quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO

Extraído da "INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA", escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 02 de março de 1965.


 
 De fato, Jesus Cristo instituiu sua Igreja como meio único de salvação. Semelhante verdade foi prefigurada na Arca de Noé, fora da qual pereceram todos no dilúvio, e também pela dignidade da cidade de Jerusalém, única em que se prestava a Deus o culto verdadeiro.

   Depois, Jesus Cristo a revelou explicitamente, quando, enviando os Apóstolos a pregar a todos os povos, declarou: "Quem crer e for batizado será salvo, que não crer será condenado" (Marc. 16, 16). Com estas palavras impõe o Salvador como condição para a salvação a necessidade do Batismo e da adesão à pregação dos Apóstolos, e é na Igreja que temos o Batismo e a pregação apostólica. De onde, sem a Igreja é impossível  a salvação.

   Normalmente, a pessoa deve pertencer à Igreja, n'Ela ingressando pelo Batismo, n'Ela professando a fé católica, segundo a qual deve viver. Este é o caminho ordinário da salvação. Quando dizemos "ordinário", queremos significar que fora dele, ainda que a pessoa possa salvar-se, a salvação deve considerar-se mais rara. Mas, mesmo aqueles que não pertencem à Igreja e pela misericórdia de Deus se salvam, só conseguem a entrada no Paraíso mediante uma relação com a Igreja de Cristo. Tal relação é habitual nos catecúmenos que, movidos pelo Espírito Santo, aspiram a ingressar na Igreja, e se preparam para o Batismo. Há ainda uma relação naqueles que, sempre movidos pelo Espírito Santo, mantêm no coração um amor sobrenatural a Deus Nosso Senhor, desejosos de realizar tudo quanto Ele prescrever. Tais pessoas, se conhecessem a Igreja de Cristo, certamente n'Ela entrariam. Conservam, portanto, um desejo implícito de aderir à verdadeira Igreja. Fora destes casos, não há salvação.

   Quem vier a conhecer a Igreja de Deus, a Igreja Católica, e a Ela não aderir, dificilmente não se tornará réu em matéria grave, qual a de investigar a vontade de Deus a respeito da verdadeira Religião. Não nos esqueçamos de que Deus a todas as almas dá a graça suficiente para se salvarem. A tanto Ele Se obriga quando declara que quer a salvação de todos os homens, e que ninguém será condenado sem culpa grave. Ora, como o ingresso na Igreja é necessário para a salvação, segue-se que habitualmente Deus Nosso Senhor concede aos homens a graça de vir a conhecer a verdadeira Igreja. Os que, pois, a conhecem e n'Ele não entram, no comum dos casos indicam uma negligência grave em matéria seríssima, qual a da própria salvação. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  21 de fevereiro


 
 "Vinde todos a mim"! Ah! se pudéssemos ver a alegria de Nosso Senhor quando alguém O procura! Dir-se-ia que é o principal interessado, como se fosse lucrar alguma coisa com isto.

   A bondade de Jesus desce até ao reconhecimento. Sim, é-Lhe agradável tudo quanto Lhe damos, e de tudo se regozija, ao ponto de crermos que o nosso dom Lhe é necessário. Chega mesmo a nos pedir, nos suplicar: "Filho, dá-me o teu coração!"

   Confiai portanto unicamente em Nosso Senhor Jesus Cristo; ide a Ele em procura da graça. Por que esperá-la da criatura, que não a possui para dar? A graça é prerrogativa de Nosso Senhor, e Ele a concede somente à alma que O procura cheia de confiança e disposta a recebê-la puramente.

   Empregai muita delicadeza neste ponto, confiando o vosso coração ao divino Mestre. E por que não depositar n'Ele absoluta confiança? Vossa alma está entregue aos cuidados de Jesus, e ninguém como Ele possui o segredo do que mais lhe convém. 


   

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A FALSIDADE DO ISLAMISMO

Extraído do livro "SÃO GABRIEL, MAOMÉ E ISLAMISMO, escrito pelo Padre Júlio Maria, S. D. N. ,  escrito em 1954.


   Há várias religiões, porém só há uma religião verdadeira, porque havendo um só Deus, só pode haver um modo certo de servir a este Deus.

   Como descobrir a religião verdadeira no meio das numerosas seitas que se dizem possuidoras da verdade? 

   É simples e ao alcance de todos.

   1. Deus é o Criador e o Senhor do homem. Consiste a religião nas relações entre Deus e o homem e tais relações nasceram no ato mesmo da criação do homem.

   Foi naquele momento sublime que, dando a vida ao homem, Deus se tornou seu pai e o homem se tornou filho de Deus.

   Aquele que dá a vida, chama-se pai e aquele que recebe a vida chama-se filho

   Logo, a religião verdadeira deve ter nascido no próprio berço da humanidade, junto ao primeiro homem.

   2. A religião verdadeira, sendo obra do pai para com o filho, deve necessariamente adaptar-se a todas as faculdades do homem: deve ser luz para a inteligência, amor para o coração, força para a vontade, conduzindo o homem ao seu supremo destino, que é a felicidade eterna.

   3. Sendo Deus a própria verdade, a religião, feita por Ele, deve ser coerente e imutável, excluindo absolutamente toda contradição e toda mudança sucessiva. 

   Eis três princípios que nos permitem, sem receio de erros, descobrir a religião verdadeira. 


   Apliquemos agora estes três princípios ao Islamismo, e veremos logo destacar-se a sua falsidade, por não satisfazer a nenhum destes requisitos, absolutamente exigidos.

