sábado, 31 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  31 de janeiro


   "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Estas palavras proferidas por Nosso Senhor quando ainda estava no mundo, vão além da vida humana do Salvador. São palavras que não passam, e que Ele poderá repetir sempre, com o mesmo cunho de verdade, no Santíssimo Sacramento.

   Há caminhos fictícios, atalhos, na vida espiritual, estradas que se podem trilhar por algum tempo e abandonar depois.

   Jesus no Santíssimo Sacramento é o Caminho imutável. É o meio, o modelo, porquanto nos seria de pouco proveito conhecer o caminho se Ele não nos ensinasse, com o seu exemplo, a palmilhá-lo. 

   Somente se pode alcançar o céu pela participação da vida de Nosso Senhor. Que a nossa vida espiritual consista, portanto, em contemplar a Eucaristia e nela procurar o exemplo do que temos que fazer em toda as circunstâncias da vida cristã. Eis em que se resume e como se entretém a união com Jesus Hóstia, e será assim que nos tornaremos eucarísticos em nossa vida, e que nos santificaremos segundo a graça da Eucaristia. 

A ADORAÇÃO EM ESPÍRITO E VERDADE

   É precisamente porque a adoração se processa no NOSSO ÍNTIMO, que Nosso Senhor disse estas palavras: "A hora vem, e agora é, quando os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em ESPÍRITO E VERDADE; porque tais quer também o Pai que sejam os que O adoram. Deus é espírito, e em espírito e verdade é que O devem adorar os que O adoram (S. Jo. IV, 23 e 24).
   Nosso Senhor Jesus Cristo se refere aí à transformação que vem trazer o Cristianismo, substituindo-se àquela religião de meras exterioridades em que tinha caído o judaísmo: "Este povo honra-me com os lábios; mas o seu coração está longe de mim" (S. Mat. XV, 8). "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e desprezastes os pontos mais graves da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. São estas coisas que era preciso praticar, sem omitir as outras" (S. Mat. XXIII, 23).
   Apesar de praticarem muitos atos exteriores de religiosidade, não praticavam os judeus A VERDADEIRA ADORAÇÃO; esta consiste em que a nossa alma esteja totalmente SUBMISSA A DEUS: a nossa inteligência, pela fé na sua palavra infalível; o nosso coração, pelo amor a Ele acima de todas as coisas; o nosso espírito, pela resignação à sua vontade; toda a nossa vida, pela exata observância dos seus mandamentos. Isto é que é realmente reconhecer a Deus como Supremo Senhor nosso e Supremo Senhor de todas as coisas.
   Verdadeiro adorador, em qualquer época, em qualquer país, é aquele que se acha no estado de GRAÇA SANTIFICANTE, isto é, em situação de amizade com Deus, com os seus pecados perdoados e com o firme propósito de jamais voltar a cometê-los. Porque aquele que está nos estado de pecado mortal não pode dizer, em toda a extensão da palavra, que RECONHECE O SUPREMO DOMÍNIO DE DEUS sobre sua alma; se reconhece em teoria, não quer reconhecê-lo na prática, nas suas ações, no seu modo de agir, antes se coloca sob a servidão do demônio, pois, como disse a Sabedoria Eterna: "Todo o que comete o pecado é escravo do pecado" (S. Jo. VIII, 34). E é por isto que diz São Paulo, a respeito daqueles que têm contaminadas tanto a sua mente como a sua consciência: eles confessam que conhecem a Deus, mas NEGAM-NO com as obras" (Tito, I, 15 e 16).
   A Igreja tem as belas cerimônias de sua liturgia, para a qual contribuem todas as artes: arquitetura, pintura, escultura, música, eloquência etc, todas a serviço da religiosidade que ela procura infundir nos seus filhos fiéis. Aliás, o centro de toda a liturgia é Jesus Cristo vivo realmente presente na Hóstia Consagrada, que é objeto de culto de latria, porque é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
   Mas, ao mesmo tempo que nos emociona com as suas cerimônias, ela nos lembra sempre que isto é um meio e não um fim; ela quer sobretudo chegar à PURIFICAÇÃO DA ALMA e à SUA TOTAL DEDICAÇÃO A DEUS. Esta purificação da alma se opera com a confissão bem feita, a qual SÓ É POSSÍVEL quando o cristão não só está sinceramente arrependido de seus pecados, mas está sinceramente resolvido, custe o que custar, a jamais voltar a cometê-los. Recuperando assim a GRAÇA SANTIFICANTE que havia recebido no Batismo, o católico se habilita a ser um VERDADEIRO ADORADOR numa total submissão a Deus, e quanto mais santo for interiormente, tanto mais perfeita será a sua adoração. Por isto a Igreja OBRIGA os fiéis a se confessarem ao menos uma vez cada ano; e insiste sempre pela prática da confissão freqüente e da comunhão, até quotidiana.
   Os protestantes, no seu velho sistema de interpretar as passagens da Bíblia tendo, antes de tudo, o pensamento de ver em cada uma destas passagens um meio de censurar a Igreja Católica, tomam a palavra de Jesus no sentido de que está condenado todo e qualquer culto externo e ficam satisfeitos com a idéia de que, tendo as paredes de suas igrejas completamente nuas e não tendo cerimônias impressionantes como o Catolicismo, são eles os únicos VERDADEIROS ADORADORES  a que se refere Jesus.
   Ma é o caso de perguntar: será isto que resolve a questão? Se ADORAR é reconhecer o supremo domínio de Deus, é reconhecer a Deus como Supremo Senhor da nossa inteligência, do nosso coração, da nossa vida, suponhamos que um protestante, com esta ampla autorização que tem, pelo LIVRE EXAME, de interpretar a Bíblia como bem entende, se põe a TORCER  a palavra de Deus, diante de uma doutrina de Jesus, em que não quer acreditar. Será um verdadeiro adorador? Não; porque não quer reconhecer a Deus, como Supremo Senhor de sua inteligência; em vez de adorar a Deus, Verdade infalível, adora o ídolo de sua opinião própria. Nem venham os protestantes afirmar que ninguém no Protestantismo TORCE as palavras de Bíblia. Pois todos dizem que se baseiam na Bíblia. Ora, a palavra de Deus é uma só. A verdade não muda. Mas, por que existem milhares de seitas protestantes? Enquanto algumas seitas aceitam certas coisas, outras negam. Baseados na Bíblia falam mal umas das outras. Conclusão lógica: é sinal de que aí neste meio há gente TORCENDO  o sentido da Bíblia.
   Suponhamos que mesmo com suas igrejas de paredes branqueadas e com a ausência de cerimônias litúrgicas, haja um protestante que vive enganando os outros em matéria de dinheiro, ou que vive escravizado a uma paixão carnal e desonesta. Será um verdadeiro adorador? Não; porque São Paulo é o primeiro a dizer que há pecados que equivalem ao culto dos ídolos: "Nenhum fornicador ou imundo, ou avaro, o QUE É CULTO DE ÍDOLOS,  não tem herança no reino de Cristo e de Deus" (Efésios, V, 5).
   Ñão é nosso intuito com estas hipóteses humilhar nem ofender aos protestantes. Absolutamente não! Há católicos errados e há protestantes errados; é a conseqüência inevitável da fragilidade humana. Mas quererem alguns insinuar que todo homem, abraçando uma seita chamada "evangélica" se torna por este só fato, uma criatura angélica e impecável, que no seio do Protestantismo só há puros e perfeitos, que o cristão logo que se convence que já está salvo por Jesus, se torna uma nova criatura modelo de virtudes, isto é conversa para boi dormir. Nesta canoa ninguém embarca. E quanto à Igreja Católica, ela mesma é que ensina os seus filhos  a rezar assim: pequei, Senhor, muitas vezes por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa!
   O que queremos frisar aqui é simplesmente isto: que não é o fato de freqüentar igrejas lisas ou de não assistir a cerimônias litúrgicas, que faz de um homem UM VERDADEIRO ADORADOR.  E que a adoração é uma COISA INTERNA, é um sentimento da alma e do coração, é o reconhecimento, no nosso íntimo, do supremo domínio do Ser a quem nós adoramos. Não é o fato de nos ajoelharmos, de nos curvarmos, de trazermos ofertas que constitui a adoração.
   E o católico, por mais rude e analfabeto que seja, sabe muito bem que não é aquela imagem que está no altar, imagem que não vê, não sente, não ouve, não fala, não tem inteligência, nem sensibilidade, não é aquela imagem que tem o supremo domínio sobre a sua alma, sobre a sua vida. Se os pagãos caíram  neste erro tão grosseiro, a respeito de seus ÍDOLOS, isto mostra apenas a degenerescência em que tinha caído a razão humana antes da doutrinação de Jesus Cristo, o que serviu para mostrar quanto era necessária a vinda do Salvador.
   Sabe muito bem o católico que não é aquela imagem que o ouve, nem que o socorre; mas ela serve para ele erguer melhor o seu pensamento ao protótipo que ela representa. No futuro mostraremos que o próprio Deus mandou fazer a Arca da Aliança com esta mesma finalidade.
   E assim como ficaríamos alegres, se soubéssemos que alguém cercou de flores o nosso retrato ou quis diante dele render-nos carinhosa homenagem, Jesus Cristo, a Virgem Maria e os santos só podem receber com agrado as homenagens que lhes prestamos diante de suas sagradas e venerandas imagens, que tão insistentemente estão avivando aos nossos olhos a sua memória e a sua recordação.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  30 de janeiro

   
   A Santa Eucaristia é Jesus Cristo passado, presente e futuro; é o supremo desenvolvimento da Encarnação e da vida mortal do Salvador, que aí nos concede todas as graças. É o mistério régio da nossa fé, para o qual convergem todas as verdades católicas, como os rios se lançam no oceano que os alimenta.

