quinta-feira, 30 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  30 de abril

   A Comunhão é o traço de união que Nosso Senhor estabelece entre o Pai Celeste e nós.

   Ao deixar a terra onde viveu unicamente para a glória do Pai, Jesus não quis que ele ficasse privado da homenagem de suas ações humano-divinas. Multiplica-se então, estendendo a sua vida às almas que O recebem, e apresentando-as ao Pai Lhe diz: "Vim gozar de minha glória à vossa direita, porém, me encarno de novo em todos esses cristãos a fim de vos honrar por eles e neles. Quero fazer deles e de Mim, um só religioso de vossa glória".

   Oh! omo Nosso Senhor sabe aliar admiravelmente a glória de seu Pai à nossa felicidade! Quem será capaz de compreender esta maravilha do amor do Filho para com o Pai Celeste e para conosco? Que divina indústria emprega Ele para nos tornar participantes da glória e nos fazer merecer uma recompensa mais abundante!

   Que a Comunhão seja, portanto, o centro de nossa vida e de nossas ações. Procuremos viver para comungar, e comungar para viver santamente e glorificar a Deus em nós, que um dia nos há de glorificar a Deus em nós, que um dia nos há de glorificar magnificamente em sua eterna bem-aventurança. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  29


   Jesus Cristo comunica à alma dedicada a graça do esquecimento de si mesma, a completa despreocupação com o próprio eu.

   A alma que comunga deve chegar a amar a Nosso Senhor por Ele mesmo, dedicar-se sem dizer: - Que receberei em troca? Não ama verdadeiramente quem pede recompensa por tudo quanto faz.

   Viver de Jesus em proveito próprio é bom, mas viver d'Ele para Ele é melhor. Nosso Senhor quer que a alma se esqueça de si mesma, e pede àquelas que na verdade O amam que se percam de vista, e se abandonem generosamente a Ele, confiando-Lhe sem hesitação todos os interesses, tanto da alma como do corpo, no tempo e na eternidade.

   Coragem! Dai tudo a Nosso Senhor, almas que viveis da comunhão! Vossas obras, vossos méritos, vosso coração com todos os seus afetos, mesmo os mais justos e legítimos. Nosso Senhor nos pede tudo para nos dar ainda mais, semelhante à mãe que, para experimentar a afeição do filhinho, lhe pede os seus brinquedos, e, contente de verificar que é amada acima de tudo, lhos devolve com outros ainda mais belos. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  28 de abril


  
 Ao se consumirem as espécies, depois da Comunhão, desaparece a presença corporal de Nosso Senhor, mas, se o pecado não O afastar, nosso corpo continuará participando da virtude do corpo de Jesus. Recebe dele a força, a graça, a integridade e os costumes, anima-se com a seiva de Nosso Senhor, espiritualiza-se.

   O nosso corpo, entretanto, se bem que receba a honra em primeiro lugar, é apenas uma ante-câmara por onde passa Nosso Senhor, que se dirige diretamente à alma e lhe diz: "Quero desposar-te para sempre".

   A alma O recebe e participa de sua vida divina; perde-se, por assim dizer, em Nosso Senhor. Desde então, somente procura o que Lhe agrada e Lhe dá prazer, penetrada que está da intuição delicada com que Jesus discerne as coisas que se referem à glória do Pai, intuição que tudo aprecia sob o prisma divino.

   A alma que não possui este sentimento de delicadeza procura-se a si mesma em tudo, e, ao comungar, pensará tão somente nas doçuras que poderá fruir. A delicadeza é a flor do amor. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

SANTO TOMÁS DE AQUINO EXPLICA A SANTA MISSA E TREZENTOS ANOS DEPOIS, SÃO PIO V A CODIFICOU E CANONIZOU

   Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, questão LXXXIII, artigo IV e V.
ART. IV. - Se foram convenientemente ordenadas as palavras proferidas neste sacramento.
ART. V.  - Se as cerimônias usadas na celebração deste mistério são convenientes.
Nota: Alterei a ordem da matéria, colocando as objeções para o fim. As observações em verde, são minhas.
  ARTIGO IV - Explicação das palavras da Santa Missa
   Um documento denominado: "De Consecratione, dist. 1º" (ndt - é um documento extraído dum livro antiqüíssimo: "Constituições Apostólicas") diz: "Tiago, irmão(primo) do Senhor e (S.) Basílio Cesariense Bispo, regularam a celebração da missa". Dada a autoridade destes homens (São Tiago, Apóstolo e São Basílio, Bispo) devemos dizer que nada se diz na Missa que não seja apropriado.[Seria disparate compará-los com Bugnini.]
    EXPLICAÇÃO para solução de qualquer dúvida: Este sacramento compreende todo o mistério da nossa salvação. Por isso, é celebrado com mais solenidade que todos os outros. E porque lemos nas Sagradas Escrituras, Eclesiástico IV, 17: "Vê onde põe o teu pé quando entras na casa de Deus"; e Eclesiástico, XVIII, 23: "Prepara a tua alma antes da oração". Por isso, antes da celebração deste mistério, vem em primeiro lugar a preparação, para se bem fazer o que se segue. - Desta preparação, a primeira parte é o louvor a Deus, que se faz no Intróito, segundo aquilo das Sagradas Escrituras: "Sacrifício de louvor me honrará; e ali o caminho por onde lhe mostrarei a salvação de Deus" (Salmo XLIX, 23). E este louvor de Deus é tirado, no mais das vezes, dos salmos, ou pelo menos é cantado com um Salmo, porque, como diz (S.) Dionísio, os salmos como louvores, abrangem tudo o que está contido nas Sagradas Escrituras. - A segunda parte (Santo Tomás, mais na frente, vai se referir ao Confiteor). contém a confissão de nossa miséria presente, quando o sacerdote implora misericórdia, dizendo Kyrie eleison, três vezes pela pessoa do Pai; três pela pessoa do Filho, quando diz Christe eleison; e três pela pessoa do Espírito Santo, quando acrescenta Kyrie eleison. Três súplicas contra a nossa tríplice miséria - da ignorância, da culpa e da pena; ou para significar também que as três pessoas divinas estão reciprocamente uma na outra. - A terceira parte comemora a Glória Celeste, a que tendemos depois da miséria presente, quando se diz: Gloria in excelsis Deo; o que se canta nas festas em que se comemora a glória celeste, e se omite nos ofícios fúnebres e de penitência que só comemoram a miséria da vida presente. - A quarta parte contém a oração que o sacerdote faz pelo povo, para que ele (=o povo) seja digno de tão grandes mistérios.
   Em segundo lugar vem a instrução do povo fiel, porque este sacramento é  o mistério de fé. E essa instrução dispositivamente se faz pela doutrina dos Profetas e dos Apóstolos, lida na Igreja pelos leitores e subdiáconos. É a Epístola. E depois desta lição o coro canta o Gradual, que significa o progresso na vida espiritual; o Alleluia, símbolo da exultação espiritual; ou o Tractus, nos ofícios fúnebres e de penitências, que significa os gemidos espirituais. Porque de tudo isso o povo deve dar mostras. - Pela doutrina de Cristo, contida no Evangelho o povo é perfeitamente instruído; e é lida pelos diáconos, ministros do grau mais elevado. E por crermos em Cristo, como na Verdade divina, segundo aquilo do Evangelho: "Se eu vos digo a verdade, porque me não credes? (São João, VIII, 46). - Lido o Evangelho, canta-se  o Símbolo da Fé, (o Credo) pelo qual todo o povo mostra o seu assentimento à fé na doutrina de Cristo. O Símbolo se canta nas festas de que se faz nele alguma menção, como nas de Cristo e da Santíssima Virgem. E nas dos Apóstolos que fundaram esta fé, e em outras semelhantes.
   Assim, pois, preparado e instruído o povo, passa o sacerdote à celebração do mistério. E este é oferecido como sacrifício, e consagrado  e tomado como sacramento. E então, primeiro, se realiza a oblação; segundo, a consagração da matéria oferecida; terceiro, a recepção dela.
   A oblação se compõe de duas partes: o louvor do povo no canto do ofertório, símbolo da alegria dos oferentes; e a oração do sacerdote, que pede seja aceita de Deus a oblação do povo. Por isso disse David: "Eu te ofereci alegre todas estas coisas na simplicidade do meu coração; e eu vi que o teu povo, que aqui está junto, te ofereceu os seus presentes com grande alegria" (Paralepômenos [hoje= 1CRÔNICAS], XXIX, 17 e 18).
   E depois vem a Consagração já com o prefácio onde a Igreja procura despertar a devoção do povo; por isso adverte-o a ter os corações elevados para o Senhor - "Sursum corda; habemus ad Dominum = Corações ao alto! Já os temos para o Senhor!". Donde, acabado o prefácio, a Igreja louva devotamente a divindade de Cristo, dizendo com os anjos: "Sanctus, Sanctus, Sanctus" (Isaías, VI, 3). E louva igualmente a hmanidade de Cristo dizendo com os meninos: "Benedictus qui venit" (Mateus, XXI, 9,15). Depois o sacerdote comemora, em secreto, aqueles por quem oferece o sacrifício, isto é, pela Igreja universal e pelos que estão elevados em dignidade (1 Tim. II, 2); e especialmente certos que oferecem ou por quem é oferecido. - Em sgundo lugar, comemora os santos, quando lhes implora o patrocínio pelo que acabou de recomendar, ao dizer: "Communicantes e memoriam venerantes,etc" (="Unidos numa mesma comunhão, honremos a memória"... ).  Enfim, em terceiro lugar, conclui a petição, quando diz: "Hanc igitur oblationem etc." (=Assim, pois, esta oblação"...) para que se faça a oblação por aqueles por quem é oferecido o sacramento.
    Em seguida passa propriamente à consagração, na qual, - primeiro - pede o efeito dela, quando diz: "Quam oblationem tu, Deus..." (=Cuja oblação, ó Deus...). Segundo, faz a consagração, pronunciando as palavras do Senhor, quando disse: "Qui pridie quam pateretur..." (=O qual na véspera de sua Paixão...). - Terceiro - escusa-se da sua ousadia por obediência ao mandado de Cristo, quando diz: "Unde et memores..." (=É porque, lembrando-nos...). - Quarto - pede que seja aceito de Deus o sacrifício celebrado, quando diz: "Supra quae propitio..." (=Sobre os quais com propício...). - Quinto - pede o efeito deste sacrifício e sacramento: 1º - para os que o receberem, quando diz: "Suplices te rogamus..." (=Nós Vos suplicamos, humildemente...); 2º - para os mortos que já não podem receber, quando diz: "Memento etiam, Domine..." (=Lembrai-vos também, Senhor... ); 3º - especialmente pelos sacerdotes mesmos que o oferecem, quando diz: "Nobis quoque peccatoribus..." (=A nós também, pecadores...".
    A seguir vem a recepção do sacramento. - E primeiro o povo é preparado para o receber -primeiramente, pela oração comum de todo o povo, que é a oração dominical, na qual pedimos: o pão nosso de cada dia nos dai hoje; e também pela oração particular, que o sacerdote especialmente oferece pelo povo, quando diz: "Libera nos, quaesumus, Domine..." (=Livrai-nos, Senhor, nós volo pedimos...). - Segundo - o povo é preparado pela paz, que é dada quando reza o Agnus Dei: pois este é o sacramento da unidade e da paz. Mas nas missas dos defuntos, nas quais o sacrifício é oferecido, não pela paz presente, mas pelo descanço dos mortos, omite-se a paz.
    Segue-se depois a recepção do sacramento, pelo sacerdote primeiro, que o distrubui depois aos outros; porque, como diz (S.) Dionísio, quem dispensa o sacrifício aos outros deve, primeiro, participar dele.
    E por último, a celebração completa da missa termina pela ação de graças - o povo exultando pela recepção deste mistério, como o significam os cânticos depois da comunhão; e o sacerdote, dando graças pela oração, assim como Cristo, celebrada a Ceia com os discípulos, disse o hino, como referem  os Evangelhos de São Mateus, XXVI, 30 e São Marcos, XIV, 26.
  Por tudo que acabamos de explicar, temos a solução das dificuldades:
RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES
    1ª Objeção: Parece que foram inconvenientemente ordenadas as palavras proferidas neste sacramento, porque este sacramento é consagrado pelas palavras de Cristo, como diz (Santo) Ambrósio. Logo, nele não se deve proferir nada mais senão as palavras de Cristo.
     RESPOSTA: A consagração se opera pelas sós palavras de Cristo. Mas é necessário fazer-lhes acréscimos para a preparação do povo, que recebe o sacramento, como dissemos.

