Jesus, como Rei dos céus e Rei dos reis, haveis de separar do mundo esses missionários, como outros tantos reis, para torná-los mais brancos que a neve sobre a montanha de Salmon, montanha de Deus, montanha abundante e fértil, montanha forte e coagulada, montanha em que Deus se compraz maravilhosamente, e na qual habita e há de habitar até ao fim.

Terminando a Prece de S. Luís M. Grignon de Montfort - ( VI )

   "Qual é, Senhor Deus de verdade, essa montanha misteriosa de que nos dizeis tantas maravilhas, senão Maria, Vossa diletíssima Esposa, cuja base pusestes sobre o cimo das mais altas montanhas?
   Felizes e mil vezes felizes os sacerdotes que tão bem elegestes e predestinastes para convosco habitar nessa abundante e divina montanha, para aí se tornarem reis da eternidade, pelo desprezo da terra e pela elevação em Deus; para aí se tornarem mais brancos que a neve pela união a Maria, Vossa Esposa toda formosa, toda pura e toda imaculada; para aí se enriquecerem do orvalho do céu e da fecundidade da terra, de todas as bênçãos temporais e eternas de que está toda cheia Maria Santíssima.
   É do alto desta montanha que hão de lançar, quais novos Moisés, por suas ardentes súplicas dardos contra seus inimigos, para prostrá-los ou para convertê-los; é sobre esta montanha que hão de aprender da própria boca de Jesus Cristo, que aí está sempre, a inteligência das suas oito bem-aventuranças; é sobre essa montanha de Deus que com Ele hão de ser transfigurados como no Tabor, que hão de morrer com Ele, como no Calvário, e que hão de subir com Ele ao céu, como na montanha das Oliveiras.
   Lembrai-Vos de Vossa Congregação. Só a Vós compete formar por Vossa graça essa assembleia; se o homem meter mãos à obra antes de Vós, nada se fará; se quiser misturar o que é dele com o que é vosso, estragará tudo, destruirá tudo. Da Vossa Congregação: é trabalho Vosso, grande Deus: Fazei a Vossa obra, fazei uma obra toda divina; ajuntai, chamai, convocai de todas as partes de Vossos domínios Vossos eleitos para deles fazer um exército contra Vossos inimigos.
   Vede, Senhor Deus dos exércitos, os capitães que formam companhias complexas, os potentados que ajuntam numerosos exércitos, os navegadores que reúnem frotas inteiras, os mercadores que se congregam em grande número nos mercados e nas feiras! Quantos bandidos, ímpios, ébrios e libertinos se unem em massa contra Vós todos os dias, e isto com tanta facilidade e prontidão! Basta soltar um assobio, rufar um tambor, mostrar a ponta embotada de uma espada, prometer um ramo seco de louros, oferecer um pedaço de terra amarela ou branca; basta, em poucas palavras, uma fumaça de honra, um interesse de nada, um mesquinho prazer animal que se tem em vista, para num instante reunir os bandidos, ajuntar os soldados, congregar os batalhões, convocar os mercadores, encher as casas e os mercados, e cobrir a terra e o mar de uma multidão inumerável de réprobos, que, embora divididos todos entre si, ou pelo afastamento dos lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses, se unem, entretanto, e se ligam até à morte, para fazer-Vos guerra sob o estandarte e sob o comando do demônio.
   E nós, grande Deus! embora haja tanta glória e tanto lucro, tanta doçura e vantagem em servir-Vos, quase ninguém tomará Vosso partido? Quase nenhum soldado se alistará em Vossas fileiras? Quase nenhum São Miguel clamará, no meio de seus irmãos, cheio de zelo para Vossa glória: Quem como Deus?
   Ah! permiti que brade por toda parte: Fogo! fogo! fogo! socorro! socorro! socorro! Fogo na casa de Deus! fogo nas almas! fogo até no santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão! socorro, que degolam nossos filhos! socorro, que apunhalam nosso bom Pai! Quem é do lado do Senhor, junte-se a nós: venham todos os bons sacerdotes que estão espalhados pelo mundo cristão, os que estão atualmente na peleja, e os que se retiraram do combate para se embrenharem pelos desertos e ermos, venham todos esses bons sacerdotes e se unam a nós. A união faz a força, para que formemos, sob o estandarte da cruz, um exército em boa ordem de batalha e bem disciplinado, para de concerto atacar os inimigos de Deus que já "tocaram a rebate, embraveceram-se, rangeram os dentes, coligaram-se. Rompamos os seus laços, e sacudamos de nós o seu jugo. Aquela que habita nos céus zombará deles. Levantai-Vos, Deus, e sejam dispersos os vossos inimigos. Levantai-Vos, Senhor, por que dormis? Levantai-Vos". (São palavras dos Salmos).
   Erguei-Vos, Senhor:  por que pareceis dormir? Erguei-Vos em todo Vosso poder, em toda a Vossa misericórdia e justiça, para formar-Vos uma companhia seleta de guardas que velem a Vossa casa, defendam Vossa glória e salvem tantas almas que custam todo o Vosso Sangue, para que só haja um aprisco e um pastor, e que todos Vos rendam glória em Vosso santo Templo. Amém.

