quinta-feira, 19 de maio de 2011

FAZ DEZ ANOS DO INÍCIO DAS OBRAS DO CARMELO - AGRADECIMENTO

   Em maio de 2001 iniciávam-se o desatêrro e a terraplenagem para início das obras do Carmelo, no Sítio Santa Cruz II, Município de Varre-Sai, RJ, Brasil.
   Sinto-me muitíssimo feliz em poder agradecer, do fundo do coração, atravé da Internet, as ajudas espirituais e materiais que venho recebendo de meus caríssimos atuais fiéis, e de ex-paroquianos em quase toda Diocese de Campos,RJ, e de outros lugares do Brasil, especialmente de Santa Maria, RS., nestes dez anos que venho construíndo este Carmelo de Nossa Senhora do Carmo.
   Que Deus, Nosso Senhor, os recompense centuplicadamente com muitas bênçãos,  graças escolhidas e saúde na alma e no corpo. E em minhas Santas Missas, sempre peço pelos meus irmãos e parentes, pelos benfeitores vivos e falecidos. No "Memento dos mortos" lembro-me sempre de pedir o suflágio das almas da Irmã Fátima e das grandes benfeitoras do Carmelo: D. Santa e Arlete (Varre-Sai) e D. Hermínia (Santa Maria, RS ) e muitos outros, como por exemplo, o Sr. Enzzo.
   Sem esta generosa caridade dos fiéis e amigos, eu não teria condição de chegar aonde cheguei, muito menos, de continuar as obras até o fim.
   Deus lhes pague! Minha imorredoura gratidão! Muito obrigado!
                                                                                                     Padre Elcio Murucci    

quarta-feira, 18 de maio de 2011

AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA ( II )

  Respondendo à algumas objeções
   1ª OBJEÇÃO: Vestes é uma questão secundária. O que importa é o coração.
   RESPOSTA: Vimos já na postagem anterior "As vestes à luz da Bíblia Sagada ( I )" que Deus não pensou assim. Ele mesmo fez questão de cobrir Adão e Eva com túnicas depois que nossos primeiros pais pecaram (Gênesis, III, 21). Depois, na verdade, nós não dizemos que toda aquela que se veste de acordo com a virtude da modéstia tem forçosamente o coração bom e perfeito, e estará isenta de outra faltas. Em outras palavras, nós não queremos dizer que a modéstia no vestir seja tudo o que a pessoa deve ser, mas é uma das coisas necessárias para se agradar a Deus e até é uma das coisas pelas quais se pode conhecer a pessoa segundo declara a própria Bíblia no livro do Eclesiástico, XIX, 27: "A veste do corpo, o riso dos dentes, e o andar do homem, dão a conhecer o que ele é". Uma coisa é certa: Sob uma veste imodesta e impudica nunca encontraremos uma alma pura. Vimos na postagem anterior sobre as vestes, que a modéstia é exigida por Deus na Sagrada Escritura e é com a convicção de coração no sentido de agradar mais a Deus e com empenho de fazer sempre o que está mais de acordo com a Sua vontade, que a pessoa deve se vestir com modéstia. O que importa é o coração reto que procura fazer o que Deus manda.

   2ª OBJEÇÃO: Este negócio de vestes é relativo. Hoje, vestes que antes eram proíbidas, são permitidas e não impressionam mais.
   RESPOSTA: Diz a Bíblia Sagrada: "Os olhos não se fartam de ver" (Eclesiastes I, 8). É a concupiscência dos olhos de que faz menção o livro do profeta Ezequiel, XXIII, 14-16. Esta concupiscência dos olhos leva a pessoa a procurar ver sempre o pior, ou seja, o que é mais sensual. Assim a veste desde que começa a ser menos decente, vai provocando desejos mais perversos. E a sensualidade, embora encontrando o que deseja, nunca se satisfaz. Daí, de um lado, se compreende porque o mundo tende sempre a uma maior imodéstia nas modas. E, por outro lado, entende-se porque a Igreja sempre lutou por uma maior modéstia nos trajes. E antigamente exigia-se até mais do que o mínimo para impedir que as vestes fossem piorando sempre mais. E, a medida que o progressismo foi dando liberdade, a coisa foi só piorando e vai piorar mais se todos os padres da Igreja não voltarem a combater a imodéstia como a Igreja sempre fez. Dizem que tudo é natural. Mas pelos frutos se conhece a árvore. O que nós estamos vendo é uma sociedade cada vez mais entregue aos pecados da carne. É o desprêzo completo pelos mandamentos de Deus, que, no entanto, continuam e continuarão de pé. É o que diz o Salmo CX, 8: "Todos os Seus mandamentos (Senhor) são imutáveis, confirmados em todos os séculos, fundados na verdade e na eqüidade".