    2ª Objeção: As palavra de Cristo nós as conhecemos pelo Evangelho. Ora, na consagração deste sacramento, os Evangelhos referem que Cristo disse: Tomai e comei, sem dizer - todos. Mas na celebração deste sacramento diz-se: "Accipite, et manducate ex hoc omnes", isto é, "Tomai e comei dele todos". Logo, esta palavra (=todos) não devia ser proferida na celebração deste sacramento.
    RESPOSTA: O vocábulo - todos - subentende-se entre as palavras do Evengelho, embora não esteja nele expresso. Pois, Cristo disse: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, não tereis a vida em vós" (São João, VI, 54). Além disso: estas palavras não fazem parte da forma da Consagração.

    3ª Objeção: Os demais sacramentos se ordenam à salvação de todos os fiéis. Ora, na celebração destes sacramentos não se faz oração comum pela salvação de todos os fiéis e dos defuntos. Logo, também não se devia assim proceder neste sacramento.
    RESPOSTA: A Eucaristia é o sacramento de toda a unidade eclesiástica. Por isso, mais especialmente neste que nos outros sacramentos, deve-se fazer menção de tudo aquilo que se refere à salvação de toda a Igreja.

    4ª Objeção: O batismo é especialmente chamado o sacramenteo da fé. Logo, o que se refere à instrução da fé deve ser conferido antes no batismo que neste sacramento.; assim a doutrina Apostólica e a dos Santos Evangelhos.
    RESPOSTA: Há duas espécies de instrução na fé. - Uma é a dos catecúmenos, que acabam de receber a fé. E esta instrução é dada no batismo. - Outra é a recebida pelo povo fiel, que participa deste mistério. E esta é dada neste sacramento. Contudo, dela não ficam privados também os catecúmenos e os infiéis. Por isso dispõe um cânone: "O bispo não proíba a ninguém entrar na Igreja e ouvir a palavra de Deus, quer se trate de gentio, quer de herético ou Judeu, até a missa dos catecúmenos, na qual está contida a instrução da fé".

   5ª Objeção: Todo sacramento supõe a devoção dos fiéis. Logo, não se deve, mais por este sacramento que pelos outros, despertar-lhes a devoção mediante louvores divinos e advertências; p.ex., quando se diz: "Sursum corda" - "Habemus ad Dominum" (=Corações ao alto! - Já os temos para o Sehor!).
    RESPOSTA: Este sacramento requer maior devoção que os outros, porque nele está contido todo Cristo. É também mais geral: porque exige a devoção de todo o povo a favor do qual é oferecido, e não só dos que o recebem, como se dá com os outros sacramentos. Por isso, no dizer de (S.) Cipriano, o sacerdote, recitado o prefácio, prepara as almas dos seus irmãos, exclamando- "Sursum corda! e respondendo o povo: "Habemus ad Dominum", é advertido a pôr todos os seus pensamentos em Deus.

    6ª Objeção: O ministro deste sacramento é o sacerdote, como se disse na q,72,a1. Logo tudo quanto nele se reza devia ser proferido pelo sacerdote e não, certas coisas pelos ministros e certas outras pelo coro.
    RESPOSTA: Neste sacramento menciona-se, como se disse, o concernente a toda a Igreja. Por isso, o coro recita certas partes atinentes ao povo. - Dessas, umas o coro as continua até ao fim; e esses são os sugeridos a todo o povo. - Outros o sacerdote, que faz as vezes de Deus, começa e o povo continua; em sinal de que tais coisas, como a fé na glória celeste, chegavam ao povo por divina revelação. Por isso, o sacerdote começa a recitar o Credo in unum Deum (Símbolo da fé) e o Gloria in excelsis Deo. Outros são recitados pelos ministros, como a doutrina do Velho e do Novo Testamento; como sinal que ela foi anunciada aos povos pelos ministros mandados por Deus.
    Outras partes, porém, só o sacerdote é quem as recita; e são as que lhe concerne ao ofício próprio, que é oferecer dons e sacrifícios pelo povo, como diz São Paulo em Hebreus, V, I. Mas, aí, o concernente ao sacerdote e ao povo, o sacerdote o recita em voz alta, e tais são as orações comuns. - Mas certas outras, como a oblação e a consagração, concernem só ao sacerdote. Por isso reza em voz submissa o que a constitui. Mas antes, porém, o sacerdote desperta a atenção do povo, dizendo Per omnia saecula saeculorum, e esperando o assentimento do povo com o Amen; e depois diz Dominus vobiscum.
    O que reza secretamente é também sinal de que , na Paixão de Cristo, só às ocultas os discípulos O confessavam.