   Que a Santa Eucaristia seja portanto o nosso ponto de partida na meditação dos mistérios, das virtudes e das verdades da religião, de que é o centro. Essas verdades são apenas raios, e se partirmos do centro, haveremos de seguir-lhes o curso.

   Com efeito, que de mais simples do que estabelecer relação entre o nascimento de Jesus no presépio e o seu nascimento sacramental sobre o altar e em nossos corações?

   Quem não reconhece que a vida oculta de Nazaré continua na divina Hóstia do tabernáculo, e que a Paixão do Homem Deus sobre o Calvário se renova no Santo Sacrifício? E não é Nosso Senhor manso e humilde no Santíssimo Sacramento como em sua vida na terra? Não está sempre aí como o Bom Pastor, o Consolador divino, o Amigo do coração?

   Feliz a alma que sabe encontrar Jesus na Eucaristia, e, na Eucaristia, todas as coisas!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  29 de janeiro

   
   Jesus Eucaristia é a grande luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. É o sol interior que esclarece as almas que O desejam seguir.

   Eis porque os santos encontravam ao pé do tabernáculo o conhecimento das grandes verdades, raios de claridade, a ciência de Deus tão preciosa e tão rara!

   Jesus na Eucaristia é sempre o bom Mestre que instrui a alma fiel, e que lhe revela, com doçura a sua própria miséria, o seu nada. Mostra-lhe a verdade sem discussões, sem nuvens e sem lhe exigir esforços; manifesta-lhe com amor a sua santa vontade, seu bel prazer sobre sua pessoa.

   Ah! como esta palavra interior penetra o recôndito da alma! Quanto a empolgam deliciosamente a beleza, a verdade, a presença de Jesus, com sua divindade, sua bondade!

   E a alma então, é qual outra Madalena aos pés de Jesus, iluminada pela sua graça, é um outro São João reclinado no coração de Jesus e haurindo n'Ele a ciência e a doçura da santa dileção. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  28 de janeiro


   O Silêncio é a maior prova de respeito, e o respeito é a primeira disposição para a oração.

   Prestemos a Nosso Senhor a homenagem de um sentimento de respeito, ao chegarmos à sua presença, pois que nos mostramos miseráveis quando a leviandade e a negligência precedem essa homenagem.

   Devemos tributar a Nosso Senhor o respeito exterior, que é a oração do corpo; nada auxilia tanto a oração da alma. Evitemos atitudes familiares diante de Deus, pois demonstram menosprezo.

   Se o coração não estiver ardente de amor, que ao menos o corpo dê testemunho de verdadeira fé e desejo de amar e ser agradável.

   Pensemos que o Mestre aí está, e façamos com que o nosso espírito se compenetre disto: ATENÇÃO A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!

   Sejamos pois muito severos no tocante ao culto de respeito; conservemos a dignidade do porte e uma atitude religiosa, guardando um rigoroso silêncio e um perfeito recolhimento.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  27 de janeiro





   Nosso Senhor deixaria por assim dizer de corresponder a uma necessidade imperiosa do homem, se apenas quisesse receber de nossa parte homenagens interiores, porquanto não sabemos amar sem provar o nosso amor por testemunhos exteriores da amizade e afeição.

   Jesus desce do céu trazendo apenas sua bondade; nada mais possui, e espera de seus fiéis todas as suas condições de existência neste mundo: o templo, a matéria do sacrifício, as lâmpadas, os vasos sagrados necessários para que se torne sacramento. Tudo recebe de nós!

   E Jesus se faz nosso devedor. Mas Ele pode e quer pagar as suas dívidas. Sim, Jesus que se constituiu caução de seus membros sofredores dizendo: "Tudo o que fizerdes ao menor de meus irmãos vos retribuirei o cêntuplo"; Jesus que paga as dívidas alheias, com maior razão há de pagar as próprias. Que felicidade, portanto, fazermos jus a lucros eternos, dando a Nosso Senhor!

   Consolai-O no seu abandono, socorrei-O na sua pobreza! Jesus não considera a quantidade dos dons, mas o coração que os oferece. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  26 de janeiro

   
   A presença de Jesus na Eucaristia além de ser a vida do culto exterior, oferece-nos ocasião de Lhe dar esmolas.

   Dar a Jesus Cristo. É uma honra, um consolo, uma necessidade do coração!

   Nem todos podem prestar homenagem ao soberano do país; somente algumas pessoas privilegiadas. E quem ousaria, a não ser um íntimo, oferecer a um amigo de posição mais elevada um ramalhete de flores?

   Jesus, entretanto, se bem que verdadeiro Rei, e Criador de todos os reis, foge à etiqueta dos soberanos da terra e permite que Lhe prestemos continuamente as nossas homenagens!

   Que honra! E que consolação para a alma fervorosa poder dizer:  -  Dou ao meu próprio Deus alguma coisa de minhas economias, de meu pão, e posso repartir com Ele, com Jesus, o fruto do meu trabalho!

   Sim, Nosso Senhor não poderia sair do tabernáculo se não houvesse o luminário e um pequeno trono. Podemos dizer-Lhe, portanto:  -  Estais num belo trono que vos erguemos; fomos nós que vos abrimos a porta da prisão e fizemos desaparecer a nuvem que vos ocultava, ó Sol de amor! Dardejai agora os vossos raios salutares de luz sobre todos os corações. 

domingo, 25 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  25 de janeiro

   Acercou-se de Jesus, certo dia, uma piedosa adoradora trazendo-Lhe uma vaso de alabastro cheio de perfumes, e o derramou sobre os pés a fim de Lhe testemunhar o seu amor e honrar-Lhe a divindade e a Humanidade Santíssima.

   "Para que este desperdício, murmura o traidor Judas; estes perfumes podiam ser vendidos por elevado preço, distribuindo-se com os pobres o seu valor".

   Jesus, porém, defende a sua serva: "Praticou uma boa obra para comigo, e por toda a parte em que se pregar este Evangelho, esta ação será contada em seu louvor".

   Jesus está no Santíssimo Sacramento para receber dos homens as mesmas homenagens que Lhe prestaram os que tiveram a felicidade de acercar-se d'Ele durante sua vida mortal. Está aí a fim de que todos possam Lhe render homenagens pessoais, e se a única razão de ser do Eucaristia fosse esta de podermos tributar a Nosso Senhor em pessoa nossos deveres de cristãos, isso deveria ser suficiente para nos tornar felizes. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  24 de janeiro



 A Eucaristia, afeto soberano do coração!

   O coração há de estar onde se encontra o seu tesouro, isto é, as suas alegrias, os seus desejos, a sua felicidade.

   O pensamento do coração é sempre ativo, é a chama de um fogo sempre ardente.

   Assim, o pensamento eucarístico do coração acompanha-lhe as aspirações, as pulsações, Jesus Eucaristia não somente constitui toda a sua felicidade, mas se torna a paixão viva e poderosa da alma, que O deseja e procura com Madalena e com a Esposa dos Cantares, chorando a sua ausência e suspirando pelo Bem Amado.

   Finalmente, a Eucaristia, como bem supremo da vontade, faz com que a alma considere sem valor os bens e prazeres desta terra e as criaturas.

   É que a Eucaristia é seu único tesouro, seu alimento, sua vida. Fora disto, sofre e se consome. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  23 de janeiro


 
 Ter espírito de fé eucarística é comprazer-se no serviço do Deus da Eucaristia, procurar todas as ocasiões que possam honrar e glorificar a Jesus Hóstia.

   Viver do espirito da fé eucarística é fazer da Eucaristia o centro dos pensamentos  -  a preocupação amorosa do espírito, o afeto soberano do coração, o bem supremo da vontade.

   A Eucaristia, preocupação amorosa do espírito, torna como que instintivo à alma este pensamento amável, de tal forma que ele vem sem esforço, sem trabalho, naturalmente; torna-o tão habitual e universal que tudo suscita a lembrança da Eucaristia, constituindo-a o ramalhete espiritual da alma.

   Oh! quão ditosa e livre é a alma que tem o pensamento em Jesus Hóstia! Adoradora perpétua, recebe sempre os raios deste sol de amor, porquanto o seu espírito vive em Jesus Eucaristia!

   O pensamento de Jesus Eucaristia domina inteiramente a alma, a vida toda. Daí provém que a alma eucarística está sempre em paz. É que se estabeleceu nela a unidade de pensamentos, e, por conseguinte, a unidade de amor e de vida. 