Obs.: Dispunha-me a escrever alguns artigos para mostrar que a Santa Igreja é missionária e não ecumênica. Mas veio-me à lembrança a Prece de São Luís Maria Grignon de Montfort pedindo a Deus missionários. Decidi transcrever esta inflamada oração onde fica patente o espírito missionário da Igreja e igualmente claro que a Igreja não é ecumênica. Depois das Sagradas Escrituras, da Sagrada Tradição e dos documentos infalíveis do Magistério, nada mais seguro do que os escritos dos santos.

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  10 de sembro

   Adorar é partilhar a vida de Maria sobre a terra quando adorava o Verbo Encarnado em seu próprio seio virginal, e quando O adorava no presépio, na cruz, na divina Eucaristia.

   Adorar é partilhar a vida das grandes almas, cuja felicidade neste mundo consistia em permanecer ao pé do tabernáculo para adorar o Deus aí oculto e render-Lhe toda a glória, todo o amor de que eram capazes; almas que tinham amor à vida unicamente por causa do tabernáculo, pois que só viviam para se mergulhar e consumir nas chamas do amor divino. 

   Adorar é partilhar a vida dos santos no céu, onde eternamente louvam e bendizem o amor, a bondade, o poder, a glória, a divindade do Cordeiro imolado pela salvação dos homens e pela maior glória de Deus seu Pai.

   Que felicidade, começar na terra o que faremos por toda a eternidade aos pés do trono de Deus! Que ventura, fazer parte da côrte eucarística de Jesus Cristo neste mundo, conviver com a sua adorável pessoa, constituir-Lhe uma guarda de honra, viver desde já uma vida celeste!

   Adorar é o ato soberano da virtude de religião, e que, por si só, substitui os outros todos, porque possui o valor de todos, e de todos é o fim. 


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  9  de setembro

   Não é no céu que a alma adoradora deve procurar Jesus, e sim no Santíssimo Sacramento.

   Eis sobre a terra, o único tesouro dessa alma, seu único prazer; e visto que Jesus está na Eucaristia para ele individualmente, toda a sua vida se deixa atrair por este Sacramento como o ímã para o seu centro. Com a Sagrada Hóstia, o adorador está bem em toda a parte; não existe para ele exílio, nem deserto, nem privação ou infelicidade. A Eucaristia é o seu tudo. Se alguém lhe quiser infligir um castigo, torná-lo infeliz, fazê-lo morrer de tristeza, que o afaste do Deus do tabernáculo. A sua vida não passaria então de prolongada agonia, e todos os bens e glórias deste mundo ser-lhe-iam pesados grilhões. . Como o israelita cativo chorando à margem do rio de Babilônia com saudades de Sião, o discípulo da Eucaristia derramaria lágrimas amargas lembrando-se do cenáculo. 

   Deste modo, o primeiro cuidado de um adorador ao chegar em terra estranha é procurar o palácio de seu Rei, indagando por toda parte, e quando percebe ao longe a torre içada aos céus que lhe revela a morada de seu Deus, pulsa-lhe o coração de alegria, semelhante ao do filho carinhoso ao avistar o teto paterno que há muito não vê. 