    7ª Objeção: Este sacramento é certamente obra do poder divino. Logo, é supérfluo o pedido do sacerdote para que essa obra se cumpra: "Quam oblationem tu, Deus, in omnibus... facere digneris..." (=Esta oblação, ó Deus, nós pedimos, dignai-Vos abençoá-la, recebê--la e aprová-la plenamente..."
    RESPOSTA: - Primeiro devemos estar lembrados que a eficácia das palavras sacramentais pode ficar impedida pela intenção do sacerdote. - Nem há inconveniente em pedirmos a Deus o que sabemos com certeza Ele o fará; assim Cristo pediu a sua glorificação (São João, XVII). - Aqui, no entanto, o sacerdote não ora para que se faça a consagração, mas para nos ser ela frutuosa; donde dizer sinaladamente que ela se torne para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. E isto significam as palavras que proferiu antes: Dignai-Vos tornar esta oblação bendita, isto é, como o explica (Santo) Agostinho, pela qual sejamos abençoados, pela graça; aprovada, isto é, pela qual sejamos recebidos no céu; ratificada, isto é, que por ela sejamos unidos ao coração de Cristo; racionável, isto é, pela qual semamos livres do senso animal; aceitável, isto é, a fim de que, descontentes de nós mesmos, por meio dela sejamos aceitáveis ao Seu Filho único.
    8ª Objeção: O sacrifício da Lei Nova é muito mais excelente  que o dos antigos Patriarcas. Logo, o sacerdote não devia pedir a aceitação desse sacrifício, como o de Abel, Abraão e Melquisedech.
    RESPOSTA: Embora este sacramento seja, em si mesmo, superior a todos os antigos sacrifícios, contudo os sacrifícios dos antigos foram muito aceitos de Deus, por causa da devoção deles. Por isso o sacerdote pede que este sacrifício seja aceito de Deus, pela devoção dos oferentes, como o foram aqueles outros do A. T.
    9ª Objeção: O corpo de Cristo, assim como não começa a estar neste sacramento por mudança de lugar ( como antes q. 75,a 2 foi dito), assim também nem, por este modo, deixa de nele estar. Logo, não é apropriada a petição do sacerdote: ("Suplices te rogamus, omnipotens Deus): jube  haec perferri per manus sancti Angeli tui... (Nós Vos suplicamos, humildemente, ó Deus onipotente, que, pelas mãos de vosso Santo Anjo, mandeis levar estas ofertas ...).
    RESPOSTA: O sacerdote não pede nem que as espécies sacramentais sejam levadas ao céu; nem que o seja o verdadeiro corpo de Cristo, que aí não deixa de estar presente. Mas o pede para o corpo místico, simbolizado neste sacramento; isto é, que as orações, tanto do povo como do sacerdote, os apresente a Deus o anjo assistente aos divinos mistérios, segundo aquilo do Apcalípse, VIII, 4: "Subiu o fumo dos perfumes das orações dos santos da mão do anjo. Quanto à expressão - sublime altar de Deus - significa ou a própria Igreja triunfante, a que pedimos sejamos trasferidos; ou Deus mesmo, do qual pedimos participar. Pois, deste altar diz a Escritura em Êxodo, XX, 26: "Non ascendes per gradus ad altare meum, isto é, in Trinitate gradus non facies". ("Não subirás por degraus ao meu altar, isto é, não introduzirás graus na Trindade"). - Ou, pelo anjo entende-se o próprio Cristo, o Anjo do grande conselho, que uniu o seu corpo místico a Deus Pai e à Igreja triunfante. Donde também a denominação de missa; porque pelo anjo o sacerdote emite (mittit) as suas preces a Deus, como o povo, mediante o sacerdote. Por isso, no fim da missa  o diácono diz nos dias festivos- Ite, missa est (= Ide, foi oferecida) isto é, a hóstia  a Deus pelo anjo, de modo a ser de Deus aceita.

   
   
   

SANTO TOMÁS DE AQUINO EXPLICA A SANTA MISSA - TREZENTOS ANOS DEPOIS S. PIO V A CODIFICA e CANONIZA ( II )

ARTIGO V: Se as cerimônias usadas na celebração deste mistério são convenientes.
   Parece que as cerimônias usadas na celebração deste sacramento não são convenientes.
   Mas devemos dizer o contrário, porque estas cerimônias fazem parte do costume legitimo (consuetudo) da Igreja, que não pode errar, dado que é inspirada pelo Espírito Santo.
   EXPLICAÇÃO que dá a SOLUÇÃO para todas as dificuldades ou objeções.
   Como dissemos, para ser mais perfeita a significação, tudo o que se faz nos sacramentos é significado duplamente por palavras e por atos. Ora, certos passos da Paixão de Cristo, representados na celebração deste sacramento, são significados por palavras. Ou ainda certas coisas concernentes ao corpo místico, que esse sacramento representa; e outras referentes ao uso do mesmo, que deve ser com devoção e reverência. Por isso, na celebração deste mistério, certas práticas representam a Paixão de Cristo; ou ainda, a disposição do corpo místico; e certas outras dizem respeito à devoção e reverência devidas a este sacramento.
    OBJEÇÕES
    E assim podemos responder às objeções:
    1ª Objeção: Este sacramento pertence ao Novo Testamento, como o mostra a sua própria forma. Ora, na vigência do Novo Testamento não se devem observar as cerimônias do Velho, nas quais o sacerdote e os ministros lavavam-se com água quando iam oferecer o sacrifício. Assim, lemos em Êxodo, XXX, 19: "Aarão e seus filhos lavarão as suas mãos e os pés, quando tiverem de se aproximar do altar...". Logo, não é conveniente o sacerdote lavar as mãos na solenidade da missa.
    RESPOSTA: A ablução das mãos se faz na celebração da missa, pela reverência devida a este sacramento. E isto por duas rações: 1º - Por ser costume geral tocarmos em coisas preciosas com as mãos lavadas. Por onde, faltaria à decência quem se achegasse a tão grande sacramento com as mãos sujas, mesmo no sentido material. - 2º - Pelo significado da ablução. Pois, como diz (S.) Dionísio, o lavarmos as extremidades significa a purificação, ainda dos mínimos pecados, segundo aquilo do Evangelho de S. João, XIII, 10: "Aquele que está lavado não tem necessidade de lavar senão os pés". E esta purificação é necessária a quem se achega a este sacramento. O que também é significado pela confissão que se faz antes do começo da missa. E o mesmo significava a ablução dos sacerdotes na Lei Velha, conforme o ensina (S.) Dionísio no mesmo lugar. - Mas a Igreja não o observa como preceito cerimonial da Lei Velha, senão como instituído por ela, e na prática em si mesma conveniente. Por isso, não é observado do mesmo modo por que o era antigamente. Também se omite a ablução dos pés, conservando-se só a das mãos, por poder fazer mais facilmente e por bastar a significar a perfeita purificação. Pois, sendo as mãos o órgão dos órgãos, na expressão de Aristóteles, todas as obras se lhes atribuem a elas. Donde o dizer o Salmo XXV, 6: "Lavarei as minhas mãos entre os inocentes".

    2ª Objeção: O Senhor mandou que o sacerdote queimasse incenso de suave fragrância sobre o altar que estava diante do propiciatório (Êxodo, XXX, 7). O que também era uma das cerimônias do Antigo Testamento. Logo, não deve o sacerdote oferecer incenso, durante a missa.
    RESPOSTA: Não usamos incenso como se fosse um preceito cerimonial da lei, mas por uma determinação da Igreja. Por isso não oferecemos do mesmo modo pelo qual o estatuia a Lei no Velho Testamento. - E o fazemos por duas razões - Primeiro, para reverenciar este sacramento: para que o bom cheiro do incenso, expulse algum mau odor do local, que pudesse provocar repugnância. Segundo, para representar o efeito da graça da qual, como de bom odor, Cristo tinha a plenitude, segundo aquilo da Escritura Gênesis XXVII, 27: "Eis o cheiro de meu filho como o cheiro de um campo cheio." E o qual deriva de Cristo para os fiéis, por meio dos ministros, segundo aquilo do Apóstolo em 2ª Corintios II, 14: "Por nosso meio difunde o odor do conhecimento de si mesmo em todo lugar." Por isso , depois de incensado todo o altar, que designa a Cristo, incensam-se os demais, numa certa ordem.

   3ª Objeção: a) Transferimos para aqui a primeira parte da 2ª objeção do artigo anterior.
   Os atos de Cristo nós os conhecemos pelo Evangelho. Ora, na consagração deste sacramento se alude a ato que não está no Evangelho. Assim, aí não lemos que Cristo, na consagração deste sacramento, elevasse os olhos para o céu. Pois, na celebração deste sacramento se diz: Tendo elevado os olhos ao céu". Logo,  isto não deveria ser feito na celebração deste sacramento.
RESPOSTA: Como diz o Evangelho de São João XXI,  25 , muitas coisas fez  e disse o Senhor pelos Evangelistas não referidas. Entre elas está que o Senhor, na Ceia, elevou os olhos para o céu, o que a Igreja o recebeu pela tradição dos Apóstolos. Pois é racional, que quem, na ressurreição de Lázaro  e na oração que fez pelos discípulos, levantou os olhos para o Pai, como o narra o evangelista, com maior razão o fizesse ao instituir este sacramento, coisa mais importante.