A SUBVERSÃO DA IGREJA OPERADA POR UM CONCÍLIO

 Transcrevo aqui, na íntegra, o capítulo XXIII do Livro de Mons. Marcel Lefebvre - DO LIBERALISMO À APOSTASIA, A Tragédia Conciliar.

  "Um grande iluminado, o cônego Roca, viu há mais de um século os detalhes da tentativa de subversão da Igreja e do Papado projetada pela seita maçônica. Mons. Rudolf Graber em seu Livro "Atanásio", cita as obras de Roca (1830-1893), sacerdote em 1858, cônego honorário em 1869. Excomungado mais tarde, pregou a revolução e anunciou o advento da sinarquia. Fala a miúdo, em seus escritos, de uma "Igreja novamente iluminada", que estaria influenciada pelo socialismo de Jesus e seus Apóstolos. A nova Igreja, diz ele, que certamente não poderá guardar nada do ensino e da forma primitiva da antiga Igreja, receberá entretanto a bênção e a jurisdição canônica de Roma". Roca anuncia também a reforma litúrgica: "O culto divino tal como rege a liturgia, o cerimonial, o ritual, as prescrições da Igreja romana, sofrerão uma transformação após um concílio ecumênico(...) que lhe devolverá a simplicidade respeitável da idade de ouro apostólica, segundo o novo estado da consciência da civilização moderna". 
  Roca especifica os frutos deste concílio: "sairá dele algo que encherá o mundo de estupor e o porá de joelhos ante seu Redentor: a demonstração do perfeito acordo entre o idealismo da civilização moderna e o idealismo de Cristo e de seu Evangelho. Será a consagração da Nova Ordem Social e solene batismo da civilização moderna".
  Ou seja: todos os valores dessa cultura liberal, serão reconhecidos e canonizados logo após o concílio em questão.
   Vejam também o que Roca escreve sobre o Papa: "Prepara-se um sacrifício que apresentará uma penitência solene (...) O Papa cairá, morrerá sob o punhal sagrado forjado pelos Padres do último concílio. O César pontifical é a hóstia preparada para o sacrifício". Devemos acreditar que tudo isto está para chegar, a não ser que Nosso Senhor o impeça! Por fim Roca fala dos novos sacerdotes que aparecerão, chamando-os de "progressistas"; fala da supressão da batina, do casamento de sacerdotes... muitas outras profecias! Notem como Roca viu bem o papel determinante para a subversão da Igreja, e um último concílio ecumênico. 

  Mas não foram somente os inimigos da Igreja que assinalaram os transtornos que traria consigo um concílio ecumênico reunido em uma época em que as idéias liberais já haviam penetrado profundamente na Igreja.

  Conta o P. Dulac (1) que no consistório secreto de 23 de Maio de 1923, o então Papa Pio XI interrogou os cardeais da Cúria sobre a oportunidade de convocar um concílio ecumênico. Eram cerca de trinta: Merry del Val, de Lai, Gasparri, Boggiani, Billot... Billot dizia: "Não podemos dissimular a existência de divergências profundas dentro mesmo do episcopado... que podem dar lugar a discussões que se prolongariam indefinidamente". Boggiani recordava as teorias modernistas, das quais dizia: parte do clero e dos bispos não estão isentos. "Esta mentalidade pode inclinar certos Padres a apresentar moções e introduzir métodos incompatíveis com as tradições católicas". Billot é ainda mais preciso: manifesta seu temor de ver o concílio "manobrado" (sic) pelos "piores inimigos da Igreja, os modernistas, que já se preparam, como demonstram certos indícios, para introduzir a revolução na Igreja, um novo 1789."

  Quando João XXIII retomou a ideia, já ventilada por Pio XII (2), de convocar um concílio ecumênico, "passou a ler os documentos durante uns passeios pelos jardins do Vaticano", conta o P. Caprille (3). Isto foi tudo, pois sua decisão já estava tomada. Em várias ocasiões afirmou que a decisão fora tomada sob uma inspiração repentina de Espírito Santo (4). "Obedecendo a uma voz interior que consideramos vinda de um impulso superior, Nós julgamos que era o momento oportuno para oferecer à Igreja Católica e a toda a família humana um novo concílio ecumênico". (5) Esta "inspiração do Altíssimo", esta "solicitação divina" como ele a chama, foi recebida no dia 25 de Janeiro de 1959, enquanto se preparava para celebrar uma cerimônia em São Paulo Extramuros em Roma, e logo após a cerimônia a confiou aos dezoito cardeais presentes. Mas foi esta inspiração verdadeiramente divina? Parece duvidoso; acho que sua origem foi totalmente outra... 

   Em todo caso, uma reflexão de um velho amigo do Cardeal Roncalli, futuro João XXIII, é muito esclarecedora: com a notícia da morte de Pio XII, o velho Dom Lambert Beauduin, amigo de Roncalli, confiava ao R. P. Bouyer: "se elegem Roncalli, tudo está salvo: ele é capaz de convocar um concílio e de consagrar o ecumenismo" (6). Como mostra o Pe. Bonneterre, Dom Lambert Beauduin conhecia bem o cardeal Roncalli, sabia desde 1958 que Roncalli feito papa, realizaria o ecumenismo e provavelmente por meio de um concílio. Quem diz ecumenismo, diz liberdade religiosa e liberalismo. A revolução pela tiara e pelo pluvial não foi uma improvisação. No próximo capítulo procurarei mostrar isto recordando o desenrolar do Concílio Vaticano II. 

NOTAS: (1) - Raymond Dulac "La Collégialité Épiscopale au Concile du Vatican", Paris, Cedres, 1979, pgs 99-10.
                 (2) - Op. cit. pg. 10; Frére Michel de la Sainte Trinité "Toute la Verité sur Fatima, - le 3e. Secret" pg. 182-199.
                 (3) - Em "Histoire de Vatican II". Cf. Dulac, op. cit. pg. 11.
               (4) - Cf. "Jean XXIII et Vatican II sous le feux de la Pentecôte Luciferienne, in Le Regne Social de Marie, Fatima, Janeiro- Fevereiro de 1985, pg. 2-3.
                 (5) - Bula "Humanae Salutis".
                 (6) - L Bouyer "Dom Lambert Beaudin, un Homme d"Église", Casterman 1964 pg. 180-181, cit. pelo Pe. Didier Bonneterre em "Le Mouvement Litourgique", Ed. Fideliter, 1980, pg. 119. 

  Uma observação minha: Ou este cônego Roca foi um Balaão do N. T. com a grande diferença que Balaão, embora mau, obrigado e inspirado por Deus, abençoou e predisse coisas boas; ou os modernistas procuraram fazer tudo o que Roca sabia através dos Protocolos dos Sábios de  Sion e dos projetos da Alta Venda e Cia. maçônica. No próximo post transcreverei algumas afirmações maçônicas. 
  Quanto à "inspiração" de João XXIII, acho que talvez a História de Jó sirva de protótipo para a História da Igreja depois de Pio XII. Jó disse: "Deus deu, Deus tirou, seja sempre bendito o seu nome". Na verdade foi satã que tirou, mas por permissão de Deus, para provar que seu servo era santo, fiel sempre. Passada a prova, vai receber de Deus tudo em duplo, e novas filhas, as mais belas da terra na época.  Pensamos no triunfo do Imaculado Coração de Maria! 

  

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA-

Leitura espiritual  -  22





   Gostamos de penetrar uma verdade oculta, descobrir um tesouro escondido, triunfar de uma dificuldade. Assim também a alma fiel, em presença do véu eucarístico, procura o seu Jesus, qual Madalena, no túmulo.

   -  Mestre querido de minha alma, hei de procurar-vos sem cessar, e mostrar-me-eis vossa face adorável!

   E Jesus se manifesta gradualmente à alma, na medida de sua fé e de seu amor, e a alma encontra em Jesus alimento renovado, vida inesgotável.

   O objeto divino de sua contemplação lhe aparece sempre ornado de mais uma qualidade, e aureolado de uma bondade nova e maior.

   E como neste mundo o amor vive de felicidade e de desejos, a alma, pela Eucaristia, goza e deseja ao mesmo tempo; alimenta-se  e tem sempre fome.

   Ah! somente a sabedoria e a bondade de Nosso Senhor poderiam ter inventado o véu eucarístico!

   Jesus encobre o seu amor, e o retém; seu ardor é tal que nos consumiria se estivéssemos expostos à intensidade dos seus raios: Ignis consumens est: Deus é um fogo consumidor.



   

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  21 de janeiro


   Se a Eucaristia é obra de um amor imenso, este amor teve a seu serviço um poder infinito: a onipotência de Deus.

   Jesus, no deserto, tomou cinco pães, abençoou-os e os entregou aos Apóstolos para que alimentassem cinco mil homens. Pálida imagem dessa outra maravilha da Eucaristia, o milagre da multiplicação.

   Jesus, ama os homens e quer se entregar a cada um, total e pessoalmente. É mister, por conseguinte, que Ele se multiplique tantas vezes quantos comungantes houver, e sempre que o desejarem. É preciso que a mesa eucarística se estenda pelo mundo inteiro.

   E tudo isto acontece em virtude do seu poder. Todos O recebem em sua inteireza, com tudo quanto Ele é.