   

terça-feira, 8 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  8 de setembro

   Não considereis tempo perdido para o bem os momentos que passais ao pé do altar; é quando o grão está escondido na terra que se produz a sua fecundidade.

   O entretenimento eucarístico  -  eis a semente das virtudes.

   Não faltam hoje em dia almas devotadas a todas as obras de zelo; são louvadas, e até demais, talvez. Ah! que o íntimo de seus corações esteja em relação com o zelo exterior: que essas almas se alimentem de oração.

   Sede portanto de fogo, mas primeiramente sob a cinza, concentrado em vós mesmo, a fim de acumular a força de explosão. Sede depois qual chama que ilumina, que aquece e consome tudo em seu redor. 

   Amamos muito pouco o divino Mestre, e nosso amor é tão finito! É mister indenizá-Lo fazendo-O conhecido, amado e servido. Se a fé nos faz discípulos de Jesus, o amor nos torna apóstolos. 

   Que as vossas virtudes, portanto, se tornem amáveis e atraentes para o próximo, e para isto conseguirdes, revesti-vos da mansidão de Jesus Cristo; nada é tão amável quanto a simplicidade, a ausência de pretensão; a virtude que se oculta e que não faz alarde, é querida por todos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  7 de setembro

 


 A primeira missão da milícia eucarística é constituir uma guarda de honra a Jesus Cristo em seu trono.

   Mas é necessário servir e combater. Não se trata mais de defender uma verdade da fé, mas o próprio rei da verdade, atacado por toda parte: o momento não é de se fazer profissão desta ou daquela virtude evangélica. Trata-se de servir e tornar conhecido Nosso Senhor abandonado em seu Sacramento de amor; é para atrair inumeráveis adoradores a seus pés que Ele é exposto e apresentado.

   É preciso pregar a divina Eucaristia oportuna e inoportunamente, em todo lugar e sempre. em qualquer relação social, em todo ato exterior, que Nosso Senhor tenha a sua parte. "Dum omni modo Christus annuntietur" (1ª Filp. I, 18).

   Ouvem-se proclamar princípios ateus, veem-se pessoas se gloriarem de não ter fé, e nós, não ousaríamos afirmar a nossa fé e pronunciar o nome de nosso divino Mestre? Se as almas de fé tomassem a resolução de n'Ele falar sem receio, bem depressa transformariam o mundo, conseguiriam que se tornasse natural pensar em Nosso Senhor. Os dois exércitos se enfrentam. É necessário ser bom ou mau, pertencer a Jesus Cristo ou a Satanás. Pois bem! Confessai a Jesus Cristo, pronunciai-lhe o nome. Jesus é o vosso estandarte, sabei levá-lo galharda e altivamente

           [ Mas hoje, o que vemos? Em se tratando de defesa pessoal algumas autoridades e seus asseclas viram uma fera e se lançam em cima e exigem reparação. Quando, porém, Jesus é ofendido, ou  fazem vistas grossas, ou falam com tanto receio em  defesa do Rei dos reis, que parece que não estão convencidos de que Nosso Senhor Jesus Cristo  é o Mestre. Falam tão light que parecem temer os homens!] (Este último parágrafo é uma observação minha).  

domingo, 6 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  6 de setembro

      O perfeito adorador em espírito e em verdade deve estimar, amar e praticar as virtudes, mesmo as mais sublimes, como preparação, conveniência e perfeição do serviço eucarístico de Jesus Cristo.

   As virtudes de preparação são as que nos corrigem de nossos defeitos, como a penitência, a humildade, que destroem  os nossos vícios e o nosso orgulho; a mortificação, que se opõe à sensualidade; a caridade, ao egoísmo; a pureza de consciência, à toda infidelidade. Um servo desleixado não ousaria apesentar-se ao seu amo; um vingativo, ao seu Salvador imolado; um orgulhoso, ao seu Deus humilhado. Assim, um adorador deve começar por extirpar e corrigir em si tudo o que possa ofender o olhar do Deus da Eucaristia. 