   3ª Objeção: b) As cerimônias realizadas nos sacramentos da Igreja não devem reiterar-se. Logo, não deve o sacerdote repetir tantas vezes os sinais da cruz sobre este sacramento.
   RESPOSTA: O sacerdote, na celebração da Missa, faz o sinal da cruz para exprimir a Paixão de Cristo, que na cruz se consumou. A Paixão de Cristo, porém, realizou-se como por alguns graus.(=por etapas).
Assim, primeiro, teve lugar a entrega de Cristo, feita por Deus, efetuada por Judas e pelos Judeus. E isto significam os três sinais da cruz acompanhados das palavras: Haec dona +, haec munera + haec sancta sacrificia illibata +. Em português: "Estes dons, estes presentes, estes santos sacrifícios sem mancha." Segundo, depois foi Cristo vendido. Ele foi vendido, porém, pelos sacerdotes, escribas e fariseus. Para o significar, o sacerdote faz de novo por três vezes o sinal da cruz, dizendo: "Benedictam, +  adscriptam, +  ratam" + . Em português: "Bendita, aprovada, ratificada". Ou para mostrar o preço da venda, que foram os trinta dinheiros. E acrescenta duplo sinal da cruz às palavras: "ut nobis corpus + et sanguis +... Em português: "Afim de que para nós o corpo e o sangue..." a fim de designar a pessoa de Judas, o vendedor, e de Cristo, o vendido. - Terceiro, a Paixão de Cristo foi prenunciada na ceia. Para designá-lo o sacerdote faz em terceiro lugar, o sinal da cruz por duas vezes - uma ao consagrar o corpo; outra, ao consagrar o sangue, dizendo em ambas as vezes: "benedixit"=abençoou. Quarto: em quarto lugar, consumou-se a Paixão mesma de Cristo. E para representar as cinco chagas de Cristo o sacerdote faz pela quarta vez cinco sinais da cruz, dizendo: "hostiam + puram, hostiam+sanctam,  hostiam+ immaculatam,  panem +sanctum  vitae aeternae,  et calicem+ salutis perpetuae."  Em português: "a Hóstia pura, a Hóstia santa, a Hóstia imaculada. o Pão santo da vida eterna e o Cálice da salvação perpétua". Quinto: em quinto lugar é representada a extensão do corpo na cruz, a efusão do sangue e o fruto da paixão. Daí mais três sinais da cruz acompanhados das palavras: "Filii tui + Corpus, et + Sanguinem sumpserimus, omni + benedictione" ... Em português: "participando deste altar, recebermos o sacrossanto Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de toda bênção celeste"... Sexto: em sexto lugar é representada a tríplice oração que Cristo fez na cruz: - uma pelos seus perseguidores, quando disse: "Pai, perdoai-lhes"... a segunda para libertar-se da morte, quando disse: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste"? a terceira para alcançar a glória quando exclamou: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". E para significá-lo o sacerdote faz três sinais da cruz, dizendo: "sanctificas,+  vivificas, + benedicis"+... = santificais, vivificais, abençoais... Sétimo: em sétimo lugar, representa as três horas durante as quais ficou suspenso na cruz, isto é, desde a sexta até a nona hora. E para significá-lo, faz de novo o sacerdote por três vezes o sinal de cruz, pronunciando as palavras: "Per + ipsum, et cum + ipso, et in + ipso". = "Por Ele, com Ele e n'Ele". Oitavo: em oitavo lugar, representa-se a separação entre a alma e o corpo, por dois sinais da cruz subsequentes, fora do cálice.  Nono: Enfim, em nono lugar, é representada a ressurreição, operada no terceiro dia, por três cruzes, acompanhadas da palavras: "Paz + Domini sit  + semper +  vobiscum". = "A paz do Senhor esteja sempre convosco."
   - Mas, podemos dizer, mais brevemente, que a consagração deste sacramento e a aceitação deste sacrifício, bem como o seu fruto, procedem da virtude (=força ou eficácia)  da cruz de Cristo. Por isso, sempre que o sacerdote faz menção de alguma dessas três coisas(=consagração deste sacramento, aceitação deste sacrifício e o seu fruto) faz o sinal da cruz.

   4ª Objeção: O Apóstolo  diz em Hebreus, VII, 7: "Sem nenhuma contradição, o que é inferior recebe a bênção do que é superior". Ora, Cristo, que está neste sacramento, depois da consagração, é muito maior que o sacerdote. Logo, inconvenientemente o sacerdote benze, depois da consagração, este sacramento, fazendo sobre Ele o sinal da cruz.
   RESPOSTA: O sacerdote, depois da consagração, não faz o sinal da cruz para benzer e consagrar, mas só para comemorar o sinal da cruz e o modo da Paixão de Cristo, o que ficou claro pelo que foi dito acima ao responder à terceira objeção. (cinco cruzes sobre Nosso Senhor para significar as cinco chagas feitas em Jesus na Sua Paixão).

   5ª Objeção: Nos sacramentos da Igreja não deve haver nada que seja ridículo. Ora, é ridículo fazer gesticulações, como quando o sacerdote estende os braços, põe as mãos, junta os dedos e se inclina. Logo, tais coisas se não deviam fazer neste sacramento.
   RESPOSTA: Nenhum dos gestos do sacerdote, na missa, constitui gesticulação ridícula , pois têm o fim de representar alguma coisa. - Assim, o estender os braços depois da consagração significa o Cristo com os braços estendidos na cruz. - Também levanta as mãos ao orar, para significar que a sua oração se dirige  a Deus, pelo povo, segundo aquilo da Escritura Tren., III, 41: "Levantemos ao Senhor os nossos corações com as mãos para os céus.". E Êxodo, XVII, 11 diz: "Quando Moisés tinha as mãos levantadas vencia Israel". - Quando põe as mãos, inclina-se, orando súplice e humildemente, designa assim a humildade e a obediência com que Cristo sofreu. - Junta os dedos polegar e indicador, com que tocou o corpo consagrado de Cristo a fim de que não se disperse alguma partícula que a eles se tivesse apegado. O que constitui reverência para com o sacramento.

   6ª Objeção: Também é ridículo o sacerdote voltar-se tantas vezes para o povo, tantas vezes saudá-lo. Logo, nada disso devia fazer-se na celebração deste sacramento.
   RESPOSTA: O sacerdote volta-se cinco vezes para o povo, para significar que o Senhor se manifestou cinco vezes no dia da ressurreição, como dissemos quando tratamos da ressurreição de Cristo. - Saúda sete vezes o povo, isto é, cinco vezes quando se volta para ele; e duas, em que não se volta, isto é, quando antes do prefácio diz: "Dominus vobiscum". E quando diz: "Pax Domini sit semper vobiscum" = "A paz do Senhor esteja sempre convosco" para designar a septiforme graça do Espírito Santo. Quanto ao bispo, quando celebra nos dias festivos, diz, na primeira saudação: "Pax vobis", o que depois da ressurreição o Senhor o disse aos discípulos, cujas pessoas sobretudo as representa o bispo.

   7ª Objeção: O Apóstolo em 1ª Cor. I, 13  diz que Cristo não deve ser dividido. Ora, depois da consagração Cristo está neste sacramento. Logo, o sacerdote não devia fraccionar a hóstia.
   RESPOSTA: A fracção da hóstia significa três coisas. Primeiro, a divisão mesma do corpo de Cristo, que se operou na Paixão. - Segundo, a distinção do corpo místico em diversos estados. - Terceiro, a distribuição das graças procedentes da Paixão de Cristo, com diz (S.) Dionísio. Por onde, tal fracção não induz divisão em Cristo.

   8ª Objeção: As cerimônias deste sacramento representam a Paixão de Cristo. Ora, na Paixão, o corpo de Cristo foi dividido nos lugares das cinco chagas.  Logo, o  corpo de Cristo devia ser dividido antes em cinco que em três partes.
   RESPOSTA: Como diz o Papa Sérgio (em De consecr., didt. II): "Triforme é o corpo do Senhor. A parte oferecida, posta no cálice, representa o corpo de Cristo já ressuscitado. Isto  é, o próprio Cristo e a Santa Virgem, que já estão na glória com os seus corpos. A parte que se come significa os que ainda vivem nesta terra. pois os peregrinos neste mundo se unem com Cristo pelo sacramento; e ficam alquebrados pelo sofrimento como o pão comido é triturado. - A parte remanescente no altar até o fim da missa significa o corpo jacente no sepulcro; porque até o fim dos séculos os corpos dos santos estarão nos sepulcros; mas as almas estão no purgatório ou no céu. Este rito porém não se observa atualmente, isto é, o de conservar uma parte até ao fim da missa. Mas permanece a mesma significação das partes. O que certos explimiram em versos, dizendo: A hóstia se divide em partes; molhada (=a que fica dentro do cálice com o precioso sangue) significa os que gozam da plena beatitude; seca, signifca os vivos; conservada, significa os sepultos.
   Certos, porém, dizem, que a parte posta no cálice significa os viventes neste mundo; a conservada fora do cálice significa os plenamente bem-aventurados, isto é, em corpo e alma; a parte comida significa os outros.