   O Islamismo não nasceu no berço da humanidade, mas proveio dos ensinamentos de Maomé, que o imaginou, codificou e legou aos homens, não no começo da humanidade, mas sim no ano 612, em Meca, organizando-o no ano 622 em Medina, onde o pseudo-profeta fixou o centro da sua reforma.

   Antes desta época, não existia nem Alcorão, nem lei maometana. Começou neste ponto, e não pode passar além.

   O reformador atribui a sua doutrina ao Arcanjo Gabriel. Nada, porém, tem ele com este arcanjo, pois a religião deve ser revelada pelo próprio Deus, e não pelos anjos que, sendo eles também servos de Deus, nenhum poder possuem para estabelecer uma religião divina.

   O Islamismo não pode descer além de Maomé, e nenhuma relação, nenhuma ligação possui com a religião fundada por Deus, transmitida por Moisés e os patriarcas, até chegar a Jesus Cristo, que realizou em sua pessoa, todas as profecias, e encerrou pelo Apóstolo São João, o ciclo das revelações divinas autênticas.

   Chegando até Deus a religião de Maomé, não é uma religião divina. É obra de seu fundador, uma religião humana, em contradição com a religião divina. 

   Logo, é uma religião falsa.


   A religião verdadeira deve adaptar-se às faculdades do homem, isto é, dever ser luz, amor e força e conduzir o homem ao seu destino eterno.

   Como vimos, o islamismo não realiza nenhum destes requisitos. 

   Não é luz.

   O Islamismo em nada contribuiu para o desenvolvimento do espírito humano. Pelo contrário, materializa o espírito, fecha-lhe o horizonte de um vida pura, santa, abnegada, que termina na felicidade divina, e não numa felicidade material como ensina o Alcorão.

   O céu do islamismo oferece o vício como suprema recompensa da virtude: até haverá palácios, riquezas, prazeres, mulheres e tudo o que a miséria humana pode sonhar para conhecer a si mesma e satisfazer os seus instintos humanos.

   Não é amor.

   O amor divino não figura no Alcorão, nele existe o medo, o terror, até a admiração das grandezas e do poder de Deus, nunca o amor. O amor espiritual, santo, sobrenatural é desconhecido na lei do pseudo-profeta. Nele figura somente a volúpia do prazer, da sensualidade, embrutecendo, aniquilando, deste modo, o amor puro, o amor ideal que Deus semeou no coração humano. Para o maometano, amar é gozar. Para o homem espiritual, amar é dar. Para o islamismo o amor está no prazer; para o cristianismo, o amor está em agradar aquele a quem se ama. 

   Não é força.

   É uma violência de guerra, de luta, de conquista pelo fanatismo da dominação, porém não é uma força de vontade pelo bem, pela virtude, pela grandeza espiritual do homem, pelo seu aperfeiçoamento, pela realização de um ideal superior.

   Tudo é materializado. O espiritual, a santidade, é um ideal desconhecido para o islã.

   Só conhece a força bruta da guerra. Ignora a força construtora da vontade, da virtude.

   E depois, não conduz à salvação eterna. Esta salvação é a virtude, a santidade, o heroísmo espiritual, a abnegação própria, o desprezo dos bens passageiros do mundo.

   Tudo isto não existe no islamismo. Logo, é uma religião falsa.

   O terceiro requisito é a coerência e a imutabilidade, partes essenciais da doutrina divina.

   Aqui, mais ainda do que nos pontos precedentes, a religião de Maomé está fora de toda apreciação.

   Facilmente, parece que o islamismo podia evitar toda aparência de contradição, pois tomou como bagagem intelectual, apenas três dogmas simples e claros, emprestados à Filosofia:  --  A Unidade de Deus, a Imortalidade da alma e a Sanção na eternidade, do bem e do mal.

   Infelizmente, Maomé fez o seu comentário e as aplicações da sua doutrina, e neles semeou as contradições, a mãos cheias. 

   Ele se apresenta como continuador de Jesus Cristo e o selo dos profetas. (Cap. III do Alcorão - V. 77 - Cap. IV- V. 161- Cap. 33-V, 40.)

   Ora, Jesus declarou que não seria continuado nem completado por ninguém e que a sua Igreja (doutrina) permaneceria até à consumação dos séculos, até ao dia do juízo geral (Mat. 28, 19 - 17, 17 - XXIV, 24.

   De outra parte salta aos olhos que a obra de Maomé, pela sua moral, sua doutrina social e religiosa, não é um progresso, mas um imenso recuo na doutrina de Jesus Cristo, como vemos claramente na exposição dos capítulos anteriores deste estudo.

   E o próprio Alcorão, o livro sagrado do Islã, quantas incoerências não apresenta!

   O pseudo- profeta o compôs, ou o fez compor do começo até ao fim, tendo que ser coerente consigo mesmo. Não soube, porém, fazê-lo e ele mesmo o percebia.

   Para se tirar do embaraço, atribuía a São Gabriel esta frase tão admirável de incoerências e contradição, como é ofensiva e blasfema a Deus: "Se omitimos um versículo do Alcorão, ou se apagamos a sua lembrança de teu coração, nós te trazemos outro melhor ou semelhante".

   Eis Deus que se corrige a si mesmo, que se completa, que se aperfeiçoa.

   Como consequência, os teólogos muçulmanos retiraram do Alcorão um certo número de passagens, visivelmente esquecidas. Umas foram ab-rogadas quanto à letra e ao estudo; não contam mais. São lapsos divinos, distrações de Deus, falta de memória de Deus. Outras passagens foram ab-rogadas quanto à letra, porém, foram substituídas, quanto ao sentido, por outras semelhantes.

