quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE ; MAGISTÉRIO VIVO ( VI )

   "É certo, escreveu D. Antônio de Castro Mayer, que o Concílio Vaticano I definiu que o Magistério do Romano Pontífice é infalível em determinadas condições. Não definiu que, faltando tais condições, seja  o Soberano Pontífice igualmente infalível. (sublinhado meu). Seria absurdo, no entanto, daí concluir que o Papa erra sempre que não faz uso de sua prerrogativa de infalibilidade. Pelo contrário, ainda quando não se reveste desta prerrogativa, devemos supor que ele acerte, porquanto, normalmente age com prudência e não emite sua opinião antes de muito ponderar. Para não falar nas graças especiais com que o assiste o Espírito Santo.
   "Por isso é de todo inaceitável a atitude leviana daqueles que não fazem caso dos Documentos da Santa Sé, que não vêm sigilados com a nota de infalibilidade. Pois estes documentos obrigam a uma aceitação interna que só poderia ser recusada na hipótese de haver engano patente no que eles trazem ou porque abertamente contrário a toda a tradição da Igreja, ou porque evidentemente falso. O que absolutamente inadmissível é considerar, sem mais, peremptos Documentos solenes do Magistério Ordinário como as enciclicas doutrinárias, especialmente as escritas para dirimir quesões ou apontar erros relativos a Fé, como por exemplo a "Pascendi Dominici Gregis" de São Pio X, contra o Modernismo, ou a "Humani Generis"de Pio XII contra o Neomodernismo. Especial atenção merecem também os Documentos do Magistério Ordinário quando Papas sucessivos, por um espaço suficientemente longo, repetem neles os mesmos ensinamentos. Temos neste fato um sinal de que tal doutrina faz parte do depósito da Fé confiado a Santa Igreja. Não compreendemos, portanto, como se possa formar católicos, ignorando totalmente a fonte mais próxima da verdade revelada que é o Magistério vivo. Só por semelhante atitude se tornam suspeitos os fautores de um novo cristianismo; certamente não é desta maneira que se realizará o "aggionarmento" de que tanto falava João XXIII" (Cf. "Por Um Cristianismo Autêntico" pp. 322 e 323. Caríssimos leitores, lendo assim todo o texto,(sem fazer subtrações: o que seria mentira criminosa) podemos ver claramente que D. Antônio de Castro Mayer falava contra os modernistas e neomodernistas.
   Para terminar, vamos considerar a frase que sublinhei nesta longa citação: "O Romano Pontífice no Concílio Vaticano I, não definiu que faltando tais condições seja o Soberano Pontífice igualmente infalível".
    Como vimos, D. Antônio de Castro Mayer declara que a um documento não infalível , só se pode recusar a aceitação interna na hipótese de haver engano patente no que ele traz, ou porque abertamente contrário a toda tradição de Igreja, ou porque evidentemente falso. (Cf. P.C.A. p.367 d; 368 e) "... Tal é o valor da Tradição, que mesmo as Encíclicas e outros Documentos do Magistério Ordinário do Sumo Pontífice, só são infalíveis nos ensinamentos corroborados pela Tradição, ou seja, por uma doutrinação contínua, através de vários Papas e por longo espaço de tempo. De maneira que, o ato do Magistério Ordinário de um Papa que colida com o ensinamento caucionado pela Tradição magisterial de vários Papas e por espaço notável de tempo, não deveria ser aceito.(sublinhado meu). Entre os exemplos que a História aponta de fatos semelhantes, avulta o de Honório I. Viveu este papa, no tempo em que a heresia monotelita fazia estragos na Igreja do Oriente. Negando a existência de duas vontades em Jesus Cristo renovam os monotelitas o absurdo que Éutiques introduziu no dogma, quando pretendeu que em Jesus Cristo havia uma só natureza, composta da natureza divina e da natureza humana. Habilmente o Patriarca Sérgio de Constantinopla insinuou no espirito de Honório I que a pregação das duas vontades no Salvador só causava divisões no povo fiel. Acedendo aos desejos do Patriarca Sérgio, que eram também os do Imperador, o Papa Honório I proibiu que se falasse nas duas vontades do Filho de Deus feito homem. Não advertiu o Pontífice que seu ato deixava o campo aberto à difusão da heresia. Por isso mesmo não se lhe devia dar atenção. Entre os que lamentaram o ato de Honório I, estão o VI Concílio Ecumênico que foi o terceiro reunido em Constantinopla, e São Leão II, papa ao confirmar aquele Concilio. Entre os que continuaram a ensinar as duas vontades em Jesus Cristo está o grande São Máximo, chamado, O Confessor porque selou com o martírio sua fidelidade à doutrina católica tradicional".