   3ª OBJEÇÃO: Mas é muito difícil seguir estas normas da modéstia. Impondo-as, vai ficar um número muito pequeno na igreja.
   RESPOSTA: Quanto a ser difícil nós não negamos. Jesus mesmo já dissera: "O Reino do Céus padece violência, e só os violentos é que o arrebatam" (São Mateus, XI,12). Quanto a ser um número pequeno o daqueles que seguem as normas da modéstia, nós devemos primeiramente obsevar que: se todos os padres, baseados na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, ensinassem a modéstia, os fiéis se convenceriam melhor e o número seria maior, embora continuasse a ser minoria em relação aos maus. Nosso Senhor Jesus Cristo já disse: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida e quão poucos são os que dão com ele!" (São Mateus, VII, 13 e 14). Jesus é o caminho a verdade e a vida (São João, XIV, 6). Compreende-se que o caminho do céu e estreito quando se pensa naquela palavra de São Paulo na Epístola aos Gálatas, V, 24: "Aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a sua carne com os seus vícios e concupiscências"
   A História Sagrada confirma o que acabamos de dizer sobre o pequeno número: Quando Deus destruiu a humanidade pelo dilúvio, só oito pessoas se encontraram fiéis a Deus e se salvaram. O resto se entregara aos pecados da carne. Confira Gênesis capítulos VI e VII. Quando Deus destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra só quatro pessoas se salvaram, porque só elas não tinham se contaminado pela homosexualidade. Leia na Sagrada Escritura o capítulo XIX do livro do Gênesis.
  
   4ª OBJEÇÃO: Mas Deus é pai e não vai exigir tanto sacrifício e nem vai castigar alguém por seguir a moda.
   RESPOSTA: Bom! Primeiramente, é necessário dexar bem claro que Deus não proíbe seguir a moda. Já vimos que Santo Tomás de Aquino, cintando inclusive Santo Agostinho, diz que se deve seguir o costume de cada país. Mas já vimos outrossim que a  Bíblia Sagrada  condena unicamente a moda que não seja conforme a decência. Condena também a moda,(mesmo decente), mas que é usada com travestimento.
   Vimos nas Sagradas Escrituras que Deus castigou várias vezes os homens por causa dos pecados da carne. E São Pedro diz que estes castigos foram para servir de exemplo àqueles que venham viver também impiamente segundo a imunda concupiscência. (2 São Pedro, II, 4-10). Vimos, também, que aqueles que desejarem ser de Jesus Cristo têm que renunciarem a si mesmos, aos seus vícios e concupiscência. (Gálatas, V, 24).
   Porque Deus é Pai bondoso e paciente eu não vou ofendê-Lo, mas, pelo contrário, devo procurar a Sua vontade e segui-la. "Quem me ama, disse Jesus, guarda os meus mandamentos". "Quem é meu amigo procura fazer o que eu mando" (São João, XIV, 15 e XV, 14).
   Os que querem seguir esta mentalidade progressista de que Deus é pai e não castiga ninguém e por isso posso fazer o que quero, ouçam o que diz a Bíblia Sagrada em Eclesiástico, V, 2 a 9: "Não te abandones na tua fortaleza,  aos  maus desejos de teu coração; e não digas: Como sou poderoso! Quem poderá obrigar-me a dar-lhe conta das minhas ações? Porque Deus certamente se vingará delas. Não digas: Eu pequei e que mal me veio daí? Porque o Altíssimo, ainda que paciente, é justiceiro, Não estejas sem temor da ofensa que te foi perdoada, e não amontoes pecados sobre pecados.E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, Ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a Sua misericórdia e a Sua ira estão perto uma da outra, e Ele olha para os pecadores na sua ira. Não tardes em te converter ao Senhor, e não o difiras de dia para dia porque virá de improviso a Sua ira." Confira também Epístola aos Romanos, II, 4: "Ou desprezaste as riquezas da Sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência?"
  
   5ª OBJEÇÃO: Mas se a gente não seguir a moda, as pessoas do mundo zombam e chama a gente de atrazada, cafona etc.
   RESPOSTA: Primeiramente, sempre resta uma moda decente; pois os criadores das modas querem o dinheiro de todo mundo, assim como os políticos querem de todo mundo, os votos. Mas, mesmo na hipótese de não haver nenhuma moda  decente no país, devemos estar dispostos a sofrer zombarias por amor a Jesus. O fato é que não podemos ser do mundo, porque a Sagrada Escritura diz a todas as classes de pessoas; "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo" (1 de São João, II, 15). O fato de o mundo zombar daqueles que seguem a Jesus, isto sempre existiu. Jesus mesmo disse: "Porque não sois do mundo, o mundo vos aborrece" (São João XV, 19). São Paulo também diz: "Aqueles que querem viver piamente em Jesus Cristo, sofrerão perseguição" (2 Timóteo, III, 12). Já os Apóstolos pela pregação da fé, e os cristãos por permanecerem firmes nesta fé, foram objeto de zombarias e de toda espécie de sofrimentos. Confira Atos dos Apóstolos, XVII, 32 a 34; e Hebreus, XI, 36 a 40; e 1 São Pedro, IV, 4. Medite, entretanto, no que disse o Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo: "No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele quando vier na glória de Seu Pai com os santos anjos" (São Marcos, VII, 38).