   Outras ainda foram completamente riscadas e canceladas: eram ignorâncias divinas. Outras, enfim, ficaram no livro, mas ab-rogadas, quanto ao sentido, constituindo (notem bem isso) as contradições oficialmente reconhecidas e conservadas...

   Há no Alcorão, 207 versículos que sempre figuram no texto, mas que são ab-rogados por 93 outros.

   O quinto versículo da Surata 9 ab-roga, ele só, 124 outros. As revelações ab-rogadas foram substituídas por melhores ou mais cômodas, as quais, à medida das necessidades, permitiram a Maomé violar suas próprias leis sobre o matrimônio, de continuar em nome de Alah (Deus) os seus saques, roubos, assassínios e tráficos vergonhosos. (Alcorão C. 33-V. 28-53-66, 1 - 2 etc.).

   O próprio profeta se envergonha destas contradições e crimes e confessa, no Alcorão, a enormidade de seu crime. 

   Bossuet havia formulado este princípio seguro: "O que muda é falso: a verdade não muda".

   O Islamismo mudou, se contradiz, se corrige; logo, ele é falso.

   Paremos aqui; é o bastante para uma pessoa sincera, leal, à procura da verdade, verificar que o Islamismo é uma religião falsa, não é a religião divina, a única religião verdadeira. 

   Onde está esta religião? Já o dissemos: É a religião de Jesus Cristo, conservada intacta no ensino da Igreja Católica, Apostólica, Romana.

   Só a religião católica se apóia no berço da humanidade, só ela se adapta perfeitamente às necessidades do homem; só ela é coerente em seu ensino e imutável em sua doutrina; só ela tem as promessas da vida eterna e a certeza da existência perpétua. 

DOM BOSCO PREGA SOBRE A MORTE AOS JOVENS DO ORATÓRIO

   "A morte é a separação da alma do corpo e o total abandono das coisas deste mundo.
   Todos sabem que um dia devem morrer, mas ninguém sabe onde e como morrerá.
   Você não sabe se a morte o surpreenderá na sua cama ou no seu trabalho, na estrada ou em outro lugar. A ruptura de uma veia, um infarto, um tumor que talvez já esteja crescendo em seu organismo, uma queda, um acidente, um terremoto, um raio e outras mil causas de que você nem suspeita agora, podem privá-lo da vida. E isto pode acontecer daqui a um ano, um um mês, a uma semana, a uma hora e, talvez, apenas terminada a leitura desta meditação.
   Quantos se deitaram à noite com boa saúde e de manhã foram encontrados mortos! Quantos ainda hoje morrem de improviso! E onde se encontram agora? Se estavam na graça de Deus, felizes deles! São para sempre bem-aventurados. Mas se estavam em pecado mortal, agora estão eternamente perdidos!
   Diga-me, meu caro jovem, se você devesse morrer neste instante, que seria de sua alma?
Morte do justo; morte do pecador
   Embora o lugar e a hora de sua morte lhe sejam desconhecidos; você sabe com certeza que vai morrer.
   Esperemos que a sua última hora não venha de repente, mas aos poucos, por uma doença comum. De qualquer modo virá um dia em que, estendido em sua cama, você estará prestes a passar à eternidade assistido por um sacerdote e cercado por parentes que choram. Você terá a cabeça dolorida, os olhos embaçados, a língua ressequida, um suor gélido e o coração fraquíssimo. Assim que a alma expirar, seu corpo será vestido e colocado num caixão. Aí os vermes começarão a roer suas carnes, e bem depressa de você não restarão a não ser poucos ossos descarnados e um pouco de pó. Experimente abrir um sepulcro e verá a que ficou reduzido aquele jovem antes cheio de saúde, aquele rico, aquele ambicioso, aquele orgulhoso!
   Meu caro filho, ao ler estas linhas, lembre-se de que elas falam de você, como de todos os outros homens! Agora, o demônio, para induzi-lo a pecar, procura desviar sua atenção destes pensamentos e escusá-lo de suas culpas, dizendo-lhe não ser um grande mal aquele prazer, aquela desobediência, aquela omissão da Missa no domingo ou em dia santo, e assim por diante; mas quando chegar o momento da sua morte, será ele mesmo que vai lhe revelar a gravidade destes e dos outros pecados, e vai lançá-los diante de sua consciência. Que fará você então? Ai de você se, naquele momento, se achar em desgraça de Deus!
   Não se esqueça, meu jovem amigo, de que daquele momento depende a sua eterna salvação ou a sua eterna condenação.
   Duas vezes temos diante de nós uma vela acesa: no Batismo e na hora da morte. A primeira vez para fazer-nos ver os preceitos da Lei divina que devemos cumprir, e a segunda para fazer-nos ver se os cumprimos. À luz daquela vela, você verá se amou a Deus ou se O desprezou; se honrou seu santo Nome ou se O blasfemou; você verá as festas profanas, as Misas perdidas, as impurezas cometidas, os escândalos dados, os furtos, os ódios, as soberbas... Oh! meu Deus, verei tudo naquele momento em que se abrirá diante de mim a porta da eternidade!
   Grande e terrível momento do qual depende uma eternidade de glória ou de sofrimentos! Você está compreendendo o que lhe digo? Eu lhe digo que daquele momento depende o ir para o céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou desesperado; para sempre filho de Deus ou escravo de Satanás; para sempre gozar com os anjos e os santos no céu ou gemer e queimar para sempre com os condenados no inferno!
   Por isso, prepare-se para aquele grande momento fazendo logo um ato de contrição e, o mais depressa que você puder, uma boa e santa confissão. Decida-se, depois, a viver sempre na graça de Deus, porque COMO SE VIVE ASSIM SE MORRE."