   Existem ainda virtudes de honra e conveniência; são as virtudes de Jesus retraçadas no adorador, não mais como remédios pessoais e sim como educação, como qualidades para bem desempenhar seu serviço e agradar o seu Mestre.

   Enfim, um bom adorador, conhecendo que Jesus Cristo, seu Senhor, dedica um amor de predileção à humildade, à doçura de coração, abraça com fervor o estudo e a prática dessas virtudes, nelas se inspira, delas se reveste como de um manto de honra. E como recompensa de seus sacrifícios pede somente uma coisa: ser agradável ao Mestre. 



sábado, 5 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  5 de setembro

   Toda a perfeição de um adorador consiste em se consagrar continuamente a Jesus, por amor, visto que a sua vida é uma incessante criação de sua bondade, um tecido de seus benefícios. 

   Quanto mais pura for a vossa doação, mais perfeita será. Portanto, nada de reserva, nada de condições, no régio serviço de Nosso Senhor! Amar puramente é amar a Jesus Jesus Cristo por causa d'Ele mesmo, por ser Ele quem é, porque merece o nosso amor.

   Mas como atingir essa vida, esse estado de amor? É muito fácil. O homem é amor; não tem necessidade de aprender a amar; ama e se dedica. Mas o despertar do amor, bem como o que o nutre e eleva até transformá-lo na mais nobre paixão da vida é a vista, a contemplação do objeto amado, é a verdade conhecida em sua bondade e em sua beleza, bondade toda pessoal para com cada um de nós. 

   Quereis então viver de amor, ser feliz nessa vida de amor? Permanecei no pensamento da bondade de Deus, sempre nova para vós; acompanhai em Jesus, o trabalho de seu amor para convosco. Começai todas as vossas ações e também as vossas adorações por um ato de amor, e abrireis assim, deliciosamente, vossa alma à ação de Jesus. O amor é a única porta do coração. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  4 de setembro

   A alma que comunga frequentemente  - ouso dizer sem medo de errar   -  possui como graça dominante um atrativo especial pela Eucaristia; a ela devem se dirigir as demais devoções como à sua mãe e rainha, e dela se alimentar, impregnando-se do espírito eucarístico. 

   É necessário corresponder a esta graça por uma grande fidelidade, porque se formos infiéis à nossa graça predominante, nós o seremos às outras todas. Devemos, além disto, agradecê-la, e se a gratidão se mede pela grandeza do benefício recebido, qual não deve ser a nossa para com Jesus por nos ter concedido semelhante graça?

   Impõe-se ainda de nossa parte um trabalho perseverante e uniforme, no qual colaborem o coração, o espírito, a vida, em perfeita harmonia, sob a influência única dessa graça soberana. 

   Na árvore, a seiva está no âmago, protegida pela madeira e pela casca contra os frios do inverno, e isto porque a seiva é a vida.

   A seiva de vossa alma é esse atrativo supremo que dará fecundidade a todas as ramificações de vossa vida. Conservai-a bem, defendei-a como  o coração, como a alma de vossa vida espiritual. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


 Leitura espiritual  -  3 de setembro

   A graça do atrativo eucarístico constitui um instinto, uma lei do coração, que exerce influência sobre a nossa vida e nos leva espontaneamente à Eucaristia.

   Essa graça torna-se o nosso espírito, imprime-se em todos os nossos pensamentos, palavras e atos; tudo o que diz respeito à Eucaristia torna-se mais agradável, mais fácil de executar, e o fazemos mais cordialmente.

   O espírito de família, em verdade, não se impõe pelo raciocínio; sorvemo-lo com o leite materno, é-nos uma ciência infusa. O mesmo acontece com a graça eucarística, quando é o nosso atrativo dominante.

   Quem possui a felicidade de semelhante graça deve cooperar com ela, estabelecendo a unidade na devoção e na prática das virtudes. É mister que a oração, a contemplação, façam esta força operar em nós e a desenvolvam; devemos alimentá-la por meio da leitura e da prece. Para se entreter o fogo, deve-se lançar-lhe sempre combustível. Se quiserdes obter o máximo vigor para vossa graça de vida, aumentai-lhe sem cessar as forças e sede-lhe fiel.  