   6ª OBJEÇÃO: Mas a Igreja tem que seguir o progresso; se adaptar aos novos tempos; não pode ficar parada no tempo e nos espaço.
   RESPOSTA: Esta objeção faz parte da doutrina modernista, hoje praticada pelos progressistas, mas já condenada anteriormente por São Pio X.
   O progresso nas coisas boas, a Igreja nos ensina a procurar sempre. Em outras palavras: a Igreja deve levar os homens ao progresso no bem. Isto sim! Porque Jesus fez a Igreja para ser o sal da terra e a luz do mundo. Para a Religião ser verdadeira e ter firmeza, a quem se deve seguir? A Jesus ou aos homens? É claro que se deve seguir a Jesus. Eis o que diz São Paulo: "Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se agradace aos homens, não seria servo de Cristo" (Gálatas, I, 10). Diz ainda a Sagrada Escritura: "Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e o será por todos os séculos. Não vos deixeis lear por doutrinas várias e estranhas" (Hebreus, XIII, 8 e 9).

Nossa Senhora revelou à Jacinta, vidente de Fátima: "VÃO APARECER MODAS QUE OFENDERÃO MUITO O MEU DIVINO FILHO".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA ( I )

   Escrevi este artigo há trinta anos atrás. O que é palavra de Deus, permanece para sempre e vale para todos.
   Como muitos padres não usam mais falar contra a imodéstia das modas, muitas pessoas, sobretudo as mais novas, ficam pensando que as exigências do modéstia são invenções de alguns padres. Por isso, quero tratar deste assunto baseado na Sagrada Escritura, que é a palavra de Deus escrita para nosso ensinamento.
   1 - Deus criou Adão e Eva no estado de inocência, sem a concupiscência, isto é, sem o desregramento das paixões. Daí, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavm. (Confira Genesis, II, 25). E eles conversavam familiarmente com Deus. Mas, a partir do momento que pecaram, perderam a inocência, começaram a ter maldade e então, tiveram vergonha em se verem nus, e coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. (Confira Gênesis, III, 7). Foi o que eles puderam conseguir naquele momento após o pecado. Mas embora assim cobertos na cintura, se julgarm ainda nus, tiveram vergonha e se esconderam de Deus: "E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele respondeu: Ouvi a tua voz no paraíso, e tive medo, porque estava nu, e escondi-me" ( Gênesis, III, 9 e 10). E notai que o próprio Deus não achou suficiente esta veste sumária. Eis o que diz a Bíblia em Gênesis, III, 21: "Fêz também o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu".
   2 - Consideremos bem isto, porque é uma ação do próprio Deus. Quem ousará contestá-la?! Se veste fosse assim algo secundário, Deus teria deixado à critério de Adão e Eva. Considere-se, primeiramente, que Deus os vestiu assim com modéstia, embora fossem esposos e os únicos que existiam até então sobre a terra. Como tudo que Deus faz é bom, disto tiramos duas conclusões: 1ª- aqui aplica-se também a palavra de São Paulo que recomenda a modéstia "porque Deus está perto" (Filipenses, IV, 5). - Deus assim agiu para servir de esnsinamento à toda posteridade. A pessoa deve se vestir com modéstia não só na igreja, mas em toda parte. É claro que na igreja exigir-se-ão modéstia e decoro ainda maiores. São Paulo diz: "Do mesmo modo orem também as mulheres em trajes honestos, vestindo-se com modéstia e sobriedade" (1Timóteo, II, 9). Considere-se também que Deus vestiu nossos primeiros pais com TÚNICAS. A túnica, por sua própria natureza, é uma veste que satisfaz as exigências da modéstia, porque oculta inteiramente o corpo, não só enquanto o cobre, mas também enquanto não deixa transparecer a sua forma.
   3 - Sobre veste, há ainda no Antigo Testamento uma outra passagem: "A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher, porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus" (Deuteronômio, XXII, 5). Estas palavras da Bíblia indicam duas coisas: 1ª - Que havia diferenciação entre o modo de se vestir dos homens e das mulheres. A própria ordem natural feita por Deus exige que as diferenças entre os sexos sejam manifestadas. Já que depois do pecado original, os corpos têm de ser cobertos, as vestes têm que ser adequadas a cada sexo. Fica assim condenada toda moda unissex. 2ª - Em segundo lugar, a Bíblia condena o travestimento, ou seja, a mulher vestir as  roupas próprias de homem, e o homem vestir as roupas próprias de mulher. A Bíblia Sagrada não fala  que tipo de veste se deveria usar. Por isso Santo Tomás, citando Santo Agostinho, diz que se deve usar as vestes segundo o costume de cada região ou país, desde que sejam modestas e apropriadas para cada sexo. Para ficar mais claro vamos dar alguns exemplos: É costume na Escócia como em alguns outros países, os homens usarem saia, vestido ou túnica. Assim sendo, as mulheres, mesmo usndo estas vestes, devem usá-las em modelos diferentes dos homens, ou usarem mais alguma veste que as diferencie dos homens. No Antigo Testamento, quando homens e mulheres usavam túnicas, havia diferença, sobretudo por causa dos véus que as mulheres usavam. E nos primeiros séculos do Cristianismo o véu para as mulheres era obrigatório, como diz Santo Agostinho. Santo Tomás de Aquino atesta que este costume caiu, embora a queda deste costume não fosse uma coisa louvável. Mas o uso do véu para o sexo feminino continua obrigatório na igreja: pelo menos, assim fazem os fiéis tradicionalistas, obedecendo o que diz São Paulo: "Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher faça oração a Deus, não tendo véu? (1 Cor. XI, 13). E, como disse Jesus, a igreja é casa de oração.