   "LEMBRA-TE DE TEUS NOVÍSSIMOS, E JAMAIS PECARÁS" (Eclo. 7, 40).
Ó grande São João Bosco! Agradecemos-lhe este zelo pela salvação das almas, pregando o que o próprio Divino Espírito Santo manda.
           SÃO JOÃO BOSCO! ROGAI POR NÓS!

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  20


   A alma que vive em santo abandono entrega inteiramente a Deus a própria vontade, para que Ele a governe e a mova como quiser.

   Doravante, apenas há de considerar como bem, alegria, felicidade, virtude, zelo, perfeição o que trouxer o selo divino da vontade de Deus.

   Que deseja Deus? Qual a sua vontade? Que Lhe agrada mais - Eis, em síntese, a lei, a escolha, toda a vida enfim da alma em santo abandono. 

   E ela se entrega ao serviço de Deus sem outro ponto de vista, sem outro amor que não seja o que Deus lhe determina a cada hora, e como Ele quer.

   A alma, no santo abandono, serve a Deus segundo os meios de que dispõe no momento. Não se apega ao seu estado, nem aos meios, nem às graças, mas repousa unicamente na santa Vontade de Deus!

   Nosso Senhor é e deve ser para vós o sol de cada dia; todas as manhãs ele se levanta em vossa vida, mas não da mesma maneira. É mister que ameis sempre este divino sol de justiça e de amor, seja que ele vos apareça radioso, seja que se mostre velado em meio aos ardores do estio, ou sob os gelos do inverno; é sempre o mesmo sol. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  18 de fevereiro


   Os homens são maus, procuram arrebatar à alma que vive no santo abandono os seus bens, sua liberdade, sua reputação, e ela se deixa despojar de tudo sem cólera e sem desespero.

   Possui o seu Deus, que lhe tem amor. É portanto, bastante rica, e se sente assim mais livre para ir ao encontro do Pai Celeste!

   Algumas vezes o próprio Deus se mostra severo, parece abandonar a alma querida, deixando-a entregue ao furor dos demônios, aos horrores das tentações; ela sofre então o martírio da consciência, mas esta é a vontade de Deus.

   "Fere se podes, dirá ela ao demônio, tu que fizeste flagelar o meu Mestre, que O tentaste e O transportaste nos braços. Quanto a mim, discípulo de um tal Mestre, não tenho medo de ti: só me farás o que Deus te permitir. Jesus está comigo".

   Somente se conhece um bom soldado no campo de batalha, um gênio por sua obra, uma verdadeira piedade na provação. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  17 de fevereiro



 O santo abandono é o estado da alma que se entrega, sem condição nem reserva, ao bel prazer de Deus, quer na ordem da natureza, quer na ordem da graça.

   A alma, no santo abandono, quer tudo o que Deus quer, como e porque Ele quer, quanto ao estado do corpo: a saúde ou a doença, este ou aquele país, as condições de trabalho, de domicílio, de sociedade - tudo lhe é indiferente, tudo agradável, mercê desta única sentença: "Deus assim quer, é o bel prazer de Deus".


   Sem se preocupar com o futuro, a alma no santo abandono, dorme tranquilamente no regaço materno da Divina Providência, ou repousa em paz aos seus pés. O filho que tem uma boa mamãe não se inquieta com o futuro; ela pensa por ele.

   Os elementos se entrechocam, é a tempestade; o mar ameaça tudo engolfar, todos tremem de medo, mas o filho, no santo abandono, dorme sem receio no colo maternal da Divina Providência. Não há tempestade para ele. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

IGUALDADE E DESIGUALDADE NA IGREJA

Extraído da INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA, escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 2 de março de 1965.

 Assim, na Igreja somos"o corpo de Cristo, e cada um, de sua parte, é um de seus membros" (1 Cor. 12, 27). Inculca neste passo o Apóstolo - e nós julgamos conveniente sublinhar - que todos os membros da Igreja têm uma dignidade fundamental, que é a mesma em todos, como filhos de Deus, membros de Jesus Cristo, chamados todos à perfeição. Sob este ponto de vista, não há na Igreja discriminação entre os fiéis, sejam eles "judeus ou gregos, servos ou livres" (cf. Gal. 3, 28), isto é, pertençam a esta ou àquela nação, tenham esta ou aquela condição social.
  

   Ao lado dessa dignidade fundamental, comum a todos os membros da Igreja, que deve, por sua alta excelência, ser por todos reconhecida e respeitada, dispôs Deus uma desigualdade requerida pelas funções e ministérios, indispensáveis num corpo organizado. Semelhantes funções e ministérios importam novas dádivas que são outras tantas excelências, que devem, igualmente, ser reconhecidas e tomadas no devido respeito; como, numa família, sem inveja, antes com amor, todos acatam e veneram a autoridade dos pais, sem que nenhum filho pretenda tomar-lhes o lugar ou usurpar-lhes a dignidade.

   Por seu turno, os que foram distinguidos pela Providência com maiores dons, a fim de exercerem na Igreja funções ou ministérios especiais, não têm razão alguma de menosprezar os demais, consoante a palavra do Apóstolo: "que tens que não recebeste? e se recebeste, por que te vanglorias, como se o não tivesses recebido? (1 Cor. 4, 7).