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  2 de setembro


 Quando Jesus Cristo quer infundir numa alma a graça soberana da Eucaristia começa por prepará-la por uma graça de sentimento, talvez pouco apreciada no princípio.

   A felicidade da presença de Jesus, no dia da primeira Comunhão, foi para nós um primeiro atrativo, sem que o percebêssemos; e assim como a semente se desenvolve insensivelmente sob a terra, ele foi se avigorando em nós e mais tarde, devido aos nossos cuidados, tornou-se uma necessidade, uma aptidão, um espírito, um instinto.

   Tudo, então, nos leva à Eucaristia; se esta vier a nos faltar, tudo nos faltará igualmente.

   A alma dominada por esse atrativo dirige a sua piedade, suas virtudes, para o Santíssimo Sacramento, sente necessidade da Santa Missa, da Comunhão; é movida a entrar nas igrejas, a procurar o tabernáculo, que parece estar sempre a chamá-la. Que é isto, então? É a sua graça soberana, que a educou e se tornou mãe de todas as outras graças, o princípio e o móvel de todas as suas ações e em virtude da qual exclamará: "Sinto-me penetrada de devoção para com o Santíssimo Sacramento; somente em sua presença me sinto bem, e isto sem esforço algum". 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

QUAIS SÃO OS FINS DO SACRIFÍCIO DA MISSA





  Para completar a postagem anterior, vou, com a graça de Deus, fazer um resumo dos quatro fins da Santa Missa: 1º - ADORAÇÃO;  2º - AÇÃO DE GRAÇAS;  3º - PROPICIAÇÃO;  4º - IMPETRAÇÃO.
   1º ADORAÇÃO: O Sacrifício é, antes de tudo, um testemunho exterior dos sentimentos de reverência absoluta diante do senhorio de Deus. Ora, Cristo pela oblação reverente da própria vida, na Cruz, reconheceu o soberano direito de Deus sobre os homens. Essa oblação se repete na Missa, que significa o supremo obséquio com que Cristo e os seus membros prestam ao Pai Onipotente toda honra e glória.
   2º - AÇÃO DE GRAÇAS: Aprêço pelo esplendor das divinas dádivas, espanto pela gratuidade de tamanhos benefícios. Afim de testemunhar nossa gratidão, oferecemos ao Benfeitor algo que nos é precioso. Que há de mais precioso que Jesus Cristo? Por Ele, em nome d'Ele, rendemos graças a Deus, igualando o benefício recebido. A Missa é Eucaristia, isto é, ação de graças. Eucaristia vem do grego. Quer dizer Ação de graças.
   3º - PROPICIAÇÃO: Usurpamos, pelo pecado, o lugar de Deus, determinando pela nossa cabeça e bel-prazer, o bem e o mal, e nos colocando com todo orgulho como fins derradeiros de nossa vida. Para restabelecer a ordem subvertida, devemos dobrar-nos, entregar de novo a Deus a posse e direção de nossa existência, e assim desagravá-Lo. Só Nosso Senhor Jesus Cristo pode expiar condignamente, pelo Seu Sacrifício, a ofensa feita ao Deus infinito. A cada pecador, este Sacrifício se aplica sobretudo pelos Sacramentos e a Santa Missa. A Missa é Sacrifício expiatório, pois torna presente a Cristo em estado de vítima, com o Seu Corpo entregue por nós e o Seu Sangue derramado por nossos pecados. Propiciação sacramental, toda ela subordinada à expiação cruenta do Calvário, para nos aplicar-lhe os frutos, apagar nossas faltas cotidianas. 1º A virtude propiciatória da Missa exige nossa colaboração: sinceridade e fé, temor e respeito, contrição e penitência; 2º dadas estas condições, PERDOA OS PECADOS, aplacando o Senhor e obtendo-lhe os auxílios. Todavia, não apaga imediatamente o pecado mortal, nem infunde, pois, imediatamente a graça santificante como faz o sacramento da Penitência, mas NOS MERECE - POR VIRTUDE PRÓPRIA E INFALÍVEL - A GRAÇA ATUAL E O DOM DO ARREPENDIMENTO, MEDIANTE OS QUAIS SE APAGARÁ O PECADO E A ALMA SERÁ SANTIFICADA. 3º Satisfaz de modo infalível e imediato pelas PENAS TEMPORAIS devidas ao pecado. Por isso pode a Missa ser oferecida pelos defuntos que padecem no purgatório.
   4º IMPETRAÇÃO: Sobre o altar, Jesus Cristo continua a Sua mediação, para que sejamos cumulados de todo bem e graça. A Santa Missa tem indizível força impetratória, primeiro por ser prece do próprio Jesus Cristo, que vive para interceder por nós, apresentando ao Pai a sua Paixão; e segundo, por ser prece da Igreja, que une as suas súplicas às do Esposo. - Observação: Devemos todavia conservar em nossos pedidos a ordem que indica a Liturgia: 1º) antes de tudo orar pelas intenções da Igreja; 2º) pedir graças espirituais para nós e o outros; 3º) implorar favores temporais, na medida em que forem úteis à nossa salvação.
   Apenas mais uma observação: Os frutos de propiciação e impetração a serem de fato aplicados, dependem dos desígnios de Sabedoria Divina e da devoção de cada qual.