   Entre o povo fiel a Deus, procurando obedecer ao Seu preceito, desde os primeiros tempos, procurou-se um feitio de túnica para cada sexo, além das vestes complementares que davam naturalmente uma diferenciação maior, sobretudo o uso do véu para as mulheres, como já foi dito. Há, no entanto, testemunhos de que os pagãos não obedeciam estas normas. Não reconheciam o verdadeiro Deus e a Sua Lei.
   Os sacerdotes da Antiga Lei também usavam túnicas cujo modelo era bem diferente e foi indicado pelo próprio Deus. Confira Êxodo, XXVIII, 31. Nosso Senhor Jesus Cristo também se cobria com túnica. Confira S. João, XIX, 23. Há muitas outras passagens do Antigo e do Novo Testamento que mostram ser a túnica usada entre o povo. Por exemplo: Gênesis XXXVII, 32; São Mateus, V, 40; (fala também da capa); Atos, IX, 39 etc. Até hoje, os padres ( pelo menos alguns) usam a batina que é uma veste talar que lembra a túnica de Jesus. Ninguém vai dizer que é veste feminina. O feitio da batina é muitíssimo diferente de um vestido como hoje é usado pelas mulheres. Além disso há o colarinho que é obrigatório; e a faixa que é facultativa.
   Além da primeira razão da decência para as vestes (o repeito à presença de Deus; a concupiscência própria e a vergonha natural depois do pecado original), há também uma outra razão que diz respeito ao próximo. Como depois do pecado original passou a existir no homem a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos pelos quais entram no coração os maus desejos, a lascívia, os adultérios etc., as vestes cobrindo direito o corpo se tornam necessárias também em relação ao próximo, ou seja, para se evitar o escândalo, isto é, tropêço que leva as pessoas a cair no pecado. E neste particular, indecente e condenável é não só a veste que não cubra bem o corpo, mas também quando deixa transparecer a forma do corpo ou em razão do seu próprio feitio ou por ser ajustada. Aliás, roupa muito ajustada, só pode ter uma razão de ser: a maldade. Além de ser incômoda, é, segundo a medicina, prejudicial à saúde.  
   Nosso Senhor Jesus Cristo deixou os princípios, os avisos, as regras da Moral pelos quais todos os homens devem guiar o seu modo de proceder. Segundo diz a Sagrada Escritura na Epístola aos Hebreus, XXII, 8 e 9: "Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje, e por todos os séculos". E, por outro lado, os homens, quanto à concupiscência, são tembém sempre os mesmos. Daí, não pode ninguém dizer que os tempos mudaram e por isso, as advertências de Jesus não têm mais valor hoje. Consideremos, então, algumas destas advertências de Jesus. Ele falou contra os escândalos, isto é, as seduções que levam os outros ao pecado. Disse Jesus: "Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é inevitável que sucedam escândalos; mas ai daquele por quem vem o escândalo!" (São Mateus, XVIII, 7-9). Jesus advertiu igualmente: "Quem olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração" (São Mateus, V, 28). Agora, quem é que não reconhece que uma pessoa vestida menos decentemente é causa destes maus desejos e adultérios contra os quais fala Jesus acima ?
   E há também o escândalo das crianças que se sentem tentadas a imitar as adultas e assim vão perdendo o recato, o pudor e a pureza já desde pequenas. Jesus advertiu: "É melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar do que escandalizar uma criança" (São Mateus, XVIII, 6). Já imaginaram as contas que vão dar a Deus as mães que dão este mau exemplo às suas filhas!!! Os pais procurem, pois, seguir o conselho que a Bíblia Sagrada lhes dá em relação aos filhos: "Tens filhos? Ensina-os bem, e acostuma -os à sujeição desde a sua infância. Tens filhas? Conserva a pureza de seus corpos" (Eclesiástico, VII, 25 e 26). Quantas mães, no entanto, desculpam seus filhos dizendo que são jovens e devem aproveitar a mocidade. Estas ouçam o que diz a Sagrada Escritura: "Regozija-te, pois, ó jovem na tua mocidade e viva em alegria o teu coração na flor de teus anos, segue as inclinações de teu coração e o que agrada a teus olhos, mas sabe que Deus te chamará a dar contas de todas estas coisas" (Eclesiastes, XI, 9 e 10). Meditem, outrossim, nos elogios que a Bíblia faz a castidade e pureza: "Oh! quão formosa é a geração pura com o seu brilho!" (Sabedoria IV, 1). "Graça sobre graça é a mulher santa e cheia de pudor! Todo preço é nada em comparação de uma alma que pratica a castidade" (Eclesiástico, XXVI, 19 e 20).
   CONCLUSÃO: A Sagrada Escritura e a Tradição são as duas bases sólidas sobre as quais se funda a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se alguém não as aceita, então vai se basear em quê? No seu modo de pensar? Nas máximas do mundo? Mas quem age assim, não é de Jesus Cristo.
NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA!   CONVERTEI OS PECADORES! 
  