   Jesus está em cada hóstia consagrada e se esta for partida, ficará Ele todo inteiro sob cada partícula. Em vez de dividido,  a fração da hóstia O multiplica.

   E quem poderá contar o número de hóstias colocadas por Jesus, desde o Cenáculo, à disposição dos seus filhos!

COMO SURGIU A TEORIA DA SALVAÇÃO SÓ PELA FÉ - ( 2 )

   40. MARTINHO LUTERO FAZ-SE MONGE.


   Martinho Lutero nasceu em Eisleben, na Alemanha, a 10 de novembro de 1483. Jovem católico e piedoso, que mantinha relações de amizade com alguns frades e andava impressionado com as tentações que sentia na convivência com outros estudantes, um dia um acontecimento vem a ser decisivo na sua vida. Estava com 19 anos incompletos, pois foi a 2 de julho de 1502. Surpreendido em viagem por uma violenta tempestade, ficou aterrado com a perspectiva da morte. E fez uma promessa a Sant'Ana, a quem se costumava recorrer nesses transes: "Se tu ajudas, Santa Ana, tornar-me-ei frade". Mais tarde ele dirá naquela sua linguagem sempre estabanada: "Tornei-me frade por violência, contra a vontade de meu pai, de minha mãe, de Deus e do diabo...Fiz este voto para me salvar" (Weimar T. tomo IV, nº 4414).
   Digamos, entre parênteses, que a alegação de Lutero não tem razão de ser. Ou o medo lhe transtornara completamente o uso das faculdades, ou não. No primeiro caso, o voto não o obrigava, pois para isto era preciso que se fizesse livremente. No segundo caso, sabia ele, como católico que era naquele tempo, que lhe restava um recurso: pedir a dispensa ao Sumo Pontífice, a quem foi dado o poder de ligar e desligar. 

  O fato, porém, é que Lutero entra no convento sem a necessária vocação. E, segundo ele próprio confessa, não encontrou a paz interior na vida religiosa.

   Muitos autores que estudaram profundamente a personalidade de Lutero, entre os quais o católico H. Grisar (Lutero, 3ª edição, Tomo III, p. 596-673) e o historiador protestante A. Hausrath na sua biografia sobre Lutero (3ª edição, Berlim; tomo II, p. 31-36), são de opinião que Lutero era um homem doente e anormal. Da mesma opinião é o médico Guilherme Ebstein em obra aparecida em Stuttgar em 1908. Afirmando esta tese, apareceu uma obra em 2 volumes em Copenhague (1937 e 1941) escrita pelo médico P. J. Reiter e intitulada: Ambiente, Caráter e Psicose de Martinho Lutero. A obra, como é natural, desagradou aos luteranos e provocou discussões.

   Seja, porém, como for, o que é certo é que Martinho Lutero era um sentimental e se preocupava doentiamente com o problema da predestinação, querendo sentir em si à fina força a certeza de que era um predestinado. Queria experimentar claramente a sensação de que seus pecados estavam perdoados e de que se achava na graça de Deus e não sentia este conforto, esta certeza, por causa das tentações da nossa natureza corrompida. A acreditarmos nas suas palavras, ele era dominado por escrúpulos, chegando a confundir as tentações com o próprio pecado, que só existe quando as tentações são consentidas. Como ele dirá mais tarde: "Quando eu era monge, acreditava imediatamente que perdia minha salvação, cada vez que experimentava a concupiscência da carne, isto é, um mau movimento de desejo, de cólera, de ódio, de inveja a respeito de um irmão etc. Eu punha em uso muitos remédios, confessava-me diariamente, mas isto não me servia de nada. Porque sempre a concupiscência da carne reaparecia. Eis porque eu não podia achar paz, mas estava perpetuamente em suplício pensando: Tu cometeste tal ou tal pecado, estás ainda sujeito à inveja, à impaciência etc. Foi em vão que recebeste as ordens e todas as tuas obras são inúteis" (Comentário da Epístola aos Gálatas 1535, Weimar, tomo XL). 

   No meio destas angústias, encontra um confessor e amigo, o Padre Staupitz, que o ajuda e faz o possível para acalmá-lo. Diz Lutero em uma carta dirigida a Jerônimo Weller em julho de 1530: "Nos começos de minha vida religiosa, eu estava sempre triste e não conseguia desembaraçar-me deste estado de alma. Pedi então a orientação do doutor Staupitz, e me confessei com ele. Manifestei-lhe meus pensamentos horríveis e aterradores. E ele me respondeu: Não compreendes, Martinho, que esta tentação te é útil e necessária? Não é em vão que Deus assim te exercita" (Weimar, B. t. V, p. 519). Em outra ocasião lhe diz o Padre Staupitz: "Por que te torturas com estas subtilezas? Volta o teu olhar para as chagas de Cristo e olha para o sangue que Ele derramou por ti" (Opera Exegetica t. VI, p. 296 e 297). 
    

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  20 de janeiro

   Ver, com os nossos olhos corporais, a Pessoa de Jesus no Santíssimo Sacramento, de certo nos seria agradável. Mas, se os Apóstolos não puderam suportar o esplendor de um só raio da sua glória, como suportaríamos vê-Lo hoje em dia?

   O amor, querendo se transfigurar em bondade, humilha-se, rebaixa-se, aniquila-se. Onde encontraremos mais amor? no Calvário ou no Tabor? Comparai e dizei se foi o Tabor ou o Calvário que converteu o mundo.

   O amor rejeita a glória, oculta-a e desce a um plano inferior. Assim fez o Verbo ao se encarnar e no Calvário. E ainda o faz mais profundamente na Eucaristia. 

   Em vez de nos lamentarmos, deveríamos agradecer a Jesus por não reproduzir o seu Tabor. Os Apóstolos, trêmulos, caíram por terra, e qualquer palavra proferida pelos lábios divinos seria capaz de consumi-los ; mal ousavam dirigir-se a Nosso Senhor.

   Aqui, porém, podemos Lhe falar sem receio, porque nos é permitido aconchegar o nosso coração ao d'Ele e senti-Lhe o amor!

   

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  - 19 de janeiro


   Se Nosso Senhor vos manifestasse a sua glória, não havíeis mais de querer vos separar d'Ele.

   A educação que se rodeia de muita felicidade não é séria nem sólida, e jamais será bem formado o coração da criança que se cerca de excessiva ternura. Eis porque a transfiguração eucarística se opera nos segredo e no aniquilamento, e não no gozo e na glória, que hão de vir depois.

   Moisés e Elias não estão presentes nesse Tabor, porque a Eucaristia, não sendo para eles, nenhum papel têm a desempenhar aí, o que não acontece, porém, com os doze Apóstolos, futuros legisladores e profetas do novo povo de Deus. A Santíssima Trindade está presente operando de modo invisível. Legiões de anjos adoram o Verbo reduzido a um estado tão vizinho do nada! E nós, todos nós, também estamos aí. Jesus, na sua vontade e presciência, consagrou as nossas hóstias, contou-as uma por uma, e é por sua ordem que nô-las distribuem. 

   Jesus estabeleceu na Eucaristia sua tenda entre nós e para sempre, sendo-nos permitido habitar com Ele no Tabor eucarístico. Vinde a essa Montanha bendita onde Jesus se transfigura, e não procureis a felicidade sensível nem a glória, mas as lições de santidade que Ele vos ministra por seu aniquilamento. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

DOUTRINA CATÓLICA SOBRE A SALVAÇÃO: O Único Salvador

1º - A PARTE REALIZADA POR JESUS CRISTO (continuação)

   15. NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O ÚNICO SALVADOR.

   Quando chegou a plenitude dos tempos (Gálatas IV-4) Deus, para restaurar em Cristo todas as coisas (Efésios I-10), enviou o seu próprio Filho Unigênito, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (João I-14) e se fez para nós sabedoria e justiça e santificação e redenção (1ª Coríntios I-30).

   A salvação é obra de Jesus Cristo, que é o Único Salvador, o Único a nos poder resgatar, porque Ele é que era homem e Deus ao mesmo tempo; homem, para poder sofrer e expiar por nós; Deus, para que seu sofrimento, sua expiação tivessem um valor infinito. E é neste sentido que São Paulo o chama: Único Mediador entre Deus e os homens. Só há um Mediador entre Deus e os homens que é Jesus Cristo homem, que SE DEU A SI MESMO PARA REDENÇÃO DE TODOS (1ª Timóteo II-5 e 6). Sobre isto falaremos mais longamente no futuro, se Deus quiser. E disse São Pedro falando a respeito do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo: Não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual nós devamos ser salvos (Atos IV-12).

   16. NOTA: EM QUE SENTIDO MARIA SANTÍSSIMA É CHAMADA CO-REDENTORA.

      Quando alguns escritores católicos chamam a Maria Santíssima co-redentora do gênero humano, eles empregam este termo não no sentido de que os merecimentos de Maria Santíssima pudessem acrescentar alguma coisa aos merecimentos de Jesus Cristo quanto ao resgate do gênero humano; os merecimentos de Cristo eram infinitos, e os de Maria, finitos, como de criatura que é; além disto, os próprios merecimentos da Virgem já são efeitos dos merecimentos de Jesus. Nem é no sentido de que o Messias necessitasse da ajuda de Maria para realizar a sua obra salvadora. 