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  1 de setembro

   A graça dominante de uma alma tem dois efeitos: traça-lhe primeiramente o caminho que ela deve seguir em sua vida interior, e a conduz, em seguida, a uma vocação especial. Esta graça das graças formará o caráter da piedade, da virtude, da vida; será a força motriz de todos os seus atos, de tal sorte que a alma tudo fará sob o impulso de um movimento único.

   A graça do atrativo eucarístico é muito comum, é mesmo mais comum, na piedade, que os demais atrativos, e entre as almas que se sentem chamadas à perfeição, é maior o número das que são atraídas pela graça eucarística. É que esta graça é mais fácil, mais ao nosso alcance; seus meios são mais suaves, mais atraentes. 

   Para vos dirigirdes, por exemplo, pelo pensamento da Paixão, é necessário fazê-la reviver por uma fé intensa e um grande amor; é um mistério passado, longínquo, e que, separado da Comunhão, tornar-se-á um atrativo imolante e cruciante.

   A graça que nos leva à Eucaristia, pelo contrário, é uma graça de doçura, de expansão do nosso amor em Jesus Cristo.

   Ora, é mais fácil para a alma expandir-se do que se crucificar. 

TEMA DAS REFLEXÕES SOBRE A EUCARISTIA PARA O MÊS DE SETEMBRO


   As leituras espirituais sobre a Santíssima Eucaristia neste mês de setembro terão como tema o Espírito de Adoração hauridos nos quatro fins do Santo Sacrifício da Missa.

 "Há de chegar a hora  -  e já chegou  -  em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura" (S. João, IV, 23).

   A graça mais excelente, o atrativo supremo, é o que nos leva ao Santíssimo Sacramento. É superior ao atrativo pela Paixão e por outro qualquer mistério, é superior mesmo ao atrativo do céu, ao pensamento da beatitude.

   E por que? Porque o seu objeto é mais perfeito, mais apto a nos santificar e nos tornar felizes.

   Esta graça, na verdade nos aproxima de Jesus mais do que outra qualquer. Torna mais íntima a união com Ele, visto que a flama de seu amor nos cerca por todos os lados; cumpre-nos cooperar, unindo a nossa pequenina chama a esse foco, a fim de que ardam em conjunto.

   O atrativo pelo Santíssimo Sacramento é a graça das graças. Imprime à vida um caráter mais perfeito, e além de nos traçar um cominho mais fácil para chegar aos outros mistérios, constitui-lhes a vida e exaltação,  e encerra, ao mesmo tempo, a glorificação de todas as virtudes, de todas as perfeições.

   "Memoriam fecit mirabilium suorum": o Senhor resumiu nessa graça todas as suas maravilhas de glória, de virtudes e de santidade.