   9ª Objeção: O corpo de Cristo é totalmente consagrado neste sacramento, em separado do sangue. Logo, não se devia misturar com o sangue uma parte dele.
   RESPOSTA: O cálice pode ter dupla significação. - Numa é a Paixão mesma, representada neste sacramento. E então, a parte posta no cálice significa os ainda participantes dos sofrimentos de Cristo. - Noutra significação pode simbolizar o gozo dos bem-aventurados, também prefigurado neste sacramento. Por onde, aqueles cujos corpos já gozam da plena beatitude são simbolizados pela parte posta no cálice. - E devemos  notar, que a parte posta no cálice não deve ser dada ao povo como complemento da comunhão, porque o pão molhado Cristo não o deu senão ao traidor Judas.

   10ª Objeção: Assim como o corpo de Cristo é dado neste sacramento  como comida, assim o sangue de Cristo, como bebida. Ora, à recepção do corpo de Cristo, ao celebrar a missa, não se lhe acrescenta nenhum outro alimento para o corpo. Logo, não devia o sacerdote, depois de ter bebido o sangue de Cristo, tomar vinho não consagrado. (Se refere ao vinho das abluções)
   RESPOSTA: O vinho, em razão da sua humidade, serve para lavar. Por isso, é tomado depos da suscepção deste sacramento, para lavar a boca, para que nenhuma partícula nela fique; o que constitui reveverência para com este sacramento. Por isso, uma disposição canônica determina: o sacerdote deve sempre lavar a boca com o vinho, depois de ter recebido completamente o sacramento da Eucaristia; salvo de dever no mesmo dia (Isto porque o jejum eucarístico era de 12 horas e só se celebrava de manhã) celebrar outra missa; a fim de que o vinho tomado para lavar a boca não impedisse celebrar outra vez. E pela mesma razão lava com vinho os dedos, com que tocou o corpo de Cristo.

   11ª Objeção: O verdadeiro deve corresponder ao figurado. Ora, do cordeiro pascal, que foi a figura deste sacramento, a lei ordenava que nada se consevasse para o dia seguinte. Logo, não se deviam conservar hóstias consagradas, mas consumí-las logo.
   RESPOSTA: A verdade deve, de certo modo, corresponder à figura; assim não deveria realmente a parte da hóstia consagrada, da qual o sacerdote e os ministros ou também o povo comungam, ser conservada para o dia seguinte. Mas devendo este sacramento ser recebido todos os dias, o que não se dava com o cordeiro pascal, por isso é necessário conservar outras hóstias consagradas para os enfermos. Por onde na legislação da Igreja dada pelo Papa (S.) Clemente se estabelece: "O prebítero tenha sempre preparada a Eucaristia de modo que quando alguém adoecer, dê-lhe logo a comunhão, não vá morrer sem ela."

   12ª Objeção: O sacerdote fala aos ouvintes no plural; por   exemplo, quando diz: "Dominus vobiscum" (= O Senhor esteja convosco), e, "Gratias agamus" (= Demos graças). Ora, não devemos falar no plural quando nos dirigimos a um só, sobretudo inferior. Logo, não devia o sacerdote celebrar a missa, estando presente só um ministro.
   RESPOSTA: Na celebração solene da missa, vários devem estar presentes. Donde o dizer o Papa Sotero: "Também isto foi estabelicido, que nenhum sacerdote ouse celebrar solenemente a missa sem dois ministros presentes, que lhes respondam, a ele como terceiro; porque quando diz no plural "Dominus vobiscum"; e a oração secreta "Orate pro me", é necessário evidentemente que lhe alguém responda à saudação".  Por isso, para maior solenidade, lemos no mesmo lugar como estatuído ( De Consecr. dist. I , papa Soter) que o bispo celebre, com vários ministros, a solenidade da missa. - Mas, nas missas privadas, basta haver um ministro, representante de todo o povo católico, em nome do qual responde no plural ao sacerdote.

  

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  27 de abril

   A Comunhão é o completo desenvolvimento, a expansão da Encarnação, tal como é o complemento do sacrifício augusto do Calvário, que se renova todos os dias na Santa Missa.

   Jesus Cristo desce na Consagração para se unir ao sacerdote e aos fiéis, e o sacrifício seria incompleto sem a Comunhão.

   O corpo de Jesus Cristo se une então ao nosso corpo, sua alma à nossa alma, e sua divindade paira sobre ambos. Nosso corpo se encerra por assim dizer no corpo de Nosso Senhor que, sendo mais digno e mais nobre, nos envolve e nos domina, e dele nos reveste. Torna-se o corpo de nosso corpo; e seu sangue circula em nossas veias e nos fundimos n'Ele em união inefável.

   Que maravilha esta união de um corpo glorioso, ressuscitado, com a nossa mísera natureza! Espetáculo que somente Deus e os Anjos contemplam; os nossos olhos terrestres não o veem, é um espetáculo do céu!

   É uma coabitação de Jesus no comungante, e do comungante em Jesus; uma sociedade de duas vidas, uma união inefável de amor, uma vida só em duas pessoas!

domingo, 26 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  26 de abril

   Há duas espécies de alegria: a que resulta do bem que se conseguiu fazer, isto é, a alegria que emana da prática da virtude, alegria do triunfo e da colheita. É boa, sim, mas não convém procurá-la, visto que, apoiada em nós mesmos, não é bastante sólida e poderíamos encontrar nela toda a nossa recompensa.

   Aceitemos, porém, sem receio a alegria que a Comunhão nos proporciona, e que reconhecemos não vir de nós mesmos e sim de Jesus, alegria que nenhuma relação tem com as nossas obras. Podemos nos comprazer nela quando Nosso Senhor no-la comunicar, porque é inteiramente d'Ele.

   Oh! a alegria, fruto da Comunhão, é o mais belo testemunho da presença de Deus na Eucaristia.

   A criancinha não possui virtude nem mérito; entretanto, rejubila-se e se sente feliz pelo simples fato de estar ao lado de sua mamãe. Que o motivo de nossa alegria seja também a presença de Nosso Senhor. Não consideremos se a alegria foi merecida por nossas obras: regozijemos-nos de possuir Jesus, permanecendo a seus pés para gozar esta ventura e sentir a sua bondade. 

sábado, 25 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  25 de abril

   Existe nas profundezas de nosso coração uma grande tristeza que não nos é possível extirpar. Toda alegria que gozamos nesta terra é passageira e acaba sempre em lágrimas. É que fomos expulsos de nossos domínios, da casa de nosso Pai, e essa tristeza faz parte integrante do patrimônio que Adão pecador legou à sua posteridade.

   Sentimo-la principalmente quando estamos sós e entregues a nós mesmos; está em nós e não sabemos de onde vem. E quantas vezes é terrível essa tristeza!

   O remédio absoluto é a Comunhão; remédio sempre novo, sempre enérgico, ao qual a tristeza não resiste.

   Nosso Senhor quis permanecer na eucaristia e se dar a nós para combater diretamente a nossa tristeza. Ouso até mesmo afirmar que a tristeza se dissipa na alma que comunga com um verdadeiro desejo e uma grande fome de Jesus. A tristeza poderá reaparecer depois, porque é nossa condição de exilados. e far-se-á mesmo sentir tanto mais cedo quanto mais depressa abandonarmos o pensamento da bondade de Nosso Senhor para nos concentrarmos em nós mesmos. Jamais, porém, haveremos de senti-la no momento em que O recebemos. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  24 de abril

   O homem vive de desejos, e nada procura ou executa de grandioso que não tenha desejado com ardor por muito tempo. É portanto um desejo divino que nos impele à Comunhão, ao ponto de dar-nos a coragem de nos acercar do Juiz do céu e da terra sem morrer de medo.

   A fome de Deus justifica a nossa temeridade. Sim, o grande motivo que nos leva à comunhão é a fome que sentimos dela. É semelhante ao desejo com que o enfermo suspira pela visita do médico, ou pelo copo d'água, quando a febre o devora.