   O que estes escritores querem significar com tal denominação é o papel que Deus nos desígnios de sua Providência, fez com que Maria Santíssima, embora simples criatura, exercesse na obra da Redenção. Pelo poder divino, Cristo podia ter aparecido neste mundo, como homem feito; mas tendo que mostrar-se em todas as coisas à nossa semelhança, exceto o pecado (Hebreus IV-15) era preciso, segundo os desígnios de Deus, que nascesse de um ventre materno. Uma mulher, Eva, se associara ao primeiro homem no pecado, oferecendo-lhe o fruto da árvore proibida. Outra mulher, Maria, foi associada ao novo homem, Jesus Cristo, na obra da salvação, pois foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. 

   Para isto era preciso, em atenção à honra e dignidade do próprio Filho, que Deus escolhesse uma mulher pura, imaculada, sem a mínima sombra de pecado, afim de ser o sacrário onde havia de formar-se o corpo de Jesus Cristo. Deus lhe manda o anjo Gabriel para anunciar-lhe que ela, cheia de graça, havia sido escolhida para a grande honra da maternidade divina. E só depois que Maria vê resolvido o problema de sua virgindade, é que dá o consentimento: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lucas I-38).  E é em seguida a este consentimento que o Verbo se faz carne e habita entre nós, tornando-se Maria, nessa hora, a esposa do Espírito Santo: O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá de sua sombra (lucas I-35). Se o Verbo se faz carne para nossa salvação, Maria contribui para isto, pois a carne de Cristo é carne de Maria, o sangue de Cristo é sangue de Maria, pela íntima união que há entre o filho e a mãe, a mesma união que há entre o fruto e a árvore que o produz, e por isto diz Santa Isabel, falando cheia do Espírito Santo: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre (Lucas I-42).

   Aquele Menino que ela trouxe no seu ventre puríssimo e virginal durante 9 meses, Maria depois O nutriu, O guardou, O educou durante trinta anos e Jesus lhe foi obediente: E era submisso a eles (Lucas II-51). E na cruz, no momento da Redenção, Maria que pela ação preservativa de Deus, graças aos merecimentos de Cristo, jamais teve o mínimo pecado, ali estava sofrendo juntamente com Jesus Cristo, fazendo resignada e heroicamente o sacrifício de seu Filho Amantíssimo para a redenção do gênero humano.

   É frisando esta atuação que Maria, embora simples criatura, foi destinada a exercer junto a seu Divino Filho, que esses escritores dizem que Maria Santíssima é DE UM CERTO MODO co-redentora do gênero humano. 

   Se o termo está bem ou mal empregado - é uma questão de gramática e de linguagem. Mas os católicos nada querem significar além do que está exposto, quando dão a Maria Santíssima o aludido título. 

FLORES DA EUCRISTIA

Leitura espiritual  -  18 de janeiro


   Concentra-se e comprime-se o amor do coração para torna-lo mais forte e reunir os seus raios como em uma lente,  -  à semelhança do óptico que prepara o vidro, a fim de congregar num só ponto os raios e o calor da luz solar.

   Nosso Senhor se centraliza no pequenino espaço da Hóstia a fim de que seja mais ardente o foco de seu amor e do mesmo modo como se ateia um grande incêndio pelo contato da lente com materiais inflamáveis, assim também a Eucaristia atinge com as suas chamas as almas que dela participam, abrasando-as em fogo divinal.

   No Tabor, Jesus rompeu o véu que Lhe encobria a divindade; aqui, oculta até mesmo a sua Humanidade, transfigurando-a numa aparência de pão, ao ponto de não parecer mais nem Deus nem homem, e deixando de exercer qualquer ação exterior.

   Sabemos que o sol existe, mesmo quando se esconde por entre as nuvens. Jesus é sempre Deus e Homem perfeito, mas oculto pela nuvem do pão e do vinho. Não podemos ver nem tocar, mas Ele está presente com todos os seus dons. O amor, a graça e a fé atravessam os véus e a alma Lhe reconhece os traços. 

sábado, 17 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  -  17 de janeiro


   "Si scires donum Dei!" Se conhecêssemos o dom de Deus! Quão felizes seríamos se a nossa fé no Santíssimo Sacramento fosse bastante viva, pois a Eucaristia é a verdade régia da fé, é a virtude, o ato soberano do amor, é toda a religião em exercício.

   A fé na Eucaristia é um tesouro que devemos procurar pela submissão, guardar pela piedade, defender por todos os sacrifícios, porquanto não crer no Santíssimo Sacramento é a maior infelicidade.

   A falta de fé na Eucaristia jamais provém da evidência das razões contrárias a este mistério. 

   É às vezes uma fé adormecida pelo entorpecimento dos negócios terrenos. Venha porém a graça despertá-la  -  a simples graça do retorno para Deus  -  e o primeiro impulso da alma será instintivamente para a Eucaristia. A incredulidade pode ainda provir das paixões que dominam o coração. Uma paixão que deseja reinar é cruel: não satisfeita, desdenha; atacada, nega-a. Perguntai a vós mesmo:  -  "Desde quando não creio mais na Eucaristia?" E volvendo à fonte da incredulidade, encontrareis uma fraqueza a que não tivestes a coragem de resistir.

   Oh! infelicidade! A alma se afasta então, como os habitantes de Cafarnaum, d'Aquele que tem as palavras da verdade e vida!

UM PLANO EM GRANDE PARTE REALIZADO, MAS NUNCA PREVALECERÁ

  Em Nápoles no ano de 1869 houve um Anti-Concílio celebrado pelos maçons especialmente para fazer oposição ao Concílio Vaticano I (1870). Este Anti-Concílio promulgou, entre outras, as seguintes declarações:
         "Os abaixo assinados, delegados de várias nações, do mundo civil, reunidos em Nápoles para tomarem parte nos trabalhos do Anti-Concílio, afirmam os princípios seguintes: "Eles proclamam  a livre razão contra a autoridade religiosa; a independência do homem contra o despotismo da Igreja e do Estado; a solidariedade dos povos contra a aliança dos príncipes e dos Padres; a escola livre contra o ensinamento do clero... Os livres pensadores de Paris assumem a obrigação de empenhar-se e de trabalhar para abolir pronta e radicalmente o catolicismo e para solicitar o seu aniquilamento por todos os meios compatíveis com a justiça; compreendendo no número de tais meios a força revolucionária". ( Livro "Um cristão católico" 203, 204).
   Noventa e nove anos depois, ou seja, em 1968, a Revista parisiense "l'Humanisme" do Grande Oriente de França escreveu abertamente: "Entre os pilares que desmoronam mais facilmente, assinalamos a autoridade doutrinária, a infalibilidade, que se considerava firmemente fundamentada pelo Concílio Vaticano I e que agora mesmo tem de suportar as tempestades das pessoas casadas após a publicação da encíclica "Humanae vitae"; a presença real eucarística, que a Igreja conseguiu impingir às massas da Idade Média e que desaparecerá com o avanço das intercomunhões e intercelebrações dos padres católicos e dos pastores protestantes; o caráter sagrado do sacerdote, que provém da instituição do sacramento da ordenação sacerdotal e que cederá lugar a uma escolha por tempo limitado; a distinção entre a Igreja docente e o clero preto (de batina preta, sem graus "vermelhos") ou baixo, a partir de quem o movimento parte agora da base (!) como em qualquer democracia; o desaparecimento gradual do caráter ontológico e metafísico dos Sacramentos e então imediatamente a morte da confissão, depois que o pecado se tornou, em nosso tempo, um conceito completamente anacrônico, que nos foi legado pela severa filosofia medieval, como herança do pessimismo bíblico". ( Livro "Le Complot, p. 109, autor: Virion) No mesmo livro, p. 104 está o ponto culminante da citação do "L'Humanisme": "Se ruírem as estruturas tradicionais, seguir-se-á todo o resto. A Igreja não previu uma contestação desse tipo; e já não está mais, de forma nenhuma, preparada para receber e assimilar o espírito revolucionário...  Não é o cadafalso que aguarda o Papa, mas sim o erguimento das igrejas locais, que se organizam democraticamente, que rejeitam barreiras entre clérigos e leigos, que criam o seu próprio dogma e que vivem em completa independência com relação a Roma".
   Caríssimos e amados leitores certamente notastes bem esta frase: "Se ruírem as estruturas tradicionais, seguir-se-á todo resto". É mister que os tradicionalistas estejam sempre muito unidos e firmes sem a menor concessão a qualquer novidade modernista. Firmes, sobretudo na fé, nas palavras do Divino Mestre: "As portas do inferno nunca prevalecerão contra Igreja". A Santa Madre Igreja foi invadida pelos inimigos, e eles, por ora,  dominam mas não prevalecerão. A Igreja é divina.  

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  16 de janeiro



   A fé é a graça e não o resultado de raciocínios. Devemos procurá-la, portanto, em sua fonte, a Santa Missa!

   Nunca será excessiva a exortação de comungar frequentemente. É acaso importuno ao pai o filho que o visita e procura a miúdo? Assim também acontece com o fiel, em relação a Nosso Senhor.