sábado, 14 de maio de 2011

DA MODÉSTIA QUANTO AO ORNATO EXTERIOR

   Artigo extraído de Santo Tomá de Aquino, Suma Teológica, 2-2 q. 169. a. 1 e 2.
   Artigo primeiro: Parece que não há nenhum vício nem nenhuma virtude em matéria de ornato exterior... Mas, pelo contrário: a honestidade supõe a virtude. Não faltar nada do que exige a honestidade ou a necessidade, sem se cair no exagero. Logo, pode haver virtude e vício em matéria de vestuário.
SOLUÇÃO: As coisas exteriores, em si mesmas, de que o homem usa não são matéria de nenhum vício, que só existe em quem as emprega imoderadamente. Ora, esta imoderação pode dár-se de dois modos.- Primeiro, relativamente ao costume daqueles com quem convivemos. Citando Santo Agostinho, Santo Tomás diz que devemos seguir os costumes locais ou do país. Segundo, pode haver imoderação, no uso das referidas coisas, pelo afeto desordenado de quem usa delas; donde vem que às vezes, p. ex., usamos dos ornatos exteriores com sensualidade, quer estejamos de acôrdo ou não com os costumes daqueles com quem convivemos. Ora, por esse afeto desordenado se pode pecar por excesso, de três modos: 1- quando as nossas vestes e coisas semelhantes são acompanhadas de ornatos excessivos afim de granjear a glória dos homens. 2- quando nos preocupamos excessivamente com o nosso vestuário, em vista do prazer. No caso as vestes estariam sendo usadas como um culto do corpo. 3- quando simplesmente nos preocupamos excessivamente com a roupagem externa, mesmo se não há nenhum fim desordenado.[ Foi Jesus quem condenou esta preocupação excessiva com o vestuário.]
   Como há três vicios neste ponto, há, também três virtudes: humildade, fugindo de toda vanglória; honesta suficiência, fugindo do prazer e contentando-se com o necessário; simplicidade que é o hábito pelo qual nos contentamos com o que nos acontece. Em outras palavras: conformámo-nos com a nossa posição social.
   Mas o afeto pode ser também desordenado por defeito, e de dois modos: 1- desleixo, falta de cuidado e negligência em nos vestirmos como devemos; falta de asseio. 2 - Seria o vício de usar estas dificiências todas para buscar a vanglória: querer apresentar-se com o afeto desordenado, pretendendo com estes desleixos, parecer humilde e penitente.   
 Artigo segundo: Parece que os ornatos femininos constituem pecado mortal.
   Assim, faz-se a seguinte objeção: Assim como não convém à mulher usar de roupas masculinas, assim também não deve usar de ornatos desordenados. Ora, o primeiro procedimento é pecado, segundo diz a Sagrada Escritura em Deuteronômio, capítulo 22, versículo 5: "A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher, porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus". Donde se conclui, que o ornato exagerado das mulheres é pecado mortal.        
   Mas, em contrário, devemos dizer que os ornatos femininos em si mesmos, não constituem pecado mortal. Porque, se assim fosse, haveríamos de concluir que os artífices fabricadores destes ornatos também pecariam mortalmente. Então apresentamos a SOLUÇÃO: Em relação ao ornato das mulheres, devemos levar em conta os mesmos elementos que consideramos já acima, em geral, relativamente ao vestuário exterior; e, além disso, mais em especial, devemos notar que os ornatos femininos provocam mais os homens à lascívia, isto é, à sensualidade, segundo à Escritura: "E eis que uma mulher lhe sai ao encontro, ornada à moda das prostitutas, prevenida para caçar as almas" (Prov. VII, 10). Pode contudo a mulher aplicar-se licitamente em agradar ao seu marido, afim de que ele, por desprêzo, não venha a cair em adultério. Por isso diz o Apóstolo: "As mulheres casadas cuida das coisas que são do mundo, de como agradar ao marido" (1 Cor, VII, 34). Por onde, se a mulher casada se ornar para agradar ao marido, pode fazê-lo sem pecado. Mas, as mulheres, que não têm marido, nem os querem ter, e vivem em estado de não os poderem ter, não podem sem pecado querer agradar aos olhos dos homens, para o fim da concupiscência, pois, seria dar-lhes o incentivo de pecar. Se, pois, se ornarem com a intenção de despertar nos outros a concupiscência, pecam mortalmente. Se o fizerem, porém, sem esta má intenção, mas só por leviandade ou por uma certa vaidade fundada na jactância (se pretender apenas ser admirada e elogiada), nem sempre comete pecado mortal, mas, às vezes, venial. [Nem seria venial, se o fizer sem pensar em nada, mas pura e simplesmente por leviandade]. E o mesmo se dá, neste ponto, com os homens. 