   Tenha vossa alma esta fome, a fome do pobre, e que assim faça sempre valer este direito à Comunhão: a necessidade que tendes dela.

   E quanto mais sensível e veemente for esta fome, com mais frequência deveis comungar. Se não cresceis espiritualmente, se não vos fortificais, é porque vos alimentais pouco ou sem apetite. Excitai-vos, portanto, ao menos pelo sentimento de vossa necessidade, se não vos é dado experimentar a fome estimulada pelo amor. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  23 de abril

 
A imagem mostra que Jesus é o Filho Eterno de
Deus; mas fez-se homem, descendente de Davi
e nascido de Maria  Virgem, que é da natureza
humana, e  Maria, e só ela, por uma milagre
do Espírito Santo, deu ao Filho de
Deus a Natureza Humana. 
 
Na Encarnação, Nosso Senhor desposou a natureza humana tomando uma natureza semelhante à nossa, embora pura e sem pecado, e da qual se serviu para remir o mundo. A natureza humana celebrou no seio de Maria suas primeiras núpcias com o Verbo. E Jesus, porque amava a humanidade que desposara, se entregou por ela, e quis ser chamado o Filho do homem, Filius hominis. 

   Mas Jesus Cristo, querendo desposar também cada uma de nossas almas, instituiu a Eucaristia, em que se celebram diariamente as núpcias de Nosso Senhor com a alma cristã, da qual exige apenas a boa vontade. Reveste-a pessoalmente, na Penitência, do traje nupcial.

   E a alma se perde em Jesus Cristo, como a gota d'água, caindo no oceano, se torna parte dele. 

   Divinae consortes naturae. (=Participantes da natureza divina).  É um contrato feito livremente entre a alma e Jesus, que se unem para formar uma só pessoa moral, contrato que Jesus jamais há de romper. De nossa parte não lhe sejamos infiéis, mas tornemo-lo forte pelo amor, pela fidelidade da consciência, e pela vontade inabalável de antepor a tudo o mais as obrigações que decorrem dele. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  22 de abril

   A Penitência estabelece em nós o estado de graça, opera a nossa cura, mas é um remédio violento, uma vitória dificilmente conquistada, e que nos deixa o cansaço da luta. Esse sacramento, que nos dá a vida, não é suficiente para entretê-la por largo tempo. Se nos contentarmos com ele, ficaremos sempre em estado de convalescença.

   Que é necessário então para nos dar a plenitude da vida, transformando-nos em almas fortes? A Comunhão, que é o bálsamo, o calor suave e benéfico, o leite de Nosso Senhor, como diz o Profeta: Ab ubera portabimini.

   A Eucaristia, depois da Penitência, nos infunde plenamente a paz. É dos próprios lábios de Nosso Senhor que temos necessidade de ouvir estas palavras cheias de conforto: - Ide em paz e não pequeis mais - palavras que, brotando de seu Coração, caem sobre o nosso, ainda ulcerado e dolorido, como um orvalho celeste.

   A Comunhão produz a constância perseverante; se quereis, portanto, perseverar, recebei Nosso Senhor!

terça-feira, 21 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  21 de abril

Em cima: a alma no estado de graça. Quando comunga, mais o Espirito Santo
inflama seu coração no amor de Deus.
Em baixo: A alma no pecado mortal: o demônio mora no seu coração e o inflama
com o fogo das paixões.
Quem estiver no pecado, converta-se como a samaritana ou Saulo. Não faça como
Judas Iscariotes. 
   Quanto mais frequentemente comungardes, mais inflamado tornar-se-á o vosso amor, dilatado o vosso coração, terna e ardente a vossa afeição, porque o centro de onde emanam será mais intenso.

   Jesus deposita em nós sua graça de amor, cujo incêndio Ele vem atear em nossos corações, avivar com suas frequentes visitas e fazer com que se alastre, qual chama devoradora.

   É o carvão ardente que nos inflama: carbo qui nos inflamat.

   E este fogo somente se extinguirá se assim o quisermos, se o abafarmos voluntariamente pelo pecado, porque, sendo o próprio Jesus Cristo quem lhe dá força e expansão, crepitará sem jamais se extinguir.

   Estabelecei, portanto, a miúdo, e se possível todos os dias, o contato de vossa pequenina chama com essa fornalha, poque o fogo não pode arder se não for alimentado.

  O amor verdadeiro e perfeito somente na Comunhão tem o seu pleno exercício, pois o fogo que não se alastra, extingue-se. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  20 de abril

   Quando a alma se apresenta à Comunhão num estado de pureza em que não há sequer pecados veniais deliberados, a ação de Jesus sobre ela se opera fortemente e sem obstáculo.

   Assim como o ar se precipita no vácuo e as águas num abismo, assim também o Espírito de Jesus preenche o vazio que a alma faz em si mesma. 

   E quando Nosso Senhor vive em nós pelo seu Espírito, tornamo-nos seus membros, somos Ele mesmo. Nossas ações agradam ao Pai Celeste que, considerando-as como as próprias ações de seu divino Filho nelas se compraz.

   O Pai, inseparavelmente unido ao seu Verbo, vive e reina também em nós, e esta vida e este reino divino paralisam e destroem o império de satanás. As criaturas, assim, tributam a Deus a honra e a glória a que Ele tem direito. 

   Esforcemo-nos, portanto, na medida do possível, para realizar esse ideal sublime em que o homem se deixa guiar, conduzir, por um agente divino, - o Espírito de Jesus Cristo - visando o único fim que o próprio agir de Deus pode ter em vista: a glória d'Ele. 

domingo, 19 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  19 de abril

   Quem comunga facilmente compreende que, recebendo muito, muito deve dar. É a piedade inteligente, filial e amante. 

   Assim, a Comunhão torna a alma feliz mesmo entre as grandes adversidades, feliz de uma felicidade serena e amável.

   Comungai, portanto; nutri-vos do pão da vida, se quereis gozar de uma vida sã e ter forças suficientes para o combate cristão na conquista da felicidade em meio das provações.

   A Eucaristia é o pão dos fracos e dos fortes. Aos primeiros, é evidentemente necessária, e também aos fortes, porque conservam seu tesouro em vasos de argila, e por toda a parte estão cercados de terríveis inimigos.

   Formemos para nós uma guarda, uma escolta aguerrida, um alimento substancial: Jesus, nosso pão de vida.

   Sim, pão de vida, eis o verdadeiro nome de Jesus, nome que significa Jesus Cristo integralmente, ou seja, na sua vida, na sua morte e após a ressurreição. Na cruz, Nosso Senhor foi triturado e pulverizado como a farinha. Depois da ressurreição, tem, para as nossas almas, as mesmas propriedades, que o pão material para os nossos corpos. É verdadeiramente o nosso pão de vida. 

sábado, 18 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  18 de abril

   O amor penitente tem sempre necessidade da chorar, e jamais considera saldadas as suas dívidas de reconhecimento. 

   Na ação de graças da Comunhão, chorai portanto os vossos pecados aos pés de Jesus com Madalena; prometei-Lhe fidelidade e amor. Fazei-Lhe o sacrifício de vossas afeições desregradas, de vossa tibieza, de vossa indolência em empreender o que vos custa.

   Pedi-Lhe a graça de não mais O ofender, e protestai-Lhe que preferis a morte ao pecado.

   Pedi tudo o que quiserdes; é o momento das graças, e Jesus está disposto a vos dar o seu próprio reino.  É um prazer que Lhe proporcionamos, oferecer-Lhe ocasião de distribuir seus benefícios.

   Pedi-Lhe o reinado da santidade em vós, em vossos irmãos, e que a sua caridade abrase todos os corações.

   E, antes de vos retirar, oferecei-Lhe um ramalhete de amor, isto é, algum sacrifício a praticar durante o dia. Ah! não olheis a cruz natural do sofrimento. Contemplai esta cruz em Nosso Senhor e ela mudará de aspecto. Lembrai-vos de que a cruz é Jesus vindo repousar um pouco em nossa alma, a caminhar para o Calvário, e daí para o Céu

sexta-feira, 17 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  17 de abril

   A ação de graças é de imprescindível necessidade a fim de evitar que a santa Comunhão degenere num simples hábito piedoso. 

   Haveis de colher frutos servindo-vos dos fins do Sacrifício.

   Adorai Jesus sobre o trono de vosso coração, apoiando-vos sobre o d'Ele, ardente de amor. Exaltai-Lhe o poder, oferecei-Lhe, em homenagem de adoração e de total submissão, as chaves de vossa morada. Proclamai-O Senhor vosso, condessai-vos seu feliz servo, disposto a tudo para Lhe dar prazer. 

