quinta-feira, 26 de maio de 2016

ZELO SACERDOTAL

Zelo e padre são duas palavras, pode-se dizer, sinônimas e correlativas. O que a primeira exprime é condição essencial que a segunda exige. Todavia, passando da teoria à prática, podemos bem distinguir quatro espécies de padre no ministério.
   1- Há padres zelosos da sua própria salvação e da salvação do povo. São verdadeiramente padres. Santos e apóstolos. Santos, porque não se descuidam da sua perfeição sacerdotal. Apóstolos, porque se atiram à luta para levar ao céu o rebanho que lhes foi confiado. Felizes pastores  e felizes rebanhos!
   2- Há padres zelosos de sua salvação e indiferentes pela salvação do povo. São bons cristãos, mas não são bons padres. Seriam santos, se não fossem padres, mas já que o são, é preciso ver neles padres imcompletos.
   3- Há padres zelosos da salvação do povo e indiferentes de sua própria salvação. São operários cheios de probidade no serviço da Igreja. Não alteram nem a matéria nem a forma dos sacramentos. São pregadores que não deixam a verdade cativa em seus lábios. Tais padres não são traídores do povo, mas são traidores de si próprios. Seriam apóstolos, se fosse possível ser apóstolo, sem ser santo.
   4- Há padres indiferentes pela sua própria salvação e indiferentes também pela salvação do povo. Não são apóstolos nem santos. Nem salvadores de almas, nem cristãos de consciência. São padres  simplesmente infìéis à sua vocação. Não querem abrir o céu nem para os outros nem para si.
   Um bispo francês, em um retiro eclesiástico, pregava ao auditório, com acentos de dor: "Dizeis que a fé se vai extinguindo dia a dia: Vos estis lux mundi! Dizeis que a corrupção dos costumes hoje avassala a sociedade e conquista todas as idades e condições, entretanto: Vos estis sal terrae! A luz teria se apagado? O sal tornou-se insípido? A palavra de Deus não está em vossos lábios? O sangue de Jesus Cristo não está em vossas mãos? Tantos padres, tantos padres, e o cristianismo a se enfraquecer em nossa terra! Há nisto um mistério!!! (Pe. Valuy, S.J.)
  Um dia, certo professor de medicina, acompanhando os seus jovens ouvintes a uma sala de hospital, perguntava-lhes, depois de os ter colocado no meio da enfermaria: "Observemos a distância; dizei-me qual é o doente mais gravemente atingido?"  - ? - "Vede, é aquele lá ao fundo que tem moscas pousadas no rosto. Quando um doente suporta em total apatia que as moscas lhe ataquem o rosto, isso é só por si, sinal de morte próxima". Este fato acontecido há muito tempo, serve, hoje de parábola: Quando um padre consente que tudo se faça contra Deus, na sua paróquia (ou na sua obra) sem se mexer, sem reagir, isto é um sinal: o seu zelo está morto.
EXEMPLO DE ZELO
   Numa pequena paróquia, está moribundo o velho pároco: pregado no seu leito, aguarda a hora de partir, e a hora aproxima-se. Dizem-lhe que um dos seus paroquianos, desde há muito tempo revoltado contra Deus e a Igreja, está também moribundo. Envia-lhe o seu coadjutor. Este vai, mas volta sem ter conseguido coisa alguma. "Ó meu Deus, exclama o velho pároco ao seu coadjutor; peço-lhe que volte lá e diga a este infeliz que ele me prometeu não morrer sem se reconciliar com Deus." O coadjutor obedece, mas o moribundo responde zombando com ar sinistro: "Vai-te embora; a quem eu prometi isto foi ao pároco."
   O bom pároco ao saber isto, levanta os braços e os olhos ao céu e depois, sob o influxo duma inspiração súbita, diz: "Tragam-me uma padiola!" Manda colocar sobre ela um enxergão; faz-se transportar para cima dele e envolver em mantas, e ordena: "Vamos! levem-me lá".
   E, nas trevas da noite, iluminado por uma tocha que vacila, o moribundo é levado através de ásperos e longos caminhos. Quando o impenitente vê entrar no seu quarto aquela padiola e aquele velho pálido que vem ter com ele, ergue-se no seu leito com extrema dificuldade, e exclama: "Oh! que vem o senhor fazer aqui?!" - "Venho salvá-lo, responde o padre".
   Aproximam a padiola da cama do doente e deixam sós os dois moribundos. Quando, passado algum tempo, voltam ao quarto, os dois choram e pela última vez o velho pároco abençoa o doente e diz-lhe: "Meu querido filho espiritual, até breve, no céu!"
   O cortejo retoma a sua marcha nas trevas da noite, silencioso, como um cortejo fúnebre. Todos choram comovidos diante de tão heróica caridade. Chegados ao plesbitério, quando pousam a padiola e retiram as mantas, o corpo, cadavérico, fica imóvel; a alma tinha partido!
   Ó Jesus, que vos responderei eu, se a mim vos queixardes da inutilidade de vosso sangue: "Quae utilitas in sanguine meo?" Venha sobre mim, este Sangue divino, para me purificar, inflamar e transformar num sacerdote santo! Derramá-lo-ei, então, sobre as almas com mais zelo e eficácia. Amém!
  