   A economia da graça, caríssimos filhos, tem o sigilo da harmonia divina. Santo Agostinho afirma que onde há humildade, aí há majestade; "ubi humilitas ibi maiestas" (Sermão 24). Realmente, a majestade só se compreende à imitação de Jesus Cristo, que, apesar de suas prerrogativas divinas, veio ao mundo para servir os homens; assim todas as dignidades na Santa Igreja  (o mesmo se diga da sociedade), que, objetivamente, envolvem excelências singulares  -  o que é preciso reconhecer  -  são de fato constituídas em benefício da comunidade, como todas as partes do corpo servem ao bem comum do organismo. Além do mais, a escala ascendente dos graus de excelência na Igreja  -  como em geral na ordem dos seres  -  induz a alma a um conhecimento menos imperfeito da inefável grandeza de Deus. Tem, pois, outrossim, uma missão pedagógica. São Pio X dava como característica do espírito modernista, o desejo de despojar a autoridade religiosa de todo aparato exterior, dos ornamentos pomposos pelos quais ela se apresenta num como espetáculo. Nisso, acrescenta o Papa, esquecem-se os modernistas de que a Religião, se pertence à alma, nela não se confina; e de que as honras tributadas à autoridade redundam em homenagem a Jesus Cristo, que a instituiu. 

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  16 de fevereiro


 
 Pode acaso quem conhece bem Jesus comparar com Ele alguma coisa, e viver sem Ele quem experimentou as delícias de seu amor? Nunca! Seria grande infortúnio!

   Com efeito, que felicidade para a alma pertencer totalmente a esse bom Mestre e querer estar sempre com Ele. Tal escolha é superior a todas as coroas e às mais brilhantes posições sociais, pois é verdadeiramente rico aquele a quem Jesus é todo o seu Bem. 

   Jamais vos afasteis, portanto, de Jesus: seja qual for o tempo, pertencei-Lhe sempre, pois o tempo é sempre belo para a alma que vive sob os raios do amor divino. Desde que Nosso Senhor esteja contente com o que fazemos, deve-nos ser indiferente a maneira por que Lhe damos prazer; pela doença ou pela saúde, por um estado de sensibilidade ou de fervor, de submissão ou de práticas piedosas.

   Observai bem esta lei: querer somente o que Deus quer, como Ele quer e quando Ele quer.O santo abandono é o mais puro, é o maior amor.

   

domingo, 15 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  15 de fevereiro



 Há uma grande lei de santidade, sempre verdadeira, sempre boa e fecunda em obras; é a lei da conformidade com a santa e sempre amável vontade de Deus.

   A Vontade de Deus antes de tudo, acima de tudo, em tudo e em todos: eis a mais cabal perfeição, e à qual todos os outros meios de salvação devem estar subordinados.

   Firmemos este grande princípio: ir a Deus, aos deveres, ao próximo, animados por um espírito de amor, de amor à santa Vontade atual de Deus, e porque Ele assim quer. Tudo será então um variado exercício desta mesma Vontade divina e amável que nos dirige. E ficaremos tranquilos quanto ao mais.

   Ah! como nos sentimos bem por toda a parte com esta regra divina da adorável Providência! Estamos como filhos nos braços de terna mãe. A sua graça às vezes nos impele, e então viajamos alegres; outras vezes Ele se limita a nos dar a mão, sendo-nos preciso caminhar, mas nada custa, em companhia de Jesus. E acontece mesmo que Ele nos deixa sozinhos, no deserto, para nos ensinar que por nós mesmos nada podemos, e então clamamos por esse bom Mestre.

   Estai certos de que Deus vos ama, de um amor todo gratuito, e seja esta a base de vossa confiança. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  14 de fevereiro


    
 Sede como o operário que faz tudo quanto lhe pedem sem se afligir com o que deve fazer no dia seguinte.

   Conservai a vossa alma junto a Jesus no Santíssimo Sacramento, e entregai-vos depois a todos e a tudo, com paz e liberdade. Que o vosso espírito esteja sempre sob os raios deste bom e belo sol; seja o coração livre como o ar, e tenha a vontade por única escolha a Vontade atual de Deus, amando tudo quanto Deus ama, indiferente a tudo o que não se dirige a Deus, desprezando tudo o que Lhe é contrário. 

   Conhecereis, então, a seu tempo, o que Deus quer, o que Ele não quer, e somente o seu beneplácito será a norma de vosso agir, Nessa vontade divina, atual e pessoal, está a graça particular de santificação. graça que se prende a cada hora e a todo e qualquer ato; terminada a hora e o tempo de agir, a graça terá passado.

   Quão belo e fácil é esta regra de amor! Contentai-vos com a santa Vontade de Deus no momento. Entregai-vos a tudo e a nada; a tudo, quando Deus quiser; a nada, desde que Ele não queira mais. Dai-vos a todos e a tudo segundo o bel prazer divino. Vivei dia por dia, ou melhor momento a momento.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  13 de fevereiro


 
 Considerai todas as coisas através do prisma divino e tudo se revestirá de seu belo colorido!

   Lembrai-vos que uma natureza triste debilita o corpo e o espírito, e que a tristeza espiritual paralisa o coração e a piedade.