   Agradecei-Lhe a honra que vos fez, o amor que vos testemunhou, e o muito que vos deu nessa Comunhão! Louvai a sua bondade e o seu amor para convosco, que sois tão pobre, tão imperfeito, tão infiel! Convidai os anjos, os santos, a divina Mãe de Jesus para louvá-Lo, bendizê-Lo e agradecer-Lhe por vós, Uni-vos às ações de graças amantes e perfeitas da Santíssima Virgem.

   Agradeçamos por intermédio de Maria, pois quando um filho recebe alguma coisa, cabe à mãe agradecer por ele, A ação de graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  16 de abril

   O momento mais solene de vossa vida é o da ação de graças, em que possuís o Rei do céu e da terra, vosso Salvador e Juiz, disposto a vos conceder tudo o que Lhe pedirdes. 

   Nosso Senhor permanece pouco tempo em nossos corações, após a Santa Comunhão, porém os efeitos de sua presença se prolongam. As santas espécies são como o invólucro de um remédio, o qual se rompe e desaparece para que o remédio produza os seus salutares efeitos no organismo. A alma se torna então como um vaso que recebeu um perfume precioso.

   Consagrai à ação de graças meia hora se vos for possível, ou, pelo menos, um rigoroso quarto de hora. Daríeis prova de não ter coração e de não saber apreciar devidamente o que é a Comunhão, se após haver recebido Nosso Senhor, nada sentísseis e não Lhe soubésseis agradecer.

   E, durante o dia, sede como um santo que tivesse passado uma hora no céu; não vos esqueçais da visita régia de Jesus. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  15 de abril

   No momento de comungar, não vos preocupeis mais com os vossos pecados, o que, além de ser uma perigosa tentação, lançar-vos-ia na tristeza e desassossego, inimigos da piedade.

   Com a tranquilidade da consciência e um suave sentimento de confiança na bondade de Jesus que vos convida e vos espera, ide receber o vosso Deus de amor.

   Dirigi-vos para a Santa Mesa de olhos baixos, com um andar grave e modesto, e ajoelhai-vos sob a impressão da alegria e felicidade do coração. 

   Deixai, se quiserdes, que a Santa Hóstia permaneça um momento sobre a vossa língua a fim de que Jesus, verdade e santidade, a purifique e santifique. Introduzi-a depois em vosso peito, no trono de vosso coração, e, adorando em silêncio, começai a ação de graças.

   A conversação interior depois da Comunhão não requer um estado de vida espiritual muito elevado. Tendes boa vontade? Jesus vos falará então e compreender-Lhe-eis a linguagem. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  14 de abril

   A união é a finalidade do amor.

   Dando-se substancialmente na Eucaristia Jesus vem se unir às nossas almas como a esposas diletas.

   E Maria, como outrora em Caná, celebra jubilosamente, na qualidade de Mãe, as bodas de seu amantíssimo Filho. Assim como providenciou remédio para a pobreza e confusão dos esposos, adorna também a alma fiel com todas as suas virtudes a fim de que Jesus a encontre digna d'Ele.

   Oh! sim, a melhor preparação para a Comunhão é a que se faz por intermédio de Maria. 

   Não compete à mãe adornar a filha para os esponsais?

   Deixai que a Santíssima Virgem governe a vossa vida, vos leve a Jesus! Maria deseja tão somente a glória de seu Divino Filho e a vossa felicidade.

   Seja Maria, portanto, quem vos leve a Jesus, seja Ela quem vô-Lo faça conhecer e amar como O conheceu e amou.

   Ó Maria! sois a verdadeira Mesa mística onde encontramos o delicioso manjar de nossas almas, Jesus sacramentado. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual - 13 de abril

   Na preparação para a Comunhão, depois de haverdes contemplado o Benfeitor e seu dom por excelência, considerai vossa pobreza, vossas dívidas e imperfeições; humilhai-vos à vista de vossa indignidade e dos pecados cometidos; chorai-os ainda, reconhecei que eles vos aviltaram e implorai para eles graça e misericórdia.

   Imaginai então ouvir estas consoladoras palavras do Salvador: - É porque sois pobre que venho a vós, porque estais doente que venho curar-vos. Tornei-me sacramento para vos dar minha vida e fazer-vos participar de minha santidade: vinde confiantes, dai-me o vosso coração, é tudo o que vos peço'.

   Pedi finalmente a Nosso Senhor que afaste todos os obstáculos e venha a vós.

   Correi então, voai para a Mesa celeste. Os Anjos invejam a vossa felicidade, o céu vos contempla cheio de admiração e Jesus vos espera. Ide, ide ao festim do Cordeiro!

   Que este régio festim seja a alegria de vossa alma, e a única alegria! Que a vossa vida seja como a vida do ramo da videira, como a flor do lírio, como o fruto do amor!

domingo, 12 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  12 de abril

   É mister comungar bem, e para se fazer uma Comunhão frutuosa são indispensáveis uma preparação e uma ação de graças convenientes. 

   Excitai o vosso amor mediante os fins do sacrifício. 

   Com um vivo sentimento de fé, adorai Jesus presente no Santíssimo Sacramento, na Hóstia divina que ides receber. Adorai-O exteriormente pela atitude respeitosa do corpo, profunda modéstia dos sentidos, e interiormente pela homenagem de todas as faculdades de vossa alma, dizendo com São Tomé: - Meu Senhor e e meu Deus!

   Rendei ação de graças por tão grande dom do amor de Jesus, pelo convite à Mesa eucarística que Ele vos dirige de preferência a tantos outros, melhores e mais dignos de recebê-Lo. Louvai-Lhe a sabedoria que inventou e instituiu para vós esse grande sacramento, que fez esse rio de vida serpentear através de todas as gerações durante vinte séculos para chegar até vós, tão puro quanto em sua origem.

   Convidai os anjos a louvarem convosco a seu Deus e seu Rei.

sábado, 11 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  11 de abril

O Centurião. "Senhor, eu não sou digno de que
entreis em minha casa, mas dizei uma só
palavra, e minha alma será
salva". 
   Na Comunhão celebram-se as núpcias régias da alma cristã, a visita de seu divino Rei, a festa do Corpo de Deus para o comungante.

   Todos estes títulos exigem que não haja negligência alguma em nosso exterior.

   A preparação do corpo requer, além do jejum, trajes que denotem a modéstia e o asseio.

   A preparação da alma pede, em primeiro lugar, a ausência de todo pecado mortal, e, tanto quanto possível, do pecado venial deliberado.

   O asseio é o primeiro ornato de uma casa que se prepara par receber um hóspede. Que a alma do comungante, se estiver ornada de poucas virtudes, tenha pelo menos esta pureza que as faz desabrochar.

   Além disto, o decoro exige da alma a devoção, o recolhimento, o fervor da oração. O amor devia nos tornar sempre aptos para comungar, pois o amor anela, suspira, enlanguesce de desejos pelo Bem Amado de seu coração, assim como o pobre está sempre pronto a receber a esmola. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  10 de abril

   A manifestação que Nosso Senhor faz de Si mesmo na Comunhão, infunde na alma a necessidade de sua divina presença e de seus entretenimentos.

   A alma que gozou de Nosso Senhor, em nada mais encontra alegria, e as criaturas, comparadas com Jesus, deixam-na fria e indiferente. É que Deus lhe inoculou uma sede que pessoa alguma ou nenhuma coisa criada poderá satisfazer.

   Essa alma experimenta ainda um desejo contínuo de Jesus e de sua glória. Caminhar sempre, sem se deter para gozar de repouso neste mundo, eis a sua divisa. Suspira unicamente por Nosso Senhor, que a conduz de claridade em claridade. 

   Jesus é inexaurível, e quem O recebe d'Ele não se sacia nem O esgota; e quer sempre penetrar mais profundamente nos abismos de seu amor.

   Ah! procurai gozar frequentemente de Jesus na Comunhão, se quereis compreendê-Lo verdadeiramente! O Salvador permanece sobre o altar para conceder aos nossos corações, ao penetrar neles, tanta alegria e felicidade quanto nos for possível, enquanto esperamos as indescritíveis  e eternas alegrias da Pátria Celeste!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  9 de abril



   A alegria do espírito, a manifestação que Jesus nos faz de Si mesmo pela Comunhão produz em nós o gozo de Deus, ou seja, um sentimento que nos faz experimentar as doçuras de seu coração e penetrar no santuário de seu espírito, e isto mais pela impressão do que pelo raciocínio. Infunde-nos um poderoso atrativo pela Eucaristia e por tudo o que diz respeito ao Santíssimo Sacramento, e nos faz penetrar sem dificuldade em Jesus Cristo.

   E esse atrativo, essa facilidade, é quase um mistério, é a graça especial da Comunhão.

   Lembrai-vos bem de que a alma que não comunga jamais conhecerá o Coração de Jesus e a extensão de seu amor. O coração se dá a conhecer por si mesmo, é necessário senti-lo, ouvir-lhe as pulsações.