4 comentários:

  1. COMO O ACIMA TEM SENTIDO!
    Aliás, tem total fundamento o texto, mesmo muito mais preces em favor do papa Francisco - como necessita - e uma petição que anda por aí para ele reprovar as mudanças em curso na Igreja rejeitadas no recente Sínodo das Familias pois, se desde anteriores Papas ao Vaticano II eles já se preocupavam seriamente com a situação/infiltração da Igreja, já àquela época, imaginemos hoje, muito pior, e naquele tempo os carbonários ainda iniciavam suas investidas e planos de forma mais ousados.
    Aliás, lutavam com empenho nesse sentido e urdiam planos para o porvir, como até mesmo, quem sabe, a preparação de um futuro papa que os atendesse - cartas entre Vindice e Nubius, "A Conspiração da Alta Venda dos Carbonários" - além das profecias de N Senhora prioritariamente credíveis, como de Quito, La Sallete, aquela nos prevenindo quanto aos acontecimentos a sucederem nos séculos XIX e XX, em pleno andamento, a cada dia mais em relevo, que se ajunta de confusão na Igreja devido à apostasia, a começar na Alta Hierarquia.
    O exorcista maior Pe Gabrielle Amorth falou sobre a presença do diabo dentro do Vaticano e D Manuel Pestana, ao prefaciar o livro desse - Um Exorcista Conta-nos - diz ele que o diabo está lá dentro triunfalmente, transpondo os umbrais do Vaticano.
    Seriam os reflexos de relapsos sacerdotes acima citados no descuido com o povo a expansão do satanista comunismo que em nada se mudou, mas sim suas aparências, pois sendo uma das faces do diabo, estando no presente sob diversas formas, como de "politicamente correto, diversidade, multiculturalismo, tolerância e falsa misericordia com o erro etc"., sem reprovação consistente da maioria da Alta Hierarquia, como da omissa ou conivente CNBB, em cima do muro...
    Nesse caso, como base no texto acima, de quem é a culpa senão dos omissos eclesiásticos que permitem que as mentes dos incautos sejam direcionadas para o erro que adentrou a Igreja, tendo como recente exemplo o vergonhoso apoio (da ala esquerdista) da Igreja à recente PJ em Manaus - do Che Guevara e do PT-CNBB - e da sua idem comuno-secretaria Aline Ogliari - confira-a e quem apoia no seu FACEBOOK!
    Os pobres leigos ficarão nesse caso, em meio a essa confusão, expostos aos lobos, perplexos e sem formação; ficarão á mercê de serem "doutrinados" pelas novelas, BBBs, mídia globalista...

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  2. Boa noite,
    Descobri este mirífico blog "por acaso". Fui um católico desgarrado da Santa Madre Igreja, tendo me escravizado por 10 anos no protestantismo e retornado há 5 anos, juntamente com minha esposa, à verdadeira fé. Me senti profundamente tocado a frequentar Missas Tridentinas, mesmo com dificuldades, cheguei a frequentar essas verdadeiras Missas na capital do Estado, porém ao me mudar para o interior, não há a prática dessa Missa e não tenho me sentido confortável ou mesmo em sã consciência de frequentar as Missas Novas. Aos domingos, tenho apenas entrado na capela a rezar o terço (principalmente pela restauração da Igreja à boa e velha tradição, bem como pela volta dos bons hábitos perdidos pela Igreja e pelo clero). Assisti ao filme "O que perdemos" e estou indignado com tudo que vem ocorrendo com a Igreja nas últimas décadas. Estou vivendo um dilema atroz e que me tem inquietado.
    Gostaria de uma orientação do padre, eis que minha consciência não me deixa participar da Missa Nova (palmas, comunhão nas mãos, louvores protestantizados ainda mais com aqueles gestos típicos dessas igrejas, que me trazem inclusive lembranças de quando eu estava no protestantismo, isso sem falar nos sermões pouco católicos, enfim...).
    Sou daqueles católicos perplexos, tal qual mencionou Marcel Lefebvre.
    Peço orientação.
    Obrigado.

    Eduardo

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  3. Caríssimo Sr. Eduardo, Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
    Compreendo perfeitamente sua angústia e perplexidade. Realmente uma Missa que tanto agradou aos protestantes não pode agradar a um católico. Mas a Igreja é divina. As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela. Estamos numa crise sem precedentes dentro da Igreja. Mas é como um eclipse: temos certeza que passará. Mas enquanto isto o conselho que de dou é este: Segue com sua consciência porque está bem orientada pela fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Assistir algo que pelas dessacralizações, pelos espaços à ambiguidades e, máxime, pelas profanações, tudo isto irá tirar sua fé. Mesmo que isto não aconteça por assistir uma ou outra missa nova, mas com o tempo, a pessoa perde a fé; pelo menos aquela fé viva, que Jesus quer encontrar em nós.
    Que Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima o abençoem bem como a toda sua maravilhosa família. Vamos fazer o que Jesus ensinou com seu exemplo e com suas palavras: É preciso orar sempre e nunca deixar de o fazer.
    De coração, envio-lhes minha bênção sacerdotal
    Padre Elcio Murucci

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  4. Salve Maria Pe. Elcio Murucci

    Recebo sua benção com alegria.

    Agradeço muitíssimo por seu conselho. Me tranquilizou de tamanha indignação que venho tendo.

    Im Code Jesu Semper

    Eduardo

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