   Considerai, pois, sempre, as inefáveis bondades de Deus para convosco, sua mão paternal, tão previdente, tão amorosa, até nos menores sacrifícios que vos pede! Considerai antes a sua bondade que a vossa malícia, suas graças que os vossos pecados, seus benefícios que os vossos sofrimentos, sua força que a vossa fraqueza, sue amor que a vossa tibieza, e, então, apegar-vos-eis, pelo coração e pela vida, a esta amável e incessante bondade. 

   Sim, permanecei na divina e paternal bondade de Deus, como a criancinha, que nada sabe, nada faz, tudo põe a perder, mas que vive nessa doce bondade. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  12 de fevereiro


   Habituai-vos a ver passar as coisas do mundo como as gotas de um riacho; deixai-as correr, murmurando, agitando-se entrechocando-se. Quanto a vós, descansai aos pés de Nosso Senhor, e se as criaturas vierem a faltar-vos ou provar-vos, ouvi a voz de Deus que vos diz: -  "Eu te basto!"

   Não há estado mais feliz que o da alma só desejosa de agradar a Deus, que procura somente a estima e a proteção de Deus, e a do próximo como e enquanto Deus quer. Então, nem ventos, nem tempestades humanas conseguem perturbá-la, porque Deus é o seu tudo.

   Com efeito, quando Deus está contente, estejamos nós também. Se Deus nos ama, que nos importa o resto? Se temos Deus a nosso favor, por que nos inquietarmos com o que está contra nós?

   Ide portanto a Nosso Senhor sempre com uma grande simplicidade de alma e um santo abandono, considerando apenas estas duas coisas: vossa miséria  -  e sua bondade, seu amor por vós. E se o mundo vos ignorar, esquecer-vos, bendizei a Deus. Haveis de amá-Lo então com maior pureza, como faziam os santos. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  11 de fevereiro


   Procurai ser de Jesus como os anjos do céu, no júbilo, na alegria de seu divino serviço, na simplicidade do dom irrevogável, pelo qual não vos permitis o olhar sobre vós mesmos.

   A chama que se eleva de fogo, a ele não retorna porque, impelida por outra que se levanta, sobe sempre; não dispõe de tempo nem de movimento para voltar atrás.

   Deus só, basta à nossa alma. Em possuí-Lo, todos os prazeres - em servi-Lo, toda a glória. Nada pode substituir a Nosso Senhor, que tudo substitui divinamente; podemos nos privar de tudo, exceto d'Ele a quem somente devemos agradar e nos entregar; as criaturas não passam de espinhos.

   Jesus, nosso bom Mestre, conta com tão poucas almas de elite, que Lhe sejam régias servas! Deveis valer por mil, e vosso serviço por dez mil, mercê de uma ardente e generosa piedade eucarística. Não é justo que Ele tenha almas grandes aos olhos do mundo, almas a quem o século desejaria conquistar? Amai, portanto, e servi regiamente a esse bom Rei. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  10 de fevereiro


   Tende confiança em Jesus mesmo quando o desânimo vos assaltar, quando o vosso corpo ou o vosso espírito se sentir sem forças, recusando-se a vos ajudar. Dizei então: - Não confio em mim mesmo e sim em vós, ó meu Deus; se quiserdes auxiliar-me, tudo posso convosco. Nada possuo, quase nada me é possível fazer; começarei, entretanto e vós terminareis.

   Trabalhai então; fazei o pouco de que fordes capaz, e Nosso Senhor se encarregará do resto.

   Abandonai-vos inteiramente à Divina Providência. Deixai-vos conduzir pelos acontecimentos, pelas obrigações de estado, e, principalmente, pelo sopro da graça. Que a vossa alma, semelhante à vela de uma barquinha, se desfralde ao movimento da brisa celestial, para seguir-lhe o impulso.

   O sopro da Vontade de Deus é sempre propício à vela de nossa embarcação, mas é necessário conservá-la desfraldada e firme, e ter os olhos fitos em Jesus Cristo, que a comanda. Deixai-Lhe o cuidado de dirigir a barquinha a essa ou àquela praia; tende apenas um cuidado  --  remar sob as ordens divinas. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  9 de fevereiro


   A finalidade da Eucaristia não é somente aproximar o homem de Deus, destruindo o temor instintivo e dominante, mas, principalmente, depositar em seu coração a confiança.

   Ao contemplarmos as santas espécies, lembremos-nos logo de tudo quanto foi Jesus na sua vida mortal e de tudo quanto Ele é: amor, bondade, misericórdia, ternura.

   É Ele quem nos procura, suprimindo todas as distâncias. Espera-nos com paciência e longanimidade admiráveis, para que nos aproximemos d'Ele e O recebamos. 

   Dás-se a todos sem a ninguém repelir; fica à espera do pecador, e estende os braços durante quarenta, sessenta anos, àquele que, um dia, se renderá aos seus convites. Fica à disposição do pobre que vem recebê-Lo pela manhã antes do trabalho, qual suave bênção para o dia que desponta.

   O maná caía no campo dos Israelitas antes da aurora, a fim de que o celeste alimento não se fizesse esperar. Nosso Senhor permanece sobre o altar, prevenindo a visita mais matinal. Feliz de quem recebe a primeira bênção do Salvador!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Igreja, Corpo Místico de Cristo

Extraído da "INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA" escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 2 de março de 1965.