   Assim como é preciso provar o mel para sentir-lhe a doçura, assim também é necessário receber Jesus Cristo para conhecê-Lo bem. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA



Leitura espiritual  -  8 de abril


  

 Querendo Deus alimentar o nosso espírito, deu-lhe o seu pão, a Eucaristia, anunciada por estas palavras da Sagrada Escritura: "Hei de nutri-los com o pão de vida e de inteligência".

   Não há sobre a terra maiores alegrias que as do espírito. O júbilo do coração é passageiro porque se apoia no sentimento, sujeito a variações. 

   A verdadeira alegria é a do espírito, que consiste no conhecimento sereno da verdade. 

   Jesus Cristo reservou-se o privilégio de nos fazer gozar, por meio d'Ele, as verdadeiras alegrias.

   Na Comunhão, gozamos de Nosso Senhor em Nosso Senhor, e mantemos com Ele as mais íntimas relações, que produzem o conhecimento verdadeiro e profundo do que Ele é. Aí também Jesus se manifesta à nossa alma de maneira mais completa. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  7 de abril

   Quem comunga animado de um grande desejo de se unir a Jesus, despreza tudo o que não é digno de suas afeições divinizadas. Domina tudo o que é terreno, e nisto consiste o verdadeiro poder. É que a Comunhão faz a alma elevar-se a Deus. A oração se define uma ascensão de nossa alma a Deus. Mas, que é a oração, comparada à Comunhão? Quanto essa elevação de pensamentos, de desejos, se distancia da ascensão sacramental em que Jesus nos eleva com Ele até o seio de Deus!

   A águia, para ensinar os filhotes a voar nas mais altas regiões, apresenta-lhes o alimento colocando-se muito acima deles, elevando-se sempre mais à medida que eles se aproximam, até fazê-los subir insensivelmente aos astros.

   Assim, Jesus, a Águia divina, vem ao nosso encontro, trazendo-nos o alimento de que temos necessidade, e, logo em seguida, eleva-se convidando-nos a segui-Lo. Enche-nos de doçuras a fim de nos fazer desejar a felicidade do céu.

   A Comunhão nos prepara, portanto, para o céu.

   Que grande graça morrer após a recepção do Santo Viático! Peçamos muitas vezes esta graça de receber a Santa Comunhão antes de morrer. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  6 de março

   A alma, naturalmente considerada, recebeu de Deus uma vida que não se extingue: é imortal.

   Mas a vida da graça, recebida no Batismo, recuperada e restaurada na Penitência, a vida de santidade, mil vezes mais nobre que a vida natural, não se sustentará por si só, e o seu alimento principal é Jesus na Eucaristia.

   A vida recobrada na Penitência completar-se-á de certo modo na Eucaristia que, purificando-nos das afeições ao pecado, apagará nossas faltas cotidianas,  dar-nos-á forças para sermos fiéis às boas resoluções e nos preservará das ocasiões de pecado.

   Nosso próprio corpo receberá na Comunhão um penhor de ressurreição, e desde esta vida será mais sóbrio, mais submisso à alma. No túmulo, apenas repousará, conservando em si o gérmen eucarístico, fonte de glória resplandecente no dia das recompensas. 

   É que a Comunhão é o molde de Jesus em nossas almas e em nossos corpos. Na verdade, Jesus disse estas palavras:  "Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele".

domingo, 5 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  5 de abril

   Pertenceis a Deus e Lhe pertenceis sempre. Deveis, portanto, viver de Deus, repousar n'Ele e n'Ele vos rejubilar.

   E como conseguir isto a não ser pela Santa Comunhão?

   Comungai portanto todos os dias. Que será de vosso trabalho se não comerdes o pão da vida? Alimentai-vos para poder trabalhar. Nutri bem o vossa alma, de manhã, com esse alimento celeste, para o dia todo Desprezai os vossos escrúpulos e perplexidades, e ide avante, quer seja favorável a brisa que sopra, quer não seja; neste caso, então, dai de remos com a confiança em Deus, navegando sempre com velas desfraldadas. Visto que diariamente despendeis as vossas forças, precisais refazê-las e aumentá-las sem cessar na fonte divina. A Comunhão vos é necessária como a respiração aos pulmões.

   Comungai olhando mais para o Coração de Nosso Senhor, que vos convida, e em atenção à voz da obediência que vos diz:

   Ide! - do que olhando-vos no espelho de vossas ações e virtudes. 

sábado, 4 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual - 4 de abril

   A santa Comunhão, além de oferecer à Jesus Cristo sacramentado ocasião de satisfazer o seu amor, dá-Lhe uma vida nova que Ele consagra à glória do Pai.

   Jesus, não podendo mais em seu estado glorioso, honrar ao Pai com um amor de liberdade humana, portanto um amor meritório, vem ao homem pela Comunhão, faz sociedade com ele, a ele se une. Por esta união admirável o cristão empresta a Jesus glorioso membros, faculdades vivas e sensíveis, dá-Lhe a liberdade necessária ao mérito das virtudes e deste modo se transforma num outro Jesus que revive nele. 

   Alguma coisa de divino se realiza então no comungante: o homem trabalha e Jesus dá a graça do trabalho; ao homem cabe o mérito e a Jesus a glória, e Jesus pode dizer ao Pai: - Eis que vos amo, e vos adoro, sofro ainda, vivo novamente nesse membro meu. 

   Ao comungardes realizais portanto a finalidade da glória da Eucaristia, visto que , sem comungantes, este rio correria em vão, esta fornalha de amor não abrasaria os corações, e este Rei estaria em seu trono, sem vassalos. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual - 3 de abril

   A santa Comunhão, que é a graça, o modelo e o exercício de todas as virtudes - pois todas encontram sua atividade nesta ação divina - é-nos mais proveitosa que todos os demais meios de santificação.

   O amor de Jesus Cristo atinge a sua máxima perfeição e produz as graças mais abundantes, na união inefável que estabelece com a alma que comunga, - razão por que devemos tender à Comunhão, e à Comunhão frequente, mesmo cotidiana, mediante tudo o que a piedade, as virtudes e o amor nos podem inspirar de bom, de santo, de perfeito.

   Procuremos viver de maneira que possamos ser admitidos frutuosamente à Comunhão. Numa palavra , aperfeiçoemo-nos para comungar bem e vivamos para comungar sempre.

   Comunga para amar - comungai amando - comungai para conseguir amar ainda mais.

   Com a santa Eucaristia, a vida é o paraíso; sem ela, é o inferno. Com a santa Eucaristia tudo é doce e suave; sem ela, tudo amargo e intolerável.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual - 2 de abril


   A santa Comunhão é o combate travado em nós pelo próprio Deus contra a nossa concupiscência, contra o demônio que as nossas más paixões suscitam sem cessar, e que têm certo império sobre nós pela conivência com os nossos apetites desregrados. 

   Isto, aliás, se depreende destas palavras de Jesus: "Vós todos que gemeis sob o peso da escravidão dos pecados passados, vinde a Mim, e Eu vos aliviarei e vos libertarei!"

   A Penitência nos purifica da mancha da falta, porém, por mais purificados que estejamos, ficam-nos sempre as impressões das cadeias e a tendência a recair. 

   O demônio, afugentado, deixa entanto guardas avançadas. Jesus vem a nós para destruir os vestígios de nossos pecados, contrabalançar nossa má inclinação, e impedir que o inimigo novamente se apodere de nós.

   Não é a Santa Eucaristia que faz e conserva as virgens que inspira as mais sublimes virtudes, torna fortes os que são fracos, e sábios os insensatos?

   Tudo se torna fácil com a santa Eucaristia, centro e fonte de toda graça, e de toda virtude. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


1 DE ABRIL

LEITURA ESPIRITUAL


   Os seculares têm mais necessidade de comungar do que os que vivem em retiro, porque continuamente no campo de batalha, precisam se fortificar e se munir de boas armas a fim de não sucumbir.

   Assim, aos homens de negócio, aos magistrados, aos jovens, tão expostos no turbilhão do mundo, eu diria: Comungai todos os dias, e, se fosse possível, dez vezes por dia!

   Tendes muito trabalho que fazer? Alimentai-vos bastante. Considerai a Comunhão um meio de vos sustentar, de vos fortificar, e não um ato de virtude elevada e difícil.

   E visto que a Santa Comunhão não vos é proposta para recompensar virtudes, deveis comungar porque sois fracos e vos sentis sobrecarregado dos trabalhos da vida cristã. Comungai, portanto não porque sois santos, mas para vos tornardes santos.

   Jesus Cristo vos convida à Comunhão dizendo: "Vinde a Mim vós todos que estais acabrunhados de fadiga e Eu vos aliviarei!"