   A Comunhão torna amável o estado de graça e lhe assegura a perseverança porque Jesus Cristo se constitui o seu fim próximo e direto; alimenta em nós o amor de Deus, dá constância e facilidade à prática das virtudes, e as torna suaves e agradáveis, apontando-lhes um fim animado e vivo. 

   Preparemo-nos , pela Comunhão, para o paraíso, onde receberemos Nosso Senhor perpetuamente, e viveremos de seu conhecimento e de seu amor.

   A Comunhão recebida com frequência é o penhor seguro da salvação eterna. 

   Jesus, descendo até nós, nos traz os frutos e as flores do paraíso. Traz-nos  seus méritos glorificados, sua espada que cantou vitória sobre Satanás; traz-nos suas divinas armas para que nos sirvamos delas, e seus méritos a fim de que a eles acrescentemos os nossos, fazendo-os assim, frutificar. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  15 de janeiro


   A contemplação eucarística é uma contemplação de amor terno e respeitoso.

   Foi o amor que levou os discípulos de Emaús a reconhecer Jesus. 

   O amor é a luz da Eucaristia, luz que, atravessando os véus, conduz a alma aos pés de Jesus, e a faz tocar a fímbria de seu manto, reconhecê-Lo sobre as ondas, como São João.

   Mas o amor, depois de encontrar Jesus, prostra-se  a seus pés, movido de respeito, como fizeram Madalena e São Pedro. 

   A alma eucarística, em seu primeiro movimento, se lança para o Bem Amado, mas não tardando a reconhecer n'Ele o seu Rei e a majestade de seu Deus, penetra-se de santo respeito e não ousa mais adiantar-se. É preciso então que Jesus a convide, chamando-a por estas belas e consoladoras palavras:  -  Vinde a Mim, e Eu vos consolarei; vinde, eleita de meu coração, e entrai nos celeiros de minha divina caridade.

   E a alma, abstraindo de todo o bulício do mundo, se esquece mesmo que tem um corpo, uma cadeia terrestre; entrega-se inteiramente a seu Bem Amado. Eis o fruto bendito da visão eucarística de Jesus: a alma encontrou o divino Mestre!

   

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA



   Leitura espiritual  -  14 de janeiro

   
   A fé eucarística nos faz encontrar Jesus Cristo sob as sagradas espécies, velado, oculto, semelhante ao sol que aparece por entre as nuvens, e ao amigo que se disfarça para nos experimentar.

   A alma de fé contempla realmente Jesus Cristo com o olhar interior da graça, e esta visão espiritual não se limita a um objeto externo, a formas determinadas e limitadas; alcança toda a Pessoa de Jesus Cristo, isto é, sua divindade, sua santa humanidade, suas perfeições adoráveis, sua beleza, sua bondade, seu amor, tanto quanto possível ao olhar da alma sobre a terra. 

   Essa contemplação eucarística se assemelha à visão de Deus no céu, onde Ele se apresenta sempre amável, sempre grandioso, sempre belo aos olhares beatificados dos santos.

   Assim Jesus no Santíssimo Sacramento se revela sempre novo, mais querido, mais terno, mais amável à alma adoradora, e a sua contemplação eucarística se torna inesgotável, sempre nova, indo sempre a Jesus Cristo de claridade em claridade, de virtude em virtude, de perfeição em perfeição. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  13 de janeiro

   Nosso Senhor se oculta sob as espécies sacramentais para o nosso bem, visando o nosso interesse, a fim de nos obrigar a estudar-Lhe a alma, as intenções, as virtudes.

   Se nos fosse dado vê-Lo, haveríamos de nos deter a contemplá-Lo em seu exterior, amá-Lo-íamos com um amor todo de sentimento, quando Ele pede amor de sacrifício. Custa-Lhe, é certo, velar-se deste modo. Ser-Lhe-ia mais agradável nos mostrar seus traços divinais, e, dessarte, atrair a Si muitos corações. Procede diversamente para o nosso bem.

   O nosso espírito procura então penetrar na Eucaristia, e a nossa fé se sente excitada a trabalhar, porquanto Nosso Senhor, em vez de se patentear aos nossos olhos, se descortina às nossas almas, evidenciando-se por sua própria luz, iluminando-nos tornando-se o objeto da nossa contemplação e o alvo de nossa fé.

   Nosso Senhor quer que nos esforcemos por atingir a sua própria alma com o nosso espírito e o nosso coração, sem o concurso dos sentidos. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA


Leitura espiritual  - 12 de janeiro


   "Cremos no amor de Deus para conosco".

   Palavras profundas! Existe a fé na verdade das palavras e das promessas divinas, a fé que se exige de todo cristão; mas também existe a fé no amor, que é mais perfeita, e coroa da primeira.

   A fé na verdade tornar-se-á estéril se não orientar-se para a fé no amor.

   E qual é o amor em que devemos crer? O amor de Jesus Cristo, o amor que nos testemunha na Eucaristia, amor que é Ele mesmo, amor vivo e infinito.

   Felizes daqueles que acreditam no amor de Jesus no Santíssimo Sacramento! Amam, pois crer no amor é amar. Os que apenas se contentam em crer na verdade da Eucaristia não amam, ou, pelo menos, amam pouco.

   Jesus afirma que nos ama, que instituiu o seu Sacramento unicamente por amor de nós. 

   Consideremos como Nosso Senhor dedica o seu amor pessoal a cada um de nós. Cada qual O toma para si todo inteiro, sem prejudicar ninguém. Por mais numerosos que sejam os que O recebem, não se divide, não se dá menos a um do que a outro, e mesmo que a Igreja esteja repleta de adoradores, cada um poderá Lhe falar, sendo ouvido, atendido, como se estivesse sozinho. Jesus é inesgotável; é como o sol que dá a todos e a cada um toda a sua luz. 

domingo, 11 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  11 de janeiro


   Creio, Senhor, mas ajudai a minha fé vacilante!
   Nada é mais glorioso para Nosso Senhor que este ato de fé na sua presença eucarística, porque é honrar eminentemente sua veracidade divinal. Com efeito, a maior honra que se pode prestar a alguém é crer na sua palavra, assim como a maior injúria é suspeitá-lo de mentira, duvidar de suas afirmações, pedir-lhe prova, garantias.

   Ora, se o filho dá crédito à palavra de seu pai, o servo à de seu amo, o súdito à palavra do rei, porque não acreditarmos na palavra de Jesus Cristo quando solenemente nos afirma que está presente no Santíssimo Sacramento?

   Esse ato de fé simples e absoluta na palavra de Jesus Cristo lhe rende também glória porque O reconhece e O adora sob os véus. A honra que se presta a amigo disfarçado, a um rei vestido simplesmente, é maior que qualquer outra, visto que se honra então a própria pessoa e não o aparato exterior!

   É o que acontece com Jesus no Santíssimo Sacramento. Honrá-Lo, crer que é Deus apesar do véu de fraqueza que O encobre, é honrar sua divina pessoa, é respeitar o mistério em que se envolve. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual - 10 de janeiro

   Nosso Senhor quer que nos lembremos de tudo quanto fez por nós na terra, e que honremos sua presença no Santíssimo Sacramento pela meditação de todos os mistérios de sua vida.

   A fim de nos recordar mais vivamente o mistério da Ceia, não nos deixou somente a narração dos evangelistas, mas também uma lembrança viva, pessoal:  -  Ele próprio, sua presença adorável. As santas espécies não O tocam, não fazem parte d'Ele mesmo, porém estão inseparavelmente unidas à sua pessoa, constituem a condição de sua presença, nos dizem onde Ele se encontra, localizam-no.

   Nosso Senhor poderia ter adotado uma presença puramente espiritual; mas então, como encontrá-Lo?

   Agradeçamos pois a este bom Salvador! Está apenas velado e não escondido. Uma coisa escondida não se sabe onde está, é como se não existisse, enquanto que aquilo que apenas está velado, se possui, tem-se certeza, embora não se veja. Não nos é agradável saber que temos um amigo ao nosso lado, ao pé de nós?

   Pois bem! Sabeis perfeitamente onde está Nosso Senhor; fitai a Santa Hóstia, certos de sua presença.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  9 de janeiro


   A fé nos mostra Jesus Cristo não somente como Deus de majestade como Deus de bondade, fonte de toda graça, de todo dom, de todo bem.

   A piedade de uma alma eucarística deve ser inspirada e alimentada pela Eucaristia e, por assim dizer, concentrar-se nesse elemento divino.

   Suas orações devem brotar de eucaristia ou a ela conduzir; suas meditações, ter o cunho do caráter eucarístico, e suas virtudes revestir o espírito de Jesus Hóstia até se tornarem, cada qual a seu modo, uma forma variada da veste eucarística de Nosso Senhor, ou melhor, um exercício do seu amor. 

   Se todas as virtudes de uma criança deixam transparecer a piedade filial, e se todas as ações de um rei são régias, todas as virtudes e ações da alma devotada ao Santíssimo Sacramento devem se essencialmente eucarísticas.

   Toda piedade, para se colocar plenamente em sua graça e em seu fim, deve ser eucarística. Os regatos e os rios dirigem-se para os mar; da mesma forma, na vida cristã, tudo vai se lançar no oceano do Sacramento adorável. 