   Dizendo que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, indica São Paulo que hemos de conceber a sociedade instituída por Jesus Cristo à maneira do corpo humano. "Como o corpo  -  escreve o Apóstolo  -  é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também Jesus Cristo" (1 Cor. 12, 12). Com semelhante expressão, São Paulo afirma a unidade interna da Igreja, fruto do Espírito Santo, que vivifica a Igreja inteira e cada um de seus membros, como a alma dá vida ao corpo e aos membros: "Em um só Espírito fomos batizados  - continua o Apóstolo -  todos nós, para formar um só Corpo"  (1 Cor. 12, 13). É unidade que não destrói a natureza pessoal de cada fiel, mas os congrega todos pelos laços invisíveis da fé e da graça, de maneira que torna verdadeira e própria a expressão de Jesus Cristo a Saulo, perseguidor da Igreja: "Eu sou Jesus Cristo a quem persegues" (Atos 9, 5).

   A expressão do Apóstolo mostra, outrossim, que na Igreja os membros não são iguais, mas que há entre eles diferenças e subordinações, da mesma maneira que no corpo humano todos os órgãos não são os mesmos, e embora todos gozem da mesma dignidade enquanto humanos, sem embargo nem todos têm as mesmas excelências, o que não quer dizer que uns possam menosprezar os outros, porquanto todos são necessários, como necessária é a subordinação entre eles para o bem-estar do todo, e isso segundo o determinou o Criador da mesma natureza.

   É tão inata no coração do homem, após a queda, a rebeldia contra as legítimas superioridades, que São Paulo se demora em explicar aos coríntios esta verdade. As palavras do Apóstolo têm hoje igualmente grande oportunidade, pelo que vamos recordá-las: "O corpo  -  assim ele  -  não consiste em um só membro, mas em muitos [...] Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? Mas, Deus dispôs os membros do corpo, cada um como Lhe aprouve. Se todos fôssemos um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: eu não preciso de ti; nem ainda a cabeça aos pés: vós não me sois necessários. Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos, são os mais necessários. E os membros do corpo que temos por mais vis, a esses cobrimos com mais decoro. Os que em nós são menos decentes, recatamo-los com mais decência, ao passo que os membros decentes não têm necessidade de decoro" (1 Cor. 12, 14 e 17-24). 

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  8 de fevereiro

   Deus pensa por nós. Procurai ser como a criança, que apenas sente, ama e agradece; ou como a pombinha alva e pura da arca, que somente nela encontra pousada, e que não tem outro canto nem outro suspiro que o canto e o suspiro do amor!

   Não vos contempleis no espelho do amor próprio porque vos assustaríeis; nem no das criaturas: teríeis medo; nem tão pouco na balança do mérito, pois a pobreza levaria vantagem; nem nas falsas luzes das palavras humanas. Contemplai-vos no terno Coração de Jesus, através de sua bondade tão maternal, tão meiga, e não tereis receio algum. Evitai tomar nota do que dais ao divino Mestre, de calcular o que vos falta. Lançai-vos, qual palha ou pedaço de ferro cheio de ferrugem, nesse foco incandescente, e em pouco tempo vos haveis de purificar, refazer, abrasar, incendiar!

   Coragem! O mais belo sacrifício oferecido a Jesus é o próprio eu; a mais bela homenagem: o coração; a mais bela coroa, a da flor matutina que se abre ao sol nascente e se fecha ao pôr do sol!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  7 de fevereiro


   Que vosso coração seja sempre todo de Deus pela pureza de intenção, pelo afeto ao seu amor, pela confiança em sua divina misericórdia.

   Fazei a miúde aspirações de amor ao divino Mestre, pois que essas aspirações são para a alma o que a respiração é para o coração - a vida. 

   É preciso chegar ao ponto em que só Jesus nos baste. Ditosa direção, a de Nosso Senhor! Mas é mister encerrarmo-nos no seu Coração divino para aí sermos moídos como o trigo, impregnados de seu espírito e cinzelados por suas mãos divinas.

   E nesse centro divinal do Coração de Jesus, por que temer os vendavais de fora?! Mesmo quando Jesus parece dormir nenhum receio devemos ter; fiquemos a velar aos seus pés e descansemos tranquilos. A calma e a bonança somente se encontram nessa habitação divina; a verdadeira virtude é a que nos faz viver de Jesus e o puro amor é o de abnegação.

   Ah! pertencei inteiramente a Nosso Senhor, como Ele é todo vosso. Que não haja reserva no dom, divisão no amor, nem outro centro senão a sua adorável e sempre amável vontade. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  6 de fevereiro


   Quem souber fazer estas duas coisas: -confessar e amar o próprio nada, e lançar-se nos braços da confiança em Deus  -  possuirá a ciência necessária para se tornar um grande santo.

   Ide ao encontro do bom Mestre como a criancinha despida de mérito e de força vai ao coração de sua mamãe. Um ato de submissão e de abandono é superior a tudo o mais que puderdes fazer, e vosso lugar predileto deve ser junto ao divino Mestre para vê-Lo, ouvi-Lo e vos sentirdes bem ao seu lado. 

   Não é vos inquietando e vos perturbando que alcançareis a paz do coração, mas abandonando-vos à bondade e misericórdia divinas. Esta paz repousa primeiramente na humildade com que a alma suporta sua própria miséria, e depois na simplicidade da obediência para agir segundo o espírito de fé.

   Vivei de Deus, de Jesus Eucaristia. Não cuideis do passado, nem do futuro, mas do presente, atento à Vontade divina do bom Mestre, e Ele vos conduzirá pela mão através de todas as dificuldades, até a graça e a perfeição de seu amor. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  4 de fevereiro


   Deus, sua glória, sua vontade, eis, em resumo, a vida do cristão.