   "Guardemos, pois, com o máximo respeito e atenção, o critério de aferimento para as novidades que surgem na Igreja:
- Ajustam-se as novidades à Tradição?
- Então são de boa lei.
- Não se ajustam, mas se opõem à Tradição; ou diluem a Tradição?
- Então não devem ser aceitas.
   "Tradição, é certo, não é imobilismo. É acréscimo, porém, na mesma linha, na mesma direção, no mesmo sentido, crescimento de seres vivos que se conservam sempre os mesmos. Por isso mesmo, não podem considerar tradicionais, formas e costumes que a Igreja não incorporou na exposição de sua doutrina, ou na sua disciplina. A tendência neste sentido, foi chamada por Pio XII "reprovável arquiologismo"(=apego ao que é antigo só porque antigo) na Encíclica "Mediator Dei". Isto posto, tomemos como norma o seguinte princípio: quando é visível que a novidade se afasta da doutrina tradicional, é certo que não deve ser admitida".
   Depois, D. Antônio de Castro Mayer mostra os vários modos de corromper a Tradição: uma escala que vai da oposição aberta a Tradição, ao desvio quase imperceptível. E ele alerta para o perigo maior nesta última maneira. Gota a gota, sem se perceber. Dois passos à frente, um para traz; vai se fazendo aos poucos e um pouco sempre fica; vai-se aos poucos tirando a substância, deixando finalmente só a casca. Isto chama-se: lavagem cerebral, ou seja, mudança das idéias sem a pessoa perceber. É uma baldeação ideológica inadvertida. Nas aulas D. Antônio dizia a mim e ao Fernando, (hoje S. Exa. Revma. D. Fernando Arêas Rifan) que uma cadeira de três pés, faltando um, é mais perigosa que uma de um pé só, faltando três. Uma moeda falsa é tanto mais perigosa quanto mais parecida com a verdadeira.
  "Nas circunstâncias atuais, continua D. Mayer, todas as maneiras de corromper a Tradição oferecem perigo para a Fé, mas talvez as mais perigosas são aquelas maneiras mais disfarçadas e que portanto menos aparecem como opostas a Igreja Tradicional. Segue-se que de nós se pede cuidadosa vigilância, não venhamos a assimilar o veneno meio inconscientemente. Se há gente de boa fé, que, por ignorância ou ingenuidade, nas novidades que vai aceitando, tenciona apenas obter nova expressão da verdadeira Igreja; há também e sobretudo, a astúcia do demônio que se serve destas mesmas intenções para desgarrar os fiéis da ortodoxia católica".
   Caríssimos e amados leitores, nunca poderemos esquecer que a tática dos modernistas e de todos os hereges, para difundir seus erros e procurar destruir a Igreja, é a ambigüidade. "Ambiguus" em latim, quer dizer: "que tem dois sentidos" (como empregou Virgílio, célebre escritor latino); quer dizer também "enganador" (como empregou Cícero, outro célebre escritor latino). Em latim "verbum bilingue" quer dizer: "palavra de língua dupla"; e no sentido figurado, quer dizer: "palavra falsa". Na Bíblia Sagrada, no Livro da Sabedoria VIII, 13 Deus diz: "Eu detesto a arrogância e a soberba; o mau proceder e a língua dupla". Por isso Jesus Cristo disse: "Seja o vosso falar sim, sim; não, não".
   Imaginem como é necessário que a nossa linguagem com Deus deve ser sincera através da Liturgia!
   Não podemos julgar ninguém. A gente só fica sabendo da intenção de alguém se a própria pessoa revelar. Pois bem, aconteceu que um progressista dos quatro costados, chamado Dom Duschak, no dia 05 de novembro de 1962, revelou o seguinte: "Minha idéia será introduzir uma Missa ecumênica". Aí, perguntaram a ele se esta idéia foi sugerida por seus diocesanos. D. Duschak respondeu: "Não, eu penso mesmo que eles seriam contra, assim como se opõem muitos bispos. Mas se se pudesse colocá-la em prática, eu creio que eles terminariam por aceitá-la. No Concílio, continua D. Duschak, nós o exprimimos de uma maneira diplomática, mas depois do Concílio, nós tiraremos as conclusões implícitas..." (Confira Revista "De Bazuin", nº 48, ano 1965, página 04).
   Com os Modernistas e Neomodernistas toda vigilância é pouca!!!

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