   Por tudo que acabamos de explicar, vamos responder a objeção que foi feita no início deste segundo artigo, objeção esta baseada na Bíblia Sagrada: Deut. XXII, 5. 
   RESPOSTA À OBJEÇÃO: Como dissemos (no artigo 1º), o vestuário  exterior deve corresponder à condição da pessoa, de conformidade com o uso comum. Por isso e considerado em si mesmo, é repreensível e vicioso uma mulher trazer trajes de homem e vice-versa. E sobretudo porque pode ser uma causa de sensualidade. Mas, se a Bíblia diz que isto é abominável, e, portanto, coisa grave, é por uma circunstância à parte. No caso, é porque os pagãos usavam deste travestimento na prática dos seus cultos idolátricos.[Sabemos pela História que os pagãos cometiam as maiores abominações diante de seus ídolos; e, para tanto, as mulheres se vestiam de homem e os homens de mulher.] [ E Santo Tomás continua dentro desta lógica]: Pode-se, porém, proceder deste modo ( isto é, a mulher usar roupa masculina ...) e sem pecado, se o exigir a necessidade:  quer para ocultar-se dos inimigos, quer por falta de outras roupagens, quer por outro qualquer motivo semelhante. [Geralmente se dá o exemplo de Santa Joana d'Arc].
   Ainda falando dos ornatos femininos, Santo Tomás cita o Apótolo São Paulo e tira as conclusões: Donde o dizer o apóstolo: "Orem também as mulheres em trajes honestos, ataviando-se com modéstia e sobriedade, e não com cabelos frisados, nem com ouro, nem pérolas ou vestidos custosos, mas sim como convém a mulheres que fazem profissão de piedade" (1 Tim. II, 9 e 10). Pelo que, continua Santo Tomás, dá a entender, que o ornato sóbrio e moderado não é proíbido às mulheres, senão só o supérfluo, o vergonhoso e o impudico. [Falando sobre pintura, Santo Tomás diz: Nem sempre a pintura constitui pecado mortal, mas só quando feita por lascívia ou por desprêzo de Deus, casos a que se refere (S.) Cipriano. Saibamos, porém, que uma coisa é fingir uma beleza que não se tem, e outra, ocultar um defeito proveniente de alguma causa, como p. ex., uma doença ou qualquer outra. O que é lícito; pois, segundo o Apóstolo, "os que temos pelos mais vis membros do corpo a esses cobrimos com mais decoro" (1 Cor. XII, 23).
   Até aqui: Santo Tomás de Aquino. Só o que está entre colchetes, que é meu. 
 Antes de terninar, porém, gostaria de fazer algumas observações.
OBSERVAÇÕES: 1ª - Santo Tomás não fala em calças compridas para as mulheres. Por um motivo por demais óbvio: não havia e certamente ninguém da Idade Média podia imaginar que um dia houvesse. Começaram a aparecer em 1911. E esta moda só pegou mesmo em 1920. E no Brasil só mais tarde. 
                               2ª - Muito menos a Sagrada Escritura fala em calças compridas femininas.                        
                                         3ª -  Se a calça comprida feminina não é como a dos homens porque é de feitios diferentes e também por ser só uma parte do vestuário, mesmo assim  é condenável precisamente por provocar a sensualidade, mostrando as formas do corpo. D. Antônio de Castro Mayer deu-me a seguinte orientação: As mulheres, moças e meninas que, por algum motivo, eram obrigadas a usarem calças compridas, não as usassem justas e além disso, em alguns lugares como p. ex., nos hospitais como enfermeiras, usassem um jaleco mais comprido E estas pessoas deviam vestir-se assim só em caso de necessidade. Mas só por isso, não deviam ser afastadas dos sacramentos. Vamos falar mais sobre isso, se Deus quiser, na próxima postagem que terá como título: AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA. A Sagrada Escritura, como é a palavra de Deus, oferece-nos os princípios gerais pelos quais se resolvem todos os casos particulares.
                               4ª- Antigamente não havia este despudor provocante que há hoje em todo lugar. Mesmo as pessoas sem prática da religião tinham vergonha de se apresentarem em público sumariamente vestidas. O pudor foi-se perdendo aos poucos. Por isso antigamente os padres até os santos como o Santo Cura d'Ars, Sao Barnardino de Sena e muitos outros cujos sermões chegaram até nós, falam contra o excesso de vaidade. e contra a má intenção de provocar a lascívia. Mas, a fortiori, teriam combatido e com muito zelo, a imoralidade das modas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O NOSSO ORGANISMO SOBRENATURAL