   O homem do século vai ao encontro dos acontecimentos, provoca-os e os faz servir aos seus desejos. O homem de Deus aguarda a hora da Divina Providência, coopera com o movimento da graça, entrega-se à vontade integral de Deus, presente e futura, com o abandono filial que confia todo o cuidado de si mesmo e reverte toda a glória a Deus seu Pai. 

   Deus, a graça e o tempo são as três grandes forças do cristão e quem procura somente Deus e sua santa vontade do momento, permanece na paz e no fervor. 

   Colocai-vos bem nesse centro divino, vivei de sua divina vontade, caminhando ao clarão desta luz sempre brilhante. Persuadi-vos de que a Providência amorosa de Nosso Senhor vos protege e vos conduz, como a nuvem do deserto aos hebreus.

   A única felicidade verdadeira é fixar-se na santa vontade de Deus, e se esta vontade for mortificante, será então o mais belo triunfo do amor.

   


   

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  5 de fevereiro


   "Que desejo Eu, dizia o Salvador, senão ver o fogo do amor divino abrasar o mundo?"

   Diz-se que é o fogo que fertiliza a terra e produz o movimento do sangue no coração: o fogo do amor de Deus é ainda mais poderoso e fecundo.

   Amai, portanto, profundamente a Jesus e procurai tão somente dar-Lhe prazer, expandir em seu amante Coração todas as vossas tristezas e alegrias, e principalmente toda a ternura de vossa alma. Se amardes assim o nosso bom Mestre, Ele será o vosso tudo, e sereis felizes.

   À medida que os raios penetram o cristal este se torna luminoso. Ah! e por que somos nós sempre tão opacos em face do divino Sol; frios, assim expostos à chama divina, e entorpecidos sob a ação dessa força divinal? É porque ainda somos enfermos, sempre apegados a alguma coisa, ocupados com a nossa pessoa e com este pobre mundo, e cheios de perturbações de espírito que nos fazem desfalecer.

   Entretanto, quão felizes seríamos se amássemos Nosso Senhor com toda a capacidade do nosso ser e estabelecêssemos o seu reinado em nós, porque esse reinado é tudo. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  3 de fevereiro

   
   Nosso bom Pai que está nos céus tem sempre os olhos de seu amor fixos em nós, prevendo e ordenando tudo para o nosso maior bem.

   Segui pois o traçado desta Divina Providência. Caminhai como Deus quer, à luz do sol ou da lua ou das estrelas ou às apalpadelas, preso ao fio da obediência. É regra segura.

   Não vos apegueis aos meios de ir a Deus mas unicamente ao próprio Deus e à sua divina vontade. Deixai-vos volver e revolver, consolar e desolar por esse divino Mestre, como Lhe aprouver, e que toda a vossa consolação seja o amor à sua divina Vontade.

   Toda a vida de uma alma interior está na realização destas duas leis: - Deus quer, Deus não quer,  - e toda a perfeição do amor consiste em fazer cada coisa como Deus quer e segundo o espírito de Deus. Ele não tem necessidade do vosso trabalho mas do vosso coração e dos vossos sacrifícios, ou melhor, é este o vosso trabalho de cada dia.

   Deixai-vos conduzir pelo bom Mestre como criancinha, sem vontade própria, e sem outro amor que o seu divino amor, que tudo suaviza. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  2 de fevereiro


   Confiai a Nosso Senhor o cuidado de escolher a forma exterior de vossa vida, segundo o seu bel prazer. Recebei todos os acontecimentos pessoais como provindos de seu coração de Pai, lembrando-vos de que o perfeito amor ama a Deus em Deus, e a Ele se dirige pelo caminho mais curto, o abandono à sua santa Vontade do momento.

   Considerai quanto a Divina Providência é boa, previdente, maternal! Entregai-vos aos seus cuidados e deixai-a tudo dispor, tudo fazer. Dormi tranquilamente, Deus vela por vós e sobre vós.

   Servi a Deus com alegria, dai-Lhe tudo e repousai em sua bondade, vivendo e agindo sempre em sua caridade, e procedereis sabiamente. Servi-O em todos os estados de vossa alma, de vosso corpo, de vossos deveres, com uma fidelidade sempre igual.

   Fixai a vossa paz na confiança em Deus, porque Ele é bom e porque vos ama como a um filho. 

   

domingo, 1 de fevereiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  1 de fevereiro

   Deus nos ama pessoalmente, com um grande amor de benevolência, com um amor infinito e eterno.

   O amor de benevolência consiste em querer pura e exclusivamente, o bem, o maior bem da pessoa amada.

   Todos os atributos de Deus estão à disposição de seu amor de benevolência para conosco, a fim de nos santificar em seu amor e em sua graça, e para nos comunicar, na eternidade, sua felicidade e sua glória, porque o amor quer a união, e a união, finalidade e triunfo do amor, estabelece a sociedade de bens e de vida. O amor não quer ser feliz sozinho.

   A Sabedoria divina escolhe o que mais convém à alma querida, e ao seu estado atual; a Prudência divina distribui esses meios de santificação; o Poder divino vem em nosso auxílio, sustenta-nos, defende-nos; a Misericórdia tem sempre um coração de mãe para nos perdoar e nos levantar, porque a criança tem dois inimigos, ou melhor, dois direitos à misericórdia: sua fraqueza e sua leviandade; a Providência divina combina todos os acontecimentos, quanto ao tempo e às circunstâncias, em torno dessa alma querida, como se fosse ele o centro do movimento celeste e terrestre, a fim de que tudo sirva para o seu fim sobrenatural.