   

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual  -  8 de janeiro

   
   Jesus, em seu sacramento, geralmente encontra apenas a indiferença dos seus, e muitas vezes a incredulidade e o desprezo. É fácil verificar esta triste verdade: Mundus eum non cognovit [= O mundo não o conheceu].

   Não haveria dificuldade em se acreditar na Eucaristia, se no momento da Consagração o concerto dos Anjos se fizesse ouvir, como no nascimento de Jesus; se nos fosse dado ver, como outrora no Jordão, o céu aberto sobre Ele, ou resplandecer a sua glória, como no Tabor; ou enfim, se um dos milagres realizados pelo Deus da Eucaristia no decorrer dos tempos, se renovasse sob os nossos olhos.

   Nada disse, porém, e menos ainda! É o aniquilamento de toda glória, de todo poder, da natureza divina e natureza humana de Jesus Cristo, cuja face não vemos e cuja voz não ouvimos. Nada de sensível se manifesta!

   Eis o que constitui para o verdadeiro cristão, em vez de pedra de escândalo ou provação da fé, a vida e a perfeição de seu amor. Movida de viva fé, a alma vai além dessa pobreza e fraqueza de Jesus, dessa aparência de morte, e descobrindo sua divindade, se prostra como os Magos, contempla e adora.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual - 7 de janeiro

   A adoração dos Reis Magos foi uma homenagem de fé e um tributo de amor ao Verbo Encarnado. Tal deve ser a nossa adoração eucarística.

   A fé dos Magos brilha em todo o seu esplendor nas terríveis provações por que passaram e das quais triunfaram. Primeiro, o silêncio em Jerusalém, pois que contavam encontrar a cidade em júbilo, o povo em festa, e por toda a parte a alegria.

   A segunda provação dos reis Magos foi o estado de humilhação do Menino Deus, porquanto esperavam, naturalmente ver o berço do recém-nascido rodeado de esplendores do céu e da terra.

   O silêncio do mundo e a humilhação sacramental de Jesus Cristo - eis as duas grandes provações da fé na Eucaristia.

   Os Magos são nossos modelos, como primeiros adoradores. As suas adorações são dignas de nossa admiração e constituem o protótipo das visitas ao Santíssimo Sacramento.

   Sejamos pois herdeiros de seu amor, dignos da realeza de sua fé em Jesus Cristo, e participaremos também um dia de sua glória. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual - 6 de janeiro


   "E abrindo os tesouros Lhe ofereceram ouro, incenso e mirra".

   Eis como o escritor sacro, entrando nos mais explícitos detalhes, descreve a maneira e as circunstâncias da oferta dos Magos.

   Esses três dons representam a humanidade toda aos pés do Menino Deus: o ouro é o poder e a riqueza; a mirra, os sofrimento; o incenso, a oração.

   Jesus sacramentado precisa de ouro porque é o Rei dos reis, com direito a um trono que excede em esplendor ao de Salomão: ouro para os vasos sagrados, ouro para o altar; precisa de mirra, não para Si mesmo, visto que já consumou seu sacrifício sobre a cruz, e uma vez que a ressurreição glorificou o seu divino Corpo e o seu túmulo sagrado; mas porque, constituído nossa Vítima perpétua sobre o altar, tem necessidade de sofrer em nós, seus membros, nos quais encontra novamente a sensibilidade, a vida  e o mérito do sofrimento; nós O completamos e Lhe imprimimos a qualidade atual da Vítima imolada.

   Jesus tem direito ainda ao incenso das nossas adorações, a fim de os dar em troca suas bênçãos e suas graças. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual - 5 de janeiro


   O amor é uno; tendendo à unidade, que é sua essência, absorve ou é absorvido.

   A Eucaristia, por ser a quintessência de todos os mistérios da vida do Salvador, é o absoluto do amor de Jesus Cristo para com o homem.

   Tudo o que Nosso Senhor fez, desde a Encarnação até a Cruz, tinha por fim o dom da Eucaristia,  -  unir-se, pessoal e corporalmente, a cada um de nós pela Comunhão, que Ele considerava o meio de nos comunicar todos os tesouros da sua Paixão, todas as virtudes de sua Santíssima Humanidade, todos os méritos de sua vida. Eis o prodígio do amor: "Qui manducat meam carnem in me manet et ego in eo" - "Quem come a minha carne permanece em mim e Eu nele".

   A Eucaristia deve ser também o absoluto do nosso amor a Jesus Cristo, se quisermos alcançar, de nossa parte, o fim de que Ele se propôs na Comunhão: transformar-nos n'Ele pela união.

   É mister que a Eucaristia seja para nós a lei das virtudes, a alma da piedade, o anelo supremo do coração, a bandeira gloriosa dos combates e sacrifícios. Fora desta unidade de ação jamais atingiremos o absoluto no amor. 

domingo, 4 de janeiro de 2015

DOUTRINA CATÓLICA SOBRE A SALVAÇÃO: O que Jesus mereceu por nós

1º - A PARTE REALIZADA POR JESUS CRISTO (término).

   17. O QUE JESUS MERECEU POR NÓS.

   Jesus Cristo morreu por todos os homens: Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos DE TODO MUNDO (1ª João II-2).

   Oferecendo sua vida por nós, no sacrifício da cruz, Jesus Cristo: 
  • 1º  ofereceu uma reparação íntegra, condigna e perfeita pela ofensa feita a Deus, não só pelo pecado de Adão e Eva, mas também por todos os pecados, passados, presentes e futuros. Foi do agrado do Pai... reconciliar por Ele a si mesmo todas as coisas (Colossenses I-19 e 20). Sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho (Romanos V-10;
  • 2º  restaurou a Humanidade no seu destino sobrenatural, dando aos homens o direito de receberem a graça santificante neste mundo, tornando-se filhos adotivos de Deus para chegarem a ser herdeiros de Deus no Céu pela visão beatífica. A todos os que O receberam, deu Ele poder de se fazerem filhos de Deus (João I-12) E se somos filhos, também herdeiros; herdeiros verdadeiramente de Deus e co-herdeiros de Cristo (Romanos VIII-17);
  • 3º  mereceu para todos os homens a graça necessária para alcançarem a salvação, de modo que todas as graças recebidas pelos homens e que dizem respeito à sua salvação provêm da morte redentora de Cristo. Nós vimos a sua glória como de Filho Unigênito do Pai, CHEIO DE GRAÇA E de verdade... E todos nós participamos da sua plenitude e GRAÇA POR GRAÇA (João I-14 e 16). Ficará mais salientada esta contribuição de Cristo, quando falarmos na influência e necessidade da graça de Deus em todos os nossos atos meritórios para o Céu (nº 24 a 30). 
    Esta Redenção, Cristo a realizou abundantíssima e generosissimamente: Onde abundou o pecado, superabundou a graça (Romanos V-20). Bastaria uma gota de seu sangue, bastaria um suspiro seu para redimir toda a Humanidade, mas Ele quis sofrer todas as dores e todas as ignomínias por nosso amor.

       Agora naturalmente ocorrem ao espírito do leitor duas perguntas. A primeira é sobre

OS QUE VIVERAM ANTES DE CRISTO.

18. Passaram-se milhares e milhares de anos, antes de Jesus Cristo vir ao mundo. Aqueles que viveram antes de Cristo, como podiam salvar-se, se Cristo ainda não tinha morrido por eles?

      Como já dissemos, com a simples promessa do Redentor, os homens passaram a receber novamente o dom sobrenatural da graça, na previsão dos merecimentos de Jesus Cristo que um dia havia de morrer por todos. É o que se mostra claramente pelas palavras de São Pedro, no Concílio de Jerusalém, em que o Apóstolo mostra que seus antepassados foram salvos pela graça de Jesus Cristo: Por que tentais agora a Deus, pondo um jugo sobre as cervizes dos discípulos, que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas nós cremos que pela graça do Senhor Jesus Cristo somos salvos, assim como ELES TAMBÉM O FORAM (Atos XV-10 e 11). Deus já distribuía a graça a todos pelos futuros merecimentos de Jesus Cristo, assim como (perdoe-se a comparação) um homem que distribuísse cheques sacando para o futuro, em vista de uma riqueza que infalivelmente lhe seria oferecida. 

   Esta graça, é claro, também os gentios a recebiam, pois a ninguém Deus torna impossível a salvação. Os gentios podiam salvar-se crendo em um Deus remunerador e fazendo o que estivesse ao seu alcance, pela observância da lei natural impressa em seus corações, uma vez que não haviam recebido a revelação mosaica.