   Vamos terminar o nosso estudo sobre a graça.
   Deus, que habita na nossa alma, não permanece nela apenas para receber as nossas adorações e homenagens; quer também dar-se a nós e levar-nos até Ele para termos a felicidade perfeita.
   Deus é vida e fonte de vida: "Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens". (S.João, I,4). Ora, para nos levar até Ele, Deus quis comunicar-nos uma participação da sua vida divina. Mas, fracas criaturas  que somos, como poderemos nós receber esta participação da vida de Deus? Só se aprouver à bondade divina completar e aperfeiçoar a nossa alma, dotando-a de um organismo sobrenatural, muito superior ao que podem exigir as criaturas mais perfeitas. Ora é precisamente o que Ele faz, vindo habitar em nós.
   Como homens, todos temos, por natureza, uma vida intelectual que nos permite conhecer a verdade e amá-la. Mas ela não pode proporcionar-nos mais que um conhecimento imperfeito, adquirido ao preço de muitos trabalhos, pela reflexão, pela análise, pelo reciocínio, por uma longa série de induções e deduções, em que estamos sujeitos a enganar-nos. É esta vida que Deus vai trnsformar: sem nada tirar do que há de bom em nós, insere na nossa alma um organismo sobrenatural completo.
   Já vimos, ao tratar do graça santificante, que Deus espalha, digamos assim, na própria substância da nossa alma, a graça habitual, que desempenha em nós o papel de princípio vital sobrenatural, fazendo-os semelhantes, mas mão iguais, a Deus, e preparando-nos, embora de uma maneira remota, para conhecer a Deus como Ele se conhece e para o amar como Ele se ama. Desta graça santificante dimanam as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo, que sobrenaturalizam as nossas faculdades naturais, e nos dão o poder imediato de praticar atos meritórios de vida eterna.
   Para pôr em movimento estas faculdades, concede-nos graças atuais, que nos iluminam a inteligência, fortificam a vontade, dão-nos energias que superam de longe as nossas forças e ajudam-nos a praticar ações a que podemos chamar deiformes; com efeito, trata-se não de atos meramente humanos, mas de atos que, embora sendo nossos, são também de Deus, pois Ele quer ser nosso colaborador e operar em nós o querer e o agir (Fil. II, 13). Como já vimos, a graça penetra totalmente o nossa vida natural e eleva-a tornando-a semelhante à vida de Deus. A vida própria de Deus é ver-se a si mesmo diretamente e amar-se infinitamente, visto ser infinitamente amável. Ora, nenhuma criatura por mais perfeita que a imaginemos, pode por si mesma contemplar a essência divina, que habita numa luz inacessível a toda criatura (1Tim. VI, 16). Mas Deus, por um privilégio inteiramente gratuito, chama o homem a contemplá-lo face a face no céu, com Ele se contempla a si mesmo, não certamente no mesmo grau, pois o homem é um ser limitado, mas do mesmo modo, diretamente, sem raciocínio, sem intermidiário. Tal é o sentido desta frase de São Paulo: "Nós agora vemos como por um espelho (i.é, por um intermidiário), obscuramente, mas depois vê-lo-emos face a face; agora conheço-o em parte, mas depois hei de conhecê-lo como sou conhecido" (1Cor. XIII, 12 13). É também este o pensamento de São João quando diz: "Agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que seremos um dia. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como é" (1 S. João, III, 2). É participarmos de uma maneira finita, mas real, da própria vida de Deus; é conhecê-lo como Ele se conhece, amá-lo como Ele se ama.
   No céu veremos a Deus; na terra, comungamos já do seu pensamento pela fé. que é a luz de Deus. É, pois, bem verdade que pela fé  e pela caridade começamos a conhecer a Deus como ele se conhece e a amá-lo como Ele se ama, embora num grau muito inferior, e que começamos a participar da Sua vida.
   A liberalidade divina outorga-nos generosamente, no próprio momento em que recebemos a graça habitual, um conjunto de virtudes e de dons sobrenaturais. As virtudes sob a direção da prudência, nos permitem operar sobrenaturalmente com o concurso da graça atual. Os dons nos tornam tão dóceis à ação do Espírito Santo que, guiados por uma espécie de instinto divino, somos, por assim dizer, movidos e dirigidos por este divino Espírito. Devemos advertir, porém, que estes dons não se exercem de modo frequente e intenso senão nas almas mortificadas.
   No exercício das virtudes, a graça deixa-nos ativos, sob o influxo da prudência. No uso dos dons, quaando estes atingiram pleno desenvolvimento, exige de nós mais maleabilidade do que atividade. Façamos uma comparação: Quando a mãe ensina o filhinho a andar, umas vezes, contenta-se de lhe guiar os passos, impendindo-o de cair; outras vezes, toma-o nos braços, para o ajudar a vencer um obstáculo  ou lhe dar um pouco de descanço. No primeiro caso, é a graça cooperante das virtudes; no segundo caso, é a graça operante dos dons.
   Além de tudo isso, o Nosso Pai celestial concede-nos GRAÇAS ATUAIS.
   A graça atual é um auxílio sobrenatural e transitório que Deus nos dá para nos iluminar a inteligência e fortalecer a vontade na produção dos atos sobrenaturais.