Ao morrer a alma de Jesus desceu ao LIMBO
DOS JUSTOS. Em hebraico Sheol; em latim:
Inferna; em português: Infernos (no plural).
O corpo de Jesus, pouco depois da morte
desceu à morada dos mortos, ou seja, ao
sepulcro.
   Sim; os homens podiam salvar-se antes de Cristo, e salvar-se em virtude da futura morte do Redentor. Mas daí não se segue que entrassem logo no Céu, no gozo da visão beatífica; a morte de Cristo ainda não lhes havia aberto as portas do Céu. Depois de purificadas, as almas justas eram felizes sem ver a Deus face a face, num lugar que é designado na parábola de Lázaro e o mau rico como o seio de Abraão (Lucas XVI-22) e que nós, católicos, chamamos o limbo. É a este mesmo lugar que Jesus Cristo alude quando diz ao bom ladrão: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso (Lucas XXIII-43), porque o limbo com a presença de Cristo seria um paraíso e a alma de Cristo ali desceu (enquanto o corpo aguardava no sepulcro a ressurreição) para anunciar àquelas almas, que em breve entraria no Céu triunfalmente com todas elas.

A PARTE DE DEUS E A NOSSA.
   19.  A outra pergunta é esta: Se Cristo ofereceu uma satisfação condigna e perfeita pelos nossos pecados, então que nos resta mais fazer? não se segue daí que todos estamos salvos e vamos todos para o Céu?

   Absolutamente não! Se Cristo viesse morrer por nós neste sentido de que pagou por nós, fez tudo em nosso lugar, não nos resta fazer mais nada e nos salvamos de qualquer maneira, isto seria a licença ampla para todos os crimes, todos os pecados, todas as perversidades, todas as misérias. A obra realizada por Cristo seria neste caso não uma obra regeneradora, mas o incentivo para a mais desbragada corrupção. A salvação de Cristo tem outro sentido.

   Somos todos pecadores. Todos nós tropeçamos em muitas coisas (Tiago III-2). Mas, por maiores e mais graves que tenham sido os nossos pecados, não devemos desesperar da salvação, temos a Deus de braços abertos para nos perdoar, contanto que façamos o que é da nossa parte para nos pormos novamente no caminho da vida eterna, o que não é possível se não nos voltarmos de todo o coração para Deus. E se Ele está pronto a nos reabilitar, foi porque a sua ira foi aplacada pela morte de Cristo. Cristo é o autor da salvação eterna para todos os que Lhe obedecem (Hebreus V-9). Cabe, portanto ao próprio Cristo que não só nos veio abrir a porta do Céu, oferecendo a reparação a Deus, mas também mostrar-nos o verdadeiro caminho, ensinar-nos a doutrina da salvação, cabe a Ele indicar em que condições nos são aplicados os méritos infinitos de sua Paixão, ou, em outras palavras, em que condições poderemos salvar-nos e conquistar o Céu. É o que veremos nos próximos posts. 

O ESTILO DA BÍBLIA E O TEOR DAS DIVINAS PROMESSAS - ( 3 )

   79.  A INVOCAÇÃO DO NOME DO SENHOR. 

   Vejamos este texto: Todo aquele, quem quer que for, o que INVOCAR  o nome do Senhor, será salvo (Romanos X-13; Joel II-32).

   Sofregamente se lançam os protestantes sobre este versículo e o apresentam, muito anchos, vendo aí a destruição do Catolicismo: para o homem salvar-se não precisa pertencer à Igreja Católica, não é necessária a observância dos mandamentos, não é necessário o Batismo, nem a Confissão, nem a Eucaristia, basta invocar o nome do Senhor!

   Mas o argumento que prova demais, não prova coisa alguma e diante deste texto assim tão mal interpretado, vê o protestante desmoronar-se também todo o seu Protestantismo:
   - A Bíblia! para que me dão Vocês a Bíblia?
   - Para conhecer a palavra de Deus; para conhecer a doutrina de Jesus.
   - Que necessidade tenho eu de conhecer a palavra de Deus, de acreditar ou deixar de acreditar naquilo que ensinou Jesus, se para salvar-me basta só uma coisa: invocar o seu nome! Para invocar o seu nome, basta saber que Ele existe e como se chama; não é preciso saber qual foi, nem qual deixou de ser a sua doutrina. 

   Assim poderá falar qualquer pagão convidado a abraçar o Cristianismo ou qualquer indiferente em matéria religiosa que for exortado à prática da religião. 

   E o crápula, o devasso, o libertino, o salteador, o homem que vive praticando as maiores misérias poderá dizer: Pratico muitos crimes, não nego; porém, por mais crimes que cometa, irei com toda certeza para o Céu, pois para isto não se precisa nem arrependimento, basta invocar o nome do Senhor; isto é o que tenho cuidado de fazer de vez em quando, porque não sou idiota...

  Por aí se vê a que absurdos se poderá chegar com este sistema desonesto de isolar um texto qualquer e apresentá-lo criminosamente ao público que nada entende de interpretação da Bíblia,  tendo o cuidado de desprezar ou ocultar outros textos do Livro Sagrado.

   Não há dúvida que estas palavras encerram uma PROMESSA.  A questão está agora em saber pela própria Bíblia, EM QUE CONDIÇÕES O HOMEM PODE TORNAR-SE DIGNO DA REALIZAÇÃO DESTA PROMESSA. Porque a própria Bíblia em outro texto se encarrega de nos dizer que NÃO BASTA INVOCAR O NOME DO SENHOR PARA SER SALVO; bem como nos esclarece quais as condições sob as quais o homem, invocando o nome do Senhor, pode alcançar a salvação: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus (Mateus VII-21).

   Há contradição entre um texto e outro? Não. Apenas este último está indicando com que sentimentos, com que disposições de ânimo precisa o homem de invocar o nome do Senhor para salvar-se.

   É preciso que o faça com o coração sincero do servo que quer ser fiel ao seu senhor, do filho que não quer de modo algum desagradar a seu pai. E uma vez que Deus exige a observância dos mandamentos, sintetizados no amor de Deus e do próximo; uma vez que Deus lhe exige a fé em toda a doutrina de Jesus; uma vez que Deus exige a confissão como veremos [mais tarde em outros posts], pois instituiu o Sacramento da Penitência para aqueles que pecam depois do Batismo; uma vez que Deus lhe ordena a recepção da Eucaristia (João VI-54), é preciso que ele esteja disposto a aceitar e praticar tudo isto para alcançar a salvação, pois esta não se pode conseguir contrariando a vontade de Deus.

   Se se trata de um pagão que, sem culpa sua, não tem conhecimento de todos estes preceitos de Deus revelados ao homem, é preciso que esteja disposto a realizar EM SI A VONTADE DIVINA, tal qual esta vontade se lhe apresenta diante da sua reta consciência; é preciso que ele esteja disposto a abraçar a Verdade e o Bem, onde quer que eles se encontrem.

   Como se observa pelo contexto, São Paulo, citando esta profecia de Joel, tinha apenas por fim salientar que qualquer homem, judeu ou gentio (e assim se destrói a ideia que tinham muitos judeus de que só para eles havia salvação) pode alcançar o Reino dos Céus, desde que invoque a Deus sinceramente, disposto a cumprir em si a divina vontade: Não há distinção de JUDEU e de GREGO, posto que um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam. Porque todo aquele, quem quer que for, o que invocar o nome do Senhor, será salvo (Romanos X-12 e 13). 

sábado, 3 de janeiro de 2015

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual - 4 de janeiro

   O amor, porque é transformador, produz identidade de vida; torna os reis simples, os sábios humildes, os ricos pobres de coração.

   Foi o que se deu com os Magos.

   A atração é indispensável à vida de amor porque suaviza os sacrifícios, e lhes assegura a perseverança; é, numa palavra, a verdadeira prova do amor e o penhor de sua durabilidade.

   O cristão, chamado a viver do amor de Deus, precisa sentir o atrativo do amor, e é na Santa Eucaristia que Jesus nos dá o suave testemunho de que nos ama pessoalmente como seus amigos; é aí que nos permite repousar o coração sobre o seu, a exemplo do Discípulo predileto; que nos faz gozar, ao menos de quando em vez, a doçura do maná celeste; que nos infunde no coração a alegria de possuir a Deus como Zaqueu, ao Salvador como Madalena, à felicidade suprema, a seu tudo como a Esposa dos Cantares.

   E a alma prorrompe nestes suspiros de amor; - Quão suave sois, ó Jesus! Como sois bom e terno para quem vos recebe com amor!

FLORES DA EUCARISTIA

Leitura espiritual - 3 de janeiro

   A fé conduz a Jesus Cristo, e o amor O encontra e adora.

   Qual foi o amor dos Reis Magos em adoração? Um amor perfeito.

   Ora, o amor se manifesta de três modos, e estas manifestações lhe constituem a vida: a atração, que formando entre duas almas o laço e a lei de duas vidas, faz com que se tornem semelhantes; o absoluto do sentimento a dominar tudo, qual senhor total e único do coração; enfim, o dom, cuja perfeição determina a perfeição do amor. 

   Contemplai os Reis de joelhos ante o presépio, rodeados de animais, e adorando, num estado humilhado e humilhante para a realeza, a débil criança que os fita com um olhar tão singelo!

   O amor, por ser atraente, forçosamente quer imitar. E não imitam eles, tanto quanto lhes é possível, o estado do divino Infante? Desejariam rebaixar-se, aniquilar-se até as entranhas da terra, a fim de melhor adorar e assemelhar-se Àquele que, do trono da glória, se humilhou até descer ao presépio sob a forma de escravo.

   O que a palavra faz entre os amigos, aqui faz o amor.