sábado, 7 de maio de 2011

OS NOSSOS DEVERES PARA COM O HÓSPEDE DIVINO

   Primeiro dever: PENSAR MUITAS VEZES neste Deus que vive em nós e fazer-lhe companhia. Quando uma pessoa notável nos dá a honra de nos visitar, nós apressamo-nos a dispensar-lhe o melhor do nosso tempo e a tornar-lhe a estadia junto de nós tão agradável quanto possível. Não será precisamente isso o que devemos fazer em relação ao nosso hóspede divino, que nos dá a honra de nos visitar e de estabelecer em nós a sua morada? A Ele que se ocupa incessantemente dos interesses da nossa alma, havíamos de esquecer? Santa Teresa d'Ávila censurava-se por ter vivido tanto tempo sem pesnsar frequentemente na Santíssima Trindade. "Compreendia bem, escrevia ela, que tinha uma alma, mas a estima que essa alma merecia, a dignidade do hóspede que nela habitava - isso não o compreendia bem, porque as vaidades da existência eram como uma cortina diante de meus olhos. Se tivesse compreendido como agora, que era grande o Rei que habitava o pequeno palácio de minha alma, parece-me que não o teria deixado só tantas vezes" (Cf. Caminho de Perfeição, cap. XXVIII). Muitos leitores hão de censurar-se da mesma maneira e esforçar-se doravante por fazer companhia ao hóspede divino desde a manhã até à noite.
   Os meios são simples: 1º - Recolhermo-nos no começo dos nossos trabalhos, dizendo: Deus vive em mim, e consagrarmos às três pessoas divinas o ato que vamos realizar. É para isto que fazermos o sinal da cruz no início dos nossos trabalhos.
                                          2º - Sabendo que o hóspede divino é para o homem uma fonte de luz, de força, de consolação, as alma interiores voltam repetidamente para Ele, no decurso dos seus atos, os olhos do espírito e do coração.
                                          3º - Nas orações, as almas interiores nunca esquecem as palavras de Jesus: "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, tendo fechado a porta, ora a teu Pai, que está presente, em segredo" (Mat. VI, 6). O quarto onde se recolhem é a cela do coração. É aí que encontram a Santíssima Trindade, é aí que, unidas, incorporadas no Verbo Encarnado, adoram e suplicam em silêncio. 
   Segundo dever: ADORAÇÃO. Como não glorificar e louvar este hóspede divino, que, sendo Deus, transforma a nossa alma num verdadeiro santuário? E com que amor se deve repetir a doxologia dos primeiros cristãos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, que não é uma fórmula vaga, porque exprime todos os sentimentos de adoração, de louvor e de amor. Sobretudo quando assiste a Santa Missa, a alma interior gosta de orar pausadamente, de saborear, digamos assim, todas as preces em honra da Santíssima Trindade: o Kyrie eleison, o Gloria in excelsis Deo, o Sanctus, o Pater-Noster; e, quando no fim da missa, o sacerdote se inclina sobre o altar para suplicar à Santíssima Trindade que se digne aceitar o sacrifício que acaba de oferecer, a alma piedosa acrescenta a oferenda do seu próprio coração e sente-se confortada para todo o dia.
   Terceiro dever: O AMOR. E o nosso amor não há de manifestar-se apenas em sentimentos piedosos, mas em obras e sacrifícios: 1º - Será um amor penitente, que se propõe expiar as infidelidades. 2º - Será  um amor reconhecido, que agradece todos os dons a este insigne benfeitor, a este consolador dedicado que opera em nós e conosco com tanto zelo e constância. 3º - Será um amor de amizade, que nos levará a corresponder às ambilidades divinas com uma santa alegria e a conversar afetuosamente com o mais fiel e o mais generoso dos amigos; que nos levará sobretudo a aceitar todos os seus interesses, a procurar a sua glória, a louvar e a fazer louvar o seu santo nome. 4º - Será enfim um amor generoso, que vai até o sacrifício, ao esquecimento de sì, à aceitação cordial de todas as provações que lhe aprouver enviar-nos. Como Santa Teresinha do Menino Jesus, diremos sinceramente: "Não sou egoísta: é a Deus que eu amo e não a mim... A minha alma está sempre na escuridão; mas eu sou feliz, sim, muito feliz, por não ter qualquer consolação... Teresa ama a Jesus só por Ele".
   Quarto dever: A IMITAÇÃO. O amor generoso conduz à imitação. O homem deseja assemelhar-se o mais possível àquele a quem ama. Mas como imitar a Trindade, cuja santidade é infinita? De duas maneiras: evitando cuidadosamente tudo o que pode toldar a pureza da alma, e adornando-a de todas as virtudes. Templo vivo da Santíssima Trindade, o cristão deve conservar com cuidado extremo a pureza do corpo e da alma. Digamos com santa energia: "Antes morrer, ó meu Deus, do que manchar o vosso santuário; antes morrer do que expulsar-vos do meu coração, introduzindo nele o pecado e o demônio".
   "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito" (Mat. V, 48). Para facilitar esta tarefa o Filho de Deus fez-se homem como nós, viveu a nossa vida, abraçou as nossas misérias e as nossas fraquezas, exceto o pecado, e tornou-se, assim, o caminho que devemos trilhar para subir até ao Pai.
   Há, no entanto, uma virtude cuja prática Nosso Senhor nos recomenda, para imitarmos a unidade perfeita que reina entre as três pessoas divinas: a caridade fraterna. "Que todos sejam um, como tu, meu Pai, o és em mim e eu em ti, para que eles sejam um em nós" (S.João, XVII, 21). Nos primeiros séculos, os pagãos se convertiam vendo este bom exemplo dos cristãos e diziam: "Vede como eles se amam!"